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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Os Panteras Negras foram nos EUA a vanguarda dos anos 60

“Eles são a maior ameaça para a segurança interna do país”, sentenciou John Edgar Hoover, o lendário chefe do FBI, durante reunião na qual declarou guerra aberta ao partido de jovens afro-americanos que, no final dos anos 1960, ousava promover motins e enfrentar a polícia.
Os Panteras Negras brotavam como cogumelos nas principais cidades norte-americanas. Rapidamente viravam o símbolo e a direção de quem não aceitava mais oferecer a outra face perante a agressividade das forças racistas. As leis segregacionistas já estavam abolidas desde 1964, mas a brutalidade repressiva contra os bairros negros e a situação de pobreza não se alteravam. Os grandes centros urbanos do norte e da costa oeste, para onde migravam os que fugiam do apartheid sulista, tinham se transformado em panelas de pressão. Levantes frequentes agitavam as cidades e a imaginação. Quando moradores de Watts, distrito na periferia de Los Angeles, se sublevaram contra a prisão arbitrária de um vizinho, em agosto de 1965, abria-se um novo ciclo histórico. Entre os dias 11 e 15, o chão ficou tingido pelo sangue de 34 mortes e mais de mil feridos. Quase 3,5 mil presos e mais de 40 milhões de dólares em danos materiais foram contabilizados. Nos três anos seguintes, a cena se repetiu em muitas outras localidades. Os Estados Unidos pareciam caminhar rumo a uma insurreição. Os encarregados em manter a lei e a ordem perdiam o sono. Estava aparentemente em perigo o sistema que juraram defender. Ao lado das multidões que marchavam contra a Guerra do Vietname, a mobilização dos guetos negros sacudia um mundo marcado por regras e hábitos construídos no encontro entre imperialismo e escravidão. Era esse o clima, em outubro de 1966, no dia 15, quando dois estudantes do Merritt College, em Oakland, cidade vizinha a São Francisco, na ensolarada Califórnia, fundaram o Partido Pantera Negra para a Autodefesa.
Huey P. Newton e Bobby Seale recrutaram mais quatro colaboradores e formaram o núcleo inicial da organização. Também decidiram instituir um uniforme: camisas azuis, calças e boinas pretas, casacos de couro. Tinham mais simpatia pelas ideias de Malcolm X, assassinado em maio do ano anterior, do que pelo pensamento de Martin Luther King, mortalmente baleado dali a dois anos. Sentiam-se atraídos por objetivos nacionalistas e de autodeterminação, a compreensão de que o povo negro estava sob jugo colonial desde que escravos africanos foram capturados e transportados contra a vontade. Flertavam com possibilidades separatistas, entortando o nariz para a narrativa integracionista que predominava nos grupos dominantes da campanha contra a segregação.
Acima de tudo, consideravam inaceitável a estratégia de resistência passiva, não violenta, apregoada por Luther King, com quem costuravam acordos pontuais, mas tendendo a enxergá-lo como um anexo do sistema que sonhavam demolir. Partiam do pressuposto que a falta de reação, cedo ou tarde, afetaria o ânimo e a capacidade de mobilização. A resistência ativa, por outro lado, poderia elevar a autoestima e intimidar os inimigos de sua causa. Viam-se, em certa medida, como herdeiros de Malcolm X, ainda que não partilhassem seus pendores islâmicos. O que definitivamente os entusiasmava era o propósito de ser a ponta de lança das comunidades negras. Seus organizadores e protetores armados frente aos atropelos do Estado e de agremiações racistas como a Ku Klux Klan. Contavam, a seu favor, com uma lei californiana que permitia a todos os cidadãos carregarem suas próprias armas. De rifles no ombro e revólveres em punho, funcionavam como tropa de choque contra a ação policial, protegendo manifestações e protestos.
Crescimento após ação audaciosa
A fama nacional veio com uma ação espetacular, em maio de 1967. A Assembleia Estadual da Califórnia, sediada em Sacramento, tinha agendado a discussão de projeto que proibia o porte de armas. Sob comando de Bobby Seale, trinta militantes ocuparam, armados, as instalações do organismo legislativo, em protesto contra medida que enfraqueceria os Panteras Negras diante da polícia.
Imagens de tamanha audácia percorreram o país. Seu prestígio cresceu aceleradamente, atraindo jovens militantes por toda a parte, que abriam escritórios do partido, aderiam a seu programa e se paramentavam para a guerra. As ambições eram vigorosas: emprego, educação, habitação, fim da brutalidade policial, julgamento de negros apenas por juízes e júris negros, revogação do serviço militar obrigatório, liberdade para os afro-americanos decidirem se queriam continuar incorporados aos Estados Unidos ou fundar sua própria nação. Também manifestavam seu repúdio à intervenção norte-americana no Vietname. Não queriam apenas a paz e a retirada das tropas. Batalhavam pela vitória dos comunistas de Ho Chi Minh, o líder da independência do país asiático, contra os exércitos chefiados pela Casa Branca.
Foi nessa batida que logo se transformaram na corrente mais relevante do chamado Poder Negro.
Sob esse guarda-chuva se abrigava, entre os anos 60 e 70, uma constelação de movimentos e grupos dispostos à insurgência contra um modelo que, aos seus olhos, estava marcado pelo cruzamento entre supremacia branca, domínio dos ricos e neocolonialismo. “Nascemos como uma organização comunitária, mas logo nos reivindicamos como partido revolucionário”, relembra Kathleen Neal Cleaver, primeira mulher a integrar o comitê central dos Panteras Negras. “Sob a influência da Revolução Cubana e da guerra de libertação dos vietnamitas, além do impacto das ideias de Mao Tse Tung, assumimos identidade marxista, mas nas condições específicas da luta anticolonial dos negros norte-americanos.” Aos 71 anos, Kathleen é atualmente professora na Universidade de Yale, uma das mais prestigiadas do planeta. Formada em Direito, dedica-se ao estudo de questões afro-americanas. Casada por vinte anos com um dos chefes históricos dos Panteras Negras, Eldridge Cleaver, o terceiro homem da troika que também incluía Newton e Seale, ela foi secretária de Comunicação do partido entre 1967 e 1969, antes de se exilar na Argélia, com o marido, então condenado por tentativa de homicídio, durante tiroteio contra policiais de Oakland.
“Os Estados Unidos são diferentes de outros países capitalistas”, afirma, resumindo análise que embasava sua organização. “A estrutura econômica e social tem um componente de dominação colonial dentro do próprio território, para o qual outros povos foram trazidos à força. Não se trata apenas de preconceito racial, mas de supremacia como forma de Estado e sociedade.” Essa lógica levou os Panteras Negras a aceitarem filiação apenas de afro-americanos. Apostavam que interesses comuns seriam defendidos por coalizões entre distintas agremiações, cada qual com sua própria identidade nacional ou étnica.

Estado versus Panteras Negras
Parte da imprensa aproveitou este critério para enquadrar o agrupamento como racista, defensor de alguma espécie de supremacia negra. A outra perna da campanha de desconstrução era pintá-lo como adepto da violência e do terror.
“Nós estávamos em guerra e tínhamos o direito de nos defender”, declara Elaine Brown, a última presidente do partido antes de sua dissolução. “Mas recorríamos à violência apenas quando atacados. Nosso trabalho principal era educacional e de organização social.” Nascida em um gueto de Filadélfia, atualmente com 73 anos, a ativista também se fez cantora e escritora. Quando os Panteras Negras estavam já em seu ocaso, divididos e sob severa repressão, Elaine foi nomeada por Newton, foragido em Cuba, a nova comandante do movimento, cargo que ocuparia entre 1974 e 1977. “Ninguém tinha a receita para enfrentar o padrão repressivo que foi sendo adotado pelo governo”, relembra Elaine. “Tentamos aplicar uma das máximas de Mao, de que a guerrilha deve se mover entre as pessoas como um peixe nadando no mar. Mas o cerco se fechava.” Além da autodefesa, a legenda fez-se conhecida por implantar programas de assistência nos bairros mais pobres, dos quais o mais famoso talvez tenha sido o café da manhã para crianças de famílias paupérrimas. Provou-se estratégia inteligente para ampliar influência e atrair novos militantes, além de permitir a construção de expressiva rede financeira entre artistas, intelectuais e até empresários.
Os Panteras Negras também conseguiram manter um semanário de circulação nacional e construir escolas de formação política, nas quais milhares de homens e mulheres foram educados. Participaram igualmente de processos eleitorais, na fórmula do Partido Paz e Liberdade, uma casa de esquerda até hoje em atividade, pela qual Eldridge Cleaver disputou as eleições presidenciais de 1968. Conquistou menos de 50 mil sufrágios: poucos eram os afro-americanos inscritos para votar. Não alcançaram, em seu auge, mais que 10 mil militantes, segundo cálculos de vários dirigentes. O potencial de crescimento social, político e até militar, contudo, despertou a atenção e a ira dos organismos de segurança.
Hoover ordenou ao FBI que praticasse toda sorte de operação para desmoralizar, dividir e destruir os Panteras Negras. A caixa de ferramentas contra a organização rebelde era completa: infiltrações, denúncias forjadas, assassinatos, prisões em massa, provas plantadas. A polícia de Los Angeles, seguida pela de outras cidades, deu contribuição cinematográfica à caçada anunciada, com a criação da SWAT, tropa especial forjada para o combate ao partido de Newton, Seale e Cleaver. Seu batismo de fogo foi uma batalha para tomar de assalto a sede da agremiação na cidade dos anjos.

Fim do grupo nos anos 80
O Senado norte-americano, em 1975, reconheceria oficialmente as ilegalidades cometidas. Nenhuma reparação, no entanto, foi determinada. Os que haviam sobrevivido, muitos apodrecendo atrás das grades, não foram contemplados por qualquer lei de amnistia ou indulto. Os policiais responsáveis jamais seriam punidos.
A esta altura, além do mais, o fardo de prisões, mortes e divisões já era insuportável. O partido praticamente deixara de existir, apesar dos empenhos de sobrevida até 1982.
Muitos de seus militantes iriam se incorporar a outros agrupamentos, especialmente ao Exército Negro de Libertação, atuante até meados dos anos 80. O poder de mobilização e representação dos Panteras Negras, no entanto, tinha sido esmagado pelo Estado mais poderoso do mundo.
O chefe da polícia federal norte-americana cumprira a ameaça contida em um documento oficial do FBI: “Jovens negros e ativistas moderados precisam entender que, caso resolvam se transformar em revolucionários, serão revolucionários mortos.”
Artigo de Breno Altmann publicado no Opera Mundi.
Fonte: odiario.info

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sete grandes frases de Nelson Mandela

1. "Quando é negado a um homem o direito de viver a vida na qual ele acredita, ele não tem outra alternativa a não ser se tornar um fora-da-lei."

 
2. "Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, ou seus antepassados, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender a odiar, e se elas podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar, porque o amor chega mais naturalmente ao coração do homem do que o seu oposto."
 
3. "Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer."
 
4. "Depois de escalar uma grande montanha, só se pensa que há muitas outras montanhas para escalar."

Agência Efe

5. "Uma nação não deve ser julgada pelo modo como trata seus mais poderosos cidadãos, mas sim os mais fracos."
 
6. "Por fim à opressão é algo sancionado pela humanidade e a mais alta aspiração de um homem livre."
 
7. "Corajoso não é quem não sente medo, mas quem o vence."
 
 
Fonte: OperaMundi

sábado, 30 de março de 2013

Cuito Cuanavale - La batalla que terminó con el Apartheid

Este año marca el aniversario 25 (NR) del comienzo de la batalla de Cuito Cuanavale en el sureste de Angola, en que las fuerzas armadas de la Sudáfrica del Apartheid se enfrentaron con el ejército cubano y las fuerzas angolanas. El asalto sudafricano “fue frenado abrupta y definitivamente” por las fuerzas revolucionarias. El general Magnus Malan escribe en sus memorias que la campaña fue una gran victoria para las fuerzas de defensa sudafricanas (SADF) pero Nelson Mandela no podía discrepar más: “Cuito Cuanavale —afirmó— fue el viraje para la lucha de liberación de mi continente y de mi pueblo del flagelo del Apartheid”. El debate sobre lo que significa Cuito Cuanavale ha sido intenso, en parte porque los documentos sudafricanos relevantes siguen clasificados. Sin embargo, yo he podido estudiar los documentos en los archivos cerrados cubanos y también muchos documentos norteamericanos. A pesar de la brecha ideológica que separa La Habana y Washington, estos documentos relatan una historia que impacta por lo parecida que es. Analizamos los hechos. En julio de 1987 el ejército angolano (FAPLA) lanzó una ofensiva de mayor envergadura en el sureste de Angola contra las fuerzas de Jonás Savimbi. Pero al ver que la ofensiva estaba teniendo éxito, las SADF, que controlaban las partes más meridionales del suroeste de Angola, intervinieron en el sureste. Para principios de noviembre las SADF habían acorralado las mejores unidades angolanas en el poblado de Cuito Cuanavale y estaban preparándose para aniquilarlas. El Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas exigió que las SADF se retiraran incondicionalmente de Angola, pero la administración Reagan se aseguró de que esta exigencia fuera una Resolución sin mayor trascendencia. El secretario de estado adjunto para África de Estados Unidos, Chester Crocker, le dijo al embajador de Sudáfrica en Estados Unidos: “la resolución no reclama sanciones y no plantea ninguna asistencia para Angola. Esto no es por casualidad sino el resultado de nuestros esfuerzos para mantener la resolución dentro de determinados límites”. (1) Mientras, las SADF aniquilarían a las unidades elites de las FAPLA.
Para comienzos de 1988, fuentes militares sudafricanas y diplomáticos occidentales aseguraban que la caída de Cuito era inminente. Esto significaría un golpe demoledor al gobierno angolano. Pero el 15 de noviembre de 1987 el presidente cubano Fidel Castro había decidido enviar más tropas y armas a Angola: sus mejores aviones con sus mejores pilotos, sus armas antiaéreas más sofisticadas y sus tanques más modernos. La intención de Castro no era solo defender a Cuito, era sacar a las SADF de Angola de una vez y para siempre. Más tarde él describió su estrategia al líder del Partido Comunista Sudafricano Joe Slovo: Cuba pararía la embestida sudafricana y luego atacaría en otra dirección, “como el boxeador que con la mano izquierda lo mantiene y con la derecha lo golpea”. (2)
Aviones cubanos y 1 500 soldados cubanos reforzaron a los angolanos y Cuito no cayó. El 23 de marzo de 1988 los sudafricanos lanzaron su último asalto de mayor envergadura contra Cuito. Tal como lo describe el coronel Jan Breytenbach, el asalto sudafricano “fue frenado abrupta y definitivamente” por las fuerzas conjuntas cubanas-angolanas. La mano derecha de la Habana se preparó a golpear. Poderosas columnas cubanas estaban avanzando en el suroeste de Angola hacia la frontera de Namibia. Los documentos que nos podrían decir lo que los líderes sudafricanos pensaron de esta amenaza siguen clasificados. Pero sí sabemos lo que las SADF hicieron: cedieron terreno. Los servicios de inteligencia de Estados Unidos explicaron que los sudafricanos se retiraban porque estaban impresionados por la rapidez y la fuerza del avance cubano y porque consideraban que un combate de mayor envergadura “hubiera acarreado grandes riesgos”. (3) Cuando niño en Italia escuché a mi padre hablar de la esperanza que él y sus amigos sintieron en diciembre de 1941 al oír por radio que las tropas alemanas habían tenido que abandonar la ciudad de Rostov del Don. Era la primera vez en dos años de guerra que el “superhombre” alemán había sido obligado a retirarse. Me acordé de sus palabras —y del profundo sentimiento de esperanza que ellas conllevaban— cuando leí la prensa sudafricana y de Namibia hacia mediados de 1988. El 26 de mayo de 1988 el jefe de las SADF anunciaba que “fuerzas cubanas y de la SWAPO fuertemente armadas, integradas por primera vez, han avanzado hacia el sur a unos 60 kilómetros de la frontera con Namibia”. El 26 de junio el administrador general sudafricano de Namibia reconocía que MIG-23 cubanos estaban volando sobre Namibia, un cambio dramático de aquellos tiempos en que los cielos le pertenecían a las SADF. Añadía que “la presencia de los cubanos había provocado una oleada de ansiedad en Sudáfrica”. Sin embargo estos sentimientos de ansiedad no eran compartidos por los negros sudafricanos: ellos veían la retirada de las fuerzas sudafricanas como una luz de esperanza. Mientras que las tropas de Castro avanzaban hacia Namibia, cubanos, angolanos, sudafricanos y estadounidenses se enfrentaban en la mesa de negociaciones. Dos puntos eran claves: si Sudáfrica aceptaba la implementación de la Resolución no. 435 del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas que exigía la independencia de Namibia y si las partes podrían ponerse de acuerdo sobre un cronograma de la retirada de las tropas cubanas de Angola. Los sudafricanos parecían estar llenos de esperanza: el canciller Pik Botha esperaba que la Resolución no. 435 sería modificada. El ministro de Defensa Malan y el Presidente P.W. Botha afirmaban que Sudáfrica se retiraría de Angola solo “si Rusia y sus títeres hacían lo mismo”. Ellos ni siquiera mencionaban retirarse de Namibia. El 16 de marzo de 1988 Business Day informaba que Pretoria estaba “ofreciendo retirarse a Namibia —no de Namibia— a cambio de la retirada de las fuerzas cubanas de Angola”. Es decir Sudáfrica no tiene ninguna intención de retirarse del territorio en ningún futuro cercano.
Pero los cubanos habían revertido la situación en el terreno y cuando Pik Botha presentó las exigencias sudafricanas, Jorge Risquet, que estaba al frente de la delegación cubana le cayó encima con una tonelada de ladrillos: “la época de las aventuras militares, las agresiones impunes, de sus masacres de refugiados ha finalizado”. Sudáfrica —dijo— estaba actuando como si fuera “un ejército vencedor en vez de lo que es en realidad: un ejército agresor golpeado y en discreta retirada. Sudáfrica debe comprender que no obtendrá en esta mesa de negociaciones lo que no pudo lograr en el campo de batalla”. (4) Al terminar la ronda de negociaciones en el Cairo Crocker le mandó un cable al secretario de Estado George Shultz diciendo que las conversaciones habían tenido “como telón de fondo la tensión militar creciente por el avance hacia la frontera de Namibia de tropas cubanas fuertemente armadas en el suroeste de Angola. El avance cubano en el suroeste de Angola ha creado una dinámica militar impredecible”. (5) La gran pregunta era: ¿se detendrían los cubanos en la frontera? Para obtener una respuesta a esta pregunta, Crocker fue a buscar a Risquet: “¿Cuba tiene la intención de detener su avance en la frontera entre Namibia y Angola?”. Risquet contestó: “si yo le dijera que no van a detenerse yo estaría profiriendo una amenaza. Si yo le dijera que van a detenerse yo le estaría dando un meprobamato y yo ni quiero amenazar ni quiero darle un calmante, lo que he dicho es que solo los acuerdos sobre la independencia de Namibia pueden dar las garantías”. (6) Al día siguiente, 27 de junio de 1988, MIG cubanos atacaron posiciones de las SADF cerca de la presa de Calueque, 11 kilómetros al norte de la frontera de Namibia. La CIA informó que: “la manera exitosa con que Cuba ha utilizado su fuerza aérea y la aparente debilidad de las defensas antiaéreas de Pretoria” subrayaban el hecho de que la Habana había logrado la superioridad aérea en el sur de Angola y en el norte de Namibia. Unas pocas horas después del ataque exitoso de los cubanos, las SADF destruyeron un puente cercano a Calueque sobre el río Cunene. Lo destruyeron —la CIA opinó— “para dificultar a las tropas cubanas y angolanas el cruce de la frontera con Namibia y para reducir el número de posiciones que deben defender”. (7) El peligro de un avance cubano sobre Namibia nunca antes había parecido tan real. Los últimos soldados sudafricanos salieron de Angola el 30 de agosto, cuando los negociadores ni siquiera habían empezado a discutir el cronograma de la retirada cubana de Angola. A pesar de todos los esfuerzos de Washington para impedirlo, Cuba cambió el curso de la historia de África Austral. Hasta Crocker reconoció el papel de Cuba cuando le dijo en un cable a Shultz el 25 de agosto de 1988: “descubrir lo que piensan los cubanos es una forma de arte. Están preparados tanto para la guerra como para la paz. Hemos sido testigos de un gran refinamiento táctico y de una verdadera creatividad en la mesa de negociaciones. Esto tiene como telón de fondo las fulminaciones de Castro y el despliegue sin precedentes de sus soldados en el terreno”. (8) La proeza de los cubanos en el campo de batalla y su virtuosidad en la mesa de negociaciones fueron decisivas para obligar a Sudáfrica a aceptar la independencia de Namibia. Su exitosa defensa de Cuito fue el preludio de una campaña que obligó a la SADF a salir de Angola. Esta victoria repercutió más allá de Namibia. Muchos autores —Malan es solo un ejemplo— han tratado de reescribir esta historia, pero documentos norteamericanos y cubanos relatan lo que verdaderamente pasó. Esta verdad fue expresada con elocuencia por Thenjiwe Mtintso, embajadora de Sudáfrica en Cuba, en diciembre del 2005: “hoy Sudáfrica tiene muchos nuevos amigos. Ayer estos amigos se referían a nuestros líderes y a nuestros combatientes como terroristas y nos acosaban desde sus países a la vez que apoyaban a la Sudáfrica del Apartheid. Esos mismos amigos hoy quieren que nosotros denunciemos y aislemos a Cuba. Nuestra respuesta es muy simple, es la sangre de los mártires cubanos y no de estos amigos la que corre profundamente en la tierra africana y nutre el árbol de libertad en nuestra Patria”.
Notas
(NR) Este artículo se escribió hace cinco años, en el aniversario 20 de la batalla.
1) Secretario de Estado, a la embajada de EE.UU., en Pretoria, 5 de diciembre de 1987, Freedom of Information Act (en adelante FOIA).
2) Transcripción sobre la reunión del Comandante en Jefe con la delegación de políticos de África del Sur (Comp Slovo), Centro de Información de las Fuerzas Armadas Revolucionarias.
3) Abramowitz (Oficina de Inteligencia del Departamento de Estado) al Secretario de Estado. 13 de mayo de 1988, FOIA.
4) Transcripción no oficial. Conversaciones RPA-CUBA EE.UU.-RSA (Reunión Cuatripartita) sesión de la tarde del 24-6-88. Archivo del CC, La Habana (en adelante, ACC)
5) Crocker al Secretario de Estado 26 de junio de 1988. FOIA.
6) Entrevista de Risquet con Chester Crocker, 26-6-88, ACC.
7) CIA, South Africa-Angola-Cuba, 29 de junio de 1988. FOIA; CIA, South África-Angola-Cuba, 1 de julio de 1988, FOIA.
8) Crocker al Secretario de Estado, 25 de agosto de 1988, FOIA.
 
Por Piero Gleijeses - Politólogo e historiador italiano, profesor de política exterior de Estados Unidos en la Escuela de Estudios Internacionales Avanzados (SAIS) de la Universidad Johns Hopkins, Estados Unidos.
 

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mandela


No dia 11 de Fevereiro de 1990, Nelson Mandela era libertado após 27 anos de prisão. Era o ínicio do fim do regime de apartheid na África do Sul.