Mostrar mensagens com a etiqueta America-Latina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta America-Latina. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 16 de março de 2018

Não é só Marielle: conheça mais 24 casos de lideranças políticas mortas nos últimos quatro anos

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) na noite desta quarta-feira (14/03) acendeu o alerta para um fato alarmente: desde 2014, ao menos outros 24 líderes comunitários, ativistas e militantes políticos foram evidentemente executados em diferentes regiões do Brasil. O levantamento não inclui mortes suspeitas de lideranças nem trabalhadores que não tinham, pelo menos de forma evidente, papel político de liderança. Usando esses dois critérios adicionais, a lista chegaria a centenas de nomes.
 

O historiador Fernando Horta, doutorando na Universidade de Brasília, reuniu uma lista dessas vítimas. Opera Mundi conta um pouco da história destes militantes, executados por conta dos trabalhos que desenvolviam por suas comunidades. 
 
Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro pelo PSOL – 15.mar.2018
A socióloga, ativista dos movimentos feminista e negro, foi executada no centro da capital fluminense. Marielle, a quarta vereadora mais votada na cidade, atuava na comunidade da Maré, onde morava, e, na semana anterior a sua morte, denunciou a violência e os abusos policiais no bairro de Acari. Leia mais aqui.
 
Paulo Sérgio Almeida Nascimento, líder comunitário no Pará – 12.mar.2018
Nascimento era um dos líderes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama). Segundo a Polícia Civil, ele foi alvejado por disparos do lado de fora de casa, na cidade de Barcarena. Nascimento era atuante nas denúncias contra a refinaria Hydro Alunorte, responsável pelo vazamento de dejetos tóxicos nas águas da região no começo do mês. Leia mais aqui.
 
George de Andrade Lima Rodrigues, líder comunitário em Recife – 23.fev.2018
Rodrigues foi encontrado com marcas de tiros e um arame enrolado no pescoço, após três dias de buscas. O corpo dele foi achado em um matagal às margens de uma estrada de terra. Ele havia sido sequestrado por quatro homens que se diziam policiais. Leia mais aqui.
 
Carlos Antônio dos Santos, o “Carlão”, líder comunitário no Mato Grosso – 07.fev.2018
Carlão era um dos líderes do Assentamento PDS Rio Jatobá, em Paranatinga, no Mato Grosso, e foi morto a tiros, por homens em uma motocicleta, em frente à prefeitura da cidade. Ele estava dentro de um automóvel com a filha e a esposa, que chegou a ser atingida de raspão. Carlão já havia feito várias denúncias à polícia de que estava sendo ameaçado. Leia mais aqui.
 
Leandro Altenir Ribeiro Ribas, líder comunitário em Porto Alegre – 28.jan.2018
Ribas era líder comunitário na Vila São Luís, ocupação da zona norte da capital gaúcha. Ele havia deixado de dormir em casa desde alguns dias antes por conta da guerra entre traficantes da região. No dia em que foi assassinado, voltou à vila para pegar roupas, mas acabou sendo morto. A polícia suspeita de que Ribas tenha sido executado pelos criminosos ao se apresentar como líder da comunidade e questionar as ações do grupo. Leia mais aqui.
 
Márcio Oliveira Matos, liderança do MST na Bahia – 24.jan.2018
Matos era um dos integrantes mais novos da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e morava no Assentamento Boa Sorte. Aos 33 anos, foi morto em casa, com três tiros, na frente de seu filho. Leia mais aqui.
 
Valdemir Resplandes, líder do MST no Pará – 9.jan.2018
Conhecido como 'Muleta', Resplandes foi executado na cidade de Anapu, no Pará. Ele conduzia uma moto e foi parado por dois homens. Um deles atirou pelas costas; já no chão, o ativista foi alvejado na cabeça. A missionária norte-americana Dorothy Stang foi assassinada na mesma cidade, em 2005. Leia mais aqui.
 
Jefferson Marcelo do Nascimento, líder comunitário no Rio – 04.jan.2018
Nascimento era líder comunitário em Madureira e foi encontrado com sinais de enforcamento um dia após desaparecer. Ele havia feito uma série de denúncias contra uma quadrilha de milicianos dias antes de ser executado. Leia mais aqui.
 
Clodoaldo do Santos, líder sindical em Sergipe – 14.dez.2017
Santos era líder do Movimento SOS-Emprego de Sergipe e foi baleado na cabeça por dois homens que foram à sua casa com a desculpa de entregar um currículo. Após orientar os criminosos a entregarem o documento diretamente à empresa que construía uma termoelétrica na região, o dirigente foi alvejado. Leia mais aqui.
 
Jair Cleber dos Santos, líder de acampamento no Pará – 22.set.2017
Santos foi alvo de um ataque a tiros na companhia de outros quatro trabalhadores rurais. O acusado do assassinato é o gerente de uma fazenda ocupada por trabalhadores ligados à Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará). A polícia esteve no local momentos antes e os trabalhadores que estavam lá acusam-na de ter facilitado a fuga do gerente e de outros pistoleiros. Leia mais aqui.
 
Fabio Gabriel Pacifico dos Santos, o “Binho dos Palmares”, líder quilombola na Bahia – 18.set.2017
Binho, como era conhecido, era líder do quilombo Pitanga dos Palmares, na cidade de Simões Filho, Bahia. Ele havia acabado de deixar o filho na escola e seguia para o enterro de uma amiga quando foi abordado por homens em um carro. Um deles desceu do veículo e atirou várias vezes na direção do líder. Leia mais aqui.
 
José Raimundo da Mota de Souza Júnior, líder do Movimento dos Pequenos Agricultures (MPA) na Bahia – 13.jul.2017 
O quilombola Souza Júnior era defensor da agroecologia e educador popular. Momentos antes do crime, o líder camponês havia sido procurado por dois homens em casa. Ele foi baleado enquanto trabalhava na roça com o irmão e um sobrinho. Leia mais aqui.
 
Rosenildo Pereira de Almeida, o “Negão”, líder comunitário da ocupação na Fazenda Santa Lúcia, no Pará – 8.jul.2017 - O líder camponês, ligado ao MST, foi morto na cidade de Rio Marias, próxima à fazenda. Ele havia ido ao local para se esconder após reiteradas ameaças de morte. ele foi executado por dois motoqueiros com três tiros na cabeça. Leia mais aqui.
 
Eraldo Lima Costa e Silva, líder do MST no Recife – 20.jun.2017
Costa e Silva, de 57 anos, estava em casa, em uma ocupação na zona norte do Recife, quando homens armados o arrastaram para fora e o executaram às margens da BR-101, com quatro tiros. Leia mais aqui.
 
Valdenir Juventino Izidoro, o “Lobó”, líder camponês de Rondônia – 4.jun.2017
Lobó foi morto com um tiro a queima roupa em um acampamento em Rondominas, Rondônia. Ele liderava um grupo de sem-terra em ocupações na região. Leia mais aqui.
 
Luís César Santiago da Silva, o “Cabeça do Povo”, líder sindical do Ceará – 15.abr.2017
Silva tinha 39 anos quando foi executado em uma estrada no município de Brejo Santo (CE). Ele era membro do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem (Sintepav-CE) e com militância ativa nas obras do porto de Pecém. Leia mais aqui.
 
Waldomiro Costa Pereira, líder do MST no Pará – 20.mar.2017
Pereira, que era servidor público e atuante no MST, foi morto dentro do Hospital Geral de Parauapebas, no Pará. Cinco homens armados renderam seguranças e foram até a UTI, onde atiraram no ativista. Ele estava internado após ser atacado em seu sítio, em Eldorado dos Carajás. Leia mais aqui.
 
João Natalício Xukuru-Kariri, líder indígena em Alagoas – 11.out.2016
Liderança história dos povos indígenas do nordeste, Xukuru-Kariri foi morto a facadas na porta de casa, em uma aldeia indígena em Alagoas. O assassinato ocorreu de madrugada, quando o camponês se preparava para ir trabalhar na roça. Leia mais aqui.
 
Almir Silva dos Santos, líder comunitário no Maranhão – 8.jul.2016
Santos era líder comunitário da Vila Funil, em São Luiz, e foi executado dentro de casa com tiros na cabeça e nas costas, na frente da mulher, da filha e de vizinhos. O acusado de ter cometido o assassinato teria afirmado, segundo a polícia que matou Santos por não concordar com a construção de uma ponte na comunidade - que atrapalharia o tráfico de drogas ao dar aos policiais acesso fácil ao local. Leia mais aqui.
 
José Bernardo da Silva, líder do MST em Pernambuco – 26.abr.2016
Silva, de 48 anos, era líder do MST em Pernambuco e estava caminhando com a esposa e uma filha às margens da BR-336 quando uma caminhonete se aproximou. Um dos ocupantes do veículo desceu do carro e atirou contra a vítima. Mulher e filha se esconderam e não ficaram feridas. Leia mais aqui.
 
José Conceição Pereira, líder comunitário no Maranhão – 14.abr.2016
Pereira tinha 58 anos quando foi morto com um tiro na nuca dentro de casa na capital maranhense. Nada foi levado da casa do líder comunitário, o que reforçou a hipótese de execução. Leia mais aqui.
 
Edmilson Alves da Silva, líder comunitário em Alagoas – 22.fev.2016
Presidente do asssentamento Irmã Daniela, Silva foi morto a tiros dentro do local. Ele era líder do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), o líder comandava ocupações e denunciava crimes ambientais e desmandos supostamente praticados por fazendeiros do litoral norte do Estado. Leia mais aqui.
 
Nilce de Souza Magalhães, a “Nicinha”, líder comunitária e membro do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) em Rondônia – 7.jan.2016
Nicinha era pescadora e participou de diversas audiências para denunciar a situação de seus vizinhos e danos ambientais. Ela desapareceu em 7 de janeiro e foi assassinada a tiros. Leia mais aqui.
 
Simeão Vilhalva Cristiano Navarro, líder indígena do Mato Grosso – 1.ago. 2015
O assassinato de Navarro aconteceu durante uma reocupação de terras indígenas por parte dos Guarani-Kaiowá. Uma comitiva de fazendeiros se dirigiu à região e atacaram os indígenas. O ativista foi atingido com um tiro na cabeça quando estava às margens de um córrego procurando pelo filho. Leia mais aqui.
 
Paulo Sérgio Santos, líder quilombola na Bahia - 6.jul. 2014
Santos era líder quilombola e foi assassinado dentro do acampamento Nelson Mandela, em Helvécia (BA). Ele foi surpreendido por homens armados que chegaram em um carro e desceram atirando. Leia mais aqui.
 
Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Assim é o Che


Che Guevara, em 1963
Fotografia de René Burri


Passam hoje 50 anos sobre o assassinato de Che Guevara, na selva da Bolívia. Poucos dias depois de divulgada a execução, a 18 de Outubro teve lugar em Havana, na Praça da Revolução, uma velada solene, na qual Fidel Castro evocou e louvou a figura multifacetada do seu companheiro de luta, guerrilheiro, escritor, médico, estadista, diplomata, internacionalista. «Sejam como o Che», pediu Fidel à multidão.

As viagens de Ernesto Guevara de la Serna – Rosário (Argentina), 14 de Junho de 1928 – pela América, na primeira metade dos anos 50, marcaram-no de forma profunda, transformando-o, como ele próprio assume nas suas notas, ao ser confrontado com a enorme exploração dos trabalhadores das minas e a discriminação de que os nativos são alvo por parte dos yankees.

Na segunda dessas viagens, já médico, chega até à Guatemala, na América Central, onde conhece cubanos exilados que tinham participado no assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, e é testemunha do golpe de Estado planeado e executado pelos norte-americanos, em Junho de 1954. Apontado como um «perigoso comunista argentino», Che Guevara, como é universalmente conhecido, é obrigado a sair da Guatemala e foge para o México. Ali conhece Fidel.

«Falei com Fidel uma noite inteira. E ao amanhecer já era médico da sua futura expedição», diz Che sobre o encontro1. Doze anos depois, discursando na velada solene na Praça da Revolução, Fidel confirma que o argentino se tornou expedicionário do iate Granma numa noite – numa altura em que ainda não havia «barco, nem armas, nem tropas». Ou seja, juntamente com Raúl Castro, Che Guevara foi dos primeiros a «alistar-se».

O líder da Revolução cubana explica esta disponibilidade de Che com o profundo «ódio e desprezo» que tinha pelo imperialismo, que resultavam em parte do «considerável grau de desenvolvimento» da sua formação política e advinham também da «criminosa intervenção imperialista» que tinha tido oportunidade de presenciar na Guatemala.

Diz Fidel: «Para um homem como ele não eram necessárias muitas razões. Bastava-lhe saber que Cuba vivia uma situação semelhante, que havia homens decididos a combater essa situação de armas em punho, que aqueles homens se inspiravam em sentimentos genuinamente revolucionários e patrióticos. E isso era mais que suficiente.»2

Calcanhar de Aquiles: absoluto desprezo pelo perigo
No seu discurso, Fidel Castro Ruz enaltece as qualidades de Che no campo de batalha, como médico, soldado ou comandante – «era um mestre da guerra, um artista da luta de guerrilha» –, e destaca o seu grande contributo para a vitória do Exército Rebelde sobre o de Batista, nomeadamente com a campanha de Las Villas e com o ataque sobre Santa Clara.

«Se, como guerrilheiro, tinha um calcanhar de Aquiles, era a sua excessiva agressividade, o seu absoluto desprezo pelo perigo», afirma Fidel, agora que sabe que, num de tantos combates, o Che perdeu a vida. E aqui custa-lhe «concordar com ele».

Mesmo admitindo que a conduta do Che possa ter sido influenciada pela perspectiva – correcta – de que «os homens têm um valor relativo na história» e de que «as causas não são derrotadas quando os homens caem», Fidel realça como preferia vê-lo continuar a forjar vitórias, «na medida em que homens com a sua experiência, calibre e capacidade realmente singular são homens pouco comuns».

«A morte do Che é um golpe duro, um golpe tremendo para o movimento revolucionário, na medida em que o priva, sem qualquer dúvida, do seu chefe mais experimentado e capaz», admite Fidel, mas destacando que se «enganam aqueles que cantam vitória», porque «o homem que caiu como homem mortal, como homem que se expunha muitas vezes às balas, como militar, como chefe, é mil vezes mais capaz do que aqueles que, com um golpe de sorte, o mataram». As suas teses, concepções, tácticas e ideias de luta revolucionária não foram derrotadas. «O seu grito chegará a milhões de ouvidos receptivos», clama o líder cubano.


Revolucionário, estadista, diplomata
«A guerra é um meio e não um fim», o que «é importante é a revolução, a causa revolucionária», destaca o primeiro secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba, para vincar a noção de que, pese embora todas as suas qualidades como homem de acção e militar, Che Guevara era «um homem de pensamento profundo, de inteligência visionária, um homem de profunda cultura», e que, pelo carácter íntegro, honrado, sincero, estóico, constituía «a expressão mais cabal das virtudes revolucionárias».

Fidel nota que é costume, na hora da morte dos homens, fazer discursos de louvor às suas virtudes, mas que nem por isso deixa de falar de Che com justiça e rigor. E destaca o legado que este deixa às gerações futuras por via da sua escrita; o seu trabalho incessante, «sem conhecer um dia de descanso», ao serviço da pátria, assumindo as mais variadas tarefas, como presidente do Banco Nacional, ministro da Indústria, comandante da região militar do Ocidente ou diplomata, liderando delegações de Cuba nos mais variados palcos internacionais.

Umas das suas intervenções mais conhecidas é a que efectuou a 8 de Agosto de 1961, na quinta sessão plenária do Conselho Interamericano Económico e Social (CIES) da Organização de Estados Americanos (OEA), em Punta del Este (Uruguai). A delegação cubana, recebida no aeroporto e nas ruas de Montevideu de modo triunfal por milhares de pessoas, teve de enfrentar um ambiente bem mais hostil no seio do CIES, em plena ofensiva dos EUA4.

Ali, depois de enumerar muitas das agressões que o imperialismo norte-americano levou a cabo contra Cuba entre 1959 e 1961, Che explicou o que é a Revolução cubana – agrária, anti-feudal, anti-imperialista, que se foi transformando numa revolução socialista.

E explanou com clareza aquilo que representa a Revolução ao nível da distribuição da terra e da riqueza, da soberania nacional, da saúde e da cultura, da educação e da erradicação do analfabetismo, da política externa e da solidariedade internacionalista, da propriedade dos meios de produção, da participação dos trabalhadores nas decisões económicas do país, da igualdade entre homens e mulheres, da luta contra o racismo e pela afirmação da dignidade humana.

«As praias da nossa Ilha não serviam para que os pretos ou os pobres tomassem banho, porque pertenciam a um clube privado, e vinham turistas de outras praias que não gostavam de tomar banho com os pretos. [...] Era assim o nosso país. A mulher não tinha qualquer tipo de direito igualitário: pagava-se-lhe menos por trabalho igual; era discriminada, como na maioria dos países americanos», disse Che Guevara em Punta del Este 5.

Será como uma semente
O imperialismo canta «vitória» perante o guerrilheiro morto; julga que, ao aniquilar o homem físico, liquidou o seu pensamento – e não tem pejo em divulgar, como a coisa mais natural do mundo, as circunstâncias da morte, o assassinato após a captura, condena Fidel no seu discurso na Praça da Revolução, a 18 de Outubro de 1967.

«Che não caiu a defender outro interesse, outra causa que não a causa dos explorados e oprimidos neste continente; Che não caiu a defender outra causa que não a causa dos pobres e dos humildes desta Terra. E, perante a História, os homens que agem como ele, os homens que fazem tudo e dão tudo pela causa dos humildes agigantam-se a cada dia que passa, a cada dia que passa entram mais profundamente no coração dos povos», sublinha Fidel.

E acrescenta: «Os inimigos imperialistas começam a dar-se conta disso e não tardarão a verificar que a sua morte será, com o tempo, como uma semente de onde brotarão muitos homens decididos a emulá-lo, muitos homens decididos a seguir o seu exemplo.»

Encarar o futuro com optimismo
No combate às oligarquias e ao imperialismo, na luta por todos os oprimidos e explorados, o Che tornou-se um modelo de homem não só para o povo cubano, mas também para qualquer povo da América Latina, tendo conduzido à mais alta expressão a condição de revolucionário e elevado ao patamar mais alto «o espírito internacionalista proletário».

«É por isso, companheiros e companheiras da Revolução, que devemos encarar com firmeza e decisão o futuro; é por isso que devemos encarar com optimismo o futuro», declara Fidel. «Procurando sempre inspiração no Che.»

A homenagem e o reconhecimento a Che Guevara, naquela noite de há quase 50 anos, é também, quase no final «do impressionante acto», um louvor à multidão presente na praça, metonímia do povo cubano, resistente, revolucionário e solidário, a quem Fidel lança o repto de, «com optimismo absoluto na vitória definitiva dos povos», dizer ao Che e aos heróis que combateram e caíram com ele: «Até à vitória sempre! Pátria ou Morte!» 

Fonte: abrilabril.pt

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

11 tesis sobre Venezuela y una conclusión escarmentada


“Y se empeñaba en repetir lo mismo: “Esto no es como en una guerra… En una batalla tienes el enemigo delante… Aquí, el peligro no tiene rostro ni horario”. Se negaba a tomar somníferos o calmantes: “No quiero que me agarren dormido o amodorrado. Si vienen por mí, me defenderé, gritaré, tiraré los muebles por la ventana… Armaré un escándalo…”

Alejo Carpentier, La consagración de la primavera

1. Es indudable que Nicolás Maduro no es Allende. Tampoco es Chávez. Pero los que dieron el golpe contra Allende y contra Chávez son, y eso también es indudable, los mismos que ahora están buscando un golpe en Venezuela.

2. Los enemigos de tus enemigos no son tus amigos. Puede no gustarte Maduro sin que eso implique olvidar que ningún demócrata puede ponerse al lado de los golpistas que inventaron los escuadrones de la muerte, los vuelos de la muerte, el paramilitarismo, el asesinato de la cultura, la operación Cóndor, las masacres de campesinos e indígenas, el robo de los recursos públicos. Es comprensible que haya gente que no quiera ponerse del lado de Maduro, pero conviene pensar que en el lado que apoya a los golpistas están, en Europa, los políticos corruptos, los periodistas mercenarios, los nostálgicos del franquismo, los empresarios sin escrúpulos, los vendedores de armas, los que defienden los ajustes económicos, los que celebran el neoliberalismo. No todos los que critican a Maduro defienden esas posiciones políticas. Conozco gente honesta que no soporta lo que está pasando ahora mismo en Venezuela. Pero es evidente que del lado de los que están buscando un golpe militar en ese país están los que siempre apoyaron los golpes militares en América Latina o los que priman sus negocios por encima del respeto a la democracia. Los medios de comunicación que están preparando la guerra civil en Venezuela son los mismos conglomerados mediáticos que vendieron que en Irak había armas de destrucción masiva, que nos venden que hay que rescatar a los bancos con dinero público o que defienden que la orgía de los millonarios y los corruptos hay que pagarla entre todos con recortes y privatizaciones. Saber que se comparte trinchera con semejante gente debiera llamar a la reflexión. La violencia siempre debe ser la línea roja que no debe traspasarse. No tiene sentido que el odio a Maduro ponga a nadie decente al lado de los enemigos de los pueblos.

3. Maduro heredó un papel muy difícil -gestionar Venezuela en un momento de caída de los precios del petróleo y de regreso de Estados Unidos a Latinoamérica después de la terrible aventura en Oriente Medio- y una misión imposible -sustituir a Chávez-. La muerte de Chávez privó a Venezuela y a América Latina de un líder capaz de poner en marcha políticas que han sacado de la pobreza a 70 millones de personas en el continente. Chávez entendió que la democracia en un solo país era imposible y puso sus recursos, en un momento de bonanza gracias a la recuperación de la OPEP, para que se iniciara la etapa más luminosa de las últimas décadas en el continente: Lula en Brasil, Correa en Ecuador, Morales en Bolivia, Kirchner en Argentina, Lugo en Paraguay, Mujica en Uruguay, Funes en El Salvador, Petro en Bogotá e incluso Bachelet en Chile referenciaban esa nueva etapa. La educación y la salud llegaron a los sectores populares, se completó la alfabetización, se construyeron viviendas públicas, nuevas infraestructuras, transportes públicos (después de la privatización de los mismos o la venta y cierre de los trenes), se frenó la dependencia del FMI, se debilitó el lazo con los Estados Unidos creándose la UNASUR y la CELAC. También hay sombras, principalmente vinculadas a la debilidad estatal y a la corrupción. Pero haría falta un siglo para que los casos de corrupción en los gobiernos progresistas de América Latina sumen, por citar sólo un asunto, el coste de la corrupción que significa el rescate bancario. La propaganda de los dueños de la propaganda terminan logrando que el oprimido ame al opresor. Nunca desde la demonización de Fidel Castro fue ningún líder latinoamericano tan vilipendiado como Chávez. Para repartir entre los pobres, hubo que decirle a los ricos, de América y también de Europa, que tenían que ganar un poco menos. Nunca lo toleraron, lo que puede entenderse, especialmente en España, donde, en mitad de la crisis, responsables económicos y políticos del Partido Popular robaban a manos llenas al tiempo que decían a la gente que tenía que apretarse el cinturón ¿Iba Chávez ese “gorila” a frenarles sus negocios? Desde que ganó las primeras elecciones en 1998, Chávez tuvo que enfrentarse a numerosos intentos de derribarlo. Por supuesto, con la inestimable ayuda de la derecha española, primero con Aznar, luego con Rajoy, y la ya conocida participación de Felipe González como lobbista de grandes capitales. (Es curioso que el mismo Aznar que hizo negocios con Venezuela y con Libia luego se convirtió en ejecutor cuando se lo ordenaron. Gadafi incluso le regaló a Aznar un caballo. Pablo Casado fue el asistente de Aznar en esa operación. Luego, cosas de la derecha, celebraron su asesinato).

4. Chávez no legó a Maduro los equilibrios nacionales y regionales que construyó, que eran políticos, económicos y territoriales. Eran una construcción personal en un país que salía de tasas de pobreza del 60% de la población cuando llegó Chávez al gobierno. Hay cambios que necesitan una generación. Ahí es donde la oposición pretende estrangular a Maduro, con problemas mal resueltos como las importaciones, los dólares preferenciales o las dificultades para frenar la corrupción que desembocan en desabastecimiento. Sin embargo, Maduro supo reeditar el acuerdo “cívico-militar” que tanto molesta a los amigos del golpismo. Algo evidente, pues Estados Unidos siempre ha dado los golpes buscando apoyos en militares autóctonos mercenarios o desertores. El ejército en América Latina solo se entiende en relación con Estados Unidos. Les han formado, sea en tácticas de tortura o en “lucha contrainsurgente”, sea en el uso de las armas que les venden o en el respeto debido a los intereses norteamericanos. En Venezuela, los mismos que formaron a los asesinos de la Escuela Mecánica de la Armada argentina o que sostuvieron al asesino Pinochet lo tienen complicado (el asalto por parte de mercenarios vestidos de militares a un cuartel en Carabobo buscaba construir la sensación de fisuras en el ejército, algo que a día de hoy no parece que exista). Igual que ha comprado militares, Estados Unidos siempre ha comprado jueces, periodistas, profesores, diputados, senadores, presidentes, sicarios y a quien hiciera falta para mantener a América como su “patio trasero”. El cártel mediático internacional siempre le ha cubierto las espaldas. Es la existencia de Estados Unidos como imperio lo que ha construido el ejército venezolano. Los nuevos oficiales se han formado en el discurso democrático soberano y antiimperialista. Son mayoría. Hay también una oficialidad -la mayoría ya jubilándose- que se formó en la vieja escuela y sus razones para defender la Constitución venezolana serán más particulares. Las deficiencias del Estado venezolano afectan también al ejército, aún más en zonas problemáticas como las fronteras. Pero los cuarteles en Venezuela están con el Presidente constitucional. Y por eso es aún más patético escuchar al demócrata Felipe González pedir a los militares venezolanos que den un golpe contra el gobierno de Nicolás Maduro.

5. A esas dificultades de heredar los equilibrios estatales y los acuerdos en la región (la amistad de Chávez con los Kirchner, con Lula, con Evo, con Correa, con Lugo), hay que añadir que la pugna de Arabia Saudí con el fracking y con Rusia, hundió los precios del petróleo, principal riqueza de Venezuela. Esta inesperada caída del precio del petróleo colocó al gobierno de Maduro en una situación complicada (es el problema de los “monocultivos”. Basta para entenderlo pensar qué ocurriría en España si se hundiera un 80% el turismo por causas ajenas a ningún gobierno. ¿Sacaría Rajoy siete u ocho millones de votos en una situación así?). Maduro ha tenido que reconstruir los equilibrios de poder en un momento de crisis económica brutal.

6. La oposición en Venezuela lleva intentando dar un golpe de Estado desde el mismo día que ganó Chávez. Venezuela fue el mascarón de proa del cambio continental. Acabar con Venezuela es abrir la espita para que ocurra lo mismo en los sitios donde aún no ha regresado el neoliberalismo. A las oligarquías les molestan los símbolos que debilitan sus puntos de vista.Pasó con la II República en 1936, pasó en Chile con Allende en 1973. Acabar con la Venezuela chavista es regresar a la hegemonía neoliberal e, incluso, a las tentaciones dictatoriales de los años setenta.



7. Venezuela tiene además las reservas de petróleo más grandes del mundo, agua, biodiversidad, el Amazonas, oro, coltán -quizá la reserva más grande del mundo de coltán-. Los mismos que han llevado la destrucción a Siria, a Irak o a Libia para robarles el petróleo, quieren hacer lo mismo en Venezuela. Necesitan ganarse previamente a la opinión pública para que el robo no sea tan evidente. Necesitan reproducir en Venezuela la misma estrategia que construyeron cuando hablaban de armas de destrucción masiva en Irak. ¿O no se creyó mucha gente honesta que había armas de destrucción masiva en Irak? Hoy, aquel país antaño próspero es una ruina. Quien se creyó aquellas mentiras del PP, que mire cómo está hoy Mosul. Enhorabuena a los ingenuos. Las mentiras siguen todos los días. La oposición puso una bomba al paso de policías en Caracas y todos los medios impresos publicaron la foto como si la responsabilidad fuera de Maduro. Un helicóptero robado lanzó granadas contra el Tribunal Supremo y los medios lo silencias. Son actos terroristas. De esos que abren portadas y los telediarios. Salvo cuando suceden en Venezuela. Un referéndum ilegal en Venezuela “presiona al régimen hasta el límite”. Un referéndum ilegal en Catalunya es un acto cercano al delito de sedición.

8. El cártel mediático internacional ha encontrado un filón. Se trata de una reedición del miedo ante la Rusia comunista, la Cuba dictatorial o el terrorismo internacional (nunca dirán que el ISIS es una construcción occidental financiada con capital norteamericano principalmente). Venezuela se ha convertido en el nuevo demonio. Así se les permite acusar de “chavistas” a los adversarios y les evita hablar de la corrupción, del vaciamiento de las pensiones, de la privatización de los hospitales, las escuelas y las universidades o de los rescates bancarios. Mélenchon, Corbyn, Sanders, Podemos o cualquier fuerza de cambio en América Latina son descalificados con la acusación de chavistas, ahora que acusar de comunistas o de etarras tiene poco recorrido. El periodismo mercenario lleva años con esa estrategia. Nadie nunca ha explicado qué política genuinamente bolivariana va en los programas de los partidos de cambio. Pero da lo mismo. Lo importante es difamar.Y gente de buena voluntad termina creyendo que hay armas de destrucción masiva o que Venezuela es una dictadura donde, curiosamente, todos los días la oposición se manifiesta (incluso atacando instalaciones militares), donde los medios critican libremente a Maduro (no como en Arabia Saudí, Marruecos o Estados Unidos) o donde la oposición gobierna en alcaldías y regiones. Es la misma táctica que construyó durante la guerra fría el “peligro comunista”. Por eso en España, con Venezuela, tenemos una nueva Comunidad Autónoma de la que solamente falta que nos digan al final de los telediario el tiempo que va a hacer en Caracas ese día. De cada cien veces que se dice “Venezuela”, noventa y cinco sólo buscan distraer, ocultar o mentir.

9. Venezuela tiene un problema histórico que no ha resuelto. Al carecer de minas durante la colonia, no fue un Virreinato, sino una simple capitanía general. El siglo XIX fue una guerra civil permanente, y en el siglo XX, cuando se empezó a construir el Estado, ya tenían petróleo. El Estado venezolano siempre ha sido rentista, carente de eficacia, agujereado por la corrupción y rehén de las necesidades económicas de los Estados Unidos acordadas con las oligarquías locales. El choque entre la Asamblea y la jefatura del Estado actual debiera haberse zanjado jurídicamente. Señales de la ineficiencia vienen siendo evidentes desde hace tiempo. El rentismo venezolano no se ha superado. Venezuela redistribuyó la renta del petróleo entre los más humildes, pero no ha superado esa cultura política rentista ni ha mejorado el funcionamiento de su estado. Pero no nos engañemos. Brasil tiene una estructura jurídica más consolidada y el Parlamento y algunos jueces han dado un golpe de Estado contra Dilma Roussef. Donald Trump puede cambiar a la Fiscal General y no pasa nada, pero si lo hace Maduro, Jefe del Estado igualmente elegido en unas elecciones, se le acusa de dictador. Una parte de las críticas a Maduro son tramposas porque olvidan que Venezuela es un sistema presidencialista. Es por eso que la Constitución permite al Presidente convocar una Asamblea Constituyente. Gustará más o menos, pero el artículo 348 de la Constitución vigente de Venezuela faculta al Presidente en esa tarea, igual que en España el Presidente del Gobierno puede disolver el Parlamento.

10. Zapatero y otros ex Presidentes, el Papa, Naciones Unidas vienen pidiendo a ambas partes en Venezuela que dialoguen. La oposición reunió en torno a siete millones de votos (si bien es más complicado que puedan llegar a ese acuerdo en torno a un candidato o candidata a la Presidencia del país). Maduro, en un contexto regional muy complicado, con fuertes estrecheces económicas que afectan a la compra de insumos básicos, incluidas medicinas, ha juntado ocho millones de votos (aunque sean siete, según las declaraciones tan sospechosas del Presidente de Smarmatic, que acaba de firmar un contrato millonario en Colombia). Venezuela está claramente dividida. La oposición, como otras veces, ha optado por la violencia y luego no entiende que Maduro sume tantos millones de apoyos. Si en España un grupo quemase centros de salud, quemase escuelas, disparara contra el Tribunal Supremo, asaltara cuarteles, contratara a marginales para sembrar el terror, impidiese con formas de lucha callejera el tránsito e, incluso, quemase vivas a personas por pensar diferente ¿alguien se extrañaría que la ciudadanía votase en la dirección contraria a esos locos?

11. Fracasada la vía violenta, a la oposición venezolana le quedan dos posibilidades: seguir con la vía insurreccional, alentada por el Partido  Popular, Donald Trump y la extrema derecha internacional, o intentar ganar en las urnas. Estados Unidos sigue presionando (en declaraciones a un semanario uruguayo, el Presidente Tabaré dijo que votó para expulsar ilegalmente a Venezuela del Mercosur por miedo a las represalias de los países grandes). 57 países de Naciones Unidas han exigido que se respete la soberanía de Venezuela. Como Estados Unidos no logra mayoría para forzar a Venezuela, insiste en inventar espacios (como la Declaración de Lima, sin ninguna fuerza jurídica porque no han conseguido mayoría en la OEA). La derecha mundial quiere acabar con Venezuela, aunque eso le cueste sangre y fuego a la población venezolana. Por eso algunos opositores, como Henry Ramos-Allup, han llamado al fin de la violencia. Venezuela tiene en el horizonte elecciones municipales y regionales. Es el escenario donde la oposición debiera demostrar esa mayoría que reclaman. Venezuela tiene que convocar esas elecciones y es una oportunidad excelente para medir electoralmente las fuerzas. Porque, de lo contrario, el choque que estamos viendo se enquistará y se convertirá en una gangrena terrible. ¿A quién le interesa una guerra civil en Venezuela? No nos engañemos. Ni al PP ni a Trump le interesan los derechos humanos. Si así fuera romperían con Arabia Saudí, que va a decapitar a quince jóvenes por manifestarse durante la Primavera Árabe, o dan latigazos a las mujeres que conducen; o con Colombia, donde van 150 asesinados por los paramilitares en los últimos meses; o en México, donde se asesina cada mes a algún periodista y aparecen fosas comunes con decenas de cadáveres. Penas de 75 años están pidiendo en Estados Unidos contra manifestantes contra las políticas de Trump. Venezuela se ha convertido en España en la 18 Comunidad Autónoma sólo porque el Presidente Rajoy ha tenido que comparecer como testigo por la corrupción en su partido. Es más airoso hablar de Venezuela que de la corrupción de los 800 cargos del PP imputados. Hay ingenuos que les creen. ¿Qué dirán ahora que el grueso de la oposición ha aceptado participar en las elecciones regionales? El pacto entre el PSOE y Podemos en Castilla-La Mancha ha sido presentado por la derecha manchega como el comienzo de la venezonalización de España. Cuánta caradura y cuánta estupidez. Hay gente que les cree. Mientras, el PP guarda silencio ante, por ejemplo, las persecuciones que la dictadura monárquica marroquí hace en España de los disidentes políticos, o encarcela por orden del dictador Erdogan a un periodista crítico con la dictadura turca. ¿Nos va a decir alguien que a estos gobiernos les interesan los derechos humanos?


Conclusión: no hace falta comulgar, ni mucho menos, con Maduro y su manera de hacer las cosas, para no aceptar el golpe de estado que se quiere construir en Venezuela. Estamos hablando de no volver a cometer los mismos errores creyéndonos las mentiras que construyen los medios. Venezuela tiene que solventar sus problemas dialogando. Y es evidente que tiene problemas. Pero dos mitades enfrentadas no van a ningún lado monologando. Aunque a una parte le apoyen los países más poderosos del ámbito neoliberal. Ni el PP ni la derecha quieren diálogo. Quieren que Maduro se entregue. ¿Y cree alguien que los ocho millones de votantes de la Asamblea Constituyente se iban a quedar de brazos cruzados? El nuevo gobierno les reprimiría e, incluso, les asesinaría. Los medios dirían que la democracia venezolana se estaría defendiendo de los enemigos de la democracia. Y volvería a haber gente ingénua que les creería. Desde el resto del mundo, en nombre de la democracia, bastan dos cosas: exigir y alentar el diálogo en Venezuela, y entender que sería bueno no permitir ni al PP ni a las derechas internacionales, empezando por Donald Trump, reeditar una de sus miserias más horribles que consiste en sembrar dolor en otros sitios para ocultar el dolor que construyen en nuestros propios países.


Blog Comiendo Terra, de Juan Carlos Monedero

sábado, 29 de julho de 2017

Em defesa da Venezuela

A Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história. Acompanho crítica e solidariamente a revolução bolivariana desde o início. As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. Diz o relatório: “O índice de desenvolvimento humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi de 0.767 — o que colocou o país na categoria de elevado desenvolvimento humano —, posicionando-o em 71.º de entre 188 países e territórios. Tal classificação é partilhada com a Turquia.” De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%. Entre 1990 e 2015, a esperança de vida ao nascer subiu 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou 4,8 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto (RNB) per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015. De notar que estes progressos foram obtidos em democracia, apenas momentaneamente interrompida pela tentativa de golpe de Estado em 2002 protagonizada pela oposição com o apoio ativo dos EUA.

A morte prematura de Hugo Chávez em 2013 e a queda do preço do petróleo em 2014 causou um abalo profundo nos processos de transformação social então em curso. A liderança carismática de Chávez não tinha sucessor, a vitória de Nicolás Maduro nas eleições que se seguiram foi por escassa margem, o novo Presidente não estava preparado para tão complexas tarefas de governo e a oposição (internamente muito dividida) sentiu que o seu momento tinha chegado, no que foi, mais uma vez, apoiada pelos EUA, sobretudo quando em 2015 e de novo em 2017 o Presidente Obama considerou a Venezuela como uma "ameaça à segurança nacional dos EUA", uma declaração que muita gente considerou exagerada, se não mesmo ridícula, mas que, como explico adiante, tinha toda a lógica (do ponto de vista dos EUA, claro). A situação foi-se deteriorando até que, em dezembro de 2015, a oposição conquistou a maioria na Assembleia Nacional. O Tribunal Supremo suspendeu quatro deputados por alegada fraude eleitoral, a Assembleia Nacional desobedeceu, e a partir daí a confrontação institucional agravou-se e foi progressivamente alastrando para a rua, alimentada também pela grave crise económica e de abastecimentos que entretanto explodiu. Mais de cem mortos, uma situação caótica. Entretanto, o Presidente Maduro tomou a iniciativa de convocar uma Assembleia Constituinte (AC) para o dia 30 de Julho e os EUA ameaçam com mais sanções se as eleições ocorrerem. É sabido que esta iniciativa visa ultrapassar a obstrução da Assembleia Nacional dominada pela oposição.

Em 26 de maio passado assinei um manifesto elaborado por intelectuais e políticos venezuelanos de várias tendências políticas, apelando aos partidos e grupos sociais em confronto para parar a violência nas ruas e iniciar um debate que permitisse uma saída não violenta, democrática e sem ingerência dos EUA. Decidi então não voltar a pronunciar-me sobre a crise venezuelana. Por que o faço hoje? Porque estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela, um enviesamento que recorre a todos os meios para demonizar um governo legitimamente eleito, atiçar o incêndio social e político e legitimar uma intervenção estrangeira de consequências incalculáveis. A imprensa espanhola vai ao ponto de embarcar na pós-verdade, difundindo notícias falsas a respeito da posição do Governo português. Pronuncio-me animado pelo bom senso e equilíbrio que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, tem revelado sobre este tema. A história recente diz-nos que as sanções económicas afetam mais os cidadãos inocentes que os governos. Basta recordar as mais de 500.000 crianças que, segundo o relatório da ONU de 1995, morreram no Iraque em resultado das sanções impostas depois da guerra do Golfo Pérsico. Lembremos também que vive na Venezuela meio milhão de portugueses ou lusodescendentes. A história recente também nos diz que nenhuma democracia sai fortalecida de uma intervenção estrangeira.

Os desacertos de um governo democrático resolvem-se por via democrática, e ela será tanto mais consistente quanto menos interferência externa sofrer. O governo da revolução bolivariana é democraticamente legítimo e ao longo de muitas eleições nos últimos 20 anos nunca deu sinais de não respeitar os resultados destas. Perdeu várias e pode perder a próxima, e só será de criticar se não respeitar os resultados. Mas não se pode negar que o Presidente Maduro tem legitimidade constitucional para convocar a Assembleia Constituinte. Claro que os venezuelanos (incluindo muitos chavistas críticos) podem legitimamente questionar a sua oportunidade, sobretudo tendo em mente que dispõem da Constituição de 1999, promovida pelo Presidente Chávez, e têm meios democráticos para manifestar esse questionamento no próximo domingo. Mas nada disso justifica o clima insurrecional que a oposição radicalizou nas últimas semanas e que tem por objetivo, não corrigir os erros da revolução bolivariana, mas sim pôr-lhe fim e impor as receitas neoliberais (como está a acontecer no Brasil e na Argentina), com tudo o que isso significará para as maiorias pobres da Venezuela. O que deve preocupar os democratas, embora tal não preocupe os media globais que já tomaram partido pela oposição, é o modo como estão a ser selecionados os candidatos. Se, como se suspeita, os aparelhos burocráticos do partido do governo sequestrarem o impulso participativo das classes populares, o objetivo da AC de ampliar democraticamente a força política da base social de apoio à revolução terá sido frustrado.

Para compreendermos por que provavelmente não haverá saída não violenta para a crise da Venezuela temos de saber o que está em causa no plano geoestratégico global. O que está em causa são as maiores reservas de petróleo do mundo existentes na Venezuela. Para os EUA, é crucial para o seu domínio global manter o controlo das reservas de petróleo do mundo. Qualquer país, por mais democrático, que tenha este recurso estratégico e não o torne acessível às multinacionais petrolíferas, na maioria, norte-americanas, põe-se na mira de uma intervenção imperial. A ameaça à segurança nacional, de que fala o Presidente dos EUA, não está sequer apenas no acesso ao petróleo, está sobretudo no facto de o comércio mundial do petróleo ser denominado em dólares, o verdadeiro núcleo do poder dos EUA, já que nenhum outro país tem o privilégio de imprimir as notas que bem entender sem isso afetar significativamente o seu valor monetário. Foi por esta razão que o Iraque foi invadido e o Médio Oriente e a Líbia arrasados (neste último caso, com a cumplicidade ativa da França de Sarkozy). Pela mesma razão, houve ingerência, hoje documentada, na crise brasileira, pois a exploração do petróleo do pré-sal estava nas mãos dos brasileiros. Pela mesma razão, o Irão voltou a estar em perigo. Pela mesma razão, a revolução bolivariana tem de cair sem ter tido a oportunidade de corrigir democraticamente os graves erros que os seus dirigentes cometeram nos últimos anos. Sem ingerência externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está no terreno é usar todos os meios para virar os pobres contra o chavismo, a base social da revolução bolivariana e os que mais beneficiaram com ela. E, concomitantemente com isso, provocar uma ruptura nas Forças Armadas e um consequente golpe militar que deponha Maduro. A política externa da Europa (se de tal se pode falar) podia ser uma força moderadora se, entretanto, não tivesse perdido a alma.

Artigo de BOAVENTURA SOUSA SANTOS, Público 29/07/2017

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

As 10 vitórias do Presidente Nicolás Maduro em 2016

No início de 2016, tudo parecia complexo para as autoridades de Caracas. E isto principalmente por três motivos:
   1) A oposição neoliberal havia vencido as eleições em dezembro de 2015 e controlava a Assembleia Nacional;
   2) A queda do preço do petróleo, o principal recurso da Venezuela, atingia o seu nível mais baixo desde há décadas;
   3) O presidente dos Estado Unidos, Barack Obama havia assinado uma Ordem Executiva declarando a Venezuela uma "ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e política externa dos Estados Unidos".

Ou seja, em três áreas decisivas – política, económica e geopolítica – a Revolução Bolivariana aparecia na defensiva, enquanto a contra-revolução, tanto interna como externa, pensava ter finalmente o poder ao seu alcance.

Tudo isto num contexto de guerra mediática de longa duração contra Caracas, que começou com a chegada à Presidência de Hugo Chávez em 1999, que se intensificou em Abril de 2013 e atingiu níveis sem precedentes de violência após a eleição do Presidente Nicolás Maduro.

Este clima de assédio mediático, agressivo e permanente, produziu uma desinformação insidiosa sobre a Venezuela, semeando a confusão mesmo entre numerosos amigos da Revolução Bolivariana. Especialmente porque nesta época da "pós-verdade", a mentira, a fraude intelectual, o manifesto logro não é sancionado por quaisquer consequências negativas nem sobre a credibilidade, nem sobre a imagem dos que o praticam.

Vale tudo nesta "era do relativismo, pós-factual", em que mesmo os factos e dados mais objetivos não são tidos em consideração. Mesmo o argumento – tão óbvio para a Venezuela – do complô, da conspiração, da conjura, não é aceite. O novo discurso mediático dominante denuncia e ridiculariza desde logo "a pretenso conjura" como um argumento inaceitável de "relatos à antiga", não admissíveis...

No início de 2016, tudo parecia difícil para o presidente venezuelano. A um ponto tal que o canhestro adversário neoliberal Henry Ramos Allup, embriagado pela sua maioria parlamentar, se atreveu a assegurar em Janeiro de 2016, no seu primeiro discurso como presidente da Assembleia Nacional, que "num prazo de menos de seis meses" ele expulsaria Nicolas Maduro do poder. Isto provavelmente inspirando-se no golpe institucional contra a presidente Dilma Roussef, do Brasil e apostando na vitória num referendo revocatório.

Assim estavam as coisas, quando o presidente Maduro, numa sequência magistral de que ninguém se apercebeu no jogo de xadrez que se desenvolvia, surpreendeu a todos. Ele renovou, como era sua prerrogativa de acordo com a Constituição, os membros do Tribunal Supremo Justiça (TSJ), instância superior do poder judiciário, cuja Sessão Constitucional tem a última palavra na interpretação da Constituição.

A oposição imbuída da sua soberba, cometeu então dois grandes erros:

1) Decidiu ignorar os avisos do TSJ e admitiu em funções três deputados do Estado do Amazonas, cuja eleição em Dezembro de 2015 fora objecto de suspensão por irregularidades. Perante esta afronta, o TSJ evidentemente declarou a não validade das decisões da Assembleia Nacional devido à presença de três deputados "não eleitos regularmente". O TSJ declarou a Assembleia Nacional em desobediência, e por conseguinte, "todas as suas decisões seriam consideradas nulas". Assim, pelos seus próprios erros, a Assembleia não conseguiu nem legislar nem controlar o governo, mas pelo contrário, tal como reconhecido por renomados especialistas em direito constitucional, anulou-se a si mesma, delapidou o seu poder, auto-dissolveu-se. Esta foi a primeira grande vitória do Nicolas Maduro em 2016.

2) Na sua obsessão de derrubar o Presidente, a oposição antichavista decidiu igualmente ignorar o que estipula o artigo 72º da Constituição sobre as etapas indispensáveis e os requisitos legais para a realização de um referendo revocatório em 2016. Neste ponto a oposição conheceu também uma importante derrota. E foi outra grande vitória para Nicolas Maduro.

Apesar disto, em Março-Abril de 2016, tudo se tornou mais complexo. Porque às ofensivas habituais das forças hostis à Revolução Bolivariana veio juntar-se uma impressionante seca, a segunda maior desde 1950 e uma onda de calor, em resultado do fenómeno El Niño. Ora, na Venezuela 70% da energia provém de centrais hidroeléctricas, a principal das quais depende da albufeira de El Guri. Com a ausência de chuva, os níveis desta barragem diminuíram até quase atingir o mínimo.

A contra-revolução tentou aproveitar-se destas circunstâncias para aumentar as sabotagens eléctricas, procurando criar um caos energético, cólera social e manifestações. O perigo era grande, porque o problema eléctrico foi agravado pela falta de água potável, em resultado da persistência da seca...

Mas mais uma vez o Presidente Maduro respondeu rapidamente tomando medidas drásticas: decidiu substituir milhões de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo; ordenou a substituição de velhos condicionadores de ar por outros mais eficientes; decretou meio dia de trabalho na administração pública e implementou um plano nacional especial de consumo de energia eléctrica e água.

Graças a estas medidas audaciosas, o Presidente conseguiu evitar o colapso energético. E obteve uma das vitórias mais populares de 2016.

Outro dos problemas importantes que o governo teve de enfrentar (talvez o mais grave) – em parte consequência da guerra económica contra a Revolução Bolivariana – foi o do aprovisionamento alimentar. Lembremos que antes de 1999, 65% dos venezuelanos viviam em situação de pobreza e apenas 35 por cento poderia beneficiar de uma boa qualidade de vida. Ou seja, em cada 10 venezuelanos, apenas três se alimentavam regularmente com carne, café, milho, leite, açúcar... No decorrer dos últimos 17 anos, o consumo de alimentos (graças ao enorme investimento social da revolução) aumentou em 80%.

Esta mudança estrutural explica por si só por que a produção nacional de alimentos, muito mais importante do que se pensa, se tornou insuficiente.

Com o enorme aumento da procura a especulação cresceu vertiginosamente. Face a uma oferta estruturalmente limitada, os preços dispararam. O fenómeno do mercado negro ou 'bachaqueo" propagou-se: tratava-se de comprar produtos subsidiados pelo governo, a preços mais baixos que os de mercado para os revender a preços superiores aos do mercado. Ou "exporta-los" maciçamente para países vizinhos (Colômbia, Brasil) revendendo-os a preços duplos ou triplos dos subsidiados. Assim, a Venezuela era "esvaziada" de seus dólares – cada vez menos devido ao colapso do preço do petróleo – para engordar os "vampiros" que despojavam os mais humildes dos produtos base, enriquecendo de forma escandalosa.

Uma tal imoralidade não poderia continuar. Mais uma vez, o Presidente Maduro agiu com firmeza. Primeiro – muito importante – mudou a filosofia da assistência social. Corrigiu um grande erro cometido pela Venezuela desde há décadas. Decidiu que o Estado, ao invés de subsidiar os produtos, devia subsidiar as pessoas, aqueles que realmente tivessem necessidade. Para que apenas aqueles que realmente precisavam, pudessem ter acesso aos produtos subsidiados pelo Governo. Para todos os outros, os preços dos produtos eram os preços justos fixados pelo mercado. Isto evitava a especulação e o "bachaqueo".

Como segunda medida decisiva: o Presidente anunciou que de futuro o governo iria orientar todos os seus esforços para a mudança do modelo económico do país, passando de um "modelo rentista"' para um 'modelo produtivo". E o Presidente definiu o que chamou de "dois motores" para impulsionar a actividade económica tanto no sector privado como no sector público e na economia comunitária.

Estas duas decisões essenciais convergiram numa criação original, imaginada pelo Presidente Maduro: os CLAP (Comités Locais de Aprovisionamento e Produção), constituindo uma nova forma de organização popular. Casa a casa, representantes das comunidades organizadas, entregam sacos com alimentos a um preço regulamentado. Muitos destes alimentos vêm de nova produção nacional. Os CLAP deverão aprovisionar durante os próximos meses de 2017 cerca 4 milhões famílias de menores rendimentos, assegurando desta forma a alimentação do povo, assim rubricando uma nova grande vitória do Presidente Maduro.

Uma outra vitória não menos importante no difícil ano de 2016 foi a taxa recorde de investimento social, representando 71,4% do orçamento nacional. É um recorde mundial. Nenhum outro Estado do mundo gasta quase três quartos do seu orçamento em investimento social.

Em matéria de saúde, por exemplo, o número de hospitais foi multiplicado por 3,5 desde 1999. E o montante dos investimentos no novo modelo da saúde pública foi multiplicado por dez.

No quadro da Missão "Barrio Adentro", cujo objectivo é o acesso aos cuidados de saúde nas zonas urbanas mais modestas do país, tiveram lugar quase 800 milhões de consultas salvando a vida de quase 1 400 000 pessoas. As escolas médicas formaram 27 mil médicos em 2016 e outros 30 mil deverão obter o seu diploma em 2017. Oito Estados da Venezuela estão cobertos a 100% pela Missão "Barrio Adentro", enquanto o objetivo fixado era de seis Estados.

Outra vitória social fundamental, não mencionada pelos media dominantes, diz respeito a pensões de reforma. Antes da revolução, apenas 19% das pessoas em idade de se reformarem recebiam uma pensão, os restantes subsistiam frequentemente na miséria ou dependentes de suas famílias. Em 2016, 90% das pessoas em idade da reforma recebiam uma pensão, isto mesmo que não tivessem podido contribuir para a Segurança Social durante sua vida activa. Um recorde na América do Sul.

Uma vitória espectacular – mais uma vez mais não mencionada pelos media dominantes – foi a "Misión Vivienda", cujo objectivo é construir habitação social a preços regulados para famílias mais modestas.

Em 2016, esse programa entregou 359 mil habitações (a título de comparação, um país desenvolvido como a França apenas construiu 109 mil habitações sociais em 2015). Acrescente-se que 335 mil habitações foram renovadas como parte do maravilhoso programa "Misión Barrio Nuevo, Barrio Tricolor". Missão que recebeu elogios do grande arquitecto Frank Gehry, criador do Museu Guggenheim em Bilbao e Museu Louis Vuitton, em Paris e que afirmou querer participar. Estamos a falar de quase 700 mil habitações sociais em 2016. Um número ímpar no mundo.

Desde o início do seu mandato em 2013, o Presidente Maduro já entregou às famílias modestas quase 1 milhão e meio de habitações. Um recorde mundial passado em silêncio pelos meios de comunicação hostis à Revolução Bolivariana. E que mesmo os seus amigos por vezes negligenciam mencionar.

Por último, lembremos algumas das vitórias brilhantes obtidas no domínio da geopolítica. Por exemplo: ter impedido a Organização dos Estados Americanos (OEA), controlada por Washington, de condenar a Venezuela como queria o secretário-geral da organização, Luis Almagro, invocando contra a Venezuela a Carta Democrática.

Outro sucesso foi a 27ª Cimeira do Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL), que se realizou em Setembro de 2016 no Centro de Convenções Hugo Chavez, na ilha Margarita, na presença de muitos Chefes de Estado e de Governo e de representantes de 120 países que manifestaram a sua solidariedade com a Venezuela.

Mas a principal vitória do Presidente Maduro neste domínio foi o incrível sucesso do acordo entre os países da OPEP e NÃO OPEP para uma redução concertada das exportações de petróleo, fruto de numerosas viagens do Presidente em busca deste objectivo.

Este acordo histórico, assinado em Novembro de 2016, imediatamente desacelerou a queda no preço do petróleo, que havia entrado em colapso a partir de meados de 2014, quando o preço ultrapassou 100 dólares por barril. Com esta importante vitória, o preço do petróleo, que fora 24 dólares em Janeiro, ultrapassava os 45 dólares no final de Dezembro de 2016.

Assim, durante o ano, o mais duro e o mais longo, durante o qual muitos apostaram no seu fracasso, o Presidente Nicolás Maduro, frustrou todas as armadilhas e todas as dificuldades, mostrou a sua excepcional dimensão de estadista e de líder indestrutível da Revolução Bolivariana. 
 
Artigo de Ignacio Ramonet
 
Original encontra-se em www.telesurtv.net/... e a versão em francês em: www.legrandsoir.info/les-10-victoires-du-president-nicolas-maduro-en-2016.html                
Versão em português encontra-se em http://resistir.info/        

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Cuba despede-se de Fidel (3)

População aguarda na estrada nos arredores de Jatibonico (Fotografia Agência Efe)
 
Moradores acompanham cortejo com cinzas de Fidel em Ciego de Ávila (Fotografia Agência Efe)

Multidão em Ciego de Avila acompanha cortejo fúnebre de Fidel (Fotografia Agência Efe)

População acompanha passagem do cortejo por Jatibonico (Fotografia Agência Efe)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

"Todo Guantánamo es nuestro"



El documental “Todo Guantánamo es nuestro”, del realizador colombiano Hernando Calvo Ospina, muestra el sentir del pueblo cubano sobre ese territorio ocupado por Estados Unidos. La película está producida por Resumen Latinoamericano y el Comité Internacional Cubano.