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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

KZ-Guantánamo, 15º ano

Guantánamo é o produto mais acabado da forma como o governo dos EUA entende os últimos 15 anos de história e, simultaneamente, pretende organizar o nosso futuro.
 


Num agosto como este, há 13 anos, uma equipa de tortura da CIA foi buscar Mohamedou Ould Slahi, um mauritano de 32 anos, a uma cela de Guantánamo para o interrogar. "Um deles bateu-me na cara, tapou-me logo os olhos e os ouvidos, e pôs-me um saco de plástico na cabeça. (...) Acorrentaram-me tornozelos e pulsos". Slahi estava preso havia dois anos, um dos muitos milhares de detidos que os norte-americanos então capturam, ou mandam capturar, um pouco por todos o mundo, a grande maioria colocados à sua disposição nessa rede de prisões secretas e ilegais que, com a cooperação dos seus aliados (Portugal incluído), se foi montando por todo o planeta. Em novembro de 2001, aos 30 anos, dois meses depois do ataque às Torres Gémeas, a polícia mauritana prendeu-o a pedido das autoridades americanas. É já a CIA que o transfere para uma prisão jordana, onde fica detido em isolamento durante oito meses. Vivera desde os 18 anos na Alemanha e no Canadá, de onde, em 1991, partiu para o Afeganistão combater, com o apoio dos EUA e do Paquistão, o governo de Najibullah, apoiado pela ainda União Soviética. Os americanos eram, portanto, seus velhos conhecidos.
 
A pretexto do 11 de Setembro, o Iraque tinha sido invadido e entrara-se na era da guerra permanente que provocaria centenas de milhares, provavelmente milhões de mortos no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria, no Iémene, no Egito,... , e que alimentaria os atentados sanguinários da al-Qaeda e do Estado Islâmico. No meio de tamanho oceano de violência, o mauritano contava pouco. Um ano depois de chegar a Guantánamo, sem que acusação alguma lhe fosse imputada, fora de qualquer controlo judicial (civil ou militar), a tortura servira apenas para ele "vender aos americanos aquilo que eles quisessem comprar", isto é, assumir todas as mentiras que eles queriam que ele assumisse. Nesse 24 de agosto meteram-no num camião e espancaram-no até sentir que sufocava. "Mantinham-me os olhos e a cara tapados enquanto me batiam. Nada há de mais aterrorizador do que, a cada batimento cardíaco, achar que se vai apanhar um murro." Atiraram-no para dentro de uma lancha rápida, no mar de Cuba, simulando que o transportavam para outro país. Sempre com um saco de plástico a cobrir-lhe a cabeça, a tortura prolonga-se durante três horas. Volta a terra, e ao longo de horas sucedem-se na tortura americanos e árabes que coadjuvam os primeiros. "Cobriram-me todo o corpo, do pescoço aos tornozelos, com cubos de gelo, colocados debaixo da roupa. Sempre que o gelo derretia, substituíam-no por novos cubos. Enquanto me batiam na cara, o gelo ajudava a desinflamar os hematomas que me haviam feito por todo o corpo. (...) É difícil imaginar a dor que se sente quando o gelo se nos cola ao corpo." (M.O. Slahi, Guantanamo Diary; relato escrito em 2005, 2600 excertos censurados pelas autoridades americanas que só autorizam publicação em 2015).

Dois meses depois do 11 de Setembro de 2001, Bush autorizou a detenção por prazo indeterminado e sem dedução de acusação contra todos os "combatentes ilegais" feitos prisioneiros pelos americanos fora dos EUA, transformando Guantánamo, uma base que os EUA mantêm em Cuba à revelia do governo deste país, no campo de concentração (um KZ, na sua sigla nazi) modelo do séc. XXI. Num relatório sobre os primeiros dez anos do que deveria ser chamado o KZ-Guantánamo, recriado como espaço de puro arbítrio, em toda a sua essência, a Aministia Internacional (AI) sintetiza em "dez mensagens anti-Direitos Humanos" uma espécie de declaração universal de a-juricidade da nova ordem mundial que se foi impondo desde então. Antes de mais, "até as detenções declaradas ilegais podem ser prolongadas indefinidamente", "o direito a um julgamento justo depende da nacionalidade do detido e do ambiente político doméstico" e, obviamente, "a justiça pode ser manipulada para garantir que o governo ganha sempre". Em Guantánamo, "o tratamento humanitário do detido é uma escolha política e não um requisito legal"; "toda a execução é aceitável — mesmo depois de um julgamento injusto". Assumida desde 2009 a sua a-legalidade fundamental pela própria Administração Obama, os EUA não estão dispostos a assumir responsabilidade alguma pelo crime universal que praticam desde há 15 anos: "as vítimas de violações de Direitos Humanos podem ficar sem remédio", os EUA não colaborarão na "procura da verdade e na verificação de responsabilidades, mesmo no caso de crimes praticados contra o Direito Internacional" (AI, USA Guantánamo: A Decade of Damage to Human Rights, 2011).
 
Guantánamo é apenas uma das muitas prisões especiais à disposição dos EUA, articulada com centenas de outras em território aliado onde os detidos têm, na maioria dos casos, menos garantias ainda. O mecanismo que lhe deu origem é o mais antigo e tradicional da repressão colonial, tão bem conhecido dos resistentes antifascistas portugueses: o da deportação para milhares de quilómetros de distância, produzindo o desenraizamento perpétuo, ou até a aniquilação pela morte, se ela parecer pouco suscetível de resposta social. A intenção que está na sua origem é rigorosamente a mesma do Tarrafal, o KZ que Salazar mandou construir em 1934 na ilha de Santiago, em Cabo Verde, e que abriu há 80 anos, em 1936: criar um território físico, político e simbólico, fora do alcance da aplicação do Direito. Nele se entra sem se saber nunca quando (ou sequer se) dele se sai. Nove dos detidos de Guantánamo morreram à guarda das mesmas autoridades militares americanas que não permitem o livre acesso a advogados, ONGs, famílias. Dos 779 detidos, 15 eram menores de 18 anos. Apenas em oito casos (1%), as autoridades submeteram-nos a julgamento; condenados por comissões (nem sequer tribunais) militares, três deles viram as suas penas revogadas, a outros três foram reduzidas depois de recurso. 674 (87%) prisioneiros acabaram por ser transferidos para outros países; ao fim de 10-15 anos, a grande maioria continua detida sem julgamento. Dos que permanecem na base, 31 entram na categoria dos "indefinite detainees": os americanos não os aceitam libertar nem julgar; as confissões, obtidas através da tortura, não têm valor em tribunal (Human Rights Watch, "Guantanamo: Facts and Figures", 18.4.2016).

Guantánamo é o produto mais acabado da forma como o governo dos EUA entende os últimos 15 anos de história e, simultaneamente, pretende organizar o nosso futuro. Se, como se diz em Washington ou em Paris, o mundo é um campo de batalha numa guerra global contra o "terror", e nela os Direitos Humanos "não se podem aplicar", um estado de exceção deve ser imposto à escala planetária; se, como dizia Manuel Valls, nos temos de habituar a viver na "guerra contra o terror", temos de nos habituar a um estado de exceção perpétuo. Perpetuamente sem poder invocar os Direitos Humanos.
 
Artigo de Manuel Loff no Público

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Obama contra Trump, Putin e Erdogan: Golpes podem derrotar governos eleitos

Introdução            
Washington organizou uma campanha sistemática, global e ilimitada para expulsar o candidato presidencial republicano, Donald Trump, do processo eleitoral. O virulento ânimo anti-Trump, os métodos, os objectivos e os mass media assemelham-se a regimes autoritários a prepararem-se para derrotar adversários políticos.

Esforços de propaganda comparáveis levaram a golpes políticos no Chile em 1972, no Brasil em 1964 e na Venezuela em 2002. As forças anti-Trump incluem partidos políticos, um juiz do Supremo Tribunal, banqueiros da Wall Street, jornalistas e editorialistas de todos os media mais importantes e os principais porta-vozes militares e da inteligência.

O violento e ilegal esbulho de Trump por Washington é parte integral de uma vasta campanha mundial para o derrube de líderes e regimes que levantem questões acerca de aspectos das políticas imperiais dos EUA e UE.

Trataremos de analisar a política da elite anti-Trump, os pontos de confrontação e propagada, como um prelúdio para impulsionar remover oposição na América Latina, Europa, Médio Oriente e Ásia.

O golpe anti-Trump            
Nunca na história dos Estados Unidos um Presidente e um Juiz do Supremo Tribunal advogaram abertamente o derrube de um candidato presidencial. Nunca a totalidade dos mass media empenhou-se dia e noite numa propaganda unilateral para desacreditar um candidato presidencial ao sistematicamente ignorar ou distorcer as questões sócio-económica centrais da sua oposição.

O apelo ao derrube de um candidato eleito livremente é nada mais, nada menos do que um golpe de estado.

As principais redes de televisão e colunistas pedem que as eleições sejam anuladas, seguindo a pista do Presidente e de líderes eminentes do Congresso e dos partidos republicano e democrata.

Por outras palavras, a elite política rejeita abertamente processos eleitorais democráticos em favor da manipulação autoritário e do engano. A elite autoritária confia na ampliação de questões terciárias, em discutíveis apelos de julgamento pessoal a fim de mobilizar apoiantes para o golpe.

Eles evitam sistematicamente as questões económicas e políticas centrais que o candidato Trump levantou – e atraíram apoio maciço – as quais desafiam políticas fundamentais apoiadas pelas elites dos dois partidos.

As raízes do golpe anti-Trump             
Trump levantou várias questões chave que desafiam a elite democrata e republicana.    
Trump atraiu apoio de massa e ganhou eleições e inquéritos de opinião pública ao:       
  1. Rejeitar os acordos de livre comércio que levaram grandes multinacionais a se relocalizarem no exterior e desinvestirem em empregos industriais bem pagos nos EUA.        
  2. Apelar a projectos de investimento público em grande escala para reconstruir a economia industrial dos EUA, desafiando o primado do capital financeiro.        
  3. Opor-se à ressurreição da Guerra Fria com a Rússia e a China e promover maior cooperação económica e negociações.        
  4. Rejeitar o apoio dos EUA à acumulação militar da NATO na Europa e à intervenção na Síria, África do Norte e Afeganistão.        
  5. Questionar a importação de trabalho imigrante, o qual reduz oportunidades de emprego e salários para cidadãos locais.
A elite anti-Trump evita sistematicamente debater tais questões; ao invés disso distorce a substância das políticas.

Ao invés de discutir os benefícios no emprego que resultarão do fim das sanções à Rússia, os que tramam o golpe berram que "Trump apoia Putin, o terrorista".

Ao invés de discutir a necessidade de redirigir investimento interno para criar empregos nos EUA, a junta anti-Trump fala por clichés a afirmarem que a sua crítica da globalização "minaria" a economia dos EUA.

Para denegrir Trump, a junta Clinton/Obama recorre a escândalos políticos para encobrir crimes políticos em massa. Para distrair a atenção pública, Clinton-Obama afirmam falsamente que Trump é um "racista", apoiado por David Duke, um advogado racista da "islamofobia". A junta anti-Trump promoveu os pais estado-unidenses-paquistaneses de um militar abatido em guerra como vítima das calúnias de Trump mesmo quando eles aplaudiam Hillary Clinton, promotora de guerras contra países muçulmanos e autora de políticas militares que remeteram milhares de soldados americanos para a sepultura.

Obama e Clinton são os racistas imperiais que bombardearam a Líbia e a Somália e mataram, feriram e deslocaram mais de 2 milhões de africanos negros ao sul do Saara.

Obama e Clinton são os islamófobos que bombardearam e mataram e expulsaram cinco milhões de muçulmanos na Síria e um milhão de muçulmanos no Iémen, Afeganistão, Paquistão e Iraque.

Por outras palavras, a política errada de Trump de restringir a imigração muçulmana é uma reacção ao ódio e à hostilidade engendrada por Obama e Clinton com o genocídio de um milhão de muçulmanos.

A política "America First" de Trump é uma rejeição de guerras imperiais além-mar – sete guerras sob o governo Obama-Clinton. Suas políticas militaristas incharam défices orçamentais e degradaram padrões de vida nos EUA.

A crítica de Trump à fuga de capitais e de empregos ameaçou a locupletação de mil milhões de dólares por parte da Wall Street – a razão mais importante por trás do esforço bi-partidário da junta para afastar Trump e o apoio que tem da classe trabalhadora.

Ao não seguir a agenda de guerra bi-partidária da Wall Street, Trump esboçou uma outra agenda que é incompatível com a estrutura actual do capitalismo. Por outras palavras, a elite autoritária dos EUA não tolera as regras democráticas do jogo mesmo quando a oposição aceita o sistema capitalista.

Além disso, a busca de Washington do "poder único" estende-se através do globo. Governos capitalistas que decidam seguir políticas externas independentes são alvos para golpes.

A junta Obama-Clinton torna-se frenética            
O golpe contra Trump proposto por Washington segue políticas semelhantes àquelas dirigidas contra líderes políticos na Rússia, Turquia, China, Venezuela, Brasil e Síria.

O presidente russo, Putin, foi demonizado diariamente pelos media de propaganda dos EUA durante quase toda uma década. Os EUA apoiaram oligarcas e promoveram sanções económicas; financiaram um golpe na Ucrânia; instalaram mísseis nucleares na fronteira da Rússia e lançaram uma corrida armamentista para minar políticas económicas do Presidente Putin a fim de provocar um golpe.

Os EUA apoiaram o "governo invisível" do seu apaniguado (proxy) gulenista no golpe fracassado para derrubar o Presidente Erdogan, por este deixar de adoptar totalmente a agenda dos EUA para o Médio Oriente.

Da mesma forma, Obama-Clinton apoiaram golpes bem sucedidos na América Latina. Foram orquestrados golpes em Honduras, Paraguai e mais recentemente no Brasil para minar presidentes independentes e assegurar regimes neoliberais satélites. Washington apressa-se para impor à força o derrube do governo nacional-populista do Presidente Maduro, na Venezuela.

Washington aumentou seus esforços para desgastar, minar e derrubar o governo do Presidente Xi-Jinping, da China, através de várias estratégias combinadas. Uma acumulação militar de uma força de ar e terra no Mar do Sul da China e bases militares no Japão, Austrália e Filipinas; agitação separatista em Hong Kong, Formosa e entre os uigures; acordos comerciais de livre comércio entre EUA, América Latina e Ásia que excluem a China.

Conclusão            
A estratégia de Washington de golpes ilegais e violentos para manter a ilusão de império estende-se através do globo, indo desde Trump nos EUA a Putin na Rússia, desde Erdogan na Turquia a Maduro na Venezuela e Xi Jinping na China.

O conflito é entre o imperialismo dos EUA-UE apoiado pelos seus clientes locais contra regimes endógenos enraizados em alianças nacionalistas.

A luta é contínua e prolongada e ameaça minar o tecido político e social dos EUA e da União Europeia.

A principal prioridade para o Império estado-unidense é minar e destruir Trump por quaisquer meios. Trump já levantou a questão de "eleições manipuladas" ("rigged elections"). Mas a cada ataque dos media da elite a Trump parece aumentar e fortalecer seu apoio de massa e polarizar o eleitorado.

Quando as eleições se aproximam, será que a elite se limitará à histeria verbal ou passará dos assassínios verbais para os de "outra espécie"?

A estratégia global do golpe de Obama mostra resultados mistos: eles tiveram êxito no Brasil mas foram derrotados na Turquia; eles tomaram o poder na Ucrânia mas foram derrotados na Rússia; eles ganharam aliados de propaganda em Hong Kong e Formosa mas sofreram graves derrotas económicas estratégicas na região quando a China avançou políticas comerciais asiáticas.

Quando as eleições estado-unidenses se aproximam, e o legado imperial perseguido por Obama entra em colapso, podemos esperar maiores fraudes e manipulações e talvez mesmo o recurso frequente a assassínios daqueles que a elite designa como "terroristas".        

      
O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=2096            
Fonte: 
http://resistir.info/ 

quinta-feira, 31 de março de 2016

CUBA | paredão & depois



Relatos detrás de um muro abstrato com consequências sobre o povo cubano. Esse micro documentário com câmara na mão narra os efeitos do bloqueio econômico dos Estados Unidos e as expectativas com o novo paradigma que constitui a retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos. Julia Nassif / Nacho Lemus:2016

quarta-feira, 30 de março de 2016

O irmão Obama

Os reis da Espanha trouxeram-nos os conquistadores e donos, cujas pegadas ficaram gravadas nos terrenos circulares atribuídos aos buscadores de ouro na areia dos rios, uma forma abusiva e vergonhosa de exploração cujos sinais ainda hoje podem ser advertidos, do ar, em muitos lugares do país.

O turismo hoje, em boa parte, consiste em mostrar as delícias das paisagens e degustar os alimentos requintados de nossos mares, e sempre que sejam compartilhadom com o capital privado das megacorporações estrangeiras, cujos ganhos se não atingem os bilhões de dólares per capita não são dignos de atenção alguma.

Já que fui obrigado a mencionar o tema devo acrescentar, principalmente para os jovens, que poucas pessoas percebem a importância de tal condição neste momento singular da história humana. Não direi que o tempo tenha sido perdido, mas não vacilo ao afirmar que não estamos suficientemente informados, nem vocês nem nós, dos conhecimentos e da consciência que deveríamos ter para enfrentar as realidades que nos desafiam. O primeiro a ser levado em conta é que nossas vidas são uma fração histórica de segundos, a qual é preciso compartilhar, ainda, com as necessidades vitais de todo ser humano. Uma das características deste é a tendência à sobrevalorização do seu papel, questão que contrasta, por outro lado, com o número extraordinário de pessoas que encarnam os sonhos mais elevados.

Ninguém, contudo, é bom ou é mau por si próprio. Nenhum de nós está desenhado para o papel que deve assumir na sociedade revolucionária. Em parte, nós os cubanos tivemos o privilégio de contar com o exemplo de José Martí. Pergunto, inclusive, se ele devia ter morrido ou não em Dos Rios, quando disse “para mim está na hora”, e avançou contra as forças espanholas entrincheiradas em uma sólida linha de defesa. Não queria retornar para os Estados Unidos e não haveria quem o fizesse retornar. Alguém tirou algumas folhas do seu diário. Quem arcou com essa pérfida culpa, que foi, sem dúvida, obra de algum intrigante inescrupuloso? Soube-se que existiam diferenças entre os chefes, porém jamais houve indisciplinas. “Quem tente apropriar-se de Cuba colherá o pó do seu solo alagado em sangue, se antes não perece na luta”, declarou o glorioso líder negro Antonio Maceo. Reconhece-se, igualmente, que Máximo Gómez foi o chefe militar mais disciplinado e discreto de nossa história.

Olhando de outro ângulo, como a gente não vai ficar admirada da indignação de Bonifacio Byrne quando, da distante embarcação que o trazia de retorno a Cuba, ao divisar outra bandeira junto da da estrela solitária, declarou: “Minha bandeira é aquela que jamais tem sido mercenária...” para acrescentar imediatamente uma das frases mais belas que jamais escutei: “Se desfeita em miúdos pedaços chega a estar minha bandeira algum dia... nosso mortos, erguendo os braços, ainda saberão defendê-la...” Tampouco esquecerei as palavras ardentes de Camilo Cienfuegos naquela noite, quando a várias dezenas de metros de nós, bazucas e metralhadoras de origem norte-americana nas mãos de agentes contrarrevolucionários apontavam para nós. Obama tinha nascido em 1961, como ele próprio explicou. Mais de meio século decorreria desde aquele momento.

Contudo, vejamos como pensa nosso ilustre visitante:

“Vim aqui para deixar atrás os últimos sinais da guerra fria nas Américas. Vim aqui estendendo a mão de amizade ao povo cubano”. E imediatamente um dilúvio de conceitos, inteiramente novos para a maioria de nós:

“Ambos vivemos em um novo mundo que foi colonizado pelos europeus”. Prosseguiu o presidente norte-americano. “Cuba, tal como os Estados Unidos, foi constituída por escravos trazidos da África; tal como os Estados Unidos, o povo cubano tem herança de escravos e de donos de escravos”.

As populações nativas não existem para nada na mente de Obama. Tampouco disse que a discriminação racial foi varrida pela Revolução; que a aposentadoria e o salário de todos os cubanos foram decretados por esta antes que o senhor Obama completasse dez anos. O odioso costume burguês de contratar esbirros para que os cidadãos negros fossem expulsos de centros de lazer foi varrido pela Revolução Cubana. Esta ficaria gravada na história pela batalha que travou em Angola contra o apartheid, pondo fim à presença de armas nucleares em um continente de mais de um bilhão de habitantes. Esse não era o objetivo de nossa solidariedade mas sim o de ajudar aos povos de angola, Moçambique, Guiné-Bissau e outros da dominação colonial fascista de Portugal.

Em 1961, apenas um ano e três meses depois do triunfo da Revolução, uma força mercenária com canhões e infantaria blindada e com aviões foi treinada e acompanhada de navios de guerra e porta-aviões dos Estados Unidos e atacou de surpresa nosso país. Nada poderá justificar aquele aleivoso ataque que custou ao nosso país centenas de vidas, entre mortos e feridos. Da brigada de assalto pró-ianque, em nenhuma parte consta que tivesse podido ser evacuado nenhum mercenário. Aviões ianques de combate foram apresentados nas Nações Unidas como aparelhos cubanos revoltados.

É bem conhecida a experiência militar e o poderio desse país. Na África pensaram igualmente que a Cuba revolucionária seria igualmente posta fora de combate. O ataque pelo Sul de Angola por parte das brigadas motorizadas da África do Sul racista levou-as até as proximidades de Luanda, a capital desse país. Aí se iniciou a luta que se prolongaria não menos de 15 anos. Nem sequer falaria disto a menos que tivesse o dever elementar de contestar o discurso de Obama no Grande Teatro de Havana Alicia Alonso.

Tampouco tentarei dar detalhes, a não ser que ali foi escrita uma página de honra na luta pela libertação do ser humano. De certa forma eu desejava que a conduta de Obama fosse correta. Sua origem humilde e sua inteligência natural eram evidentes. Mandela ficou preso a vida toda e se tinha convertido em um gigante da luta pela dignidade humana. Um dia chegou às minhas mãos uma cópia do livro no qual se conta uma parte da vida de Mandela e, surpresa!, o prólogo tinha sido escrito por Barack Obama. Folhei-o rapidamente. Era incrível o tamanho da minúscula letra de Mandela precisando dados. Vale a pena ter conhecido homens como aquele.

Acerca do episódio da África do Sul devo assinalar outra experiência. Eu estava realmente interessado em conhecer mais detalhes sobre a forma em que os sul-africanos tinham adquirido as armas nucleares. Somente tinha a informação muito precisa de que não eram mais de 10 ou 12 bombas. Uma fonte certa seria o professor e pesquisador Pero Gleijeses, quem tinha redigido o texto de “Missões em conflito: Havana, Washington e África 1959-1976”; um trabalho excelente. Eu sabia que ele era a fonte mais segura do que tinha acontecido e assim o comuniquei a ele: respondeu-me que ele não tinha falado mais do assunto, porque no texto tinha respondido as perguntas do companheiro Jorge Risquet, quem tinha sido embaixador ou colaborador cubano em Angola, muito amigo dele. Localizei Risquet que, entre outras ocupações, estava acabando um curso ao que faltavam ainda várias semanas. Essa tarefa coincidiu com uma viagem bastante recente de Piero ao nosso país; eu tinha advertido a Piero que Risquet já tinha uma idade avançada e que sua saúde não era ótima. Poucos dias depois ocorreu o que eu estava temendo: Risquet piorou e faleceu. Quando Piero chegou não havia nada a fazer exceto promessas, mas eu já tinha conseguido informação acerca do relativo a essa arma e a ajuda que a África do Sul racista tinha recebido de Reagan e de Israel.

Não sei o que terá de dizer Obama sobre esta história. Desconheço o que ele sabia ou não, embora seja muito duvidoso que não soubesse absolutamente nada. Minha modesta sugestão é que reflita e não tente agora elaborar teorias sobre a política cubana.

Há uma questão importante:

Obama proferiu um discurso no qual lança mão das palavras mais adocicadas para expressar: “Já é hora de esquecer-nos do passado, deixemos o passado, olhemos para o futuro, olhemos juntos o futuro, um futuro de esperança. E não vai ser fácil, vai haver desafios e a esses vamos dar tempo; mas minha estadia aqui me dá mais esperanças acerca do que podemos fazer juntos como amigos, como família, como vizinhos, juntos”.

Supõe-se que cada um de nós corria o perigo de sofrer um infarto após escutar essas palavras do presidente dos Estados Unidos. Após um bloqueio desapiedado que já durou quase 60 anos, e aqueles que morreram nos ataques mercenários a navios e portos cubanos, um avião regular cheio de passageiros feito explodir em pleno vôo, invasões mercenárias, múltiplos atos e violência e de força?

Ninguém acalente a ilusão de que o povo deste nobre e abnegado país renunciará à glória e os direitos e à riqueza espiritual que ganhou com o desenvolvimento da educação, a ciência e a cultura.

Advirto, ademais, que somos capazes de produzir os alimentos e as riquezas espirituais de que precisamos com o esforço e a inteligência de nosso povo. Não necessitamos que o império nos entregue de presente nada. Nossos esforços serão legais e pacíficos, porque é nosso compromisso com a paz e a fraternidade de todos os seres humanos que vivemos neste planeta.

Fidel Castro Ruz

27 de março de 2016
 
 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Lo que dice y no dice Obama

El Presidente Obama es un buen comunicador. Significa que sabe colocar las palabras, los gestos, la mirada. Parece como si improvisara, pero tiene frente a sí un “teleprompter” que el público no percibe. Su lógica discursiva va de­jando espacios de aire que eluden, minimizan o manipulan los hechos. El pueblo cubano no alberga sentimientos de odio hacia el pueblo estadounidense, y escucha al Presidente que propició el reinicio de relaciones diplomáticas con disposición amistosa. Ello no significa que no perciba los saltos. Quizá, en una de esas frases dichas sin demasiado énfasis, radica la primera confusión: si bien es cierto que el go­bierno estadounidense y el cubano fueron ad­versarios y no sus pueblos, este último y su pue­blo compartieron durante estas décadas de confrontación similares ideales y propósitos. No podría entenderse la sostenibilidad de esa Revolución y la ineficacia de un bloqueo que ocasiona enormes dificultades en la vida cotidiana de sus ciudadanos, si no se parte de esa premisa. No podría entenderse la legitimidad de cada conquista revolucionaria, si no se co­no­ce además la historia de las relaciones entre los dos países.

El Presidente Obama introduce esa historia con una alusión simbólica a las aguas del Estre­cho de la Florida, a los que van y vienen de un lado al otro. Habla de los sufrimientos del “exiliado” cubano —término que obvia el hecho de que este suele pasar sus vacaciones, sin peligro alguno, en Cuba, o incluso, como se ha puesto de moda, sus años finales de vida al am­paro del sistema estatal cubano de salud—, que se­gún el discurso oficial de su gobierno, va en busca de “libertad y oportunidades”, pe­ro no aclara si se refiere a los torturadores, asesinos y ladrones del ejército batistiano que hu­yeron a los Estados Unidos en los primeros me­ses de la Revolución, a los niños que fueron separados de sus padres en virtud de una propaganda mentirosa y un criminal Programa de­nominado Peter Pan, a los médicos o deportistas incitados a desertar de sus misiones de solidaridad o de eventos internacionales, con la promesa de una vida material más holgada o jugosos contratos, o a los que, cansados del blo­queo, o de vivir en un país digno pero pobre, saltan en balsas hacia el llamado Primer Mundo, al amparo de la política de pies secos-pies mojados y de la Ley de Ajuste Cubano, que politiza la decisión de todo inmigrante.

Cuando expresaba sus sentidas condolencias y su solidaridad hacia el pueblo belga por los atentados terroristas que acaban de producirse en Bruselas, con el lamentable saldo de más de 30 muertos, los cubanos sentimos esa he­rida como propia: en estas décadas de aco­so, el terrorismo con base en territorio norteamericano ocasionó 3 478 muertos y 2 099 in­capacitados. Algunos de esos “exiliados”, cu­yos sufrimientos dice comprender, han ejercido o ejercen el terrorismo, en Cuba y en los Es­tados Unidos. Posada Carriles, coautor intelectual de la voladura de un avión civil cubano en pleno vuelo y responsable de la muerte de to­dos sus pasajeros y tripulantes, vive tranquilamente en Miami. Por eso nos pareció un acto de justicia imprescindible que liberara a los tres cubanos que aún permanecían presos en aquel país por combatir el terrorismo, el mis­mo día que ambos presidentes anunciaban la intención de reanudar relaciones.

Sin embargo, reconozco que avanza un po­co más cuando reconoce que “antes de 1959 al­gunos estadounidenses consideraban que Cu­ba era algo a ser explotado, no prestaban atención a la pobreza, permitían la corrupción”, y agrega, “yo sé la historia, pero no voy a estar atrapado por la misma”. Entonces, recita el ver­so de José Martí, “cultivo una rosa blanca” y declara: “como Presidente de los Estados Uni­dos de América, yo le ofrezco al pueblo cu­bano el saludo de paz”.

Eso, lo apreciamos. No citaré a José Martí, aunque podría traer a colación sus muchas observaciones críticas y ad­verten­cias sobre la “democracia” estadounidense. Solo diré que el camino que quería para Cuba no era ese.

¿Por qué ahora?”, pregunta Obama, y se res­ponde con naturalidad: “Lo que estaba ha­ciendo Estados Unidos no funcionaba”. Pero, ¿no funcionaba?, ¿no sería mejor decir que era inmoral?, ¿que causaba sufrimientos, e incluso muertes? “El embargo hería a los cubanos en vez de ayudarlos”. Nos hería en nuestros sentimientos de pueblo digno, sí, pero también afectaba nuestras vidas. El bloqueo es criminal. ¿No debía acaso pedir perdón, en nombre del Estado que representa, a todos los cubanos? La expresión “no funcionaba”, alu­de, aunque no lo exprese de manera directa, a la heroica resistencia del pueblo cubano, a su decisión de preservar su independencia y su soberanía, y también a la perversa razón del cambio: si no funcionaba, hay que hacer algo que funcione (algo que los obligue o los conduzca a hacer lo que queremos que hagan). Me parece que el sentido del cambio se esconde en esa expresión.

Hay un problema adicional con ese efectista ofrecimiento del saludo de paz: la Ley de Ajuste Cubano, la política de pies secos-pies mojados, la política de estímulo a la deserción de médicos y deportistas, y el bloqueo económico, comercial y financiero, siguen vigentes. Del territorio ocupado en Guantánamo durante una centuria contra nuestra voluntad, ni una sola palabra. Entonces, ¿cuál es la rama de oli­vo?, ¿dónde está la rosa blanca? Obama ha abierto un camino que se inicia con el restablecimiento de relaciones, y que pasa por muchas disposiciones ejecutivas antes de que el Con­greso se disponga a cancelar las leyes del bloqueo. En ese camino, todavía puede hacer mucho más.

“Vine aquí para dejar atrás los últimos vestigios de la guerra fría en las Américas”, declara de manera solemne.
Entonces, ¿acepta la con­vivencia civilizada que Cuba propone, con un Estado socialista a 90 millas de sus costas?, ¿dejará que Venezuela, Ecuador, Bolivia, Bra­sil, y todos los pueblos latinoamericanos decidan sin injerencia alguna sus destinos? “He­mos desempeñado diferentes papeles en el mundo”, dice con honestidad, aunque no creo que comprenda o acepte el papel asumido por el imperialismo, que pese a todo representa. “Hemos estado en diferentes lados en diferentes conflictos en el hemisferio”, agrega. Es un tema delicado, porque los sucesivos gobiernos estadounidenses apoyaron a Batista, a los So­moza, a Trujillo, a Pérez Jiménez, a Stroessner, a Hugo Bánzer, a Pinochet, a Videla, etc. Y com­batieron a  Cárdenas, a Arbenz, a Torrijos, a Velazco Alvarado, a Salvador Allende, a Chá­vez, a Evo… “Tomamos diferentes caminos para apoyar al pueblo de Sudáfrica para que erradicara el apartheid, pero el presidente Cas­tro y yo, ambos, estuvimos en Johannesburgo pagándole un tributo al legado de Nelson Man­dela”, afirma y no sé a qué apoyo se refiere, porque el gobierno que encarceló a Man­dela fue un aliado estratégico de Washington, aunque él era apenas un niño en aquellos años. Cuba pagó su tributo a Mandela con la sangre derramada por sus hombres y mujeres en la selva africana, mientras rechazaba junto a los combatientes angolanos la invasión de la Sudáfrica racista.

El Presidente Obama sabe que el pueblo cubano aprecia y defiende la independencia conquistada, por eso reitera que “Estados Uni­dos no tiene ni la capacidad ni la intención de imponer cambios en Cuba, los cambios de­penden del pueblo cubano (…) conocemos que cada país, cada pueblo debe forjar su propio destino, su propio modelo”. Sin embargo, la “nueva era” presupone “sus” cambios… en Cuba. Primero enumera los “valores” que todo país debe compartir, y algunas medidas que Cuba en particular debe aplicar. Luego, no tan veladamente, establece condiciones: “aunque levantemos el embargo mañana —dice— los cubanos no van a alcanzar su potencial sin ha­cer cambios aquí en Cuba”. Cree que puede ga­narse la voluntad de los jóvenes: “estoy apelando a los jóvenes de Cuba que tienen que construir algo nuevo, elevarse.

¡El futuro de Cuba tiene que estar en las manos del pueblo cubano!”, como si no lo estuviera desde 1959. Y afirma: “yo sé que el pueblo cubano va a tomar las decisiones correctas”. También yo lo sé. La diferencia estará sin dudas en el criterio de corrección o de conveniencia que establezcamos. El modelo de sociedad al que aspiramos, no es la corrupta Miami, como propone Obama con insólita candidez.

“El pueblo no tiene que ser definido como opositor a los Estados Unidos, o viceversa”, di­ce, y utiliza un vocabulario ajeno a nuestra edu­cación política. No somos opositores a los Estados Unidos, somos hermanos de su gente de bien, sencilla y creadora, y le tendemos la mano a su gobierno, siempre que esté dispuesto a respetar el camino elegido por Cuba, que tanta sangre y sacrificios costara. “Amamos a la patria de Lincoln, tanto como tememos a la patria de Cutting”, sentenciaba José Martí. Ese es el enigma: ¿quién de los dos nos tiende la mano?
 
 
Enrique Ubieta Gómez Publicado en Granma
23 de marzo de 2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

#ObamaenCuba

  

En estos días han abundado las entrevistas. Como se repiten las preguntas y más o menos las respuestas oscilan sobre las mismas ideas, he decidido hacer una síntesis de lo que he dicho a medios como el diario chileno La Tercera, el periódico español La Razón, las agencias de prensa china Xinhua y cubana Prensa Latina, las televisoras Russia Today y TeleSUR y la revista cubana Bohemia alrededor de la visita oficial a Cuba del Presidente estadounidense Barack Obama.  
 
La Cuba actual habla sobre la visita de Obama. Creo que la mayoría percibe que es un paso positivo en el camino de normalización de las relaciones entre ambos países del que cada parte busca resultados diferentes: Cuba, mover la opinión pública de EEUU y sus sectores más influyentes a favor de objetivos históricos como la entrega del territorio que Estados Unidos ocupa ilegalmente en Guantánamo, el fin del bloqueo y el respeto hacia su sistema económico, político y social. Washington, por su parte, desea aumentar su influencia en la sociedad cubana en su objetivo declarado de empujarla hacia el capitalismo, a la vez que en particular el Presidente Obama persigue fortalecer su legado.
 
Como dice el historiador Fernando Martínez Heredia, supone una tremendísima confusión, pero pudiera existir una parte de las personas que piense que porque Obama viene a Cuba, la situación material de una parte grande de los cubanos va a mejorar.
 
Ningún país del entorno de Cuba, desde México a República Dominicana está mejor socialmente que Cuba a pesar de no tener bloqueo económico, lejos de eso sufren problemas como la violencia estructural, el trabajo infantil y el narcotráfico que aquí ni existen. Cuando EEUU habla de “empoderar al pueblo cubano” a lo que se refiere realmente es a la construcción de una minoría que como en esos países le administre el país de acuerdo a sus intereses.
 
La visita de  Obama a Cuba es un paso positivo en el camino hacia la normalización de las relaciones que implica el reconocimiento tácito a un país al que EEUU trató de arrodillar por todas las las vías posibles: bloqueo económico, terrorismo, guerra biológica, planes de asesinato de sus líderes… Y es una victoria de la resistencia del pueblo cubano sobre más de cincuenta años de hostilidad que  también implica la aceptación de la exigencia del gobierno cubano de conversar sin condicionamientos y en pie de igualdad pero no supone la normalidad en la relación porque el mismo Obama no ha dejado de afirmar que para Washington se trata de un cambio de métodos pero no de objetivos.
 
obama-cuba
A lo que aspiran los cubanos es que todo este proceso repercuta positivamente en sus vidas cotidianas, permita eliminar las restricciones que deforman el funcionamiento de la economía y cese la pretensión de restringir al estado que es el que le ha garantizado el verdadero empoderamiento al pueblo.
 
Habrá un aluvión simbólico en estos días. Sin embargo, nada podrá superar la imagen del jefe del país más poderoso del mundo, entrando respetuosamente en la Plaza de la Revolución, donde tiene centro la institucionalidad que once presidentes estadounidenses no pudieron derrotar. Allí le esperan en pie el José Martí monumental cuyas últimas palabras fueron para decir que cuanto hizo era para “impedir a tiempo con la independencia de Cuba que se extiendan por las Antillas los Estados Unidos y caigan, con esa fuerza más, sobre nuestras tierras de América”, frente a los rostros gigantescos de los comandantes Che Guevara -enviado a la inmortalidad por la CIA- y Camilo Cienfuegos, cuya frase más recordada es “vas bien Fidel.
 
Por Iroel Sánchez, La Pupila Insomne
 
 
 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Obama em Cuba

A notícia está a fazer correr muita tinta. O presidente do EUA, Barack Obama, visitará Cuba nos dias 21 e 22 de Março. A notícia foi confirmada no dia 19 de Fevereiro pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba (Minrex) e pela Casa Branca. Num comunicado escrito, o Gabinete do Secretário de Imprensa do presidente dos EUA afirma que a visita servirá para «assegurar o progresso que temos realizado rumo à normalização das relações com Cuba». A nota insiste em alguma da retórica dos EUA, nomeadamente quando refere o «apoio aos direitos humanos» e sublinha que Barack Obama se reunirá, para lá dos encontros oficiais, – «com membros da sociedade civil, empresários e cubanos de todos os âmbitos da sociedade».

Em Cuba a notícia foi dada em conferência de imprensa, com direito a perguntas, por Josefina Vidal Ferreiro, Directora-geral para os Estados Unidos do Minrex. A afirmação inicial foi peremptória e inequívoca: «O mandatário estadunidense será bem-vindo pelo governo de Cuba e pelo seu povo, com a hospitalidade que o caracteriza» e «será tratado com todo o respeito e consideração». Palavras com um enorme significado histórico e político. Desde logo porque há quase um século que um presidente dos EUA não pisava solo cubano. O último a fazê-lo foi Calvin Coolidge, corria então o ano de 1928. A Emenda Platt estava vigente e o povo cubano vivia na miséria e oprimido pela ditadura de Gerardo Machado ao serviço dos EUA. Mas o peso político e histórico destas declarações vai muito mais longe se pensarmos que se referem à visita do mais alto representante de uma nação cujos sucessivos governos são responsáveis por infindáveis pressões e ingerências, inenarráveis campanhas de difamação, inúmeros planos de conspiração e centenas de crimes contra Cuba, o seu povo, os seus dirigentes e a sua Revolução.

É notável a dignidade e segurança com que Cuba anuncia a visita do presidente dos EUA. Bem como a objectividade e clareza com que define os seus limites, afirmando que «constituirá mais um passo rumo à melhoria das relações entre Cuba e os Estados Unidos»; que «para chegar à normalização dessas relações bilaterais teriam que ser resolvidos assuntos chave pendentes, incluindo o levantamento do bloqueio e a devolução a Cuba do território ilegalmente ocupado pela base naval em Guantánamo»; e que a vontade do governo cubano de construir essa nova relação é «baseada nos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas e dos princípios da Proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz» e é «alicerçada no respeito das diferenças e nos benefícios mútuos».

A visita de Obama realiza-se num período especialmente importante da vida política cubana e é ela própria uma vitória de Cuba. Uma vitória que acaba com inúmeros mitos e factos, desde logo o de, pela sua presença, o presidente dos EUA furar o bloqueio que o seu Governo impõe contra Cuba, ou ainda o mito da «ditadura comunista» isolada diplomaticamente do resto do Mundo onde o seu povo vive na pobreza e oprimido. O momento não poderia ser mais simbólico. Realiza-se a apenas três semanas da abertura dos trabalhos do VII Congresso do Partido Comunista de Cuba (16 a 19 de Abril), data em que se comemorarão os 55 anos da proclamação do carácter socialista da Revolução Cubana, e poucas semanas após o Papa Francisco e Cirilo I terem escolhido Havana para realizar o primeiro encontro em quase mil anos entre os líderes da igreja católica e ortodoxa.


Quando o Mundo corre, por acção de potências como os EUA, para um precipício de crise, guerra e derivas fascistas, a visita de Obama a Cuba é uma boa notícia. Não temos ilusões quanto aos objectivos dos EUA face a Cuba, que se mantêm no essencial e não mudarão com esta visita, mas este facto histórico não deixa de ser positivo e constitui já uma vitória dos que resistem há mais de meio século e insistem no caminho do socialismo, da paz e da amizade entre os povos.

Artigo de Ângelo Alves no
Avante

sábado, 23 de outubro de 2010

"Wikileaks" divulgou 400.000 documentos sobre os crimes de guerra no Iraque



O site "Wikileaks" revelou, através de diversos órgãos de informação como o "New York Times", o "Guardian", ou a "Al-Jazeera", cerca de 400 mil relatórios militares secretos relativos à condução americana da guerra do Iraque. Os documentos do WikiLeaks revelam que o exército norte-americano "ocultou casos de tortura de civis nas prisões iraquianas" e que existirão relatórios norte-americanos que implicam o primeiro ministro iraquiano em funções, Nuri al Maliki, na formação de "equipas encarregadas de realizar torturas e matanças". "Apesar de um dos objectivos da guerra do Iraque foi o encerrar dos centros de tortura de Saddam Hussein. Os documentos do Wikileaks mostram numerosos casos de tortura e abuso de prisioneiros iraquianos por polícias e soldados iraquianos. Mais, revelam que os EUA estavam ao corrente da tortura autorizada pelo Estado [iraquiano] mas ordenou às tropas para não intervir." Os ficheiros compreendem um período entre Janeiro de 2004 a 31 de Dezembro de 2009. A informação publicada pelo "Wikileaks" assegura também que "o número de mortos civis é muito maior ao que se estipula oficialmente". Segundo os documentos revelados, desde a invasão americana do Iraque, em Março de 2003 até ao final de 2009, morreram 109 mil iraquianos, 63% dos quais são civis. Um balanço norte-americano, publicado no fim de julho no site do Comando Central do Exército (Centcom), indica que entre janeiro de 2004 e agosto de 2008, o período mais sangrento em sete anos de guerra, foram mortos cerca de 77 mil iraquianos, dos quais 63 185 civis e 13 754 membros das forças de segurança. Foram ainda revelados novos casos de tiroteios contra civis americanos em que está envolvida a Blackwater, a empresa privada de segurança Blackwater.

Os documentos estão acessíveis no endereço http://warlogs.wikileaks.org/

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O primeiro processo contra uma criança-soldado da história moderna.

Omar Khadr cidadão canadiano, tinha 15 anos quando foi preso em 2002 no Afeganistão. Posteriormente foi deportado por militares norte americanos para o campo de concentração de Guantánamo. Passados 8 anos da sua captura será julgado por terrorismo. Omar tem actualmente 23 anos.

"O julgamento do mais jovem prisioneiro de Guantánamo, Omar Khadr, está previsto para amanhã, 18 meses depois de o Presidente Barack Obama ter prometido encerrar o campo de detenção americano em Cuba. O processo de Omar Khadr marca também o reinício das comissões militares (ou julgamentos militares) em Guantánamo, que Obama tinha mandado suspender, numa das suas primeiras iniciativas enquanto Presidente."  Fonte Público

Apesar de ter sido assumido por Barack Obama durante a campanha eleitoral e mesmo após a sua eleição para a presidência dos EUA, o compromisso de fechar o campo de concentração de Guantánamo em 100 dias, passados mais de 500 dias da tomada de posse de Obama (20 de Janeiro de 2009), o campo de concentração continua aberto e activo apesar das campanhas para o seu fecho de numerosas ONG de defesa dos direitos humanos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Obama’s Secret Prisons



Night Raids, Hidden Detention Centers, the “Black Jail,” and the Dogs of War in Afghanistan.


One quiet, wintry night last year in the eastern Afghan town of Khost, a young government employee named Ismatullah simply vanished. He had last been seen in the town’s bazaar with a group of friends. Family members scoured Khost’s dust-doused streets for days. Village elders contacted Taliban commanders in the area who were wont to kidnap government workers, but they had never heard of the young man. Even the governor got involved, ordering his police to round up nettlesome criminal gangs that sometimes preyed on young bazaar-goers for ransom.

But the hunt turned up nothing. Spring and summer came and went with no sign of Ismatullah. Then one day, long after the police and village elders had abandoned their search, a courier delivered a neat, handwritten note on Red Cross stationary to the family. In it, Ismatullah informed them that he was in Bagram, an American prison more than 200 miles away. U.S. forces had picked him up while he was on his way home from the bazaar, the terse letter stated, and he didn’t know when he would be freed.

Sometime in the last few years, Pashtun villagers in Afghanistan’s rugged heartland began to lose faith in the American project. Many of them can point to the precise moment of this transformation, and it usually took place in the dead of the night, when most of the country was fast asleep. In the secretive U.S. detentions process, suspects are usually nabbed in the darkness and then sent to one of a number of detention areas on military bases, often on the slightest suspicion and without the knowledge of their families.

This process has become even more feared and hated in Afghanistan than coalition airstrikes. The night raids and detentions, little known or understood outside of these Pashtun villages, are slowly turning Afghans against the very forces they greeted as liberators just a few years ago.


Artigo de Anand Gopal, disponível aqui.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

EUA Vs. Cuba - O Terrorismo de Estado Explicado (1)


O Nobel da paz de 2009, mantendo a mesma atitude de reiterada agressividade seguida pelos seus antecessores, incluiu Cuba na lista negra de países “incentivadores do terrorismo”. Nada de muito surpreendente, para alguém que tem discursos e práticas antagónicas em quase todas as questões externas. A partir de agora os viajantes procedentes de Cuba, deverão ser minuciosamente revistados devido ao aumento das medidas de segurança aeronáutica implementadas na sequência do recente atentado frustrado. Esta decisão já mereceu uma reacção do governo de Havana e suscitou diversas criticas nos próprios EUA.

Ver também La paradoja de ser cubano.

domingo, 3 de janeiro de 2010

As palavras do soldado Mike Prysner


" Our real enemy is not the ones living in a distant land whose names or policies we don't understand; The real enemy is a system that wages war when it's profitable, the CEOs who lay us off our jobs when it's profitable, the Insurance Companies who deny us Health care when it's profitable, the Banks who take away our homes when it's profitable. Our enemies are not several hundred thousands away. They are right here in front of us."


Mike Prysner (veterano da guerra do Iraque)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cuba Vs. EUA - Assembleia Geral da ONU envia mensagem clara ao Nobel da Paz


Arrasador apoio a Cuba na Assembleia Geral da ONU.

Nações Unidas, 28 oct (Prensa Latina) - Os Estados Unidos foram mais uma vez derrotados nas Nações Unidas ao ser emitida pela Assembleia Geral da ONU o apoio por arrasadora maioria da suspensão do embargo norte-americano a Cuba.

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira por 187 votos a favor, 3 contra e 2 abstenções (Micronesia e as ilhas Marshall), a resolução "Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos de América contra Cuba".

Dessa forma o apoio a Cuba aumentou em dois sufrágios, em comparação com o ano passado, enquanto Estados ficou só com o apoio de Israel e Palau.

Trata-se da 18ª ocasião que o plenário da Assembleia rejeita o cerco implantado por Washington contra a ilha caraibense desde há quase meio século.

O texto adoptado faz um chamado para todos os Estados a se abster de promulgar e aplicar leis e medidas desse tipo em cumprimento da Carta da ONU e do direito internacional, instrumentos que reafirmam a liberdade de comércio e navegação.

Também exorta mais vez os Estados em que existem e continuam a ser aplicadas leis e medidas desse tipo a que, no prazo mais breve possível e de acordo com seu ordenamento jurídico, tomem as medidas necessárias para derrogá-las ou deixá-las sem efeito.

Igualmente inclui uma nova análise do tema no programa provisório de seu sexagésimo quinto período de sessões, no próximo ano. Na sua parte inicial, o documento reafirma, entre outros, os princípios de igualdade soberana dos Estados, a não intervenção e não ingerência em seus assuntos internos e a liberdade de comércio e navegação internacionais.

Faz referência ás declarações nas diferentes Reuniões de Cúpula ibero americanas relacionadas à necessidade de eliminar a aplicação unilateral de medidas de carácter económico e comercial contra outro Estado que afectem o livre desenvolvimento do comércio internacional.

É expressa preocupação ante a promulgação e aplicação de leis e disposições como a cruel lei conhecida como Helms-Burton, cujos efeitos extra territoriais afectam a soberania de outros Estados, os interesses legítimos de entidades ou pessoas e a liberdade de comércio e navegação.

Assim mesmo, adverte que continua a aplicação de novas normas dirigidas a reforçar e ampliar o assédio e expressa preocupação pelos efeitos negativos dessas disposições sobre a povoação cubana e os nativos cubanos residentes em outros países.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Obama vai à China em Novembro

Preparativos para a visita de Barack Obama à China em Novembro. Fotografia de ELIZABETH DALZIEL/AP.

domingo, 18 de outubro de 2009

EUA Vs. Cuba - O bloqueio económico explicado (2)



O bloqueio económico a Cuba tem elevado impacto ao nível da saúde pública, quando a principal potência tecnológica mundial, utiliza como arma de chantagem politica medicamentos e equipamento médico. É sabido que os EUA não autorizam empresas norte-americanas (farmacêuticas, equipamentos de medicina, etc) a comercializar com Cuba. este facto já é grave, sabendo-se que muita da tecnologia médica tem patente única norte-americana, no entanto o problema não se fica por aqui. Todas as empresas estrangeiras que têm componentes (ao nível de peças ou software) "made in usa" também não podem comercializar com Cuba, caso contrario os seus negócios com a maior economia do mundo ficam seriamente comprometidos ou sujeitos a sanções por parte dos tribunais norte-americanos. Exemplo recente foi o caso da Philips já aqui relatado e ocorrido já sob a presidência do novo Nobel da Paz.

Transcreve-se de seguida, o capítulo relativo à Saúde Pública (em português do Brasil) do relatório recentemente apresentado na Assembleia-Geral das Nações Unidas pelo governo de Cuba.

"Entre Maio de 2008 e Abril de 2009, as afectações ao sector da saúde pública totalizam 25 milhões de dólares. Os danos económicos são devidos essencialmente à necessidade de adquirir produtos e equipamentos em mercados mais longínquos, à utilização de intermediários para esses fins e ao consequente aumento dos preços que isso traz consigo. A proibição ou o não outorgamento de vistos aos cientistas e especialistas cubanos da saúde para participarem em inúmeros congressos e eventos científicos nos Estados Unidos da América constitui um obstáculo para a actualização profissional, a comparação de técnicas utilizadas no tratamento de diferentes afecções e a troca de experiências que noutras condições poderia ser benéfico para ambos os países. O dano que provoca a Cuba o bloqueio é particularmente cruel nesta esfera, não apenas pelos seus efeitos económicos, mas também especificamente pelo sofrimento que ocasiona aos doentes e aos seus familiares e pela incidência directa na saúde da população cubana. Entre os exemplos que demonstram os danos ocasionados na esfera da saúde durante o período ao qual se faz referencia, são incluídos os seguintes:
 Desde 2003, o Centro Nacional de Genética Médica tenta adquirir um Equipamento Analisador de genes com capacidade de sequência automática e de análise de fragmentos, o qual é imprescindível para o estudo da origem de doenças de grande incidência na população e que são consideradas entre as primeiras causas de morte: o cancro de mama, de colo e de próstata; a hipertensão arterial; a asma; a diabetes melito; e os transtornos mentais, entre outras. Cuba ainda não tem podido adquirir este equipamento, porque foi construído exclusivamente por companhias com patente norte-americana, como a firma Applied Biosystem (ABI).
 O Instituto de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular, através da Empresa Alimport , solicitou à companhia norte-americana Cook Vascular Inc, com patente única, a compra de um equipamento para a extracção de eléctrodos permanentes. O uso deste equipamento é muito importante para doentes com alguma complicação séptica no eléctrodo permanente implantado ou em qualquer outra disfunção do eléctrodo. Caso não puder levar a cabo essa acção, terá que ser feita uma intervenção cirúrgica a tórax aberto, o que implica um risco sério para a vida do doente. Esta companhia não respondeu à solicitação cubana.
 A Empresa MEDICUBA, através da Empresa Alimport, solicitou a compra de próteses vasculares à firma BARD, pinças para biopsia endomiocárdica à Companhia CORDIS e dispositivos para inflado com cateteres de balão à Empresa BOSTON SCIENTIFIC. Apenas obteve a resposta negativa da Firma Bard e a informação de que não podia ofertar a Cuba uma cotização do produto solicitado devido às leis do bloqueio. As outras nem sequer responderam ao pedido, por temor a eventuais consequências da política de bloqueio.
 O Sistema Integrado de Urgências Médicas (SIUM) viu-se afectado pela proibição do governo norte-americano de permitir à Caravana Pastores pela Paz, doar a Cuba três ambulâncias marca Ford, cujo custo no mercado de segunda mão é por volta de 24 mil dólares cada uma. Por causa disso, as ambulâncias não puderam chegar ao nosso país.
A saúde das crianças cubanas também tem sido negativamente afectada pela brutal política de bloqueio:
 Os hospitais infantis deparam com sérios obstáculos para a aquisição de materiais apropriados para as crianças pequenas, tais como sondas vesicais, digestivas e traqueais de maior qualidade e duração, agulhas Huber para traqueotomia e punções lombares que na sua grande maioria são de procedência norte-americana.
 As crianças cubanas que padecem de leucemia linfoblástica estão impossibilitados de usarem o medicamento Erwinia L-asparaginase, conhecido comercialmente como Elspar, visto que foi proibido à Empresa farmacêutica norte-americana Merck and Co, vender este produto a Cuba.
 O Cardiocentro Pediátrico “William Soler” não tem a possibilidade de adquirir dispositivos como cateteres, coils, guias e stents, os quais são utilizados para o diagnóstico e tratamento por cateterismo intervencionista em crianças com cardiopatias congénitas complexas. Às empresas norte-americanas NUMED, AGA e BOSTON SCIENTIFIC é proibido a venda de esses produtos a Cuba. A lista de crianças cubanas que deviam ter sido submetidas a uma intervenção cirúrgica a coração aberto no ano passado aumentou em 8 novos casos:
1- Osdenis Díaz, 30 meses, P. del Río, HC 684805
2.-Leinier Ramírez Pérez, 9 meses, Camagüey, HC 686901
3.- Leidy Reyes Blanco, 2 anos, Camagüey, HC 684376
4.- José Luis Sanamé, 13 anos, Ciego de Ávila, HC 687071
5.- Yusmary Rodríguez Márquez, 12 anos, C. Habana, HC 686546
6.- Pedro P. Valle Ros, 5 anos, Matanzas, HC 685014
7.- Osniel Pérez Espinosa, 5 anos, C. Habana, HC 679922
8.- Roilán Martínez Pérez, 3 anos, Pinar del Río, HC 685449
Todas estas crianças têm em perigo a possibilidade de receberem de modo diligente o tratamento de saúde que precisam, como consequência do cruel impacto do bloqueio.
Os casos que aparecem a seguir exemplificam, a incidência extraterritorial do bloqueio no domínio da saúde:
 A Empresa cubana GCATE S.A., especializada na compra de equipamento tecnológico para o domínio da saúde, tem encarado sérias dificuldades com a Companhia holandesa Philips Medical, visto que depois de comprados e instalados uma série de equipamentos, a companhia holandesa nega-se a fornecer sobresselentes e obriga a que sejam comprados através de terceiros países, encarecendo notavelmente o custo dos equipamentos e faz com que seja muito mais difícil a sua manutenção. Como justificativa a esse tratamento discriminatório, alega-se a aplicação das disposições do bloqueio a Cuba.
 A Companhia HITACHI, que não é estadunidense, nega-se a vender a Cuba um microscópio de transmissão electrónica, especializado para ser usado na anatomia Patológica. Para sustentar a negativa, alega-se a aplicação das regulamentações do bloqueio. Esta situação obriga a buscar alternativas que encarecem o preço final do produto.
 A Companhia TOSHIBA, que também não é estadunidense, devido às restrições do bloqueio nega-se a vender a Cuba equipamentos de alta tecnologia como a Câmara Gamma — utilizada para realizar estudos com isótopos radioactivos na Medicina Nuclear —, a Ressonância Magnética e os ultra-sons de alta precisão. Por causa disso, têm sido afectados os serviços de saúde à população cubana."

Nota: Para aceder ao relatório na totalidade aqui.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

EUA Vs. Cuba - O bloqueio económico explicado (1)


É uma mentira muitas vezes repetida sobre Cuba, afirmar-se que existem limitações no acesso à Internet. É um facto que existem limitações, no entanto estas limitações não estão relacionadas com a democratização do acesso à população (que existe com os meios possíveis de um pais pobre), mas sim com as limitações da ligação à World Wide Web (largura de banda reduzida e velocidades extremamente lentas) ditadas pelo bloqueio norte-americano.

Transcreve-se em baixo um excerto do relatório sobre o bloqueio imposto pelos EUA que foi apresentado na Assembleia-geral das Nações Unidas pelo governo de Cuba recentemente, concretamete, o capítulo relativo às tecnologias da informação (em português do Brasil).

"O sector da Informática e as Comunicações também foi fortemente afectado pela aplicação do bloqueio, incluindo as restrições impostas pelos Estados Unidos da América ao acesso de Cuba à Internet.
a) Cuba não pode conectar-se a Internet a uma velocidade apropriada. A actual conexão cubana à chamada rede de redes não permite a largura de banda adequada para satisfazer a demanda do país. O bloqueio obriga Cuba a usar uma largura de banda e serviços de conexão por satélite, muito caro e com capacidade limitada. O problema poderia ser resolvido se permitisse a Cuba conectar-se, sem condicionamentos ou requerimentos discriminatórios, aos cabos de fibra óptica submarinos que passam a uns poucos quilómetros do território nacional. As autoridades estadunidenses ainda não o permitiram.
b) Cuba não tem direito a acessar aos serviços que oferecem grande número de sítios na WEB. Esta denegação de acesso acontece ao se reconhecer que a conexão se estabelece desde uma direcção de Internet (IP) outorgada ao domínio cubano. cu. Por conseguinte, só tem noção da afectação quando se acessa desde Cuba. Foi detectado um caso no qual a negação de toda a relação com Cuba aconteceu sem importar o lugar de origem da conexão. É o caso do sítio de viagens AMADEUS (http://www.amadeus.com).
c) No mês de Maio do presente ano, a Empresa norte-americana Microsoft decidiu bloquear o serviço de Windows Live a Cuba. No momento de conectar-se a esta ferramenta, é lido: "Microsoft cortou o Windows Live Messenger IM para os usuários de países embargados pelos Estados Unidos da América, por isso Microsoft não oferecerá mais serviço de Windows Live no seu país."
A seguir são apresentados alguns exemplos de outras páginas Web com negação de acesso desde o domínio. cu
1. Cisco Systems
http://tools.cisco.com/RPF/register.do tecnologias para conexão, roteadores para servidores de acesso a Internet, inclusive equipamento no campo do vídeo digital.
2. SolidWorks
http://www.solidworks.com/sw/termsofuse.html sistemas automatizados de desenho.
3. Symantec
http://www.symantec.com/about/profile/policies/legal software de protecção contra vírus.
d) A Empresa de Telecomunicações de Cuba S.A (ETECSA) teve perdas na ordem dos 53, 7 milhões de dólares no período em estudo. Estes prejuízos são devidos fundamentalmente a que não se pode acessar ao mercado norte-americano para comprar equipamento especializado, sobressalente e outros insumos necessários para o bom desempenho da actividade da empresa. Isso obriga a procurar intermediários que encarecem extremamente o produto. Neste período, ETECSA viu-se obrigada a investir 96 mil 100 dólares por cima do previsto para dispor de maior quantidade de componentes de reposição e, desta forma, poder garantir o serviço."

Nota: Para aceder ao relatório na totalidade aqui.

Obama Nobel II

O novo prémio Nobel da paz enviou mais 13.000 soldado para o Afeganistão. Artigo interessante de Yohandry Fontana aqui.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Obama Nobel

Certamente que não é pelo aumento da escalada militar no Afeganistão, pela manutenção do situação caótica no Iraque, nem pela manutenção do campo de concentração de Guantanamo que Obama recebe o prémio Nobel da Paz de 2009. É preciso recordar que na extensa lista de laureados constam "incansáveis lutadores pela paz no mundo" como Henry Kissinger, o que diga-se em abono da verdade, não confere a este prémio a seriedade que muitos advogam e que os media do regime ecoam. No entanto, se analisarmos a atribuição do prémio como um investimento no futuro, como refere o nosso Nobel, numa tentativa de estimular o presidente dos EUA para voos mais ambiciosos e conferir-lhe internamente mais força no confronto com as forças mais conservadoras da direita republicana e religiosa dos EUA...........então a ideia até pode ser interessante.

EUA e Cuba

Existem subtis sinais que indicam uma inflexão da posição dos EUA relativamente a Cuba. Se da parte de Obama houver coragem politica para ser consequente com os seus eloquentes discursos de campanha eleitoral e enfrentar o poderoso lobby cubano-americano de Miami, é possível que um dia este cartoon seja uma realidade. Até lá será apenas um cartoon.