sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Avé Portugal mendigo. Senhora da Linha em maré de pobres

1.
A esmola. O próprio vocábulo hoje incomoda. Tem travos de aviltamento, atraso e rebaixo. No século XXI, há quem queira voltar à prática infamante da esmola! As saudades da Idade-Média tardam ao esconjuro. Mas o lastro da miséria não é aura que eleve aos céus. É chumbo que arrasta para as regiões inferiores, onde, segundo as mitologias, se arde.
Vem-me primeiro à ideia o orador Rufino de «Os Maias». É o meu espírito faceto. Mas eu não consigo ser sempre faceto. A memória não deixa. Acode-me o mal-estar de miúdo quando um padre me levou num grupo a distribuir embrulhos por tugúrios de Alfama. Para que os meninos do liceu soubessem como vivia a pobreza, explicou. Eu não precisava que me lembrassem como vivia a pobreza. Sabia e sabia bem. Tinha brincado com miúdos rotos e descalços que usavam carrinhos feitos de arame como agora em África. Tinha entrado em casas de chão batido em que não havia nem uma cadeira. Tinha visto os pedintes chegarem aos grupos, esfarrapados, longas barbas, bornal ao ombro, por entre os arremessos dos cães, e ficarem depois às sobras debaixo dum chaparro. Tinha espreitado a guarda a cavalo, de chapéu colonial, a patrulhar os campos e a assegurar-se de que tudo estava em ordem: «Assine aí, lavradora!». Tudo estava em ordem. A ordem da miséria e da degradação. A ordem natural das coisas. Pobres sempre haveria. Porque sim. À cautela, aquelas «Mauser» em bandoleira eram garantes.
Isto vem, claro, a propósito da doutora Maria Isabel Jonet. E começou a ser escrito após uma senhora deputada ter entrado em guincharia num programa de televisão conduzido por uma daquelas figuras curvadas que nos vêm abrir uma porta rangente, de candelabro na mão, olho torvo e beiçola descaída, quando o nosso carro sem gasolina parou numa charneca desértica, entre nevoeiros, sem haver mais que uma mansão decrépita.
A deputada estridulou acusações contra «campanhas» e destemperou insultos. Mal defendida ficou a ré Isabel. Mal vista a parlamentar. Diminuídos todos. Suscitado este texto.
2.
Eu até nem desgosto especialmente da Doutora Jonet. E não se trata de nenhuma simpatia atávica pelos simples. Acho que é mais defeito meu: uma dificuldade em antipatizar, da natureza daquelas portas perras que, por mais que se tente, não fecham. Aliás, nomeio a pessoa apenas para que não interpretem a omissão como pejorativa.
A actividade caridosa dos ricos também não me causa, em si, especial contrariedade. Cuidar dos outros nunca fez mal a ninguém. Enquanto certa gente se entretém com a caridade não está a fazer coisas piores: intrigas, festarolas, ostentações, frioleiras, chazinhos. E, em certos casos, malfeitorias.
Vou passar de alto as últimas declarações da respeitável senhora. Dizem-me que se tem desdobrado em entrevistas. E mais insinuam: que não se trata de uma bem organizada manobra de influências, abusando de subalternidades nos jornais, mas de coisa pior: vontade pérfida, por parte da imprensa, de a surpreender, mais uma vez, em inconveniências. Eu nunca entraria nem num jogo, nem noutro. De maneira que recorro à minha memória, que é fraca, pedindo desde logo que me corrijam, se estiver equivocado:
-- Aqui há tempos, a um propósito que tinha a ver com a entreajuda na família, afirmou convictamente que os filhos deviam ajudar «a cortar a relva»;
- Noutra ocasião, referindo-se aos jovens dos seus relacionamentos disse, por palavras suas, que esses eram as «elites» que iriam estar à frente deste país.
-- Na véspera das últimas eleições legislativas (em pleno período de reflexão) convidada pelo espertíssimo Doutor Rebelo de Sousa que a olhava com o amarotado deleite de quem acaba de fazer batota na «vermelhinha», a senhora debitou, item a item, dogma a dogma, todo (mas todo) o papagueio da cartilha que tem vindo a desgraçar este país.
A «relva» ainda passa. É a consequência de se viver num mundo fechado. Mas sendo uma pessoa tão viajada… Não interessa. Já conheci gente que andou pelos sítios mais desvairados e não viu nada. Pode ir-se e voltar-se da Conchinchina setenta vezes sem sair de intramuros.
O considerar que certo tipo de jovens está destinado a governar é uma concepção classista, capciosa, e até ofensiva para a esmagadora maioria da juventude. Mas temos de reconhecer que há falhas de educação que nos acompanham toda a vida. O saisons, o chateaux…
Já fazer propaganda em dias de defeso é muito mais grave. Mas creio que podemos atribuir as culpas a quem a convidou para aquele programa, naquela precisa noite, sabendo de antemão que a senhora não poderia deixar de dizer as inanidades que lhe estão na massa do sangue. Com tal habilidade e torsão de manobra não admira que o Professor Rebelo de Sousa acabe, tanta vez, por se rasteirar a si próprio.
Surpreende-me é que as pessoas que, outro dia, se indignaram com a questão dos bifes e das torneiras (parece ter havido, entretanto, outra pérola sobre a temperatura do dueto solidariedade/caridade) não deram nem pelo corte da relva, nem pela vocação oligárquica, nem pela violação encapotada da lei eleitoral. Não se tratou de uma mera impertinência de uma senhora num tropeço de infelicidade. Por trás há um pensamento. Uma ideologia. E há muita gente (se calhar muitos dos vociferantes) que tem consentido nessa ideologia que faz passar por «normal» uma concepção do mundo arcaizante.
3.
No país em que eu nasci, quem mandava eram os ricos que encarregavam das tarefas sujas uns professores de Coimbra e uns militares que por sua vez comandavam legiões de desgraçados. Durante gerações, houve pessoas, em número mínimo, que beneficiaram duma vida remansosa dentro dum circuito fechado e protegido. A sua insensibilidade social era completa. Nem se apercebiam de que em volta havia pobre gente maltratada, humilhada, presa, espancada. Se lhe chegassem rumores (através das criadas, por exemplo) considerariam que era natural. O imperfeito mundo funcionava assim mesmo, éramos «um país pobre», resignassem-se. E até encontravam uma especificidade nacional justificativa do nosso fascismo doméstico. Era desumano? Paciência. Havia oratórios, terços, missas, e em calhando cilícios e bodos aos pobres. A desumanidade redimia-se nos ritos.
De repente (surpresa para eles) caiu-lhes uma revolução em cima, transtornou-lhe os planos, estremeceu-lhes as carreiras, desmarcou-lhes as festas. O que se chama, na sabedoria popular «uma patada no formigueiro».
Nunca perdoaram esses momentos – fugazes - de perturbação das pequenas vidas. Não tardariam, eles e seus descendentes, a ser repostos nos lugares de antes (em circunstâncias e conluios que não importa agora rever) mas num quadro jurídico e institucional diverso: a democracia. Essa incomodidade áspera, própria de intelectuais irrealistas, operários transviados e outros lunáticos, mostrava-se demasiado imponente para se derrubar de golpe? Dissimulasse-se. Corroesse-se por dentro. Desviassem-se os recursos do Estado. Praticasse-se uma permanente cleptofilia. E, dentada a dentada, sangria a sangria, desgaste a desgaste, chegou o momento que julgaram oportuno para rasgarem as fantasias e voltarem aos plenos poderes de antes, a coberto dos seus criados. A vingança serve-se fria. Há um nome francês que se usa no caso: «revanche».
É deste movimento que a doutora Maria Isabel Jonet tem sido uma porta-voz, no seu estilo muito próprio. E só agora muita gente nota. Porque vinha tudo no embalo duma quotidiana propaganda que dia a dia, linha a linha, imagem a imagem, inculcava nos espíritos o acatamento dum mundo de diferenças e de desigualdades. O mundo em que a doutora Jonet – e outras pessoas do mesmo entendimento – se sentem realizadas.
Quando por todo o lado se apregoa – com grande favor jornalístico – a ideia de que o Engº Zulmiro não deve pagar o mesmo nos transportes que um reformado pobre, quando se dispõem contrapartidas distintas, conforme os escalões, nos cuidados de saúde, quando se estabelecem diferenças de tratamento ao sabor dos rendimentos declarados não é a justiça que estão a praticar. Muito ao contrário. É a normalização e a institucionalização das desigualdades. É um desenho do mundo em que a pobreza (a dos outros) se aceita como fatalidade. A restauração do despenhado mundo dos pobres, como eu o conheci.
Os ricos já têm o poder económico neste país. Asseguraram, através dos seus valetes, o poder político; ainda querem mais: exercer o poder pessoal, sobre as vidas de cada um, usando, ou sendo transmissários, do instrumento da esmola. É a imposição da desigualdade como ordem natural das coisas, como uma grelha implacável cravada na sociedade portuguesa. A esmola, neste quadro, faz lembrar o cajado do guardador de rebanhos. Pobres para serem mandados, distribuídos, orquestrados, mordidos, concentrados, castigados, benzidos.
E isso é bem diferente de praticar a caridade, nas falhas e interstícios do chamado Estado social. Não há aqui expressão de amor ao próximo. Não se trata dos casos (meritórios) em que se descarregam consciências, sem que uma mão saiba o que faz a outra. É, ao contrário, uma fórmula institucional de violência. Esse mal, sistémico e obsidiante, não se deixa compensar com os maquinismos do bem-fazer de uma indústria caridosa. Por um lado fabricam-se pobres, através dum sistema social iníquo. Por outro lado, esmolam-se os pobres que se criaram. É repulsivo? É, sim, e estão em campo as mesmas famílias (descendentes ou afins) praticantes dos bodos dos tempos do fascismo.
4.
Falemos agora de decência. É um conceito que não tem que ver com o sapatinho de vela no verão, o esgoleiramento da camisinha branca ao fim-de-semana, os gestos miúdos do chazinho ou a mãozinha no volante do Porshe, nem com os objectos «de marca» que irmanam paradoxalmente os extremos do espectro social. Vadios de cima e vadios de baixo (Eça confrontava-os no Chiado) entusiasmam-se pelos mesmos efeitos. Apuradas as razões, hão-de encontrar-se num subterrâneo fio de ligação, mais ou menos disfarçado: frivolidade iletrada. Aos de cima, chamou a doutora Isabel Jonet «elite», por manifesto equívoco. Como se no país não existissem cientistas, arquitectos, engenheiros, artistas, professores, médicos, advogados, e tudo tivesse que rasar-se pela bitola de alguns economistas, banqueiros, «gestores» e ociosos.
Um dos preceitos estruturantes que escora o nosso ordenamento jurídico e funda a confiança nos comportamentos eticamente regulados vem do direito romano e das ancestrais práticas de boa-fé e exprime-se no brocardo: «pacta sunt servanda», ou seja, os compromissos são para se cumprirem. E sobre isto não há expedientes de contabilistas, não há casuísticas habilidosas, não há reservas mentais, não há passes de futebolista atendíveis. Há uma obrigação? Cumpra-se.
Mas a plutocracia que tem mandado nos destinos dos portugueses transportou para o Estado os seus pequenos hábitos de manobrismo, de expedientes, habilidades, truques, quando não de falcatrua, que retiraram à entidade a sua natureza de «pessoa de Bem». Ser «de bem» é uma noção que está fora do alcance de quem apenas acha meritórios o lucro e as negociatas. Coisa abstracta e «intelectual», própria de «otários» para utilizar a linguagem das cadeias que acaba por não ser muito diferente, numa perspectiva de extremos tangenciais
É assim que vemos governantes a colocarem o Estado Português na situação de violar os compromissos tomados para com os seus trabalhadores e aposentados. A ignorar prazos contratuais. A incumprir as promessas juradas perante o seu eleitorado. A fazer negaças às própria constituição. De modo tão flagrante e provocatório que lhes fez perder a legitimidade formal que detinham à partida.
Ora quem se coloca fora da lei está a pedir um tratamento fora da lei. Mas eles não estão apenas a pedir pedradas. Estão a pedir o confisco dos seus relvados, dos seus automóveis, das suas casas, das suas piscinas, dos seus valores mobiliários, dos seus quadros, dos seus cavalos, das suas jóias e luxos e a supressão de todas as mordomias. Não que isso seja economicamente relevante. Mas significa a reposição de um mínimo de decoro.
Ser-lhes-á então tarde para perceber que numa situação de ruptura a própria polícia mudará de campo. Certos jornalistas descobrirão escrúpulos éticos insuspeitados. Economistas e contabilistas virão dizer que foram mal interpretados e nunca proferiram aquelas coisas. Irromperão múltiplos vira-casacas e desertores da tirania de mercado, dispostos a pisar a livralhada de Milton Friedman e a cuspir no retrato emoldurado da Senhora Thatcher.
E lá terão as pessoas de bom senso de arriscar a reputação e a pele para evitar que se maltratem umas dúzias de plutocratas amedrontados e seus serviçais de fatinho, rojados pelo chão, de folha de cálculo à mostra.
Mário de Carvalho
20-12-2012

Entrevista de emprego


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

Patxi Andión: "Andar a contracorriente es la obligación de un artista, no la opción"



Patxi Joseba Andión González nació en Madrid el 6 de octubre de 1947, aunque sus raíces son vascas (Su origen paterno navarro y alavés el materno). Pronto comienza a componer desde su inquietud cultural, social y política. Lo que más tarde se definiría como canción de autor. Tal vez como el mismo dijo una vez, por el ansia «de estar comprometido con la única cosa con la que se puede uno comprometer: La duda».

De padre republicano de izquierdas que sufrió cárcel durante años , motiva a forjar la conciencia social y política de Patxi que se desarrolla más tarde en el entorno de una organización revolucionaria de izquierdas que luchó contra el franquismo, el FRAP. A consecuencia de esta militancia, varias veces está a punto de ser detenido por la policía política del régimen y después de una redada en la que caen varios militantes, decide pasar la frontera a Francia, donde ayudado por los servicios de acogida de los españoles exiliados, comienza un exilio en Francia que le marcará para toda su vida.

La voz ronca de Patxi y sus textos duros chocaban con un público habituado a los intérpretes de canción melódica o modos más convencionales como el propio Aute o Serrat. Además, Patxi trataba de temas poco comunes para aquella época, temas difíciles, espinosos, siempre censurados y odiados por parte de algunos.

Patxi Andión ha sido siempre un artista a contracorriente, fiel a su pensamiento, distante de la fama y comprometido por el pueblo. En la entrevista nos hablará de todo ello, marcando un claro camino que la lucha y la resistencia es el recorrido que toda persona debería hacer.
 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um sintoma da corrupção na Grécia

Em 2010 foi entregue ao Governo de Grécia a lista conhecida como lista Lagarde, que revela os nomes de 2.000 evasores fiscais gregos. Mas nada foi feito a seu respeito. Kostas Vaxevanis, editor chefe de Hot Doc, foi recentemente detido por a ter publicado. Para ele, é um sintoma da corrupção na Grécia.
 

Por que publiquei a lista Lagarde
“Quantas mais leis tenha um país, mais corrupto ele é”, costumava afirmar o historiador romano Tácito. A Grécia tem bastantes leis. De facto, tem tantas que a corrupção está garantida. Um clube exclusivo de pessoas poderosas comete actos ilegais, consegue em seguida que sejam aprovadas as leis necessárias para legalizar essas práticas, com o que obtém a amnistia e, no final, nenhum meio de comunicação revela o que na realidade aconteceu.
Enquanto escrevo, em todo o mundo se fala das aventuras de uma revista independente na Grécia, Hot Doc, da qual sou editor. A publicação na nossa revista de uma lista de presumíveis titulares de contas bancarias na Suíça e a minha posterior detenção provocaram um grande reboliço. Mas não nos meios de comunicação gregos. Há alguns meses, a Reuters e a imprensa britânica revelaram escândalos nos quais estavam implicados bancos gregos. Os media gregos, de igual forma, também não escreveram nada a esse respeito. O espaço que deveria ter sido reservado à informação sobre estes escândalos foi ocupado por anúncios pagos e patrocinados pelas mesmas pessoas que provocaram o colapso dos bancos gregos.
 
O caso “Lagarde” na Grécia é simplesmente a expressão extrema desta situação. Em 2010, Lagarde entregou ao então ministro de Finanças, Yorgos Papaconstantinou, uma lista de gregos titulares de contas em bancos estrangeiros. Parte destas contas eram de “dinheiro negro”, dinheiro que possivelmente não fora declarado ou que necessitava de ser branqueado. Após uma intrincada série de acontecimentos, Papaconstantinou admitiu ter perdido os dados originais, mas em compensação passou uma cópia ao seu sucessor Evangelos Venizelos, que afinal confessou tê-los detido em seu poder, mas sem que os tivesse divulgado até agora. Portanto, a lista não foi ainda objecto da investigação que se impõe.
 
Chantagem política e financeira
Nos dois últimos anos, o tema da nomeação das pessoas que supostamente possuem contas bancarias na Suíça tem envenenado a vida política na Grécia e tem sido objecto de chantagem nas obscuras salas do poder corrupto. Neste contexto, Hot Doc publicou 2.059 nomes de gregos que presumivelmente possuem contas em bancos suíços, sem especificar o montante dos seus depósitos nem nenhum outro dado pessoal.
E então, num acto de extrema hipocrisia, os poderes vieram recordar-nos o seu verdadeiro carácter. O fiscal de Atenas ordenou a minha detenção imediata. Como base da acusação foi mencionada a lei sobre dados pessoais. Mas na realidade nenhum dado pessoal tinha sido revelado, apenas o facto de que certas pessoas possuíam uma conta num determinado banco. Nem sequer defendêramos que estas pessoas eram culpadas, simplesmente pedíamos uma investigação.
As transacções bancarias realizam-se em público, não em segredo. Portanto, a existência de uma conta bancaria não é um dado pessoal. Um dado pessoal seria o montante e o tipo das transacções. Na Grécia, os bancos enviam envelopes com os seus logotipos, nos quais incluem dados sobre transacções; isto é, declaram a sua relação com os clientes. Em contrapartida, a publicação de uma simples lista de nomes e a petição de uma investigação foi definida como publicação de dados pessoais.
 
A democracia: uma raça nova e estranha
Na mitologia grega antiga, a Justiça é representada como uma mulher cega. Na Grécia moderna, ela simplesmente pestaneja e contemporiza. O estudo da lista Lagarde é muito revelador. Editores, empresários, armadores e todo o sistema do poder parecem ter transferido dinheiro para o estrangeiro. E esta informação é apenas procedente de um só banco. Entretanto, na Grécia, as pessoas procuram comida nos contentores do lixo.
Não foram todos os que provocaram a crise na Grécia. E não são todos os que estão a pagar por ela. O clube do poder, exclusivo e corrupto, tenta salvar-se a si próprio, fingindo que se esforça por salvar a Grécia. Mas na realidade, agudizam as contradições da Grécia, enquanto o país vacila à beira de um precipício.
 
Se na Bíblia os pecadores “filtram o mosquito e tragam o camelo” [Mateus, 23-24], na Grécia, os poderes pecadores filtram as pensões e tragam as listas para, evidentemente, as fazer desaparecer. São as listas dos seus amigos, dos seus conhecidos, dos seus favoritos e seus comparsas de trafulhice.
No país que viu nascer a democracia, como gostamos de recordar, a democracia converteu-se numa raça nova e estranha. Os que estão no poder asseguram-se de que o direito ao voto seja assumido como democracia e ao mesmo tempo negam a democracia ao abusar dos direitos que os votantes lhes conferem. E a Justiça permanece escrava da política.
 
*Kostas Vaxevanis, redactor-chefe de Hot Doc, foi detido e posteriormente posto em liberdade em 28 de Outubro, no dia seguinte ao da publicação pela sua revista de mais de 2.000 nomes de pessoas que tinham depositado dinheiro no banco HSBC, na Suíça. É o que é conhecido como a lista Lagarde, com o nome da antiga ministra da Economia francesa, que enviou esse documento num CD às autoridades gregas em 2010. Acusado de infringir a lei por ter publicado dados privados, o seu julgamento atrasou-se até 1 de Novembro. Os seus advogados procuraram demonstrar o cariz político do caso. Acabou por ser ilibado em julgamento.
 
Texto de Kostas Vaxevanis
 
Tradução em português em odiario.info

Landfill Harmonic


Taxar os Ricos (um conto de fadas animado)

domingo, 9 de dezembro de 2012

sábado, 8 de dezembro de 2012

Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya



Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya, de Jorge de Sena, in Pretextos para Dizer, 1978, Voz de Mário Viegas, Música Original de Luís Cilia, som de Moreno Pinto, Design Gráfico do João

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O alfaiate do nazismo


Chamava-se Hugo. Era alemão. Rondava os 40 anos quando fundou uma pequena loja de moda, em Metzingen, onde foi dado à luz.

Seis anos depois abriu falência. Desesperado, resolveu dar a volta à crise: ingressou no Partido Nazi – e a sua vida rapidamente mudou. Corria o ano de 1931.

Tornou-se fornecedor exclusivo dos uniformes negros das SS (Schutzstaffel), da Juventude Hitleriana e de outras organizações criminosas (sempre muito preocupadas com o porte e o corte). Naturalmente ganhou muitos milhões de marcos entre 1934 e 1945, e para dar conta das encomendas, a solução foi recorrer a mão-de-obra – baratíssima – dos prisioneiros de guerra.

Após a derrota do III Reich, foi processado mas sofreu uma pena pecuniária: teve de indemnizar as famílias dos escravizados que, entretanto, haviam falecido de exaustão ou sido mortos.

O nome completo do empresário de sucesso era Hugo Boss. E os negócios prosseguiram até hoje com a mesma etiqueta na ourela.

Boss é Boss.

Será que Merkel usa perfume Boss?

Será que o grupo HB investe em fundos de resgate de submetidos ao IV Reich, onde o trabalho escravo começa a refazer caminho? Costumam estar em todas as linhas de investimento.

Fonte: http://resistir.info/

Belfast 1971


Belfast 1971, fotografia de Gilles Peress

domingo, 2 de dezembro de 2012

sábado, 1 de dezembro de 2012

A story about living small

TINY: A Story About Living Small (Teaser Trailer) from TINY on Vimeo.

Teaser trailer for a documentary film by Merete Mueller and Christopher Smith, about the tiny house movement.

TINY is a (short) documentary about the ways we find ourselves at home.

Following one man’s attempt to build a tiny house from scratch in the mountains of Colorado, the film is a meditation on the relationship of home to environment, of quality and simplicity to a life well lived.

With additional videography by Kevin Hoth.