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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Bolívia, golpe silenciado

A Bolívia continua a viver sob um estado de excepção não declarado. A tentativa de institucionalização do golpe de estado de 10 de Novembro, que obrigou à saída do país do presidente legítimo Evo Morales, é feita à custa da repressão alargada, da instauração do ódio anti-índigena e de um clima de caça às bruxas. À semelhança do acosso antidemocrático de outros países sul-americanos, como o Brasil e o Equador, a penetração e manipulação da Justiça pelas forças reaccionárias faz parte do seu modus operandi. Funciona assim o princípio de inversão da verdade. A vitória por expressiva margem de Evo Morales nas presidenciais de 20 de Outubro é transformada, com o concurso da autoridade ‘imparcial’ da OEA de Almagro, em ‘fraude’, e o governo e poder terrorista de facto impõe a criminalização dos protestos contra o golpe e a usurpação da vontade popular expressa nas urnas. Os grupos de terror que agrediram e sequestraram dirigentes do governo anterior, deputados do parlamento e eleitos do poder local do Movimento ao Socialismo (MAS) gozam de plena impunidade. Não se conhecem medidas de coacção contra os responsáveis policiais e militares pelo assassinato de dezenas de manifestantes nos primeiros dias após o golpe. Ao invés, contra Morales, que sob chantagem e risco de vida apresentou a renúncia e logrou com a ajuda do México partir para o exílio, é emitido um mandado de captura por «terrorismo e sedição». Dirigentes do MAS e ex-membros do governo continuam a ser presos indiscriminadamente e o governo usurpador anunciou a investigação de 592 pessoas ligadas ao poder deposto. Como referiu um dos principais líderes do movimento camponês, Andrónico Rodríguez, está em curso uma operação sistemática para «decapitar e destroçar» a direcção do MAS.


É pois sob um regime de terror que o governo presidido pela autoproclamada Jeanine Áñez deseja manter a fachada democrática, apontando a realização de novas eleições como a água benta para extirpar as manchas do golpe. Foi o principal general golpista, Kaliman, a colocar-lhe a faixa presidencial no palácio Quemado depois da sua nomeação no Senado, numa sessão em que os deputados do MAS – em maioria nas duas câmaras do parlamento – foram mantidos à distância. Desde então o parlamento reassumiu funções de forma coarctada. Kaliman e os restantes comparsas do alto comando militar partiram para os EUA, premiados pela alta-traição. E o governo interino assumiu prerrogativas que extravasam largamente as de um governo de gestão, numa maratona contra o legado de 13 anos de conquistas progressistas. Para além da repressão feroz, do ‘reconhecimento’ de Guaidó na Venezuela e o ingresso no grupo de Lima, a saída da ALBA e as mudanças em empresas chave do sector público, antecipando o seu regresso às mãos das multinacionais, são apenas algumas das medidas do governo golpista.

Tudo isto com o beneplácito de Trump e ao abrigo da revigorada doutrina Monroe do imperialismo dos EUA. Mas também a tíbia reacção da ONU e a conivência da UE. Para os paladinos dos ‘direitos humanos’ não importa sequer que a Bolívia do primeiro presidente índio se tenha convertido num exemplo na América Latina do combate à pobreza extrema e do desenvolvimento económico e social. Como, por cá, Santos Silva que optou pelo silêncio, em mais uma demonstração indigna e perigosa de servilismo.

Fonte: Avante
Artigo de Luís Carapinha

domingo, 8 de dezembro de 2019

How poor people survive in the USA



Homelessness, hunger and shame: poverty is rampant in the richest country in the world. Over 40 million people in the United States live below the poverty line, twice as many as it was fifty years ago. It can happen very quickly.vMany people in the United States fall through the social safety net. In the structurally weak mining region of the Appalachians, it has become almost normal for people to go shopping with food stamps. And those who lose their home often have no choice but to live in a car. There are so many homeless people in Los Angeles that relief organizations have started to build small wooden huts to provide them with a roof over their heads. The number of homeless children has also risen dramatically, reaching 1.5 million, three times more than during the Great Depression the 1930s. A documentary about the fate of the poor in the United States today.

Deutsche Welle, 27/11/2019

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Julian Assange pode não viver até o final do processo de extradição

– O silêncio conivente dos media e dos jornalistas corporativos é ensurdecedor
– O caso de Assange é uma infâmia maior que o affaire Dreyfuss
– É uma tentativa de assinalar aos jornalistas as consequências de publicar informação relevante

por Craig Murray [*]


Fiquei profundamente abalado ao testemunhar os acontecimentos no Tribunal de Magistrados de Westminster, segunda-feira 21 de Outubro. Todas as decisões foram tomadas às pressas, mal ouvindo os argumentos e objecções da equipa jurídica de Assange, por uma magistrada que nem sequer pretendia estar a ouvi-las.

Antes de entrar nesta ausência flagrante de um processo justo, a primeira coisa que devo observar foi a condição de Julian. Fiquei muito chocado com o peso que o meu amigo perdeu, com a velocidade com que o seu cabelo caiu e com a sua aparência de envelhecimento prematuro e muito rápido. Ele está também a coxear de forma muito pronunciada, o que nunca vi antes. Desde a sua prisão, ele perdeu mais de 15 kg de peso.

Mas sua aparência física não era tão chocante quanto sua deterioração mental. Quando lhe pediram para dizer o nome e data de nascimento, ele lutou visivelmente por alguns segundos para se lembrar de ambos. Chegarei ao conteúdo importante de sua declaração no final do processo no devido tempo, mas a sua dificuldade em fazê-la era muito evidente; foi uma verdadeira luta para ele articular as palavras e concentrar-se na sua linha de raciocínio.

Até então, sempre fui discretamente céptico em relação àqueles que alegavam que o tratamento de Julian representava tortura – mesmo depois de Nils Melzer , relator especial da ONU sobre tortura, o afirmar – e céptico em relação àqueles que sugeriam que ele poderia estar sujeito a tratamentos de drogas debilitantes. Porém, depois de ter participado em julgamentos no Uzbequistão de várias vítimas de tortura extrema e de ter trabalhado com sobreviventes da Serra Leoa e de outros lugares, posso dizer que ontem mudei de ideias completamente: Julian exibiu exactamente os sintomas de uma vítima de tortura trazida para a luz, particularmente em termos de desorientação, confusão e verdadeira luta para reivindicar o livre arbítrio através da névoa de uma extrema debilidade adquirida.

Fiquei ainda mais céptico em relação àqueles que alegaram, como um membro sénior da sua equipa jurídica me fez na véspera da audiência, que estavam preocupados com o facto de Julian poder não viver até o fim do processo de extradição. Agora vejo-me não apenas a acreditar, mas assombrado por este pensamento. Todos no tribunal viram que um dos maiores jornalistas e dissidentes mais importantes do nosso tempo está a ser torturado até a morte pelo Estado, diante de nossos olhos.

Ver o meu amigo, o homem mais articulado, o pensador mais rápido que já conheci, reduzido àquele naufrágio e destruição incoerente, era insuportável. No entanto, os agentes do Estado, particularmente a insensível magistrada Vanessa Baraitser, não estavam apenas preparados, mas ansiosos por fazer parte desta força destruidora. Na verdade, ela disse-lhe que, se ele fosse incapaz de seguir os procedimentos, os seus advogados poderiam explicar-lhe mais tarde o que havia acontecido. A questão de saber por que um homem que, pelas próprias acusações contra ele era altamente inteligente e competente, fora reduzido pelo Estado a alguém incapaz de seguir um processo judicial, não lhe deu um milissegundo de preocupação.

A acusação contra Julian é muito específica: conspiração com Chelsea Manning para publicar documentos da Guerra do Iraque, da guerra do Afeganistão e telegramas do Departamento de Estado. As acusações não têm nada a ver com a Suécia, nada com sexo e nada com as eleições de 2016 nos EUA; seria uma simples clarificação que os grandes media parecem incapazes de entender.

O objectivo da audiência foi determinar o cronograma do processo de extradição. Os pontos principais em questão eram que a defesa de Julian solicitava mais tempo para preparar as suas evidências, argumentando que ofensas políticas fossem especificamente excluídas do tratado de extradição. Argumentaram que deveria haver, portanto, uma audiência preliminar para determinar se o tratado de extradição seria aplicável.

As razões apresentadas pela equipa de defesa de Assange por mais tempo para se preparar foram convincentes e surpreendentes. Eles tiveram um acesso muito limitado ao cliente na prisão e só haviam sido autorizados a entregar-lhe documentação uma semana antes. Ele também tinha acabado de ter autorização para um acesso limitado ao computador e todos os seus registos e materiais relevantes haviam sido apreendidos na Embaixada do Equador pelo Governo dos EUA; ele não tinha acesso aos seus próprios materiais com o objectivo de preparar a sua defesa.

Além disso, argumentou a defesa, entraram em contacto com os tribunais espanhóis sobre um caso jurídico em Madrid muito importante e relevante que forneceria provas vitais. Mostraria que a CIA estava a ordenar a espionagem directa a Julian na embaixada, através de uma empresa espanhola, a UC Global, contratada para fornecer segurança na embaixada. Fundamentalmente, isso incluía espiar conversas privilegiadas , entre Assange e seus advogados discutindo a sua defesa contra os processos de extradição que estavam em andamento nos EUA desde 2010. Em qualquer processo normal, esse facto seria suficiente para que o processo de extradição fosse julgado improcedente. Aliás, soube no dia anterior à audiência, que o material espanhol produzido em tribunal, encomendado pela CIA, inclui especificamente uma cobertura em vídeo de alta resolução de Julian discutindo vários assuntos comigo.

As evidências para o tribunal espanhol também incluíam uma conspiração da CIA para sequestrar Assange, que representava a atitude de ilegalidade das autoridades dos EUA neste caso e ao tratamento que ele poderia esperar nos Estados Unidos. A equipe de Julian explicou que o processo legal espanhol estava em curso e que as evidências seriam extremamente importantes, mas poderiam não estar concluídas e, portanto, as evidências não serem totalmente validadas e disponíveis no tempo do cronograma proposto para as audiências de extradição de Assange.

Na acusação, James Leais QC [1] afirmou que o governo se opunha fortemente a qualquer atraso que a defesa preparasse e se opunha fortemente a quaisquer considerações diferentes da questão de saber se a acusação era uma ofensa política excluída pelo tratado de extradição. Baraitser aceitou a sugestão de Lewis e afirmou categoricamente que a data da audiência de extradição seria em 25 de Fevereiro e não poderia ser alterada. Ela estava aberta a alterações nas datas para apresentação de evidências e respostas antes disso, neste sentido convocou um recesso de dez minutos para que a acusação e a defesa concordassem com essas etapas.

O que aconteceu depois foi muito instrutivo. Presentes cinco representantes do governo dos EUA (inicialmente três e mais dois chegaram no decorrer da audiência), sentados em mesas atrás dos advogados no tribunal. Os advogados de acusação entraram imediatamente em contacto com os representantes dos EUA e depois saíram do tribunal com eles, para decidir como responder às datas.

Após o regresso, a equipa de defesa afirmou que, em sua opinião profissional, não poderia preparar-se adequadamente se a data da audiência de Fevereiro fosse mantida, mas, seguindo as instruções de Baraitser, delinearam um cronograma para a entrega de evidências. Em resposta a isso, o advogado júnior de Lewis correu para o fundo do tribunal a fim de consultar os americanos novamente, enquanto Lewis disse ao juiz que estava "recebendo instruções dos que estavam atrás".

É importante observar que, ao dizer isto, não foi o gabinete do procurador-geral do Reino Unido que estava sendo consultado, mas a embaixada dos EUA. Lewis recebeu as instruções dos americanos e concordou que a defesa poderia ter dois meses para preparar as suas evidências (eles disseram que precisavam de um mínimo absoluto de três), mas a data da audiência de Fevereiro não foi alterada. Baraitser pronunciou a sua decisão concordando com tudo o que Lewis havia dito.

Nesta fase, não era claro por que estávamos participando nesta farsa. O governo dos EUA ditava as suas instruções a Lewis, que as transmitia a Baraitser, que as tomava como sua decisão legal. A farsa poderia ter sido evitada e o governo dos EUA simplesmente ocupar o lugar na barra do tribunal para controlar todo o processo. Ninguém poderia, estando naquele tribunal, acreditar que se estava num processo legal genuíno ou que Baraitser estava por um momento a ter em conta os argumentos da defesa. As suas expressões faciais nas poucas ocasiões em que ela olhou para a defesa, variaram de desprezo a tédio e sarcasmo. Quando ela olhava para Lewis, estava atenta, aberta e calorosa.

A extradição está sendo levada a cabo rapidamente de acordo com um cronograma ditado por Washington. Além do desejo de antecipar-se ao tribunal espanhol no fornecimento de provas da actividade da CIA para sabotar a defesa. O que torna a data de Fevereiro tão importante para os EUA? Muito gostaria de receber quaisquer ideias sobre isso.

Baraitser rejeitou o pedido da defesa de uma audiência prévia separada para considerar se o tratado de extradição se aplicava, sem se preocupar em dar qualquer razão para isso (possivelmente ela não memorizou adequadamente as instruções que Lewis tinha estado a dar-lhe para concordar). No entanto, este é o artigo 4º Tratado de Extradição UK/US de 2007 .

Em face disto, aquilo de que Assange é acusado é a própria definição de ofensa política – se não é, então o que é? Não está coberto por nenhuma das excepções listadas [2] . Há todas as razões para considerar se esta acusação está excluída pelo tratado de extradição e fazê-lo antes do longo e muito dispendioso processo de considerar todas as evidências, no caso de o tratado se aplicar. Mas Baraitser simplesmente pôs de imediato o argumento de parte.

No caso de alguém ter alguma dúvida sobre o que estava acontecendo ali, Lewis levantou-se e sugeriu que a defesa não deveria perder o tempo do tribunal com muitos argumentos. Todos os argumentos para a audiência substantiva devem ser apresentados por escrito com antecedência e uma "guilhotina deve ser aplicada" (suas palavras exactas) a argumentos e testemunhas em tribunal, talvez de cinco horas para a defesa. A defesa sugeriu que precisariam de mais do que os cinco dias programados para apresentar seu caso. Lewis respondeu que toda a audiência deveria terminar em dois dias. Baraitser disse que esse não era o momento correcto para concordar com isso, mas ela o considerará assim que receber os pacotes de evidências. (NOTA: Baraitser fará o que Lewis instruí e interromperá a audiência substantiva).

Baraitser limitou tudo dizendo que a audiência de Fevereiro será realizada, não no Tribunal de Magistrados de Westminster, relativamente aberto e acessível, onde estávamos, mas no Tribunal de Magistrados de Belmarsh, o sombrio mecanismo de alta segurança usado para o processamento legal preliminar de terroristas, anexo à prisão de segurança máxima onde Assange está detido. Existem apenas seis cadeiras para o público mesmo na maior sala de tribunal de Belmarsh, o objectivo é claramente evitar o escrutínio público e garantir que Baraitser não seja novamente exposta em público a um relato genuíno de seus procedimentos, como este que está a ler. Provavelmente não poderei participar na audiência substantiva de Belmarsh.

Claramente, as autoridades ficaram desconcertadas com as centenas de pessoas boas que apareceram para apoiar Julian. Eles esperam que muito menos cheguem a Belmarsh, muito menos acessível. Estou bastante certo (e recordo ter tido uma longa carreira como diplomata) de que os dois funcionários extras do governo americano que chegaram no meio do processo eram agentes de segurança armados, trazidos por causa do alarme provocado pelo número de manifestantes em torno de uma audiência na qual estavam presentes altos funcionários dos EUA. A mudança para Belmarsh pode ter sido uma iniciativa americana.

A equipe de defesa de Assange opôs-se vigorosamente à mudança para Belmarsh, principalmente porque não há salas de conferência disponíveis para consultar seu cliente e têm acesso muito inadequado a ele na prisão. Baraitser rejeitou a objecção de imediato com um sorriso muito pronunciado.

Finalmente, Baraitser virou-se para Julian, ordenou-lhe que se levantasse e perguntou se ele havia entendido o processo. Ele respondeu negativamente, disse que não conseguia pensar e deu toda a aparência de desorientação. Então ele pareceu encontrar uma força interior, levantou-se um pouco e disse:
Não entendo como este processo pode ser equitativo. Esta super-potência teve 10 anos para se preparar para este caso e eu nem consigo ter acesso aos meus escritos. É muito difícil, onde estou, fazer qualquer coisa. Essas pessoas têm recursos ilimitados.
O esforço pareceu tornar-se demasiado, sua voz caiu e ele ficou cada vez mais confuso e incoerente. Ele falou de denunciadores de irregularidades e editores sendo rotulados inimigos do povo, depois falou sobre o DNA de seus filhos ser roubado e espionado nas suas reuniões com o seu psicólogo. Não estou sugerindo de maneira alguma que Julian estivesse errado sobre esses pontos, mas ele não conseguiu enquadrá-los nem articulá-los adequadamente. Ele claramente não era ele mesmo, muito doente e era terrivelmente doloroso de assistir. Baraitser não mostrou nem simpatia nem a menor preocupação. Ela observou com veemência que, se ele não conseguia entender o que havia acontecido, seus advogados poderiam explicar-lhe isso e ela saiu do tribunal.

Toda a experiência foi profundamente perturbadora. Era muito claro que não havia nenhum processo genuíno de considerações legais a acontecer. O que tivemos foi uma demonstração nua do poder do Estado e um desbragado ditar de procedimentos pelos americanos. Julian estava numa caixa atrás de vidro à prova de balas, e eu e os trinta outros membros do público que nos espremíamos estávamos numa caixa diferente atrás de mais vidro à prova de balas. Não sei se ele podia ver-me ou a seus outros amigos no tribunal, ou se era capaz de reconhecer alguém. Ele não deu nenhuma indicação de que sim.

Em Belmarsh, ele é mantido em isolamento completo durante 23 horas por dia, tendo 45 minutos de exercício. Se tiver que ser movido, desimpedem os corredores antes que ele desça e trancam todas as portas das celas para garantir que não tenha contacto com nenhum outro prisioneiro fora do período de exercício curto e estritamente supervisionado. Não há justificação possível para que esse regime desumano, usado para grandes terroristas, seja imposto a um editor prisioneiro em prisão preventiva.

Venho catalogando e protestando há anos contra os poderes cada vez mais autoritários do Estado do Reino Unido, mas um abuso tão grave, tão aberto e sem disfarces ainda é um choque. A campanha de demonização e desumanização contra Julian, baseada nas mentiras do governo e dos media, levou a uma situação em que ele pode ser morto lentamente à vista do público e processado criminalmente com a acusação de publicar a verdade sobre irregularidades do governo, sem receber qualquer assistência da sociedade "liberal".

A menos que Julian seja libertado em breve, ele será destruído. Se o Estado puder fazer isso, quem será o próximo?
22/Outubro/2019
NT
[1] Queen's Counsel: advogado com competência para discutir casos em tribunais de nível superior
[2] Delitos que não são considerados crimes políticos.

Ver também:



  • JOHN PILGER: Did This Happen in the Home of the Magna Carta?
  • 'A 1950s show trial': John Pilger describes 'disgraceful' courtroom treatment of Julian Assange by UK judge
  • US government sent in 'hooded men' to break into offices connected to Assange, court hears
  • Punishing Assange sends ‘we will get you’ warning to other journalists

    [*] Escritor, radialista e activista de direitos humanos. Foi embaixador britânico no Uzbequistão desde Agosto 2002 a Outubro de 2004 e reitor da Universidade de Dundee de 2007 a 2010,   www.craigmurray.org.uk

    O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/52433.htm


    Fonte: http://resistir.info/ 
  • domingo, 13 de outubro de 2019

    O BREXIT, a manipulação e o Facebook


    O BREXIT
    Carole Cadwalladr é uma jornalista de investigação britânica e este vdeo é de uma palestra dela sobre o papel que o Facebook e as redes sociais tiveram na utilização das novas tecnologias para levar o Reino Unido a votar Sim para sair da União Europeia.

    quarta-feira, 11 de setembro de 2019

    Chile, 11 de Setembro de 1973



    Santiago, Itália (trailer oficial)
    Novo filme do aclamado diretor italiano Nanni Moretti, SANTIAGO, ITÁLIA, destaca o papel da embaixada italiana durante o golpe militar que derrubou o presidente Allende e instituiu uma violenta ditadura no Chile. Muitos opositores buscaram abrigo no local e conseguiram com isso asilo na Itália. O filme traz inúmeras cenas de arquivo e entrevistas de diversos dos personagens desta história, de todos os lados.

    Robert Frank (1924 - 2019)


    Robert Frank (1924 - 2019)

    segunda-feira, 12 de agosto de 2019

    Porto Rico, um povo e um furacão

    Com índices de pobreza que roçam os 50 por cento, Porto Rico é hoje como Cuba era antes da Revolução: um paraíso para os gangsters e um inferno para o povo. A causa é, antes de mais, a dominação colonial dos EUA e, no passado recente, a brutal desumanidade com que ignoraram as consequências devastadoras dos furacões de 2017. Se o gigantesco levantamento popular de agora tem origem imediata no repúdio pelo comportamento do governador colonial, as suas causas profundas são muito mais amplas.

    (Photo by José Fuentes)

    Porto Rico atravessa um momento histórico: pela primeira vez, amanhã, um governador da colónia demitir-se-á, inaugurando uma crise institucional que compromete a posição imperial dos EUA e ameaça resvalar para uma situação pré-revolucionária.

    À superfície, o gatilho visível que despoletou o pedido de demissão de Rosselló foi o escândalo desatado pela divulgação de mensagens de texto em que o bonifrate de Trump revela a sua natureza fascista, machista e violentamente homofóbica. Ao longo de mais de 900 páginas de SMS, o governador escarnece dos seus compatriotas mortos pelo furacão Maria, refere-se ao sindicato de professores como uma organização terrorista, deseja a morte a líderes sindicais e refere-se às mulheres e à comunidade LGBT nos termos mais bárbaros e indecentes. Já as razões que levaram 1/5 da população para as ruas de San Juan, nas maiores manifestações da história da ilha, são feridas muito mais profundas.

    A presente crise institucional ilustra a degradação do sistema político colonial: a constituição prevê que, num cenário de demissão do governador seja o secretário de Estado a substituí-lo, mas Luis Rivera Marín, que também surge nos chamados «Rickyleaks», também já se demitiu. Os que se seguem enfrentam também acusações de corrupção.

    A corrupção, tradicionalmente explícita, dos governantes de Porto Rico é parte indissipável do funcionamento da ilha como um «território não incorporado dos EUA», ou seja, uma colónia à moda antiga. O estatuto colonial ficou patente, como nunca, na sequência dos furacões que, em 2017, devastaram a ilha: a agência dos EUA para as catástrofes ambientais fez vista grossa para a tragédia, abandonando dezenas de milhares de pessoas à sua sorte e às epidemias de doenças. Inicialmente Rosselló admitiu 64 mortos. Soube-se mais tarde que o número real ascendia a 6000.

    Os EUA abandonariam a sua colónia, que ficou completamente às escuras durante longos 11 meses. Mas Obama não se ficou por aí: apenas dois meses após o furacão, ordenou ao seu governador a aplicação da PROMESA, um programa neoliberal de choque económico, gerido directamente pelos especuladores de Wall Street, que levou ao encerramento de centenas de escolas, privatização de serviços, despedimento de funcionários públicos e cortes salariais generalizados. Para milhões de trabalhadores ficou claro que a prioridade do governo porto-riquenho era o pagamento da impagável dívida pública de 70 mil milhões de dólares. Com índices de pobreza que roçam os 50 por cento, Porto Rico é hoje como Cuba era antes da Revolução: um paraíso para os gangsters e um inferno para o povo.

    Este caldo de descontentamento, que vinha há anos levantando fervura, transbordou finalmente. Durante dez dias, manifestações de massas em que participou um quinto da população, cercaram La Fortaleza, o palácio do governador. Mas foi a greve geral, do passado dia 22, que obrigou o governador a demitir-se dois dias depois.

    Dificilmente poderá a ordem colonial manter-se da mesma forma, mas os donos da ilha estão já a estudar formas de se aproveitarem do vazio programático, do mistifório ideológico e do carácter espontâneo de que se reveste o movimento popular de massas para manter, com outras roupagens, a sua dominação. Exemplo destes esforços é a moratória de 120 dias agora concedida por Washington ao pagamento da dívida porto-riquenha, uma caridade que, vá se lá saber porquê, não ocorreu aos EUA quando a ilha se debatia com furacões, mas que dá muito jeito quando o verdadeiro furacão é um povo levantado.

    Artigo de António Santos publicado no “Avante!” de 01.08.2019

    quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

    A Nova Guerra Fria e a Venezuela

    O que se está a passar na Venezuela é uma tragédia anunciada, e vai provavelmente causar a morte de muita gente inocente. A Venezuela está à beira de uma intervenção militar estrangeira e o banho de sangue que dela resultará pode assumir proporções dramáticas. Quem o diz é o mais conhecido líder da oposição a Nicolas Maduro, Henrique Capriles, ao afirmar que o Presidente-fantoche Juan Guaidó está a fazer dos venezuelanos "carne para canhão". Ele sabe do que está a falar. Sabe, por exemplo, que Hugo Chávez levou muito a sério o destino da experiência socialista democrática de Salvador Allende no Chile. E que, entre outras medidas, armou a população civil, criando as milícias, que obviamente podem ser desarmadas, mas que muito provavelmente tal não ocorrerá sem alguma resistência. Sabe também que, apesar do imenso sofrimento a que o país está a ser submetido pela mistura tóxica de erros políticos internos e pressão externa, nomeadamente por via de um embargo que a ONU considera humanitariamente condenável, continua entranhado no povo venezuelano um sentimento de orgulho nacionalista que rejeita com veemência qualquer intervenção estrangeira.

     Perante a dimensão do risco de destruição de vidas inocentes, todos os democratas venezuelanos opositores do governo bolivariano fazem algumas perguntas para as quais só muito penosamente vão tendo alguma resposta. Por que é que os EUA, acolitados por alguns países europeus, embarcam numa posição agressiva e maximalista que inutiliza à partida qualquer solução negociada? Por que é que se fazem ultimatos típicos dos tempos imperiais dos quais, aliás, Portugal tem uma experiência amarga? Por que foi recusada a proposta de intermediação feita pelo México e o Uruguai, que tem como ponto de partida a recusa da guerra civil? Porque um jovem desconhecido do povo venezuelano até há algumas semanas, membro de um pequeno partido de extrema-direita, Voluntad Popular, directamente envolvido na violência de rua ocorrida em anos anteriores, se autoproclama Presidente da República depois de receber um telefonema do vice-presidente dos EUA, e vários países se dispõem a reconhecê-lo como Presidente legítimo do país?

    As respostas virão com o tempo, mas o que vai sendo conhecido é suficiente para indicar por onde surgirão as respostas. Começa a saber-se que, apesar de pouco conhecido no país, Juan Guaidó e o seu partido de extrema-direita, que tem defendido abertamente uma intervenção militar contra o governo, são há muito os favoritos de Washington para implementar na Venezuela a infame política de "regime change". A isto se liga a história das intervenções dos EUA no continente, uma arma de destruição maciça da democracia sempre que esta significou a defesa da soberania nacional e questionou o acesso livre das empresas norte-americanas aos recursos naturais do país. Não é difícil concluir que não está em causa a defesa da democracia venezuelana. O que está em causa é o petróleo da Venezuela.

    A Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo (20% das reservas mundiais; os EUA têm 2%). O acesso ao petróleo do Médio Oriente determinou o pacto de sangue com o país mais ditatorial da região, a Arábia Saudita, e a destruição do Iraque, da Síria, da Líbia, no Norte de África; a próxima vítima pode bem ser o Irão. Acresce que o petróleo do Médio Oriente está mais próximo da China do que dos EUA. Enquanto o petróleo da Venezuela está à porta de casa. O modo de aceder aos recursos varia de país para país, mas o objectivo estratégico tem sido sempre o mesmo. No Chile, envolveu uma ditadura sangrenta. Mais recentemente, no Brasil, o acesso aos imensos recursos minerais, à Amazónia e ao pré-sal envolveu a transformação de um outro favorito de Washington, Sérgio Moro, de ignorado juiz de primeira instância em notoriedade nacional e internacional, mediante o acesso privilegiado a dados que lhe permitissem ser o justiceiro da esquerda brasileira e abrir caminho para eleição de um confesso apologista da ditadura e da tortura que se dispusesse a vender as riquezas do país ao desbarato e formasse um governo de que o favorito pró-norte-americano do futuro do Brasil fizesse parte.

    Mas a perplexidade de muitos democratas venezuelanos diz especialmente respeito à Europa, até porque no passado a Europa esteve activa em negociações entre o governo e as oposições. Sabiam que muitas dessas negociações fracassaram por pressão dos EUA. Daí a pergunta: também tu, Europa? Estão conscientes de que, se a Europa estivesse genuinamente preocupada com a democracia, há muito teria cortado relações diplomáticas com a Arábia Saudita. E que, se a Europa estivesse preocupada com a morte em massa de civis inocentes, há muito que teria deixado de vender à Arábia Saudita as armas com que este país está a levar a cabo o genocídio do Iémen. Mas talvez esperassem que as responsabilidades históricas da Europa perante as suas antigas colónias justificassem alguma contenção. Porquê este alinhamento total com uma política que mede o seu êxito pelo nível de destruição de países e vidas?

    A pouco e pouco se tornará claro que a razão deste alinhamento reside na nova guerra fria que entretanto estalou entre os EUA e a China, uma guerra fria que tem no continente latino-americano um dos seus centros e que, tal como a anterior, não pode ser travada directamente entre as potências rivais, neste caso, um império declinante e um império ascendente. Tem que ser travada por via de aliados, sejam eles num caso os governos de direita da América Latina e os governos europeus, e, noutro caso, a Rússia. Nenhum império é bom para os países que não têm poder para beneficiar por inteiro da rivalidade. Quando muito, procuram obter vantagens do alinhamento que lhes está mais próximo. E o alinhamento tem de ser total para ser eficaz. Isto é, é preciso sacrificar os anéis para não se irem os dedos. Isto é tão verdade do Canadá como dos países europeus.

    Tenho-me reconhecido bem representado pelo Governo do meu país no poder desde 2016. No entanto, a legitimidade concedida a um Presidente-fantoche e a uma estratégia que muito provavelmente terminará em banho de sangue faz-me sentir vergonha do meu Governo. Só espero que a vasta comunidade de portugueses na Venezuela não venha a sofrer com tamanha imprudência diplomática, para não usar um outro termo mais veemente e verdadeiro da política internacional deste Governo neste caso.
     
    Artigo de

    quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

    Entender a nova ofensiva contra a Venezuela


    A investidura de Nicolas Maduro, em 10 de janeiro, provoca turbulências políticas e mediáticas. Eleito em 20 de maio de 2018, o presidente da Venezuela enfrenta uma operação planeada e concertada pelos Estados Unidos e seus aliados. Tomando como pretexto inicial as condições eleitorais que permitiram a vitória de Maduro, um punhado de governos, repintado para a ocasião em "comunidade internacional", através das transnacionais da comunicação, decidiu aumentar a pressão sobre a Venezuela Bolivariana. 

    Como se tornou hábito no caso da Venezuela, a maioria da grande comunicação envolve-se com prazer nas falsas notícias e esquece o próprio significado da ética jornalística. 

    É conveniente para o leitor escrupuloso e desejoso de separar a verdade do falso expor os fatos e voltar às condições da eleição de Maduro, analisando a estratégia de Washington para punir um povo julgado, desde há 20 anos, demasiado rebelde e incómodo. 

    Os pretextos falaciosos para uma nova ofensiva política 

    Nesse novo cenário de desestabilização da Venezuela, as principais justificações invocadas pelos governos que se opõem a Caracas andam à volta das condições da eleição de Nicolas Maduro em maio passado. 

    Para entender esses pretextos falaciosos, precisamos voltar um pouco atrás. Em maio de 2016, alguns meses após a vitória da oposição nas eleições legislativas, iniciou-se um processo de diálogo entre o Chavismo e seus opositores na República Dominicana. Uma série de 150 reuniões, lideradas pelo ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodriguez Zapatero, o ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernandez e o ex-presidente do Panamá, Martin Torrijos, resultou em janeiro de 2018, na elaboração de um acordo sobre a convocação de uma eleição presidencial antecipada e suas garantias eleitorais. 

    Como ressaltou Jorge Rodriguez, chefe da comissão de diálogo do governo: "Tudo estava pronto [para a assinatura do acordo] até a mesa onde devíamos fazer nossas declarações oficiais. À tarde, Julio Borges, ex-presidente de direita da Assembleia Nacional, recebeu um telefonema da Colômbia do ex-secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson (...). A oposição então anunciou-nos que não assinaria o acordo. De volta a Caracas, José Luis Rodríguez Zapatero enviou uma carta à oposição perguntando-lhe qual era a sua alternativa para se recusar a participar numa eleição que apresentava as garantias sobre as quais ela mesma tinha trabalhado.” [1]

    A oposição venezuelana dividiu-se sobre a estratégia a adotar. Enquanto a ala mais radical decidia não participar, parte da oposição que não desistiu de recuperar o poder através do caminho democrático apresentou um candidato, Henri Falcon. Dois outros candidatos participariam nesta eleição [2] . Por conseguinte, é simplesmente falso afirmar que a oposição boicotou este voto ou que Nicolas Maduro se apresentou sozinho [3] . Esta é uma narrativa com intenções políticas não democráticas. 

    Um sistema eleitoral transparente e democrático 

    Uma das ladainhas de Washington e dos seus satélites da América Latina ou europeus é dizer que as eleições na Venezuela não estão alinhadas com os padrões internacionais. O que é obviamente falso, mas necessário neste processo político-mediático que visa não reconhecer a legalidade da eleição de 20 de maio de 2018 e a legitimidade do seu resultado. 

    Para ver a hipocrisia daqueles governos sobre este conflito, vamos deter-nos por um momento sobre as condições eleitorais oferecidas ao povo venezuelano desde a aprovação por referendo da Constituição Bolivariana, em 15 de dezembro de 1999. O leitor pode facilmente ter uma ideia da transparência das eleições na Venezuela, comparando esses mecanismos eleitorais com os postos em prática no seu próprio país. 

    Na Venezuela, para evitar fraudes, as eleições não são organizadas pelo executivo através do Ministério do Interior. A Constituição de 1999, que reconhece a existência de cinco poderes independentes – o executivo, o legislativo, o judiciário, o moral e o poder eleitoral – deixa a este a tarefa de organizar os processos eleitorais, de acordo com a lei orgânica dos processos eleitorais. 

    Este quadro legal, adotado em 2009, não foi modificado desde então [4] . Em particular, permitiu a eleição de múltiplos representantes da oposição para poderes públicos. Nenhum deles duvidou do sucesso do voto que conquistou e a própria oposição nunca questionou a estrutura legal do processo eleitoral. O que ela poderia no entanto ter feito por meio de um referendo de iniciativa cidadã, previsto para revogar por leis o artigo 74 da Constituição. Sempre se limitou a denunciar os resultados das eleições quando perdeu, ou preventivamente quando sabia que ia perder. 

    Relativamente ao voto dos cidadãos [5] , a Venezuela utiliza um sistema eletrónico e manual duplo. Quando alguém entra no gabinete de voto, identifica-se aos assessores com a sua cartão de identidade e ativa a máquina para votar por meio de um reconhecimento biométrico. Portanto, é impossível votar duas vezes. Depois de escolher o candidato de sua escolha, a urna eletrónica emite um bilhete com o nome do candidato, que o eleitor coloca num envelope e deposita numa urna. Finalmente, depois de assinar o registo eleitoral, mergulha o dedo mindinho em tinta indelével para garantir que não repetirá seu voto. 

    Nos dias que antecedem a eleição, o Centro Nacional Eleitoral (CNE), órgão que rege o poder eleitoral, convoca todos os partidos políticos participantes nas eleições para uma série de 14 auditorias prévias. Assim são postos à prova, listas de eleitores, o software usado para coletar dados eleitorais, máquinas de votação e seu método de montagem, o sistema biométrico para o reconhecimento do eleitor, tinta indelével, rede de transmissão de dados eleitorais e sistema de totalização de dados [6] . Observadores de cada partido político participam nestas várias auditorias que antecedem o voto dos cidadãos. 

    Cada passo deve ser aprovado previamente por todos os participantes para garantir a maior transparência da eleição. E, de fato, eles sempre foram aceites até agora. Acrescente-se que todos os partidos políticos têm o direito de enviar apoiantes como assessores, bem como envolver observadores nacionais e internacionais de sua escolha na monitorização das sessões eleitorais. 

    Na noite dos resultados, a CNE procede a uma nova auditoria perante responsáveis dos partidos, onde 54,4% (pelo menos, de acordo com a lei) das assembleias de voto serão sorteadas, em que o resultado eletrónico será verificado. Trata-se então de comparar os resultados obtidos na urna com os resultados eletrónicos. Nunca foi detetado um erro durante os múltiplos processos eleitorais. 

    Estas garantias para proteger o resultado levaram o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter a definir o sistema eleitoral venezuelano como "o melhor do mundo" [7] . Foram os mesmos procedimentos que garantiram a transparência de todas as eleições na Venezuela, seja, por exemplo, para as eleições parlamentares de 5 de dezembro de 2015 (vencidas pela oposição) ou para as eleições presidenciais de 20 de maio de 2018 (vencidas pelo Chavismo). 

    Como se pode ver, a Venezuela tem mais garantias eleitorais do que muitos países ocidentais, para não falar dos países do grupo de Lima. A transparência da eleição de Nicolas Maduro foi, além disso, validada por mais de 2 000 observadores internacionais da Comunidade do Caribe (Caricom), da União Africana e do Conselho de Peritos Eleitorais Latino-Americanos (Ceela). 

    Perante este sistema, entendemos por que uma parte da oposição se recusou a concorrer a uma eleição que teria perdido. Aceitar participar em eleições significa participar nas auditorias e validar a transparência do sistema eleitoral venezuelano. Essa recusa em participar do processo democrático preparou o caminho para a tentativa desestabilizadora que vemos hoje. 

    Na noite da eleição presidencial 

    Para além das garantias eleitorais, os países que questionam a legitimidade do presidente venezuelano tentam criticar os resultados da eleição presidencial. Mais uma vez, este é apenas um pretexto para legitimar a desestabilização da Venezuela. Vamo-nos deter por um momento nestes resultados. 

    A eleição presidencial na Venezuela é uma eleição por sufrágio universal direto. O presidente é eleito não conforme acordos parlamentares ou pela escolha de "grandes eleitores", mas diretamente pelo povo. 

    Em 20 de maio de 2018, 9 389 056 eleitores votaram nas urnas, ou 46.07% dos cidadãos registados nas listas eleitorais. A alta taxa de abstenção ainda é usada hoje por oponentes da Revolução Bolivariana para desqualificar a vitória de Nicolas Maduro. É claro que nenhum desses críticos mencionará as dezenas de penalidades financeiras e retaliações à economia do país desde 2014 [8] . Uma perseguição que desencorajou muitos venezuelanos e aumentou a sua desconfiança numa solução eleitoral para acabar com a crise. Além disso, o pedido de boicote das urnas por vários partidos da oposição também teve consequências sobre a taxa de participação. 

    Apesar disso, 30,45% dos eleitores registados votaram em Nicolas Maduro. Este valor é superior ao do presidente chileno Sebastián Piñera (26,5%), do presidente argentino Mauricio Macri (26,8%) e do presidente Donald Trump (27,20%). Sem mencionar as percentagens obtidas na primeira volta pelo presidente colombiano (21%) ou pelo presidente Emmanuel Macron (18,19%). Obviamente, ninguém contesta a legitimidade de suas eleições apesar da baixa proporção de eleitores que os escolheram. 

    Uma estratégia coordenada e planificada a partir de Washington 

    Após a eleição de Nicolas Maduro, os Estados Unidos fortaleceram a coligação contra a Venezuela na região. Em 27 de junho de 2018, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, anunciou o seu tom no Brasil: "A liberdade e a democracia serão restauradas na Venezuela. Os Estados Unidos pedem ao Brasil que tome uma posição firme contra o regime de Nicolas Maduro" [9] . Fazendo eco, o secretário de Estado Mike Pompeo afirmou em 21 de setembro de 2018, que os Estados Unidos "continuarão a aumentar o nível de pressão" contra o país bolivariano. Este mesmo Pompeo realizou várias reuniões com os chefes dos governos brasileiro, peruano e colombiano para preparar a operação de 10 de janeiro. 

    Foi na reunião do Grupo Lima, realizada em 4 de janeiro de 2019, que realmente foi definido o cenário. Durante este cenáculo, os governos membros dessa internacional anticomunista [10] concordaram numa série de ações contra Caracas. Note-se que o governo mexicano, agora chefiado pelo presidente progressista Andrés Manuel López Obrador, não subscreveu este documento e reafirmou a vontade do seu país de não interferir nos assuntos internos de outra nação, cortando com as posições belicistas do governo precedente e do grupo de Lima. 

    O documento aprovado em Lima é uma verdadeira declaração de guerra [11] . Na presença do secretário de Estado dos EUA (por videoconferência), os governos que se opunham à Revolução Bolivariana concordaram em aumentar a pressão diplomática contra a Venezuela e perseverar na intenção de abrir uma investigação na Tribunal Penal Internacional contra o Estado venezuelano. Ação apoiada além disso pela França [12]

    Os membros do grupo de Lima condenam a crise económica na Venezuela, mas adotam uma resolução para reforçar o bloqueio financeiro contra aquele país. O texto adotado prevê listas de personalidades legais com as quais esses países "não deverão trabalhar, terão que impedir o acesso ao seu sistema financeiro e, se necessário, congelar os seus ativos e recursos económicos". Do mesmo modo, a resolução obriga os países membros do grupo de Lima a pressionar os organismos financeiros internacionais a que pertencem para impedir a concessão de novos créditos à República Bolivariana da Venezuela. 

    Mais surpreendente ainda, esta declaração conjunta exige que o governo "de Nicolas Maduro e as Forças Armadas da Venezuela renunciem a todos os tipos de ações que violariam a soberania de seus vizinhos" . Essa acusação é baseada numa recente reação venezuelana a uma exploração de petróleo autorizada pela Guiana numa área territorial exigida pelos dois países vizinhos [13] . Trata-se novamente de um pretexto que faz eco de factos denunciados pelo presidente da Venezuela em 12 de dezembro de 2018. 

    Num discurso na televisão, Nicolas Maduro revelou a presença de 734 mercenários nas bases militares de Eglin, na Flórida, e Tolemaida, na Colômbia. O seu objetivo é atacar a Venezuela ou preparar um ataque sob falsa bandeira para justificar uma intervenção militar contra a nação bolivariana. Maduro também revelou que o assessor de segurança nacional dos EUA, John Bolton, pediu ao novo vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, que organize provocações militares na fronteira com a Venezuela [14] . A declaração do Grupo Lima, portanto, parece reforçar as suspeitas de agressão emitidas pelo Estado venezuelano. 

    Depois de ter qualificado a eleição de Nicolas Maduro como ilegítima, o grupo de Lima instou o presidente venezuelano a não assumir a presidência e a "transferir provisoriamente o poder executivo para a Assembleia Nacional". Não importa que Nicolas Maduro tenha sido eleito graças ao mesmo sistema eleitoral que permitiu a eleição do poder legislativo. O objetivo procurado por Washington e seus aliados não é democrático, é político: colocar a oposição à frente do país produtor de petróleo. 

    Esta tentativa de golpe institucional, já implementada noutros países da região [15] , faz parte da estratégia de substituição de poderes políticos legítimos. Em julho de 2017, a oposição criou ilegalmente um Supremo Tribunal de Justiça "no exílio", com sede no Panamá, e um cargo de Procurador-Geral da Nação "no exílio" em Bogotá. Essas autoridades fantoches tentam, desde então, substituir-se aos legítimos poderes venezuelanos. 

    Em ligação com uma Assembleia Nacional, declarada em atentado judicial em março de 2017 [16] , essas paródias de poderes públicos realizaram um julgamento simulado na sede do Parlamento colombiano (sic) e condenaram o presidente venezuelano Nicolas Maduro a uma pena de 18 anos e 3 meses de prisão. [17]

    Para ilustrar esta situação absurda, imagine-se por um momento que um grupo de "coletes amarelos" franceses designava um ministro da Justiça e um Procurador Geral "no exílio" e que eles organizavam na Duma russa um julgamento simulado para condenar Emmanuel Macron a 18 anos de prisão. Isto faria sorrir, mas o que aconteceria se vários Estados em todo o mundo reconhecessem como legítimos esses poderes judiciais "no exílio"? Ouviríamos certamente um grande número de vozes gritando, e com razão, contra a interferência estrangeira ou mesmo uma tentativa de golpe. O exemplo que acabamos de mencionar pode parecer ridículo, mas é o que está a acontecer na Venezuela. 

    Estas manobras não são feitas de ânimo leve. O ataque fracassado por meio de um drone carregado de explosivos C4, que ocorreu em 4 de agosto de 2018, não visava apenas eliminar Nicolas Maduro, mas todas as autoridades públicas da nação, com o objetivo de os substituir pelos seus fantoches ilegais [18] . A constituição de poderes paralelos não é um circo político-mediático, mas parte integrante de um golpe institucional em preparação. 

    Da mesma forma, declarar Nicolas Maduro ilegítimo é uma mensagem virulenta para os principais parceiros económicos de Caracas (China, Rússia ou Turquia), notificando-os que os acordos assinados com o governo bolivariano não serão reconhecidos quando Nicolas Maduro for derrubado. Um conflito com o país poderia ter repercussões muito além de suas fronteiras. Sergei Riabkov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, advertiu "os entusiastas de Washington a não cair na tentação da intervenção militar" na Venezuela [19]

    Por outro lado, é também uma mensagem para as forças armadas nacionais porque, se o presidente Maduro é ilegítimo, isso equivale a decapitar o poder militar do seu comandante em chefe. 

    É nesta perspetiva que o cenário desenvolvido pelos Estados Unidos e seus aliados deve ser decifrado. De acordo com a resolução do Grupo de Lima, a Assembleia Nacional da Venezuela, em desacato ao tribunal e cujas decisões são nulas e sem efeito [20] , declarou que a tomada de posse de Nicolas Maduro é uma "usurpação de poder" . Como resultado, está a prepara-se para ilegalmente assumir o poder executivo durante um "período de transição". Em 8 de janeiro, uma lei sobre a transição foi discutida no hemiciclo venezuelano com o objetivo de tomar o poder executivo a partir de 10 de janeiro. 

    Durante as discussões, Américo de Grazia apelou a todos os setores para se alinharem com as autoridades paralelas criadas pela oposição e tomarem as ruas "em coordenação com as ações internacionais, nacionais e institucionais" [21]

    Quanto ao novo presidente do órgão legislativo, Juan Guaidó, apelou aos militares venezuelanos para derrubarem o governo a partir de 10 de janeiro [22]

    O cenário está montado. A prova de força iminente. Resta saber que personalidades políticas e dos media justificarão a violação da soberania da Venezuela e a falta de respeito por suas instituições.


    [1] Cathy Dos Santos, "Venezuela. «Il faut diversifier notre économie sans toucher au social»", L´Humanité, 03/04/2018, www.humanite.fr/...
    [2] Bertucci, pastor evangélico envolvido no escândalo dos Panama Papers, foi candidato independente, assim como Reynaldo Quijada, apoiado por uma fração do trotskismo venezuelano. Eles receberam respetivamente 10,82% e 0,39% dos votos. Notemos que a percentagem de Bertucci é explicada mais pela novidade dessa oferta eleitoral num clima de desconfiança em relação aos partidos políticos do que por um avanço do evangelismo político na Venezuela. De facto, o voto dos evangelistas está dividido. O Partido Evangelista Organización Renovadora Auténtica (ORA) apoiou Nicolas Maduro.
    [3] Sobre as notícias falsas de proibição de partidos políticos na Venezuela, ler Thierry Deronne, "L'interdiction d'un parti qui n'existe pas", Venezuela Infos, 29/01/2018,  venezuelainfos.wordpress.com/...
    [4] Esta lei complementa a Lei Orgânica do Poder Eleitoral aprovada em 2002
    [5] O autor dessas linhas já participou nas eleições municipais e regionais de 2013
    [6] Ler a lista de auditorias no site do National Electo Center   www.cne.gov.ve/web/sistema_electoral/tecnologia_electoral_auditorias.php
    Convidamos os leitores corajosos a aprofundar os sistemas de auditoria lendo os longos relatórios técnicos da CNE (em espanhol) www.cne.gov.ve/...
    [7] "Jimmy Carter: "El sistema electoral venezolano es el mejor del mundo", RT, 20/09/2012, actualidad.rt.com/...
    [8] Romain Migus, "Chronologie des sanctions économiques contre le Venezuela", Venezuela en Vivo, atualizado em 07/01/2019, www.romainmigus.info/2019/01/chronologie-des-sanctions-economiques.html
    [9] "Mike Pence : La libertad será restaurada en Venezuela", El Nacional, 27/06/2018, www.el-nacional.com/...
    [10] Os governos membros do grupo Lima são os da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia. Assim como o México, que se recusou a assinar a última declaração.
    [11] Documento disponivel em www.gob.pe/institucion/rree/noticias/24270-declaracion-del-grupo-de-lima
    [12] Palais de l'Elysée, "Communiqué relatif à la situation au Venezuela", 30/09/2018, disponível em www.elysee.fr/...
    [13] Manuel Palma, "Los buques de la discordia: Venezuela y Guyana reavivan la disputa por su diferendo territorial", RT, 28/12/2018, actualidad.rt.com/...
    [14] Luigino Bracci, "Maduro denuncia: Más de 700 paramilitares entrenan en Colombia para ejecutar golpe de Estado en su contra", AlbaCiudad,12/12/2018, albaciudad.org/2018/12/maduro-golpe-de-estado-john-bolton/
    [15] Designadamente nas Honduras (2009), no Paraguay (2012), no Brésil (2016) ou no Equateur (2017).
    [16] Após a eleição dos deputados em dezembro de 2015, uma denúncia foi apresentada pelos candidatos de PSUV no Estado da Amazónia pela compra de votos pelos seus opositores eleitos. O tribunal de justiça tendo sancionado esta fraude, o tribunal do poder eleitoral exigiu que a eleição destes três cargos de deputados fosse feita novamente. Como a presidência da Assembleia Nacional recusou submeter-se aos poderes judiciais e eleitorais, a Assembleia Nacional foi declarada em ultraje ao tribunal. As decisões e votos que emanam do poder legislativo são, portanto, nulos e sem efeito, desde que a presidência da Assembleia Nacional não autorize o retorno às urnas. Deve-se notar que a oposição tem uma maioria absoluta de 122 deputados em 167 lugares.
    [17] "TSJ en el exilio condenó a Maduro a 18 años y 3 meses de prisión", El Nacional, 15/08/2018, www.el-nacional.com/...
    [18] Romain Migus, "Le drone médiatique explose en plein vol", Venezuela en Vivo, 08/08/2018, www.romainmigus.info/...
    [19] "El Gobierno ruso advirtió a Estados Unidos contra una posible intervención militar en Venezuela", SputnikNews, 09/01/2019, mundo.sputniknews.com/
    [20] Ver explicação no ponto 16.
    [21] Maritza Villaroel, "Asamblea Nacional arranca proceso para Ley de Transición", Site de l'Assemblée Nationale du Venezuela, 08/01/2019, www.asambleanacional.gob.ve/...
    [22] "El golpismo venezolano no descansa", Pagina12, 05/01/2019, www.pagina12.com.ar/... (tradução francesa disponivel em venesol.org/... )


    Autor: Romain Migus


    O original encontra-se em RT France e em www.romainmigus.info/2019/01/tout-comprendre-sur-la-nouvelle.html

    Fonte: Resistir.info
           

    segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

    O ano de 2018 visto pelas objectivas da agência Reuters (12)


    Um migrante da caravana de milhares de pessoas da América Central sobe a cerca da fronteira entre o México e os EUA, em Tijuana, a 18 de novembro. Foto Hannah Mckay/Reuters



    Migrante da América Central, parte da caravana com destino aos Estados Unidos, captado junto a agentes da Polícia, no México, em novembro. Foto Carlos Garcia Rawlins/Reuters



    O agente de patrulha de fronteira Jacob Stukenberg vê o cadáver do migrante da Guatemala Misael Paiz, 25 anos, que morreu no deserto de Sonora depois de viajar mais de 3000 quilómetros para cruzar a fronteira entre os EUA e o México, no Refúgio Nacional de Vida Silvestre de Buenos Aires, Arizona, em setembro. Foto Lucy Nicholson/Reuters



    Um menino de quatro anos de idade chora nos braços de um membro da família quando ele e outros foram detidos por agentes de patrulha após atravessarem a fronteira dos EUA a partir do México, perto de McAllen, no Texas, em maio. Foto Adrees Latif/Reuters

    domingo, 30 de dezembro de 2018

    O ano de 2018 visto pelas objectivas da agência Reuters (11)


    Migrante hondurenho, parte da caravana de migrantes da América Central com destino aos EUA, no México, em outubro. Foto Ueslei Marcelino/Reuters



    Maria Meza (no centro), uma mulher de 40 anos das Honduras, parte de uma caravana de milhares de migrantes da América Central, foge do gás lacrimogéneo com as filhas gémeas de cinco anos Saira Mejia Meza (à esquerda) e Cheili Mejia Meza (à direita) em frente ao muro da fronteira entre os EUA e o México, em Tijuana, a 25 de novembro. Foto Kim Kyung-hoon/reuters



    Antigo presidente das Honduras, Manuel Zelaya, atacado durante protestos contra a reeleição do presidente Juan Orlando Hernandez, em Tegucigalpa, Honduras, janeiro. Foto Jorge Cabrera/reuters



     Galo passeia perto de corpo de membro de gangue, nas Honduras, em setembro. Foto Goran Tomasevic/Reuters


    domingo, 23 de dezembro de 2018

    O ano de 2018 visto pelas objectivas da agência Reuters (4)

       
    Jovem estudante antes da manifestação "March for Our Lives", pelo controlo mais rigoroso da posse de armas, em Washington, em março. Foto Eric Thayer/Reuters

    segunda-feira, 29 de outubro de 2018

    Dorothea Lange


    Paul S. Taylor. Dorothea Lange in Texas on the Plains, ca. 1935
    © The Dorothea Lange Collection, the Oakland Museum of California

    Dorothea Lange. Drought Refugees, ca. 1935
    © The Dorothea Lange Collection, the Oakland Museum of California

    Dorothea Lange. Migrant Mother, Nipomo, California, 1936
    © The Dorothea Lange Collection, the Oakland Museum of California

    Dorothea Lange. Migratory Cotton Picker, Eloy, Arizona, 1940
    © The Dorothea Lange Collection, the Oakland Museum of California

    Dorothea Lange. Sacramento, California. College students of Japanese ancestry
    who have been evacuated from Sacramento to the Assembly Center, 1942.

    Dorothea Lange. Manzanar Relocation Center, Manzanar, California. An evacuee
    is shown in the lath house sorting seedlings for transplanting.
    These plants are year-old seedlings from the Salinas Experiment Station, 1942

    Dorothea Lange. White Angel Breadline, San Francisco, 1933.
    © The Dorothea Lange Collection, the Oakland Museum of California

    Dorothea Lange. Centerville, California. This evacuee stands by her baggage
    as she waitsfor evacuation bus. Evacuees of Japanese ancestry will be housed in
    War Relocation Authority centers for the duration, 1942



    Fonte: Feature Shoot


    Dorothea Lange (May 26, 1895 – October 11, 1965) was an American documentary photographer and photojournalist, best known for her Depression-era work for the Farm Security Administration (FSA). Lange's photographs humanized the consequences of the Great Depression and influenced the development of documentary photography (from Wikipedia).


    Dorothea Lange - 39 works online in MoMA

    Dorothea Lange - works in the Getty Museum