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segunda-feira, 21 de março de 2016

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

"Dismaland" by Bansky



Um anti-parque de diversões criado por Banksy

Durante meses, sob a camulflagem da suposta rodagem de um filme, Banksy transformou um antigo complexo recreativo perto de Bristol num assustador parque de diversões com obras suas e de artistas convidados, como Damien Hirst ou a portuguesa Wasted Rita. Chama-se Dismaland e pode visitá-lo a partir de sábado, a menos que seja advogado e trabalhe para a Disney.

Chama-se Dismaland, um jogo de palavras que envolve a Disney e o adjectivo dismal (sombrio), apresenta-se como um “parque de estupefacções” (bemusement), vai estar a funcionar até 27 de Setembro num abandonado complexo recreativo em Weston-super-Mare, junto ao Canal de Bristol, e é talvez o mais ambicioso projecto até hoje desenvolvido pelo célebre e enigmático artista britânico que usa o pseudónimo Banksy.

Este anti-parque de diversões, onde a morte, figurada na grande ceifeira, dança ao som de Staying Alive dos Bee Gees num castelo ao estilo Disneyland, e cujas atracções incluem um barco a abarrotar de refugiados, uma carruagem da Cinderella envolvida num acidente de viação, ou uma mulher a ser atacada por gaivotas, foi hoje revelado aos meios de comunicação social e abre oficialmente no sábado, após uma pré-inauguração, na sexta-feira, exclusivamente dedicada à população local.
 
Uma dezena de atracções foi providenciada pelo próprio Banksy, mas a maioria foi realizada pelos mais de cinquenta artistas que aceitaram o seu desafio para colaborar no projecto, de Damien Hirst, Bill Barminski, Caitlin Cherry, Polly Morgan, Josh Keyes, Mike Ross ou David Shrigley à portuguesa Wasted Rita, que já colocou uma mensagem na sua página de Facebook a manifestar o seu entusiasmo e orgulho por participar no projecto.

A prenunciar o que espera o visitante, a entrada faz-se através da reconstituição da zona de segurança de um aeroporto, onde agentes fardados e mal-encarados desenganam os que pensavam que era só comprar bilhete e entrar. O regulamento do parque mostra bem, de resto, que os seus promotores têm experiência em lidar com grafitters e vândalos afins: é estritamente proibido entrar com latas de spray. Numa alínea de legalidade um pouco mais controversa, é igualmente vedado o acesso a quaisquer advogados que representem o grupo empresarial Walt Disney.

O local onde o parque foi montado, conhecido como Tropicana, estava abandonado há década e meia, mas chegou a ser uma das grandes atracções turísticas da frente marítima de Weston-super-Mare, com o seu edifício Art Deco, erguido em 1937, e a sua piscina ao ar livre, que chegou a ser a maior da Europa. “Adorava a Tropicana quando era miúdo, de modo que abrir outra vez aquelas portas é mesmo uma grande honra”, disse Banksy à imprensa inglesa.

A transformação de um terreno ao abandono num parque recheado com obras de meia centena de artistas dos mais diversos países não se faz de um dia para o outro, e é notável que tenha sido possível manter o segredo eficazmente guardado durante tanto tempo. Uma discrição que só foi possível com a cumplicidade das autoridades municipais, que alinharam no plano de Banksy e criaram uma manobra de diversão, convencendo a população de que o local estava a ser usado para rodar um filme.

    
Banksy descreve esta obra colectiva como “um parque de diversões inadequado para crianças”. Além de uma Pequena Sereia desfigurada, de um muito útil poço de fogo para queimar romances de Jeffrey Archer, ou de uma versão de Punch and Judy – um tradicional (e deveras violento) espectáculo de marionetas britânico – com alusões a Jimmy Saville (famoso apresentador de televisão acusado, após a sua morte, de ter sido um abusador sexual em série) e ao best-seller de temática sado-masoquista As Cinquenta Sombras de Grey, o Dismaland oferece-lhe, por exemplo, uma curiosa variante do minigolfe assumidamente inspirada no gosto do auto-intitulado Estado Islâmico pelas decapitações.
 
A atracção principal, o castelo de fadas, foi idealizado pelo próprio Banksy e inclui um sangrento acidente de carruagem, abrilhantado com o cadáver de Cinderella no chão, junto aos cavalos mortos. E como em qualquer parque de diversões que se preze, os visitantes podem levar para casa uma recordação, deixando-se fotografar no meio da carnificina.

Fonte: Público

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Retrato gigante de criança no Paquistão lembra mortos por drones dos EUA

Com o objetivo de chamar a atenção para a enorme quantidade de ataques com drones realizados pelos EUA no Paquistão, um pôster gigante com o rosto de uma criança foi instalado por um grupo de artistas na região noroeste do país, uma das mais atingidas.

A ideia dos criadores da instalação é fazer com que os operadores de drones tenham, da tela digital da qual disparam seus mísseis, a real dimensão do que estão executando: "não é um pontinho anônimo na paisagem, mas o rosto de uma criança vítima e inocente".

Reprodução/notabugsplat.com

Vista aérea do rosto da criança, instalação de artistas no Paquistão para protestar contra os ataques de drones dos EUA

O projeto foi batizado de "Not a Bug Splat", em referência ao termo usado pelos próprios militares norte-americanos ao se referirem aos civis mortos em ataques. Conforme relatado pela revista Rolling Stone, o Exército descreve as "casualidades" como "bug splat" (algo como "inseto esmagado", em tradução livre) já que "ver um corpo no monitor verde acinzentado dá a impressão de um inseto sendo amassado". O nome da criança que estampa o poster é desconhecido, mas, de acordo com a entidade que promove a campanha, o pai, a mãe e dois irmãos pequenos da menina foram mortos em ataques com drones em Khyber Pukhtoonkhwa, região em que mais de 200 crianças já morreram vítimas de bombardeios, segundo estimativas.

 
Ferramenta da Guerra ao Terror
Os bombardeios com aviões não-tripulados são uma das principais ferramentas norte-americanas na chamada Guerra ao Terror, empreendida após os atentados de 11 de Setembro de 2001. O programa de drones começou em 2004 sob o governo George W. Bush, mas ganhou força com a chegada de Obama à Casa Branca.

Reprodução/notabugslapt.com

"Não é um 'inseto esmagado'": projeto quer fazer com que operadores de drones pensem duas vezes antes de disparar

A região noroeste do Paquistão é o alvo majoritário dos ataques. Na área, próxima à fronteira com o Afeganistão, predominam forças tribais acusadas de colobarar com o talibã e organizações terroristas. O assunto causa polêmica no país. Oficialmente, o governo paquistanês mantém um acordo tácito com os EUA permitindo que os ataques (ou, pelo menos, alguns deles) sejam realizados. No entanto, Islamabad tem vindo a público para condenar a prática norte-americana e a constante quebra de soberania. Embora os EUA digam repetidas vezes que os bombardeios com drones sejam a mais eficaz das armas usadas no combate à Al Qaeda, há estudos que mostram o contrário.

Reprodução/notabugslapt.com

Crianças paquistanesas ao lado da instalação artística; estima-se que mais de 200 já tenham morrido na região

Um levantamento que pode ser visto no gráfico interativo "Out of Sight, Out of Mind" mostra que dos mais de 3 mil mortos contabilizados pelo projeto desde 2004, apenas em 1,5% dos casos houve confirmação de ligações com atividades terroristas.

Fonte: OperaMundi