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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Brasil, futebol e protestos

 
É pouco provável que os brasileiros obedeçam o pedido de Michel Platini – no passado um grande jogador, hoje político e presidente da União Europeia de Associações de Futebol (UEFA) – feito em 26 de abril: “Façam um esforço, segurem essa indignação e acalmem-se por um mês”(1). A Copa do Mundo começa em São Paulo no próximo dia 12 e encerra no dia 13 de julho, no Rio de Janeiro. Há uma séria preocupação. Não somente nas instâncias internacionais do esporte como no próprio governo de Dilma Roussef, no caso dos protestos ganharem intensidade durante o evento. O rechaço da população tem sido expressado desde junho do ano passado, quando do início da Copa das Confederações. A maioria dos brasileiros afirmam que não voltariam a postular o Brasil como sede de um mundial. Pensam que isto causa mais danos que benefícios (2). Porque tanto repúdio contra a festa suprema do futebol no país considerado a meca do próprio? Há quase um ano, sociólogos e cientistas políticos tratam de responder a esta pergunta partindo de uma constatação: nos últimos onze anos – ou seja, desde o início do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) – o nível de vida dos brasileiros cresceu significativamente. Os sucessivos aumentos do salário-mínimo conseguiram melhorar substancialmente os ganhos dos mais pobres. Graças a programas como “Bolsa Família” e “Brasil sem miséria”, as classes modestas veem suas condições de vida cada vez melhores. Vinte milhões de pessoas saíram da pobreza. A classe média também obteve progresso e agora possuem acesso a planos de saúde, cartões de crédito, moradia e veículos próprios, viagens… Porém, ainda falta muito para que o Brasil seja um país menos injusto e com condições materiais dignas para todos, porque as desigualdades seguem abismais. Ao não dispor de maioria política – nem na câmara dos deputados nem no senado – , a margem de manobra do PT sempre foi muito limitada. Para lograr avanços na distribuição das remunerações, os governantes do PT – e em primeiro lugar o próprio Lula – não tiveram outra opção que não aliar-se a partidos conservadores (3). Isto criou um vácuo de representação e uma paralisia política, pois, o PT teve de frear as contestações sociais em troca deste apoio. Daí temos cidadãos descontentes que se põem a questionar o funcionamento da democracia brasileira. Sobretudo quando as políticas sociais passam a sinalizar seus limites. Pois, ao mesmo tempo, está ocorrendo uma “crise de maturidade” da sociedade. Ao sair da pobreza, muitos brasileiros passaram da exigência quantitativa (mais empregos, mais escolas, mais hospitais) para a qualitativa (melhores empregos, escolas e serviços de saúde). Nas revoltas de 2013, pode-se constatar que os manifestantes eram na maioria jovens pertencentes as classes modestas que se beneficiam de programas sociais implementados pelos governos Lula e Dilma. Estes jovens – que estudam a noite, são aprendizes, ativistas culturais, técnicos em formação- são milhões e recebem baixa remuneração, porém, agora possuem acesso a internet e permanecem muitas horas conectados, o que lhes permite conhecer novas formas de protesto. Desejam “subir no trem”(4) deste novo Brasil até mesmo porque tiveram sua expectativa de vida aumentadas, mais que sua condição social. Mas, neste ponto, descobrem uma sociedade pouco disposta a mudar, a aceitá-los, o que gera frustração e descontentamento. E então, temos a Copa como o catalisador destas insatisfações. Obviamente, os protestos não são contra o futebol, mas sim contra algumas práticas administrativas, contra os conchavos feitos na organização do evento. O mundial exigiu um investimento estimado em 8,2 bilhões de euros. Os cidadãos pensam que, com este montante, poderiam ter ocorrido construções de mais e melhores escolas, mais e melhores casas, mais e melhores hospitais para o povo. Como o futebol é o universo simbólico e metafórico o qual mais se identificam muitos dos brasileiros, é normal que o tenham usado para chamar atenção do governo e do mundo para o que, segundo eles, não funciona no país. Nesse sentido, a copa foi reveladora. Serviu para denunciar, por exemplo, essa forma escusa de se fazer negócios com o dinheiro público. Só nos estádios, o custo final foi 300% superior ao pressuposto inicialmente. As obras foram financiadas com dinheiro público através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o qual confiou estas gigantescas obras às empresas privadas. Estas, calcularam friamente, e então deixaram atrasar os prazos de entrega, realizando uma extorsão sistemática. Sabiam que, ante as pressões da FIFA, quanto mais atrasassem a construção, maiores seriam os ganhos adicionais a receber. De maneira que os custos finais triplicaram. As manifestações denunciam estes superfaturamentos, feitos em detrimento dos precários serviços públicos de educação, saúde, transporte, etc. Estas mesmas reivindicações denunciam também as expulsões, ocorridas nas cidades sede, de milhares de famílias, desalojadas de seus lares para abrir espaço para a ampliação de aeroportos, rodovias e estádios. Estima-se que 250.000 pessoas foram vítimas destas desocupações. Outros protestam contra o processo de mercantilização do futebol que a FIFA favorece. Segundo os valores dominantes atuais – difundidos pela ideologia neoliberal-, tudo é mercadoria e o mercado é mais importante que o ser humano. Uns poucos jogadores talentosos são apresentados pelos grandes meios de comunicação como “modelos” de juventude, “ídolos” da população. Ganham milhões de euros, e seu êxito cria a ilusão de uma possível ascensão social por meio do esporte. Muitas reivindicações são dirigidas diretamente contra a FIFA, não só pelas condições que impõem para proteger os privilégios das marcas patrocinadoras do mundial (Coca Cola, McDonald’s, Budweiser, etc.) que são aceitas pelo governo, e também pelas regras que impedem, por exemplo, a venda ambulante nas proximidades dos estádios. Diversos movimentos têm por lema “Copa sem povo, tô na rua de novo”, e expressam cinco reivindicações (uma pra cada título mundial ganho pelo Brasil): moradia própria, transporte público, educação, justiça (fim da violência do Estado nas favelas e desmilitarização da polícia militar) e por último, uma sexta: que se permita a presença de vendedores informais nas imediações dos estádios. Os movimentos sociais que lideram as manifestações dividem-se em dois diferentes grupos. Uma fração radical, com o lema “Se não tiver direitos não vai ter copa”, que são os setores de maior violência, incluídos os Black Bloc com sua depredação extrema. O segundo grupo é organizado por meio de comitês populares da copa, e denunciam o “Mundial da FIFA” sem participar de mobilizações violentas. De qualquer forma, as manifestações atuais não parecem possuir a amplitude das de junho do ano passado. Os grupos radicais contribuíram pro esvaziamento dos atos, e não há uma direção orgânica do movimento. Resultado: segundo uma pesquisa recente, dois terços dos brasileiros são contra as manifestações durante a copa. E, sobretudo, desaprovam as formas violentas de protesto. Qual será o custo político de tudo isto para o governo de Dilma Roussef? As manifestações do ano passado constituíram um duro golpe na presidenta que, nas três primeiras semanas, perdeu mais de 25% de aprovação popular. Depois, a mandatária declarou escutava a “voz das ruas” e propôs uma reforma política no Congresso. Essa enérgica resposta permitiu a recuperação de parte da popularidade perdida. Desta vez, o desafio será nas urnas, porque as eleições presidenciais serão no próximo dia 5 de outubro. Dilma desponta como favorita. Porém, terá de enfrentar uma oposição agrupada em dois polos: o do centrista Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), cujo candidato será Aécio Neves; e, o muito mais temível, do polo social-democrata Partido Socialista Brasileiro (PSB), constituído pela aliança de Eduardo Campos (ex-ministro da Ciência e Tecnologia de Lula) e da ambientalista Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente de Lula). Neste cenário, decisivo não só para o Brasil como para toda a América Latina, será o desenrolar da Copa do Mundo no Brasil.
 
Referências:
(2) Folha de São Paulo, São Paulo, 8 de abril de 2014.
(3) Desde a época de Lula, a base de la coalizão que governa o Brasil é formada fundamentalmente pelo PT e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, centro-direita, além de outras pequenas forças como o Partido Progressista (PP) e o Partido Republicano de Ordem Social (PROS). (4) Leia-se Antônio David e Lincoln Secco, “Saberá o PT identificar e aproveitar a janela histórica?”, Viomundo, 26 de junio de 2013. http://www.viomundo.com.br/politica/david-e-secco-sabera-o-pt-identificar-e-aproveitar-a-janela-historica.html
 
 
Texto de Ignacio Ramonet
Tradução: Rennan Martins

quarta-feira, 19 de março de 2014

E o melhor cartoon de imprensa de 2014 é... português !

O Grande Prémio da edição deste ano do Press Cartoon Europe distinguiu Rodrigo de Matos, por um trabalho publicado no último ano no semanário Expresso. A distinção internacional foi-lhe atribuída por um trabalho publicado no Expresso Economia onde retrata a forma como o apuramento da selecção nacional de futebol para o Mundial no Brasil distraiu toda a gente da difícil situação económica atravessada por Portugal, onde perante as dificuldades e as políticas de austeridade esta surgiu como única alegria.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Carla não vai ao Mundial. E explica porquê



A brasileira Carla Dauden é directora de fotografia e vive nos EUA. Farta dos que dizem que vão ao Mundial de futebol sem saber o que se passa no Brasil, decidiu mostrar no YouTube quanto custa a organização da Copa e o cenário do país que a vai receber, em 2014. Segundo os últimos números, a organização do Mundial 2014 pode custar ao Brasil 11.500 milhões de euros.

Fonte: Público

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Democracia Corinthiana





No meio de uma estrutura falida e conservadora, um clube brasileiro consegue alterar as regras do jogo. Não em títulos, mas em condições dignas de trabalho baseadas no diálogo e no respeito.

Através de decisões coletivas, o grupo reparte igualmente responsabilidades e cumplicidades. Alcança visibilidade e a capacidade de provocar a reflexão numa sociedade que ainda luta contra a opressão da ditadura militar. O futebol, taxado de alienante, é agora mobilizador social e ergue a bandeira da democracia. Uma Democracia Corinthiana!

Homenagem ao Sócrates, o capitão da democracia corinthiana (1954-2011).

sábado, 30 de outubro de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

The World Cup and the Politics of Immigration

The World Cup has produced some mercurial moments, with defending champions Italy getting the early boot, all African teams but Ghana vanquished in the first round, and longshots like Japan and Slovakia advancing to the knockout round. We’ve heaped plenty of scrutiny on England’s lack of zest, South America’s well-deserved success, and France’s pathetic implosion. But the tournament has also provided compelling political undercurrents that deserve our attention.

For starters, several European countries with borderline draconian immigration policies have benefited massively from immigration. While the right-wing ratchets up its anti-immigrant rhetoric, it’s immigrants who have actually helped these countries achieve World Cup success. Take Germany. Without Mesut Ozil—the son of a Turkish guest worker—whose left-footed zinger against Ghana vaulted Germany to the second round, the Germans would not only be manifestly less imaginative but long ago would’ve been back in Deutschland nursing hefeweizen and watching the rest of the tournament on television. Brazilian-born Cacau has injected energy into Germany’s attack after securing citizenship last spring. His striking partner Miroslav Klose was born in Poland as was Lukas Podolski — and both were stars in Germany’s 2006 World Cup campaign.

In Switzerland, where leading political party, the Union Démocratique du Centre, has pushed anti-immigrant policy and tried to outlaw the construction of minarets, Gelson Fernandes, who was born in Cape Verde, scored the gamewinner against mighty Spain while Congo-born Blaise Nkufo has provided a consistent, muscular presence up front. And where would Portugal be without their skillful Brazilian-born trifecta of Pepe the enforcer, striker Liedson, and midfield stalwart Deco whose play was pivotal in getting Portugal to South Africa in the first place? Despite racist wailings from Arizona, the US squad has also benefited from immigration. Jozy Altidore—who was vital to US success in this World Cup—has parents who emigrated from Haiti. Altidore regularly wears a wristband with a Haitian flag on it to acknowledge his heritage — to be sure, the wristband also has an American flag on it.

Artigo completo na CounterPunch de JULES BOYKOFF

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Futebol

PANAMA CITY, Panama—Young men playing soccer in the Old City, 1999.© Alex Webb / Magnum Photos

PANAMA CITY, Panama—Young men playing soccer in the Old City, 1999. © Alex Webb / Magnum Photos

LISBON, Portugal—At Alfama, the old district of the town, 1994. © HG / Magnum Photos

TURKEY—Young Kurds near Erzurum, 1991. © Nikos Economopoulos / Magnum Photos

BOLTON, LANCASHIRE, England—Football fans in costume (a nun and Batman) cheer their team, the Bolton Wanderers, 1997. © Ian Berry / Magnum Photos

La vida es una tombola...na África do Sul a partir de hoje.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Portugal Sec. XXI


"Que me desculpe o povo deste país mas gente mais aparvalhada não há. É comodista, resignado e pouco dado a incomodar-se. Não sai à rua para defender os direitos que todos os dias lhe roubam, não sai à rua para defender os empregos que lhe tiram, não sai à rua para defender os salários que cada dia são mais de miséria, não sai à rua para correr com os corruptos que por ai andam, não sai à rua para exigir justiça, não sai à rua para acabar com a pouca vergonha dos compadrios pagos a milhões nem para impedir que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado para salvar os bancos e não o país. Não sai à rua para lutar mas vai em peso saltar para a rua quando o seu clube ganha um campeonato e vai voltar a sair para ver o papa. Depois, quando tudo desabar, lá vão a Fátima pedir aos santinhos que os salvem. Ontem à noite bem tentei saber notícias deste país e deste mundo, mas só dava futebol e mais futebol. Horas e horas como se nada mais fosse importante. Hoje saltaram de alegria e amanha vão ver o papa. Bons temas de conversa para terem depois de amanha na bicha do centro de emprego."


Roubado na integra (texto e imagem) do WEHAVEKAOSINTHEGARDEN