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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Outubro salvou a Humanidade

Em finais de 1941, as forças fascistas dominavam a Europa continental, da Península Ibérica até às portas de Moscovo. Aos comunistas e à URSS coube a cara tarefa de lutar contra o nazi-fascismo e salvar a Humanidade. 



A 27 de Janeiro de 1945, as tropas soviéticas libertaram o campo de concentração de Auschwitz
Créditos

Na Segunda Guerra Mundial, a URSS assumiu o papel determinante de derrotar o nazi-fascismo, num processo que o povo soviético designou como a «Grande Guerra Pátria».

Em Junho de 1941, com as mais poderosas forças militares até então conhecidas na história, a Alemanha invade a URSS. As divisões nazis avançam até Moscovo, onde tem lugar a primeira grande batalha em Setembro de 1941, Estalinegrado e Leninegrado, alvo de um cerco de cerca de 900 dias.

Momento fundamental de viragem na guerra foi a batalha de Estalinegrado, entre Novembro de 1942 e Fevereiro de 1943, na qual foram aniquiladas 20 divisões alemãs com mais de 330 mil militares.

Na contra-ofensiva soviética tiveram lugar outras importantes batalhas, entre as quais a batalha de Kursk (em Julho-Agosto de 1943), uma das maiores da história, onde foram aniquiladas 50 divisões, que possibilitou o contínuo avanço do Exército Vermelho até Berlim; a libertação do Campo de Concentração de Auschwitz, a 27 de Janeiro de 1945; e a tomada do Reichstag, a 8 de Maio de 1945.

A batalha pela produção de armamento foi ganha pela transferência maciça de empresas da indústria pesada e de mão-de-obra para os Urais, que, a par da formação de operários qualificados, possibilitou o crescimento exponencial na produção de aviões, tanques e canhões, suplantando a produção alemã no mesmo período. 

Na obra The wages of destruction – The making & breaking oh the nazy economy, sobre a história económica da Alemanha nazi, Adam Tooze, refere que, «apesar de ter sofrido perdas territoriais e devastação, que se traduziu numa quebra de 25% do produto nacional total, a União Soviética, em 1942, conseguiu produzir mais do que a Alemanha em quase todas as categorias de armamentos». 

Importa recordar que, só depois da Conferência de Teerão (de Estaline com Churchill e Roosevelt), nos finais de 1943, em que se tornou evidente que, com o avanço do Exército Vermelho, a União Soviética estava em condições e a caminho de libertar a Europa com as suas próprias forças, as tropas britânicas e norte-americanas desembarcaram na Normandia em 6 de Junho de 1944.

No seguimento da II Guerra Mundial e do decisivo contributo da URSS para a vitória sobre o nazi-fascismo, alterou-se profundamente a correlação de forças no plano mundial, dando origem a uma nova ordem democrática e antifascista, que inscreveu na Carta das Nações Unidas o respeito pela soberania dos povos, o desarmamento, a solução pacífica e negociada de conflitos entre estados.

A violação destes princípios pelo imperialismo levou ao desencadeamento da chamada «guerra fria», obrigando a URSS a um grande esforço para se dotar do mais moderno e avançado armamento, dando origem a um forte poder militar que permitiu conter a agressividade do imperialismo e criou condições mais favoráveis à luta pela paz e pela libertação dos povos do domínio colonialista e imperialista, de que foi expressão a Revolução de Abril de 1974, em Portugal.

Também na Conferência de Paz de Helsínquia para a Segurança e Cooperação Europeia, concluída em 1975, o papel decisivo da URSS permitiu alcançar importantes acordos de desarmamento e tratados para a limitação das armas nucleares. 

Se a Revolução de Outubro e a construção de uma sociedade socialista significaram extraordinários avanços e transformações libertadoras, o desaparecimento da URSS e as derrotas do socialismo no Leste da Europa resultaram num grande salto atrás nos direitos e conquistas dos trabalhadores e dos povos.

O desastre económico e social da contra-revolução 
O imperialismo desencadeou uma violenta ofensiva a fim de recuperar as posições perdidas ao longo do século XX e impor a sua hegemonia no plano mundial. Como resultado, o mundo tornou-se menos democrático, mais injusto e mais perigoso, tendo-se aprofundado as injustiças e desigualdades sociais.

Desde a proclamação da derrota do socialismo, nos países que constituíam a URSS registam-se mais de 100 milhões de pobres, a esperança média de vida diminuiu e observou-se uma enorme recessão, com contracções do PIB e da produção industrial na ordem dos 50%.

A nova realidade abriu portas a guerras imperialistas (caso da ex-Jugoslávia) e à instauração de regimes ditatoriais e fascistas, como actualmente na Ucrânia.

A nível global, generalizaram-se as acções de desestabilização e as guerras de agressão, tendo-se instituído o ataque a liberdades e direitos fundamentais com a NATO e outros pactos agressivos.

Por outro lado, poderosas multinacionais passaram a comandar Estados e regiões inteiras, e novas formas de exploração foram sendo ensaiadas, aprofundando-se o fosso entre ricos e pobres.

A pobreza, a fome e a doença dominam vastas regiões do planeta, onde a exploração do trabalho infantil, o trabalho escravo, o tráfico de seres humanos, o comércio da droga, a corrupção e outras chagas do capitalismo não param de alastrar.

Com o argumento do combate ao terrorismo generalizaram-se políticas e medidas securitárias que interferem com direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos, da mesma forma que crescem os ataques ao movimento operário e sindical, e germinam forças xenófobas, racistas e fascistas.


No quadro de consequências políticas resultantes do imperialismo surge também o maior movimento de refugiados no pós-2.ª Guerra Mundial, a par da morte de milhares de pessoas no Mediterrâneo.
__________________________________________________
1. Rede internacional de organizações que trabalham para reduzir a pobreza
2. Organização das Nações Unidas
3. Organização Internacional do Trabalho
4. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
5. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)




Fonte: Abril Abril

segunda-feira, 23 de março de 2015

Reabrir feridas

Chantageado como se vê por Schäuble e Dijsselbloem, porque haveria Tsipras hesitar em reabrir a questão da dívida alemã?

São muito reveladoras as reações perante a proposta do novo Governo grego do Syriza de avaliar com rigor as reparações a que o Estado e milhares dos seus cidadãos têm direito pelos danos causados por aquela que foi uma das piores experiências de ocupação nazi (e italiana) durante a II Guerra Mundial.

O medo de que a viragem anti-austeritária se contagie tem mobilizado estereótipos rançosos sobre os gregos e um moralismo que mete dó (subscrito pelos mesmos que veem sempre conspirações e “assassinatos de caráter” todas as vezes que se revelam Tecnoformas, Freeports ou dívidas à Segurança Social). Procura-se dizer que os gregos encontraram o enésimo truque para não pagar o que devem ao contribuinte alemão – porque é assim mesmo que, na Alemanha (e em Portugal) a dívida grega é descrita!

Vamos por partes. A Grécia foi atacada em 1940 pela Itália de Mussolini. Rechaçado o ataque, Hitler invadiu o país na Primavera de 1941 e tratou os gregos como tratou jugoslavos, polacos, soviéticos, isto é, com a brutalidade devida aos untermensch, os sub-humanos, fazendo-os sofrer muito mais, por exemplo, do que sofreram franceses, escandinavos, belgas, holandeses – 560 mil gregos morreram na guerra, 7% de toda a população, um número muito superior, por exemplo, ao das vítimas francesas, um país com seis vezes mais habitantes. Entre elas, não mais de 17 mil eram militares. A Grécia, como toda a Europa ocupada pelos nazis, foi dos países onde os civis pagaram o preço mais pesado da guerra, produto da repressão pavorosa dos movimentos de resistência e das represálias contra a população. Calcula-se que 130 mil gregos tenham sido executados. A estes, somem-se-lhes 54 mil judeus, incluída uma das mais antigas e consolidadas comunidades sefarditas do Mediterrâneo, a de Salónica, entre os quais se contavam vários judeus gregos que se haviam acolhido à legislação portuguesa de 1913 que lhes garantia proteção diplomática, e que Salazar abandonou à sua sorte em 1942, quando os nazis os deportaram para os campos de extermínio.

Derrotada a Alemanha em 1945, os aliados acordaram reparações de guerra que a Alemanha deveria pagar aos países que atacou. Enquanto ocuparam a Alemanha, EUA, Grã-Bretanha, França e URSS fizeram-se indemnizar com os bens alemães que tinham ao seu dispor, até 1949, mas rapidamente entraram em conflito sobre a questão e a Guerra Fria, a partir de 1947, congelou durante muito tempo o problema. Os dois Estados alemães (a RFA e a RDA), constituídos em 1949, abordaram de forma contraposta o processo de desnazificação (Adenauer pressionou sempre os aliados para amnistiar condenados nazis, manteve ex-militantes nazis nos seus governos, um deles, Kiesinger, chegou mesmo a chanceler da RFA), mas, resguardados pela lógica da Guerra Fria, beneficiaram durante muito tempo da mesma impunidade face aos seus aliados na NATO e no Pacto de Varsóvia: os EUA e a URSS dissuadiram os parceiros menores dos seus respetivos blocos (como a Grécia dentro da NATO) de exigirem reparações próprias.

Quando, em 1951-53, Israel conseguiu abrir uma brecha na estratégia alemã-ocidental e forçou uma negociação em nome dos sobreviventes do Holocausto que haviam imigrado para o novo Estado, os demais países obrigaram os alemães a confrontar-se com as suas responsabilidades. Entre 1959 e 1964, quinze anos depois do fim da guerra, a RFA assinou acordos com doze países ocidentais, entre os quais a Grécia, governada por uma monarquia autoritária quase tão embaraçada na negociação quanto o Governo de Bona. A repressão nazi na Grécia havia-se abatido principalmente sobre a Resistência comunista, a mesma contra a qual os monárquicos gregos combateram depois, na guerra civil de 1944-49, na qual o apoio de britânicos e americanos foi decisivo. Não admira, portanto, que o Governo grego, aliado da RFA na NATO, não se tivesse empenhado em fazer reconhecer os seus direitos... O fim da Guerra Fria, a reunificação alemã de 1990 e, sobretudo, a aproximação da morte para os poucos sobreviventes que restavam dos milhões que haviam sido deportados para os campos de extermínio e de concentração, ou dos milhões que haviam sido usados como escravos ao serviço da indústria alemã, abriu caminho a novas negociações nos anos 90, envolvendo valores comparativamente simbólicos, de que os gregos, contudo, pouco beneficiaram.

Cinquenta anos depois do mísero acordo de 1960, subjugada a Grécia por uma dívida contraída nas condições duvidosas que conhecemos, que a transformou numa colónia de Bruxelas sob regras económicas impostas por Berlim, é perfeitamente razoável que os gregos, insultados todos os dias de laxistas e corruptos, queiram reabrir um problema que o Estado alemão sabe bem que tão cedo não se fechará. Aliás: é acima de tudo a atitude de Berlim que mais contribui para que se não feche! A iniciativa do Governo grego é até perfeitamente subsidiária: é verdade que Atenas quer voltar a discutir um “empréstimo” que o ocupante alemão subtraiu dos cofres gregos durante a guerra, em 1942, e que nunca foi devolvido, mas é sobretudo uma sentença do Tribunal Supremo grego, de 2000, que irrita os alemães. A justiça reconheceu, então, o direito dos descendentes de vítimas do massacre perpetrado pelas Waffen SS na aldeia de Distomo, em 1944, matando 218 pessoas, a receberem uma indemnização, fixada em 28,6 milhões de euros, a cargo do Estado alemão. Perante a recusa alemã em pagar, o Supremo exigiu ao Governo que expropriasse bens alemães na Grécia. Querendo evitar enfrentar Berlim, o Governo não o fez. Quando um tribunal italiano deu razão aos gregos, a Alemanha levou o processo ao Tribunal Internacional da Haia e, para escândalo das organizações internacionais de direitos humanos, ganhou.

Já em 2013, uma comissão de especialistas nomeada pelo anterior Governo calculara entre 269 e 332 mil milhões de euros o montante de todas as reparações devidas pela Alemanha e que não foram pagas em 1960. Uma quantia que supera toda a dívida grega. Chantageado como se vê por Schäuble e Dijsselbloem, porque haveria Tsipras hesitar em reabrir a questão? Porque a sua atitude não contribui para a construção europeia? Porquê: a dos alemães e dos seus aliados austeritários, contribui?
 
Artigo de Manuel Loff, Público

domingo, 8 de março de 2015

O que ninguém contará sobre Auschwitz


Os grandes media internacionais falam de Auschwitz à sua maneira: reescrevendo a história. E uma das formas de a reescrever é fazer silêncio sobre o papel do grande capital internacional na promoção e no financiamento do nazismo. E fazer silêncio sobre os que tiraram lucro dos crimes monstruosos do nazi-fascismo.
 
Passam setenta anos sobre a libertação do campo da morte de Auschwitz, com toda a probabilidade o nome que evoca o mais próximo que o ser humano, em toda sua história, chegou a estar do mal absoluto. E já não é dizer pouco. Auschwitz, e os outros mais de 50 “campos da morte” disseminados por toda a Europa ocupada, evocados em uníssono apenas com essa menção; e sem contar os quase 1000 campos de concentração do Terceiro Reich, os más de 1150 guetos e tudo o resto. Declarado Património da Humanidade pela UNESCO, falar de Auschwitz continua sendo hoje demasiado difícil, demasiado insuficiente, demasiado assustador. Não há texto nem palavras suficientes para abarcar o que foi Auschwitz, e muito menos num breve artigo, é certo. Contudo, é para mim demasiado inaceitável que mesmo no dia em que se recorda o 70º aniversário da libertação de Auschwitz tudo o que ali sucedeu seja permitido esquecer que Auschwitz foi o maior campo de trabalho forçado da Alemanha nazi. E que Auschwitz foi também “IG Auschwitz”. Filial de IG Farben, o grande Cartel empresarial do momento, formado pelas empresas Bayer, HOECHST e BASF. E não digo o grande Cartel empresarial “alemão”, porque isso não seria verdade, pelo menos até praticamente Dezembro de 1941 e o ataque a Pearl Harbor. E não seria verdade porque, segundo o próprio relatório oficial da Secção de Investigação Financeira do Governo Militar de Ocupação, por altura de 1940, do total das 324.766 acções que compunham o Cartel IG Farben, unicamente 35.616 estavam nas mãos de pessoas com residência na Alemanha, enquanto quase o triplo, 86.671 acções, estavam nas mãos de investidores de nacionalidade estado-unidense, e quase cinco vezes mais, 166.100 acções, estavam nas mãos de cidadãos suíços. Quer dizer que mais de 80% do capital social de IG Farben era financiado a partir de Wall Street e da Suíça, face a pouco mais de 10% de financiamento propiamente alemão. E essa seria, precisamente, uma das razões determinantes para que os responsáveis empresariais de IG Farben (até 24 altos dirigentes da companhia) não tivessem sido processados nos Julgamentos principais de Nuremberga: a dificuldade em conseguir deixar fora da investigação penal outros cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido e outros países.
 
Porque os líderes nazis foram uns monstros e uns dementes, evidentemente que sim, mas algum dia acabará por se falar também da autêntica conspiração de Farben, Krupp e outras grandes empresas mundiais, supostamente “alemãs” que em nome de uma “vantagem” auto-referencial e à margem de qualquer sensatez e humanidade, os promoveram e financiaram sem limite, com mais de três milhões de marcos da época “para que as eleições de 1933 fossem as últimas eleições da República de Weimar” (von Schnitzler dixit) para poderem depois fazer à vontade “negócios” com o regime nacional-socialista aproveitando a “oportunidade de mercado” da invasão de quase toda a Europa bem como de “instalações de trabalho” como Auschwitz… Porque, tal como assinalaria o promotor Taylor no seu “indictment” durante os Julgamentos posteriores a Nuremberga: “IG marchou com a Wehrmacht, concebeu, iniciou e preparou um detalhado plano para, apoiado por esta, se apropriar da indústria química da Áustria, Checoslováquia, Polonia, Noruega, França, Rússia e outros 18 países”. E por isso tão pouco deveria surpreender que após a derrota do nazismo uma das Leis do Conselho de Controlo aliado fosse precisamente a número 9, de 20 de Setembro de 1945, especificamente destinada a dissolver o Cartel IG Farben e fundamentada, segundo as palavras do seu próprio preâmbulo, na necessidade de “impedir que IG Farben pudesse representar qualquer ameaça futura para os seus vizinhos ou para a paz mundial através da Alemanha”.
O que não quer dizer que fosse de esperar que, quando passam 70 anos sobre a libertação, surgisse algum tipo de comunicado ou pedido público de perdão pela “IG Auschwitz” por parte da Bayer, HOECHST ou BASF, empresas estas que, ao contrário da sua matriz Farben, continuam hoje a existir. Considero que “IG Auschwitz” representa um motivo muito real de preocupação acerca da necessidade de rever os “limites e controlos” do poder corporativo no mundo actual, e sobre a actual insuficiência dos instrumentos de Direito penal internacional perante tudo isso. E que, neste dias de rememoração, é demasiado inaceitável, e arriscado para um futuro que ninguém deseja ver repetido, que nem sequer seja mencionada a fundamental responsabilidade assumida por estes e outros actores empresariais no imenso crime de Auschwitz.
 
 
Texto de Miguel Ángel Rodríguez Arias (via ODiario.info)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A 27 de Janeiro de 1945 os Soviéticos libertaram a «Fábrica da Morte»

Assinalam-se 67 anos sobre a libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho, o mais conhecido dos campos de extermínio construídos pelos nazis. Horrorizados com o cenário que encontraram, os soviéticos denominaram o complexo de «Fábrica da Morte».
 
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A libertação de Auschwitz pelos soviéticos vindos da frente ucraniana ocorreu na tarde do dia 27 de Janeiro de 1945. Sete a oito mil prisioneiros permaneciam no campo, os últimos de um total de pelo menos um milhão e trezentos mil que, entre 1940 e 1945, ali foram assassinados. Escassos foram os que sobreviveram às câmaras de gás, aos fornos crematórios, ao trabalho escravo, às torturas, ao arbítrio sádico dos biltres, à inanição, ao frio, às doenças, às experiências macrabas nas quais seres humanos eram usados como cobaias.
Sendo o maior entre uma extensa rede de campos espalhados pela Europa, Auschwitz era um complexo de três campos.
No início da campanha militar destinada a impor uma nova ordem mundial que perdurasse mil anos, as autoridades do III Reich mandaram construir Auschwitz I com o objectivo de encarcerar opositores políticos. Os primeiros ocupantes, em Maio de 1940, foram alemães e polacos transferidos dos campos de concentração de Sachsenhausen, na Alemanha, e de Lodz, na Polónia.
Judeus, militantes comunistas, sindicalistas e antifascistas, democratas e intelectuais, homossexuais, ciganos, deficientes, testemunhas de Jeová, doentes psiquiátricos e indivíduos com comportamentos que fugissem ao ideal-tipo do homem ariano, eram todos inimigos do regime criminoso liderado por Adolf Hitler. Dachau, Sachenhausen ou Buchenwald foram dos primeiros campos construídos pela canalha nazi.
No início de 1942, começou a funcionar Auschwitz II (Auschwitz-Birkenau), uma ampliação do primeiro campo. Em Outubro de 1942 entrou em funcionamento o Auschwitz III, que mais tarde seria renomeado de Monowitz. Este último campo era vocacionado para a exploração extrema da mão-de-obra escrava.
 
«Solução final»
Estrategicamente colocado no centro da Europa, Aschwitz-Birkenau foi o campo que mais prisioneiros exterminou, sobretudo judeus (quase um milhão num total de 2,7 milhões de semitas mortos em todos os campos de extermínio, e num total de seis milhões liquidados pelos nazis).
O assassínio nas câmaras de gás foi instituído no final de 1941. Os testes com Zyklon-B, usado para combater pragas, foram efectuados com sucesso em soviéticos e polacos. A partir de então, em Auschwitz-Birkenau e noutros campos semelhantes, aquele era o principal instrumento de extermínio.
Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, os líderes nazis discutiram em detalhe a «Operação Reinhardt» ou «solução final» da questão judaica, como diziam. Adolf Eichmann administrou o holocausto organizado com minúcia. Reinhardt Heydrich respondia pela coordenação geral.
A Auschwitz-Birkenau chegava uma linha de comboio cuja circulação era ininterrupta. Vagões apinhados descarregavam vítimas a toda a hora e de todos os pontos da Europa ocupada e das ramificações nazis nos regimes vassalos e aliados. Na Croácia fascista funcionava um outro campo de extermínio, em Jasenovac.
Entre a chegada a Auschwitz-Birkenau e a entrada nas câmaras de gás, após selecção dos aptos e inaptos para o trabalho escravo, podiam passar apenas duas horas.
A «Fábrica da Morte» chegou a aniquilar seis mil seres humanos por dia. Quando os fornos crematórios não carbonizavam os milhares de cadáveres com celeridade, os corpos eram empilhados e queimados ao ar livre.
 
Horror multiplicado
Nos últimos meses de 1944, face ao imparável avanço do Exército Vermelho, os nazis mandaram destruir as câmaras de gás e crematórios de Auschwitz-Birkenau. A ocultação das provas dos crimes cometidos não conheceu limites, e em Janeiro de 1945 tudo servia para matar prisioneiros.
A 17 desse mesmo mês foi dada ordem de evacuação dos três campos de Auschwitz. Mais de 60 mil prisioneiros foram obrigados a marchar dia e noite. Milhares sucumbiram pelo caminho ou foram abatidos. Noutros campos de concentração, trabalho e extermínio evacuados antes da chegada das tropas aliadas, centenas de milhares de prisioneiros foram igualmente obrigados a percorrer quilómetros nas famosas «Marchas da Morte».
Para além de Auschwitz-Birkenau, a Alemanha nazi instalou outros seis campos dedicados quase exclusivamente ou definitivamente ao genocídio. Em Chelmo, Maly Trostenets, Majdanek, Treblinka, Bełżec ou Sobibór executou-se milhões de inimigos do III Reich.  
 
Experiências cruéis e bizarras
Tal como noutros campos de concentração e extermínio, também em Auschwitz-Birkenau o poder nazi ordenou experiências cruéis e bizarras em seres humanos. No Bloco 10 do campo, Joseph Mengele, responsável pela triagem dos prisioneiros enviados para extermínio ou para trabalho escravo, ficou conhecido como o «anjo da morte».
Usando seres humanos como cobaias, Mengele testou a esterilização em mulheres, injectou substâncias para mudar a cor dos olhos a crianças e bebés, amputou e feriu para apurar métodos de estancamento de hemorragias, coleccionou milhares de órgãos após cirurgias violentas e vivissecações, uniu gémeos para tentar criar siameses, injectou substâncias várias para «tratar» o nanismo, o síndroma de Down ou a homosexualidade.
Nos campos de Dachau, Sachsenhausen e Buchenwald, homens eram mergulhados em tanques de água para testar os efeitos da hipotermia ou sujeitos a compressão e descompressão, agonizando enquanto os carrascos tiravam notas. Eram infectados com tifo, peste, lepra, cólera, ou sujeitos a inalação de produtos tóxicos.
As práticas não eram marginais ou iniciativa de um punhado de sádicos, mas financiadas e acompanhadas com interesse e fascínio pelos máximos responsáveis do III Reich. Foram publicados artigos e criados institutos. As ossadas de judeus, ciganos, mestiços ou deficientes eram enviadas para Berlim para demonstração da superioridade da raça ariana. Empresas sustentáculo do poder nazi, como a IG Farben (Bayer), compravam seres humanos para os usar nos laboratórios. 
 
Grande capital lucrou
No complexo de Auschwitz, o campo de Monowitz funcionava fundamentalmente como pólo de trabalho forçado. Deutsche- Ausrüstungs-Werk – DAW (empresa de armamento das SS), IG Farben-Bayer (que era também a fornecedora do gás Ziklon-B) ou Krupp foram algumas das empresas que ali instalaram unidades alimentadas pela mão-de-obra escrava. A abundância colmatava a exclusão semanal dos inaptos e doentes, imediatamente sentenciados à morte. A esperança média de vida dos prisioneiros sujeitos a jornadas brutais em condições inumanas rondava os três meses.
Em Auschwitz-Birkenau foram fundados quase 40 subcampos onde milhares de pessoas produziam produtos agrícolas e industriais; eram enviados para a extracção de carvão ou pedra. Em Dachau, que administrava mais de 30 outros grandes campos de trabalho, em Buchenwald, que administrava mais de 80 estruturas, ou em Sachsenhausen, donde eram geridos 60 campos de trabalho espalhados por toda a Alemanha, a consigna era igualmente fazer lucrar o capital à custa da escravatura.
Nos latifúndios germânicos e nas casas dos senhores do III Reich e militantes nazis, milhares de eslavos foram explorados até à exaustão. Quando morriam, compravam-se outros escravos. 
 
Cúmplices na impunidade
Derrotada a besta, muitos dos criminosos foram capturados, julgados e sentenciados. Muitos mais furtaram-se à justiça. Não poucos escaparam porque, aniquilado o imperialismo alemão, o alvo voltava a ser a URSS.
Contra o primeiro Estado de operários e camponeses, a reacção mundial havia atiçado as hordas nazi-fascistas, que foram derrotadas e empurradas até ao seu covil, em Berlim, pelos heróicos soviéticos que sabiam estar a defender a pátria de todo o proletariado.
Logo após a capitulação do regime hitleriano, os EUA, através da «Operação Paperclip», empenharam-se na caça dos especialistas nazis, particularmente os envolvidos na máquina militar e de inteligência.
O responsável pelo programa de foguetes da Alemanha hitleriana e membro do Partido Nazi, Wernher von Braun, é um dos quase dois mil cientistas e técnicos resgatados. A posterior carreira de sucesso de von Braun no programa espacial norte-americano não é caso isolado.
No rol de colaboradores das fugas de criminosos nazis, destaca-se ainda a neutral Suíça, a Argentina e o Vaticano do papa Pio XII (que enquanto cardeal obrigou os bispos católicos alemães a jurar fidelidade a Hitler).
Através de um complexo processo de recriação de identidades e emissão de passaportes, centenas de nazis deram o salto para as pampas sul-americanas do fascista Juan Perón, e daí para outros territórios da América Latina. Joseph Mengele, o «anjo da morte de Auschwitz» foi um deles.
  
Revoltas e resistência
Em Auschwitz, à semelhança do que acontecia noutros campos de concentração e de extermínio, funcionavam orquestras compostas por prisioneiros, cuja finalidade era não deixar entediar os algozes e pacificar as multidões que chegavam nos comboios com terminal na morte ou os prisioneiros enviados em cacho para o trabalho escravo.
Mas face ao horror nazi, não havia pacificação possível, e apesar da brutal repressão e da morte certa, e não raras vezes, eclodiram revoltas nos campos.
Em Auschwitz centenas de prisioneiros ter-se-ão rebelado em 1944. Mataram guardas e fizeram explodir um dos edifícios onde funcionavam as câmaras de gás e os fornos crematórios, usando granadas trazidas de uma fábrica de armamento onde trabalhavam.
Calcula-se que cerca de 700 prisioneiros tenham tentado fugir de Auschwitz. Menos de metade terão tido êxito.
Um dos casos de resistência e revolta passou-se no campo de Buchenwald e chegou até nós escrito por Bruno Apitz, comunista alemão que transpôs no romance «Nu entre Lobos», editado recentemente pela Avante!, a experiência vivida por si e por muitos dos seus camaradas.
Em Buchenwald foi assassinado Ernst Thaelmann, presidente do Partido Comunista Alemão, revolucionário tenaz que os nazis nunca conseguiram quebrar durante os 11 anos passados nos cárceres do III Reich, a exemplo de milhares de outros que resistiram à barbárie nas condições mais extremas e perante os maiores obstáculos, conservando a centelha de vida e esperança donde germina o futuro.
 
Tarrafal
Identificando-se com os métodos, partilhando a ideologia e servindo os mesmos interesses de classe do regime nazi, a ditadura fascista de Salazar criou o Campo de Concentração do Tarrafal. A 29 de Outubro de 1936 chegaram ao «Campo da Morte Lenta», inspirado nos congéneres nazis, os primeiros 152 de um total de 340 antifascistas que ao longo dos anos para lá foram deportados (comunistas, sobretudo).
No total, os presos do Tarrafal cumpriram mais de dois mil anos de pena, a maioria sem ter comparecido a qualquer julgamento.
Tal como nos campos nazis, também no Tarrafal quem chegava vinha «para morrer», como dizia o seu director, Manuel dos Reis. 32 morreram mesmo, sucumbindo aos maus-tratos, aos trabalhos forçados, à biliosa, entre os quais o secretário-geral do PCP, Bento Golçalves.
 
Fonte: Avante

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

70 anos após a libertação pelas tropas soviéticas do campo de concentração de Auschwitz



Nos 70 anos da libertação de Auschwitz

Recentemente, a propósito do assassinato de cartoonistas e outros franceses, entre os quais quatro judeus, em Paris, o jornalista Jonathan Freedland intitulou um artigo, no The Guardian, de 9 de Janeiro, com a seguinte frase: "First they came for the cartoonists, then they came for the Jews." Esta frase inspirou-se numa outra do pastor luterano alemão Martin Niemöller, alertando contra a indiferença das pessoas face às perseguições contra os “outros”, na Alemanha nacional-socialista.

Se é certo que a História não se repete, pois os contextos diferem consoante os períodos, mas não deixa de ter matrizes idênticas, devido à agência humana do processo decorrido no passado. Por isso, a História, enquanto disciplina que recorda o passado, para além das memórias particulares, não deixa de ser um importante instrumento de alerta, para que crimes idênticos, cujos antecedentes se assemelham não se repitam. Neste caso alerta e lembra o que pode provocar o aumento do anti-semitismo e a indiferença face a ele e às perseguições. Da mesma forma alerta e lembra o Dia internacional de Lembrança ou de Memória do Holocausto, instituído pela ONU em 2005, assinalando o dia da libertação de Auschwitz.

Hoje, dia 27 de Janeiro de 2015, ano em que se comemora também o septuagésimo aniversário do final da II Guerra Mundial, decorrem precisamente os mesmo 70 anos da libertação, pelas tropas soviéticos, de Auschwitz, nome que é um símbolo do maior crime cometido contra a humanidade – o Holocausto, ou Shoah. Ou seja, o extermínio de pessoas, pelo simples facto de terem nascido judeus, considerados pelos nazis como fazendo parte de uma “raça” que não mereceria, segundo eles, habitar a face da terra.

Na sua ofensiva geral na frente leste, o Exército Vermelho chegou, em 27 de Janeiro de 1945, a Auschwitz, onde encontrou cerca de 7500 prisioneiros, deixados no campo. Os soldados e oficiais soviéticos aperceberam-se de que um crime sem precedentes tinha ali sido cometido. Com a libertação dos campos de Bergen-Belsen, pelas tropas britânicas, e de Buchenwald e Dachau, pelo Exército norte-americano, pela primeira vez, observadores ocidentais confrontaram-se com os horrores cometidos pelos nazis. Muitos dos sobreviventes desses campos tinham chegado, evacuados em "marchas da morte" de Auschwitz, descritos por todos como os piores campos.

Mas muito haveria ainda que ser depois investigado, no pós-guerra, até que se conhecesse a realidade dos campos de extermínio, distintos dos outros campos de concentração, e onde a maioria das vítimas tinham sido judeus. O plano nazi de aniquilação de todos os judeus da Europa, bem como a função dos campos de extermínio de Belzec, Chelmno, Treblinka, Majdanek, Sobibor e Auschwitz Birkenau só mais tarde seriam verdadeiramente conhecidos, também devido à dificuldade de “compreender” que um crime sem precedentes tinha sido cometido numa escala industrial de milhões de mortos.

Etapas para o Holocausto
Ainda mais tempo decorreria até que os historiadores concordassem que o processo que levou ao Holocausto (ou Shoah) decorreu por etapas, num processo sem retorno cujo seguimento e desfecho seriam inimagináveis, à época da chegada dos nazis ao poder. Ao colocar o anti-semitismo racial no centro da sua ideologia e prática, o regime nacional-socialista começou por definir a figura do judeu e apelar, logo em 1 de Abril de 1933, ao boicote ao comércio judaico. Os nazis prosseguiram com a legislação de exclusão dos judeus das profissões liberais e da função pública e, através das Leis de Nuremberga, de Setembro de 1935, ano em que as SS ficaram com a direcção dos campos de concentração, atribuiu um estatuto de cidadania e "sangue" diferente aos judeus.

Seguiu-se uma política de expropriação e de “arianização” do património dos judeus, levada a cabo paralelamente com a “emigração”/expulsão destes dos territórios alemães, de modo a fazer deles “purificados de judeus” (Judenrein), nomeadamente a partir de Novembro de 1938. A II Guerra Mundial, iniciada em Setembro de 1939, com a invasão da Polónia pelas tropas da Wehrmacht, dificultou, no entanto, a emigração-expulsão e, com a sucessiva ocupação de outros países, a Alemanha nazi ficou com mais três milhões de judeus, da Checoslováquia, Áustria e da Polónia, o país europeu onde havia mais judeus.

A partir de Junho de 1941, com a invasão da URSS iniciada em 22 de Junho, a política nazi relativamente aos judeus mudou e já não mais passou pela expulsão destes, mas, sim, pela concentração e o seu enclausuramento em guetos, antes da deportação para os campos de extermínio, onde viriam a ser assassinados em massa. Efectivamente, houve uma nova etapa em direcção ao Holocausto, devido à emissão por Hitler e pelas autoridades SS da ordem de dar plenos poderes aos Einsatzgruppen – batalhões de polícia que seguiam as tropas nazis e viriam a ser responsáveis pelo assassinato de cerca de dois milhões de pessoas – e, por outro lado, devido às directrizes sobre a actuação de combate a leste relativamente aos "comissários políticos" soviéticos, dando ordem (Komissarbefehl) para que todos fossem fuzilados, assim que capturados. Dada a identificação e amálgama nazi dos comunistas com os judeus, esta ordem passou rapidamente a atingir civis, mulheres, crianças e velhos.

A relação entre eliminação física a leste, a impossibilidade de chegar a uma solução territorial e a missão confiada a Reinhard Heydrich e ao Reichsführer SS, Heinrich Himmler, de conceber uma solução de conjunto do problema judeu nos territórios sob domínio alemão desembocou na "solução final". Em 13 de Outubro, Himmler decidiu a construção de um campo em Belzec, na Polónia, onde os judeus seriam mortos, através do gás dos tubos de escape de camionetas. Outro centro semelhante seria erguido em Chelmno. No entanto, também era claro que os fuzilamentos em massa, bem como a utilização das carrinhas de gás não resolviam o problema da escala de extermínio pedida por Himmler.

A posição das SS triunfaria sobre as outras facções nazis com a conferência de Wannsee, convocada para 20 de Janeiro de 1942, por Heydrich, onde este e outros 15 dirigentes nazis viriam a delinear a sequência e a logística da "Solução Final da Questão Judaica Europeia". Nessa conferência, foi definitivamente decidida, em substituição da "emigração", a "evacuação dos judeus em direcção a leste", opção que já constituía "uma experiência prática muito significativa para a próxima solução final da questão judaica" europeia, que abrangeria mais ou menos 11 milhões de judeus.

E Auschwitz?
Auschwitz, na realidade um complexo de vários campos, de concentração (Auschwitz I), de extermínio (Auschwitz II-Birkenau) e de trabalho escravo (Auschwitz III-Buna-Monowitz), situado perto de Oswiecim (Auschwitz, em alemão), perto de Cracóvia, na Alta Silésia, anexada pela Alemanha nazi à Polónia, foi considerado o instrumento e símbolo do Holocausto. Estima-se que cerca de pelo menos 1,1 milhão de judeus foram ali assassinados, a par de mais de 70.000 polacos, 21.000 ciganos e cerca de 15.000 prisioneiros de guerra soviéticos.

Em 1 de Março de 1941, Heinrich Himmler ordenou o alargamento do Auschwitz I, ou campo principal (Stammlager), de modo a que ali se passasse a eliminar judeus, o que aconteceu em Agosto desse ano. Em Setembro, as SS testaram, nesse campo, o gás Zyklon B, como instrumento de massacre em massa. Em 22 de Julho, iniciaram-se as deportações dos judeus de Varsóvia para o campo de extermínio de Treblinka, onde foram mortos cerca de 800.000 judeus em quatro meses. Depois Himmler ordenou a deportação de todos os judeus dos territórios ocupados para Auschwitz.

Em 8 de Outubro de 1941, começou a ser erguido, junto a Auschwitz I, um complexo maior, conhecido por Auschwitz II-Birkenau, cuja primeira câmara de gás provisória começou a operar em Janeiro de 1942. Entre Maio e o Verão morreram cerca de 800.000 judeus vindos da Hungria, continuando as operações de gazeamento até Novembro de 1944, quando Himmler ordenou a destruição das câmaras de gás e a evacuação dos 60.000 prisioneiros de Auschwitz, através das "Marchas da Morte", em direcção aos campos de concentração a oeste.

Por Irene Flunser Pimentel
(Público)

terça-feira, 6 de maio de 2014

A voz do dono

 
No conflito ucraniano, as grandes vítimas são a população daquele país, mas a primeira foi a verdade jornalística. Há muito que os media não fazem mais que propaganda.
 
Um assassinato é um assassinato, aqui ou na China. O que é uma verdade cristalina parece escapar a grande parte do chamado jornalismo de referência. Em muitos media reina a ideia orweliana de que as pessoas são todas iguais mas há umas muito mais iguais que outras.

No dia 2 de Maio realizou-se uma manifestação pela unidade da Ucrânia na cidade de Odessa. Integraram essa marcha milhares de pessoas, entre as quais 1500 ultras de claques de futebol, armados, muitos vindos da parte ocidental do país. Durante a manifestação verificaram-se confrontos violentos com grupos que são contra o governo de Kiev, que atacaram a marcha. Na sequência desses incidentes, milhares de manifestantes independentistas ucranianos queimaram um acampamento de activistas contra o governo de Kiev, vulgarmente designados "pró-russos", perto da sede da união dos sindicatos locais. As pessoas que estavam no acampamento refugiaram-se na sede do sindicato, que foi atacada com cocktails-molotov lançados pelos independentistas. Foram queimadas vivas mais de 40 pessoas, fala-se de 42 a 46 vítimas, perante a passividade da polícia e a inacção dos bombeiros. A polícia, actuando às ordens das autoridades de Kiev, prendeu activistas pró-russos que escaparam à fornalha. Dias depois, milhares de manifestantes libertaram os sobreviventes do massacre. O jornal "Público" reza a esse respeito: "Cerca de 30 militantes separatistas que estavam detidos no quartel-general da polícia de Odessa, sob suspeita de envolvimento nos violentos confrontos de sexta-feira que fizeram mais de 40 mortos, foram libertados na sequência de ataque surpresa de activistas pró-russos." Neste texto, igual ao da maior parte dos jornais e televisões, escamoteia-se o essencial: quem matou e quem foi morto. Em nenhum local dessas notícias é dito o óbvio: foram assassinados mais de 40 opositores ao governo de Kiev por manifestantes armados, afectos às forças que apoiam o governo ucraniano, nomeadamente os sectores nazis ligados ao Svoboda e ao Sector das Direitas. Apesar de os factos serem indesmentíveis, a comunicação social ocidental relatou o acontecido com a seguinte grelha de leitura : "No decorrer de incidentes entre pró-russos e independentistas ucranianos morreram mais de 40 pessoas. As autoridades de Kiev acusam Moscovo de infiltrar elementos nos activistas pró-russos e orquestrar uma provocação." Estamos perante um crime, aqui, na Ucrânia ou no deserto do Sara, mas os jornalistas de turno ignoram-no.

Artigo de Nuno Ramos de Almeida no i

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O alfaiate do nazismo


Chamava-se Hugo. Era alemão. Rondava os 40 anos quando fundou uma pequena loja de moda, em Metzingen, onde foi dado à luz.

Seis anos depois abriu falência. Desesperado, resolveu dar a volta à crise: ingressou no Partido Nazi – e a sua vida rapidamente mudou. Corria o ano de 1931.

Tornou-se fornecedor exclusivo dos uniformes negros das SS (Schutzstaffel), da Juventude Hitleriana e de outras organizações criminosas (sempre muito preocupadas com o porte e o corte). Naturalmente ganhou muitos milhões de marcos entre 1934 e 1945, e para dar conta das encomendas, a solução foi recorrer a mão-de-obra – baratíssima – dos prisioneiros de guerra.

Após a derrota do III Reich, foi processado mas sofreu uma pena pecuniária: teve de indemnizar as famílias dos escravizados que, entretanto, haviam falecido de exaustão ou sido mortos.

O nome completo do empresário de sucesso era Hugo Boss. E os negócios prosseguiram até hoje com a mesma etiqueta na ourela.

Boss é Boss.

Será que Merkel usa perfume Boss?

Será que o grupo HB investe em fundos de resgate de submetidos ao IV Reich, onde o trabalho escravo começa a refazer caminho? Costumam estar em todas as linhas de investimento.

Fonte: http://resistir.info/