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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Revolução de Outubro está morta ?



No dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, não havia verdadeiras democracias no mundo. Nos países onde se faziam eleições para o poder legislativo só uma pequena parte do povo tinha direito a voto: na maior parte dos casos só os proprietários, os empregados, os mais velhos ou alfabetizados é que podiam votar. Onde não havia ditaduras formais só uma pequena parte da população era chamada a decidir o futuro coletivo.

Na Inglaterra, tantas vezes descrita como a mais avançada das democracias europeias, os homens só tiveram acesso geral ao voto em 1918 e as mulheres, depois de 30 anos de manifestações reprimidas nas ruas, só o teriam em 1928.

Em França as mulheres só puderam votar em 1944, apesar de a Revolução Francesa, a da igualdade e da fraternidade, ter como símbolo uma mulher e de o voto dos homens para elegerem um parlamento ter começado em 1792 e dos homens não brancos em 1916.

Nos Estados Unidos os homens brancos podiam votar desde 1856, as mulheres desde 1920, os nativos desde 1924 mas, em resultado da dura luta dos afro-americanos contra a segregação, a universalidade do voto chegou à "terra dos homens livres" somente em 1965, já grande parte de nós era nascida.

Em Portugal o voto só foi verdadeiramente universal em 1974, graças à Revolução dos Cravos, pois boa parte da população estava proibida de ir às urnas, mesmo na República, antes do fascismo.

No dia 7 de novembro de 1917, há cem anos, os bolcheviques tomaram o poder na Rússia e herdaram o voto universal instituído pelo governo provisório da revolução de fevereiro. A Rússia não foi a primeira: na Nova Zelândia, na Finlândia, na Noruega e na Dinamarca isso já acontecia. Democracia no mundo em 1917? Não, não havia.

A Rússia bolchevique juntou à noção de direito de voto universal muitos outros de sua lavra: habitação, assistência médica e educação gratuitas, legalizou-se o divórcio, terminou a distinção entre filhos legítimos e ilegítimos, promoveram-se direitos das crianças e dos idosos, proibiu-se o trabalho infantil, as jornadas de trabalho foram limitadas a oito horas diárias, houve férias pagas, segurança social, estabeleceu-se salário igual para trabalho igual entre homens e mulheres. Quase ninguém no mundo tinha leis destas...

Os países de sistema capitalista encontraram um adversário que entusiasmava e mobilizava milhões de operários, empregados, intelectuais, professores, estudantes, homens e mulheres explorados, oprimidos, sem voz. Ao longo dos 70 anos seguintes, até à queda da União Soviética, muitos países capitalistas, pressionados pela competição com o campo socialista e pela luta dos deserdados da fortuna dos seus países, concederam inúmeros direitos políticos e sociais que hoje consideramos naturais.

Sim, os crimes contra a humanidade que se praticaram em nome do socialismo - tal como os dos capitalismo - são imperdoáveis. Mas isso não conta toda a história: uma boa parte das melhorias civilizacionais do planeta estão associadas ao desafio colocado pela primeira tentativa de construir uma sociedade sem explorados nem exploradores - e só assim as melhores democracias capitalistas caminharam para o que hoje são. Até no simples voto...

A denunciante mais talentosa da degradação do "comunismo real" é Svetlana Alexievich, a prémio Nobel da Literatura que escreveu O Fim do Homem Soviético. Mas até ela resolveu dizer isto a um jornal português: "O comunismo era uma ideia boa, bonita, no início. E acho que não está morto. O comunismo vai voltar, mais à frente no tempo..." A Revolução de Outubro faz hoje 100 anos mas, segundo Svetlana, a anti-soviética, o seu espírito não morreu... Espanto?


Artigo de Pedro Tadeu no Diário de Noticias

terça-feira, 7 de novembro de 2017

1917-2017: Cem anos de uma Revolução que muitos desejam efémera


A 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro no antigo calendário russo) apontou-se pela primeira vez na história uma sociedade de seres humanos livres e iguais. O projecto foi interrompido, mas o que o justificou não.

A partir do século XIX, com o ascenso do proletariado como nova força social, o sonho e a utopia deram lugar a um projecto político e de transformação social, no sentido da eliminação de todas as formas de exploração e opressão.


Nascia assim a resposta à primeira grande crise gerada pelo imperialismo, materializada nos milhões de mortos e na destruição provocados pela I Guerra Mundial. Por muitos artigos que se escrevam a desmerecer a sua importância e a asfixiá-la num período da história, a actualidade demonstra que nela reside o futuro e a esperança dos homens e mulheres que não aceitam a exploração como sistema. 

Foi na Rússia semi-feudal, dominada pelo poder autocrático e repressivo dos czares e da mais alta nobreza, com mais de cem nacionalidades oprimidas, conhecida como «prisão dos povos», destruída pela I Guerra Mundial, com um povo fustigado pela exploração, a repressão, a pobreza, a fome e o analfabetismo, que surgiu a 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro no antigo calendário russo) a Revolução de Outubro.

O proletariado russo, liderado pelo Partido Bolchevique, tomava nas mãos o seu destino, conquistando o poder e levando por diante o projecto de uma nova sociedade, com o objectivo de pôr fim à exploração do homem pelo homem.

Iniciava-se a construção de uma nova sociedade de seres humanos livres e iguais, que havia de marcar profundamente a vida mundial pelos êxitos, conquistas, realizações, exemplo e experiências deste empreendimento revolucionário.

Os grandes progressos verificados – direitos dos trabalhadores e dos povos em geral, políticas sociais, derrota do nazi-fascismo e libertação de países do jugo colonial – são inseparáveis da Revolução de Outubro, dos seus ideais e valores, da solidariedade política, diplomática, económica e militar da União Soviética para com a luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo.

O século XX fica marcado pela Revolução de Outubro, pelo poder político dos trabalhadores e pela construção duradoura, pela primeira vez na história, de uma sociedade sem exploradores nem explorados. A Revolução de Outubro é a concretização prática da aspiração secular do homem – a sua libertação social e humana.

Durante mais de meio século, o socialismo ganhou terreno como alternativa ao sistema capitalista. A edificação do novo Estado significou a instauração de um verdadeiro e genuíno poder popular, uma nova forma de democracia participativa – os sovietes, um fulgurante desenvolvimento económico (na indústria e na agricultura), desenvolvimento social e grandes descobertas e avanços na ciência e nas novas e revolucionárias tecnologias.


A construção da nova sociedade defrontou, porém, dificuldades e obstáculos superiores aos que previram os seus pioneiros. Com o desaparecimento da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e do socialismo como sistema mundial, o capitalismo tornou mais evidente a sua natureza com os brutais retrocessos na vida de milhões de seres humanos e o mundo mais exposto às tentativas de imposição de uma nova ordem ao serviço das potências imperialistas não olhando a meios para atingir os seus objectivos.


Fonte: Abril Abril