segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A mentira pela omissão e o papel da desinformação

Nada do que é importante no mundo é hoje reflectido pela comunicação dita "social", os media empresariais que arrogantemente se auto-intitulam como padrão de "referência". Para quem pretende uma transformação do mundo num sentido progressista isto é um problema, e problema grave. Significa um brutal atraso na tomada de consciência dos povos, cuja atenção é desviada para balelas, entretenimentos idiotas, falsos problemas e outros diversionismos. Omissão não é a mesma coisa que desinformação. Vejamos exemplos de uma e outra, a começar pela primeira.

A mais actual é a ameaça da instalação de
mísseis Iskander junto às fronteiras ocidentais da Europa. Isso é praticamente ignorado pelos media ocidentais, assim como é ignorada a razão porque eles estão a ser agora instalados: o cerco da Rússia pela NATO, que instalou novos sistemas de mísseis numa série de países junto às suas fronteiras. É indispensável reiterar que tanto os da NATO como o da Rússia são dotados de ogivas nucleares.

Outro exemplo de omissão é o apagamento total de informação quanto ao terrífico
acidente nuclear de Fukushima, que tem consequências pavorosas e a longuíssimo prazo para toda a humanidade. Continua o despejo diário de 400 toneladas de água com componentes radioactivos no Oceano Pacífico, o equivalente a uma disseminação igual à de todos os mais de 2500 ensaios de bombas nucleares já efectuados pela espécie humana. Caminha-se assim para o extermínio de uma gama imensa de espécies vivas – da humana inclusive – pois tal poluição entra no ecossistema que lhes dá suporte.

Outro exemplo ainda é o silenciamento deliberado quanto às consequências do
desastre com a plataforma de pesquisa da British Petroleum (BP) no Golfo do México. Tudo indica que a gigantesca fuga de petróleo ali verificada ao longo de meses (100 mil barris/dia?) não está totalmente sanada, pois este continua a vazar embora em quantidades menores. A política activa de silenciamento conta com o apoio não só da BP como do próprio governo americano. Este, aliás, já autorizou o reinício da exploração de petróleo em águas profundas ao longo das costas norte-americanas.

Este silenciamento verifica-se com o pano de fundo do
Pico Petrolífero (Peak Oil) , que também é deliberadamente escondido da opinião pública pelos media corporativos. Pouquíssima gente hoje no mundo sabe que a humanidade já atingiu o pico máximo da produção possível de petróleo convencional , que esta está estagnada há vários anos. Trata-se do fim de uma era, com consequências irreversíveis, cumulativas, definitivas e a longo prazo. Mas este facto é ocultado da opinião pública.

A maioria dos governos de hoje abandonou há muito a pretensão de ser o gestor do bem comum: passou descaradamente a promover os interesses de curto prazo do capital – em detrimento das condições de sobrevivência a longo prazo da espécie humana. Trata-se, pode-se dizer, de uma política tendente ao extermínio. Veja-se o caso, por exemplo, do fracking, ou exploração do
petróleo e metano de xisto (shale) através de explosões subterrâneas e injecção de produtos químicos no subsolo – o que tem graves consequências sísmicas e polui lençóis freáticos de água potável. O governo Obama estimula activamente o fracking, na esperança – vã – de dotar os EUA de autonomia energética.

Mas há assuntos que para os media corporativos dominantes são não apenas omitidos como rigorosamente proibidos – são tabu. É o caso da disseminação do
urânio empobrecido (depleted uranium, DU) que o imperialismo faz por todo o mundo com as suas guerras de agressão. Países como o Iraque, a antiga Jugoslávia, o Afeganistão e outros estão pesadamente contaminados pelas munições de urânio empobrecido. Trata-se do envenenamento de populações inteiras por um agente que actua no plano químico, físico e radiológico, com consequências genéticas teratológicas e sobre todo o ecossistema. A Organização Mundial de Saúde é conivente com este crime contra a humanidade pois esconde deliberadamente relatórios de cientistas que examinaram as consequências da invasão estado-unidense do Iraque. Absolutamente nada disto é reflectido nos media empresariais.

Um caso mais complicado é aquela categoria especial de mentiras em que é difícil separar a omissão da desinformação. Omitir pura e simplesmente a crise capitalista – como os media corporativos faziam até um passado recente – já não é possível: hoje ela é gritante. Portanto entram em acção as armas da desinformação, as quais vão desde o diagnóstico até as terapias recomendadas. Os economistas vulgares têm aqui um papel importante: cabe-lhes dar algum verniz teórico, uma aparência de cientificidade, às medidas regressivas que estão a ser tomadas pela nova classe dominante – o capital financeiro parasitário. As opções de classe subjacentes a tais medidas são assim disfarçadas com o carimbo do "não há alternativa". E a depressão económica que agora se inicia é apresentada como coisa passageira, meramente conjuntural. Os media passaram assim da omissão para a desinformação.

Desde o iluminismo, a partir do século XVIII, a difusão da imprensa foi considerada um factor de progresso, de ascensão progressiva das massas ao conhecimento e entendimento do mundo. Hoje, em termos de saldo, isso é discutível. A enxurrada de lixo que actualmente se difunde no mundo superou há muito as publicações sérias. Basta olhar a quantidade de revistecas exibidas numa banca de jornais ou a sub-literatura exposta nos super-mercados. Tal como na Lei de Greshan, a proliferação do mau expulsa o bom da circulação. E esta proliferação quantitativa não pode deixar de ter consequências qualitativas. Ela faz parte integrante da política de desinformação.

Os grandes media corporativos esmeram-se neste trabalho de desinformação. Além de omitirem os assuntos realmente cruciais para os destinos humanos eles ainda promovem activamente campanhas de desinformação. Um caso exemplar foi a maneira como apresentavam e apresentam a agressão à Síria. Assim, bandos sinistros de terroristas e mercenários pagos pelo imperialismo — alguns até praticaram o canibalismo como se viu num vídeo famoso difundido no
YouTube — são sistematicamente tratados como "Exército de Libertação". E daí passaram à mentira pura e simples, afirmando que o governo legítimo da Síria teria utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. Denúncias públicas de que os crimes com gases venenosos foram cometidos pelos bandos terroristas (com materiais fornecidos pelos serviços secretos sauditas) , não tiveram qualquer reflexo nos media corporativos – foram simplesmente ignoradas. Verifica-se neste caso um padrão misto de omissão deliberada e desinformação/mentira. Tudo orquestrado pelos centros de guerra psicológica do império, que os colonizados media portugueses reproduzem entusiasticamente. A submissão é tamanha que até publicações conservadoras e burguesas dos centros do império, como a Der Spiegel ou o Financial Times, dão uma informação mais objectiva do que os media lusos.

A par da omissão & desinformação, os media corporativos esmeram-se em campanhas para instilar terrores fictícios. É o caso da
impostura do aquecimento global, em que gastam rios de tinta. Nesta campanha orquestrada pelo IPCC e pela UE procura-se instilar o medo com aquilo que poderia, dizem eles, acontecer daqui a 100 anos – mas escondem cuidadosamente o que já está acontecer agora. Os terrores actuais e bem reais devem ser escondidos e, em sua substituição, inventam-se terrores para o futuro, com a diabolização do CO2 erigido em arqui-vilão. Carradas de políticos e jornalistas ignorantes embarcam nessas balelas. Os mais espertos conseguem sinecuras à conta do dito aquecimento global (agora rebaptizado como "alterações climáticas"). Passam assim a sugar no orçamento do Estado português e dos fundos comunitários.

Este mostruário de exemplos de omissão & desinformação poderia prolongar-se indefinidamente. Ele é o pão nosso de cada dia para milhões de pessoas, em Portugal e no mundo todo. Mas a omissão & desinformação dificulta extraordinariamente a transformação das classes em si em classes para si. A situação é hoje o inverso da que existia no princípio do século XX, quando a consciência de classe dos oprimidos era mais aguda (ainda que o nível de literacia fosse muito menor). Hoje, quem tem maior consciência de classe é a burguesia e a da massa dos despojados é mais ténue. Por isso mesmo a primeira impõe uma lavagem cerebral colectiva e permanente às classes subalternas. Mas a realidade tem muita força e, apesar de tudo, acabará finalmente por se impor. Os povos do mundo já começaram a acordar. Não se pode enganar toda a gente eternamente.
 
Artigo de Jorge Figueiredo publicado em http://resistir.info
 

Yusef Lateef (1920 - 2013)



Yusef Lateef  (1920 - 2013)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Hemingway na Guerra Civil de Espanha (1938)


Ernest Hemingway na Guerra Civil de Espanha durante o Inverno de 1938.
Fotografia de Robert Capa (Magnum Photos).

Dhaka 2013


“Uma criança brinca com balões junto ao rio Buriganga com os fumos libertados pelo lixo a arder durante o pôr-do-sol em Dhaka, Bangladesh”. Fotografia de Andrew Biraj.
Fonte: National Geografic

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os Vampiros



"Os Vampiros" de Zeca Afonso
 por Sérgio Godinho com Hélder Gonçalves, Manuela Azevedo e Nuno Rafael (2013)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Porque é que a Venezuela desapareceu dos noticiários ?

Crucial vitória de Nicolás Maduro, do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e da Revolução Socialista Bolivariana; contundente derrota de Henrique Capriles, da MUD e dos setores golpistas de oposição; agora a atacar e resolver os problemas da economia e avançar nas conquistas sociais.

“Dedicaram-se, durante todo o ano de 2013 e, principalmente, após a morte de Chávez, a sabotar a economia, a sabotar o sistema elétrico, à desestabilização, ao caos, à guerra psicológica. Trataram de converter eleições municipais em plebiscito. E o que ocorreu: o triunfo da Revolução Socialista Bolivariana derrotou os planos golpistas da direita", afirmou o presidente Nicolás Maduro.

Notaram, meus caros amigos e amigas, que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa quando antes do 8 de dezembro enchiam suas páginas vaticinando a ‘débâcle’ do governo Maduro pelos inúmeros enviados especiais e correspondentes?

Disseram que era um plebiscito e foram com tudo. Os oligarcas são sempre insolentes. Ainda mais se são apoiados pelos Estados Unidos. Contavam que o empurrão definitivo para derrocar Maduro viria com o 8 de dezembro. Estavam cuidando dessa tarefa fazia meses. Remarcação de preços de todos os produtos muito acima da inflação, provocando desespero na população, desabastecimento induzido, sabotagem elétrica, açambarcamento, insegurança. (E mais erros do próprio governo, que as manchetes gritantes dos jornais, rádios e televisão punham em evidência). O mesmo cenário que se havia preparado para Salvador Allende antes do golpe de 1973. Desde os Estados Unidos, Roger Noriega escreveu e descreveu a tese do colapso total, que seria arrematado oportunamente, quando a situação ficasse insustentável, pelo exército norte-americano. Que a Venezuela tem demasiado petróleo. Parte importante da oposição estava de pleno acordo com esse roteiro. Por fim, o chavismo aniquilado. Fim do pesadelo. Malditos vermelhos.

Disseram que as eleições eram um plebiscito. E estavam disso plenamente convencidos. E o repetiram El País,  ABC,  El Mundo, Clarín, The New Yor Times, Newsweek, a CNN, Fox News, RAI, Excelsior, Miami Heral, Folha de S. Paulo, O Globo, TV Globo, o Estado de S. Paulo… Todavia eram apenas eleições municipais, com suas características próprias, conhecidas em todo o mundo político. Apresentavam-se candidatos a prefeito, vereador que iriam dar conta da prestação de serviços, asfaltamento de ruas, tráfego, varrição de lixo …, coisas de município. Mas que importância tinha tudo isso? Para que perder a ocasião? Eram as primeiras eleições municipais sem Chávez. Disseram que eram mais que urnas municipais, que o chavismo sem Chávez estava ferido de morte, que o ilegítimo e incompetente Maduro ganhara a presidencial por diferença mínima e por meio de fraude, e que agora sim, agora teria que abandonar o Palácio Miraflores, por bem ou expulso pela força. Ah, se resistisse por que não envolto num saco de lona.

Porém eis o que o povo falou:



  
Comparecimento nacional de 58.92%. (Recorde nacional em eleições similares. Na Venezuela o voto não é obrigatório.)

1. As 335 prefeituras ficaram assim distribuídas:

242 (72,24%) para o PSUV e aliados;
75 (22,32%) para a MUD e aliados;
18 (5,44%) para independentes.

2. Das 40 cidades mais populosas, o PSUV ganhou em 30.

3. Das 25 capitais, o PSUV conquistou 15 e a MUD 10. Se a oposição venceu em Barinas, capital do estado Barinas, governado pelo irmão de Chávez, Adan Chávez – o que foi intensamente alardeado – a Revolução conquistou Los Teques, Guaicaipuro, estado Miranda, gobernado por Capriles – o que foi escondido.

4. PSUV e aliados obtiveram um total nacional de 5.277.491 votos; a MUD e aliados, 4.423.897. Diferença: 853.594 votos. (Cumpre lembrar que a diferença a favor de Maduro nas eleições presidenciais foi de cerca de 230 mil votos ou 1,6%.).

5. Se levarmos em conta apenas os votos da Revolução e da Oposição teremos, respectivamente, 54,40% e 46,60. (Vale destacar, por exemplo, que entre as agremiações políticas que concorreram independentemente está o Partido Comunista, firme aliado da Revolução, e que obteve 9 prefeituras, sendo 2 sem aliança, e cerca de 1,6% dos votos ou cerca de  175 mil votos. Se acrescentarmos somente esses votos à Revolução, a diferença ultrapassa os 10 pontos percentuais.)

6. No Estado Miranda, governado pelo líder da oposição, Henrique Capriles, o Psuv e aliados obtiveram 560.826 votos (52,1%) contra 514.796 votos (47,9%)  da Mud e aliados.
 
Fonte: OperaMundi
 

World Press Photo 2013

 
Fotografia de Fausto Podavini
Prémio World Press Photo 2013

domingo, 15 de dezembro de 2013

Peter O’Toole (1932 – 2013)


Peter O’Toole (1932 – 2013)

La primera foto ganó un premio, la segunda hizo saltar la polémica

La polémica se ha desatado en Suecia con la imagen del fotógrafo Paul Hansen, que ha ganado el premio Swedish Picture of the Year Awards 2011, publica Terra de España. En la foto podemos ver a Fabienne, una joven haitiana de sólo 14 años que fue asesinada por la policía después de ser descubierta saqueado una tienda y robando dos sillas de plástico y unos cuadros enmarcados luego del terremoto que azotó Haiti.
 
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(Foto de Paul Hansen)

Ahora se sabe que en el momento de la muerte de esta niña había 14 fotoperiodistas presentes, lo que ha desatado las críticas y un debate sobre la ética de los fotógrafos. La controversia empezó cuando el fotógrafo Nathan Weber publicó una fotografía en la que aparecía la misma imagen que en la foto ganadora pero desde una perspectiva en la que se ve a la niña tendida en el suelo rodeada de fotógrafos. El debate que se está librando en Suecia gira en torno a la pregunta “¿habrían donado menos para el desastre si esa foto no se hubiese publicado? O ¿se habrían destinado menos recursos y profesionales?”.

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(Foto de Nathan Weber)
 
 
 

sábado, 14 de dezembro de 2013

“A informação sobre a Venezuela é totalmente parcial”

 
Mark Weisbrot, co-presidente do Center for Economic and Policy Research de Washington, diz nesta entrevista à Carta Maior que o vitória chavista nas municipais só surpreende quem segue a vida do país através dos media dominantes.
 
Carta Maior: O resultado da eleição não deixa de surpreender. A oposição qualificou a disputa como um virtual referendo num país que, supostamente, estaria mergulhado no caos. O resultado confirma que o chavismo está vivo.
Mark Weisbrot: É que não há informação fidedigna a respeito do que acontece na Venezuela. Desde o início do chavismo, a informação é totalmente parcial. Um dos dados mais notáveis do qual ninguém fala é uma estatística que apareceu no Banco Mundial e que voltou a aparecer na semana passada na Cepal. É só fazer uma busca na internet para encontrar que, segundo o Banco Mundial, a pobreza caiu cerca de 20% na Venezuela em 2012. Essa é a maior diminuição de pobreza na América Latina e, provavelmente, no mundo.
 
Atribuem a Bill Clinton uma explicação contundente sobre sua primeira vitória presidencial: “é a economia, estúpido”. Pode-se parafraseá-lo neste caso dizendo “é a sociedade, estúpido”.
É a economia e a sociedade. A economia não anda bem, mas as pessoas não votaram só nos últimos nove meses. As pessoas votam em um projeto que já tem muitos anos. Os que escaparam da pobreza graças ao chavismo não ficarão novamente mergulhados na inflação porque não vivem de salários fixos, mas sim são autónomos. A vida dessas pessoas melhorou muito. A menos que haja um longo período em que essa situação mude, o chavismo seguirá ganhando. Das últimas 16 eleições, ganharam 15.
 
Ao mesmo tempo, os preços ao consumidor subiram 49%, no mercado negro o dólar vale sete vezes mais que o oficial, há desabastecimento de produtos básicos, desde leite até papel higiênico, e as reservas estão caindo. Em resumo: a economia não anda lá muito bem.
Certamente há problemas, mas a forte redução da pobreza no ano passado tem muito peso em uma sociedade como a venezuelana. Foram construídas centenas de milhares de casas, estão expandindo a educação e a saúde. Se a inflação continua, o governo pode perder apoio, mas por enquanto as pessoas pensam que a inflação vai baixar. Isso já ocorreu antes. Depois da greve petrolífera que terminou em 2003, a inflação chegou a 40% e depois caiu para 10%. As pessoas acham que no futuro vai ocorrer a mesma coisa.
 
Mas é um problema que pode desgastar a popularidade do governo. Como vão controlá-lo?
Não parece tão difícil. Em grande medida tudo vem do mercado negro. Nestes momentos, há uma bolha em torno do dólar da mesma maneira que houve uma bolha imobiliária nos Estados Unidos. Hoje o dólar está custando 50 bolívares no mercado negro. Estava a 18 em janeiro. A expectativa das pessoas é que o dólar seguirá aumentando, da mesma maneira que, nos Estados Unidos, as pessoas pensavam que o preço das casas seguiria aumentando. É certo que a inflação aumentou no ano passado, mas este ano teve um comportamento descontínuo. Alcançou o seu máximo em maio com 6,1%, mas caiu para 3% em agosto e subiu de novo para 5,1% em outubro. Não é um cenário de hiperinflação. E esta bolha, como toda bolha, terminará explodindo.
 
Para muitos, o problema é que o chavismo é economicamente insustentável.
Isso é o que se vem dizendo nos últimos 13 anos, que a economia está a ponto de colapsar, mas isso nunca ocorreu. O argumento da oposição e dos meios de comunicação internacionais é que a Venezuela está no meio de uma espiral de desvalorização e inflação na qual o aumento dos preços solapa a confiança na economia e na moeda, provocando a fuga de capitais e o crescimento do mercado negro. O final de toda esta espiral é um processo de hiperinflação, aumento da dívida externa e da crise na balança de pagamentos. Mas não se entende por que um país que tem mais de 90 mil milhões de dólares de receita petroleira tenha uma crise na balança de pagamentos. No ano passado, as importações foram de 59 mil milhões de dólares e a conta corrente registrou um superávit de 11 mil milhões ou 2,9% do PIB. O governo não vai ficar sem dólares. Isso foi reconhecido pelo Bank of America na sua última análise.

 Publicado no portal Carta Maior.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

José António Pinto deixou medalha de ouro no Parlamento em sinal de protesto


José António Pinto deixou esta tarde na Assembleia da República a medalha de ouro comemorativa do 50º aniversário da declaração Universal dos Direitos Humanos, que lhe tinha sido entregue como reconhecimento pelo seu trabalho no Porto.
 
O assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã afirmou que trocava a medalha por outro modelo de desenvolvimento económico.
 
Noticia aqui e aqui

If Nelson Mandela really had won, he wouldn't be seen as a universal hero

South African President Nelson Mandela          Photograph: Media24/Gallo Images/Getty Images
 
‘It is all too simple to criticise Mandela for abandoning the socialist perspective after the end of apartheid: did he really have a choice? Was the move towards socialism a real option?’
 
In the last two decades of his life, Nelson Mandela was celebrated as a model of how to liberate a country from the colonial yoke without succumbing to the temptation of dictatorial power and anti-capitalist posturing. In short, Mandela was not Robert Mugabe, and South Africa remained a multiparty democracy with a free press and a vibrant economy well-integrated into the global market and immune to hasty socialist experiments. Now, with his death, his stature as a saintly wise man seems confirmed for eternity: there are Hollywood movies about him – he was impersonated by Morgan Freeman, who also, by the way, played the role of God in another film; rock stars and religious leaders, sportsmen and politicians from Bill Clinton to Fidel Castro are all united in his beatification.

Is this, however, the whole story? Two key facts remain obliterated by this celebratory vision. In South Africa, the miserable life of the poor majority broadly remains the same as under apartheid, and the rise of political and civil rights is counterbalanced by the growing insecurity, violence and crime. The main change is that the old white ruling class is joined by the new black elite. Second, people remember the old African National Congress that promised not only the end of apartheid, but also more social justice, even a kind of socialism. This much more radical ANC past is gradually obliterated from our memory. No wonder that anger is growing among poor, black South Africans.

South Africa in this respect is just one version of the recurrent story of the contemporary left. A leader or party is elected with universal enthusiasm, promising a "new world" – but, then, sooner or later, they stumble upon the key dilemma: does one dare to touch the capitalist mechanisms, or does one decide to "play the game"? If one disturbs these mechanisms, one is very swiftly "punished" by market perturbations, economic chaos and the rest. This is why it is all too simple to criticise Mandela for abandoning the socialist perspective after the end of apartheid: did he really have a choice? Was the move towards socialism a real option?

It is easy to ridicule Ayn Rand, but there is a grain of truth in the famous "hymn to money" from her novel Atlas Shrugged: "Until and unless you discover that money is the root of all good, you ask for your own destruction. When money ceases to become the means by which men deal with one another, then men become the tools of other men. Blood, whips and guns or dollars. Take your choice – there is no other." Did Marx not say something similar in his well-known formula of how, in the universe of commodities, "relations between people assume the guise of relations among things"?

In the market economy, relations between people can appear as relations of mutually recognised freedom and equality: domination is no longer directly enacted and visible as such. What is problematic is Rand's underlying premise: that the only choice is between direct and indirect relations of domination and exploitation, with any alternative dismissed as utopian. However, one should nonetheless bear in mind the moment of truth in Rand's otherwise ridiculously ideological claim: the great lesson of state socialism was effectively that a direct abolition of private property and market-regulated exchange, lacking concrete forms of social regulation of the process of production, necessarily resuscitates direct relations of servitude and domination. If we merely abolish the market (inclusive of market exploitation) without replacing it with a proper form of the communist organisation of production and exchange, domination returns with a vengeance, and with it direct exploitation.

The general rule is that when a revolt begins against an oppressive half-democratic regime, as was the case in the Middle East in 2011, it is easy to mobilise large crowds with slogans that one cannot but characterise as crowd pleasers – for democracy, against corruption, for instance. But then we gradually approach more difficult choices, when our revolt succeeds in its direct goal, we come to realise that what really bothered us (our un-freedom, humiliation, social corruption, lack of prospect of a decent life) goes on in a new guise. The ruling ideology mobilises here its entire arsenal to prevent us from reaching this radical conclusion. They start to tell us that democratic freedom brings its own responsibility, that it comes at a price, that we are not yet mature if we expect too much from democracy. In this way, they blame us for our failure: in a free society, so we are told, we are all capitalist investing in our lives, deciding to put more into our education than into having fun if we want to succeed.

At a more directly political level, United States foreign policy elaborated a detailed strategy of how to exert damage control by way of rechanneling a popular uprising into acceptable parliamentary-capitalist constraints – as was done successfully in South Africa after the fall of apartheid regime, in Philippines after the fall of Marcos, in Indonesia after the fall of Suharto and elsewhere. At this precise conjuncture, radical emancipatory politics faces its greatest challenge: how to push things further after the first enthusiastic stage is over, how to make the next step without succumbing to the catastrophe of the "totalitarian" temptation – in short, how to move further from Mandela without becoming Mugabe.

If we want to remain faithful to Mandela's legacy, we should thus forget about celebratory crocodile tears and focus on the unfulfilled promises his leadership gave rise to. We can safely surmise that, on account of his doubtless moral and political greatness, he was at the end of his life also a bitter old man, well aware how his very political triumph and his elevation into a universal hero was the mask of a bitter defeat. His universal glory is also a sign that he really didn't disturb the global order of power.
 
 

O punho de Mandela

 
Um punho fechado tem significado. Simboliza a mão que se fecha sobre a ferramenta que aperta, bate, empurra, constrói. Simboliza o poder dos imperadores romanos que, de polegar para cima ou para baixo, decidiam vidas de gladiadores escravizados. Simboliza a vitória de um desportista, a luta de classes de um operário, o voo do Super-Homem ou (não se esqueça, caro leitor) a imagem oficial do Partido Socialista português. A semiótica do punho fechado é ideologicamente contraditória mas tem uma componente sempre presente, unificadora: a força. Os comunistas erguem o punho fechado do braço direito. Um comunista alemão, que veio a morrer em 1944 num campo de concentraçao nazi, Ernst Thälmann, explicou, de forma simples, o porquê: "Um dedo pode ser partido mas cinco dedos formam um punho fechado." O punho fechado dá força aos que são fracos. Quando Nelson Mandela foi preso, em 1962, era membro do Comité Central do Partido Comunista Sul Africano. Quando, 28 anos depois, foi finalmente libertado, caminhou lentamente, ao lado de Winnie, metros e metros, a exibir para as câmaras televisivas e para as máquinas fotográficas vindas de todo o mundo o seu braço direito erguido, de punho fechado. Se escrevermos no Google, em inglês, "punho" e "Mandela", encontramos milhares de fotografias onde, ao longo do tempo, com cada vez mais cabelos brancos, se documenta, incessantemente, a mesma saudação do punho fechado. Ele era líder do ANC e erguia o punho fechado. Ele foi eleito presidente da África do Sul e erguia o punho fechado. Ele recebeu o Prémio Nobel da Paz e não passou a esquecer-se de erguer o punho fechado. Ele passou a ser a personalidade mais respeitada e admirada do mundo atual e continuava, vezes e vezes sem conta, a erguer o punho fechado. Mandela homenageou toda a vida o percurso que o levou a conquistar um princípio de justiça na África do Sul: o caminho de um homem comum que teve de usar a força, que teve de fechar os seus cinco fracos dedos para formar um punho capaz de magoar. Todos adoramos o Nelson Mandela cavalheiro e tolerante, o homem decisivo que impediu que a revolução na África do Sul se transformasse num banho de sangue. Mas, ao contrário do que às vezes me parece ler nas milhares de elegias impressas nestes dias de luto, recuso-me a esquecer o revolucionário que, de punho fechado, lutou com dureza para conseguir ser, um dia, o Mandela delicodoce que os poderosos do mundo celebram e, muito justamente, homenageiam.
 
Texto de Pedro Tadeu no DN

domingo, 8 de dezembro de 2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sete grandes frases de Nelson Mandela

1. "Quando é negado a um homem o direito de viver a vida na qual ele acredita, ele não tem outra alternativa a não ser se tornar um fora-da-lei."

 
2. "Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, ou seus antepassados, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender a odiar, e se elas podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar, porque o amor chega mais naturalmente ao coração do homem do que o seu oposto."
 
3. "Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer."
 
4. "Depois de escalar uma grande montanha, só se pensa que há muitas outras montanhas para escalar."

Agência Efe

5. "Uma nação não deve ser julgada pelo modo como trata seus mais poderosos cidadãos, mas sim os mais fracos."
 
6. "Por fim à opressão é algo sancionado pela humanidade e a mais alta aspiração de um homem livre."
 
7. "Corajoso não é quem não sente medo, mas quem o vence."
 
 
Fonte: OperaMundi

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

The Specials - Nelson Mandela



The Specials - Nelson Mandela (1984)

Nelson Mandela. Porque a memória é curta e a hipocrisia será grande !


 
Intervenção do Deputado António Filipe do PCP em 18 de Julho de 2008, nos 90 anos de Nelson Mandela na Assembleia da República.
"Aquilo que os senhores não querem que se diga, lendo os vossos votos, é que Mandela esteve até hoje na lista de terroristas dos Estados Unidos da América. Mas isto é verdade! É público e notório - toda a gente o sabe!
Os senhores não querem que se diga que Nelson Mandela conduziu uma luta armada contra o apartheid, mas isto é um facto histórico. Embora os senhores não o digam, é a verdade, e os senhores não podem omitir a realidade.

Os senhores não querem que se diga que, quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português, da altura.*
Isto é a realidade! Está documentado!

Não querem que se diga que, em 1986, o governo português tentou sabotar, na União Europeia, as sanções contra o regime do apartheid.

Não querem que se diga que a imprensa de direita portuguesa titulava, em 1985, que: «Eanes recebeu em Belém um terrorista sul-africano». Este «terrorista» era Oliver Tambo!


Não querem que se diga que a derrota do apartheid não se deveu a um gesto de boa vontade dos racistas sul-africanos mas à heróica luta do povo sul-africano, de Mandela e à solidariedade das forças progressistas mundiais contra aqueles que defenderam até ao fim o regime do apartheid.(...)"
 
*SABEM QUEM ERA O PRIMEIRO MINISTRO PORTUGUÊS QUE EM 1987 CHEFIAVA UM GOVERNO QUE VOTOU CONTRA A LIBERTAÇÃO DE NELSON MANDELA ?
 
ERA CAVACO SILVA !
 

Nelson Mandela (1918 - 2013)


Nelson Rolihlahla Mandela
18 de julho de 1918 - 05 de dezembro de 2013