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terça-feira, 6 de março de 2018

Marcelo não conheceu o fascismo?

Marcelo Rebelo de Sousa teve a sensatez e a sensibilidade de emitir uma nota “a lamentar” (lê-se no título) a morte do coronel João Varela Gomes: “O Presidente da República apresenta à Família do Senhor Coronel João Varela Gomes condolências invocando a sua militância cívica, em particular, a sua consistente luta contra a ditadura constitucionalizada antes do 25 de Abril de 1974”, diz o texto enviado às redações no passado dia 28 de fevereiro.
 
Informo o leitor ou a leitora, caso não saiba, que Varela Gomes passou pelas prisões da PIDE (a polícia política de Salazar), participou na campanha eleitoral do general Humberto Delgado (que desafiou o regime), esteve na conspiração da Sé em 1959 e no assalto ao quartel de Beja em 1962 (que o qualificaram como um dos heróis da resistência).
 
Depois do 25 de Abril, Varela Gomes liderou a 5.ª Divisão do Estado-Maior das Forças Armadas, que percorreu o país a promover sessões de esclarecimento e de propaganda sobre a Revolução dos Cravos e o Movimento das Forças Armadas. No 25 de novembro de 1975 ficou do lado dos derrotados e teve de fugir do país. Voltou em 1979.
Em primeiro lugar tenho de dizer que se o Presidente da República fosse outra pessoa provavelmente a nota que citei nunca teria sido emitida. Cavaco Silva nunca o faria. Jorge Sampaio e Mário Soares talvez o fizessem, mas não tenho a certeza…
 
Em segundo lugar quero sublinhar a definição utilizada por Marcelo Rebelo de Sousa, construída para designar a forma como a República se organizou durante o longo consolado de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano: “Ditadura constitucionalizada”… Nem apenas “ditadura”, nem o autodesignado “Estado Novo”, nem o mais popular “fascismo”.
 
Esta versão agora adotada por Marcelo Rebelo de Sousa é a demonstração de como Portugal ainda tem muitos problemas para falar do seu passado, encerrado há 43 anos: o esforço para encontrar uma formulação bateriologicamente pura da infeção ideológica para dizer aos portugueses o que era o regime que Varela Gomes combateu é, por si só, um exercício de ideologia, pois parte da presunção de que falar sobre fascismo em Portugal é uma incorreção, uma inconveniência ou uma infelicidade.
É verdade que há historiadores e académicos a defender essa tese, mas, para mim, isso não faz sentido: houve partido único, houve câmara cooperativa, houve Mocidade Portuguesa, houve Legião, houve censura prévia, houve polícia política, houve prisões e campos de concentração para os opositores e houve um sem-número de outras instituições e leis no Portugal desse tempo – ou em alguns períodos dentro desse tempo – semelhantes a outros regimes fascistas.
Como não sou historiador nem académico, esta minha posição pode ser facilmente contestada por quem, nesta área, tem mais credibilidade do que eu. Porém, ao longo dos meus 54 anos de vida, já assisti a várias revisões profundas da história, sempre com suposto certificado científico, até de coisas bem antigas, milenares, sobre as quais pensava haver imenso saber consolidado.
 
Por isso, aquilo que hoje se escreve como sendo verdade científica acerca de história contemporânea será, de certeza, uma falsidade científica amanhã e, se calhar, voltará ao estatuto de verdade científica depois de amanhã.
 
O problema não é, insisto, de rigor histórico ou científico. O problema é outro. O problema é que quando ouvimos a palavra “fascismo” pensamos em opressão, em repressão, em escuridão. Quando ouvimos “ditadura constitucionalizada” pensamos em legislação, ordem e autoridade. Há aqui um planeta de distância, estamos a falar de dois países diferentes.
 
Imaginemos que o coronel Varela Gomes estava vivo e que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa se cruzava com ele e lhe dizia: “Quero agradecer-lhe, em nome do povo português, a sua consistente luta contra a ditadura constitucionalizada.” Varela Gomes, que se definia como antifascista, como se sentiria? Provavelmente ofendido, se calhar até humilhado, certamente indignado.
 
E se em vez de Varela Gomes essa mesma frase, essa expressão “ditadura constitucionalizada” tivesse sido dirigida a Álvaro Cunhal? Ou a Mário Soares? Ou a qualquer um dos milhares de pessoas que passaram pela prisões da PIDE, muitas delas ainda vivas e com ativa participação na vida pública? Como podem essas pessoas, de diversos quadrantes ideológicos, que tantos anos da sua vida deram em torno do conceito mobilizador do derrube do fascismo em Portugal, aceitar agora esta esterilização da sua luta?
 
Como podem os filhos, os netos ou bisnetos dos resistentes a Salazar e Caetano aceitar uma versão oficial de que os seus pais, avós ou bisavós não lutaram contra o fascismo, lutaram antes contra uma “ditadura constitucionalizada”? Julgarão que os seus familiares os enganaram? Ou que o Estado está a trair a memória dos seus familiares?
Dizer, para definir o fascismo português, que se tratou, apenas, de uma “ditadura constitucionalizada” é conseguir inatacável rigor histórico, talvez mesmo para daqui a mil anos, mas é também escamotear a história real, vivida, pessoal de cada lutador político desse tempo, onde se documenta uma parte essencial do que se passou em Portugal durante 48 anos.
Penso que Marcelo tenta, como Presidente, pacificar o país, até com a sua memória. Daí ter decidido lamentar a morte do antifascista Varela Gomes, o que outros, repito, não fariam… Porém, ao tentar as meias-tintas, falhou e, até, afrontou o texto do preâmbulo da Constituição que jurou defender. É pena.


Artigo de Pedro Tadeu, in Diário de Notícias

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

KZ-Guantánamo, 15º ano

Guantánamo é o produto mais acabado da forma como o governo dos EUA entende os últimos 15 anos de história e, simultaneamente, pretende organizar o nosso futuro.
 


Num agosto como este, há 13 anos, uma equipa de tortura da CIA foi buscar Mohamedou Ould Slahi, um mauritano de 32 anos, a uma cela de Guantánamo para o interrogar. "Um deles bateu-me na cara, tapou-me logo os olhos e os ouvidos, e pôs-me um saco de plástico na cabeça. (...) Acorrentaram-me tornozelos e pulsos". Slahi estava preso havia dois anos, um dos muitos milhares de detidos que os norte-americanos então capturam, ou mandam capturar, um pouco por todos o mundo, a grande maioria colocados à sua disposição nessa rede de prisões secretas e ilegais que, com a cooperação dos seus aliados (Portugal incluído), se foi montando por todo o planeta. Em novembro de 2001, aos 30 anos, dois meses depois do ataque às Torres Gémeas, a polícia mauritana prendeu-o a pedido das autoridades americanas. É já a CIA que o transfere para uma prisão jordana, onde fica detido em isolamento durante oito meses. Vivera desde os 18 anos na Alemanha e no Canadá, de onde, em 1991, partiu para o Afeganistão combater, com o apoio dos EUA e do Paquistão, o governo de Najibullah, apoiado pela ainda União Soviética. Os americanos eram, portanto, seus velhos conhecidos.
 
A pretexto do 11 de Setembro, o Iraque tinha sido invadido e entrara-se na era da guerra permanente que provocaria centenas de milhares, provavelmente milhões de mortos no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria, no Iémene, no Egito,... , e que alimentaria os atentados sanguinários da al-Qaeda e do Estado Islâmico. No meio de tamanho oceano de violência, o mauritano contava pouco. Um ano depois de chegar a Guantánamo, sem que acusação alguma lhe fosse imputada, fora de qualquer controlo judicial (civil ou militar), a tortura servira apenas para ele "vender aos americanos aquilo que eles quisessem comprar", isto é, assumir todas as mentiras que eles queriam que ele assumisse. Nesse 24 de agosto meteram-no num camião e espancaram-no até sentir que sufocava. "Mantinham-me os olhos e a cara tapados enquanto me batiam. Nada há de mais aterrorizador do que, a cada batimento cardíaco, achar que se vai apanhar um murro." Atiraram-no para dentro de uma lancha rápida, no mar de Cuba, simulando que o transportavam para outro país. Sempre com um saco de plástico a cobrir-lhe a cabeça, a tortura prolonga-se durante três horas. Volta a terra, e ao longo de horas sucedem-se na tortura americanos e árabes que coadjuvam os primeiros. "Cobriram-me todo o corpo, do pescoço aos tornozelos, com cubos de gelo, colocados debaixo da roupa. Sempre que o gelo derretia, substituíam-no por novos cubos. Enquanto me batiam na cara, o gelo ajudava a desinflamar os hematomas que me haviam feito por todo o corpo. (...) É difícil imaginar a dor que se sente quando o gelo se nos cola ao corpo." (M.O. Slahi, Guantanamo Diary; relato escrito em 2005, 2600 excertos censurados pelas autoridades americanas que só autorizam publicação em 2015).

Dois meses depois do 11 de Setembro de 2001, Bush autorizou a detenção por prazo indeterminado e sem dedução de acusação contra todos os "combatentes ilegais" feitos prisioneiros pelos americanos fora dos EUA, transformando Guantánamo, uma base que os EUA mantêm em Cuba à revelia do governo deste país, no campo de concentração (um KZ, na sua sigla nazi) modelo do séc. XXI. Num relatório sobre os primeiros dez anos do que deveria ser chamado o KZ-Guantánamo, recriado como espaço de puro arbítrio, em toda a sua essência, a Aministia Internacional (AI) sintetiza em "dez mensagens anti-Direitos Humanos" uma espécie de declaração universal de a-juricidade da nova ordem mundial que se foi impondo desde então. Antes de mais, "até as detenções declaradas ilegais podem ser prolongadas indefinidamente", "o direito a um julgamento justo depende da nacionalidade do detido e do ambiente político doméstico" e, obviamente, "a justiça pode ser manipulada para garantir que o governo ganha sempre". Em Guantánamo, "o tratamento humanitário do detido é uma escolha política e não um requisito legal"; "toda a execução é aceitável — mesmo depois de um julgamento injusto". Assumida desde 2009 a sua a-legalidade fundamental pela própria Administração Obama, os EUA não estão dispostos a assumir responsabilidade alguma pelo crime universal que praticam desde há 15 anos: "as vítimas de violações de Direitos Humanos podem ficar sem remédio", os EUA não colaborarão na "procura da verdade e na verificação de responsabilidades, mesmo no caso de crimes praticados contra o Direito Internacional" (AI, USA Guantánamo: A Decade of Damage to Human Rights, 2011).
 
Guantánamo é apenas uma das muitas prisões especiais à disposição dos EUA, articulada com centenas de outras em território aliado onde os detidos têm, na maioria dos casos, menos garantias ainda. O mecanismo que lhe deu origem é o mais antigo e tradicional da repressão colonial, tão bem conhecido dos resistentes antifascistas portugueses: o da deportação para milhares de quilómetros de distância, produzindo o desenraizamento perpétuo, ou até a aniquilação pela morte, se ela parecer pouco suscetível de resposta social. A intenção que está na sua origem é rigorosamente a mesma do Tarrafal, o KZ que Salazar mandou construir em 1934 na ilha de Santiago, em Cabo Verde, e que abriu há 80 anos, em 1936: criar um território físico, político e simbólico, fora do alcance da aplicação do Direito. Nele se entra sem se saber nunca quando (ou sequer se) dele se sai. Nove dos detidos de Guantánamo morreram à guarda das mesmas autoridades militares americanas que não permitem o livre acesso a advogados, ONGs, famílias. Dos 779 detidos, 15 eram menores de 18 anos. Apenas em oito casos (1%), as autoridades submeteram-nos a julgamento; condenados por comissões (nem sequer tribunais) militares, três deles viram as suas penas revogadas, a outros três foram reduzidas depois de recurso. 674 (87%) prisioneiros acabaram por ser transferidos para outros países; ao fim de 10-15 anos, a grande maioria continua detida sem julgamento. Dos que permanecem na base, 31 entram na categoria dos "indefinite detainees": os americanos não os aceitam libertar nem julgar; as confissões, obtidas através da tortura, não têm valor em tribunal (Human Rights Watch, "Guantanamo: Facts and Figures", 18.4.2016).

Guantánamo é o produto mais acabado da forma como o governo dos EUA entende os últimos 15 anos de história e, simultaneamente, pretende organizar o nosso futuro. Se, como se diz em Washington ou em Paris, o mundo é um campo de batalha numa guerra global contra o "terror", e nela os Direitos Humanos "não se podem aplicar", um estado de exceção deve ser imposto à escala planetária; se, como dizia Manuel Valls, nos temos de habituar a viver na "guerra contra o terror", temos de nos habituar a um estado de exceção perpétuo. Perpetuamente sem poder invocar os Direitos Humanos.
 
Artigo de Manuel Loff no Público

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

“El preso político más antiguo está en EEUU, se llama Oscar López”

El prisionero político puertorriqueño Oscar López Rivera lleva 32 años encarcelado. Foto: El Nuevo Día.
 
El prisionero político puertorriqueño Oscar López Rivera lleva 32 años encarcelado. Foto: El Nuevo Día.

 
“En la década del 60 hubo más de 3 mil jóvenes desaparecidos, torturados. Poco a poco una investigación comienza a encontrar los restos de los cuerpos”. 
 
Así el presidente Nicolás Maduro explicó a medios internacionales la antigua realidad que predominó en el país. “De Venezuela nunca se habló de derechos humanos, solamente cuando llegó la Revolución Bolivariana (…) rescató la independencia; entonces nos hacen una campaña internacional mintiendo”.“En El Caracazo, fueron masacradas tres mil 500 personas. Nunca ningún organismo de derechos humanos levantó una palabra para proteger al pueblo venezolano. Hoy se nos pretende hacer una campaña que ha sido permanente y que ha fracasado para caricaturizar la vida política del país. Venezuela es un país con pleno respeto a los derechos humanos, con plena vigencia a las libertades públicas”.

A su salida de la Cumbre de Cambio Climático, en la sede de la ONU, manifestó: “pedimos que cesen las campañas contra nosotros y se respete el derecho que tiene Venezuela a hacer una revolución democracia, constitucional, de independencia y socialista”.
 
En ese momento, una reportera estadounidense le preguntó: – “Pero hay presos políticos de la oposición ¿No?”.
 
- “¿Por presos políticos? Habría que preguntar por el preso político más antiguo de la humanidad que está en EEUU, se trata de un puertorriqueño Oscar López. ¿Por qué no preguntan los medios internacionales por Oscar López que tiene 35 años preso? ¿Su único delito? Querer la independencia de Puerto Rico. El Mandela de América Latina está aquí”, respondió el Jefe de Estado.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Militão Ribeiro


Militão Ribeiro foi um destacado dirigente do Partido Comunista Português nos difíceis anos 40 do século passado. Foi assassinado pelo fascismo na Penitenciária de Lisboa, a 2 de Janeiro de 1950 - só nesse ano, seriam assassinados mais cinco membros do PCP.
 
Foi sujeito a um regime prisional brutal, um regime de exceção, de arbitrariedade e violência, mesmo para os padrões fascistas: incomunicabilidade rigorosa durante meses, proibição de receber livros e material de escrita, visitas e assistência médica especializada e de sua confiança, bem como a proibição de recreios, de utilizar papel higiénico, de poder tomar banho e mudar de roupa semanas a fio, vigilância de 24 sobre 24 horas e a luz da cela permanentemente acesa.
 
Conheceu praticamente todas as cadeias fascistas: Aljube, Peniche, Angra do Heroísmo, Tarrafal, cadeia da PIDE no Porto e Penitenciária de Lisboa, cadeias nas quais passou 10 anos da sua curta vida. "Mesmo quase já um cadáver ainda fui esbofeteado por um agente. Dores, insónias, fome, agonias, tudo tenho sofrido nestes sete meses."- escreveu ele numa carta que conseguiu fazer sair da cadeia, escrita com o seu próprio sangue.
 
Nesta foto, brutal, o cadáver de Militão Ribeiro.

Mais informação aqui e aqui.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Caso dos Cinco Cubanos



Síntese do Caso dos Cinco Cubanos, presos políticos injustamente condenados pela "justiça" norte-americana e privados de sua Liberdade, desde o ano de 1998, em cárceres dos EUA. Realizado pelo Comitê Estadual do Rio de Janeiro pela Libertação dos Cinco Cubanos, o vídeo pretende denunciar e informar a todos sobre a situação de injustiça à qual os Cinco tem sido submetidos.

Mais informações a respeito do Caso dos Cinco, e sobre as diversas formas de apoiar a causa em: http://liberdadecincocubanos.blogspot
https://www.facebook.com/cincocubanos

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

The Specials - Nelson Mandela



The Specials - Nelson Mandela (1984)

Nelson Mandela. Porque a memória é curta e a hipocrisia será grande !


 
Intervenção do Deputado António Filipe do PCP em 18 de Julho de 2008, nos 90 anos de Nelson Mandela na Assembleia da República.
"Aquilo que os senhores não querem que se diga, lendo os vossos votos, é que Mandela esteve até hoje na lista de terroristas dos Estados Unidos da América. Mas isto é verdade! É público e notório - toda a gente o sabe!
Os senhores não querem que se diga que Nelson Mandela conduziu uma luta armada contra o apartheid, mas isto é um facto histórico. Embora os senhores não o digam, é a verdade, e os senhores não podem omitir a realidade.

Os senhores não querem que se diga que, quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português, da altura.*
Isto é a realidade! Está documentado!

Não querem que se diga que, em 1986, o governo português tentou sabotar, na União Europeia, as sanções contra o regime do apartheid.

Não querem que se diga que a imprensa de direita portuguesa titulava, em 1985, que: «Eanes recebeu em Belém um terrorista sul-africano». Este «terrorista» era Oliver Tambo!


Não querem que se diga que a derrota do apartheid não se deveu a um gesto de boa vontade dos racistas sul-africanos mas à heróica luta do povo sul-africano, de Mandela e à solidariedade das forças progressistas mundiais contra aqueles que defenderam até ao fim o regime do apartheid.(...)"
 
*SABEM QUEM ERA O PRIMEIRO MINISTRO PORTUGUÊS QUE EM 1987 CHEFIAVA UM GOVERNO QUE VOTOU CONTRA A LIBERTAÇÃO DE NELSON MANDELA ?
 
ERA CAVACO SILVA !
 

Nelson Mandela (1918 - 2013)


Nelson Rolihlahla Mandela
18 de julho de 1918 - 05 de dezembro de 2013

terça-feira, 26 de março de 2013

A greve de fome na prisão de Guantánamo de que não se fala

 
Um prisioneiro numa cela na prisão de Guantánamo. Foto Reuters
 
WASHINGTON - A greve de fome dos presos mantidos há anos sem julgamento na prisão militar norte-americana de Guantánamo, em Cuba continua.  Calcula-se que pelo menos 28 prisioneiros dos 166 detidos estão efetivamente em greve de fome.

Esse número inclui 8 presos que estão a ser alimentados diariamente à força com um suplemento nutricional, enquanto são mantidos presos a uma cadeira.

Há vários anos que alguns dos presos de Guantánamo se recusam a comer e são mantidos vivos por alimentação forçada.
 
Alguns dos detidos, presos há mais de uma década,  estão em Guantánamo sem qualquer espécie de julgamento.
 
 

domingo, 24 de abril de 2011

Tarrafal, o campo da morte lenta

O campo de concentração do Tarrafal, lugar de degredo que entrou para o imaginário da resistência ao salazarismo e ao colonialismo, nasceu há 75 anos, com a publicação do decreto-lei que o criou. Os primeiros 152 tarrafalistas chegaram à ilha de Santiago a 26 de Outubro do mesmo ano, dando início a uma história que se prolongou para além do 25 de Abril de 1974. Até 1954, quando foi pela primeira vez encerrado, por pressão internacional, o “campo da morte lenta” de Cabo Verde recebeu mais de 340 detidos, principalmente presos políticos portugueses. Morreram no Tarrafal mais de três dezenas de detidos — os restos de 32 seriam, décadas depois, exumados e levados para Lisboa. Mas, num livro editado no ano passado, o jornalista cabo-verdiano José Vicente Lopes refere 34 mortos. Bento Gonçalves, líder do PCP, e o anarco-sindicalista Mário Castelhano foram duas das vítimas mortais. Durante a guerra colonial, reabriu com o nome de Campo de Trabalho de Chão Bom, e foi prisão para cerca de 230 nacionalistas africanos. Três deles, dois guineenses e um angolano, morreram. Encerrado em 1974, serviria ainda como prisão para cerca de 70 opositores do PAIGC, o partido da independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde. A 5 de Julho de 1975,  foram postos em liberdade os últimos desse grupo.

Fonte: Público


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mandela


No dia 11 de Fevereiro de 1990, Nelson Mandela era libertado após 27 anos de prisão. Era o ínicio do fim do regime de apartheid na África do Sul.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Obama’s Secret Prisons



Night Raids, Hidden Detention Centers, the “Black Jail,” and the Dogs of War in Afghanistan.


One quiet, wintry night last year in the eastern Afghan town of Khost, a young government employee named Ismatullah simply vanished. He had last been seen in the town’s bazaar with a group of friends. Family members scoured Khost’s dust-doused streets for days. Village elders contacted Taliban commanders in the area who were wont to kidnap government workers, but they had never heard of the young man. Even the governor got involved, ordering his police to round up nettlesome criminal gangs that sometimes preyed on young bazaar-goers for ransom.

But the hunt turned up nothing. Spring and summer came and went with no sign of Ismatullah. Then one day, long after the police and village elders had abandoned their search, a courier delivered a neat, handwritten note on Red Cross stationary to the family. In it, Ismatullah informed them that he was in Bagram, an American prison more than 200 miles away. U.S. forces had picked him up while he was on his way home from the bazaar, the terse letter stated, and he didn’t know when he would be freed.

Sometime in the last few years, Pashtun villagers in Afghanistan’s rugged heartland began to lose faith in the American project. Many of them can point to the precise moment of this transformation, and it usually took place in the dead of the night, when most of the country was fast asleep. In the secretive U.S. detentions process, suspects are usually nabbed in the darkness and then sent to one of a number of detention areas on military bases, often on the slightest suspicion and without the knowledge of their families.

This process has become even more feared and hated in Afghanistan than coalition airstrikes. The night raids and detentions, little known or understood outside of these Pashtun villages, are slowly turning Afghans against the very forces they greeted as liberators just a few years ago.


Artigo de Anand Gopal, disponível aqui.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

UN Secret Detention Report Asks, "Where Are the CIA Ghost Prisoners?

A major new report on secret detention policies around the world, conducted by four independent UN human rights experts, concludes that, "On a global scale, secret detention in connection with counter-terrorist policies remains a serious problem," and, "If resorted to in a widespread and systematic manner, secret detention might reach the threshold of a crime against humanity."

These sections contain valuable summaries, explaining how, in many cases, terrorism is used as a cover for secret detention policies of a political nature. However, the heart of the report is a detailed analysis of the Bush administration's "war on terror" policies.

Of particular concern to the authors of the joint study - beyond the overall illegality of the entire project conceived and executed by the Bush administration - is the fate of dozens of men held in secret prisons run by the CIA, or transferred by the CIA to prisons in other countries. Based on figures disclosed in one of the Office of Legal Counsel's notorious "torture memos," written in May 2005 by Assistant Attorney General Stephen Bradbury, the CIA had, by May 2005, "taken custody of 94 prisoners [redacted] and ha[d] employed enhanced techniques to varying degrees in the interrogations of 28 of these detainees."
Artigo de Andy Worthington, no T r u t h o u t disponível aqui.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Fuga de Peniche de 1960


Assinalaram-se no dia 3 de Janeiro, os 50 anos da fuga de dez presos políticos do Forte de Peniche em 1960, a prisão mais vigiada do regime fascista que vigorava em Portugal. A fuga que daria o argumento de excepção para um filme, demonstrou a capacidade do PCP de infligir um duro golpe no regime de Salazar e continua hoje a ser desconhecida da maioria dos Portugueses.
Era dada como impossível uma fuga que, afinal, libertou dez comunistas.
"A fuga de dez presos políticos do Forte de Peniche em 1960, a prisão mais vigiada de Portugal, dava um bom argumento para um filme de Hollywood. Se fosse Steven Spielber o realizador, o argumento privilegiaria a arriscada aventura do grupo de dez fugitivos, mas se Clint Eastwood dirigisse o filme, o foco seria em Álvaro Cunhal."


"Realizadores à parte, com visões colectivas ou de heróis, o que aconteceu nessa noite de há cinco décadas exactas é um filme cujo argumento ainda não terminou de ser escrito, porque os participantes que estão vivos vão atrasando com novas revelações a versão final. Não será por essa razão que esta escapada à Steve McQueen, de uma prisão também virada para o mar, passou despercebida à época e ainda hoje, com a evocação em Peniche pelo secretário-geral do PCP, desperta curiosidade, por ser daquelas cenas impossíveis de acontecer, inverosímeis mesmo num filme de acção." Para ler o resto aqui.
Rusga nacional sucede à fuga de Peniche
A evasão de Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Rodrigues foi um drama para Salazar, sofrido quase em silêncio nos primeiros dias. A fuga não foi noticiada e só se tornou do conhecimento nacional com o passar de muitas semanas. A excepção na imprensa nacional foi o órgão oficial do PCP, o Avante!, que na edição de 16 de Janeiro titula bem grande: "O nosso povo saúda a libertação de Álvaro Cunhal e dos seus companheiros". Reflexo da reacção imediata da PIDE, o subtítulo de o Avante! é claro: "Defendamo-los das investidas do inimigo!". E não era para menos pois o que estava escrito no artigo partidário era muito próximo da realidade: "Salazar mobilizou todo o seu aparelho repressivo (...) para tentar recapturar os fugitivos. " Para ler o resto aqui.
Textos do diário de noticias por JOÃO CÉU E SILVA.