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quinta-feira, 1 de março de 2012

Esperanza Aguirre e os seus “COLEGAS” atacam Cuba

Mariela Castro, diretora do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), depois de participar numa
marcha contra a homofobia por uma avenida central de Havana. Fotografia: EPA / Alejandro Ernesto

O cúmulo da obsessão anticubana, promovida pelo actual governo espanhol tornou-se evidente quando a reaccionária e intolerante Presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, aproveitou um momento de um encontro sobre a Homofobia para lançar duros e infundados ataques contra Cuba. Durante a sua intervenção, nas jornadas “Direitos Humanos, a sociedade civil e a homossexualidade em Cuba”, que se realizaram na Casa da América, manifestou o seu “apoio e solidariedade” incondicional, tanto para com os mercenários que continuam a subverter a ordem constitucional em Cuba, como para com aqueles que promovem, a partir do exterior, a mais detestável guerra ideológica contra a Ilha, baseada na mentira e na distorção da nossa realidade. Argumentando uma inexistente e mediaticamente sobredimensionada perseguição aos homossexuais em Cuba, a representante do reaccionário Partido Popular que está no governo, utilizou um discurso político imoral e oportunista, cujo único propósito era questionar a nossa sociedade cubana. Acompanhada pelo terrorista Carlos Alberto Montaner, Calixto Navarro e Rafael Salazar, presidente da Confederação Espanhola das Associações de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (COLEGAS), pareceu esquecer-se, não só da triste história de perseguição aos homossexuais na Espanha franquista como dos entraves e obstáculos discriminatórios que ainda existem na Espanha actual.

Quis ainda ignorar, como a partir de 15 de Julho de 1954, através da Lei dos Vadios e Meleantes, um dos seus ícones políticos, o General Francisco Franco, iniciou a mais repugnante perseguição contra os homossexuais no seu país. Ignorou também, como em décadas posteriores se manteve esta mesma perseguição desenfreada e que a febre homofóbica levou à prisão de centenas de gays em Espanha. Basta recordar que nos anos 70, através da Lei da Perigosidade e Reabilitação Social, foram encarcerados em Badajoz e Huelva centenas de homossexuais, que foram torturados, inclusive com choques eléctricos, com o objectivo de tentar de mudar a sua orientação sexual. Esqueceu deliberadamente que o indulto de 25 de Novembro de 1975, bem como a amnistia de 31 de Julho de 1976, excluíram estes presos. Apesar das mudanças subsequentes que deram inicio à “movida madrileña” e de, em 1986 a homossexualidade ter deixado de constituir crime dentro das forças armada, foi o próprio Partido Popular que, durante o governo de José María Aznar (1996-2004), boicotou uma legislação para aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Após isto, apesar de este se ter legalizado a 02 de Julho de 2005, o Partido Popular tem mantido inalterada a sua posição. Espanha, apesar de ser um dos países com a legislação mais progressista do mundo, tem mantido a violência homofóbica em grande escala, ao ponto de, apenas entre 2005 e 2006, se terem feito quase 300 denúncias de ataques homofóbicos, incluindo o assassinato de jovens devido à sua orientação sexual.

Que direito, questiono, tem Esperanza Aguirre para falar sobre Cuba, no tema da discriminação aos homossexuais, se Madrid é hoje uma das cidades com mais alto índice deste tipo de marginalização, segundo informa e atesta o próprio Colectivo Gay de Madrid (COGAM)? Por seu lado Montaner, tristemente recordado da sua participação como terrorista pago pela CIA em vários atentados realizados em Cuba, tal como no assassinato de religiosos na América Central, teve o pudor de não atacar Cuba em relação a esta questão. Teve, sem embargo, de reconhecer que a nossa sociedade avançou paulatinamente sobre este delicado assunto, impulsionado pelo incansável trabalho de Mariela Castro e o CENESEX. O objectivo deste evento era atacar Cuba por qualquer motivo, assim a Senhora Aguirre, rodeada de gays e lésbicas, que o seu partido sempre desprezou, aproveitou a reunião com estes para lançar calúnias e mentiras para agradar aos seus parceiros norte-americanos.

Artigo de Percy Francisco Alvarado Godoy, para a Rebelión (tradução para português da AAPC)