quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Kharkiv 2014


Kharkiv, Ucrânia, 23 Fevereiro 2014. A população da cidade concentra-se com cravos vermelhos em frente a uma das estátuas de Lénine, disposta a defendê-la da ira dos "libertadores" made in USA/UE (foto: jornal Le Monde, 25/02/2014)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Kiev 2014


Desfile de Neonazis Ucranianos em Kiev para celebrar a vitória...da democracia.
Kiev, Ucrânia, 24 de Fevereiro de 2014

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Está en riesgo la democracia en Venezuela?

En meses recientes ha habido, en Venezuela, cuatro sufragios decisivos: dos votaciones presidenciales, elecciones a gobernadores y comicios municipales. Ganados todos por el bloque de la revolución bolivariana. Ningún resultado ha sido impugnado por las misiones internacionales de observación electoral. El sufragio más reciente tuvo lugar hace apenas dos meses... Y se concluyó por una neta victoria –11.5 por ciento de diferencia– de los chavistas. Desde que Hugo Chávez asumió la presidencia en 1999, todos los comicios muestran que, sociológicamente, el apoyo a la revolución bolivariana es mayoritario.
En América Latina, Chávez fue el primer líder progresista –desde Salvador Allende– que apostó por la vía democrática para llegar al poder. No se entiende lo que es el chavismo, si no se mide su carácter profundamente democrático.
La apuesta de Chávez ayer, y hoy de Nicolás Maduro, es el socialismo democrático. Una democracia no sólo electoral. También económica, social, cultural... En 15 años el chavismo le dio a millones de personas –que por ser pobres no tenían papeles de identidad– el estatuto de ciudadano y les permitió votar. Consagró más de 42 por ciento del presupuesto del Estado a las inversiones sociales. Sacó a 5 millones de personas de la pobreza. Redujo la mortalidad infantil. Erradicó el analfabetismo. Multiplicó por cinco el número de maestros en las escuelas públicas (de 65 mil a 350 mil). Creó 11 nuevas universidades. Concedió pensiones de jubilación a todos los trabajadores (incluso a los informales)... Eso explica el apoyo popular que siempre tuvo Chávez, y las recientes victorias electorales de Nicolás Maduro.
¿Por qué entonces las protestas? No olvidemos que la Venezuela chavista –por poseer las principales reservas de hidrocarburos del planeta– ha sido (y será) siempre objeto de tentativas de desestabilización y de campañas mediáticas sistemáticamente hostiles.
A pesar de haberse unido bajo el liderazgo de Henrique Capriles, la oposición perdió cuatro elecciones succesivas. Frente a ese fracaso, su fracción más derechista, ligada a Estados Unidos y liderada por el ex golpista Leopoldo López, apuesta ahora por un golpe de Estado lento. Y aplica las técnicas del manual de Gene Sharp.
En una primera fase: 1) crear descontento mediante el acaparamiento masivo de productos de primera necesidad; 2) hacer creer en la incompentencia del gobierno; 3) fomentar manifestaciones de descontento, e 4) intensificar el acoso mediático.
Desde el 12 de febrero, los extremistas pasaron a la segunda fase, propiamente insurreccional: 1) ulitizar el descontento de un grupo social (una minoría de estudiantes) para provocar protestas violentas, y arrestos; 2) montar manifestaciones de solidaridad con los detenidos; 3) introducir entre los manifestantes a pistoleros con la misión de provocar víctimas en ambos bandos (la experticia balística determinó que los disparos que mataron en Caracas, el 12 de febrero, al estudiante Bassil Alejandro Dacosta y al chavista Juan Montoya fueron hechos con una misma pistola, una Glock calibre 9 mm); 4) incrementar las protestas y su nivel de violencia; 5) redoblar la acometida mediática, con apoyo de las redes sociales, contra la represión del gobierno; 6) obtener que las grandes instituciones humanitarias condenen al gobierno por uso desmedido de la violencia; 7) conseguir que gobiernos amigos lancen advertencias a las autoridades locales...
En esa etapa estamos.
 
¿Está entonces en riesgo la democracia en Venezuela? Sí, amenazada, una vez más, por el golpismo de siempre.
 
 
Por Ignacio Ramonet
via TeleSur

January in Japan


 

Neonazis assaltam uma sede do Partido Comunista Ucraniano (Video)



Neonazis ucranianos assaltam uma sede do Partido Comunista Ucraniano e queimam bandeiras e livros na cidade de Lutsk na região ocidental Volinia.

Quem são os jovens venezuelanos ?

 
Os meios de persuasão de massa difundem por estes dias que a juventude da Venezuela é quem protagoniza as manifestações contra o governo. Segundo esse relato, os milhares de meninos e meninas que efetivamente saem às ruas para protestar representariam a vontade da totalidade dos jovens. O mal-estar que eles expressam em relação à inflação, à falta de segurança ou à suposta ausência de democracia estender-se-ia aos mais de sete milhões e meio de venezuelanos entre 15 e 29 anos.

Sob tais circunstâncias, a imagem pintada pela imprensa é sumariamente favorável à oposição. Por um lado, uns garotos que reivindicam um futuro melhor, com todas as conotações positivas que a juventude implica: rebeldia, liberdade, fé, generosidade... No outro extremo, forças policiais repressoras a mando de um Executivo, o chavista, satanizado até chegar a um ponto grotesco.

No entanto, se esse cenário é real, surge a pergunta: Por que o chavismo ganhou 18 das 19 eleições disputadas desde 1998? Já não se pode mais justificar com o carisma de Hugo Chávez. Nas últimas eleições municipais, em dezembro, dez meses após o seu falecimento, o chavismo ganhou com dez pontos de vantagem, uma distância impressionante depois de três quinquenatos no poder. Para quem continua a apostar na teoria de fraude eleitoral, vale a pena recordar que a idoneidade de cada processo foi atestada por uma esquipa robusta de observadores estrangeiros e pela comunidade internacional. A eles também se somam chefes de Estado pouco simpatizantes ao chavismo, como o colombiano Juan Manuel Santos, o chileno Sebastián Piñera ou o mexicano Peña Nieto. Até mesmo a delegação do Parlamento espanhol validou a vitória de Nicolás Maduro em abril de 2013, inclusive com a assinatura dos dois representantes do Partido Popular.

Se fosse verdadeiro o relato dos meios internacionais sobre esse cansaço por parte da juventude, o chavismo deveria ter sido derrotado nas urnas há bastante tempo, pois 60% da população venezuelana tem menos de 30 anos.

As sondagens de opinião pública podem ajudar a lançar alguma luz sobre tão estranho mistério. Recentemente, foi publicada o II Inquérito Nacional da Juventude. Há vinte anos que não se realizava um estudo com essas proporções. Trata-se de um esforço gigantesco – 10.000 entrevistas pessoais com jovens entre 15 e 29 anos de todo o país – para radiografar um setor da população que tem pouco a ver com seus pais, dadas as enormes mudanças verificadas nas últimas duas décadas.


Os resultados distanciam-se muito da imagem de uma juventude frustrada, pessimista em relação ao futuro, cansada da falta de oportunidade e sedenta por una liberdade que lhes é negada. Do total, 90% acredita que o seu grau académico lhe proporcionará “muitas ou bastantes possibilidades de trabalho”; 93% diz que pode aspirar a um emprego melhor que o atual; 98% continuará a estudar, pois pensa que os estudos servirão para conseguir um trabalho satisfatório. É só comparar esses números com a Espanha, onde há 56% de desemprego entre os jovens e centenas de milhares de universitários se perguntam para que serviram tantos anos de estudo. Em contrapartida, as respostas dos venezuelanos apresentam otimismo em relação ao futuro.

Setenta e sete por cento dos jovens dizem que continuarão em seu país, e apenas 13% deles afirmam que se querem mudar. Essas percentagens refutam a propaganda mediática de que a juventude quer fugir a sete pés da Venezuela. E quanto à suposta ditadura na qual o país se converteu, basta um dado esclarecedor: 60% considera que o melhor sistema é o socialismo, enquanto 21% prefere o capitalismo. A partir dessas evidências científicas, é possível compreender melhor por que o chavismo conquista vitória sobre vitória.

Então, quem representam os jovens que protestam em Caracas e em outras cidades, se não os de mesma faixa etária? Obviamente, os da sua classe social. Isto é, as classes médias e altas, além da casta empresarial, que continua detendo um gigantesco poder. E esse setor é minoritário frente às classes populares, que representam mais de 60% da população.

A Venezuela é um país extremamente classista, apesar do facto de que, na última década, a desigualdade tenha diminuído mais do que em nenhum outro país da América Latina, segundo as Nações Unidas. A divisão de classe reflete-se também nos aspectos racial e geográfico, conforme se comprova nas manifestações. A proporção de pessoas brancas tem sido avassaladora, embora apenas 20% da população se caracterize como mestiça. E o epicentro das concentrações se localiza no eixo La Castellana-Altamira-Palos Grandes-Sebucán, as áreas de Caracas onde o metro quadrado é mais caro. Para situar o leitor espanhol, seria como se saíssem para se manifestar os moradores do bairro de Salamanca, de Madrid, ou de Pedralbes, em Barcelona.

O que ocorre nestes dias no país caribenho é o enésimo capítulo da luta de classes, esta que, segundo o multimilionário norte-americano Warren Buffett, os ricos começaram e estão a ganhar. Na Venezuela, começou há quase cinco séculos, e também foi iniciada pelos ricos. Ocorre que, desde há 15 anos, eles acumulam derrota sobre derrota.
 
 Artigo de Alejandro Fierro, via Esquerda.net

domingo, 23 de fevereiro de 2014

The Runners

 

Pounding the tarmac through the seasons, a band of runners are brazenly challenged with intimate questions as they pace their routes. Liberated from responsibilities, their guards drop dramatically, releasing funny and brutally frank confessions, and weaving a powerful narrative behind the anonymous masses.

A film by Matan Rochlitz & Ivo Gormley.

Destruir a Revolução Bolivariana, objectivo do Imperialismo

Na Venezuela a tentativa de golpe com recurso à força foi inviabilizada. O esforço para desestabilizar o país prosseguiu, mas o projecto de tomada do poder foi alterado. O governo define-o agora como «um golpe de estado suave». Uma campanha de desinformação que envolve os grandes media dos EUA e da União Europeia transmite diariamente a imagem de uma Venezuela onde a violência se tornou endémica, manifestações pacíficas seriam reprimidas, a escassez de produtos essenciais aumenta, a inflação disparou e a crise económica se aprofunda. Esses media – incluindo os media nacionais de grande circulação - ocultam a realidade. Quem promove a violência é a extrema-direita, quem incendiou lojas da Mision Mercal que vende ao povo mercadorias a preços reduzidos, quem saqueia supermercados é essa oposição neofascista que se apresenta como “democrática». É ela que sabota a economia e organiza o açambarcamento de produtos essenciais. O imperialismo norte- americano (com o apoio dos governos do Reino Unido e da França) está na ofensiva em duas frentes. Obrigado pela Rússia a recuar na Síria ataca na Ucrânia e na Venezuela. Na Ucrânia, o apoio de Washington às forças empenhadas em derrubar o presidente Iakunovitch foi ostensivo (ver artigo de Paul Craig Roberts ( http://www.odiario.info/?p=3187). Na Venezuela, a estratégia dos EUA é mais subtil. Nela a Embaixada em Caracas e a CIA têm desempenhado um importante papel. O projeto inicial de implantar no país uma situação caótica fracassou. Os apelos à violência de Leopoldo Lopez que assumiram caracter insurreccional na jornada de 12 de Fevereiro tiveram a resposta que mereciam das Forças Armadas e das massas populares solidarias com a revolução bolivariana. Os crimes cometidos pelos grupos de extrema-direita suscitaram tamanha repulsa popular que até Capriles Radonski – o candidato derrotado à Presidência da Republica - optou por se distanciar de Lopez e sua gente, mas convoca novas manifestações «pacíficas». Inviabilizada a tentativa de golpe com recurso à força, o esforço para desestabilizar o país prosseguiu, mas o projeto de tomada do poder foi alterado. O governo define-o agora como «um golpe de estado suave». Uma campanha de desinformação, que envolve os grandes media dos EUA e da União Europeia, transmite diariamente a imagem de uma Venezuela onde a violência se tornou endémica, manifestações pacíficas seriam reprimidas, a escassez de produtos essenciais aumenta, a inflação disparou e a crise económica se aprofunda. Ocultam a realidade. Quem promove a violência é a extrema-direita, quem incendiou lojas da Mision Mercal que vende ao povo mercadorias a preços reduzidos, quem saqueia supermercados é essa oposição neofascista que se apresenta como “democrática», é ela que sabota a economia e organiza o açambarcamento de produtos essenciais. No Estado de Táchira, grupos terroristas paramilitares vindos da Colômbia semeiam o terror, forçando o presidente Maduro a decretar ali o estado de exceção. É significativo que o embaixador da Venezuela em Lisboa, general Lucas Rincón Romero, tenha sentido a necessidade de emitir um comunicado ( http://www.odiario.info/?p=3186) para esclarecer que os media internacionais publicam quase exclusivamente declarações da oposição que deturpam grosseiramente os acontecimentos do seu pais. A Revolução Bolivariana enfrenta hoje uma guerra económica - a expressão é de Maduro - que é simultaneamente uma guerra psicológica, política e social. Nesse contexto, o Presidente da Venezuela ao alertar o seu povo para a cumplicidade de Washington na montagem de «um golpe de estado» denunciou o envolvimento em atividades conspirativas da oposição de três funcionários consulares dos Estados Unidos, e ordenou a sua imediata expulsão. Reagindo também à campanha anti-venezuelana da CNN, acusou aquele canal de TV de uma «programação de guerra». Como reage Barack Obama? Com hipocrisia e arrogância. Não citou o episódio da expulsão dos diplomatas, mas pediu a Maduro que liberte os dirigentes da oposição presos. Como nele é habitual invocou no seu apelo retórico princípios humanitários, o respeito pelos direitos humanos, o diálogo democrático, enfim, aquilo os EUA violam com a sua política de terrorismo de estado. Somente fltou mencionar explicitamente Leopoldo Lopez, o líder das jornadas de violência que provocaram mortes e destruições em Caracas e noutras cidades. O senador republicano John McCain, ex candidato à Casa Branca, foi mais longe do que Obama. Numa entrevista à BBC sugeriu com despudor uma intervenção militar direta na Venezuela para «estabelecer a paz e a democracia». A escalada golpista assumiu tais proporções que desencadeou a nível mundial um poderoso movimento de apoio à Revolução Bolivariana, ameaçada pelo imperialismo e o fascismo caseiro. Um manifesto de solidariedade ao governo de Maduro, iniciado na Argentina, já foi assinado em muitos países por milhares de intelectuais, artistas, dirigentes políticos, parlamentares e sindicalistas. A solidariedade com o povo de Bolívar corre mundo como torrente caudalosa.
 
Artigo de Miguel Urbano Rodrigues (ODiario.Info)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Ucrânia e o renascimento do fascismo na Europa

 
A violência nas ruas da Ucrânia é muito mais do que uma manifestação da ira popular contra um governo. É, ao invés, simplesmente o exemplo mais recente da ascensão da mais insidiosa forma de fascismo que a Europa já viu desde a queda do Terceiro Reich.

Os últimos meses assistiram a protestos regulares da oposição política ucraniana e seus apoiantes – protestos ostensivamente em resposta à recusa do presidente Yanukovich a assinar um acordo comercial com a União Europeia, encarado por muitos observadores políticos como o primeiro passo rumo à integração europeia. Os protestos foram razoavelmente pacíficos até 17 de Janeiro, quando manifestantes armados com paus, capacetes e bombas improvisadas desencadearam uma violência brutal sobre a polícia, atacando edifícios governamentais, batendo em quem fosse suspeito de simpatias pelo governo e provocando destruição generalizada nas ruas de Kiev. Mas quem são estes extremistas violentos e qual é a sua ideologia?

A formação política conhecida como "Pravy Sektor" (Sector Direita) é basicamente uma organização chapéu para um certo número de grupos ultra-nacionalistas (ler fascistas) incluindo apoiantes do Partido "Svoboda" (Liberdade), "Patriotas da Ucrânia", "Ukrainian National Assembly – Ukrainian National Self Defense" (UNA-UNSO) e "Trizub". Todas estas organizações partilham uma ideologia comum que entre outras coisas é veementemente anti-russa, anti-imigrantes e anti-judia. Além disso, partilham uma reverência comum pela chamada "Organização de Nacionalistas Ucranianos" liderada por Stepan Bandera, os infames colaboradores dos nazis que combateram activamente contra a União Soviética e cometeram algumas das piores atrocidades da II Guerra Mundial.

Apesar de forças políticas ucranianas, oposição e governo, continuarem a negociar, uma batalha muito diferente está a ser travada nas ruas. Utilizando intimidação e força bruta mais típica dos "Camisas castanhas" de Hitler ou dos "Camisas negras" de Mussolini do que de um movimento político contemporâneo, estes grupos conseguiram transformar um conflito sobre política económica e alianças políticas do país numa luta existencial pela própria sobrevivência da nação que estes assim chamados "nacionalistas" afirmam amar tão ardentemente. As imagens de Kiev a queimar, as ruas de Lvov cheias de brutamontes e outros exemplos assustadores do caos no país ilustram sem sombra de dúvida que a negociação política com a oposição do Maidan (a praça central de Kiev e centro dos protestos) já não é a questão central. É, antes, a questão de apoiar ou rejeitar o fascismo ucraniano.

Pelo seu lado, os Estados Unidos lançaram-se no lado da oposição, sem considerar o seu carácter político. No princípio de Dezembro, membros do establishment dirigente dos EUA, tais como John McCain e Victoria Nuland, foram vistos no Maidan a apoiar os manifestantes. Entretanto, quando nos últimos dias o carácter da oposição se tornou evidente, os EUA e a classe dominante ocidental e sua máquina dos media pouco fizeram para condenar o levantamento fascista. Ao invés disso, seus representantes encontraram-se com representantes do Sector Direita e consideraram que não eram "ameaça". Por outras palavras, os EUA e seus aliados deram aprovação tácita à continuação e proliferação da violência em nome do seu objectivo final: a mudança de regime.

Numa tentativa de arrancar a Ucrânia da esfera de influência russa, a aliança EUA-UE-NATO aliou-se, não pela primeira vez, com fascistas. Naturalmente, durante décadas, milhões na América Latina foram desaparecidos ou assassinados por forças militares fascistas armadas e apoiadas pelos Estados Unidos. Os mujahideen do Afeganistão, os quais depois transmutaram-se na Al Qaeda, também reaccionários ideológicos extremos, foram criados e financiados pelos Estados Unidos com o objectivo de desestabilizar a Rússia. E naturalmente há a penosa realidade da Líbia e, mais recentemente da Síria, onde os Estados Unidos e seus aliados financiam e apoiam extremistas jihadistas contra um governo que se recusa a alinhar com os EUA e Israel. Há um padrão perturbador aqui que não tem sido compreendido por observadores políticos: os Estados Unidos sempre fazem causa comum com extremistas de direita e fascistas para ganho geopolítico.

A situação na Ucrânia é profundamente perturbadora porque representa uma conflagração política que poderia muito facilmente dilacerar o país menos de 25 anos depois de se tornar independente da União Soviética. Contudo, há outro aspecto igualmente perturbador na ascensão do fascismo naquele país – ele não está só.

Ameaça fascista por todo o continente

A Ucrânia e a ascensão do extremismo de direita não pode ser vista, muito menos entendida, isoladamente. Deve, ao invés, ser examinada como fazendo parte de uma tendência crescente através da Europa (e na verdade do mundo) – uma tendência que ameaça os próprios fundamentos da democracia.

Na Grécia, a austeridade selvagem imposta pela troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) arruinou a economia do país, levando a uma depressão tão má, se não pior, quanto a Grande Depressão nos Estados Unidos. É contra este pano de fundo do colapso económico que o partido Aurora Dourada cresceu até se tornar o terceiro maior partido político do país. Esposando uma ideologia de ódio, o Aurora Dourada – efectivamente um partido nazi que promove o chauvinismo anti-judeu, anti-imigrante e anti-mulher – é uma força política que o governo de Atenas entendeu ser uma grave ameaça ao próprio tecido da sociedade [NR] . Foi esta ameaça que levou o governo a deter a liderança do partido depois de um nazi da Aurora Dourada ter esfaqueado um rapper anti-fascistas. Atenas lançou uma investigação ao partido, embora os resultados desta investigação e o processo permaneçam pouco claros.

O que torna o Aurora Dourada uma ameaça tão insidiosa é o facto de que, apesar da sua ideologia central nazista, sua retórica anti-UE e anti-austeridade atrai muita gente na Grécia economicamente devastada. Tal como muitos movimentos fascistas no século XX, o Aurora Dourada transforma em bodes expiatórios os imigrantes, muçulmanos e africanos por muitos dos problemas que os gregos enfrentam. Em circunstâncias económicas terríveis, tal ódio irracional torna-se atraente; uma resposta à questão de como resolver problemas da sociedade. Na verdade, apesar de líderes do Aurora Dourada estarem presos, outros membros do partido ainda estão no parlamento, ainda concorrem a funções como à presidência de Atenas. Embora uma vitória eleitoral seja improvável, outra mostra de força nas eleições tornará muito mais difícil a erradicação do fascismo na Grécia.

Se este fenómeno estivesse confinado à Grécia e à Ucrânia, ele não constituiria uma tendência continental. Contudo, tristemente vemos a ascensão, embora menos abertamente fascista, de partidos políticos por toda a Europa. Na Espanha, o Partido do Povo, governante e pró austeridade, avançou com leis draconianas restringindo o protesto e a liberdade de palavra, bem como fortalecendo e aprovando tácticas policiais repressivas. Em França, o partido da Frente Nacional, de Marine Le Pen, que veementemente transforma imigrantes muçulmanos e africanos em bodes expiatórios, ganhou aproximadamente vinte por cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais. Analogamente, na Holanda, o Partido pela Liberdade – que promove políticas anti-muçulmanas e anti-imigrantes – cresceu a ponto de se tornar o terceiro maior partido no parlamento. Por toda a Escandinávia, partidos ultra-nacionalistas que outrora totalmente irrelevantes e obscuros são agora actores significativos em eleições. Estas tendências são preocupantes, para dizer o mínimo.

Também deveria ser observado que, para além da Europa, há um certo número de formações políticas quase-fascistas que são, de uma maneira ou de outra, apoiadas pelos Estados Unidos. O golpe de direita que derrubou os governos do Paraguai e de Honduras foram tacitamente e/ou abertamente apoiados por Washington no seu objectivo aparentemente infindável de suprimir a esquerda na América Latina. Naturalmente, também deveria ser lembrado que o movimento de protestos na Rússia foi encabeçado por Alexei Navalny e seus seguidores nacionalistas que adoptam uma ideologia racista e anti-muçulmana que encara imigrantes do Cáucaso russo e de outras antigas repúblicas soviéticas como inferiores a "russos europeus". Estes e outros exemplos pintam um retrato muito feio de uma política externa estado-unidense que tenta utilizar a adversidade económica e a reviravolta política para estender a hegemonia dos EUA por todo o mundo.

Na Ucrânia, o "Sector Direita" retirou o combate da mesa de negociação para as ruas numa tentativa de cumprir o sonho de Stepan Bandera – uma Ucrânia livre da Rússia, de judeus e de outros vistos como "indesejáveis". Animatdo pelo apoio contínuo dos EUA e da Europa, estes fanáticos representam uma ameaça mais grave para a democracia do que Yanukovich e o governo pró russo. Se a Europa e os Estados Unidos não reconhecem esta ameaça no seu início, quando o fizerem poderá ser demasiado tarde.
Texto de Eric Draitser  [*]



Ver também:        


Ukraine “Color Revolutions”: At the Crossroads of Euro-Atlantic and Eurasian Power Politics

[NR] É muito discutível que o actual governo de Atenas tenha esse entendimento.   A sua atitude é, antes, de conivência passiva e omissão.   Forças policiais gregas pouco ou nada fazem para reprimir o Aurora Dourada, só actuando em casos extremos.

[*] Fundador do StopImperialism.com , analista geopolítico independente residente em Nova York, ericdraitser@gmail.com .

O original encontra-se em
www.globalresearch.ca/ukraine-and-the-rebirth-of-fascism-in-europe/5366852


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/                      
     

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

World Press Photo 2013


The dramatic image, captured by VII photo agency founder and National Geographic photographer John Stanmeyer, shows African migrant holding their phones aloft, looking for an inexpensive Somalian cell signal by moonlight on the shores of Djibouti.
 
Djibouti is a common stopping point for migrants from Somalia, Ethiopia and Eritrea on their way to Europe and the Middle East in search of a better life. That cell signal is, as described by World Press Photo, “a tenuous link to relatives abroad.”
 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Foz do Douro

 
Ondas gigantes atingem a Foz do Douro, no Porto.
 Fotografia de Paulo Duarte/Associated Press
(Via Aventar) Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Caso dos Cinco Cubanos



Síntese do Caso dos Cinco Cubanos, presos políticos injustamente condenados pela "justiça" norte-americana e privados de sua Liberdade, desde o ano de 1998, em cárceres dos EUA. Realizado pelo Comitê Estadual do Rio de Janeiro pela Libertação dos Cinco Cubanos, o vídeo pretende denunciar e informar a todos sobre a situação de injustiça à qual os Cinco tem sido submetidos.

Mais informações a respeito do Caso dos Cinco, e sobre as diversas formas de apoiar a causa em: http://liberdadecincocubanos.blogspot
https://www.facebook.com/cincocubanos

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

«Wall Street é o equivalente moderno da mafia»

Falando sobre o seu filme mais recente, Scorcese explica a equivalência que identifica entre os métodos do capital financeiro e os da mafia: ambos acumulam riqueza sem olhar a meios. Mas enquanto os gangsters são socialmente proscritos, os banqueiros são vistos como exemplo do estofo que é necessário “para vencer”.
Nouvel Observateur – Então, Wall Street é o equivalente moderno da mafia?
Martin Scorsese – Exactamente. O herói de «O lobo de Wall Street», Jordan Belfort, é irmão de Henry Hill, o personagem de «Um dos nossos» [Goodfellas]. Este último chegava a ter tudo, dinheiro, mulheres, cocaína, enquanto ia ascendendo na hierarquia da mafia. Em Wall Street muda a decoração e, aparentemente, a moralidade é mais refinada, mas é a mesma coisa. Socialmente não é aceitável ser um gangster. Pelo contrário, é correcto fazer dinheiro graças ao sistema, sejam quais forem os meios.
 
Onde está a linha divisória?
Interrogo-me sobre isso. Quando era pequeno, observava as pessoas do meu bairro italiano: era uma coisa cheia de contrastes. Estavam ali os que tinham uma aura de responsabilidade e estavam os que a não tinham. Eu sabia que entre os excluídos havia pessoas boas, mas que eram tratadas como rufiões. Era tudo uma questão de imagem.
 
Na sua opinião, o que é que fez cristalizar esta visão da sociedade?
Na minha adolescência vi a «Ópera dos três vinténs” que me abalou. A obra foi levada à cena em Greenwich Village e nunca me esqueceu o final. Quando vêm prender Mackie o Navalha, pede a palavra. Conta o que fez e é exactamente o mesmo que Chaplin em «O senhor Verdoux»: volta as suas próprias acusações contra os seus acusadores: «O que é roubar um banco? Fundar um banco não é a mesma coisa?», pergunta. Para ele as duas morais são iguais.
 
O seu herói comporta-se como um lobo, como diz no título do filme…
Sim, o mundo da finança tornou-se mais brutal e lá reina a violência. Entre a «Ópera dos três vinténs» e «O lobo de Wall Street» há uma distância galáctica, mas para pior. Tentei mostrar esse extraordinário desbocamento. Quando mais nos afundamos neste sistema, mais aumenta o perigo à nossa volta.
 
Normalmente, os seus personagens vivem uma ascensão, um paraíso momentâneo, uma queda e depois uma redenção. Mas aqui não há redenção. Já não acredita nela?
Tenho muito medo que não haja redenção possível para os lobos. Proceder a vendas, fechar compras, ganhar, que prazer! Isso não se pode esquecer nem apagar. Portanto, não redenção possível.
 
Falta-lhe então a sua fé católica?
Desespera-me o que vejo à minha volta.
 
Onde está o Scorcese do «Touro Selvagem»?
Desapareceu com os valores da época, que já mudaram. Hoje em dia, tudo o que se ensina aos jovens é que há que tornar-se rico.
 
É pessimista?
Sou um pessimista… com esperança.
 
Então converteu-se em Woody Allen? Ah, ah, ah! (ri ás gargalhadas) … Não uma questão de conversão, há que continuar a lutar. Sinto-me sempre decepcionado, mas volto a começar do zero. Volto a amiúde um homem que considero um velho amigo, Albert Camus. Acabo de reler «A peste», e é uma filosofia que me agrada: estamos no absurdo, mas continuamos a acreditar no homem.
 
Teriam que o excomungar.
É o quer me diz por vezes o meu director espiritual, o padre Francis Princípe. Tem 86 anos e levava-me pela mão quando ei tinha 11 anos. Celebrámos há umas semanas os 60 anos da sua ordenação. Fez-me ler Graham Greene e Camus! Foi ele quem me fez pensar que talvez não houvesse o pecado original…
 
Heresia! Para a fogueira!
(ri às gargalhadas) … Sou um católico falhado, isso é verdade, o que me permite fazer filmes, trabalhar na indústria do espectáculo. Caso contrário não faria concessão alguma. Rezaria constantemente. Fazer filmes significa ter uma ligação com o mundo exterior, confrontar-se com ele.
 
O senhor faz um filme de dois em dois anos. Porquê esse ritmo?
Tenho consciência de que o tempo passa: Não tenho muito à minha frente. E há ainda tantos filmes para fazer! Tenho pânico. Desbaratei um período da minha vida.
 
Nos anos 70, quando estava agarrado à cocaína…
Sim. Eu era como o Leonardo DiCaprio em «O lobo de Wall Street»: queria ir até ao limite. Estive a ponto de morrer. O dia em pude olhar para mim-próprio, vi um homem que era uma fraude. Confesso que há certos elementos na personagem de Leonardo DiCaprio que são autobiográficos. Vivi uma temporada chalado. Acabara de rodar The Last Waltz, que tinha sido o tope da loucura e tinha começado a trabalhar no «Touro Selvagem». Tudo mudou. Eu não sou como o Mackie o Navalha, que não fabrica nada, não produz nada. Eu acredito! E isso pressupõe uma diferença do caraças!
 
O cinema salvou-o?
Precisamente. Eu queria fazer coisas, contar histórias, dirigir filmes. Estava raivoso. Com a coca era impossível. Era um beco sem saída.´
 
O que é que o guia no seu amor pelo cinema?
O coração. Quando faço um filme quero encontrar o coração que bate na história que conto. ´Foi uma coisa que tive de perder em «A cor do dinheiro»: não lamento ter feito este filme, mas realizei-o como uma forma de terapia. Fazia-me falta voltar a levantar-me. Paul Newman ofereceu-me essa oportunidade como um verdadeiro cavalheiro. Mas o meu objectivo último, no fundo, era «A última tentação de Cristo»: quando rodei este filme soube que tinha sobrevivido. Peguei no exemplo de John Cassavetes, de quem admiro o seu entusiasmo. Adoro «Faces»…
 
Filmou uma boa parte de «O lobo de Wall Street» em digital…
Sim…Tinha feito tentativas com «Hugo», mas já não é possível fazê-lo de outra maneira. Prefiro a película química, mas é uma coisa acabada, é uma batalha perdida. O que sinto falta é do negativo. Há qualquer coisa na qualidade de um rosto no celulóide que não se encontra no digital. O grão, a respiração, não sei…O digital muda totalmente a nossa forma de ver.
 
Como?
Quando vejo uma película antiga, «Casablanca», por exemplo, restaurada digitalmente, percebo coisas que antes não via. Afecta todo a película. Há obras que não posso voltar a ver em celulóide, são demasiado imperfeitas. O digital dá-nos uma precisão cirúrgica. Não há lugar para a imprecisão, a dúvida. Já não se suporta. De repente, pode ser que mude toda a história do cinema. Pelo menos a visão que temos dela. Talvez nós atribuamos a qualidade da película de nitrato de prata da época do cinema mudo.
 
De repente também se redescobrem certos filmes.
Sim. Na minha adolescência vi pela primeira vez o «Cidadão Kane» e o «Terceiro Homem», no écran televisivo. Quando voltei a vê-los no grande écran fiquei desanimado. Volto a vê-las no digital e fico desalentado. Até num tablet são geniais! A alma destes filmes sobreviveu, seja qual for o suporte.
 
O que é que orienta as suas escolhas na hora de rodar?
Os personagens. Não a história. Fascina-me o comportamento dos personagens. Hoje em dia vivemos na ditadura do «storytelling»: faz falta que haja peripécias, aventuras, sucessos. Quando Fellini fazia «La dolce vita» não contava uma história de A a Z: deixava avançar os personagens em situações que não eram necessárias, seguia-os, observava-os e o filme construía-se assim. Os actos dos personagens davam-lhes profundidade, uma existência de verdade. Com Leonardo DiCaprio estamos completamente de acordo nisto. Perguntam-me amiúde por que razão trabalho com ele: já são cinco as vezes que colaborámos. E eu respondo: por que não? Partilhamos a mesma ambição. Revelar…
 
E é?
Qualquer coisa da natureza humana. Não há outra coisa que interesse. A arte é isso., nada mais do que isso!
 
http://www.lahaine.org/index.php?p=74654
 
Tradução para português ODiario.info

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O PRAXISMO-JAVARDISMO

 Caricatura de Manuel Gustava Bordalo Pinheiro

Antes da REACÇÃO contra a revolução do 25 de Abril de 1974, não havia praxe em Lisboa. O espírito crítico de um escol cultural, prevalente na Universidade, tinha padrões exigentes. Ensino superior não queria dizer ensino inferior. Era uma elevação sobre a miserável circunstância dominante. A praxe era considerada – e bem --COISA DE LABREGOS.

Em Coimbra, nos anos sessenta, apó...s as críticas corajosas de Flávio Vara (“O Espantalho da praxe…” 1958) e a chegada de uma geração mais desempoeirada, a praxe quase desapareceu. Reinstalaram-na depois com todo o seu fétido programa passadista.

A praxe é o abraço alcoolizado entre o ricaço marialvão, abrutalhado e analfabeto e o povoléu boçal e trauliteiro, folclorizando o servilismo medieval em vestes eclesiásticas. Ao fim e ao cabo, o velho Portugal alarve, mendigo, medievalóide e agachadinho, mas de telemóvel em riste.

Não se ponderem gradações entre um medievalismo civilizado e um medievalismo excessivo. Toda a praxe é desprezível. No estado a que as coisas, desgraçadamente, chegaram, proibir seria contraproducente. Mas há muitas formas de desencorajar. E os professores – que têm sido, aliás, de uma distracção cúmplice (mea culpa) – sabem isso bem. 

Oxalá os estudantes se dêem conta de como foram inferiorizados e transformados em «jovens velhinhos» por uma súcia rasca.

Tanto mais que a situação assume contornos sinistros e mafiosos. Ao que parece, com “omertà” e tudo. Um atavismo lusitano vem fazer de hífen entre a tradição siciliana e o nórdico Nacional-Socialismo.

 Pior que mera COISA DE LABREGOS.

Texto de Mário de Carvalho