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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

domingo, 16 de outubro de 2016

Pink Floyd - Childhood's End (1972)



Childhood’s End, from Obscured By Clouds, released June 1972 (2016 Remix)

Childhood's End, from Pink Floyd's seventh album Obscured By Clouds, has been remixed from the original master tapes in 2016 by Andy Jackson and Damon Iddins.
In February 1972, the band were already playing The Dark Side Of The Moon live and starting to record its songs, but production was briefly halted when they accepted their second commission for filmmaker Barbet Schroeder, to create the soundtrack for his feature film La Vallée.
In the last week of February 1972, Pink Floyd started work, at Strawberry Studios in Herouville, France, and as David Gilmour later described: “We sat in a room, wrote, recorded, like a production line.” The result was 10 pieces of music: six songs and four instrumentals, which Melody Maker described as “some of the most aggressive instrumentals the Floyd have recorded.”
David Gilmour’s Childhood's End was one of the few songs from the soundtrack to be included in Pink Floyd's live shows and was featured on European dates, starting on December 1, 1972, and at the start of the band's March 1973 tour of North America, usually with an extended instrumental passage.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

"Dismaland" by Bansky



Um anti-parque de diversões criado por Banksy

Durante meses, sob a camulflagem da suposta rodagem de um filme, Banksy transformou um antigo complexo recreativo perto de Bristol num assustador parque de diversões com obras suas e de artistas convidados, como Damien Hirst ou a portuguesa Wasted Rita. Chama-se Dismaland e pode visitá-lo a partir de sábado, a menos que seja advogado e trabalhe para a Disney.

Chama-se Dismaland, um jogo de palavras que envolve a Disney e o adjectivo dismal (sombrio), apresenta-se como um “parque de estupefacções” (bemusement), vai estar a funcionar até 27 de Setembro num abandonado complexo recreativo em Weston-super-Mare, junto ao Canal de Bristol, e é talvez o mais ambicioso projecto até hoje desenvolvido pelo célebre e enigmático artista britânico que usa o pseudónimo Banksy.

Este anti-parque de diversões, onde a morte, figurada na grande ceifeira, dança ao som de Staying Alive dos Bee Gees num castelo ao estilo Disneyland, e cujas atracções incluem um barco a abarrotar de refugiados, uma carruagem da Cinderella envolvida num acidente de viação, ou uma mulher a ser atacada por gaivotas, foi hoje revelado aos meios de comunicação social e abre oficialmente no sábado, após uma pré-inauguração, na sexta-feira, exclusivamente dedicada à população local.
 
Uma dezena de atracções foi providenciada pelo próprio Banksy, mas a maioria foi realizada pelos mais de cinquenta artistas que aceitaram o seu desafio para colaborar no projecto, de Damien Hirst, Bill Barminski, Caitlin Cherry, Polly Morgan, Josh Keyes, Mike Ross ou David Shrigley à portuguesa Wasted Rita, que já colocou uma mensagem na sua página de Facebook a manifestar o seu entusiasmo e orgulho por participar no projecto.

A prenunciar o que espera o visitante, a entrada faz-se através da reconstituição da zona de segurança de um aeroporto, onde agentes fardados e mal-encarados desenganam os que pensavam que era só comprar bilhete e entrar. O regulamento do parque mostra bem, de resto, que os seus promotores têm experiência em lidar com grafitters e vândalos afins: é estritamente proibido entrar com latas de spray. Numa alínea de legalidade um pouco mais controversa, é igualmente vedado o acesso a quaisquer advogados que representem o grupo empresarial Walt Disney.

O local onde o parque foi montado, conhecido como Tropicana, estava abandonado há década e meia, mas chegou a ser uma das grandes atracções turísticas da frente marítima de Weston-super-Mare, com o seu edifício Art Deco, erguido em 1937, e a sua piscina ao ar livre, que chegou a ser a maior da Europa. “Adorava a Tropicana quando era miúdo, de modo que abrir outra vez aquelas portas é mesmo uma grande honra”, disse Banksy à imprensa inglesa.

A transformação de um terreno ao abandono num parque recheado com obras de meia centena de artistas dos mais diversos países não se faz de um dia para o outro, e é notável que tenha sido possível manter o segredo eficazmente guardado durante tanto tempo. Uma discrição que só foi possível com a cumplicidade das autoridades municipais, que alinharam no plano de Banksy e criaram uma manobra de diversão, convencendo a população de que o local estava a ser usado para rodar um filme.

    
Banksy descreve esta obra colectiva como “um parque de diversões inadequado para crianças”. Além de uma Pequena Sereia desfigurada, de um muito útil poço de fogo para queimar romances de Jeffrey Archer, ou de uma versão de Punch and Judy – um tradicional (e deveras violento) espectáculo de marionetas britânico – com alusões a Jimmy Saville (famoso apresentador de televisão acusado, após a sua morte, de ter sido um abusador sexual em série) e ao best-seller de temática sado-masoquista As Cinquenta Sombras de Grey, o Dismaland oferece-lhe, por exemplo, uma curiosa variante do minigolfe assumidamente inspirada no gosto do auto-intitulado Estado Islâmico pelas decapitações.
 
A atracção principal, o castelo de fadas, foi idealizado pelo próprio Banksy e inclui um sangrento acidente de carruagem, abrilhantado com o cadáver de Cinderella no chão, junto aos cavalos mortos. E como em qualquer parque de diversões que se preze, os visitantes podem levar para casa uma recordação, deixando-se fotografar no meio da carnificina.

Fonte: Público

domingo, 3 de maio de 2015

The Reinvention of Normal


 
 
"Go straight off the wall" said his dad and Dominic does just that. The film follows Dominic Wilcox, an artist / inventor / designer, on his quest for new ideas....Transforming the mundane and ordinary into something surprising, wondrous and strangely thought provoking.
Directed & Produced by Liam Saint-Pierre (liamsaintpierre.com/)
Edited: Sam White
Post Production: The Whealhouse (
thewhealhouse.com/)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Valls, como Blair, como Sócrates…

Em cima de queda, coice! Foi a Manuel Valls, o Sarkozy do PS francês, que François Hollande se lembrou de chamar para chefiar o governo, de que o próprio já fazia parte como ministro das polícias (Sarkozy bem sabia o jeito que dá essa pasta nestes anos de pós-11 de setembro!), depois da forte derrota eleitoral face à direita causada por uma deserção de uma parte muito importante do eleitorado popular que votara socialista em eleições anteriores.
 
Hollande e o PS francês caminham para o suicídio político: depois de dececionar todos quantos dele esperavam a proteção dos direitos sociais adquiridos e o confronto com o austeritarismo liberalão que Merkel e Sarkozy impuseram ao resto da Eurozona em favor da economia alemã e das troikas, os socialistas querem copiar a direita que derrotaram há menos de dois anos arranjando um homem que imita Sarkozy. Como Blair imitou Thatcher, como Renzi imita Berlusconi (e este, por mais pateticamente original que pareça, copiara já tiques caceteiros doutro socialista, Craxi), como Sócrates imitou o Cavaco dos dez anos à frente do governo em Portugal. Em todos os casos, plana um estranho raciocínio marketeiro de que com eles é que se ganham eleições – e que é isso que importa. O próprio Valls assumiu-o numa conversa informal com os jornalistas há meses: “O importante [para um dirigente político] é ganhar estatura, ser capaz de responder a uma procura de autoridade, de clareza, de visibilidade e de força!” (Libération, 1.4.2014) Eu sei que os socialistas gostam de falar de bem-estar, de desenvolvimento sustentado, de justiça social, mas afinal é isto que preocupa quem eles põem à frente dos governos.
 
O que têm em comum todos estes líderes da socialdemocracia europeia dos últimos 20 anos, os da treta do Fim da História? O buraco que cavaram dentro si próprios ao decretar o fim das ideologias (Valls acha que o adjetivo socialista “é datado, já não significa nada”, e por isso publicou em 2008 o livro Pour en finir avec le vieux socialisme... et être enfin de gauche!) é habitualmente coberto por uma ambição pessoal desmedida, que, curiosamente, é tida pelos seus apoiantes como uma garantia de determinação e empenho. Passaram pelos movimentos estudantis (umas vezes vindos da extrema-esquerda, outras, como Blair e Sócrates, da própria direita), dali foram diretamente para cargos partidários, deputados, assessores. Nos países do Sul, viraram maçons. Apostaram na comunicação. Seduzir jornalistas está-lhes no sangue. Quando não conseguem, movem cordelinhos para os reduzir a pó. Nunca vêm, isso não, do mundo do trabalho, ao contrário de muitos dos seus antecessores até aos anos 70, sobretudo na Europa do Norte. Os sindicatos associados aos socialistas (e que deram origem a estes partidos no séc. XIX), apesar de reformistas e moderados desde há um século, pesam-lhes. Fizeram de tudo para os minar. Só lhes parecem bons para, fazendo-os assinar um acordo qualquer, procurarem legitimar as suas traições eleitorais: prometeram defender/repor os direitos sociais, mas, com pena deles, não podem deixar de prosseguir as políticas de competitividade.
 
Estes homens são puros produtos do aburguesamento das sociedades europeias nos anos 1950-80, e, desligados do ramerrame do salário, não admira que não acreditem, como Valls, em “utopias do séc. XIX”. Parecem julgar que à sua volta tudo é classe média como eles, mas sabem bem que não é assim. Imaginam cada vez mais uma Europa da mesma forma como os americanos imaginam os EUA: a mobilidade social está ao alcance de todos! – e não aprenderam nada com as Ciências Sociais que, em geral, não estudaram ou lhes parecem tomadas por velhos marxistas ou utópicos ingénuos. Preferem o convívio e as lições aprendidas com grandes empresários que, na boca deles, são sempre modernizadores e criativos – sobretudo se lhes pagarem as campanhas e se colocarem as suas televisões e jornais ao serviço deles (enquanto convier aos empresários, claro). Admitem publicamente que não partilham quase nada da cultura histórica da esquerda: as revoluções – francesa, russa, portuguesa – parecem-lhes totalitárias, eram jovens de mais para terem feito alguma coisa em 1968 (ou em 1974), e quando olham para a guerra do Vietname, Che Guevara e a descolonização só vêem o que chamam geopolítica e desprezam a emoção emancipadora que atravessou o mundo. Podem hoje papaguear umas coisas sobre Mandela, às vezes Gandhi, mas sabem tanto deles quanto sabem da vida de uma operária têxtil que perde o emprego. Todos aqueles que à sua esquerda querem discutir o direito ao trabalho digno, ao descanso, à justa remuneração, ou a propriedade e a gestão democrática dos serviços públicos, parecem-lhes “esquerda conservadora”, como dizia Sócrates. Os que querem discutir os direitos dos migrantes, o racismo, o respeito pela diferença, a discriminação positiva daqueles grupos que o preconceito esmagou durante séculos, parecem-lhes “esquerda compassiva”, “misericordiosa”, como lhes chamou, com infinito desprezo, Valls, o ministro do Interior que expulsou mais imigrantes que Sarkozy e que reabriu a caça ao cigano. Sabendo bem que é assim que se conquista popularidade numa Europa cada vez mais racista.
 
Reconheço, Valls tem razão: chamarem-se socialistas já não significa nada. Nada.
 
Texto de Manuel Loff no Público
 

The Expert

terça-feira, 15 de outubro de 2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013

domingo, 21 de abril de 2013

Billy Bragg - Live on KEXP, Austin/Texas, April 2013



Billy Bragg - Live on KEXP, Austin/Texas, April 2013.
 
At his most vitriolic, Billy Bragg is still a softy. The now legendary British singer-songwriter has made a name for himself since the 80′s through crooning romantic ballads and biting political critique. Both originate from the same place; for Bragg, as for his hero Woody Guthrie, love for humankind is the heart of protest. So even though he says his intention for the latest album, Tooth and Nail, was to write about “the struggle to maintain relationships with the people that we love”, Bragg can’t help but make his voice heard on songs like “There Will Be A Reckoning” and the still-relevant Guthrie song “I Ain’t Got No Home”. His heart flowed freely during his performance at our SXSW broadcast at Mellow Johnny’s Bike Shop last month where he mixed new songs about “the ambiguity of the 21st Century” with classics like “Sexuality” and “Greetings to the New Brunette” for a packed room of fans of all ages.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Thatcher, o Mito"


A maior líder política britânica do séc. XX, depois de Winston Churchill”, escreveu anteontem João Carlos Espada sobre Margaret Thatcher. Estão “de luto” os “amigos da liberdade” pela mulher (Reagan chamava-lhe “o melhor homem” que os britânicos tinham...) que ocupou o poder na Grã-Bretanha durante 11 anos. Abriu um ciclo político de que ainda hoje a direita não saiu. Há muitas razões para Thatcher ser a mais idolatrada das líderes das direitas ocidentais desde o fi m da II Guerra Mundial. Em 1979, tomou o poder e abriu o caminho a uma viragem à direita (18 anos consecutivos de governos conservadores na Grã-Bretanha) que começou dez anos antes da queda do Muro e se ampliou a Portugal (o PSD entraria nesse ano no governo, de onde só sairia 16 anos depois), aos EUA (Reagan e Bush, 1981-93), à Alemanha (Kohl, 1982-98)... Mas daí a dizer que “conseguiu mudar não apenas a paisagem política do seu país mas a do mundo” vai um passo disparatado que só gente que a quis imitar, como Tony Blair, é capaz de dar. Thatcher foi um modelo para a direita, mas, como qualquer conservadora, não reinventou o mundo: limitou-se a querer voltar atrás 40 anos na história. Em torno dela se tem construído um autêntico mito que, como ocorre sempre, mais que discutir o passado, pretende prescrever soluções para o futuro. Para Merkel, Thatcher tinha “a liberdade individual no centro das suas crenças”. Obama, que podia ter evitado a bazófia, disse que Thatcher contribuiu para demonstrar que “podemos moldar a História com convicção moral, coragem inabalável e vontade de ferro”. Falamos, atenção, da mesma mulher que se opôs até ao fim às sanções internacionais contra o apartheid sul-africano e considerou o Congresso Nacional Africano, dirigido por Nelson Mandela, “uma típica organização terrorista” (Guardian, 8.4.2013); ou que, com os EUA, apoiou na ONU os Khmeres Vermelhos contra o novo governo cambojano colocado no poder pelas tropas vietnamitas que derrubaram o genocida Pol Pot (John Pilger, New Statesman, 17.4.2000); e que intercedeu a favor de Pinochet quando a justiça internacional o quis julgar por crimes contra a humanidade. Para ela, o ditador que deixou três mil desaparecidos e 32 mil torturados foi quem “trouxe a democracia ao Chile” (BBC News online, 26.3.1999). Thatcher disse-o atacando a sentença da Câmara dos Lordes que acedia às pretensões da justiça espanhola e à de três outros países em exigir o julgamento de Pinochet, pressionando, com sucesso, para que o governo britânico não a cumprisse. Na construção do mito, é recorrente (e de uma banalidade entediante) a comparação com Churchill. Supõe-se, assim, que Thatcher terá tido o seu Hitler. Desengane-se, porém, quem julgar que ele terá sido a ditadura militar argentina, que lhe ocupou as Malvinas (1982) (alguém julgaria que a anticomunista admiradora de Pinochet teria grandes objeções aos ditadores argentinos?). Ele foi, pelo contrário, um líder sindical, Arthur Scargill, que dirigia o Sindicato Nacional dos Mineiros quando, em 1984-85, lançou a mais longa greve de que há memória na história britânica. O ministro das Finanças de Thatcher comparou o sindicalista com Hitler, a imprensa tabloide e os serviços secretos lançaram sobre ele toda a lama que puderam e a primeira-ministra não hesitou, como não o faria um qualquer ditadorzeco, em referir-se aos sindicatos, contra quem a verdadeira batalha se fazia, como “o inimigo interior”. É verdade: ganhou três eleições consecutivas (1979, 1983, 1987), mas — qual triunfo, qual quê — nunca acima dos 44% dos votos (menos de 1/3 dos eleitores), as mais reduzidas vitórias eleitorais desde 1945, cada uma delas com menos votos que a anterior. Apesar de todos os disparates sobre “a vitória do senso comum sobre a ideologia”, Thatcher nunca convenceu os britânicos. “O seu legado é o da divisão social, egoísmo privado e o culto da ganância” (Guardian, editorial, 9.4.2013). Thatcher implantou a fórmula que nos trouxe até onde estamos: desregulação económica, empobrecimento generalizado dos assalariados, um aspirador de riqueza de baixo para cima que fez da Grã-Bretanha a mais injusta das sociedades pós-industriais. Funcionou? Durante o seu governo, e apesar de todo o petróleo escocês cujo preço subira astronomicamente, o Reino Unido passou de 5.ª para 6.ª economia mundial, ultrapassada pela Itália, atrás da França e da própria URSS em plena crise de dissolução. Hoje é a 7.ª e caminha para o 10.º lugar. Para quem gasta encómios à reforma económica (melhor seria dizer, à devastação produtiva) thatcherista, os dados da História parecem não contar para nada... A mulher que garantia que “a sociedade não existe: o que há são indivíduos e famílias”, proibiu em 1987 as escolas de ensinarem “a aceitabilidade da homossexualidade como relação familiar”. A classe social, dizia, era “um conceito comunista” — e nos 11 anos que governou, a proporção de crianças pobres duplicou (www.theyworkforyou.com, 20.6.2005). Entre a muito boa música que contra ela se compôs naqueles anos, os The The cantavam já em 1986 que “não poderão nunca ser limpas as manchas no coração de um país doente, triste e confuso. O 51.º estado dos EUA” (Matt Johnson, Heartland).

Artigo de Manuel Loff (Público 11/04/2013)