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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Obama contra Trump, Putin e Erdogan: Golpes podem derrotar governos eleitos

Introdução            
Washington organizou uma campanha sistemática, global e ilimitada para expulsar o candidato presidencial republicano, Donald Trump, do processo eleitoral. O virulento ânimo anti-Trump, os métodos, os objectivos e os mass media assemelham-se a regimes autoritários a prepararem-se para derrotar adversários políticos.

Esforços de propaganda comparáveis levaram a golpes políticos no Chile em 1972, no Brasil em 1964 e na Venezuela em 2002. As forças anti-Trump incluem partidos políticos, um juiz do Supremo Tribunal, banqueiros da Wall Street, jornalistas e editorialistas de todos os media mais importantes e os principais porta-vozes militares e da inteligência.

O violento e ilegal esbulho de Trump por Washington é parte integral de uma vasta campanha mundial para o derrube de líderes e regimes que levantem questões acerca de aspectos das políticas imperiais dos EUA e UE.

Trataremos de analisar a política da elite anti-Trump, os pontos de confrontação e propagada, como um prelúdio para impulsionar remover oposição na América Latina, Europa, Médio Oriente e Ásia.

O golpe anti-Trump            
Nunca na história dos Estados Unidos um Presidente e um Juiz do Supremo Tribunal advogaram abertamente o derrube de um candidato presidencial. Nunca a totalidade dos mass media empenhou-se dia e noite numa propaganda unilateral para desacreditar um candidato presidencial ao sistematicamente ignorar ou distorcer as questões sócio-económica centrais da sua oposição.

O apelo ao derrube de um candidato eleito livremente é nada mais, nada menos do que um golpe de estado.

As principais redes de televisão e colunistas pedem que as eleições sejam anuladas, seguindo a pista do Presidente e de líderes eminentes do Congresso e dos partidos republicano e democrata.

Por outras palavras, a elite política rejeita abertamente processos eleitorais democráticos em favor da manipulação autoritário e do engano. A elite autoritária confia na ampliação de questões terciárias, em discutíveis apelos de julgamento pessoal a fim de mobilizar apoiantes para o golpe.

Eles evitam sistematicamente as questões económicas e políticas centrais que o candidato Trump levantou – e atraíram apoio maciço – as quais desafiam políticas fundamentais apoiadas pelas elites dos dois partidos.

As raízes do golpe anti-Trump             
Trump levantou várias questões chave que desafiam a elite democrata e republicana.    
Trump atraiu apoio de massa e ganhou eleições e inquéritos de opinião pública ao:       
  1. Rejeitar os acordos de livre comércio que levaram grandes multinacionais a se relocalizarem no exterior e desinvestirem em empregos industriais bem pagos nos EUA.        
  2. Apelar a projectos de investimento público em grande escala para reconstruir a economia industrial dos EUA, desafiando o primado do capital financeiro.        
  3. Opor-se à ressurreição da Guerra Fria com a Rússia e a China e promover maior cooperação económica e negociações.        
  4. Rejeitar o apoio dos EUA à acumulação militar da NATO na Europa e à intervenção na Síria, África do Norte e Afeganistão.        
  5. Questionar a importação de trabalho imigrante, o qual reduz oportunidades de emprego e salários para cidadãos locais.
A elite anti-Trump evita sistematicamente debater tais questões; ao invés disso distorce a substância das políticas.

Ao invés de discutir os benefícios no emprego que resultarão do fim das sanções à Rússia, os que tramam o golpe berram que "Trump apoia Putin, o terrorista".

Ao invés de discutir a necessidade de redirigir investimento interno para criar empregos nos EUA, a junta anti-Trump fala por clichés a afirmarem que a sua crítica da globalização "minaria" a economia dos EUA.

Para denegrir Trump, a junta Clinton/Obama recorre a escândalos políticos para encobrir crimes políticos em massa. Para distrair a atenção pública, Clinton-Obama afirmam falsamente que Trump é um "racista", apoiado por David Duke, um advogado racista da "islamofobia". A junta anti-Trump promoveu os pais estado-unidenses-paquistaneses de um militar abatido em guerra como vítima das calúnias de Trump mesmo quando eles aplaudiam Hillary Clinton, promotora de guerras contra países muçulmanos e autora de políticas militares que remeteram milhares de soldados americanos para a sepultura.

Obama e Clinton são os racistas imperiais que bombardearam a Líbia e a Somália e mataram, feriram e deslocaram mais de 2 milhões de africanos negros ao sul do Saara.

Obama e Clinton são os islamófobos que bombardearam e mataram e expulsaram cinco milhões de muçulmanos na Síria e um milhão de muçulmanos no Iémen, Afeganistão, Paquistão e Iraque.

Por outras palavras, a política errada de Trump de restringir a imigração muçulmana é uma reacção ao ódio e à hostilidade engendrada por Obama e Clinton com o genocídio de um milhão de muçulmanos.

A política "America First" de Trump é uma rejeição de guerras imperiais além-mar – sete guerras sob o governo Obama-Clinton. Suas políticas militaristas incharam défices orçamentais e degradaram padrões de vida nos EUA.

A crítica de Trump à fuga de capitais e de empregos ameaçou a locupletação de mil milhões de dólares por parte da Wall Street – a razão mais importante por trás do esforço bi-partidário da junta para afastar Trump e o apoio que tem da classe trabalhadora.

Ao não seguir a agenda de guerra bi-partidária da Wall Street, Trump esboçou uma outra agenda que é incompatível com a estrutura actual do capitalismo. Por outras palavras, a elite autoritária dos EUA não tolera as regras democráticas do jogo mesmo quando a oposição aceita o sistema capitalista.

Além disso, a busca de Washington do "poder único" estende-se através do globo. Governos capitalistas que decidam seguir políticas externas independentes são alvos para golpes.

A junta Obama-Clinton torna-se frenética            
O golpe contra Trump proposto por Washington segue políticas semelhantes àquelas dirigidas contra líderes políticos na Rússia, Turquia, China, Venezuela, Brasil e Síria.

O presidente russo, Putin, foi demonizado diariamente pelos media de propaganda dos EUA durante quase toda uma década. Os EUA apoiaram oligarcas e promoveram sanções económicas; financiaram um golpe na Ucrânia; instalaram mísseis nucleares na fronteira da Rússia e lançaram uma corrida armamentista para minar políticas económicas do Presidente Putin a fim de provocar um golpe.

Os EUA apoiaram o "governo invisível" do seu apaniguado (proxy) gulenista no golpe fracassado para derrubar o Presidente Erdogan, por este deixar de adoptar totalmente a agenda dos EUA para o Médio Oriente.

Da mesma forma, Obama-Clinton apoiaram golpes bem sucedidos na América Latina. Foram orquestrados golpes em Honduras, Paraguai e mais recentemente no Brasil para minar presidentes independentes e assegurar regimes neoliberais satélites. Washington apressa-se para impor à força o derrube do governo nacional-populista do Presidente Maduro, na Venezuela.

Washington aumentou seus esforços para desgastar, minar e derrubar o governo do Presidente Xi-Jinping, da China, através de várias estratégias combinadas. Uma acumulação militar de uma força de ar e terra no Mar do Sul da China e bases militares no Japão, Austrália e Filipinas; agitação separatista em Hong Kong, Formosa e entre os uigures; acordos comerciais de livre comércio entre EUA, América Latina e Ásia que excluem a China.

Conclusão            
A estratégia de Washington de golpes ilegais e violentos para manter a ilusão de império estende-se através do globo, indo desde Trump nos EUA a Putin na Rússia, desde Erdogan na Turquia a Maduro na Venezuela e Xi Jinping na China.

O conflito é entre o imperialismo dos EUA-UE apoiado pelos seus clientes locais contra regimes endógenos enraizados em alianças nacionalistas.

A luta é contínua e prolongada e ameaça minar o tecido político e social dos EUA e da União Europeia.

A principal prioridade para o Império estado-unidense é minar e destruir Trump por quaisquer meios. Trump já levantou a questão de "eleições manipuladas" ("rigged elections"). Mas a cada ataque dos media da elite a Trump parece aumentar e fortalecer seu apoio de massa e polarizar o eleitorado.

Quando as eleições se aproximam, será que a elite se limitará à histeria verbal ou passará dos assassínios verbais para os de "outra espécie"?

A estratégia global do golpe de Obama mostra resultados mistos: eles tiveram êxito no Brasil mas foram derrotados na Turquia; eles tomaram o poder na Ucrânia mas foram derrotados na Rússia; eles ganharam aliados de propaganda em Hong Kong e Formosa mas sofreram graves derrotas económicas estratégicas na região quando a China avançou políticas comerciais asiáticas.

Quando as eleições estado-unidenses se aproximam, e o legado imperial perseguido por Obama entra em colapso, podemos esperar maiores fraudes e manipulações e talvez mesmo o recurso frequente a assassínios daqueles que a elite designa como "terroristas".        

      
O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=2096            
Fonte: 
http://resistir.info/ 

quarta-feira, 23 de março de 2016

O valor de Lula

É preciso alguém ser muito alienado pela mídia e não fazer uso da sensibilidade humana e social, para deixar de reconhecer o valor de Lula na história do Brasil.

Como se o facto de superar a fome de 50 milhões de pessoas fosse fácil para qualquer governante, assim como reduzir a distância social entre pobres e ricos, e transformar milhões de pessoas abandonadas em cidadãos sem discriminação, e investir na infra-estrutura de regiões marginalizadas durante séculos, e criar condições do ensino básico ao universitário para receber qualquer brasileiro a ser formado, e abrir a consciência popular para participar no desenvolvimento nacional ultrapassando todo o atraso do subdesenvolvimento imposto por colonizadores e imperialistas por mais de 500 anos, e afastar a pressão do FMI e criar 22 milhões de novos empregos, e criar o programa da Luz para Todos, e levar água canalizada para populações que morriam na seca.

Lula reúne as condições pessoais para simbolizar o Brasil pobre, consciente da necessidade de mudança para tornar efetiva a democracia no país, e tem a coragem de enfrentar a luta pelo controle dos programas governamentais. E foi eleito Presidente da República com amplo apoio de setores da produção e de intelectuais defensores da liberdade para propiciar o desenvolvimento social e econômico livre dos constrangimentos impostos pelo imperialismo. Ao terminar o segundo mandato ainda contava com um apoio de 80% dos eleitores. A sua figura de herói popular, que encarna a consciência da realidade dos oprimidos no sistema capitalista dominante, marca a história do Brasil para sempre.

Que os Tios Patinhas do sistema financeiro não queiram que os pobres tenham os mesmos direitos dos ricos, entende-se, pois os seus lucros terão de ser divididos com a sociedade brasileira e eles são o símbolo do egoísmo. Mas que os seus empregados, que têm familia para formar como gente honesta integrada na vida democrática de um país desenvolvido e com esperança de um futuro bom para todos, só sendo humilhados como subordinados ao dinheiro sujo é que poderão preferir o golpe contra a democracia. Acorda pessoal! A crise do sistema capitalista está aí para ser paga por banqueiros que nada produzem e vivem como agiotas, e não pelos trabalhadores! O único produto do setor financeiro no sistema capitalista é a corrupção !

A maioria dos brasileiros é pobre, porque até agora foi sempre afastada dos seus direitos de cidadania, e classificada como classe média porque é explorada como os "escravos de ganho" do período colonial. É com eles que o Brasil conta para desenvolver a produção e elevar o nível de vida nacional. É com eles que teremos um aprofundamento do conhecimento científico para criar soluções para os problemas de saúde e fertilização do solo para não usarmos os remédios-envenenados que os laboratórios da indústria multinacional que nos vendem caríssimo. É com eles, os pobres, que o Brasil conquistará um lugar de destaque nas organizações internacionais que lutam pela Paz mundial. É com eles que será implantada a justiça no sistema judicial para afastar os privilégios de alguns que impedem a vigência da democracia.

Lula nasceu pobre e fez um curso de "realidade social" a partir da fome que sofreu em criança e da vida de metalúrgico que lhe deu mais luzes que a muitos professores promovidos como gênios. Com esta formação tornou-se líder sindicalista e elegeu-se Presidente da República para dar o maior passo histórico no Brasil, estendendo à maioria a condição de cidadania e de vida. Nem tudo conseguiu fazer devido aos boicotes de uma camada social interessada apenas em "ter poder para enriquecer". Hoje temos de impedir que destruam o muito que já se fez e criar condições para afastar os obstáculos que ainda estão agarrados ao Estado como carrapatos.

O seu exemplo de lutador incansável inspira e recebe o apoio de outros que seguem igual caminho revolucionário nos demais países latino-americanos despertados por Fidel Castro em 1958. Mas também em outras regiões mais desenvolvidas, da Europa por exemplo, também deram o seu apoio a Lula que rompeu o domínio estrito da política financeira imposta em todo o mundo e afirmou a noção de dignidade nacional.

As lutas políticas não se definem exclusivamente pela existência da miséria crescente em contraposição ao poder de uma elite milionária. São múltiplas as questões derivadas de tal condição sistêmica, tanto políticas, econômicas como sociais, e afetam o comportamento das instituições governamentais, sobretudo no que se refere às leis que são aplicadas por setores com alguma autonomia dentro do Estado de Direito, e à dinâmica das ações financeiras que são conduzidas pelo poder das instituições financeiras subordinados a um comando supra-nacional definido pela moeda norte-americana, o dollar.

Este super poder estabeleceu constrangimentos ao desenvolvimento dos programas democráticos no Brasil, assim como na maioria dos países, cerceando a autonomia necessária para que o governo, sucessor ao de Lula, pudesse estabelecer a prioridade na efetiva instauração da democracia. Uma das armas desse poder estrangeiro é a corrupção de altos funcionários que hoje é endêmica no mundo. Outra arma é a comunicação social que divulga informações falsas em mistura com fatos reais de modo a quebrar a confiança nos que lutam em defesa dos pobres e da democracia.

A Frente Brasil pela Democracia, que congrega sindicatos e associações de massa, ou de estudantes e intelectuais, tem mantido uma crescente adesão ao apoio vindo das ruas, com uma variedade de tendências que têm em comum o patriotismo e a solidariedade com os que ainda são privados dos benefícios sociais devidos a todo o povo. É um exemplo de consciência de luta para todo o mundo que se reflete em toda a Amèrica Latina ameaçada pelo imperialismo e atrai a atenção de todos os povos que têm problemas semelhantes nos seus países.
 
 
 
 

terça-feira, 1 de março de 2016

Será que os americanos vivem numa realidade falsa criada por orquestração?

 
A maior parte das pessoas conscientes e capazes de pensar abandonaram os chamados "media de referência". Os presstitutos destruíram a sua própria credibilidade ao ajudarem Washington a mentir — "armas de destruição em massa de Saddam Hussein", "ogivas iranianas", "utilização de armas químicas por Assad", "invasão russa da Ucrânia" e assim por diante. Os media "de referência" também destruíram a sua credibilidade pela sua aceitação completa do que quer que seja que as autoridades digam acerca de alegados "eventos terroristas", tais como o 11/Set e o Boston Marathon Bombing, ou de alegados tiroteios em massa tais como Sandy Hook e San Bernardino. Apesar de gritantes inconsistências, contradições e falhas de segurança que parecem demasiado improváveis para acreditar, os media "de referência" nunca questionam ou investigam. Eles simplesmente relatam como facto tudo o que dizem as autoridades .

Sinal de um estado totalitário ou autoritário é a existência de órgãos de comunicação que não sentem a responsabilidade de investigar e descobrir a verdade, que em vez disso aceitam o papel de propagandistas. Todos os media de Washington desde há muito estão em modo propaganda . Nos EUA a transformação de jornalistas em propagandistas foi completada com a concentração de meios de comunicação diversificados e independentes em seis mega-corporações que já não são dirigidas por jornalistas.

Em consequência, pessoas judiciosas e conscientes confiam cada vez mais nos media alternativos que questionam, organizam factos e apresentam análises ao invés de uma narrativa oficial inacreditável.

O primeiro exemplo é o 11/Set. Grande número de peritos destruíram a narrativa oficial que não tem evidências factuais que a suportem. Contudo, mesmo sem a evidência real apresentada por aqueles que dizem a verdade sobre o 11/Set, a narrativa oficial abandona-as. Querem que acreditemos que uns poucos árabes sauditas sem tecnologia além de canivetes e sem apoio do serviço de inteligência de qualquer governo foram capazes de iludir a maciça tecnologia de vigilância criada pela DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) e pela NSA (National Security Agency) e efectuar o mais humilhante golpe a uma super-potência alguma vez dado na história humana. Além disso, eles foram capazes de fazer isto sem o presidente dos Estados Unidos, o Congresso dos EUA e os media "de referência" exigirem responsabilização por um fracasso tão total da alta tecnologia do estado para a segurança nacional. Ao invés de uma Casa Branca conduzir a investigação desta falha de segurança tão maciça, a Casa Branca resistiu durante mais de um ano a qualquer investigação que fosse até que finalmente cedeu aos pedidos das famílias do 11/Set que não podiam ser subornadas e concordou com uma Comissão do 11/Set.

A Comissão não investigou mas simplesmente sentou e escreveu a narrativa contada pelo governo. Posteriormente, o presidente da Comissão, o vice-presidente e a assessoria jurídica escreveram livros nos quais dizem que foi recusada informação à Comissão, que responsáveis do governo mentiram à Comissão e que a Comissão "foi estabelecida para falhar". Apesar de tudo isto, os presstitutos ainda repetem a propaganda oficial e por isso permanecem bastantes americanos crédulos para impedir a responsabilização.

Historiadores competentes sabem que acontecimentos forjados (false flag) são utilizados para fazerem frutificar agendas que não podem ser conseguidas de outro modo. O 11/Set deu aos neoconservadores que controlavam a administração George W. Bush o novo Pearl Harbor que consideravam necessário a fim de lançar suas invasões militares hegemónicas a países muçulmanos. O Boston Marathon Bombing permitiu um experimento do Estado Policial Americano, completado com o encerramento de uma grande cidade americana, colocando 10 mil tropas armadas e equipes
SWAT nas ruas onde estas efectuaram buscas domiciliares casa a casa forçando os moradores a saírem dos seus lares a ponta de bala. Esta operação sem precedentes foi justificada como sendo necessária a fim de localizar um jovem ferido de 19 anos, o qual era claramente um bode expiatório.

Há tantas coisas estranhas na narrativa de
Sandy Hook que provocaram uma série de cépticos. Concordo em que há anomalias, mas não tenho tempo para estudar a questão e chegar à minha própria conclusão. O que tenho percebido é que não nos são dadas explicações muito boas quanto às anomalias. Por exemplo, neste vídeo feito a partir de noticiários da TV , o seu criador pretende que a pessoa do pai choroso que perdeu o seu filho é a mesma que está fardada como SWAT a seguir ao tiroteio em Sandy Hook. A pessoa é identificada como um actor conhecido. Agora, parece-me que isto é fácil testar. O pai choroso é conhecido, o actor é conhecido e as autoridades têm de saber quem é membro da equipe SWAT. Se estas três pessoas, que podem passar uma pela outra, puderem ser reunidas numa sala ao mesmo tempo podemos afastar a revelação afirmada neste vídeo. Entretanto, se as três pessoas separadas não puderem ser reunidas, então devemos perguntar porque este engano, o qual levanta questões sobre toda a narrativa. Pode assistir todo o vídeo ou apenas saltar para a marca dos 9:30 e observar o que parece ser a mesma pessoa em dois papeis diferentes.

Os media "de referência" têm as capacidade para fazerem estas investigações simples, mas não as fazem. Ao invés disso, os media ditos "de referência" chamam os cépticos de "teóricos da conspiração".

Há um livro do professor Jim Fetzer e Mike Paleck a dizer que Sandy Hook foi um ensaio do
FEMA para promover o controle de armas e que ninguém teria morrido em Sandy Hook. O livro estava disponível na amazon.com mas subitamente foi proibido. Por que proibir um livro?

Aqui está um sítio para efectuar o descarregamento gratuito do livro:
rense.com/general96/nobodydied.html . Não li o livro e não tenho opinião. Sei, entretanto, que o estado policial em que a América se está a tornar tem um interesse poderoso em desarmar o público. Hoje também ouvi uma notícia de que pessoas que dizem ser pais das crianças mortas estão a promover um processo contra o fabricante da arma, o que é coerente com a afirmação de Fetzer.

Aqui está uma
entrevista com Jim Fetzer . Se a informação que Fetzer apresenta é correcta, é evidente que o governo dos EUA tem uma agenda autoritária e está a utilizar eventos orquestrados destinada a criar uma falsa realidade para os americanos a fim de alcançar esta agenda.

Parece-me que os factos de Fetzer podem ser facilmente verificados. Se os seus factos se mostrarem correctos, então exige-se uma investigação real. Se os seus factos não forem correctos, a narrativa oficial ganha credibilidade pois Fetzer é um dos cépticos mais acérrimos.

Fetzer não pode ser afastado como um tolo. Ele tem uma licenciatura magna cum laude da Universidade de Princeton, tem um Ph.D. da Universidade de Indiana e foi um eminente professor da Universidade de Minnesota até a sua aposentação em 2006. Ele teve bolsa da National Science Foundation e publicou mais de 100 artigos e 20 livros sobre filosofia da ciência e filosofia da ciência cognitiva. É um perito em inteligência artificial e ciência computacional e fundou a publicação internacional Minds and Machines. No fim da década de 1990, foi solicitado a organizar um simpósio sobre a filosofia da mente.

Para uma pessoa inteligente, as narrativas oficiais do assassínio do presidente Kennedy e do 11/Set são simplesmente não críveis, porque as narrativas oficiais não são coerentes com as evidências e com o que sabemos. A frustração de Fetzer com pessoas menos capazes e menos observadoras mostra-se progressivamente e isto funciona em seu desfavor.

Parece-me que se as autoridades por trás da narrativa oficial de Sandy Hook estão seguras da mesma, elas deveriam saltar diante da oportunidade de confrontar e desmentir os factos de Fetzer. Além disso, em algum lugar deve haver fotografias das crianças mortas mas, tal como o alegado grande número de gravações por câmaras de segurança de um avião a chocar-se com o Pentágono, ninguém as viu. Pelo menos ninguém que eu conheça.

O que me perturba é que ninguém entre as autoridades ou os media "de referência" tem qualquer interesse em verificar os factos. Ao invés disso, aqueles que levantam assuntos incómodos são descartados como teóricos da conspiração.

Esta incriminação é enigmática. A narrativa do governo do 11/Set é a de uma conspiração, tal como a narrativa do governo quanto ao Boston Marathon Bombing. Estas coisas acontecem por causa de conspirações. O que está em causa é: conspiração de quem? Sabemos, da
Operação Gladio e da Operação Northwoods , que governos se empenharam em conspirações assassinas contra seus próprios cidadãos. Portanto, é um erro concluir que governos não se empenham em conspirações.

Ouve-se frequentemente a objecção de que se o 11/Set fosse um ataque forjado (false flag), alguém teria falado.

Por que teriam eles falado? Só aqueles que organizaram a conspiração saberiam. Por que iriam eles minar a sua própria conspiração?

Recordem
William Binney . Ele desenvolveu o sistema de vigilância utilizado pela NSA. Quando verificou que este estava a ser utilizado contra o povo americano, ele falou. Mas não levou documentos com os quais provasse suas afirmações, o que o salvou de um processo mas não lhe deu provas para confirmar o afirmado. Eis porque Edward Snowden levou os documentos consigo e divulgou-os. No entanto, muitos vêem Snowden como um espião que roubou segredos da segurança nacional, não como um denunciante a advertir-nos de que a Constituição que nos protege está a ser demolida.

Responsáveis de alto nível do governo contradisseram partes da narrativa oficial do 11/Set e a versão oficial que liga a invasão do Iraque ao 11/Set e a armas de destruição em massa. O secretário dos Transportes, Norman Mineta, contradisse o vice-presidente Cheney e a narrativa oficial da cronologia do 11/Set. O secretário do Tesouro Paul O'Neill disse que o derrube de Saddam Hussein foi o assunto da primeira reunião do gabinete na administração George W. Bush muito antes do 11/Set. Ele escreveu isso num livro e disse-o no programa 60 Minutes da CBS. A CNN e outras estações noticiosas relataram-no. Mas não houve efeito.

Os denunciantes pagam um alto preço. Muitos deles estão na prisão. Obama processou e aprisionou um número recorde deles. Uma vez que lançados à prisão, a questão passa a ser: "Quem acreditaria num criminoso?"

Em relação ao 11/Set, toda espécie de gente falou. Mais de 100 polícias, bombeiros e primeiros socorristas relataram ouvir e sentir um grande número de explosões na Torres Gémeas. O pessoal de manutenção informou ter sentido explosões maciças na sub-cave antes de o edifício ser atingido por um avião. Nenhum destes testemunhos teve qualquer efeito sobre as autoridades por trás da narrativa oficial ou sobre os presstitutos.

Há 2300 arquitectos e engenheiros que escreveram ao Congresso requerendo uma investigação real. Ao invés de serem tratados com o respeito que 2300 profissionais merecem, foram descartados como "teóricos da conspiração".

Um painel internacional de cientistas relatou a presença de
nanotermita reagida e reagida incompletamente na poeira dos World Trade Centers. Eles ofereceram suas amostras a agências do governo e a cientistas para confirmação. Ninguém as tocou. A razão é clara. Hoje o financiamento da ciência está fortemente dependente do governo federal e de companhias privadas que têm contratos federais. Os cientistas entendem que falar acerca do 11/Set significa o término das suas carreiras.

O governo nos tem onde nos quer ter — impotentes e desinformados. A maior parte dos americanos é demasiado inculta para ser capaz de diferenciar entre um edifício ruir de um dano assimétrico e um que cai por explosão. Jornalistas "de referência" não podem questionar e investigar e manter seus empregos. Cientistas não podem falar e continuarem a ser financiados.

Contar a verdade foi relegado aos media alternativos da Internet onde eu apostaria que o governo activa sítios a proclamarem conspirações selvagens, cujo propósito é desacreditar todos os cépticos.  

     
Por Paul Craig Roberts
O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/...                
Versão em portugês do artigo via http://resistir.info/              

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Populista, graças a Deus

E se, em vez do veneno e a queda no abismo que nos apregoam os comentadores avalisados, o populismo fosse a solução necessária para sair desta crise?

Há uma acusação que circula no combate político: quando alguém quer desqualificar o adversário apoda-o de "populista". Aparentemente, o grande perigo que as nossas sociedade correm não é estarem em crise; não é a política ser monopólio dos poderosos; não é a economia estar fora da área de decisão dos cidadãos; não é a corrupção ser um mecanismo normal de funcionamento do sistema; não é a destruição do Estado social, que foi conquistado pela luta gerações; não é as pessoas serem enviadas para a pobreza sem retorno; não é os jovens serem obrigados a emigrar e os velhos empurrados para a morte - o que é verdadeiramente grave para os habituais comentadores é a subida do "populismo" na Europa.

É importante esclarecer o seguinte: nós precisamos do populismo como de pão para a boca. Dito de outra forma, a nossa situação de crise social, política e económica deriva da existência de um regime que serve unicamente uma pequena elite. A crise é o nome de uma máquina de guerra, de alguns, que transformou uma sociedade injusta numa ainda mais desigual, a pretexto dessa mesma crise.

A razão por que 99% da população está muito mais pobre e 1% mais rica, e desta 0,01% riquíssima, é que o poder na sociedade está nas mãos dessa imensa minoria.

Mais que medidas pontuais, o que é necessário é reverter este processo: o poder numa sociedade não pode estar nas mão de uma minoria para satisfazer os interesses de uma casta política e económica que vive dos lucros de negócios garantidos suportados pelos contribuintes. Para isso é necessária uma ruptura populista que inverta a lógica do poder. Necessitamos de uma democracia que seja exercida pela maioria da população e sirva os seus interesses, e não de um regime que tem como única preocupação a salvação dos credores e dos especuladores.

No seu livro "A Razão Populista" (2005), o pensador Ernesto Laclau escalpeliza as premissas elitistas que estão por trás da associação, antidemocrática, que identifica o "povo" com as baixas paixões que podem ser convocadas pelos demagogos e defende que a ameaça à democracia contemporânea não está neste sobressalto plebeu, mas no estreitamento oligárquico da democracia por minorias que escapam ao controlo popular.

Neste momento de crise há a possibilidade de convocar uma ruptura populista que não tenha nada que ver com os populismos xenófobos que identificam o inimigo com o emigrante do lado ou os elos mais fracos da sociedade, mas que articule identidades populares para se constituírem em oposição aos verdadeiros e poderosos inimigos desta democracia: um regime de casta que serve sempre os mesmos e se disfarça por uma mera alternância eleitoral.

Como defende Marco d'Eramo no seu artigo "O populismo e a nova oligarquia", na "New Left Review" n.o 82, citado pelo politólogo Iñigo Errejón, a Europa atravessa um momento significativo em que a ofensiva oligárquica avança com a sua estratégia de empobrecimento e é preciso reivindicar uma verdadeira política que dê voz à maioria da sociedade para a construção do bem comum.
 
Texto de Nuno Ramos de Almeida, publicado no i

quinta-feira, 8 de maio de 2014

25 verdades sobre os Repórteres Sem Fronteiras


A organização francesa pretende apenas defender a liberdade de imprensa. Na verdade, por trás da nobre fachada, esconde-se uma agenda política muito precisa.

1. Fundada em 1985 por Robert Ménard, Jean-Claude Guillebaud e Rony Brauman, a Repórteres sem Fronteiras tem como missão oficial “defender a liberdade de imprensa no mundo, isto é, o direito de informar e ser informado, conforme o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.”

2. Entretanto, apesar dessa profissão de fé oficial, a RSF tem uma face obscura e uma agenda política muito precisa, ligada à de Washington, e arremete particularmente contra os governos de esquerda da América Latina, preservando, ao mesmo tempo, os países desenvolvidos.

3. Assim, a RSF tem sido financiada pelo governo dos Estados Unidos pela National Endowment for Democracy (Fundação Nacional pela Democracia, a NED, por sua sigla em inglês). A organização o reconhece: “Efetivamente, recebemos dinheiro da NED. E não é nenhum problema para nós.”

Wikicommons
4. A NED foi criada pelo antigo presidente norte-americano Ronald Reagan em 1983, em uma época na qual a violência militar tinha tomado a dianteira da diplomacia tradicional nos assuntos internacionais. Graças à sua poderosa capacidade de penetração financeira, a NED tem como objetivo debilitar os governos que se oporiam à política externa de Washington.
[RSF nunca se pronunciou sobre o caso do jornalista Mumia Abu-Jamal, que cumpre prisão perpétua nos EUA]

5. De acordo com o New York Times (em artigo de março de 1997) a NED “foi criada há 15 anos para realizar publicamente o que a Central Intelligence Agency (Agência Central de Inteligência, a CIA) tem feito sub-repticiamente durante décadas. Gasta 30 milhões de dólares anuais para apoiar partidos políticos, sindicatos, movimentos dissidentes e meios de comunicação de dezenas de países.”

6. Em setembro de 1991, Allen Weinstein, pai da legislação que deu luz à NED, expressou o seguinte ao Washington Post: “Muito do que fazemos hoje tem sido feito clandestinamente pela CIA há 25 anos.”

7. Carl Gershman, primeiro presidente da NED, explicou a razão de ser da fundação em junho de 1986: “Seria terrível para os grupos democráticos do mundo inteiro serem vistos como subvencionados pela CIA. Vimos isso nos anos 60 e por isso demos um fim nisso. É porque não poderíamos continuar que a fundação foi criada.”

8. Assim, segundo o The New York Times, Allen Weinstein e Carl Gershman, a RSF é financiada por um escritório de fachada da CIA.

9. A RSF também recebeu financiamento do Center for a Free Cuba (Centro para uma Cuba Livre). O diretor da organização à época, Frank Calzón, foi anteriormente um dos presidentes da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), gravemente implicada no terrorismo contra Cuba, como foi revelado por um de seus antigos diretores, José Antonio Llama.

10. A RSF recebeu fundos da Overbrook Foundation, entidade fundada por Frank Altschul, promotor da Radio Free Europe, estação da CIA durante a Guerra Fria, e colaborador próximo de William J. Donovan, chefe dos serviços secretos estadunidenses nos anos 50 e fundador do Office of Strategic Services (Agência de Serviços Estratégicos), predecessora da CIA.

11. No passado, a RSF se manteve em silêncio sobre as exações cometidas pelo Exército dos Estados Unidos contra os jornalistas. Assim, a RSF somente de lembrou tardiamente — cinco anos depois — do caso Sami Al-Haj, jornalista do canal do Qatar Al-Jazeera, preso e torturado no Afeganistão por autoridades norte-americanas e em seguida enviado para Guantánamo. Al-Haj foi libertado no dia 1 de maio de 2008, depois de mais de seis anos de calvário. Ou seja, a RSF precisou de uma investigação de 5 anos para descobrir que Al-Haj foi preso, sequestrado e torturado apenas por ser jornalista.

12. Em um relatório de 15 de janeiro de 2004, a RSF exonerou de qualquer envolvimento os militares norte-americanos responsáveis pelo assassinato do jornalista espanhol José Couso e de seu colega ucraniano Taras Protsyuk no hotel Palestina, em Bagdá. De acordo com a família de Couso, “as conclusões desse relatório isentam de culpa os autores materiais e reconhecidos do disparo contra o hotel Palestina baseando-se na duvidosa imparcialidade dos envolvidos e do próprio testemunho dos autores e responsáveis pelo disparo, deslocando essa responsabilidade para pessoas não identificadas. A realização desse relatório foi assinada por um jornalista, Jean-Paul Mari, que tem conhecidas relações com o coronel Philip de Camp, militar que reconheceu seu envolvimento no ataque e nas mortes dos jornalistas do hotel Palestina e, além disso, seu relatório se apoia no testemunho de três jornalistas das forças dos Estados Unidos, todos eles norte-americanos, tendo alguns deles feito parte — Chris Tomlinson — dos serviços de inteligência do Exército dos Estados Unidos durante mais de sete anos. Nenhum dos jornalistas espanhóis que estavam no hotel foram consultados para a elaboração desse documento”. No dia 16 de janeiro de 2007, o juiz madrilenho Santiago Pedraz emitiu uma ordem de prisão internacional contra o sargento Shawn Gibson, o capitão Philip Wolford e o tenente-coronel Philip de Camp, responsáveis pelos assassinatos de Couso e Protsyuk e absolvidos pela RSF.

Sami Al-Haj, jornalista do canal do Qatar Al-Jazeera, preso e torturado no Afeganistão:


 13. A RSF fez apologia à invasão do Iraque em 2003 ao afirmar que “a derrubada da ditadura de Saddam Hussein pôs fim a 30 anos de propaganda oficial e abriu uma era de nova liberdade, cheia de esperanças e de incertezas, para os jornalistas iraquianos. Para os meios de comunicação iraquianos, décadas de privação total de liberdade de imprensa chegaram a seu fim com o bombardeio do ministério de Comunicação, no dia 9 de abril em Bagdá.”

14. No dia 16 de agosto de 2007, durante o programa de rádio “Contre-expertise”, Robert Ménard, então secretário-geral da RSF, legitimou o uso da tortura.

RSF
15.  A RSF apoiou o golpe de Estado contra o presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, que foi organizado pela França e pelos Estados Unidos, com o matéria “A liberdade de imprensa recuperada: uma esperança a ser mantida.”
[Campanha contra Cuba organizada pelos RSF]

16. Durante o golpe de Estado contra Hugo Chávez em abril de 2002, organizado por Washington, a RSF publicou um artigo, no dia 12 de abril de 2002, que retomava sem reserva alguma a versão dos golpistas e tentava convencer a opinião pública internacional de que Chávez tinha renunciado. “Recluso no palácio presidencial, Hugo Chávez assinou sua renúncia durante a noite, sob pressão do Exército. Depois foi levado para Fuerte Tiuna, a principal base militar de Caracas, onde está detido. Imediatamente depois, Pedro Carmona, o presidente da Fedecámaras (Federação de Câmaras e Associações de Comércio da Venezuela), anunciou que dirigiria um novo governo de transição. Afirmou que seu nome era fruto de um ‘consenso’ da sociedade civil venezuelana e dos comandantes das forças armadas.”

17. A RSF sempre negou tomar nota do caso de Mumia Abu-Jamal, jornalista negro preso nos Estados Unidos há 30 anos por denunciar em suas reportagens a violência policial contra as minorias.

18. A RSF organiza regularmente campanhas contra Cuba, país onde nenhum jornalista foi assassinado desde 1959. A organização está em estreita colaboração com Washington a esse respeito. Dessa forma, em 1996, a RSF teve um encontro em Paris com Stuart Eizenstat, embaixador especial da administração Clinton para assuntos cubanos.

19. No dia 16 de janeiro de 2004, a RSF se reuniu com os representantes da extrema-direita cubana da Flórida para estabelecer uma estratégia de luta midiática contra o governo cubano.

20. A RSF lançou várias campanhas midiáticas difundindo mensagens publicitárias nos meios de comunicação escritos, de rádio e de televisão, destinadas a dissuadir os turistas de viajar para Cuba. É o que preconiza o primeiro relatório da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, publicado pelo presidente George W. Bush em maio de 2004 e que recrudesce as sanções contra Cuba. Assim, esse relatório cita a RSF na página 20 como exemplo a ser seguido.

21.  A RSF afirma abertamente que somente lhe interessam os países do Terceiro Mundo: “Decidimos denunciar os atentados contra a liberdade de imprensa na Bósnia e no Gabão e as ambiguidades dos meios argelinos ou tunisianos... mas não tomamos nota dos excessos franceses”. Por quê? “Porque se o fazemos, corremos o risco de incomodar alguns jornalistas, suscitar a inimizade dos grandes donos de imprensa e irritar o poder econômico. Agora veja, para nos tornamos midiáticos, precisamos de cumplicidades dos jornalistas, do apoio dos donos de imprensa e do dinheiro do poder econômico.”

22. Jean-Claude Guillebaud, co-fundador da RSF e primeiro presidente da associação, abandonou a organização em 1993. Explicou as razões: “Eu pensava que uma organização desse tipo poderia ser legítima se incluísse um trabalho de crítica do funcionamento dos meios de comunicação ocidentais. Seja sobre os desvios do trabalho jornalístico (falsas entrevistas etc.) ou fazendo um trabalho profundo de reflexão sobra e evolução dessa profissão, suas práticas e os possíveis ataques às liberdades nas democracias. Caso contrário, nos veriam como neocolonialistas, como arrogantes que pretendem dar lições. Quando se chama a atenção dos líderes dos países do Terceiro Mundo sobre os ataques à liberdade de imprensa em seus países, a questão que se levanta automaticamente contra nós é saber que uso nós damos à nossa liberdade. Ainda que os objetivos não sejam os mesmos, é uma questão essencial e eu achava que tínhamos de dedicar a ela 50% do nosso tempo e de nossa energia (...). À medida que a associação se desenvolvia, as operações se tornavam mais e mais espetaculares. Foram levantadas duas questões: não havia uma contradição em denunciar certos desvios do sistema midiático e usar os mesmos métodos nas nossas ações de denúncia? Por sua vez, Robert Ménard achava que tinha de passar por cima de toda a atividade crítica aos meios de comunicação para conseguir o apoio da grande imprensa e das grandes cadeias de televisão (...). Para mim, pareciam próximos demais da imprensa anti-Chávez na Venezuela. Não há dúvida de que era necessário ser mais prudente. Eu acho que eles ouvem muito pouco sobre os Estados Unidos.”

23.  O diário francês Libération, fiel patrocinador da organização, aponta que a RSF permanece em silêncio sobre os abusos dos meios de comunicação ocidentais: “No futuro, a liberdade de imprensa será exótica ou não será. Muitos “reprovam sua ira contra Cuba e contra a Venezuela e sua indulgência em relação aos Estados Unidos, o que não é falso.”

24. A RSF nunca dissimulou suas relações com o mundo do poder. “Um dia tivemos um problema de dinheiro. Eu liguei para o empresário François Pinault pedindo que nos ajudasse (...). Ele respondeu meu pedido em seguida. E isso é a única coisa que importa” porque “a lei da gravidade existe, queridos amigos. E também a lei do dinheiro.”

25. Assim, apesar das reinvindicações de imparcialidade e de defesa da liberdade de imprensa, a RSF tem efetivamente uma agenda política e arremete regularmente contra os países da nova América Latina.

Artigo de Salim Lamrani.
Versão em português via OperaMundi

terça-feira, 6 de maio de 2014

A voz do dono

 
No conflito ucraniano, as grandes vítimas são a população daquele país, mas a primeira foi a verdade jornalística. Há muito que os media não fazem mais que propaganda.
 
Um assassinato é um assassinato, aqui ou na China. O que é uma verdade cristalina parece escapar a grande parte do chamado jornalismo de referência. Em muitos media reina a ideia orweliana de que as pessoas são todas iguais mas há umas muito mais iguais que outras.

No dia 2 de Maio realizou-se uma manifestação pela unidade da Ucrânia na cidade de Odessa. Integraram essa marcha milhares de pessoas, entre as quais 1500 ultras de claques de futebol, armados, muitos vindos da parte ocidental do país. Durante a manifestação verificaram-se confrontos violentos com grupos que são contra o governo de Kiev, que atacaram a marcha. Na sequência desses incidentes, milhares de manifestantes independentistas ucranianos queimaram um acampamento de activistas contra o governo de Kiev, vulgarmente designados "pró-russos", perto da sede da união dos sindicatos locais. As pessoas que estavam no acampamento refugiaram-se na sede do sindicato, que foi atacada com cocktails-molotov lançados pelos independentistas. Foram queimadas vivas mais de 40 pessoas, fala-se de 42 a 46 vítimas, perante a passividade da polícia e a inacção dos bombeiros. A polícia, actuando às ordens das autoridades de Kiev, prendeu activistas pró-russos que escaparam à fornalha. Dias depois, milhares de manifestantes libertaram os sobreviventes do massacre. O jornal "Público" reza a esse respeito: "Cerca de 30 militantes separatistas que estavam detidos no quartel-general da polícia de Odessa, sob suspeita de envolvimento nos violentos confrontos de sexta-feira que fizeram mais de 40 mortos, foram libertados na sequência de ataque surpresa de activistas pró-russos." Neste texto, igual ao da maior parte dos jornais e televisões, escamoteia-se o essencial: quem matou e quem foi morto. Em nenhum local dessas notícias é dito o óbvio: foram assassinados mais de 40 opositores ao governo de Kiev por manifestantes armados, afectos às forças que apoiam o governo ucraniano, nomeadamente os sectores nazis ligados ao Svoboda e ao Sector das Direitas. Apesar de os factos serem indesmentíveis, a comunicação social ocidental relatou o acontecido com a seguinte grelha de leitura : "No decorrer de incidentes entre pró-russos e independentistas ucranianos morreram mais de 40 pessoas. As autoridades de Kiev acusam Moscovo de infiltrar elementos nos activistas pró-russos e orquestrar uma provocação." Estamos perante um crime, aqui, na Ucrânia ou no deserto do Sara, mas os jornalistas de turno ignoram-no.

Artigo de Nuno Ramos de Almeida no i

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A mentira pela omissão e o papel da desinformação

Nada do que é importante no mundo é hoje reflectido pela comunicação dita "social", os media empresariais que arrogantemente se auto-intitulam como padrão de "referência". Para quem pretende uma transformação do mundo num sentido progressista isto é um problema, e problema grave. Significa um brutal atraso na tomada de consciência dos povos, cuja atenção é desviada para balelas, entretenimentos idiotas, falsos problemas e outros diversionismos. Omissão não é a mesma coisa que desinformação. Vejamos exemplos de uma e outra, a começar pela primeira.

A mais actual é a ameaça da instalação de
mísseis Iskander junto às fronteiras ocidentais da Europa. Isso é praticamente ignorado pelos media ocidentais, assim como é ignorada a razão porque eles estão a ser agora instalados: o cerco da Rússia pela NATO, que instalou novos sistemas de mísseis numa série de países junto às suas fronteiras. É indispensável reiterar que tanto os da NATO como o da Rússia são dotados de ogivas nucleares.

Outro exemplo de omissão é o apagamento total de informação quanto ao terrífico
acidente nuclear de Fukushima, que tem consequências pavorosas e a longuíssimo prazo para toda a humanidade. Continua o despejo diário de 400 toneladas de água com componentes radioactivos no Oceano Pacífico, o equivalente a uma disseminação igual à de todos os mais de 2500 ensaios de bombas nucleares já efectuados pela espécie humana. Caminha-se assim para o extermínio de uma gama imensa de espécies vivas – da humana inclusive – pois tal poluição entra no ecossistema que lhes dá suporte.

Outro exemplo ainda é o silenciamento deliberado quanto às consequências do
desastre com a plataforma de pesquisa da British Petroleum (BP) no Golfo do México. Tudo indica que a gigantesca fuga de petróleo ali verificada ao longo de meses (100 mil barris/dia?) não está totalmente sanada, pois este continua a vazar embora em quantidades menores. A política activa de silenciamento conta com o apoio não só da BP como do próprio governo americano. Este, aliás, já autorizou o reinício da exploração de petróleo em águas profundas ao longo das costas norte-americanas.

Este silenciamento verifica-se com o pano de fundo do
Pico Petrolífero (Peak Oil) , que também é deliberadamente escondido da opinião pública pelos media corporativos. Pouquíssima gente hoje no mundo sabe que a humanidade já atingiu o pico máximo da produção possível de petróleo convencional , que esta está estagnada há vários anos. Trata-se do fim de uma era, com consequências irreversíveis, cumulativas, definitivas e a longo prazo. Mas este facto é ocultado da opinião pública.

A maioria dos governos de hoje abandonou há muito a pretensão de ser o gestor do bem comum: passou descaradamente a promover os interesses de curto prazo do capital – em detrimento das condições de sobrevivência a longo prazo da espécie humana. Trata-se, pode-se dizer, de uma política tendente ao extermínio. Veja-se o caso, por exemplo, do fracking, ou exploração do
petróleo e metano de xisto (shale) através de explosões subterrâneas e injecção de produtos químicos no subsolo – o que tem graves consequências sísmicas e polui lençóis freáticos de água potável. O governo Obama estimula activamente o fracking, na esperança – vã – de dotar os EUA de autonomia energética.

Mas há assuntos que para os media corporativos dominantes são não apenas omitidos como rigorosamente proibidos – são tabu. É o caso da disseminação do
urânio empobrecido (depleted uranium, DU) que o imperialismo faz por todo o mundo com as suas guerras de agressão. Países como o Iraque, a antiga Jugoslávia, o Afeganistão e outros estão pesadamente contaminados pelas munições de urânio empobrecido. Trata-se do envenenamento de populações inteiras por um agente que actua no plano químico, físico e radiológico, com consequências genéticas teratológicas e sobre todo o ecossistema. A Organização Mundial de Saúde é conivente com este crime contra a humanidade pois esconde deliberadamente relatórios de cientistas que examinaram as consequências da invasão estado-unidense do Iraque. Absolutamente nada disto é reflectido nos media empresariais.

Um caso mais complicado é aquela categoria especial de mentiras em que é difícil separar a omissão da desinformação. Omitir pura e simplesmente a crise capitalista – como os media corporativos faziam até um passado recente – já não é possível: hoje ela é gritante. Portanto entram em acção as armas da desinformação, as quais vão desde o diagnóstico até as terapias recomendadas. Os economistas vulgares têm aqui um papel importante: cabe-lhes dar algum verniz teórico, uma aparência de cientificidade, às medidas regressivas que estão a ser tomadas pela nova classe dominante – o capital financeiro parasitário. As opções de classe subjacentes a tais medidas são assim disfarçadas com o carimbo do "não há alternativa". E a depressão económica que agora se inicia é apresentada como coisa passageira, meramente conjuntural. Os media passaram assim da omissão para a desinformação.

Desde o iluminismo, a partir do século XVIII, a difusão da imprensa foi considerada um factor de progresso, de ascensão progressiva das massas ao conhecimento e entendimento do mundo. Hoje, em termos de saldo, isso é discutível. A enxurrada de lixo que actualmente se difunde no mundo superou há muito as publicações sérias. Basta olhar a quantidade de revistecas exibidas numa banca de jornais ou a sub-literatura exposta nos super-mercados. Tal como na Lei de Greshan, a proliferação do mau expulsa o bom da circulação. E esta proliferação quantitativa não pode deixar de ter consequências qualitativas. Ela faz parte integrante da política de desinformação.

Os grandes media corporativos esmeram-se neste trabalho de desinformação. Além de omitirem os assuntos realmente cruciais para os destinos humanos eles ainda promovem activamente campanhas de desinformação. Um caso exemplar foi a maneira como apresentavam e apresentam a agressão à Síria. Assim, bandos sinistros de terroristas e mercenários pagos pelo imperialismo — alguns até praticaram o canibalismo como se viu num vídeo famoso difundido no
YouTube — são sistematicamente tratados como "Exército de Libertação". E daí passaram à mentira pura e simples, afirmando que o governo legítimo da Síria teria utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. Denúncias públicas de que os crimes com gases venenosos foram cometidos pelos bandos terroristas (com materiais fornecidos pelos serviços secretos sauditas) , não tiveram qualquer reflexo nos media corporativos – foram simplesmente ignoradas. Verifica-se neste caso um padrão misto de omissão deliberada e desinformação/mentira. Tudo orquestrado pelos centros de guerra psicológica do império, que os colonizados media portugueses reproduzem entusiasticamente. A submissão é tamanha que até publicações conservadoras e burguesas dos centros do império, como a Der Spiegel ou o Financial Times, dão uma informação mais objectiva do que os media lusos.

A par da omissão & desinformação, os media corporativos esmeram-se em campanhas para instilar terrores fictícios. É o caso da
impostura do aquecimento global, em que gastam rios de tinta. Nesta campanha orquestrada pelo IPCC e pela UE procura-se instilar o medo com aquilo que poderia, dizem eles, acontecer daqui a 100 anos – mas escondem cuidadosamente o que já está acontecer agora. Os terrores actuais e bem reais devem ser escondidos e, em sua substituição, inventam-se terrores para o futuro, com a diabolização do CO2 erigido em arqui-vilão. Carradas de políticos e jornalistas ignorantes embarcam nessas balelas. Os mais espertos conseguem sinecuras à conta do dito aquecimento global (agora rebaptizado como "alterações climáticas"). Passam assim a sugar no orçamento do Estado português e dos fundos comunitários.

Este mostruário de exemplos de omissão & desinformação poderia prolongar-se indefinidamente. Ele é o pão nosso de cada dia para milhões de pessoas, em Portugal e no mundo todo. Mas a omissão & desinformação dificulta extraordinariamente a transformação das classes em si em classes para si. A situação é hoje o inverso da que existia no princípio do século XX, quando a consciência de classe dos oprimidos era mais aguda (ainda que o nível de literacia fosse muito menor). Hoje, quem tem maior consciência de classe é a burguesia e a da massa dos despojados é mais ténue. Por isso mesmo a primeira impõe uma lavagem cerebral colectiva e permanente às classes subalternas. Mas a realidade tem muita força e, apesar de tudo, acabará finalmente por se impor. Os povos do mundo já começaram a acordar. Não se pode enganar toda a gente eternamente.
 
Artigo de Jorge Figueiredo publicado em http://resistir.info
 

sábado, 14 de dezembro de 2013

“A informação sobre a Venezuela é totalmente parcial”

 
Mark Weisbrot, co-presidente do Center for Economic and Policy Research de Washington, diz nesta entrevista à Carta Maior que o vitória chavista nas municipais só surpreende quem segue a vida do país através dos media dominantes.
 
Carta Maior: O resultado da eleição não deixa de surpreender. A oposição qualificou a disputa como um virtual referendo num país que, supostamente, estaria mergulhado no caos. O resultado confirma que o chavismo está vivo.
Mark Weisbrot: É que não há informação fidedigna a respeito do que acontece na Venezuela. Desde o início do chavismo, a informação é totalmente parcial. Um dos dados mais notáveis do qual ninguém fala é uma estatística que apareceu no Banco Mundial e que voltou a aparecer na semana passada na Cepal. É só fazer uma busca na internet para encontrar que, segundo o Banco Mundial, a pobreza caiu cerca de 20% na Venezuela em 2012. Essa é a maior diminuição de pobreza na América Latina e, provavelmente, no mundo.
 
Atribuem a Bill Clinton uma explicação contundente sobre sua primeira vitória presidencial: “é a economia, estúpido”. Pode-se parafraseá-lo neste caso dizendo “é a sociedade, estúpido”.
É a economia e a sociedade. A economia não anda bem, mas as pessoas não votaram só nos últimos nove meses. As pessoas votam em um projeto que já tem muitos anos. Os que escaparam da pobreza graças ao chavismo não ficarão novamente mergulhados na inflação porque não vivem de salários fixos, mas sim são autónomos. A vida dessas pessoas melhorou muito. A menos que haja um longo período em que essa situação mude, o chavismo seguirá ganhando. Das últimas 16 eleições, ganharam 15.
 
Ao mesmo tempo, os preços ao consumidor subiram 49%, no mercado negro o dólar vale sete vezes mais que o oficial, há desabastecimento de produtos básicos, desde leite até papel higiênico, e as reservas estão caindo. Em resumo: a economia não anda lá muito bem.
Certamente há problemas, mas a forte redução da pobreza no ano passado tem muito peso em uma sociedade como a venezuelana. Foram construídas centenas de milhares de casas, estão expandindo a educação e a saúde. Se a inflação continua, o governo pode perder apoio, mas por enquanto as pessoas pensam que a inflação vai baixar. Isso já ocorreu antes. Depois da greve petrolífera que terminou em 2003, a inflação chegou a 40% e depois caiu para 10%. As pessoas acham que no futuro vai ocorrer a mesma coisa.
 
Mas é um problema que pode desgastar a popularidade do governo. Como vão controlá-lo?
Não parece tão difícil. Em grande medida tudo vem do mercado negro. Nestes momentos, há uma bolha em torno do dólar da mesma maneira que houve uma bolha imobiliária nos Estados Unidos. Hoje o dólar está custando 50 bolívares no mercado negro. Estava a 18 em janeiro. A expectativa das pessoas é que o dólar seguirá aumentando, da mesma maneira que, nos Estados Unidos, as pessoas pensavam que o preço das casas seguiria aumentando. É certo que a inflação aumentou no ano passado, mas este ano teve um comportamento descontínuo. Alcançou o seu máximo em maio com 6,1%, mas caiu para 3% em agosto e subiu de novo para 5,1% em outubro. Não é um cenário de hiperinflação. E esta bolha, como toda bolha, terminará explodindo.
 
Para muitos, o problema é que o chavismo é economicamente insustentável.
Isso é o que se vem dizendo nos últimos 13 anos, que a economia está a ponto de colapsar, mas isso nunca ocorreu. O argumento da oposição e dos meios de comunicação internacionais é que a Venezuela está no meio de uma espiral de desvalorização e inflação na qual o aumento dos preços solapa a confiança na economia e na moeda, provocando a fuga de capitais e o crescimento do mercado negro. O final de toda esta espiral é um processo de hiperinflação, aumento da dívida externa e da crise na balança de pagamentos. Mas não se entende por que um país que tem mais de 90 mil milhões de dólares de receita petroleira tenha uma crise na balança de pagamentos. No ano passado, as importações foram de 59 mil milhões de dólares e a conta corrente registrou um superávit de 11 mil milhões ou 2,9% do PIB. O governo não vai ficar sem dólares. Isso foi reconhecido pelo Bank of America na sua última análise.

 Publicado no portal Carta Maior.

domingo, 20 de outubro de 2013

19OUT no Porto... na Al Jazeera



Quando chegamos ao ponto de ter que ver as noticias sobre a manifestação de 19OUT na 2ª cidade do país na Al Jazeera, algo vai muito mal...

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A URSS comparada aos EUA

Há pouco tempo, quando falava num debate sobre os problemas sociais dos EUA (o país em que vivo), perguntaram-me se achava o sistema soviético melhor que o americano. A ratoeira estava montada: depois das derrotas do socialismo no Leste da Europa, a cultura dominante proibiu a esquerda afiançada de «democrática» de falar da URSS sem primeiro, a título de portagem, a condenar ou renegar. E mesmo assim, nem depois da costumeira demonização em piloto-automático, ouvimos falar dos enormes marcos civilizacionais soviéticos.

É óbvio que os EUA não podem ser, em rigor, comparados à URSS. Quando em 1917 os EUA eram um dos países mais avançados do mundo, a Rússia era um obscuro império feudal. De resto, quando se trata de comparar o socialismo ao mundo capitalista, é este último que define os termos, confrontando a realidade do capitalismo com o seu passado efectivo e a realidade do socialismo com o seu prospectivo futuro.

Mas qual seria o resultado se o critério fossem as conquistas sociais? Aceitemos pois, com esta justíssima condição, a pergunta armadilhada de saber «qual era o melhor sistema» e, sobretudo, «para quem».

O que nunca te disseram sobre a URSS

Em 50 anos, a produção industrial soviética passou de 12 para 85% da alcançada pelos EUA e a pátria de Lenine logrou patamares inéditos de igualdade, segurança, saúde, habitação, emprego, educação e cultura. O socialismo pôs fim à inflação, à discriminação racial e à pobreza extrema. A esperança média de vida duplicou e a mortalidade infantil caiu 90%. Segundo a UNESCO, nunca uma sociedade tinha elevado tanto o nível de vida da população em tão pouco tempo. Ao contrário dos Estados Unidos, perpetuamente assolados por epidemias de desemprego, em apenas 20 anos o país dos sovietes atingiu o pleno emprego.

Os direitos laborais nos EUA continuam hoje 80 anos atrás dos soviéticos: os norte-americanos trabalham em média quase 9 horas diárias. Já os soviéticos trabalhavam 7 horas por dia desde 1936. Os norte-americanos gozam em média 8 dias de férias, amiúde não remunerados. Já os soviéticos tinham direito a um mês de férias inteiramente pagas. Os EUA são o único país da OCDE que não contempla um único dia de licença de maternidade. Na URSS, as mulheres tinham direito a 20 meses de licença paga.

Os EUA não dispõem de um sistema público de saúde, o que condena diariamente 125 trabalhadores à morte. Tal não se passaria na URSS, que oferecia cuidados médicos gratuitos a toda a população. Os jovens norte-americanos contraem uma dívida média de 80 mil dólares durante a licenciatura. Na URSS, todos os graus de ensino, do pré-escolar ao pós-doutoramento, eram gratuitos. Na terra do Tio Sam os trabalhadores gastam metade do seu salário em habitação e serviços básicos. Na URSS, a renda da casa representava 2% do orçamento familiar e os serviços básicos 4%.

A URSS era também uma sociedade mais culta que os EUA. Em 1917, na Quirguízia, menos de 0,2% da população sabia ler e escrever. Em 1970 esse número chegava aos 97%. Nessa década, a URSS foi reconhecida pela UNESCO como o país do mundo onde se liam mais livros e viam mais filmes. As famílias soviéticas assinavam em média quatro publicações periódicas, o número de visitantes de museus representava metade da população e a frequência de teatros ultrapassava o seu total. Nos EUA cerca de 25% da população são tecnicamente «iletrados» (incapaz de compreender textos simples).

Anões aos ombros de gigantes

Como agora a direita europeia reconhece, o próprio Estado Previdência foi uma cedência arrancada a ferros pelos trabalhadores à burguesia, em parte pela necessidade de competir com a URSS em matéria de conquistas sociais.

Bernardo de Chartres, um filósofo do século XII, comparou os feitos da sua geração à figura de «anões aos ombros de gigantes». Também nós devemos reconhecer os benefícios duradouros que colhemos da experiência soviética, afinal, a URSS destruiu sozinha 70% do exército de Hitler e libertou o mundo do genocídio nazi, pagando-o com mais de 24 milhões de vidas e 70 mil cidades e vilas em escombros.
Uma terra sem amos

Com o fim da URSS, o número de pobres aumentou mais de 150 milhões, a economia e os salários encolheram mais de 50%. 75% dos russos caíram na miséria e doenças antes erradicadas atingiram proporções epidémicas. A esperança média de vida caiu para os níveis do século XIX.

Os EUA venceram a guerra fria, mas são todos os dias derrotados pela pobreza de 50 milhões, pela maior taxa de população prisional do mundo e por dois milhões de crianças sem tecto. Na URSS, as crianças não dormiam na rua e a democracia não ficava à entrada da fábrica. Foi o mais perto que a humanidade chegou de construir uma terra sem amos.

A URSS foi uma flor rara, de beleza extraordinária e difícil cultivo, que já antes tinha sido arrancada, com apenas dois meses de vida, quando a Comuna de Paris foi esmagada. E mesmo assim voltou a crescer, mais viçosa e resiliente num improvável sulco russo. Extinta a União Soviética, sobrevivem sementes que um dia darão flores novas.
 
Texto de António Santos publicado no Avante

sábado, 27 de abril de 2013

50 verdades sobre as sanções económicas dos EUA contra Cuba

 
A visita da estrela estadunidense da música Beyoncé e de seu marido Jay-z à Havana voltou a levantar polêmica sobre a manutenção das sanções contra Cuba, em vigor há mais de meio século. Eis aqui alguns dados sobre o mais extenso estado de sítio econômico da história.

1) A administração republicada de Dwight D. Eisenhower impôs as primeiras sanções econômicas contra Cuba em 1960, oficialmente por causa do processo de nacionalizações que o governo revolucionário de Fidel Castro empreendeu.

2) Em 1962, o governo democrata de John F. Kennedy aplicou sanções econômicas totais contra a ilha.

3) O impacto foi terrível. Os Estados Unidos sempre constituíram o mercado natural de Cuba. Em 1959, 73% das exportações eram feitas para o vizinho do norte e 70% das importações precediam deste território.

4) Agora, Cuba não pode exportar nem importar nada dos Estados Unidos. Desde 2000, depois das pressões do lobby agrícola estadunidense que buscava novos mercados para seus excedentes, a cidade de Havana está autorizada a importar algumas matérias-primas alimentícias, com condições draconianas.

5) A retórica diplomática para justificar o endurecimento deste estado de sítio econômico evoluiu com o tempo. Entre 1969 e 1990, os Estados Unidos evocaram o primeiro caso de expropriações de suas empresas para justificar sua política hostil contra Havana. Em seguida, Washington evocou sucessivamente a aliança com a União Soviética, o apoio às guerrilhas latino-americanas na luta contra as ditaduras militares e a intervenção cubana na África para ajudar as antigas colônias portuguesas a conseguir sua independência e a defendê-la.

6) Em 1991, depois do desmoronamento do bloco soviético, em vez de normalizar as relações com Cuba, os Estados Unidos decidiram reforçar as sanções invocando a necessidade de reestabelecer a democracia e o respeito aos direitos humanos.

7) Em 1992, sob a administração de Bush pai, o Congresso dos Estados Unidos adotou a lei Torricelli, que recrudesce as sanções contra a população cubana e lhes dá um caráter extraterritorial, isto é, contrário à legislação internacional.

8) O direito internacional proíbe toda lei nacional de ser extraterritorial, isto é, de ser aplicada além das fronteiras do país. Assim, a lei francesa não pode ser aplicada na Alemanha. A legislação brasileira não pode ser aplicada na Argentina. Não obstante, a lei Torricelli é aplicada em todos os países do mundo.

9) Assim, desde 1992, todo barco estrangeiro – qualquer que seja sua procedência – que entre em um porto cubano, se vê proibido de entrar nos Estados Unidos durante seis meses.

10) As empresas marítimas que operam na região privilegiam o comércio com os Estados Unidos, primeiro mercado mundial. Cuba, que depende essencialmente do transporte marítimo por sua insularidade, tem de pagar um preço muito superior ao do mercado para convencer as transportadoras internacionais a fornecer mercadoria à ilha.

              WikiCommons - Fidel Castro durante Assembleia da ONU
11) A lei Torricelli prevê também sanções aos países que brindam assistência a Cuba. Assim, se a França ou o Brasil outorgarem uma ajuda de 100 milhões de dólares à ilha, os Estados Unidos cortam o mesmo montante de sua ajuda a essas nações.

12) Em 1996, a administração Clinton adotou a lei Helms-Burton que é ao mesmo tempo extraterritorial e retroativa, isto é, se aplica sobre feitos ocorridos antes da adoção da legislação, o que é contrário ao direito internacional.

13) O direito internacional proíbe toda legislação de ter caráter retroativo. Por exemplo, na França, desde 1º de janeiro de 2008, está proibido fumar nos restaurantes. Não obstante, um fumador que tivesse consumido um cigarro no dia 31 de dezembro de 2007 durante um jantar não pode ser multado por isso, já que a lei não pode ser retroativa.

14) A lei Helms-Burton sanciona toda empresa estrangeira que se instalou em propriedades nacionalizadas pertencentes a pessoas que, no momento da estatização, dispunham de nacionalidade cubana, violando o direito internacional.

15) A lei Helms-Burton viola também o direito estadunidense que estipula que as demandas judiciais nos tribunais somente são possíveis se a pessoa afetada por um processo de nacionalizações era um cidadão estadunidense quando ocorreu a expropriação e que esta tenha violado o direito internacional público. Veja só, nenhum destes requisitos são cumpridos.

16) A lei Helms-Burton tem como efeito dissuadir numerosos investidores de se instalarem em Cuba por temer represálias por parte da justiça estadunidense e é muito eficaz.

17) Em 2004, a administração de Bush filho criou a Comissão de Assistência a uma Cuba Livre, que impulsionou novas sanções contra Cuba.

18) Esta Comissão limitou muito as viagens. Todos os habitantes dos Estados Unidos podem viajar a seu país de origem quantas vezes quiserem - menos os cubanos. De fato, entre 2004 e 2009, os cubanos dos Estados Unidos só puderam viajar a ilha 14 dias a cada três anos, na melhor das hipóteses, desde que conseguissem uma autorização do Departamento do Tesouro.

19) Para poder viajar era necessário demonstrar que ao menos um membro da família vivia em Cuba. Não obstante, a administração Bush redefiniu o conceito de família, que se aplicou exclusivamente aos cubanos. Assim, os primos, sobrinhos, tios e outros parentes próximos já não formavam parte da família. Somente os avós, país, irmãos, filhos e cônjuges formavam parte da família, de acordo com a nova definição. Por exemplo, um cubano que residisse nos Estados Unidos não poderia visitar sua tia em Cuba, nem mandar uma ajuda econômica para seu primo.

20) Os cubanos que cumpriam todos os requisitos para viajar a seu país de origem, além de terem de limitar sua estadia a duas semanas, não podiam gastar ali mais de 50 dólares diários.

21) Todos os cidadãos ou residentes estadunidenses podiam mandar uma ajuda financeira a sua família, sem limite de valor, menos os cubanos, que não podiam mandar mais de 100 dólares ao mês entre 2004 e 2009.

22) Não obstante, era impossível a um cubano da Flórida mandar dinheiro à sua mãe que vivia em Havana – membro direto da sua família de acordo com a nova definição –, se a mãe militasse no Partido Comunista.

23) Em 2006, a Comissão de Assistência a uma Cuba Livre adotou outra norma que recrudesceu as restrições contra Cuba.

24) Com o objetivo de limitar a cooperação médica cubana com o resto do mundo, os Estados Unidos proibiram a exportação de equipamentos médicos a países terceiros “destinados a serem utilizados em programas de grande escala [com] pacientes estrangeiros” mesmo apesar de a maior parte da tecnologia médica mundial ser de origem estadunidense.

25) Por causa da aplicação extraterritorial das sanções econômicas, uma fabricante de carros japonesa, alemã, coreana, ou outra, que deseje comercializar seus produtos no mercado estadunidense, tem de demonstrar ao Departamento do Tesouro que seus carros não contêm nem um só grama de níquel cubano.

26) Do mesmo modo, um confeiteiro francês que deseje entrar no primeiro mercado do mundo tem de demonstrar à mesma entidade que sua produção não contém um só grama de açúcar cubano.

27) Assim, o caráter extraterritorial das sanções limita fortemente o comércio internacional de Cuba com o resto do mundo.

28) Às vezes, a aplicação destas sanções toma um rumo menos racional. Assim, todo turista estadunidense que consuma um cigarro cubano ou um copo de rum Havana Club durante uma viagem ao exterior, na França, no Brasil ou no Japão, se arrisca a pagar uma multa de um milhão de dólares e a ser condenado a dez anos de prisão.

29) Do mesmo modo, um cubano que resida na França, teoricamente não pode comer um sanduíche do McDonald’s.

30) O Departamento do Tesouro é taxativo a respeito: “Muitos se perguntam com frequência se os cidadãos estadunidenses podem adquirir legalmente produtos cubanos, inclusive tabaco ou bebidas alcóolicas, em um país terceiro para seu consumo pessoal fora dos Estados Unidos. A resposta é não”.

31) As sanções econômicas também têm um impacto dramático no campo da saúde.  Com efeito, cerca de 80% das patentes depositadas no setor médico provêm das multinacionais farmacêuticas estadunidenses e de suas subsidiárias e Cuba não pode ter acesso a elas. O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos sublinha que “as restrições impostas pelo embargo têm contribuído para privar Cuba de um acesso vital a medicamentos, novas tecnologias médicas e científicas”.

32) No dia 3 de fevereiro de 2006, uma delegação de dezesseis funcionários cubanos, reunida com um grupo de empresários estadunidenses, foi expulsa do Hotel Sheraton María Isabel da capital mexicana, violando a lei asteca que proíbe todo tipo de discriminação por raça ou origem.

33) Em 2006, a empresa japonesa Nikon se negou a entregar o primeiro prêmio – uma câmera – a Raysel Sosa Rojas, jovem cubano de 13 anos que sofre de uma hemofilia hereditária incurável, que ganhou o XV Concurso Internacional de Desenho Infantil do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A multinacional nipônica explicou que a câmera digital não poderia ser entregue ao jovem cubano porque continha componentes estadunidenses.

34) Em abril de 2007, o banco Bawag, vendido ao fundo financeiro estadunidense, fechou as contas de uma centena de clientes de origem cubana que residiam na república alpina, aplicando assim, de modo extraterritorial, a legislação estadunidense em um país terceiro.

35) Em 2007, o banco Barclays ordenou às suas filiais de Londres que fechassem as contas de duas empresas cubanas: Havana International Bank e Cubanacán, depois de a Ofac (Office of Foreign Assets Control, ou Oficina de Controle de Bens Estrangeiros) do Departamento do Tesouro, efetuar prisões.

36) Em julho de 2007, a companhia aérea espanhola Hola Airlines, que tinha um contrato com o governo cubano para transportar pacientes que padeciam de doenças oculares no marco da Operação Milagre teve de por fim às suas relações com Cuba. Com efeito, quando solicitou ao fabricante estadunidense Boeing que realizasse consertos em um avião, este lhe exigiu como condição que rompesse seu contrato com a ilha caribenha e explicou que a ordem era procedente do governo dos Estados Unidos.

37) No dia 16 de dezembro de 2009, o banco Crédit Suisse recebeu uma multa de 536 milhões de dólares do Departamento do Tesouro por realizar transações financeiras em dólares com Cuba.

38) Em junho de 2012, o banco holandês ING recebeu a maior sanção jamais aplicada desde o início do estado de sítio económico contra Cuba em 1960. A Ofac, do Departamento do Tesouro, sancionou a instituição financeira com uma multa de 619 milhões de dólares por realizar, entre outras, transações em dólares com Cuba, através do sistema financeiro estadunidense.

39) Os turistas estadunidenses podem viajar para a China, principal rival econômica e política dos Estados Unidos, para o Vietnã, país contra o qual Washington esteve mais de quinze anos em guerra, ou para a Coréia do Norte, que possui armamento nuclear e ameaça usá-lo, mas não para Cuba, que, em sua história, jamais agrediu os Estados Unidos.

40) Todo cidadão estadunidense que viole esta proibição se arrisca a uma sanção que pode alcançar 10 anos de prisão e um milhão de dólares de multa.

41) Depois das solicitações de Max Baucus, senador do Estado de Montana, o Departamento do Tesouro admitiu ter realizado, desde 1990, apenas 93 investigações relacionadas ao terrorismo internacional. No mesmo período, efetuou outras 10.683 “para impedir que os estadunidenses exerçam seu direito de viajar a Cuba”.

42) Em um boletim, a Gao (United States Government Accountability Office, ou Oficina de Responsabilidade Governamental dos Estados Unidos) apontou que os serviços aduaneiros (Customs and Border Protection – CBP) de Miami realizaram inspeções “secundárias” sobre 20% dos passageiros procedentes de Cuba em 2007 com a finalidade de comprovar que não importavam tabaco, álcool ou produtos farmacêuticos da ilha. Por outro lado, a média de inspeções foi só de 3% para o restante dos viajantes. Segundo a GAO, este enfoque sobre Cuba “reduz a aptidão dos serviços aduaneiros para levar a cabo sua missão que consiste em impedir que os terroristas, criminosos e outros estrangeiros indesejáveis entrem no país”.

43) Os ex-presidentes James Carter e William Clinton expressaram várias vezes sua oposição à política de Washington. “Não deixei de pedir pública e privadamente a eliminação de todas as restrições financeiras, comerciais e de viagem”, declarou Carter depois de sua segunda estadia em Cuba em março de 2011. Para Clinton, a política de sanções “absurda” tem sido um “fracasso total”.

44) A Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que representa o mundo dos negócios e as mais importantes multinacionais do país, também expressou sua oposição à manutenção das sanções econômicas.

45) O jornal The New York Times condenou “um anacronismo da Guerra Fria”.

46) O Washington Post, diário conservador, aparece como o mais virulento quando se trata da política cubana de Washington: “A política dos Estados Unidos em relação a Cuba é um fracasso […]. Nada mudou, exceto que o nosso embargo nos torna mais ridículos e impotentes que nunca”.

47) A maior parte da opinião pública estadunidense também está a favor de uma normatização das relações entre Washington e Havana. Segundo uma pesquisa realizada pela CNN no dia 10 de abril de 2009, 64% dos cidadãos estadunidenses se opõe às sanções econômicas contra Cuba.

48) De acordo com a empresa Orbitz Worldwide, uma das mais importantes agências de viagem da internet, 67% dos habitantes dos Estados Unidos desejam ir de férias para Cuba e 72% acreditam que “o turismo em Cuba teria um impacto positivo na vida cotidiana do povo cubano”.

49) Mais de 70% dos cubanos nasceram sob o estado de sítio econômico.

50) Em 2012, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, 188 países de 192 condenaram pela 21ª vez consecutiva as sanções econômicas contra Cuba.


Artigo de Salim Lamrani