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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Neocolonialismo e « crise dos migrantes »

A « crise dos migrantes » diminui actualmente na Europa, mas deverá ampliar-se de maneira dramática nos próximos anos. As gigantescas deslocações da população que se preparam, são a consequência da exploração económica contemporânea da África.

Dos Estados Unidos à Europa, a “crise dos migrantes” suscita polémicas acesas, internas e internacionais, sobre a política a adoptar a respeito das correntes migratórias. No entanto, essas polémicas são representadas de acordo com um estereótipo que altera a realidade: o dos “países ricos” forçados a sofrer a crescente pressão migratória dos “países pobres”.

Esconde-se a causa de fundo: o sistema económico que, no mundo, permite que uma pequena minoria acumule riqueza à custa da crescente maioria, empobrecendo-a e provocando, assim, a emigração forçada.

A respeito dos fluxos migratórios para os Estados Unidos, o caso do México é exemplificador. A sua produção agrícola desabou quando, com o NAFTA (o acordo norte-americano de comercio “livre”), os EUA e o Canadá inundaram o mercado mexicano com produtos agrícolas baratos graças aos seus subsídios estatais. Milhões de agricultores ficaram sem trabalho, avolumando a força de trabalho recrutada nas ‘maquiladoras’ : milhares de plantações industriais ao longo da fronteira no território mexicano, pertencentes ou controladas principalmente por empresas dos EUA, onde os salários são muito baixos e os direitos sindicais inexistentes. Num país onde cerca de metade da população vive na pobreza, a massa daqueles que procuram entrar nos Estados Unidos aumentou. Daí o Muro ao longo da fronteira com o México, iniciado pelo presidente democrata Clinton quando o NAFTA entrouem vigor em 1994, continuado pelo republicano Bush, fortalecido pelo democrata Obama, o mesmo muro que o republicano Trump completaria agora em todos os 3000 km de fronteira.

No que concerne os fluxos migratórios para a Europa, o caso da África é típico. Ela é rica em matérias-primas: ouro, platina, diamantes, urânio, coltan, cobre, petróleo, gás natural, madeira preciosa, cacau, café e muitas outras. Estes recursos, explorados pelo antigo colonialismo europeu com métodos de escravidão, são agora explorados pelo neocolonialismo europeu, fomentando elites africanas no poder, mão-de-obra local de baixo custo e controlo dos mercados internos e internacionais. Mais de cem empresas citadas na Bolsa de Valores de Londres, tanto no Reino Unido como noutros lugares, exploram em 37 países da África Subsaariana, recursos minerais num valor superior a 1 bilião de dólares.

A França controla o sistema monetário de 14 antigas colónias africanas através do Franco CFA (originalmente um acrónimo de “Colónias Francesas de África”, reciclado como “Comunidade Financeira Africana”): para manter a paridade com o euro, os 14 países africanos têm de pagar ao Tesouro Francês, metade das suas reservas cambiais. O Estado líbio, que queria criar uma moeda africana autónoma, foi demolido pela guerra, em 2011. Na Costa do Marfim (região CFA), as empresas francesas controlam a maior parte do marketing de cacau, do qual o país é o maior produtor mundial: os pequenos agricultores têm apenas 5% do valor do produto final, tanto que a maioria deles vive na pobreza. Estes são apenas alguns exemplos da exploração neocolonial do continente.

A África, apresentada como dependente de ajuda externa, fornece um pagamento líquido anual de cerca de 58 biliões de dólares ao exterior. As consequências sociais são devastadoras. Na África Subsaariana, cuja população ultrapassa um bilião de habitantes e 60% da mesma é composta por crianças e jovens de 0 aos 24 anos, cerca de dois terços da população, vive na pobreza e, entre estes, cerca de 40% - isto é 400 milhões – vivem em condições de extrema pobreza.

A “crise dos migrantes” é, na realidade, a crise de um sistema económico e social insustentável.
 
Artigo de Manlio Dinucci
Fonte Foicebook

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Paris 2017


Um homem aquece-se no vapor que se levanta de uma tampa de um respirador. Paris, França, 26 de Janeiro de 2017.3 Fotografia Olivier Morin / AFP/Getty Images

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Marc Riboud (1923 - 2016)

Washington, 21 octobre 1967. devant le Pentagone, lors d'une marche pour la paix au Vietnam, Jan Rose Kasmir donne un beau visage à la jeunesse américaine. Photographie de Marc Riboud
 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Assim fazem os gauleses !



Trabalhadores invadem sede da Air France e obrigam membros da direção a fugir.
Alta tensão na Air France, esta segunda-feira. Um milhar de trabalhadores invadiu a sede, em Roissy, e interrompeu uma reunião do Comité Central da Empresa, um órgão onde se sentam os representantes dos trabalhadores e da administração. A direção da transportadora aérea francesa confirmou, durante a manhã, que o novo plano de reestruturação contempla o fim de 2900 postos de trabalho. A revolta de alguns trabalhadores culminou, com o diretor dos recursos humanos, Xavier Broseta, a abandonar o local de torso nu e a saltar uma vedação.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ibeyi







Ibeyi é um duo franco-cubano constituído pelas gêmeas Lisa-Kaindé e Naomi Díaz. Cantam em inglês e iorubá, língua africana que chegou a Cuba com a importação de escravos e é lá chamada de lucumi (Wikipedia)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

OS ASSASSINOS DO CHARLIE HEBDO




O que pensarão os sobreviventes civis de um ataque norte-americano no Paquistão? É certo que as bombas vêm de Washington mas se não houvesse talibãs talvez não existisse guerra. Não creio que o vejam assim. Não há lucidez para essas coisas quando estilhaçam a tua família pelos ares. Os culpados são os norte-americanos, ponto. O que pensarão os sobreviventes civis de um atentado islâmico em Paris? É certo que as metralhadoras foram empunhadas por homens que gritavam por Alá mas se a França não tivesse apoiado a guerra contra Kadafi e Bashar al-Assad talvez não houvesse atentados. Neste caso, repetindo o mesmo exercício, os culpados são os muçulmanos, ponto. Não, não há mesmo lucidez para perceber que as vítimas das guerras são sempre os mesmos. Os trabalhadores e os povos que enchem rios de sangue para ilustrar o extremismo religioso que alimenta o fanatismo e abre caminho ao imperialismo. Foi sempre assim. 

Nos anos 80, no Afeganistão, as mulheres andavam de mini-saia, conduziam, estudavam e levavam uma vida dentro do que se pode considerar a normalidade dita ocidental. Os Estados Unidos financiaram, treinaram e armaram os talibãs e afogaram o país na Idade Média. A exaltação da religião contra as forças do progresso conduziu à desgraça que se conhece e anos mais tarde milhares de trabalhadores norte-americanos pagavam com a própria vida a tragédia das Torres Gémeas. Na Palestina, Israel - um país inventado pelo extremismo sionista - abriu caminho ao reforço de movimentos religiosos como o Hamas para evitar a direcção laica e progressista da luta pela libertação nacional daquele país.

A mesma receita foi instigada uma e outra vez. Nos últimos anos, os Estados Unidos e a União Europeia financiaram, treinaram e armaram milhares de homens cujo propósito era derrubar regimes laicos ou progressistas. Fizeram-no para acabar com Muammar Kadaffi e fizeram-no, até agora sem sucesso, para derrubar Bashar al-Assad. A Líbia era o país que encabeçava os índices de qualidade de vida de todo o continente africano. Agora, no protectorado europeu e norte-americano, a selvajaria religiosa levada ao extremo enfia imigrantes negros em jaulas do velho jardim zoológico de Tripoli. Na Síria, o que há é um país absolutamente devastado, imerso numa guerra civil. O Iraque tampouco se levanta do caos em que se mantém há mais de uma década. O que acontece hoje naqueles países é responsabilidade directa dos governos norte-americano e europeus, incluindo o de Portugal.

O que se passou hoje na redacção do Charlie Hebdo, em Paris, foi um crime horrendo. Foi um atentado contra a liberdade de expressão e de imprensa. Nos próximos dias, veremos gente em todas as partes a apontar os dedos aos muçulmanos - principalmente, Marine Le Pen e a Frente Nacional - enquanto nos corredores dos bancos e das grandes empresas se conta o dinheiro do saque roubado através dos recursos naturais do Norte de África e Médio Oriente. No Estado espanhol, quando explodiram bombas nos comboios de Madrid, as vítimas eram trabalhadores. Como em Paris, como em Islamabad, como em Alepo, como em Bengazi, como em Cabul. A fúria dos povos do Estado espanhol rebentou porque perceberam que o governo de Aznar lhes mentira sobre a autoria dos atentados e porque perceberam que aquela era uma resposta a uma guerra contra outro povo.

Falta a lucidez de se clarificar quem, de facto, foram os autores do crime perpetrado em Paris. Quem quer que tenha sido merece ser perseguido, julgado e castigado. Mas para lá das sombras com que comentadores, politólogos, jornalistas queiram esconder a verdade mais crua devemos perceber que o imperialismo vive uma fase agressiva. Instalou o caos na vida dos povos do Norte de África, do Médio Oriente, na Ucrânia e na Venezuela. Apontar o dedo contra o extremismo islâmico sem apontar o dedo contra quem o financiou, treinou e armou é um insulto à memória dos que caem sob a barbárie da guerra.

Hoje, todos se dizem Charlie. Eu também sou. Mas devemos sê-lo todos os dias denunciando sem ceder à auto-censura quando se refere aos que nos conduzem à miséria, à exploração e à guerra. Há quem hipocritamente se diga hoje Charlie para amanhã esconder quem é que deu armas ao ISIS, à al-Qaeda e a outros grupos. Amanhã, esses, vão guardar silêncio para os crimes do extremismo religioso israelita contra o povo palestiniano. Ou vão inventar novas armas de destruição massiva para justificar matanças pelo mundo fora. Os jornais e os jornalistas que se auto-censuram - ou que manipulam de peito erguido - também são culpados do que se passou hoje na redacção do Charlie Hebdo. Todos, sem excepção, grandes grupos económicos e financeiros, incluindo os governos, partidos, jornais e mercenários em que mandam, merecem a nossa repulsa. São eles os assassinos do Charlie Hebdo. E a nós cabe-nos defender a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade religiosa dentro dos limites de uma sociedade laica. Mas, principalmente, cabe-nos defender a paz e um mundo de justiça social. Esses princípios são os verdadeiros inimigos do imperialismo, do fascismo e do extremismo religioso.

Texto de Bruno Carvalho publicado no blog Manifesto 74


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Valls, como Blair, como Sócrates…

Em cima de queda, coice! Foi a Manuel Valls, o Sarkozy do PS francês, que François Hollande se lembrou de chamar para chefiar o governo, de que o próprio já fazia parte como ministro das polícias (Sarkozy bem sabia o jeito que dá essa pasta nestes anos de pós-11 de setembro!), depois da forte derrota eleitoral face à direita causada por uma deserção de uma parte muito importante do eleitorado popular que votara socialista em eleições anteriores.
 
Hollande e o PS francês caminham para o suicídio político: depois de dececionar todos quantos dele esperavam a proteção dos direitos sociais adquiridos e o confronto com o austeritarismo liberalão que Merkel e Sarkozy impuseram ao resto da Eurozona em favor da economia alemã e das troikas, os socialistas querem copiar a direita que derrotaram há menos de dois anos arranjando um homem que imita Sarkozy. Como Blair imitou Thatcher, como Renzi imita Berlusconi (e este, por mais pateticamente original que pareça, copiara já tiques caceteiros doutro socialista, Craxi), como Sócrates imitou o Cavaco dos dez anos à frente do governo em Portugal. Em todos os casos, plana um estranho raciocínio marketeiro de que com eles é que se ganham eleições – e que é isso que importa. O próprio Valls assumiu-o numa conversa informal com os jornalistas há meses: “O importante [para um dirigente político] é ganhar estatura, ser capaz de responder a uma procura de autoridade, de clareza, de visibilidade e de força!” (Libération, 1.4.2014) Eu sei que os socialistas gostam de falar de bem-estar, de desenvolvimento sustentado, de justiça social, mas afinal é isto que preocupa quem eles põem à frente dos governos.
 
O que têm em comum todos estes líderes da socialdemocracia europeia dos últimos 20 anos, os da treta do Fim da História? O buraco que cavaram dentro si próprios ao decretar o fim das ideologias (Valls acha que o adjetivo socialista “é datado, já não significa nada”, e por isso publicou em 2008 o livro Pour en finir avec le vieux socialisme... et être enfin de gauche!) é habitualmente coberto por uma ambição pessoal desmedida, que, curiosamente, é tida pelos seus apoiantes como uma garantia de determinação e empenho. Passaram pelos movimentos estudantis (umas vezes vindos da extrema-esquerda, outras, como Blair e Sócrates, da própria direita), dali foram diretamente para cargos partidários, deputados, assessores. Nos países do Sul, viraram maçons. Apostaram na comunicação. Seduzir jornalistas está-lhes no sangue. Quando não conseguem, movem cordelinhos para os reduzir a pó. Nunca vêm, isso não, do mundo do trabalho, ao contrário de muitos dos seus antecessores até aos anos 70, sobretudo na Europa do Norte. Os sindicatos associados aos socialistas (e que deram origem a estes partidos no séc. XIX), apesar de reformistas e moderados desde há um século, pesam-lhes. Fizeram de tudo para os minar. Só lhes parecem bons para, fazendo-os assinar um acordo qualquer, procurarem legitimar as suas traições eleitorais: prometeram defender/repor os direitos sociais, mas, com pena deles, não podem deixar de prosseguir as políticas de competitividade.
 
Estes homens são puros produtos do aburguesamento das sociedades europeias nos anos 1950-80, e, desligados do ramerrame do salário, não admira que não acreditem, como Valls, em “utopias do séc. XIX”. Parecem julgar que à sua volta tudo é classe média como eles, mas sabem bem que não é assim. Imaginam cada vez mais uma Europa da mesma forma como os americanos imaginam os EUA: a mobilidade social está ao alcance de todos! – e não aprenderam nada com as Ciências Sociais que, em geral, não estudaram ou lhes parecem tomadas por velhos marxistas ou utópicos ingénuos. Preferem o convívio e as lições aprendidas com grandes empresários que, na boca deles, são sempre modernizadores e criativos – sobretudo se lhes pagarem as campanhas e se colocarem as suas televisões e jornais ao serviço deles (enquanto convier aos empresários, claro). Admitem publicamente que não partilham quase nada da cultura histórica da esquerda: as revoluções – francesa, russa, portuguesa – parecem-lhes totalitárias, eram jovens de mais para terem feito alguma coisa em 1968 (ou em 1974), e quando olham para a guerra do Vietname, Che Guevara e a descolonização só vêem o que chamam geopolítica e desprezam a emoção emancipadora que atravessou o mundo. Podem hoje papaguear umas coisas sobre Mandela, às vezes Gandhi, mas sabem tanto deles quanto sabem da vida de uma operária têxtil que perde o emprego. Todos aqueles que à sua esquerda querem discutir o direito ao trabalho digno, ao descanso, à justa remuneração, ou a propriedade e a gestão democrática dos serviços públicos, parecem-lhes “esquerda conservadora”, como dizia Sócrates. Os que querem discutir os direitos dos migrantes, o racismo, o respeito pela diferença, a discriminação positiva daqueles grupos que o preconceito esmagou durante séculos, parecem-lhes “esquerda compassiva”, “misericordiosa”, como lhes chamou, com infinito desprezo, Valls, o ministro do Interior que expulsou mais imigrantes que Sarkozy e que reabriu a caça ao cigano. Sabendo bem que é assim que se conquista popularidade numa Europa cada vez mais racista.
 
Reconheço, Valls tem razão: chamarem-se socialistas já não significa nada. Nada.
 
Texto de Manuel Loff no Público
 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Caso Evo Morales/Edward Snowden: 25 verdades

O caso Edward Snowden esteve na origem de um grave incidente diplomático entre a Bolívia e vários países europeus. Após uma ordem de Washington, França, Itália, Espanha e Portugal proibiram que o avião presidencial de Evo Morales sobrevoasse seus territórios.    

1. Após uma viagem oficial à Rússia para assistir a uma cimeira de países produtores de gás , o Presidente Evo Morales tomou o seu avião para regressar à Bolívia. 

2. Os Estados Unidos, a pensar que Edward Snowden – ex-agente da CIA e da NSA autor das revelações sobre as operações de espionagem do seu país – se encontrava no avião presidencial ordenou a quatro países europeus (França, Itália, Espanha e Portugal) que proibissem o sobrevoo do mesmo nos seus respectivos espaços aéreos.

3. Paris cumpriu imediatamente a ordem procedente de Washington e cancelou a autorização de sobrevoo do seu território que havia concedido à Bolívia em 27 de Julho de 2013, quando o avião presidencial se encontrava a apenas alguns quilómetros das fronteiras francesas.

4. Assim, Paris pôs em perigo a vida do Presidente boliviano, o qual teve efectuar aterragem de emergência na Áustria por falta de combustível.

5. Desde 1945, nenhuma nação do mundo impediu um avião presidencial de sobrevoar o seu território.

6. Paris, além de desencadear uma crise de extrema gravidade, violou o direito internacional e a imunidade diplomática absoluta de que goza todo Chefe de Estado.

7. O governo socialista de François Hollande atentou gravemente contra o prestígio da nação. A França surge perante os olhos do mundo como um país servil e dócil que não vacila um só instante em obedecer às ordens de Washington, contra os seus próprios interesses.

8. Ao tomar semelhante decisão, Hollande desprestigiou a voz da França na cena internacional.

9. Paris tornou-se também objecto de riso no mundo inteiro. As revelações feitas por Edward Snowden permitiram descobrir que os Estados Unidos espionavam vários países da União Europeia, dentre os quais a França. Após estas revelações, François Hollande pediu pública e firmemente a Washington que parasse estes actos hostis. Não obstante, no seu âmago, o Palácio do Eliseu segue fielmente as ordens da Casa Branca.

10. Depois de descobrir que se tratava de uma informação falsa e que Snowden não se encontrava no avião, Paris decidiu anular a proibição.

11. Itália, Espanha e Portugal também cumpriram as ordens de Washington e proibiram a Evo Morales o sobrevoo dos seus territórios, até mudarem de opinião depois de saberem que a informação não era verídica e permitirem ao Presidente boliviano continuar a sua rota.    
   


Bolivianos queimam bandeiras de França e da UE em La Paz em frente da embaixada francesa.
 
12. Antes disso, a Espanha até exigiu revistar o avião presidencial em violação de todas as normas legais internacionais. "Isto é uma chantagem, não o vamos permitir por uma questão de dignidade. Vamos esperar todo o tempo necessário", respondeu a Presidência boliviana. "Não sou um criminoso", declarou Evo Morales.

13. A Bolívia denunciou um atentado contra a sua soberania e contra a imunidade do seu presidente. "Trata-se de uma instrução do governo dos Estados Unidos", segundo La Paz.

14. A América Latina condenou unanimemente a atitude da França, Espanha, Itália e Portugal.

15. A União de Nações Sul Americanas (UNASUL) convocou com urgência uma reunião extraordinária após este escândalo internacional e exprimiu sua "indignação" pela voz do seu secretário-geral Ali Rodríguez.

16. A Venezuela e o Equador condenaram "a ofensa" e "o atentado" contra o Presidente Evo Morales.

17. O Presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, condenou "uma agressão grosseira, brutal, inadequada e não civilizada".

18. O Presidente equatoriano Rafael Correa exprimiu sua indignação: "Nossa América não pode tolerar tanto abuso!"

19. A Nicarágua denunciou o caso como "acção criminosa e bárbara".

20. Havana fustigou o "acto inadmissível, infundado e arbitrário que ofende toda a América Latina e o Caribe".

21. A Presidente argentina Cristina Fernández exprimiu a sua consternação: "Definitivamente estão todos loucos. Chefe de Estado e seu avião têm imunidade total. Não pode ser este grau de impunidade".

22. Mediante a voz do seu secretário-geral José Miguel Insulza, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou a decisão dos países europeus. "Não existe circunstância alguma para cometer tais acções em prejuízo do Presidente da Bolívia. Os países envolvidos devem dar uma explicação das razões pelas quais tomaram esta decisão, particularmente porque ela pôs em risco a vida do primeiro mandatário de um País Membro da OEA".

23. A Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA) denunciou "uma flagrante discriminação e ameaça à imunidade diplomática de um Chefe de Estado".

24. Em vez de conceder o asilo político à pessoa que lhe permitiu descobrir que era vítima de espionagem hostil, a Europa, particularmente a França, não vacila em criar uma grave crise diplomática com o objectivo de entregar Edward Snowden aos Estados Unidos.

25. Este caso ilustra que se a União Europeia é uma potência económica, é uma anã política e diplomática incapaz de adoptar uma postura independente para com os Estados Unidos.
 
Texto de Salim Lamrani  (tradução para PT de resistir.info)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cinco metros e Oitenta centimetros



"5,80"
Short film by Nicolas Devaux.
Produced by Cube Creative Productions & Orange.
With the participation of Arte, the support of the City of Paris and the partnership of CNC.

Georges Moustaki (1934 - 2013)



Georges Moustaki (1934-2013)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ocupação da fábrica de Citroën de Javel (1938)


Ocupação da fábrica de Citroën de Javel (1938). Fotografía de Willy Ronis.

Em março de 1938, o fotógrafo Willy Ronis foi cobrir uma greve na fabrica da Citroën-Javel para a revista "Regards". De volta à sua casa, fez uma rápida seleção das fotografias e as enviou para a revista, deixando de lado a imagem publicada acima. Somente em 1980 Willy Ronis, revendo todos os seus negativos, redescobriu esta foto e decidiu publicá-la no jornal l'Humanité. Alguns dias depois, Willy recebeu uma carta de Rose Zehner, que se reconheceu na fotografia. Assim começou uma troca de correspondências entre eles. Rose, que ficou órfã aos 09 anos de idade, tornou-se operária e sindicalista ainda muito jovem, onde era conhecida como “o lobo branco”. Em 1982, quarenta e quatro anos depois, foi organizado e filmado o encontro entre os dois num antigo bistrô próximo à fabrica. Fonte: Luis Nassif

sábado, 13 de outubro de 2012

A compra do silêncio

 
Chama-se Rami el Obeidi, o nome talvez não diga nada à maioria dos leitores, mas ficam um pouco mais informados se lhes disser que foi o chefe dos serviços de espionagem do Conselho Nacional de Transição (CNT), a organização montada por países europeus e da Península Arábica e sustentada militarmente pela OTAN que derrubou Muammar Khaddafi na Líbia há um ano. Obeidi, segundo reza a biografia sintética publicada em algumas agências e jornais europeus, era uma espécie de interface com os serviços secretos europeus envolvidos na operação de mudança de regime em Tripoli. Obeidi não era, portanto, uma pessoa qualquer, e muito menos desinformada nos assuntos que diziam respeito à sua actividade.

Rami el Obeidi falou durante os últimos dias. E disse, sem hesitar, que Khaddafi "foi executado directamente por agentes franceses" numa "operação comandada pela DGSE (os serviços franceses de espionagem externa) e por responsáveis do Eliseu", o palácio presidencial de Paris, então habitado por Nicolas Sarkozy. Em português directo e sem rodeios, o ex-chefe de Estado da Líbia foi executado por altos responsáveis do Estado francês, com envolvimento do próprio palácio presidencial.

Para Obeidi, dirigentes líbios actuais e jornalistas que investigaram o escândalo, o móbil do crime também não é segredo: Sarkozy recebeu do seu antigo amigo Khaddafi a módica quantia de 50 milhões de euros com que financiou a campanha e se fez eleger Presidente de França em 2007. A justiça francesa está, aliás, a tratar do assunto e o ex-espião do CNT líbio não tem dúvidas de que o assunto, e também a escusa de Khaddafi em honrar alguns contratos milionários de energia e armamento combinados com Sarkozy, fizeram com que "alguém no Eliseu quisesse a morte rápida" do antigo dirigente máximo da Líbia. Tanto mais que – o que acelerou o processo – Khaddafi fez saber que ou o deixavam em paz ou, em português vernáculo, punha a boca no trombone sobre os financiamentos.

A execução extrajudicial de Khaddafi às mãos de agentes franceses funcionou assim como uma "compra de silêncio", uma atitude que os italianos se habituaram a qualificar como "de matriz mafiosa" e que na Mafia se reduz a uma palavra: "omertà", boca calada.

Até aqui tínhamos vindo a discorrer sobre questões, peculiares é certo, de política internacional e, num ápice, entrámos com naturalidade por terrenos mafiosos.

Deveríamos supor que assuntos internacionais e Mafia não poderiam confundir-se, são até antagónicos, por definição. A realidade, como se percebe, é outra. Há comportamentos de "matriz mafiosa" na política internacional envolvendo entidades que deveriam encarnar em si mesmas as virtudes da democracia e da transparência. O que é não apenas escandaloso como inquietante.

Mahmmud Jibril, antigo superior hierárquico de Obeidi e ex-presidente do Conselho Nacional de Transição disse um dia destes a uma televisão egípcia que "muitos serviços secretos árabes e ocidentais estavam interessados em que Khaddafi se calasse para sempre". Afinal os podres conhecidos pelo ex-chefe líbio não se limitavam ao financiamento da campanha de Sarkozy e contratos de armas e petróleo não cumpridos.

O pelotão de fuzilamento comandado pela DGSE francesa serviu muitos outros interesses. Afinal, a velha tradição mafiosa da "omertà" está viva e recomenda-se, alargou horizontes para os assuntos internacionais e graças a ela presidentes, reis, emires e sheiks podem reinar e dormir de consciência tranquila.
 
Artigo de José Goulão, jornalista e especialista em Médio Oriente.

Publicado no  http://resistir.info/

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ciganos deportados

Ciganos de origem romena são expulsos do seu acampamento pela policia francesa para serem posteriormente deportado para o país de origem. Fotografia de Miguel Medina (AFP).

terça-feira, 16 de março de 2010

Protesta a Greenpeace


Protesto organizado pela Greenpeace contra a construção de um reactor nuclear em Penly, França. Fotografia Robert François/AFP.