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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Nos 50 anos do assassinato de Humberto Delgado

"Para prender alguém não é preciso levar cal viva e ácido sulfúrico"


No passado dia 13 cumpriram-se precisamente 50 anos sobre o assassinato em Almerines, em Espanha e muito perto da fronteira portuguesa, do General Humberto Delgado e da sua secretária e companheira Arajaryr Campos, perpetrado por uma brigada da PIDE composta por António Rosa Casaco, inspector, Ernesto Lopes Ramos, subinspector (que tinha estagiado na CIA), Agostinho Tienza, chefe de brigada e Casimiro Monteiro, também chefe de brigada, na sequência de uma armadilha (baptizada «Operação Outono») fria, longa e premeditadamente montada, em cuja concepção desempenhou um papel fundamental Barbieri Cardoso, inspector superior com o pelouro das «informações», e que, como é de toda a evidência, recebeu o aval de Salazar e de outros altos responsáveis do fascismo. E, pela parte dos comunistas portugueses, nenhuma dúvida que a grande marca de água da evocação desta importante efeméride só pode e deve ser a merecida homenagem ao corajoso e destemido combatente antifascista em que se tornou o General Humberto Delgado e a reiterada condenação do regime fascista que deliberadamente o mandou matar, em mais uma destacada confirmação do seu carácter terrorista e sanguinário. Entretanto, não deve constituir surpresa que, 50 anos depois, mesmo após o conhecimento das peças processuais do julgamento (e da sua revoltante e infame sentença) que decorreu em 1981 no Tribunal Militar de Santa Clara e de dezenas de obras e trabalhos jornalísticos sobre este assunto persistam e sobrevivam dúvidas, interrogações e hipóteses diversas sobre certos aspectos concretos do crime que a opinião pública tenderá naturalmente a seguir com o interesse de quem acompanha um romance policial. Entre outras razões e factores, acontece assim, desde logo porque os directa e comprovadamente implicados no crime se esmeraram sempre em diferentes versões do que realmente ocorreu, no seu compreensível interesse em sacudir a água do seu capote para o capote de outros participantes mas, significativamente, todos sempre querendo convenientemente sustentar o carácter acidental da morte de Delgado e ilibar os mais altos responsáveis da PIDE e Salazar. E também porque, de modo algum similar, alguns dos mais próximos companheiros de Delgado nesta época e grandes alimentadores das suas concepções aventureiras, quiseram rapidamente fazer esquecer toda uma vasta documentação (cartas e mais cartas, planos «revolucionários» e mais «planos «revolucionários», etc., etc.) que não abona em nada o papel objectivamente negativo que desempenharam junto do General, com especial gravidade a partir de 1964 quando este se afasta da Frente Patriótica de Libertação Nacional, fica isolado dos principais sectores e personalidades antifascistas e inteiramente nas mãos de bajuladores e arrivistas, de provocadores do mais variado tipo, ou seja, o quadro ideal para que a chamada «Operação Outono» pudesse ser concretizada com êxito, a partir do papel crucial desempenhado pelo informador da PIDE Mário de Carvalho, residente em Itália, e que conseguiu chegar a representante pessoal do General e em quem este manteve total confiança apesar de sucessivos alertas e avisos designadamente do PCP.
 
Manifestação de Apoio ao General Humberto Delgado, Avenida dos Aliados, Porto 14 de Maio de 1958.

Neste sentido, o que mais importará não é saber se a palavra «assassinato» ou «liquidação» foi ou não proferida nas conversas prévias entre Salazar, Santos Júnior, Silva Pais e Barbieri Cardoso (tudo gente boa entendedora para meia palavra lhes bastar), se Delgado foi morto a tiro ou por espancamento brutal (como a autópsia espanhola parece ter indicado) e tantas outras questões deste nível mas sim, ainda que em termos necessariamente breves e muitíssimo incompletos, insistir em dois aspectos essenciais, a saber:

1. A completa falsidade das teorias que tendem a apresentar o assassinato de Delgado como um acidente circunstancial imprevisto e não desejado, já que o objectivo seria a pura detenção e transporte para Portugal do General, e bem assim a tese de que Salazar seria alheio à finalidade consumada da deslocação a Espanha da brigada da PIDE. Entre muitos outros elementos, para se perceber esta conveniente fantasia basta lembrar que Salazar se reunia semanalmente com Silva Pais, que a simples prisão e julgamento em Portugal de Humberto Delgado teriam obviamente uma repercussão internacional que o fascismo teria todo o interesse em evitar, que Salazar não era pera doce a tratar de «erros» ou «deslizes» de subordinados (demitia ministros por recados dados por motoristas) mas todos os directamente implicados no crime foram depois promovidos, para já não falar da escolha para integrar a brigada de Casimiro Monteiro, um consagrado pistoleiro e sádico facínora com dezenas de crimes de delito comum no cadastro até ao transporte para Espanha de cal viva e ácido súlfurico, que, como se sabe, são os materiais mais adequados à «simples» prisão de uma pessoa.

2. Ponto capital é o da compreensão política do processo que conduziu ao assassinato do General Delgado e aqui, sem desmerecer em nada as qualidades e a coragem do General (que até evoluiu positivamente na sua posição sobre a questão colonial), o que de nenhuma maneira se pode ignorar, como continua a ser persistentemente feito (veja-se a este respeito, no que toca ao PCP, as infelizes afirmações feitas no Público de domingo passado pelo seu neto Francisco Delgado Rosa autor do livro Humberto Delgado, a biografia do General Sem Medo), é que o êxito da armadilha montada pela PIDE foi muito facilitada pela impreparação política e mesmo ingenuidade do General, pela sua redução da luta antifascista a um combate pessoal entre ele e o ditador Salazar, pela sua impulsividade e inconstância, pelo seu soberano desprezo pela luta organizada dentro do País e pela ligação às massas, pela sua obcessão por «acções especiais», «putchs» militares de recorte e base incrivelmente fantasiosos, pela sua continuada e reiterada falta de vigilância em relação aos seus aduladores e colaboradores mais próximos, pela incrível facilidade com que dava por sérios planos de «golpes» como aquele proposto por Mário de Carvalho em que este recenseava a distribuição geográfica de 4617 democratas disponíveis para se baterem de armas na mão, entre os quais 843 em Santa Comba Dão!.
 
Recepção ao General Humberto Delgado, Estação de São Bento, Porto 14 de Maio de 1958.
 
Apesar de todas as calúnias despejadas sobre os comunistas e o PCP (incluindo a respeito da autoria do crime, a verdade histórica é que o PCP foi um aliado leal do General Humberto Delgado, fez incansáveis esforços durante o processo de criação, vida e crise da FPLN para garantir ao General um papel de destaque mas inserido no trabalho e responsabilidades colectivas, agiu invariavelmente com flexibilidade e espírito unitário num contexto e em ambientes de exílio muito convulsionados por invejas, intrigas e preconceitos e animosidades contra o PCP, advertiu-o repetidas e fracassadas vezes sobre os provocadores e infiltrados como Mário de Carvalho que o cercavam e empurraram para a morte.
 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A 27 de Janeiro de 1945 os Soviéticos libertaram a «Fábrica da Morte»

Assinalam-se 67 anos sobre a libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho, o mais conhecido dos campos de extermínio construídos pelos nazis. Horrorizados com o cenário que encontraram, os soviéticos denominaram o complexo de «Fábrica da Morte».
 
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A libertação de Auschwitz pelos soviéticos vindos da frente ucraniana ocorreu na tarde do dia 27 de Janeiro de 1945. Sete a oito mil prisioneiros permaneciam no campo, os últimos de um total de pelo menos um milhão e trezentos mil que, entre 1940 e 1945, ali foram assassinados. Escassos foram os que sobreviveram às câmaras de gás, aos fornos crematórios, ao trabalho escravo, às torturas, ao arbítrio sádico dos biltres, à inanição, ao frio, às doenças, às experiências macrabas nas quais seres humanos eram usados como cobaias.
Sendo o maior entre uma extensa rede de campos espalhados pela Europa, Auschwitz era um complexo de três campos.
No início da campanha militar destinada a impor uma nova ordem mundial que perdurasse mil anos, as autoridades do III Reich mandaram construir Auschwitz I com o objectivo de encarcerar opositores políticos. Os primeiros ocupantes, em Maio de 1940, foram alemães e polacos transferidos dos campos de concentração de Sachsenhausen, na Alemanha, e de Lodz, na Polónia.
Judeus, militantes comunistas, sindicalistas e antifascistas, democratas e intelectuais, homossexuais, ciganos, deficientes, testemunhas de Jeová, doentes psiquiátricos e indivíduos com comportamentos que fugissem ao ideal-tipo do homem ariano, eram todos inimigos do regime criminoso liderado por Adolf Hitler. Dachau, Sachenhausen ou Buchenwald foram dos primeiros campos construídos pela canalha nazi.
No início de 1942, começou a funcionar Auschwitz II (Auschwitz-Birkenau), uma ampliação do primeiro campo. Em Outubro de 1942 entrou em funcionamento o Auschwitz III, que mais tarde seria renomeado de Monowitz. Este último campo era vocacionado para a exploração extrema da mão-de-obra escrava.
 
«Solução final»
Estrategicamente colocado no centro da Europa, Aschwitz-Birkenau foi o campo que mais prisioneiros exterminou, sobretudo judeus (quase um milhão num total de 2,7 milhões de semitas mortos em todos os campos de extermínio, e num total de seis milhões liquidados pelos nazis).
O assassínio nas câmaras de gás foi instituído no final de 1941. Os testes com Zyklon-B, usado para combater pragas, foram efectuados com sucesso em soviéticos e polacos. A partir de então, em Auschwitz-Birkenau e noutros campos semelhantes, aquele era o principal instrumento de extermínio.
Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, os líderes nazis discutiram em detalhe a «Operação Reinhardt» ou «solução final» da questão judaica, como diziam. Adolf Eichmann administrou o holocausto organizado com minúcia. Reinhardt Heydrich respondia pela coordenação geral.
A Auschwitz-Birkenau chegava uma linha de comboio cuja circulação era ininterrupta. Vagões apinhados descarregavam vítimas a toda a hora e de todos os pontos da Europa ocupada e das ramificações nazis nos regimes vassalos e aliados. Na Croácia fascista funcionava um outro campo de extermínio, em Jasenovac.
Entre a chegada a Auschwitz-Birkenau e a entrada nas câmaras de gás, após selecção dos aptos e inaptos para o trabalho escravo, podiam passar apenas duas horas.
A «Fábrica da Morte» chegou a aniquilar seis mil seres humanos por dia. Quando os fornos crematórios não carbonizavam os milhares de cadáveres com celeridade, os corpos eram empilhados e queimados ao ar livre.
 
Horror multiplicado
Nos últimos meses de 1944, face ao imparável avanço do Exército Vermelho, os nazis mandaram destruir as câmaras de gás e crematórios de Auschwitz-Birkenau. A ocultação das provas dos crimes cometidos não conheceu limites, e em Janeiro de 1945 tudo servia para matar prisioneiros.
A 17 desse mesmo mês foi dada ordem de evacuação dos três campos de Auschwitz. Mais de 60 mil prisioneiros foram obrigados a marchar dia e noite. Milhares sucumbiram pelo caminho ou foram abatidos. Noutros campos de concentração, trabalho e extermínio evacuados antes da chegada das tropas aliadas, centenas de milhares de prisioneiros foram igualmente obrigados a percorrer quilómetros nas famosas «Marchas da Morte».
Para além de Auschwitz-Birkenau, a Alemanha nazi instalou outros seis campos dedicados quase exclusivamente ou definitivamente ao genocídio. Em Chelmo, Maly Trostenets, Majdanek, Treblinka, Bełżec ou Sobibór executou-se milhões de inimigos do III Reich.  
 
Experiências cruéis e bizarras
Tal como noutros campos de concentração e extermínio, também em Auschwitz-Birkenau o poder nazi ordenou experiências cruéis e bizarras em seres humanos. No Bloco 10 do campo, Joseph Mengele, responsável pela triagem dos prisioneiros enviados para extermínio ou para trabalho escravo, ficou conhecido como o «anjo da morte».
Usando seres humanos como cobaias, Mengele testou a esterilização em mulheres, injectou substâncias para mudar a cor dos olhos a crianças e bebés, amputou e feriu para apurar métodos de estancamento de hemorragias, coleccionou milhares de órgãos após cirurgias violentas e vivissecações, uniu gémeos para tentar criar siameses, injectou substâncias várias para «tratar» o nanismo, o síndroma de Down ou a homosexualidade.
Nos campos de Dachau, Sachsenhausen e Buchenwald, homens eram mergulhados em tanques de água para testar os efeitos da hipotermia ou sujeitos a compressão e descompressão, agonizando enquanto os carrascos tiravam notas. Eram infectados com tifo, peste, lepra, cólera, ou sujeitos a inalação de produtos tóxicos.
As práticas não eram marginais ou iniciativa de um punhado de sádicos, mas financiadas e acompanhadas com interesse e fascínio pelos máximos responsáveis do III Reich. Foram publicados artigos e criados institutos. As ossadas de judeus, ciganos, mestiços ou deficientes eram enviadas para Berlim para demonstração da superioridade da raça ariana. Empresas sustentáculo do poder nazi, como a IG Farben (Bayer), compravam seres humanos para os usar nos laboratórios. 
 
Grande capital lucrou
No complexo de Auschwitz, o campo de Monowitz funcionava fundamentalmente como pólo de trabalho forçado. Deutsche- Ausrüstungs-Werk – DAW (empresa de armamento das SS), IG Farben-Bayer (que era também a fornecedora do gás Ziklon-B) ou Krupp foram algumas das empresas que ali instalaram unidades alimentadas pela mão-de-obra escrava. A abundância colmatava a exclusão semanal dos inaptos e doentes, imediatamente sentenciados à morte. A esperança média de vida dos prisioneiros sujeitos a jornadas brutais em condições inumanas rondava os três meses.
Em Auschwitz-Birkenau foram fundados quase 40 subcampos onde milhares de pessoas produziam produtos agrícolas e industriais; eram enviados para a extracção de carvão ou pedra. Em Dachau, que administrava mais de 30 outros grandes campos de trabalho, em Buchenwald, que administrava mais de 80 estruturas, ou em Sachsenhausen, donde eram geridos 60 campos de trabalho espalhados por toda a Alemanha, a consigna era igualmente fazer lucrar o capital à custa da escravatura.
Nos latifúndios germânicos e nas casas dos senhores do III Reich e militantes nazis, milhares de eslavos foram explorados até à exaustão. Quando morriam, compravam-se outros escravos. 
 
Cúmplices na impunidade
Derrotada a besta, muitos dos criminosos foram capturados, julgados e sentenciados. Muitos mais furtaram-se à justiça. Não poucos escaparam porque, aniquilado o imperialismo alemão, o alvo voltava a ser a URSS.
Contra o primeiro Estado de operários e camponeses, a reacção mundial havia atiçado as hordas nazi-fascistas, que foram derrotadas e empurradas até ao seu covil, em Berlim, pelos heróicos soviéticos que sabiam estar a defender a pátria de todo o proletariado.
Logo após a capitulação do regime hitleriano, os EUA, através da «Operação Paperclip», empenharam-se na caça dos especialistas nazis, particularmente os envolvidos na máquina militar e de inteligência.
O responsável pelo programa de foguetes da Alemanha hitleriana e membro do Partido Nazi, Wernher von Braun, é um dos quase dois mil cientistas e técnicos resgatados. A posterior carreira de sucesso de von Braun no programa espacial norte-americano não é caso isolado.
No rol de colaboradores das fugas de criminosos nazis, destaca-se ainda a neutral Suíça, a Argentina e o Vaticano do papa Pio XII (que enquanto cardeal obrigou os bispos católicos alemães a jurar fidelidade a Hitler).
Através de um complexo processo de recriação de identidades e emissão de passaportes, centenas de nazis deram o salto para as pampas sul-americanas do fascista Juan Perón, e daí para outros territórios da América Latina. Joseph Mengele, o «anjo da morte de Auschwitz» foi um deles.
  
Revoltas e resistência
Em Auschwitz, à semelhança do que acontecia noutros campos de concentração e de extermínio, funcionavam orquestras compostas por prisioneiros, cuja finalidade era não deixar entediar os algozes e pacificar as multidões que chegavam nos comboios com terminal na morte ou os prisioneiros enviados em cacho para o trabalho escravo.
Mas face ao horror nazi, não havia pacificação possível, e apesar da brutal repressão e da morte certa, e não raras vezes, eclodiram revoltas nos campos.
Em Auschwitz centenas de prisioneiros ter-se-ão rebelado em 1944. Mataram guardas e fizeram explodir um dos edifícios onde funcionavam as câmaras de gás e os fornos crematórios, usando granadas trazidas de uma fábrica de armamento onde trabalhavam.
Calcula-se que cerca de 700 prisioneiros tenham tentado fugir de Auschwitz. Menos de metade terão tido êxito.
Um dos casos de resistência e revolta passou-se no campo de Buchenwald e chegou até nós escrito por Bruno Apitz, comunista alemão que transpôs no romance «Nu entre Lobos», editado recentemente pela Avante!, a experiência vivida por si e por muitos dos seus camaradas.
Em Buchenwald foi assassinado Ernst Thaelmann, presidente do Partido Comunista Alemão, revolucionário tenaz que os nazis nunca conseguiram quebrar durante os 11 anos passados nos cárceres do III Reich, a exemplo de milhares de outros que resistiram à barbárie nas condições mais extremas e perante os maiores obstáculos, conservando a centelha de vida e esperança donde germina o futuro.
 
Tarrafal
Identificando-se com os métodos, partilhando a ideologia e servindo os mesmos interesses de classe do regime nazi, a ditadura fascista de Salazar criou o Campo de Concentração do Tarrafal. A 29 de Outubro de 1936 chegaram ao «Campo da Morte Lenta», inspirado nos congéneres nazis, os primeiros 152 de um total de 340 antifascistas que ao longo dos anos para lá foram deportados (comunistas, sobretudo).
No total, os presos do Tarrafal cumpriram mais de dois mil anos de pena, a maioria sem ter comparecido a qualquer julgamento.
Tal como nos campos nazis, também no Tarrafal quem chegava vinha «para morrer», como dizia o seu director, Manuel dos Reis. 32 morreram mesmo, sucumbindo aos maus-tratos, aos trabalhos forçados, à biliosa, entre os quais o secretário-geral do PCP, Bento Golçalves.
 
Fonte: Avante

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

70 anos após a libertação pelas tropas soviéticas do campo de concentração de Auschwitz



Nos 70 anos da libertação de Auschwitz

Recentemente, a propósito do assassinato de cartoonistas e outros franceses, entre os quais quatro judeus, em Paris, o jornalista Jonathan Freedland intitulou um artigo, no The Guardian, de 9 de Janeiro, com a seguinte frase: "First they came for the cartoonists, then they came for the Jews." Esta frase inspirou-se numa outra do pastor luterano alemão Martin Niemöller, alertando contra a indiferença das pessoas face às perseguições contra os “outros”, na Alemanha nacional-socialista.

Se é certo que a História não se repete, pois os contextos diferem consoante os períodos, mas não deixa de ter matrizes idênticas, devido à agência humana do processo decorrido no passado. Por isso, a História, enquanto disciplina que recorda o passado, para além das memórias particulares, não deixa de ser um importante instrumento de alerta, para que crimes idênticos, cujos antecedentes se assemelham não se repitam. Neste caso alerta e lembra o que pode provocar o aumento do anti-semitismo e a indiferença face a ele e às perseguições. Da mesma forma alerta e lembra o Dia internacional de Lembrança ou de Memória do Holocausto, instituído pela ONU em 2005, assinalando o dia da libertação de Auschwitz.

Hoje, dia 27 de Janeiro de 2015, ano em que se comemora também o septuagésimo aniversário do final da II Guerra Mundial, decorrem precisamente os mesmo 70 anos da libertação, pelas tropas soviéticos, de Auschwitz, nome que é um símbolo do maior crime cometido contra a humanidade – o Holocausto, ou Shoah. Ou seja, o extermínio de pessoas, pelo simples facto de terem nascido judeus, considerados pelos nazis como fazendo parte de uma “raça” que não mereceria, segundo eles, habitar a face da terra.

Na sua ofensiva geral na frente leste, o Exército Vermelho chegou, em 27 de Janeiro de 1945, a Auschwitz, onde encontrou cerca de 7500 prisioneiros, deixados no campo. Os soldados e oficiais soviéticos aperceberam-se de que um crime sem precedentes tinha ali sido cometido. Com a libertação dos campos de Bergen-Belsen, pelas tropas britânicas, e de Buchenwald e Dachau, pelo Exército norte-americano, pela primeira vez, observadores ocidentais confrontaram-se com os horrores cometidos pelos nazis. Muitos dos sobreviventes desses campos tinham chegado, evacuados em "marchas da morte" de Auschwitz, descritos por todos como os piores campos.

Mas muito haveria ainda que ser depois investigado, no pós-guerra, até que se conhecesse a realidade dos campos de extermínio, distintos dos outros campos de concentração, e onde a maioria das vítimas tinham sido judeus. O plano nazi de aniquilação de todos os judeus da Europa, bem como a função dos campos de extermínio de Belzec, Chelmno, Treblinka, Majdanek, Sobibor e Auschwitz Birkenau só mais tarde seriam verdadeiramente conhecidos, também devido à dificuldade de “compreender” que um crime sem precedentes tinha sido cometido numa escala industrial de milhões de mortos.

Etapas para o Holocausto
Ainda mais tempo decorreria até que os historiadores concordassem que o processo que levou ao Holocausto (ou Shoah) decorreu por etapas, num processo sem retorno cujo seguimento e desfecho seriam inimagináveis, à época da chegada dos nazis ao poder. Ao colocar o anti-semitismo racial no centro da sua ideologia e prática, o regime nacional-socialista começou por definir a figura do judeu e apelar, logo em 1 de Abril de 1933, ao boicote ao comércio judaico. Os nazis prosseguiram com a legislação de exclusão dos judeus das profissões liberais e da função pública e, através das Leis de Nuremberga, de Setembro de 1935, ano em que as SS ficaram com a direcção dos campos de concentração, atribuiu um estatuto de cidadania e "sangue" diferente aos judeus.

Seguiu-se uma política de expropriação e de “arianização” do património dos judeus, levada a cabo paralelamente com a “emigração”/expulsão destes dos territórios alemães, de modo a fazer deles “purificados de judeus” (Judenrein), nomeadamente a partir de Novembro de 1938. A II Guerra Mundial, iniciada em Setembro de 1939, com a invasão da Polónia pelas tropas da Wehrmacht, dificultou, no entanto, a emigração-expulsão e, com a sucessiva ocupação de outros países, a Alemanha nazi ficou com mais três milhões de judeus, da Checoslováquia, Áustria e da Polónia, o país europeu onde havia mais judeus.

A partir de Junho de 1941, com a invasão da URSS iniciada em 22 de Junho, a política nazi relativamente aos judeus mudou e já não mais passou pela expulsão destes, mas, sim, pela concentração e o seu enclausuramento em guetos, antes da deportação para os campos de extermínio, onde viriam a ser assassinados em massa. Efectivamente, houve uma nova etapa em direcção ao Holocausto, devido à emissão por Hitler e pelas autoridades SS da ordem de dar plenos poderes aos Einsatzgruppen – batalhões de polícia que seguiam as tropas nazis e viriam a ser responsáveis pelo assassinato de cerca de dois milhões de pessoas – e, por outro lado, devido às directrizes sobre a actuação de combate a leste relativamente aos "comissários políticos" soviéticos, dando ordem (Komissarbefehl) para que todos fossem fuzilados, assim que capturados. Dada a identificação e amálgama nazi dos comunistas com os judeus, esta ordem passou rapidamente a atingir civis, mulheres, crianças e velhos.

A relação entre eliminação física a leste, a impossibilidade de chegar a uma solução territorial e a missão confiada a Reinhard Heydrich e ao Reichsführer SS, Heinrich Himmler, de conceber uma solução de conjunto do problema judeu nos territórios sob domínio alemão desembocou na "solução final". Em 13 de Outubro, Himmler decidiu a construção de um campo em Belzec, na Polónia, onde os judeus seriam mortos, através do gás dos tubos de escape de camionetas. Outro centro semelhante seria erguido em Chelmno. No entanto, também era claro que os fuzilamentos em massa, bem como a utilização das carrinhas de gás não resolviam o problema da escala de extermínio pedida por Himmler.

A posição das SS triunfaria sobre as outras facções nazis com a conferência de Wannsee, convocada para 20 de Janeiro de 1942, por Heydrich, onde este e outros 15 dirigentes nazis viriam a delinear a sequência e a logística da "Solução Final da Questão Judaica Europeia". Nessa conferência, foi definitivamente decidida, em substituição da "emigração", a "evacuação dos judeus em direcção a leste", opção que já constituía "uma experiência prática muito significativa para a próxima solução final da questão judaica" europeia, que abrangeria mais ou menos 11 milhões de judeus.

E Auschwitz?
Auschwitz, na realidade um complexo de vários campos, de concentração (Auschwitz I), de extermínio (Auschwitz II-Birkenau) e de trabalho escravo (Auschwitz III-Buna-Monowitz), situado perto de Oswiecim (Auschwitz, em alemão), perto de Cracóvia, na Alta Silésia, anexada pela Alemanha nazi à Polónia, foi considerado o instrumento e símbolo do Holocausto. Estima-se que cerca de pelo menos 1,1 milhão de judeus foram ali assassinados, a par de mais de 70.000 polacos, 21.000 ciganos e cerca de 15.000 prisioneiros de guerra soviéticos.

Em 1 de Março de 1941, Heinrich Himmler ordenou o alargamento do Auschwitz I, ou campo principal (Stammlager), de modo a que ali se passasse a eliminar judeus, o que aconteceu em Agosto desse ano. Em Setembro, as SS testaram, nesse campo, o gás Zyklon B, como instrumento de massacre em massa. Em 22 de Julho, iniciaram-se as deportações dos judeus de Varsóvia para o campo de extermínio de Treblinka, onde foram mortos cerca de 800.000 judeus em quatro meses. Depois Himmler ordenou a deportação de todos os judeus dos territórios ocupados para Auschwitz.

Em 8 de Outubro de 1941, começou a ser erguido, junto a Auschwitz I, um complexo maior, conhecido por Auschwitz II-Birkenau, cuja primeira câmara de gás provisória começou a operar em Janeiro de 1942. Entre Maio e o Verão morreram cerca de 800.000 judeus vindos da Hungria, continuando as operações de gazeamento até Novembro de 1944, quando Himmler ordenou a destruição das câmaras de gás e a evacuação dos 60.000 prisioneiros de Auschwitz, através das "Marchas da Morte", em direcção aos campos de concentração a oeste.

Por Irene Flunser Pimentel
(Público)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

OS ASSASSINOS DO CHARLIE HEBDO




O que pensarão os sobreviventes civis de um ataque norte-americano no Paquistão? É certo que as bombas vêm de Washington mas se não houvesse talibãs talvez não existisse guerra. Não creio que o vejam assim. Não há lucidez para essas coisas quando estilhaçam a tua família pelos ares. Os culpados são os norte-americanos, ponto. O que pensarão os sobreviventes civis de um atentado islâmico em Paris? É certo que as metralhadoras foram empunhadas por homens que gritavam por Alá mas se a França não tivesse apoiado a guerra contra Kadafi e Bashar al-Assad talvez não houvesse atentados. Neste caso, repetindo o mesmo exercício, os culpados são os muçulmanos, ponto. Não, não há mesmo lucidez para perceber que as vítimas das guerras são sempre os mesmos. Os trabalhadores e os povos que enchem rios de sangue para ilustrar o extremismo religioso que alimenta o fanatismo e abre caminho ao imperialismo. Foi sempre assim. 

Nos anos 80, no Afeganistão, as mulheres andavam de mini-saia, conduziam, estudavam e levavam uma vida dentro do que se pode considerar a normalidade dita ocidental. Os Estados Unidos financiaram, treinaram e armaram os talibãs e afogaram o país na Idade Média. A exaltação da religião contra as forças do progresso conduziu à desgraça que se conhece e anos mais tarde milhares de trabalhadores norte-americanos pagavam com a própria vida a tragédia das Torres Gémeas. Na Palestina, Israel - um país inventado pelo extremismo sionista - abriu caminho ao reforço de movimentos religiosos como o Hamas para evitar a direcção laica e progressista da luta pela libertação nacional daquele país.

A mesma receita foi instigada uma e outra vez. Nos últimos anos, os Estados Unidos e a União Europeia financiaram, treinaram e armaram milhares de homens cujo propósito era derrubar regimes laicos ou progressistas. Fizeram-no para acabar com Muammar Kadaffi e fizeram-no, até agora sem sucesso, para derrubar Bashar al-Assad. A Líbia era o país que encabeçava os índices de qualidade de vida de todo o continente africano. Agora, no protectorado europeu e norte-americano, a selvajaria religiosa levada ao extremo enfia imigrantes negros em jaulas do velho jardim zoológico de Tripoli. Na Síria, o que há é um país absolutamente devastado, imerso numa guerra civil. O Iraque tampouco se levanta do caos em que se mantém há mais de uma década. O que acontece hoje naqueles países é responsabilidade directa dos governos norte-americano e europeus, incluindo o de Portugal.

O que se passou hoje na redacção do Charlie Hebdo, em Paris, foi um crime horrendo. Foi um atentado contra a liberdade de expressão e de imprensa. Nos próximos dias, veremos gente em todas as partes a apontar os dedos aos muçulmanos - principalmente, Marine Le Pen e a Frente Nacional - enquanto nos corredores dos bancos e das grandes empresas se conta o dinheiro do saque roubado através dos recursos naturais do Norte de África e Médio Oriente. No Estado espanhol, quando explodiram bombas nos comboios de Madrid, as vítimas eram trabalhadores. Como em Paris, como em Islamabad, como em Alepo, como em Bengazi, como em Cabul. A fúria dos povos do Estado espanhol rebentou porque perceberam que o governo de Aznar lhes mentira sobre a autoria dos atentados e porque perceberam que aquela era uma resposta a uma guerra contra outro povo.

Falta a lucidez de se clarificar quem, de facto, foram os autores do crime perpetrado em Paris. Quem quer que tenha sido merece ser perseguido, julgado e castigado. Mas para lá das sombras com que comentadores, politólogos, jornalistas queiram esconder a verdade mais crua devemos perceber que o imperialismo vive uma fase agressiva. Instalou o caos na vida dos povos do Norte de África, do Médio Oriente, na Ucrânia e na Venezuela. Apontar o dedo contra o extremismo islâmico sem apontar o dedo contra quem o financiou, treinou e armou é um insulto à memória dos que caem sob a barbárie da guerra.

Hoje, todos se dizem Charlie. Eu também sou. Mas devemos sê-lo todos os dias denunciando sem ceder à auto-censura quando se refere aos que nos conduzem à miséria, à exploração e à guerra. Há quem hipocritamente se diga hoje Charlie para amanhã esconder quem é que deu armas ao ISIS, à al-Qaeda e a outros grupos. Amanhã, esses, vão guardar silêncio para os crimes do extremismo religioso israelita contra o povo palestiniano. Ou vão inventar novas armas de destruição massiva para justificar matanças pelo mundo fora. Os jornais e os jornalistas que se auto-censuram - ou que manipulam de peito erguido - também são culpados do que se passou hoje na redacção do Charlie Hebdo. Todos, sem excepção, grandes grupos económicos e financeiros, incluindo os governos, partidos, jornais e mercenários em que mandam, merecem a nossa repulsa. São eles os assassinos do Charlie Hebdo. E a nós cabe-nos defender a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade religiosa dentro dos limites de uma sociedade laica. Mas, principalmente, cabe-nos defender a paz e um mundo de justiça social. Esses princípios são os verdadeiros inimigos do imperialismo, do fascismo e do extremismo religioso.

Texto de Bruno Carvalho publicado no blog Manifesto 74


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A Tragédia de Bhopal (1984 – 2014)


Os fetos que foram abortadas na sequência da tragédia,  foram preservados para estabelecer a causa da morte.
(Fotografia Magnum)
 
Na madrugada de 2 para 3 dezembro de 1984, uma fuga descontrolada de gás na fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bhopal, na Índia, causou um dos piores desastres humanitários e ambientais da história da humanidade. 24 toneladas de Isocianato de Metila, um composto químico altamente tóxico e mortal, contaminou todas as formas de vida e os recursos naturais que existiam num raio de vários quilómetros em redor da fábrica.
 
 Dr. Sathpathy é o perito forense do Hospital Hamida. Já realizou mais de 20 mil autópsias. (Fotografia Magnum)
 
A Union Carbide, empresa de pesticidas de origem norte-americana, negou-se a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos contaminantes, e, como consequência, os médicos não tiveram condições de tratar adequadamente os indivíduos expostos. Estima-se que entre 22.000 e 25.000 pessoas morreram por contaminação química e que mais de 57.000 pessoas foram expostas a níveis perigosos deste composto, o que causou malformações e numerosas sequelas que em alguns casos passaram de geração em geração.
 
 
 Todas estas mulheres perderam os seus maridos na tragédia. 
(Fotografia Magnum)

Apesar deste quadro absurdo, a fábrica da Union Carbide em Bhopal permanece abandonada desde a explosão tóxica enquanto que os resíduos perigosos e materiais contaminados ainda estão espalhados pela área. 30 anos depois do desastre, a empresa norte-americana que é proprietária da fábrica, a Union Carbide, continua sem responder perante a justiça indiana e milhares de pessoas da região continuam a beber água contaminada, são afetadas por várias doenças ginecológicas e infertilidade.
 

Enterro de uma criança não identificada em 1984.
(Fotografia Magnum)

 
Mais sobre o assunto em:
Desastre de Bhopal (Wikiepadia)


La tragedia según Magnum (El Mundo)
 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Amigos de Mário Soares

Em 30 de Novembro de 1983, chefiava Mário Soares o governo do Bloco Central, foi invectivado por manifestantes, em Coimbra. O governante pressionou um agente da PSP para que actuasse. Levados os detidos a Tribunal, o juiz Herculano Nogueira considerou não ter o caso acolhimento, pois o Código Penal exigia apresentação de queixa pelo ofendido. O estadista Soares não se conteve: Se o juiz entendeu que não foi um crime público, o problema é dele. Ficamos a saber que esse juiz não se importa que lhe chamem gatuno. O magistrado denunciou Sua Excelência ao Conselho Superior da Magistratura por desrespeito para com um órgão de soberania e a independência dos tribunais . Daí a dias, o Conselho de Ministros alterou o Código Penal, fazendo com que fosse dispensada qualquer queixa do ofendido, sempre que se tratasse de crimes de difamação, injúrias e outras ofensas contra órgãos de soberania e respectivos membros. Uma lei à medida.

Em 26 de Novembro de 2014, à saída da prisão de Évora, onde foi visitar o amigo José Sócrates, o ex-governante e ex-presidente da República e actual Conselheiro de Estado invectivou magistrados, inspectores da Judiciária e da Autoridade Tributária, quantos, ao longo de um ano, cooperaram nos fundamentos processuais (até ao momento, 800 páginas de provas indiciárias), que persuadiram um juiz de Instrução Criminal a ditar prisão preventiva para um ex-primeiro-ministro. Mas ontem, Mário Soares, um ex-primeiro-ministro absolveu José Sócrates, outro ex-primeiro-ministro e condenou liminarmente a Justiça. O primeiro foi declarado inocente sem esperar pelo julgamento e a segunda considerada uma tropelia, uma vergonha, uma infâmia, uma bandalheira, coisa de uns tipos, de malandros. Pensaria Mário Soares, em 1983, que um belo dia, em 2014, poderia ser vítima da sua alteração do Código Penal?

É evidente que o ex-primeiro magistrado da Nação sempre adoptou a pele de animal feroz na defesa de determinados amigos. Não se trata de uma questão de idade ou de emoção de circunstância. Defendeu continuadamente o amigo Carlos Andrés Pérez (1922-2010), que foi presidente da República da Venezuela, alvo de impeachment por acção da Procuradoria-Geral da República e do Congresso Nacional, sendo destituído, em 1993, detido preventivamente e depois sentenciado a dois anos e quatro meses de prisão. Acusação confirmada: peculato doloso e apropriação indevida. No que toca à fortuna pessoal, por via política, as estimativas situavam André Pérez ao nível das centenas de milhões de dólares. Era alcunhado saudita. Igualmente defendeu convictamente o amigo Bettino Craxi (1934-2000), ex-primeiro-ministro de Itália, amigo de Berlusconi, apanhado na Operação Mãos Limpas. Demitiu-se por corrupção. Não cumpriu a pena de 14 anos. Fugiu para a Tunísia, onde faleceu, amparado pelos 150 milhões de euros da conta-poupança afincadamente amealhada ao leme do governo.

Neste momento, José Sócrates não é inocente: apenas beneficia de presunção de inocência. Ontem, em Évora, Mário Soares, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da República e actual conselheiro de Estado, protagonizou uma cena de degradação entre o patético e o preocupante. O patético é óbvio. O senador está a precisar de descanso no Palácio da Pena. O preocupante é que alguém o secunde, pois está convencido que o país pensa como ele. José Sócrates até poderá ter alguma razão para queixumes. Mas muito mal andará se continuar a receber visitas de nível tão elevado. 
 
Texto de César Príncipe, encontra-se em http://resistir.info/           

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"O lodaçal"

Contrariamente ao discurso das maiorias, nacional e europeia, o nosso problema não é o excesso de Estado, mas o seu constante e progressivo aniquilamento.

Em sentido figurado, um lodaçal é um ambiente de vida desregrada, um lugar aviltante. Literalmente, o vocábulo expressa um lugar onde há muito lodo, um atoleiro. O escândalo BES, com responsáveis evidentes e nenhum preso, o roubo legal de milhares de milhões de dólares operado pelo Luxemburgo às economias dos países europeus e a recente hecatombe que se abateu sobre o Governo e as cúpulas da administração pública portuguesa mostram que é lá, num lodaçal, que vivemos.

Estes três escândalos, de tantos que tornam desesperada a vida cívica, têm uma génese: a desagregação do Estado, com a consequente anulação do seu poder fiscalizador e regulador sobre o mundo financeiro. Contrariamente ao discurso das maiorias, nacional e europeia, o nosso problema não é o excesso de Estado, mas o seu constante e progressivo aniquilamento. O nosso problema consiste em encontrar meios políticos para devolver ao Estado instrumentos de fiscalização e regulação que protejam o interesse geral.

O meritório trabalho do International Consortium of Investigative Journalists expôs uma dimensão magna de um roubo legal, que permitiu a cerca de 340 empresas internacionais, assistidas fiscalmente por uma só, de consultoria financeira, a PricewaterhouseCoopers, pagarem apenas cerca de 1% de imposto sobre os lucros. Moralmente nojento, quando pensamos na monstruosa carga fiscal que, em nome da crise, asfixia os cidadãos. Repugnante, quando esta degradante evasão fiscal, grosseiramente violadora da lealdade devida entre Estados-membros da União Europeia, foi conduzida sob a responsabilidade de Jean-Claude Juncker, que acaba de assumir a presidência da Comissão Europeia.

Vivemos num lodaçal de ataques aos direitos básicos dos cidadãos, perpetrados por figurões que se dizem, sempre, de bem com a sua consciência de sociopatas, de quebra constante da confiança no Estado, de desespero crescente quanto ao futuro. Porque as leis, iníquas e de complexidade impenetrável, protegem os fortes do mesmo passo que diminuem os apoios sociais e o direito dos mais débeis.

Responsabilidade moral e política são coisas que os dirigentes não conhecem. Mas a falta de decoro é-lhes pródiga. Um episódio pouco divulgado mostra-o com clareza. No dia 11 deste mês, numa audição na Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, a propósito da eleição de Portugal para o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas e respondendo a considerações que vários deputados fizeram sobre o impacto da crise na vida dos portugueses, o ministro Rui Machete afirmou que os direitos fundamentais sociais dependem da economia e podem ser restringidos em função dela. Ou seja, em matéria de direitos fundamentais contam nada as aquisições civilizacionais, as convenções internacionais que subscrevemos e a Constituição da República Portuguesa, porque mandam o PIB e os credores internacionais. Rui Machete disse que na ONU "Portugal pautará a sua actuação pelo objetivo da defesa da dignidade da pessoa humana e do carácter individual, universal, indivisível, inalienável e interdependente de todos os direitos humanos, sejam direitos civis, culturais, económicos, políticos ou sociais". Rui Machete afirmou ir defender na ONU os mesmos direitos sociais que, garantiu, podem ser suspensos cá dentro, penalizando as pessoas em pobreza extrema, os idosos e as crianças. Forte lógica, sólida moral.

Importa relembrar, a propósito desta (mais uma) infeliz intervenção pública de Rui Machete, que “os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de estado de emergência, declarados na forma prevista na Constituição” (Artigo 19.º, n.º 1, da CRP).

E voltamos ao lodaçal, que explica a abulia generalizada. Novo exemplo: sorrateiramente, avança a municipalização da Educação, metáfora para consagrar nova tragédia, qual seja entregar ao arbítrio das câmaras aderentes um domínio estratégico, que jamais deveria sair da tutela central. Basta reler a história da I República (a descentralização/municipalização da educação foi definida pela primeira vez em decreto de 29 de Março de 1911) para perceber que não é de descentralização municipalista, mas de autonomia, que as escolas e os professores necessitam e que a substituição do monolitismo vigente por vários caciquismos não resolverá um só problema e acrescentará muitos mais e graves.

A pequena dimensão do país, a natureza dos compromissos, legais e éticos, assumidos pelo Estado face a um vastíssimo universo de cidadãos e as economias de escala que as rotinas informáticas permitem, justificam que a gestão da Educação permaneça centralizada. Quanto aos aspectos que ganharão, e são muitos, se aproximarmos a capacidade de decidir ao local onde as coisas acontecem, não deve o poder ser entregue às câmaras, mas aos professores e às escolas. Justifica-o a circunstância de estarmos a falar da gestão pedagógica. Porque quem sabe de pedagogia são os professores.
 
Artigo de Sanatana Castilho no Público de hoje.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Se los llevaron vivos (I)


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Imagens Via: Blog La Isla Desconocida
 

"Há 43 estudantes desaparecidos no México e na última vez que foram vistos estavam com a polícia" (Público)

"Nova vala comum encontrada na zona onde desapareceram estudantes mexicanos" (Público)

"Ex-autarca de Iguala, onde desapareceram 43 estudantes mexicanos, foi preso" (Público)
 


domingo, 28 de setembro de 2014

A Teia de Aranha

 
A Teia de Aranha (clique par ampliar).
Governos do Bloco Central PS/PSD/CDS-PP e o Grupo Espirito do Santo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

El asesinato de Víctor Jara fue simplemente monstruoso !

El asesinato de Víctor Jara fue simplemente monstruoso

Este domingo 15 de septiembre se cumplen 40 años del bestial crimen cometido en el Estadio Chile, donde el cantautor fue torturado y acribillado por los militares. Le machacaron los dedos a culatazos para que no volviera a tocar la guitarra y después jugaron a la ruleta rusa con él.


El asesinato de Víctor Jara es simplemente monstruoso, uno de los más crueles de los cometidos en los días siguientes al golpe, cuando la represión de las tropas era salvaje y desorganizada. Ya llegaría la DINA en 1974 a organizarla y sistematizarla, pero por el momento el terror estaba a cargo fundamentalmente de los efectivos del Ejército. En su fallo de diciembre pasado, el ministro en visita Miguel Vásquez Plaza fijó el 16 de septiembre de 1973 como la fecha del homicidio de Víctor Jara en el entonces Estadio Chile, pero los detenidos que fueron trasladados al Nacional el 15 reconocieron el cadáver acribillado del artista cuando los sacaban del recinto a punta de culatazos.
 
Estaba en una pila de entre 30 a 40 víctimas fusiladas, todas cubiertas de polvo blanco, al parecer cal. Lo concreto es que el cuerpo de Jara fue retirado del primer campo de concentración del golpe en la madrugada del 16 y arrojado en un sitio eriazo aledaño al Cementerio Metropolitano, donde unas pobladoras lo encontraron el 18.
 

CANTARÍA EN ACTO TRASCENDENTAL DE ALLENDE

En la mañana del 11 de septiembre de 1973, Víctor Lidio Jara Martínez tenía planificado cantar en un acto de Salvador Allende en el campus de la Universidad Técnica del Estado (UTE), donde el Presidente pensaba llamar a un plebiscito para que el pueblo decidiera si seguía o no en el poder. El acto estaba fijado para las 12 horas. Víctor Jara llegó a las 11 con su guitarra y los organizadores del acto de Allende le preguntaron si no sabía lo que estaba pasando. “Claro que sé, pero oí por la radio Magallanes que había que ir a sus puestos de trabajo. Bueno, yo trabajo acá y acá estoy”, respondió el cantautor, que también era director teatral de la UTE. Tenía 40 años.
 
Tras el toque de queda de las 2 de la tarde, cerca de 600 académicos, estudiantes y funcionarios –incluido Jara-decidieron quedarse. En la madrugada del 12, los militares asaltaron a balazos la UTE y a punta de metralletas sacaron del campus a los detenidos. Los subieron a golpes a buses de la locomoción colectiva y los llevaron al Estadio Chile.



LO RECONOCIERON Y SE ENSAÑARON CON ÉL

De acuerdo a un artículo publicado por La Nación, sobre la base de los expedientes del caso, un oficial de lentes oscuros y en tenida de guerra, cara pintada, metralleta terciada, granadas colgando en su pecho, pistola y cuchillo corvo en el cinturón, reconoció al cantante popular y se ensañó con él. Lo llamaban “El Príncipe” por sus ademanes soberbios.

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Foto: Fundación Víctor Jara.

Según el relato del abogado Boris Navia, también detenido, el oficial que lo reconoció “lo golpeaba una y otra vez. En el cuerpo, la cabeza, descargando con furia las patadas. Casi le estalla un ojo. Nunca olvidaré el ruido de esa bota en las costillas. Víctor sonreía. Él siempre sonreía, tenía un rostro sonriente, y eso descomponía al facho. De repente, el ofi­cial desenfundó la pistola. Pensé que lo iba a matar. Siguió golpeándolo con el cañón del arma. Le rompió la cabeza y el rostro de Víctor quedó cubierto por la sangre que bajaba desde su frente”.
 
Otro de los detenidos, el periodista Sergio Gutiérrez, contó que el artista “tenía numerosos hematomas en los pómulos, se notaba pálido, muy débil. Su mirada estaba perdida”. Apenas pudo reconocerlo, lo saludó y le preguntó cómo estaba, a lo que Víctor Jara le respondió: “Mira mis manos… mira mis manos… me las machacaron para que nunca volviera a tocar la guitarra…”.
Gutiérrez recordó que “sus manos, esas milagrosas manos cuyos dedos deleitaban a millares de trabajadores e intelectuales al pulsar las cuerdas de la guitarra para acompañar sus canciones de protesta y esperanza, ya no eran tales. Estaban hinchadas y parecían tener un solo dedo, gordo y recubierto de sangre. Las pocas uñas que le quedaban estaban negras en su totalidad. Eran las manos más golpeadas que había visto en mi vida”.
 

ULTIMOS MOMENTOS ANTES DE SER ACRIBILLADO

Cuando Víctor Jara se encontraba en una celda recibiendo ánimo de los otros detenidos, repentinamente llegaron dos soldados que lo arrastraron violentamente hasta un sector alto del Estadio, donde comenzó una nueva golpiza más brutal que las anteriores, a culatazos. El oficial apodado “El Príncipe” había recibido la visita de unos oficiales de la Armada.
 
El abogado Navia recordó que “desde lejos vemos cómo uno de ellos comienza a insultar a Víctor, le grita histérico y le da golpes de puño. La tranquili­dad que emana de los ojos de Víctor descompone a sus cancerberos. Los soldados reciben orden de golpearlo y comienzan con furia a descargar las culatas de sus fusiles en el cuerpo de Víctor. Dos veces alcanza a levantarse, herido, ensangrentado. Luego no vuelve a levantarse”. Es la última vez que ven con vida al cantante popular. José Paredes, ex conscripto procesado en 2009 como integrante del grupo de militares que fusiló al cantautor, declaró que “cuando fueron trasladados alrededor de 15 detenidos a un camarín del subterráneo, entre ellos Víctor Jara y Litre Quiroga (ex director de Gendarmería), detrás de ellos llegó el teniente Nelson Haase y un subteniente a cargo de los conscriptos”. El subteniente comenzó a jugar a la ruleta rusa con su revólver apoyado en la sien del cantautor, hasta que salió el primer tiro mortal que impactó en la cabeza del cantautor.
 
El ex conscripto, ya fallecido, añadió que el cuerpo de Víctor Jara cayó al suelo de costado y comenzó a convul­sionar. Enseguida el subteniente ordenó a los conscriptos que se encontra­ban en el lugar que descargaran ráfagas de fusiles en el cuerpo del artista. En total, recibió 44 impactos de bala.
 

EL DIFÍCIL CAMINO A LA JUSTICIA

Después de ser hallado a un costado del Cementerio Metropolitano, el cuerpo de Víctor Jara fue llevado al entonces Instituto Médico Legal, donde un trabajador de militancia comunista lo recono­ció y avisó a su esposa Joan Turner, antes de que lo sepultaran en una fosa co­mún. Su compañera y sus dos hijas pequeñas lo enterraron silenciosamente en un humilde nicho del Cementerio General. Recién en diciembre de 2004, a 31 años de su muerte, el magistrado de 5° Juzgado del Crimen de Santiago, Juan Carlos Urrutia emitió una resolución, donde por primera vez los tribunales se acercaban a la esquiva verdad y esbozaban parte de lo ocurrido con el cantautor popu­lar. El magistrado sometió a proceso al teniente coronel en retiro Mario Manríquez Bravo como autor intelectual del homicidio calificado de Víctor Jara.
 
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Pese al optimismo por alcanzar nuevos avances en el proceso judicial, el caso tuvo un nuevo revés. En mayo de 2008, el ministro de fuero Juan Belmar, integrante de la Corte de Apelaciones de Santiago que había asumido el caso, cerró el sumario (fase indagatoria) con sólo un procesado, el ya señalado comandante Manríquez.
 
A comienzos de enero de 2012 la Corte Suprema redistribuyó diversas causas de violaciones a los derechos humanos y el caso quedó en manos del ministro de Corte de Apelaciones de Santiago, Miguel Vásquez Plaza. El 28 de diciembre pasado, el juez sometió a proceso a los militares en retiro Hugo Sánchez Marmonti y Pedro Barrientos Núñez como autores materiales del homicidio calificado. Junto con ellos, encausó a los también ex miembros de Ejército Roberto Souper Onfray, Raúl Jofré González, Edwin Dimter Bianchi, Nelson Hasse Mazzei, Luis Bethke Wulf y Jorge Eduardo Smith Gumucio como cómplices del brutal crimen. Finalmente, el ministro emitió orden de captura internacional contra Barrientos, quien actualmente vive en Miami. La Corte Suprema aprobó la solicitud de extradición, que está en curso.
 
Fonte: La Nacíon

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O caso BES: Uma intervenção na AR em 2013 para memória futura !



Honório Novo, PCP, 4.6.2013

Intervenção de Honório Novo, na AR, diante do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. As perguntas directas do deputado do PCP foram feitas no ano de 2013. Nessa altura, para o governador do BP o presidente do BES ainda era um cidadão acima de qualquer suspeita.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A voz do dono

 
No conflito ucraniano, as grandes vítimas são a população daquele país, mas a primeira foi a verdade jornalística. Há muito que os media não fazem mais que propaganda.
 
Um assassinato é um assassinato, aqui ou na China. O que é uma verdade cristalina parece escapar a grande parte do chamado jornalismo de referência. Em muitos media reina a ideia orweliana de que as pessoas são todas iguais mas há umas muito mais iguais que outras.

No dia 2 de Maio realizou-se uma manifestação pela unidade da Ucrânia na cidade de Odessa. Integraram essa marcha milhares de pessoas, entre as quais 1500 ultras de claques de futebol, armados, muitos vindos da parte ocidental do país. Durante a manifestação verificaram-se confrontos violentos com grupos que são contra o governo de Kiev, que atacaram a marcha. Na sequência desses incidentes, milhares de manifestantes independentistas ucranianos queimaram um acampamento de activistas contra o governo de Kiev, vulgarmente designados "pró-russos", perto da sede da união dos sindicatos locais. As pessoas que estavam no acampamento refugiaram-se na sede do sindicato, que foi atacada com cocktails-molotov lançados pelos independentistas. Foram queimadas vivas mais de 40 pessoas, fala-se de 42 a 46 vítimas, perante a passividade da polícia e a inacção dos bombeiros. A polícia, actuando às ordens das autoridades de Kiev, prendeu activistas pró-russos que escaparam à fornalha. Dias depois, milhares de manifestantes libertaram os sobreviventes do massacre. O jornal "Público" reza a esse respeito: "Cerca de 30 militantes separatistas que estavam detidos no quartel-general da polícia de Odessa, sob suspeita de envolvimento nos violentos confrontos de sexta-feira que fizeram mais de 40 mortos, foram libertados na sequência de ataque surpresa de activistas pró-russos." Neste texto, igual ao da maior parte dos jornais e televisões, escamoteia-se o essencial: quem matou e quem foi morto. Em nenhum local dessas notícias é dito o óbvio: foram assassinados mais de 40 opositores ao governo de Kiev por manifestantes armados, afectos às forças que apoiam o governo ucraniano, nomeadamente os sectores nazis ligados ao Svoboda e ao Sector das Direitas. Apesar de os factos serem indesmentíveis, a comunicação social ocidental relatou o acontecido com a seguinte grelha de leitura : "No decorrer de incidentes entre pró-russos e independentistas ucranianos morreram mais de 40 pessoas. As autoridades de Kiev acusam Moscovo de infiltrar elementos nos activistas pró-russos e orquestrar uma provocação." Estamos perante um crime, aqui, na Ucrânia ou no deserto do Sara, mas os jornalistas de turno ignoram-no.

Artigo de Nuno Ramos de Almeida no i

O Negócio dos Submarinos Alemães



Uma reportagem recente do jornalista António Cascais realizada para a Televisão Pública Alemã, sobre a história dos submarinos comprados à Alemanha na altura que Paulo Portas era Ministro da Defesa. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Militão Ribeiro


Militão Ribeiro foi um destacado dirigente do Partido Comunista Português nos difíceis anos 40 do século passado. Foi assassinado pelo fascismo na Penitenciária de Lisboa, a 2 de Janeiro de 1950 - só nesse ano, seriam assassinados mais cinco membros do PCP.
 
Foi sujeito a um regime prisional brutal, um regime de exceção, de arbitrariedade e violência, mesmo para os padrões fascistas: incomunicabilidade rigorosa durante meses, proibição de receber livros e material de escrita, visitas e assistência médica especializada e de sua confiança, bem como a proibição de recreios, de utilizar papel higiénico, de poder tomar banho e mudar de roupa semanas a fio, vigilância de 24 sobre 24 horas e a luz da cela permanentemente acesa.
 
Conheceu praticamente todas as cadeias fascistas: Aljube, Peniche, Angra do Heroísmo, Tarrafal, cadeia da PIDE no Porto e Penitenciária de Lisboa, cadeias nas quais passou 10 anos da sua curta vida. "Mesmo quase já um cadáver ainda fui esbofeteado por um agente. Dores, insónias, fome, agonias, tudo tenho sofrido nestes sete meses."- escreveu ele numa carta que conseguiu fazer sair da cadeia, escrita com o seu próprio sangue.
 
Nesta foto, brutal, o cadáver de Militão Ribeiro.

Mais informação aqui e aqui.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Neonazis assaltam uma sede do Partido Comunista Ucraniano (Video)



Neonazis ucranianos assaltam uma sede do Partido Comunista Ucraniano e queimam bandeiras e livros na cidade de Lutsk na região ocidental Volinia.