Grândola Vila Morena | Bernardo Sassetti & Mário Laginha
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quarta-feira, 25 de abril de 2018
terça-feira, 6 de março de 2018
Marcelo não conheceu o fascismo?
Marcelo Rebelo de Sousa teve a sensatez e a sensibilidade de emitir uma nota “a lamentar” (lê-se no título) a morte do coronel João Varela Gomes: “O Presidente da República apresenta à Família do Senhor Coronel João Varela Gomes condolências invocando a sua militância cívica, em particular, a sua consistente luta contra a ditadura constitucionalizada antes do 25 de Abril de 1974”, diz o texto enviado às redações no passado dia 28 de fevereiro.
Informo o leitor ou a leitora, caso não saiba, que Varela Gomes passou pelas prisões da PIDE (a polícia política de Salazar), participou na campanha eleitoral do general Humberto Delgado (que desafiou o regime), esteve na conspiração da Sé em 1959 e no assalto ao quartel de Beja em 1962 (que o qualificaram como um dos heróis da resistência).
Depois do 25 de Abril, Varela Gomes liderou a 5.ª Divisão do Estado-Maior das Forças Armadas, que percorreu o país a promover sessões de esclarecimento e de propaganda sobre a Revolução dos Cravos e o Movimento das Forças Armadas. No 25 de novembro de 1975 ficou do lado dos derrotados e teve de fugir do país. Voltou em 1979.
Em primeiro lugar tenho de dizer que se o Presidente da República fosse outra pessoa provavelmente a nota que citei nunca teria sido emitida. Cavaco Silva nunca o faria. Jorge Sampaio e Mário Soares talvez o fizessem, mas não tenho a certeza…
Em segundo lugar quero sublinhar a definição utilizada por Marcelo Rebelo de Sousa, construída para designar a forma como a República se organizou durante o longo consolado de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano: “Ditadura constitucionalizada”… Nem apenas “ditadura”, nem o autodesignado “Estado Novo”, nem o mais popular “fascismo”.
Esta versão agora adotada por Marcelo Rebelo de Sousa é a demonstração de como Portugal ainda tem muitos problemas para falar do seu passado, encerrado há 43 anos: o esforço para encontrar uma formulação bateriologicamente pura da infeção ideológica para dizer aos portugueses o que era o regime que Varela Gomes combateu é, por si só, um exercício de ideologia, pois parte da presunção de que falar sobre fascismo em Portugal é uma incorreção, uma inconveniência ou uma infelicidade.
É verdade que há historiadores e académicos a defender essa tese, mas, para mim, isso não faz sentido: houve partido único, houve câmara cooperativa, houve Mocidade Portuguesa, houve Legião, houve censura prévia, houve polícia política, houve prisões e campos de concentração para os opositores e houve um sem-número de outras instituições e leis no Portugal desse tempo – ou em alguns períodos dentro desse tempo – semelhantes a outros regimes fascistas.
Como não sou historiador nem académico, esta minha posição pode ser facilmente contestada por quem, nesta área, tem mais credibilidade do que eu. Porém, ao longo dos meus 54 anos de vida, já assisti a várias revisões profundas da história, sempre com suposto certificado científico, até de coisas bem antigas, milenares, sobre as quais pensava haver imenso saber consolidado.
Por isso, aquilo que hoje se escreve como sendo verdade científica acerca de história contemporânea será, de certeza, uma falsidade científica amanhã e, se calhar, voltará ao estatuto de verdade científica depois de amanhã.
O problema não é, insisto, de rigor histórico ou científico. O problema é outro. O problema é que quando ouvimos a palavra “fascismo” pensamos em opressão, em repressão, em escuridão. Quando ouvimos “ditadura constitucionalizada” pensamos em legislação, ordem e autoridade. Há aqui um planeta de distância, estamos a falar de dois países diferentes.
Imaginemos que o coronel Varela Gomes estava vivo e que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa se cruzava com ele e lhe dizia: “Quero agradecer-lhe, em nome do povo português, a sua consistente luta contra a ditadura constitucionalizada.” Varela Gomes, que se definia como antifascista, como se sentiria? Provavelmente ofendido, se calhar até humilhado, certamente indignado.
E se em vez de Varela Gomes essa mesma frase, essa expressão “ditadura constitucionalizada” tivesse sido dirigida a Álvaro Cunhal? Ou a Mário Soares? Ou a qualquer um dos milhares de pessoas que passaram pela prisões da PIDE, muitas delas ainda vivas e com ativa participação na vida pública? Como podem essas pessoas, de diversos quadrantes ideológicos, que tantos anos da sua vida deram em torno do conceito mobilizador do derrube do fascismo em Portugal, aceitar agora esta esterilização da sua luta?
Como podem os filhos, os netos ou bisnetos dos resistentes a Salazar e Caetano aceitar uma versão oficial de que os seus pais, avós ou bisavós não lutaram contra o fascismo, lutaram antes contra uma “ditadura constitucionalizada”? Julgarão que os seus familiares os enganaram? Ou que o Estado está a trair a memória dos seus familiares?
Dizer, para definir o fascismo português, que se tratou, apenas, de uma “ditadura constitucionalizada” é conseguir inatacável rigor histórico, talvez mesmo para daqui a mil anos, mas é também escamotear a história real, vivida, pessoal de cada lutador político desse tempo, onde se documenta uma parte essencial do que se passou em Portugal durante 48 anos.
Penso que Marcelo tenta, como Presidente, pacificar o país, até com a sua memória. Daí ter decidido lamentar a morte do antifascista Varela Gomes, o que outros, repito, não fariam… Porém, ao tentar as meias-tintas, falhou e, até, afrontou o texto do preâmbulo da Constituição que jurou defender. É pena.
Artigo de Pedro Tadeu, in Diário de Notícias
Artigo de Pedro Tadeu, in Diário de Notícias
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
A Revolução de Outubro está morta ?
No dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, não havia verdadeiras democracias no mundo. Nos países onde se faziam eleições para o poder legislativo só uma pequena parte do povo tinha direito a voto: na maior parte dos casos só os proprietários, os empregados, os mais velhos ou alfabetizados é que podiam votar. Onde não havia ditaduras formais só uma pequena parte da população era chamada a decidir o futuro coletivo.
Na Inglaterra, tantas vezes descrita como a mais avançada das democracias europeias, os homens só tiveram acesso geral ao voto em 1918 e as mulheres, depois de 30 anos de manifestações reprimidas nas ruas, só o teriam em 1928.
Em França as mulheres só puderam votar em 1944, apesar de a Revolução Francesa, a da igualdade e da fraternidade, ter como símbolo uma mulher e de o voto dos homens para elegerem um parlamento ter começado em 1792 e dos homens não brancos em 1916.
Nos Estados Unidos os homens brancos podiam votar desde 1856, as mulheres desde 1920, os nativos desde 1924 mas, em resultado da dura luta dos afro-americanos contra a segregação, a universalidade do voto chegou à "terra dos homens livres" somente em 1965, já grande parte de nós era nascida.
Em Portugal o voto só foi verdadeiramente universal em 1974, graças à Revolução dos Cravos, pois boa parte da população estava proibida de ir às urnas, mesmo na República, antes do fascismo.
No dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, os bolcheviques tomaram o poder na Rússia e herdaram o voto universal instituído pelo governo provisório da revolução de fevereiro. A Rússia não foi a primeira: na Nova Zelândia, na Finlândia, na Noruega e na Dinamarca isso já acontecia. Democracia no mundo em 1917? Não, não havia.
A Rússia bolchevique juntou à noção de direito de voto universal muitos outros de sua lavra: habitação, assistência médica e educação gratuitas, legalizou-se o divórcio, terminou a distinção entre filhos legítimos e ilegítimos, promoveram-se direitos das crianças e dos idosos, proibiu-se o trabalho infantil, as jornadas de trabalho foram limitadas a oito horas diárias, houve férias pagas, segurança social, estabeleceu-se salário igual para trabalho igual entre homens e mulheres. Quase ninguém no mundo tinha leis destas...
Os países de sistema capitalista encontraram um adversário que entusiasmava e mobilizava milhões de operários, empregados, intelectuais, professores, estudantes, homens e mulheres explorados, oprimidos, sem voz. Ao longo dos 70 anos seguintes, até à queda da União Soviética, muitos países capitalistas, pressionados pela competição com o campo socialista e pela luta dos deserdados da fortuna dos seus países, concederam inúmeros direitos políticos e sociais que hoje consideramos naturais.
Sim, os crimes contra a humanidade que se praticaram em nome do socialismo - tal como os dos capitalismo - são imperdoáveis. Mas isso não conta toda a história: uma boa parte das melhorias civilizacionais do planeta estão associadas ao desafio colocado pela primeira tentativa de construir uma sociedade sem explorados nem exploradores - e só assim as melhores democracias capitalistas caminharam para o que hoje são. Até no simples voto...
A denunciante mais talentosa da degradação do "comunismo real" é Svetlana Alexievich, a prémio Nobel da Literatura que escreveu O Fim do Homem Soviético. Mas até ela resolveu dizer isto a um jornal português: "O comunismo era uma ideia boa, bonita, no início. E acho que não está morto. O comunismo vai voltar, mais à frente no tempo..." A Revolução de Outubro faz hoje 100 anos mas, segundo Svetlana, a anti-soviética, o seu espírito não morreu... Espanto?
Artigo de Pedro Tadeu no Diário de Noticias
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quinta-feira, 9 de novembro de 2017
As revoluções no centenário de Outubro
Se há atitude que diz muito do ciclo de desdemocratização em que vivemos é, aliás, este regresso da velha abordagem que procura o cabecilha, em vez de entender o movimento.
Foi o acontecimento central da história do séc. XX”, dizia Eric Hobsbawm (A Era dos Extremos, 1994), “da mesma forma como a Revolução Francesa o foi do séc. XIX”. Sendo puros produtos da modernidade ocidental, em toda a sua contradição interna, a qual ajudaram a transformar como nenhum outro processo político, ambas foram transformadas em objetos históricos malditos por todas as direitas do mundo, que as tentaram desocidentalizar como se, numa rançosa lógica colonial, elas não fossem mais do que processos de mudança tumultuária às mãos de massas ignorantes e fanatizadas. Entre a francesa de 1789 e a russa de 1917, Hobsbawm via uma diferença fundamental: 1917 “teve repercussões muito maiores e que se prolongaram por muito mais tempo” do que 1789. “A Revolução de Outubro suscitou o maior, de longe, movimento revolucionário organizado da história moderna”, fazendo com que “ao fim de apenas 30 ou 40 anos da chegada de Lenine à estação da Finlândia em Petrogrado”, em abril de 1917, “um terço da humanidade vivesse sob regimes que decorriam diretamente dos ‘Dez dias que abalaram o mundo’”, como lhes chamou John Reed. De uma forma ou doutra, todos os movimentos emancipatórios do séc. XX se inspiraram nos bolcheviques, na sua luta contra o capitalismo e o imperialismo como modelos de dominação, na Alemanha, na Hungria ou no México dos anos 1917-23, na Espanha de 1936-39, nas resistências antifascistas da II Guerra Mundial, na China de 1949, em Cuba (1959) e nas lutas anticoloniais, até mesmo no Portugal de 1974-75, como tantas vezes Soares achou... Ao contrário da Revolução Americana de 1776, que manteve intactas escravatura e supremacia racial e que abriu caminho à colonização genocida de toda a América do Norte, as revoluções francesa e russa inspiraram durante décadas por todo o mundo movimentos de emancipação das classes exploradas e das minorias étnicas, mas só a russa se lançou na democratização radical da propriedade e, por exemplo, na emancipação das mulheres ou das minorias de orientação sexual. Como escreveu Moshe Lewin (O Século Soviético, 2005), “as representações do sistema soviético” reproduzidas no Ocidente, “largamente influenciadas pelas realidades ideológicas e políticas de um mundo bipolar”, baseadas em “juízos fundamentalmente ideológicos”, têm, desde sempre, impedido avaliar com rigor a dimensão social e cultural do projeto soviético. A sobrepolitização da análise do sistema soviético levou — e leva ainda — a que se “estude a URSS exclusivamente no seu estatuto de Estado ‘não democrático’ e se discuta o que não era, em vez de tentar compreender o que era”.
Na era do medo e do choque como instrumentos de gestão política (Naomi Klein), é revelador que a patologização das revoluções como processos de mudança tenha desenterrado as formas mais preconceituosas de encarar a história. Entre os piores vícios de análise das revoluções que por aí campeiam neste centenário de 1917 estão, antes de mais, essa essencialização da violência como caraterística genética da Rússia e da sua cultura, ou a ideia de que as revoluções, mais do que resultado da ação e da tomada de posição de grandes atores coletivos e da intersecção de tendências profundas (que maçada ter de as estudar...), são produto da manipulação de revolucionários profissionais, de líderes sobre-humanos (Lenine, Estaline) descritos como protagonistas da violência ideocrática, e, portanto, atores sociais desligados do conjunto da sociedade. Da mesma forma que as teses tradicionais da sovietologia ocidental (sobretudo Robert Conquest, 1968) e o próprio discurso oficial da URSS pós-estalinista e da Rússia pós-soviética elevaram Estaline ao altar de “tirano sanguinário empenhado em conseguir o poder total”, dessa forma “esquivando-se ao desafio narrativo de ter de dar conta da variedade das vítimas e dos perpetradores e desentranhar a complexa história da violência política na URSS” (James Harris, O Grande Medo, 2016), o discurso que se tem produzido no centenário continua a falar da “Revolução de Lenine”, que, por essa mesma autoria individual, não teria sido “uma marcha de forças sociais abstratas e de ideologias” (Orlando Figes, A Tragédia de Um Povo, 1996). Se há atitude que diz muito do ciclo de desdemocratização em que vivemos é, aliás, este regresso da velha abordagem que procura o cabecilha, em vez de entender o movimento.
Artigo do Manuel Loff no Público
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Outubro salvou a Humanidade
Em finais de 1941, as forças fascistas dominavam a Europa continental, da Península Ibérica até às portas de Moscovo. Aos comunistas e à URSS coube a cara tarefa de lutar contra o nazi-fascismo e salvar a Humanidade.

A 27 de Janeiro de 1945, as tropas soviéticas libertaram o campo de concentração de Auschwitz
Créditos
Na Segunda Guerra Mundial, a URSS assumiu o papel determinante de derrotar o nazi-fascismo, num processo que o povo soviético designou como a «Grande Guerra Pátria».
Em Junho de 1941, com as mais poderosas forças militares até então conhecidas na história, a Alemanha invade a URSS. As divisões nazis avançam até Moscovo, onde tem lugar a primeira grande batalha em Setembro de 1941, Estalinegrado e Leninegrado, alvo de um cerco de cerca de 900 dias.
Momento fundamental de viragem na guerra foi a batalha de Estalinegrado, entre Novembro de 1942 e Fevereiro de 1943, na qual foram aniquiladas 20 divisões alemãs com mais de 330 mil militares.
Na contra-ofensiva soviética tiveram lugar outras importantes batalhas, entre as quais a batalha de Kursk (em Julho-Agosto de 1943), uma das maiores da história, onde foram aniquiladas 50 divisões, que possibilitou o contínuo avanço do Exército Vermelho até Berlim; a libertação do Campo de Concentração de Auschwitz, a 27 de Janeiro de 1945; e a tomada do Reichstag, a 8 de Maio de 1945.
A batalha pela produção de armamento foi ganha pela transferência maciça de empresas da indústria pesada e de mão-de-obra para os Urais, que, a par da formação de operários qualificados, possibilitou o crescimento exponencial na produção de aviões, tanques e canhões, suplantando a produção alemã no mesmo período.
Na obra The wages of destruction – The making & breaking oh the nazy economy, sobre a história económica da Alemanha nazi, Adam Tooze, refere que, «apesar de ter sofrido perdas territoriais e devastação, que se traduziu numa quebra de 25% do produto nacional total, a União Soviética, em 1942, conseguiu produzir mais do que a Alemanha em quase todas as categorias de armamentos».
Importa recordar que, só depois da Conferência de Teerão (de Estaline com Churchill e Roosevelt), nos finais de 1943, em que se tornou evidente que, com o avanço do Exército Vermelho, a União Soviética estava em condições e a caminho de libertar a Europa com as suas próprias forças, as tropas britânicas e norte-americanas desembarcaram na Normandia em 6 de Junho de 1944.
No seguimento da II Guerra Mundial e do decisivo contributo da URSS para a vitória sobre o nazi-fascismo, alterou-se profundamente a correlação de forças no plano mundial, dando origem a uma nova ordem democrática e antifascista, que inscreveu na Carta das Nações Unidas o respeito pela soberania dos povos, o desarmamento, a solução pacífica e negociada de conflitos entre estados.
A violação destes princípios pelo imperialismo levou ao desencadeamento da chamada «guerra fria», obrigando a URSS a um grande esforço para se dotar do mais moderno e avançado armamento, dando origem a um forte poder militar que permitiu conter a agressividade do imperialismo e criou condições mais favoráveis à luta pela paz e pela libertação dos povos do domínio colonialista e imperialista, de que foi expressão a Revolução de Abril de 1974, em Portugal.
Também na Conferência de Paz de Helsínquia para a Segurança e Cooperação Europeia, concluída em 1975, o papel decisivo da URSS permitiu alcançar importantes acordos de desarmamento e tratados para a limitação das armas nucleares.
Se a Revolução de Outubro e a construção de uma sociedade socialista significaram extraordinários avanços e transformações libertadoras, o desaparecimento da URSS e as derrotas do socialismo no Leste da Europa resultaram num grande salto atrás nos direitos e conquistas dos trabalhadores e dos povos.
O desastre económico e social da contra-revolução
O imperialismo desencadeou uma violenta ofensiva a fim de recuperar as posições perdidas ao longo do século XX e impor a sua hegemonia no plano mundial. Como resultado, o mundo tornou-se menos democrático, mais injusto e mais perigoso, tendo-se aprofundado as injustiças e desigualdades sociais.
Desde a proclamação da derrota do socialismo, nos países que constituíam a URSS registam-se mais de 100 milhões de pobres, a esperança média de vida diminuiu e observou-se uma enorme recessão, com contracções do PIB e da produção industrial na ordem dos 50%.
A nova realidade abriu portas a guerras imperialistas (caso da ex-Jugoslávia) e à instauração de regimes ditatoriais e fascistas, como actualmente na Ucrânia.
A nível global, generalizaram-se as acções de desestabilização e as guerras de agressão, tendo-se instituído o ataque a liberdades e direitos fundamentais com a NATO e outros pactos agressivos.
Por outro lado, poderosas multinacionais passaram a comandar Estados e regiões inteiras, e novas formas de exploração foram sendo ensaiadas, aprofundando-se o fosso entre ricos e pobres.
A pobreza, a fome e a doença dominam vastas regiões do planeta, onde a exploração do trabalho infantil, o trabalho escravo, o tráfico de seres humanos, o comércio da droga, a corrupção e outras chagas do capitalismo não param de alastrar.
Com o argumento do combate ao terrorismo generalizaram-se políticas e medidas securitárias que interferem com direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos, da mesma forma que crescem os ataques ao movimento operário e sindical, e germinam forças xenófobas, racistas e fascistas.
No quadro de consequências políticas resultantes do imperialismo surge também o maior movimento de refugiados no pós-2.ª Guerra Mundial, a par da morte de milhares de pessoas no Mediterrâneo.
__________________________________________________1. Rede internacional de organizações que trabalham para reduzir a pobreza
2. Organização das Nações Unidas
3. Organização Internacional do Trabalho
4. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
5. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
Fonte: Abril Abril
terça-feira, 7 de novembro de 2017
1917-2017: Cem anos de uma Revolução que muitos desejam efémera
A 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro no antigo calendário russo) apontou-se pela primeira vez na história uma sociedade de seres humanos livres e iguais. O projecto foi interrompido, mas o que o justificou não.
A partir do século XIX, com o ascenso do proletariado como nova força social, o sonho e a utopia deram lugar a um projecto político e de transformação social, no sentido da eliminação de todas as formas de exploração e opressão.
Nascia assim a resposta à primeira grande crise gerada pelo imperialismo, materializada nos milhões de mortos e na destruição provocados pela I Guerra Mundial. Por muitos artigos que se escrevam a desmerecer a sua importância e a asfixiá-la num período da história, a actualidade demonstra que nela reside o futuro e a esperança dos homens e mulheres que não aceitam a exploração como sistema.
Foi na Rússia semi-feudal, dominada pelo poder autocrático e repressivo dos czares e da mais alta nobreza, com mais de cem nacionalidades oprimidas, conhecida como «prisão dos povos», destruída pela I Guerra Mundial, com um povo fustigado pela exploração, a repressão, a pobreza, a fome e o analfabetismo, que surgiu a 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro no antigo calendário russo) a Revolução de Outubro.
O proletariado russo, liderado pelo Partido Bolchevique, tomava nas mãos o seu destino, conquistando o poder e levando por diante o projecto de uma nova sociedade, com o objectivo de pôr fim à exploração do homem pelo homem.
Iniciava-se a construção de uma nova sociedade de seres humanos livres e iguais, que havia de marcar profundamente a vida mundial pelos êxitos, conquistas, realizações, exemplo e experiências deste empreendimento revolucionário.
Os grandes progressos verificados – direitos dos trabalhadores e dos povos em geral, políticas sociais, derrota do nazi-fascismo e libertação de países do jugo colonial – são inseparáveis da Revolução de Outubro, dos seus ideais e valores, da solidariedade política, diplomática, económica e militar da União Soviética para com a luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo.
O século XX fica marcado pela Revolução de Outubro, pelo poder político dos trabalhadores e pela construção duradoura, pela primeira vez na história, de uma sociedade sem exploradores nem explorados. A Revolução de Outubro é a concretização prática da aspiração secular do homem – a sua libertação social e humana.
Durante mais de meio século, o socialismo ganhou terreno como alternativa ao sistema capitalista. A edificação do novo Estado significou a instauração de um verdadeiro e genuíno poder popular, uma nova forma de democracia participativa – os sovietes, um fulgurante desenvolvimento económico (na indústria e na agricultura), desenvolvimento social e grandes descobertas e avanços na ciência e nas novas e revolucionárias tecnologias.
A construção da nova sociedade defrontou, porém, dificuldades e obstáculos superiores aos que previram os seus pioneiros. Com o desaparecimento da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e do socialismo como sistema mundial, o capitalismo tornou mais evidente a sua natureza com os brutais retrocessos na vida de milhões de seres humanos e o mundo mais exposto às tentativas de imposição de uma nova ordem ao serviço das potências imperialistas não olhando a meios para atingir os seus objectivos.
Fonte: Abril Abril
Fonte: Abril Abril
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quinta-feira, 12 de outubro de 2017
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Assim é o Che
Che Guevara, em 1963
Fotografia de René Burri
Passam hoje 50 anos sobre o assassinato de Che Guevara, na selva da Bolívia. Poucos dias depois de divulgada a execução, a 18 de Outubro teve lugar em Havana, na Praça da Revolução, uma velada solene, na qual Fidel Castro evocou e louvou a figura multifacetada do seu companheiro de luta, guerrilheiro, escritor, médico, estadista, diplomata, internacionalista. «Sejam como o Che», pediu Fidel à multidão.
As viagens de Ernesto Guevara de la Serna – Rosário (Argentina), 14 de Junho de 1928 – pela América, na primeira metade dos anos 50, marcaram-no de forma profunda, transformando-o, como ele próprio assume nas suas notas, ao ser confrontado com a enorme exploração dos trabalhadores das minas e a discriminação de que os nativos são alvo por parte dos yankees.
Na segunda dessas viagens, já médico, chega até à Guatemala, na América Central, onde conhece cubanos exilados que tinham participado no assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, e é testemunha do golpe de Estado planeado e executado pelos norte-americanos, em Junho de 1954. Apontado como um «perigoso comunista argentino», Che Guevara, como é universalmente conhecido, é obrigado a sair da Guatemala e foge para o México. Ali conhece Fidel.
«Falei com Fidel uma noite inteira. E ao amanhecer já era médico da sua futura expedição», diz Che sobre o encontro1. Doze anos depois, discursando na velada solene na Praça da Revolução, Fidel confirma que o argentino se tornou expedicionário do iate Granma numa noite – numa altura em que ainda não havia «barco, nem armas, nem tropas». Ou seja, juntamente com Raúl Castro, Che Guevara foi dos primeiros a «alistar-se».
O líder da Revolução cubana explica esta disponibilidade de Che com o profundo «ódio e desprezo» que tinha pelo imperialismo, que resultavam em parte do «considerável grau de desenvolvimento» da sua formação política e advinham também da «criminosa intervenção imperialista» que tinha tido oportunidade de presenciar na Guatemala.
Diz Fidel: «Para um homem como ele não eram necessárias muitas razões. Bastava-lhe saber que Cuba vivia uma situação semelhante, que havia homens decididos a combater essa situação de armas em punho, que aqueles homens se inspiravam em sentimentos genuinamente revolucionários e patrióticos. E isso era mais que suficiente.»2
Calcanhar de Aquiles: absoluto desprezo pelo perigo
No seu discurso, Fidel Castro Ruz enaltece as qualidades de Che no campo de batalha, como médico, soldado ou comandante – «era um mestre da guerra, um artista da luta de guerrilha» –, e destaca o seu grande contributo para a vitória do Exército Rebelde sobre o de Batista, nomeadamente com a campanha de Las Villas e com o ataque sobre Santa Clara.
«Se, como guerrilheiro, tinha um calcanhar de Aquiles, era a sua excessiva agressividade, o seu absoluto desprezo pelo perigo», afirma Fidel, agora que sabe que, num de tantos combates, o Che perdeu a vida. E aqui custa-lhe «concordar com ele».
Mesmo admitindo que a conduta do Che possa ter sido influenciada pela perspectiva – correcta – de que «os homens têm um valor relativo na história» e de que «as causas não são derrotadas quando os homens caem», Fidel realça como preferia vê-lo continuar a forjar vitórias, «na medida em que homens com a sua experiência, calibre e capacidade realmente singular são homens pouco comuns».
«A morte do Che é um golpe duro, um golpe tremendo para o movimento revolucionário, na medida em que o priva, sem qualquer dúvida, do seu chefe mais experimentado e capaz», admite Fidel, mas destacando que se «enganam aqueles que cantam vitória», porque «o homem que caiu como homem mortal, como homem que se expunha muitas vezes às balas, como militar, como chefe, é mil vezes mais capaz do que aqueles que, com um golpe de sorte, o mataram». As suas teses, concepções, tácticas e ideias de luta revolucionária não foram derrotadas. «O seu grito chegará a milhões de ouvidos receptivos», clama o líder cubano.
Revolucionário, estadista, diplomata
«A guerra é um meio e não um fim», o que «é importante é a revolução, a causa revolucionária», destaca o primeiro secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba, para vincar a noção de que, pese embora todas as suas qualidades como homem de acção e militar, Che Guevara era «um homem de pensamento profundo, de inteligência visionária, um homem de profunda cultura», e que, pelo carácter íntegro, honrado, sincero, estóico, constituía «a expressão mais cabal das virtudes revolucionárias».
Fidel nota que é costume, na hora da morte dos homens, fazer discursos de louvor às suas virtudes, mas que nem por isso deixa de falar de Che com justiça e rigor. E destaca o legado que este deixa às gerações futuras por via da sua escrita; o seu trabalho incessante, «sem conhecer um dia de descanso», ao serviço da pátria, assumindo as mais variadas tarefas, como presidente do Banco Nacional, ministro da Indústria, comandante da região militar do Ocidente ou diplomata, liderando delegações de Cuba nos mais variados palcos internacionais.
Umas das suas intervenções mais conhecidas é a que efectuou a 8 de Agosto de 1961, na quinta sessão plenária do Conselho Interamericano Económico e Social (CIES) da Organização de Estados Americanos (OEA), em Punta del Este (Uruguai). A delegação cubana, recebida no aeroporto e nas ruas de Montevideu de modo triunfal por milhares de pessoas, teve de enfrentar um ambiente bem mais hostil no seio do CIES, em plena ofensiva dos EUA4.
Ali, depois de enumerar muitas das agressões que o imperialismo norte-americano levou a cabo contra Cuba entre 1959 e 1961, Che explicou o que é a Revolução cubana – agrária, anti-feudal, anti-imperialista, que se foi transformando numa revolução socialista.
E explanou com clareza aquilo que representa a Revolução ao nível da distribuição da terra e da riqueza, da soberania nacional, da saúde e da cultura, da educação e da erradicação do analfabetismo, da política externa e da solidariedade internacionalista, da propriedade dos meios de produção, da participação dos trabalhadores nas decisões económicas do país, da igualdade entre homens e mulheres, da luta contra o racismo e pela afirmação da dignidade humana.
«As praias da nossa Ilha não serviam para que os pretos ou os pobres tomassem banho, porque pertenciam a um clube privado, e vinham turistas de outras praias que não gostavam de tomar banho com os pretos. [...] Era assim o nosso país. A mulher não tinha qualquer tipo de direito igualitário: pagava-se-lhe menos por trabalho igual; era discriminada, como na maioria dos países americanos», disse Che Guevara em Punta del Este 5.
Será como uma semente
O imperialismo canta «vitória» perante o guerrilheiro morto; julga que, ao aniquilar o homem físico, liquidou o seu pensamento – e não tem pejo em divulgar, como a coisa mais natural do mundo, as circunstâncias da morte, o assassinato após a captura, condena Fidel no seu discurso na Praça da Revolução, a 18 de Outubro de 1967.
«Che não caiu a defender outro interesse, outra causa que não a causa dos explorados e oprimidos neste continente; Che não caiu a defender outra causa que não a causa dos pobres e dos humildes desta Terra. E, perante a História, os homens que agem como ele, os homens que fazem tudo e dão tudo pela causa dos humildes agigantam-se a cada dia que passa, a cada dia que passa entram mais profundamente no coração dos povos», sublinha Fidel.
E acrescenta: «Os inimigos imperialistas começam a dar-se conta disso e não tardarão a verificar que a sua morte será, com o tempo, como uma semente de onde brotarão muitos homens decididos a emulá-lo, muitos homens decididos a seguir o seu exemplo.»
Encarar o futuro com optimismo
No combate às oligarquias e ao imperialismo, na luta por todos os oprimidos e explorados, o Che tornou-se um modelo de homem não só para o povo cubano, mas também para qualquer povo da América Latina, tendo conduzido à mais alta expressão a condição de revolucionário e elevado ao patamar mais alto «o espírito internacionalista proletário».
«É por isso, companheiros e companheiras da Revolução, que devemos encarar com firmeza e decisão o futuro; é por isso que devemos encarar com optimismo o futuro», declara Fidel. «Procurando sempre inspiração no Che.»
A homenagem e o reconhecimento a Che Guevara, naquela noite de há quase 50 anos, é também, quase no final «do impressionante acto», um louvor à multidão presente na praça, metonímia do povo cubano, resistente, revolucionário e solidário, a quem Fidel lança o repto de, «com optimismo absoluto na vitória definitiva dos povos», dizer ao Che e aos heróis que combateram e caíram com ele: «Até à vitória sempre! Pátria ou Morte!»
1.https://www.ecured.cu/Ernesto_Guevara_de_la_Serna#Grupo_de_Fidel_en_M.C3.A9xico
2.Todas as citações e referências ao discurso de Fidel proferido a 18 de Outubro de 1967 são retiradas de http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1967/esp/f181067e.html
3.https://www.ecured.cu/Plaza_Che_Guevara
4.http://www.prensa-latina.cu/index.php?o=rn&id=88937&SEO=che-redescubierto-en-punta-del-este
5.http://www.cubadebate.cu/noticias/2017/08/09/el-historico-discurso-del-che-en-punta-del-este-video/
6.https://www.ecured.cu/Ernesto_Guevara_de_la_Serna#Hallazgo_de_sus_restos
Fonte: abrilabril.pt
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
A produção perversa de um mito histórico
A História para consumo geral é escrita pelos vencedores e suas estruturas de domínio. E quando a História é ainda contemporânea e se confunde com a comunicação social, guiada por mecanismos de propaganda, dos mais grosseiros aos delicadamente sofisticados, a vantagem das forças dominantes torna-se esmagadora, entrando pelos domínios da mitologia inquestionável, servida por axiomas asfixiantes.
A morte não apaga as realidades nem os factos vividos; não os transforma, mesmo quando oportunisticamente manipulados por quem considera legítimo domar consciências, em mandamentos de uma doutrina de obediência colectiva, condenando os que não a aceitam à marginalidade do pariato eterno.
Como se previa ainda em vida, a morte transformou Mário Soares num mito histórico à velocidade da tecnologia de ponta. Para que não entrem em piloto automático os efeitos dos axiomas que balizam a queda no delito de opinião, cabe-me escrever, com toda a honestidade, que não estão minimamente em questão o antifascismo de Mário Soares nem a sua coragem para enfrentar a besta salazarenta, ainda que outros tenham sofrido bem mais dolorosamente as consequências de tal destemor e tantos louvores não tenham recebido, pelo contrário, sejam ainda alvo de insultos e pasto de mentiras difamatórias, mais cruéis ainda quando delas já não se podem defender.
Ponto assente: Mário Soares foi um corajoso antifascista.
Agora «pai da democracia» e «pai da liberdade»?
Os mitos históricos têm progenitores: a propaganda que fabrica a História regimental e os poderes que a alimentam e dela se nutrem, num descarado processo de parasitismo. Quanto ao pai da democracia, outro não é que não o povo que a pratica, quando não há esbirros ou mecanismos cínicos que o impeçam – à bruta ou através de processos de controlo e manipulação; os pais da liberdade são os cidadãos livres que a conquistam e a defendem, mas têm quase sempre pela frente aqueles que, graças a usos mais ou menos perversos do poder, sustentam estar escrito no destino haver uns cidadãos mais livres do que outros.
Decifrando a cacofonia que vem atordoando o país nestes dias, ladainhando mil e um monólogos redondos em torno de duas ou três mensagens propagandísticas feitas e refeitas, concluiu-se que Mário Soares foi, sim, um dos pais fundadores do tipo de regime financeiro, económico e político que hoje se aplica em Portugal, subsidiário do ordenamento não-democrático da União Europeia; e tutor de uma liberdade sem dúvida condicionada, para a maioria dos cidadãos, pelos instrumentos e tentáculos da mesma União Europeia.
A manipulação subjacente a tanto ruído ambiente, gritando para milhões o que poderia resumir-se em meia dúzia de frases simples, é a confusão abusiva entre democracia plena, prometida pela Revolução de 25 de Abril, e o regime de democracia parcial em funcionamento; e entre liberdade humanista e o labirinto de liberdades, condicionamento de direitos civis, laborais e sociais e austeridades em que se transformou a sociedade portuguesa, marioneta dos interesses convergentes que se empanturram em Bruxelas.
«(...) Mário Soares foi, sim, um dos pais fundadores do tipo de regime financeiro, económico e político que hoje se aplica em Portugal, subsidiário do ordenamento não-democrático da União Europeia (...)»
Mário Soares, o antifascista, cedo abandonou a dinâmica transformadora da Revolução de Abril, passando, no âmbito da sua acção e cargos, a desenvolver contactos com o embaixador norte-americano Frank Carlucci – futuro director da CIA – que se ingeria descaradamente, conspirando, nos assuntos portugueses; e do golpe de 25 de Novembro de 1975 ainda hoje sabemos apenas quanto baste do que interessa aos que dele tiraram proveito e proveitos; o soarismo que lhe sucedeu imprimiu marcas indeléveis que pouco correspondem às deixadas para trás por Mário Soares, no período antifascista.
Paradoxalmente, por uma caprichosa ironia a que, pelos vistos, nem os mais cuidados mitos históricos escapam, a figura tutelar do soarismo desaparece fisicamente num período em que o governo de Portugal resulta de uma solução política que contraria um dos mais rígidos axiomas soaristas – estando, até há pouco, rigorosamente bloqueada.
Recordando o percurso de Portugal desde 25 de Abril de 1974, se as realidades vividas pelo país forem encaradas livres de manipulações, enviesamentos e mentiras da propaganda, comprovam que os conceitos de democracia e liberdade aplicados pelo soarismo foram condicionados por um redil político (determinado por poderes financeiros e económicos); uma tal cerca marginalizou os que se afirmaram ideologicamente diferentes, logo acusados, sem provas, de serem adeptos de soluções ditatoriais ou não-democráticas – afastados sumariamente de soluções governativas mesmo que proporcionassem maiorias parlamentares estáveis.
Não foram raros os casos como esses registados ao longo de décadas, com a agravante perversa de os excluídos serem também acusados de não pretenderem governar, apesar de multiplicarem apelos ao entendimento, acabando o sistema patrocinado pelo soarismo de se enquistar no «arco da governação» só recentemente quebrado.
Os conceitos de liberdade e democracia do soarismo tiveram aplicações práticas orientadas pela vontade de tolher o potencial de desenvolvimento do país libertado popularmente em 25 de Abril de 1974, encafuando Portugal num colete-de-forças de bastidores no qual, durante tempo excessivo, foi privado das suas principais energias económicas, culturais e criativas, delapidado do património estatal, minado por interesses alheios. Enquanto isso, a vontade manifestada livremente pelo povo, em sucessivas eleições, foi ficando refém de entidades e organismos não-eleitos, ao serviço de poderes transnacionais nefastos para o povo, para os cidadãos que se crêem livres.
A integração na CEE sem qualquer auscultação da opinião popular, o arranque da liberalização sem fim do mercado de trabalho – com o seu cortejo de inseguranças e perda de direitos dos trabalhadores –, a abertura das portas ao FMI, a destruição da Reforma Agrária, o enfraquecimento do movimento sindical concertado através de uma coligação institucional com o PPD/PSD, a passadeira estendida às privatizações, com os resultados que estão bem à vista, as responsabilidades perante a desastrosa integração no euro – novamente sem que fosse pedida opinião ao povo – são marcos indeléveis no itinerário soarista até um país que continua a sofrer de desigualdades profundas, enquanto é vítima de ataques de entidades não-democráticas que menosprezam a sua soberania.
«Os conceitos de liberdade e democracia do soarismo tiveram aplicações práticas orientadas pela vontade de tolher o potencial de desenvolvimento do país libertado popularmente em 25 de Abril de 1974 (...)»
O ser e o parecer muitas vezes não coincidem, e assim foi em Mário Soares quando, apesar do inflamado discurso anti-neoliberal dos últimos anos, não aproveitou, quando podia, as oportunidades para combater a ascensão e implantação interna do neoliberalismo, uma vez que dispôs dos instrumentos governativos e presidenciais para o fazer.
O caminho do país sujeito à influência soarista foi percorrido sob uma governação restringida sectariamente a um bloco bipartidário na prática, excluindo da democracia as forças que propunham alternativas de facto e não uma alternância que se foi institucionalizando, favorecendo interesses minoritários, a vertente privada e encorajando a corrupção atrelada a um processo nocivo de privatização do próprio Estado.
A imposição do chamado bloco central, apesar – repete-se – das numerosas propostas para materializar uma vontade popular maioritária que proporcionaria frequentes entendimentos governativos do PS com forças à sua esquerda, é a marca mais negativa para o país resultante das opções de Mário Soares, e da qual decorrem praticamente todas as outras. Com a agravante de ter permitido que esse procedimento fosse camuflado com a enorme mentira, resistente até há pouco, segundo a qual partidos como o PCP não tinham interesse em associar-se à acção governativa, remetendo-se a um papel «contestatário», logo decorativo.
Neste aspecto, ao corajoso antifascista que foi Mário Soares faltou o destemor para fazer vingar os interesses reais dos portugueses como cidadãos livres usufruindo de uma democracia plena. O soarismo rendeu-se às normas antidemocráticas impostas surdamente através da NATO, impedindo qualquer Partido Comunista de um país ocidental de chegar a plataformas governativas.
É certo que o humanista democrata-cristão italiano Aldo Moro pagou com a vida a ousadia de estabelecer acordos de incidência parlamentar com o PCI, comparáveis aos que existem agora em Portugal entre o PS e o PCP. A coragem que atribuem a Mário Soares na defesa da democracia teria sido então de uma importância determinante para os portugueses se a ela tivesse recorrido, até às últimas consequências, na interpretação da vontade popular.
Por ironia do destino, foi ainda em vida de Mário Soares que se deu a primeira ruptura com o edifício do soarismo limitador das potencialidades democráticas do sistema multipartidário. Quando se constrói um mito histórico, a obra só poderá dar-se por terminada quando reflectir a realidade global do percurso percorrido em vida, e não apenas os troços parciais de que alguns pretendem continuar a extrair vantagens, mesmo que seja à custa dos interesses de muitos e dos direitos de todos à democracia e liberdade plenas.
Nesse caso restrito, pode ser um mito histórico sectariamente útil; mas é incompleto, impreciso e, mais grave ainda – o que será insultuoso para o próprio – nocivo para o país, insuficientemente democrático, manipulador de consciências, enganador das gerações mais jovens e das que virão.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
segunda-feira, 21 de março de 2016
#ObamaenCuba
En estos días han abundado las entrevistas. Como se repiten las preguntas y más o menos las respuestas oscilan sobre las mismas ideas, he decidido hacer una síntesis de lo que he dicho a medios como el diario chileno La Tercera, el periódico español La Razón, las agencias de prensa china Xinhua y cubana Prensa Latina, las televisoras Russia Today y TeleSUR y la revista cubana Bohemia alrededor de la visita oficial a Cuba del Presidente estadounidense Barack Obama.
La Cuba actual habla sobre la visita de Obama. Creo que la mayoría percibe que es un paso positivo en el camino de normalización de las relaciones entre ambos países del que cada parte busca resultados diferentes: Cuba, mover la opinión pública de EEUU y sus sectores más influyentes a favor de objetivos históricos como la entrega del territorio que Estados Unidos ocupa ilegalmente en Guantánamo, el fin del bloqueo y el respeto hacia su sistema económico, político y social. Washington, por su parte, desea aumentar su influencia en la sociedad cubana en su objetivo declarado de empujarla hacia el capitalismo, a la vez que en particular el Presidente Obama persigue fortalecer su legado.
Como dice el historiador Fernando Martínez Heredia, supone una tremendísima confusión, pero pudiera existir una parte de las personas que piense que porque Obama viene a Cuba, la situación material de una parte grande de los cubanos va a mejorar.
Ningún país del entorno de Cuba, desde México a República Dominicana está mejor socialmente que Cuba a pesar de no tener bloqueo económico, lejos de eso sufren problemas como la violencia estructural, el trabajo infantil y el narcotráfico que aquí ni existen. Cuando EEUU habla de “empoderar al pueblo cubano” a lo que se refiere realmente es a la construcción de una minoría que como en esos países le administre el país de acuerdo a sus intereses.
La visita de Obama a Cuba es un paso positivo en el camino hacia la normalización de las relaciones que implica el reconocimiento tácito a un país al que EEUU trató de arrodillar por todas las las vías posibles: bloqueo económico, terrorismo, guerra biológica, planes de asesinato de sus líderes… Y es una victoria de la resistencia del pueblo cubano sobre más de cincuenta años de hostilidad que también implica la aceptación de la exigencia del gobierno cubano de conversar sin condicionamientos y en pie de igualdad pero no supone la normalidad en la relación porque el mismo Obama no ha dejado de afirmar que para Washington se trata de un cambio de métodos pero no de objetivos.

A lo que aspiran los cubanos es que todo este proceso repercuta positivamente en sus vidas cotidianas, permita eliminar las restricciones que deforman el funcionamiento de la economía y cese la pretensión de restringir al estado que es el que le ha garantizado el verdadero empoderamiento al pueblo.
Habrá un aluvión simbólico en estos días. Sin embargo, nada podrá superar la imagen del jefe del país más poderoso del mundo, entrando respetuosamente en la Plaza de la Revolución, donde tiene centro la institucionalidad que once presidentes estadounidenses no pudieron derrotar. Allí le esperan en pie el José Martí monumental cuyas últimas palabras fueron para decir que cuanto hizo era para “impedir a tiempo con la independencia de Cuba que se extiendan por las Antillas los Estados Unidos y caigan, con esa fuerza más, sobre nuestras tierras de América”, frente a los rostros gigantescos de los comandantes Che Guevara -enviado a la inmortalidad por la CIA- y Camilo Cienfuegos, cuya frase más recordada es “vas bien Fidel.
Por Iroel Sánchez, La Pupila Insomne
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Obama em Cuba
A notícia está a fazer correr muita tinta. O presidente do EUA, Barack Obama, visitará Cuba nos dias 21 e 22 de Março. A notícia foi confirmada no dia 19 de Fevereiro pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba (Minrex) e pela Casa Branca. Num comunicado escrito, o Gabinete do Secretário de Imprensa do presidente dos EUA afirma que a visita servirá para «assegurar o progresso que temos realizado rumo à normalização das relações com Cuba». A nota insiste em alguma da retórica dos EUA, nomeadamente quando refere o «apoio aos direitos humanos» e sublinha que Barack Obama se reunirá, para lá dos encontros oficiais, – «com membros da sociedade civil, empresários e cubanos de todos os âmbitos da sociedade».
Em Cuba a notícia foi dada em conferência de imprensa, com direito a perguntas, por Josefina Vidal Ferreiro, Directora-geral para os Estados Unidos do Minrex. A afirmação inicial foi peremptória e inequívoca: «O mandatário estadunidense será bem-vindo pelo governo de Cuba e pelo seu povo, com a hospitalidade que o caracteriza» e «será tratado com todo o respeito e consideração». Palavras com um enorme significado histórico e político. Desde logo porque há quase um século que um presidente dos EUA não pisava solo cubano. O último a fazê-lo foi Calvin Coolidge, corria então o ano de 1928. A Emenda Platt estava vigente e o povo cubano vivia na miséria e oprimido pela ditadura de Gerardo Machado ao serviço dos EUA. Mas o peso político e histórico destas declarações vai muito mais longe se pensarmos que se referem à visita do mais alto representante de uma nação cujos sucessivos governos são responsáveis por infindáveis pressões e ingerências, inenarráveis campanhas de difamação, inúmeros planos de conspiração e centenas de crimes contra Cuba, o seu povo, os seus dirigentes e a sua Revolução.
É notável a dignidade e segurança com que Cuba anuncia a visita do presidente dos EUA. Bem como a objectividade e clareza com que define os seus limites, afirmando que «constituirá mais um passo rumo à melhoria das relações entre Cuba e os Estados Unidos»; que «para chegar à normalização dessas relações bilaterais teriam que ser resolvidos assuntos chave pendentes, incluindo o levantamento do bloqueio e a devolução a Cuba do território ilegalmente ocupado pela base naval em Guantánamo»; e que a vontade do governo cubano de construir essa nova relação é «baseada nos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas e dos princípios da Proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz» e é «alicerçada no respeito das diferenças e nos benefícios mútuos».
A visita de Obama realiza-se num período especialmente importante da vida política cubana e é ela própria uma vitória de Cuba. Uma vitória que acaba com inúmeros mitos e factos, desde logo o de, pela sua presença, o presidente dos EUA furar o bloqueio que o seu Governo impõe contra Cuba, ou ainda o mito da «ditadura comunista» isolada diplomaticamente do resto do Mundo onde o seu povo vive na pobreza e oprimido. O momento não poderia ser mais simbólico. Realiza-se a apenas três semanas da abertura dos trabalhos do VII Congresso do Partido Comunista de Cuba (16 a 19 de Abril), data em que se comemorarão os 55 anos da proclamação do carácter socialista da Revolução Cubana, e poucas semanas após o Papa Francisco e Cirilo I terem escolhido Havana para realizar o primeiro encontro em quase mil anos entre os líderes da igreja católica e ortodoxa.
Quando o Mundo corre, por acção de potências como os EUA, para um precipício de crise, guerra e derivas fascistas, a visita de Obama a Cuba é uma boa notícia. Não temos ilusões quanto aos objectivos dos EUA face a Cuba, que se mantêm no essencial e não mudarão com esta visita, mas este facto histórico não deixa de ser positivo e constitui já uma vitória dos que resistem há mais de meio século e insistem no caminho do socialismo, da paz e da amizade entre os povos.
Artigo de Ângelo Alves no Avante
Em Cuba a notícia foi dada em conferência de imprensa, com direito a perguntas, por Josefina Vidal Ferreiro, Directora-geral para os Estados Unidos do Minrex. A afirmação inicial foi peremptória e inequívoca: «O mandatário estadunidense será bem-vindo pelo governo de Cuba e pelo seu povo, com a hospitalidade que o caracteriza» e «será tratado com todo o respeito e consideração». Palavras com um enorme significado histórico e político. Desde logo porque há quase um século que um presidente dos EUA não pisava solo cubano. O último a fazê-lo foi Calvin Coolidge, corria então o ano de 1928. A Emenda Platt estava vigente e o povo cubano vivia na miséria e oprimido pela ditadura de Gerardo Machado ao serviço dos EUA. Mas o peso político e histórico destas declarações vai muito mais longe se pensarmos que se referem à visita do mais alto representante de uma nação cujos sucessivos governos são responsáveis por infindáveis pressões e ingerências, inenarráveis campanhas de difamação, inúmeros planos de conspiração e centenas de crimes contra Cuba, o seu povo, os seus dirigentes e a sua Revolução.
É notável a dignidade e segurança com que Cuba anuncia a visita do presidente dos EUA. Bem como a objectividade e clareza com que define os seus limites, afirmando que «constituirá mais um passo rumo à melhoria das relações entre Cuba e os Estados Unidos»; que «para chegar à normalização dessas relações bilaterais teriam que ser resolvidos assuntos chave pendentes, incluindo o levantamento do bloqueio e a devolução a Cuba do território ilegalmente ocupado pela base naval em Guantánamo»; e que a vontade do governo cubano de construir essa nova relação é «baseada nos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas e dos princípios da Proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz» e é «alicerçada no respeito das diferenças e nos benefícios mútuos».
A visita de Obama realiza-se num período especialmente importante da vida política cubana e é ela própria uma vitória de Cuba. Uma vitória que acaba com inúmeros mitos e factos, desde logo o de, pela sua presença, o presidente dos EUA furar o bloqueio que o seu Governo impõe contra Cuba, ou ainda o mito da «ditadura comunista» isolada diplomaticamente do resto do Mundo onde o seu povo vive na pobreza e oprimido. O momento não poderia ser mais simbólico. Realiza-se a apenas três semanas da abertura dos trabalhos do VII Congresso do Partido Comunista de Cuba (16 a 19 de Abril), data em que se comemorarão os 55 anos da proclamação do carácter socialista da Revolução Cubana, e poucas semanas após o Papa Francisco e Cirilo I terem escolhido Havana para realizar o primeiro encontro em quase mil anos entre os líderes da igreja católica e ortodoxa.
Quando o Mundo corre, por acção de potências como os EUA, para um precipício de crise, guerra e derivas fascistas, a visita de Obama a Cuba é uma boa notícia. Não temos ilusões quanto aos objectivos dos EUA face a Cuba, que se mantêm no essencial e não mudarão com esta visita, mas este facto histórico não deixa de ser positivo e constitui já uma vitória dos que resistem há mais de meio século e insistem no caminho do socialismo, da paz e da amizade entre os povos.
Artigo de Ângelo Alves no Avante
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
sábado, 25 de abril de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
EUA Vs. Cuba - O bloqueio económico explicado (7)
Desde que, en diciembre pasado, el Presidente Barack Obama hiciera pública la decisión de comenzar un diálogo con Cuba y declarara que el bloqueo a la Isla ha sido un fracaso, varios mitos mediáticos han comenzado a resquebrajarse. Uno, que el bloqueo a Cuba no una “invención” o excusa del Gobierno cubano, sino una política que afecta a las condiciones de vida de la población cubana y la principal camisa de fuerza para el desarrollo económico del país. El paso histórico dado por el Presidente Barack Obama ha servido para que algunos medios comiencen a dar alguna luz sobre ciertos temas. Veremos hasta cuándo.
Fonte: http://www.cubainformacion.tv
sexta-feira, 25 de abril de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
Preguntas que hacen dudar de la violencia en Venezuela
Entre toda esa lluvia de artículos, mensajes y análisis; me llego uno titulado: “Preguntas que hacen dudar de la violencia en Venezuela”; escritas por el sacerdote jesuita panameño Jorge Sadameda Del Cid, que no tiene desperdicio alguno; donde su autor pone en tela de juicio el accionar de estos neofascistas de los más recalcitrantes de la ultra derecha y en medio de interrogantes va numerando una a una va aflorando verdades, como un grupúsculo sin razón alguna, se ha metido entre ceja y ceja incendiar. Veamos las interrogantes:
1.” ¿Por qué se dice que en Venezuela se sufre tan grave falta de alimentos que justifica destrozos e incendios, si fue uno de los cuatro países con menos hambre de América Latina en 2012 (de acuerdo con FAO y OMS), esto es inferior al 5 por ciento, y uno de los países con mayor índice de niños y jóvenes obesos?
Siguiendo la lógica dominante, ¿por qué no hay peores desmanes en un país hermano como Colombia, en el cual el hambre fue sufrida por el 12.6 por ciento de la población, es decir casi el triple que en Venezuela?
2. ¿Por qué si las causas de los destrozos, incendios y manifestaciones es la escasez de productos básicos, se observan acciones de tipo político y no saqueos de tiendas y almacenes, que es lo normal y esperable cuando de carencia generalizada se trata? ¿Por qué uno de los dirigentes opositores, Henrique Capriles, afirma que se debe a “falta de medicinas” si los avances en salud en Venezuela están entre los más destacados de la región?
3. ¿Por qué tanta violencia por supuesta “ausencia” o falta de acceso a comida si The Economist publicaba esta semana que la escasez sólo ha afectado a un 28 por ciento de los productos? ¿Por qué los mismos analistas no prevén algo igual en República Dominicana, país en el cual el Latinobarómetro detectó que alrededor del 70 por ciento de la población no tiene dinero suficiente para comprar la comida del mes?
4. ¿Por qué el epicentro de las protestas por la “escasez” es Plaza Altamira, en medio de urbanizaciones de clases acomodadas y habitantes con piel tan blanca, y no como es más lógico en barrios pobres y población mestiza, siendo Venezuela el país con mayor proporción de afrodescendientes de Sudamérica, exceptuando Brasil?
5. ¿Por qué Unesco reconoce a Venezuela como el quinto país con mayor matrícula universitaria del mundo, que ha crecido en más de un 800 por ciento, siendo alrededor del 75 por ciento educación superior pública, y sin embargo no se conoce una sola lucha del “movimiento estudiantil” actual para lograrlo, mientras hay “estudiantes” marchando contra “torturas” y por “comida”?
6. ¿Por qué si los estudiantes de la educación superior en Venezuela ya superan los dos millones 600 mil (es decir, alrededor de 20 veces lo que existe en Panamá) las manifestaciones que se observan son más bien en forma de focos o grupos de decenas o, a lo sumo, cientos de personas?
7. ¿Por qué si lo habitual y normal es que los estudiantes o sindicatos marchen por más bienes y servicios públicos, y leyes más democráticas y equitativas, los “estudiantes” que marchan en Venezuela lo han hecho por papel higiénico, defendiendo la propiedad privada sobre medios de prensa o negocios de consumo?
8. ¿Por qué no se conoce aún el nombre de ninguna federación u organización estudiantil, ningún pliego de demandas ni el nombre de ninguno de sus más importantes dirigentes o miembros de directivas, y sí se conocen los nombres de connotados y antiguos líderes de la oposición partidista y electoral, involucrados en las acciones golpistas de 2002 y 2013?
9. ¿Por qué y quiénes producen las imágenes falsas de torturas, asesinatos y vejaciones posteriores a los confusos hechos del 12 de febrero de 2014, manipulando fotos de Chile, Europa o Siria para que aparezcan en las redes sociales y hasta en medios como CNN como si ocurriesen en Venezuela? ¿Qué liderazgo democrático y civilista se ha valido de algo así en la historia universal?
10. ¿Por qué si los bolivarianos y sus aliados han ganado las elecciones de 2012 y 2013, incluidas las municipales de diciembre recién pasado cuando obtuvieron el 55 por ciento de los votos y el 76 por ciento de las alcaldías, se habla de que el oficialismo es hoy “minoría? ¿Por qué se propone su renuncia como salida a “la crisis” o un referéndum revocatorio, fuera de todos los plazos y procedimientos legalmente establecidos para ello en la Constitución hecha con el propio liderazgo bolivariano?
11. ¿Por qué se invoca la falta de diálogo si hace apenas dos meses se dio en Venezuela un encuentro histórico entre el Ejecutivo nacional y todos los alcaldes recién electos, incluyendo oficialistas y opositores, y por tanto con la participación de todos los partidos y posiciones? ¿Con quién se dialoga, quién dirige o lidera “la crisis”?
12. ¿Por qué el principal -y prácticamente único- vocero de las manifestaciones, supuestamente pacíficas y alentadas por la ineficiencia” del gobierno, es Leopoldo López, persona que no cuenta con ninguna representación salvo la de su minúsculo partido, y su llamado más importante es, desde hace meses, “sacar a quienes gobiernan”? ¿Qué tiene que ver el Tea Party (ultraderecha de EE. UU.) con esto, ya que se conoce la relación muy cercana con López?
13. ¿Por qué no usan las gobernaciones, alcaldías y curules en las Asambleas nacional y estatales para proponer un curso de acción pacífico y político, y por qué no canalizan a través de su enorme incidencia mediática las denuncias de “corrupción”, “fraude”, “totalitarismo”, “hambre y “represión” con pruebas contundentes e irrefutables -no por twitts ni cápsulas de Youtube- como sí hacían las oposiciones a Trujillo, Balaguer, Pinochet o Videla?
14. ¿Por qué se protesta si en Venezuela más de 42 por ciento del presupuesto del Estado se destina a las inversiones sociales? Según datos internacionales, cinco millones de personas han salido de la pobreza, entonces ¿quiénes protestan?, ¿por qué se protesta si se erradicó el analfabetismo?, ¿de qué se quejan los estudiantes si se multiplicó por cinco el número de maestros en las escuelas públicas (de 65 mil a 350 mil) y se crearon 11 nuevas universidades?
15. ¿Por qué? Podríamos seguir añadiendo preguntas. Lo cierto es que mientras entre latinoamericanos nos insultamos, acusamos y descalificamos, los “grandes del mundo” hacen sus cálculos para quitarnos el petróleo, el cobre, el litio, el agua y tantas riquezas como tenemos. Ahí es donde tenemos que poner nuestra atención”.
1.” ¿Por qué se dice que en Venezuela se sufre tan grave falta de alimentos que justifica destrozos e incendios, si fue uno de los cuatro países con menos hambre de América Latina en 2012 (de acuerdo con FAO y OMS), esto es inferior al 5 por ciento, y uno de los países con mayor índice de niños y jóvenes obesos?
Siguiendo la lógica dominante, ¿por qué no hay peores desmanes en un país hermano como Colombia, en el cual el hambre fue sufrida por el 12.6 por ciento de la población, es decir casi el triple que en Venezuela?
2. ¿Por qué si las causas de los destrozos, incendios y manifestaciones es la escasez de productos básicos, se observan acciones de tipo político y no saqueos de tiendas y almacenes, que es lo normal y esperable cuando de carencia generalizada se trata? ¿Por qué uno de los dirigentes opositores, Henrique Capriles, afirma que se debe a “falta de medicinas” si los avances en salud en Venezuela están entre los más destacados de la región?
3. ¿Por qué tanta violencia por supuesta “ausencia” o falta de acceso a comida si The Economist publicaba esta semana que la escasez sólo ha afectado a un 28 por ciento de los productos? ¿Por qué los mismos analistas no prevén algo igual en República Dominicana, país en el cual el Latinobarómetro detectó que alrededor del 70 por ciento de la población no tiene dinero suficiente para comprar la comida del mes?
4. ¿Por qué el epicentro de las protestas por la “escasez” es Plaza Altamira, en medio de urbanizaciones de clases acomodadas y habitantes con piel tan blanca, y no como es más lógico en barrios pobres y población mestiza, siendo Venezuela el país con mayor proporción de afrodescendientes de Sudamérica, exceptuando Brasil?
5. ¿Por qué Unesco reconoce a Venezuela como el quinto país con mayor matrícula universitaria del mundo, que ha crecido en más de un 800 por ciento, siendo alrededor del 75 por ciento educación superior pública, y sin embargo no se conoce una sola lucha del “movimiento estudiantil” actual para lograrlo, mientras hay “estudiantes” marchando contra “torturas” y por “comida”?
6. ¿Por qué si los estudiantes de la educación superior en Venezuela ya superan los dos millones 600 mil (es decir, alrededor de 20 veces lo que existe en Panamá) las manifestaciones que se observan son más bien en forma de focos o grupos de decenas o, a lo sumo, cientos de personas?
7. ¿Por qué si lo habitual y normal es que los estudiantes o sindicatos marchen por más bienes y servicios públicos, y leyes más democráticas y equitativas, los “estudiantes” que marchan en Venezuela lo han hecho por papel higiénico, defendiendo la propiedad privada sobre medios de prensa o negocios de consumo?
8. ¿Por qué no se conoce aún el nombre de ninguna federación u organización estudiantil, ningún pliego de demandas ni el nombre de ninguno de sus más importantes dirigentes o miembros de directivas, y sí se conocen los nombres de connotados y antiguos líderes de la oposición partidista y electoral, involucrados en las acciones golpistas de 2002 y 2013?
9. ¿Por qué y quiénes producen las imágenes falsas de torturas, asesinatos y vejaciones posteriores a los confusos hechos del 12 de febrero de 2014, manipulando fotos de Chile, Europa o Siria para que aparezcan en las redes sociales y hasta en medios como CNN como si ocurriesen en Venezuela? ¿Qué liderazgo democrático y civilista se ha valido de algo así en la historia universal?
10. ¿Por qué si los bolivarianos y sus aliados han ganado las elecciones de 2012 y 2013, incluidas las municipales de diciembre recién pasado cuando obtuvieron el 55 por ciento de los votos y el 76 por ciento de las alcaldías, se habla de que el oficialismo es hoy “minoría? ¿Por qué se propone su renuncia como salida a “la crisis” o un referéndum revocatorio, fuera de todos los plazos y procedimientos legalmente establecidos para ello en la Constitución hecha con el propio liderazgo bolivariano?
11. ¿Por qué se invoca la falta de diálogo si hace apenas dos meses se dio en Venezuela un encuentro histórico entre el Ejecutivo nacional y todos los alcaldes recién electos, incluyendo oficialistas y opositores, y por tanto con la participación de todos los partidos y posiciones? ¿Con quién se dialoga, quién dirige o lidera “la crisis”?
12. ¿Por qué el principal -y prácticamente único- vocero de las manifestaciones, supuestamente pacíficas y alentadas por la ineficiencia” del gobierno, es Leopoldo López, persona que no cuenta con ninguna representación salvo la de su minúsculo partido, y su llamado más importante es, desde hace meses, “sacar a quienes gobiernan”? ¿Qué tiene que ver el Tea Party (ultraderecha de EE. UU.) con esto, ya que se conoce la relación muy cercana con López?
13. ¿Por qué no usan las gobernaciones, alcaldías y curules en las Asambleas nacional y estatales para proponer un curso de acción pacífico y político, y por qué no canalizan a través de su enorme incidencia mediática las denuncias de “corrupción”, “fraude”, “totalitarismo”, “hambre y “represión” con pruebas contundentes e irrefutables -no por twitts ni cápsulas de Youtube- como sí hacían las oposiciones a Trujillo, Balaguer, Pinochet o Videla?
14. ¿Por qué se protesta si en Venezuela más de 42 por ciento del presupuesto del Estado se destina a las inversiones sociales? Según datos internacionales, cinco millones de personas han salido de la pobreza, entonces ¿quiénes protestan?, ¿por qué se protesta si se erradicó el analfabetismo?, ¿de qué se quejan los estudiantes si se multiplicó por cinco el número de maestros en las escuelas públicas (de 65 mil a 350 mil) y se crearon 11 nuevas universidades?
15. ¿Por qué? Podríamos seguir añadiendo preguntas. Lo cierto es que mientras entre latinoamericanos nos insultamos, acusamos y descalificamos, los “grandes del mundo” hacen sus cálculos para quitarnos el petróleo, el cobre, el litio, el agua y tantas riquezas como tenemos. Ahí es donde tenemos que poner nuestra atención”.
Por Luís Roa para aporrea.org
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Bella Ciao em turco
"Bella Ciao" tocada na praça Taksim, em Istambul - 12 Junho 2013
Interpretado pelos músicos Davide Martello e Yiğit Özatalay
terça-feira, 4 de junho de 2013
Turquia, a estética na revolução !
"Turquia, a estética na revolução"
Imagem dos protestos da madrugada de 03.06.2013
Fotografo desconhecido
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