quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Gaza: Não há cliché jornalístico que esconda a realidade

“Ataques aéreos cirúrgicos”, “extirpar o terror”, “ciberterrorismo”... Nós, jornalistas, estamos a escrever como ursos de circo, repetindo todos os clichés que usamos, sem parar, há 40 anos.  Por Robert Fisk, The Independent
Manifestação no Cairo em solidariedade com Gaza
 
Terror, terror, terror, terror, terror. Lá vamos nós outra vez. Israel vai “extirpar o terror palestiniano” – o que, vale lembrar, Israel tenta, sem sucesso, há 64 anos – e o Hamas (...) anuncia que Israel “abriu as portas do inferno”, quando assassinou o seu comandante militar, Ahmed al-Jabari.
 
O Hezbollah anunciou várias vezes que Israel abrira “as portas do inferno” ao atacar o Líbano. Yasser Arafat, que foi super-terrorista e, depois, super-estadista – quando capitulou nos jardins da Casa Branca – e depois voltou a ser outra vez super-terrorista, quando se deu conta de que fora enganado em Camp David, Arafat também falou de “portas do inferno” em 1982.
 
E nós, jornalistas, estamos a escrever como ursos de circo, repetindo todos os clichés que usamos, sem parar, há 40 anos. O assassinato do comandante Jabari foi “assassinato predefinido”, foi “ataque aéreo cirúrgico” – como outros “ataques cirúrgicos israelitas” que mataram quase 17 mil civis no Líbano em 1982; 1.200 libaneses, a maioria dos quais civis, em 2006; ou os 1.300 palestinianos, a maioria dos quais civis, em Gaza em 2008-9, ou a mulher grávida e o bebé, assassinados também por “ataque aéreo cirúrgico” em Gaza na semana passada – e os 11 civis assassinados numa casa em Gaza. O Hamas, pelo menos, com os seus rockets Godzilla, não se pretende atacante “cirúrgico”. (...)
Os ataques israelitas também visam matar mulheres, crianças, qualquer coisa viva, em Gaza. Mas não se atreva a dizer tal coisa, ou você será nazi antissemita perigoso, praticamente o demónio, o mal, a perversão, tão assassino quanto o Hamas, com o qual (mas, por favor, nem pense em dizer tal coisa) Israel negociou muito, alegremente, nos anos 80s, sim, quando Israel encorajava o Hamas e os seus homens a assumir o poder em Gaza, porque esse movimento decapitaria Arafat, o super terrorista exilado. A bolsa de mortes em Gaza está hoje em 16 mortos palestinianos por israelita morto. E a proporção vai aumentar, é claro. Em 2008-9, a cotação foi 100 palestinianos, para 1 israelita.
 
E nós jornalistas estamos também a ajudar a construir mitos. A última guerra de Israel contra Gaza foi um fiasco tão completo – sempre “erradicando o terror”, claro – que as afamadas unidades de elite do exército de Israel não conseguiram sequer achar um soldado, um, capturado, Gilad Shalit, cuja libertação, são e salvo, foi trabalho, ano passado, não de Israel, mas do comandante Jabari em pessoa.
Para a Associated Press, o comandante Jabari seria “o líder nº 1 na clandestinidade” do Hamas. Mas que diabo de “líder na clandestinidade” seria alguém perfeitamente conhecido, nome, endereço, data de nascimento, detalhes da família, anos de prisão em Israel, período durante o qual mudou de lado, do Fatah, para o Hamas?! Como?! Tantos anos de prisão em Israel não converteram ao pacifismo o comandante Jabari? Nada de lágrimas: homem que viveu pela espada morreu pela espada, destino que, claro, não preocupa os guerreiros do ar de Israel, enquanto matam civis, de longe, em Gaza.
Washington apoia o direito de Israel “autodefender-se”, em seguida, fala de uma neutralidade espúria – como se as bombas que Israel lança contra Gaza não viessem dos EUA, tão certo quanto os foguetes Fajr-5 virem do Irão.
 
Enquanto isso, o lastimável, lamentável William Hague decide que o Hamas seria o “principal responsável” pela mais recente guerra. Mas... de onde tirou essa ideia? Segundo o The Atlantic Monthly, o assassinato, por israelitas, de um palestiniano “mentalmente desequilibrado” que caminhou em direção à fronteira, pode ter sido o detonador da mais recente guerra. Há também quem suspeite que tudo tenha começado com o assassinato de um menino palestiniano, que seria ato deliberado de provocação. E há quem diga que o menino foi morto por israelitas quando um grupo de palestinianos armados tentava cruzar a fronteira e foi impedido por tanques israelitas. Nesse caso, pistoleiros palestinianos – talvez não do Hamas – podem ter sido o detonador de tudo.
 
E não há meio para deter essa loucura, esse lixo de guerra? É verdade que centenas de foguetes são lançados contra Israel. É verdade também que milhares de acres de terra são roubadas dos árabes, por Israel – para judeus e só para judeus – na Cisjordânia. Hoje, já não resta terra suficiente, sequer, para um Estado palestiniano.
 
Apaguem o parágrafo acima, por favor. Só há os heróis e os vilãos neste conflito horrendo, no qual os israelitas dizem que são os heróis, para os aplausos dos países ocidentais (os quais, imediatamente, passam a perguntar-se por que tantos muçulmanos não gostam muito de ocidentais).
O problema, por estranho que pareça, é que as ações de Israel na Cisjordânia e o sítio de Gaza trazem cada dia para mais perto o evento que Israel diz temer todos os dias: Israel talvez se veja face a face com a própria destruição.
 
Na batalha dos foguetes – com os Fajr-5 iranianos e os drones do Hezbollah – os dois lados avançam por uma nova senda de guerra. Já não se trata de tanques israelitas que cruzam a fronteira do Líbano ou a fronteira de Gaza. Começamos a falar de foguetes e drones de alta tecnologia e de ataques cibernéticos – ou “ciberterrorismo” quando a iniciativa é dos muçulmanos – e, cada dia que passa, a escória humana deixada aos pedaços à margem do caminho será ainda mais irrelevante do que é hoje e ao longo dos últimos três dias.
 
O despertar árabe começa a seguir caminho próprio: os líderes terão de ouvir a voz das ruas. Desconfio que acontecerá também ao pobre velho rei Abdullah da Jordânia. O palavreado dos EUA sobre “paz”, ao lado de Israel, já não vale uma vela queimada, entre os árabes. E se Benjamin Netanyahu crê que a chegada dos primeiros foguetes Fajr do Irão exigirá um Big Bang israelita contra o Irão, e depois o Irão devolve os tiros – e, talvez, também os norte-americanos – e, no pacote, logo virá também o Hezbollah – e Obama acaba engolido em mais uma guerra ocidente-muçulmanos... Sim, mas... então... o que acontecerá?
 
Ora... Israel pedirá um cessar-fogo, o que Israel sempre pede, contra o Hezbollah. E pedirá outra vez o imorredouro apoio do ocidente na sua luta contra o mal do mundo, o Irão incluído.
E o assassinato do comandante Jabari? Por favor, esqueçam que os israelitas estavam a negociar com o próprio Jabari, usando como intermediário o serviço secreto alemão, há menos de um ano. Não se negoceia com terroristas, certo? Israel negoceia.
 
Israel batizou o mais recente banho de sangue que promove em Gaza de Operação Pilar da Defesa. Está mais para Pilar da Hipocrisia.
 
19/11/2012, Robert Fisk [The Independent], em Information Clearing House
Tradução do coletivo de tradutores da Vila Vudu, via esquerda.net

El Invierno de Pablo


 
 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Lágrimas em Gaza


Um palestiniano chora sobre os corpos dos membros da família al-Dallu, vítimas dos bombardeamentos israelitas, durante o seu funeral em Gaza. Fotografia de Mahmud Hamsmahmud Hams/AFP/Getty Images.





Um homem chora junto ao corpo de um familiar morto, na sequência dos ataques israelitas, na morgue do hospital de Shifa em Gaza. Fotografia de Bernat Armangue/Associated Press.

sábado, 17 de novembro de 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Greve Geral de 14 de Novembro 2012 (iv)


 


Bloqueio dos Estados Unidos a Cuba condenado pelas Assembleia Geral das Nações Unidas pela 21ª vez




 
 

Assembleia Geral da ONU condena embargo dos EUA a Cuba pela 21ª vez

Resolução foi aprovada com o voto de 188 países; apenas três votaram contra e dois, se abstiveram
 
Por 188 votos a três, a Assembleia Geral da ONU aprovou nesta terça-feira (13/11) uma nova resolução de condenação ao embargo econômico e comercial que os Estados Unidos impõem a Cuba. Os três países que votaram contra a decisão foram Estados Unidos, Israel e Palau. Além deles, de Micronésia e Ilhas Marshall se abstiveram. Na última votação, realizada no ano passado, a resolução de condenação ao embargo contou com os votos contrários de EUA e Israel, enquanto Palau se absteve junto com Micronésia e Ilhas Marshall. A resolução desta terça-feira foi 21ª vez em que a Assembleia Geral da ONU condenou o embargo a Cuba. A primeira ocasião ocorreu em 1992, quando contou com 59 votos a favor, três contra e 71 abstenções. O debate de hoje teve duração de quase três horas, segundo o presidente da Assembleia Geral, Vuk Jeremic. Antes da votação, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, denunciou um "persistente recrudescimento" do embargo contra Cuba durante os primeiros quatro anos do governo de Barack Obama. "É um ato de agressão e uma ameaça permanente contra a estabilidade de um país. É também uma grosseira violação das normas de comércio internacional, da livre navegação e dos direitos soberanos dos Estados", indicou. A representante do Brasil e do Mercosul na Assembleia Geral, Maria Luisa Ribeiro, classificou o bloqueio como um exemplo de "política obsoleta que não tem lugar na atualidade". "O embargo é contrário ao princípio da justiça e dos direitos humanos, gera carências e sofrimento a toda a população cubana, limita e retarda o progresso econômico, social e a obtenção dos objetivos de desenvolvimento do milênio." O embargo foi imposto de maneira oficial em fevereiro de 1962, sob a administração do presidente John F. Kennedy, mas o governo norte-americano já havia imposto algumas sanções em 1959, ano do triunfo da revolução cubana.
 
Fonte:

Greve Geral de 14 de Novembro 2012 (iii)




Greve Geral de 14 de Novembro 2012 (ii)


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Lições de manipulação: A supressão do visto de saída tornará evidente que o problema das viagens não estava no Governo cubano

 
A recente medida do Governo cubano de suprimir a autorização de saída para viajar para o exterior da ilha é, sem dúvida, algo que era desejado pela maioria da população cubana [1] e um passo positivo que eliminará obstáculos administrativos e agilizará o tempo de tramitação para viajar para fora de Cuba.

Mas era a citada autorização do Governo cubano o que impedia a população cubana de viajar, tal como fazem crer os grandes meios de comunicação internacionais? E, portanto, poderá esta agora viajar rapidamente e sem problemas, podendo ainda suportar os custos do seu bilhete e estadia? De todo.

A correspondente em Havana do canal público Televisión Española, Sagrario García Mascaraque, , dizia-nos o seguinte: "(Esta) é a reforma mais desejada pelos cubanos desde há muito, angustiados pelos lentos e custosos trâmites para conseguir uma autorização de saída do país, que nem sempre chegava" [2] .

A sua mensagem é clara: era o Governo quem impedia a saída do país ao seu povo, mediante obstáculos burocráticos e rejeições arbitrárias. Para sustentar esta ideia falsa, a jornalista teve de ocultar o verdadeiramente essencial: que a população cubana não tem podido viajar para o exterior apesar de ter obtido, na imensa maioria dos casos, a autorização de saída, dado que os países de chegada recusaram o correspondente visto de entrada [3] . E esta situação não vai alterar-se com a reforma migratória cubana. E mais, prevê-se que – para travar as expectativas de viajar ou emigrar que sejam criadas por esta reforma – as quotas de entrada em Espanha e outros estados do Norte serão ainda mais restringidos.

" A partir de 14 de janeiro apenas será necessário um passaporte em vigor e o visto do país de destino": a jornalista da Televisión Española relembra-nos que, agora, para sair do país, "apenas" será necessário o visto no destino, como se a sua obtenção fora um mero trâmite e não existisse uma política de negação sistemática e massiva de vistos por parte, por exemplo, do Governo de Espanha. Enquanto a correspondente sublinha os "lentos e custosos trâmites" cubanos, silencia a via crucificadora e burocrática de centenas de cubanos e cubanas no Consulado espanhol em Havana: filas intermináveis, meses de trâmites, taxas elevadas por cada ato e silêncios administrativos que, na maioria dos casos, acabam numa rejeição com a frase " possível migrante" .

Mas este aspeto essencial para que a audiência entenda o problema é silenciado pela Televisión Española e pelo resto dos grandes média, interessados em culpabilizar o Governo cubano.

Acresce que, a correspondente da Televisión Española, fazia uma afirmação incrível para alguém que já vive há quatro anos em Cuba: " (Até agora), havia muitas limitações e os que queriam abandonar a Ilha eram apelidados de traidores ". Uma mensagem que é um cliché obsoleto, quiçá real até aos anos 80, mas que nada tem a ver com o presente. O Governo cubano reconheceu publicamente, em ocasiões várias, o papel da emigração cubana na construção do país, e o seu caráter económico e não político, semelhante ao de outros países da região [4] . As palavras do presidente Raúl Castro sobre a população emigrada estão bem longe do conceito de "traidores " mencionado pela Televisión Española: "Hoje os emigrantes cubanos, na sua grande maioria, são-no por razões económicas. Este assunto sensível tem sido objeto de manipulação política e mediática durante muitos anos, com o propósito de denegrir a Revolução e torná-la inimiga dos cubanos que vivem no estrangeiro. O certo é que quase todos preservam o seu amor pela família e pela pátria que os viu nascer e manifestam, de diferentes formas, solidariedade com os seus compatriotas" [5] .

O Governo cubano tem relações normalizadas com dezenas de coletivos de emigrantes. E contra todos os clichés mediáticos que associam a emigração cubana com exílio político existe um crescente número de associações de migrantes que apoiam explicitamente a Revolução cubana [6] . Neste 20 de outubro celebra-se em Madrid, por exemplo, o Encontro de Cubanos e Cubanas residentes na Europa [7] . Irá a Televisión Española cobrir este evento? Irá informar da existência de milhares de migrantes cubanos com posições diametralmente opostas à chamada " dissidência " aliada dos EUA? Ou vai silenciá-lo da mesma forma que silencia a responsabilidade do Governo espanhol na proibição de viajar aos cidadãos de Cuba e de tantos outros países do Sul?
 
Artigo de José Manzaneda, Coordenador da Cubainformación

Notas
[1]
www.cubainformacion.tv/...
[2]
www.rtve.es/alacarta/videos/telediario/telediario-15-horas-16-10-12/1553583/
[3]
www.cubainformacion.tv/...
[4]
www.cubainformacion.tv/...
[5]
www.youtube.com/watch?v=-mYAzECaRJg
[6]
www.cubainformacion.tv/...
[7]
www.cubainformacion.tv/...
Ver também:
A reforma da política migratória em Cuba , de Salim Lamrani.

O original encontra-se em
www.cubainformacion.tv/... e a tradução em http://www.pelosocialismo

Fonte:  http://resistir.info/
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Athens: Social Meltdown


 

Paris 1924


Paris 1924, fotografia de Henri Manuel.

A doutrina Rumsfeld. Alta tecnologia e privatização da guerra

O importante do pensamento de Rumsfeld sobre a condução da guerra não é tanto o conceito estratégico mas a sua aplicação táctica, assente na fusão da alta tecnologia com o pensamento neoliberal de privatização de áreas e recursos que na concepção do Estado-nação tradicional estavam exclusivamente nas mãos do Estado.
Nestes dias temos tomado o pequeno-almoço preocupados com as notícias sobre a utilização civil de veículos aéreos não-tripulados, VANT, no seu acrónimo castelhano.
Os VANT são fruto de desenvolvimento tecnológico militar que pelas suas virtudes, junta o poder de fogo e observação, a mobilidade e a redução de custos, foram-se impondo aos exércitos de todo o mundo. Hoje em dia existem 700 existem, 500 deles exclusivamente militares, presentes em 25 países.
Os líderes da fabricação destes aparelhos são os EUA e Israel e isto não é casual, já que o seu desenho e implantação foram impulsionados de forma decisiva pela chamada «Doutrina Rumsfeld», na realidade um projecto de reorganização das forças armadas estadunidenses, semelhante ao anteriormente desenvolvido por Brzezinsky, inteligência parda do verdadeiro poder estadunidense.
O que diferencia ambas as doutrinas é o aspecto táctico, o qual assenta exclusivamente no poder aéreo, nas forças especiais, na tecnologia, na informação e, como elemento de coesão, na privatização de grandes áreas da área da defesa.
Ao contrário da visão de Collin Powell de recorrer a um poder militar esmagador e decisivo, Rumsfeld propõe baixar os custos de armamento, já que na concepção das novas guerras, e sem ter de enfrentar exércitos possuidores de poder semelhante, é preferível uma força mais pequena apoiada, isso sim, pela mais alta tecnologia e a melhor informação.
Curiosamente, e apesar de ser um republicano neocon, Rumsfeld coincide na sua visão estratégica com o democrata Brzezinsky. Este aponta a China como o verdadeiro inimigo, prevê um cada vez maior isolamento dos EUA, descarta o Atlântico Norte e a Europa Central como os eixos centrais e não dá qualquer importância aos países europeus da NATO, atribuindo uma importância táctica ao Médio Oriente, para onde, aí sim, se enviam forças de intervenção estadunidenses e se dominam zonas estratégicas que possam propiciar como objectivo prioritário o isolamento que leve à neutralização da China.
De início o conceituado «complexo militar industrial» opunha-se frontalmente aos planos de Rumsfeld, mas a realidade demonstra-nos que, por fim, houve uma aceitação dos mesmos, já que o orçamento da Defesa aumentou com uma orientação mais tecnológica e os empórios que se dedicam à construção de material de alta tecnologia saíram reforçados.
Quando se reflecte sobre a doutrina estratégica estadunidense apreciam-se alterações de elementos tácticos, novos teatros de operações, mas o apontar a China como prioritária é anterior à queda da URSS, ainda que depois se tenha consolidado.
Quando observamos estas alterações vemos que Rumsfeld é, desde 2001, o impulsionador do falsamente chamado «Escudo antimíssil», que pretende por fora de jogo a Rússia, ao obrigá-la a empreender uma nova corrida armamentista, deixando o peso desta iniciativa aos países europeus da NATO (mais a Turquia).
A Polónia, a Roménia e a Espanha são actores destacados. Uns põem as bases de mísseis e o nosso país [Espanha] contribui com os melhores e mais modernos meios navais, as fragatas dotadas com o sistema AEGIS.
O importante do pensamento de Rumsfeld não é tanto o conceito estratégico que, como já vimos, bebe no de Brzezinsky, mas a sua aplicação táctica enovelada que dá o tiro de saída à proeminência da alta tecnologia fundida com o pensamento neoliberal de privatização de áreas e recursos, que na concepção do Estado-nação tradicional estavam exclusivamente nas mãos do Estado.
Esta é a ideia que obriga a que, para manter essa pequena força estatal, se tenha de recorrer à iniciativa privada em áreas de segurança e informação vitais. Funções assumidas de imediato por empresas de segurança, conhecidas popularmente como «contratados», forma eufemística de chamar ao que sempre foi o aluguer de soldados de fortuna ou mercenários.
A partir das invasões do Afeganistão e do Iraque assistimos à proliferação desta privatização da guerra e da inteligência, o que levou à criação de grandes empresas com mais poder que alguns países. Os seus benefícios imediatos convencem os governos: são mais baratas de manter que as estruturas castrenses tradicionais, não há responsabilidades para além do tempo de contrato e, em último caso, se adjudica o negócio a sectores ideologicamente afins, que poderão chegar onde as próprias Forças Armadas, algo limitadas pelo Direito Internacional Humanitário, não convém que cheguem.
O mesmo sucede com a segurança e na logística aplica-se o mesmo princípio. As comidas, os transportes, a construção de bases, a sua manutenção…, tudo é posto nas mãos dos privados. Nas mãos dos privados amigos, claro.
Ainda que dando menos nas vistas, a logística é a alma de um exército. Não é em vão que os grandes historiadores militares falam com admiração da logística das legiões romanas ou da dos exércitos de Alexandre Magno, que lhes permitia percorrer centenas de quilómetros tendo assegurada a comida, o descanso, o material… definitivamente, todas as necessidades na vida de milhares de homens em movimento. Imaginemos o formidável negócio que é manter a deslocação de centenas de milhares de soldados em oitocentas bases espalhadas pelo mundo.
Como conclusão devemos ter sempre presente o pensamento de Rumsfeld pois, com as bases estratégicas de Brezinsky, faz uma construção táctica e ideológica da projecção do poder estadunidense que estamos a hoje em dia a viver e se resume: Alta tecnologia e privatização. Puro pensamento neoliberal de âmbito militar imperial.
Tudo está relacionado neste tabuleiro mundial onde se joga a geopolítica, ainda que o emaranhado de acções não nos deixe ver o núcleo do bosque.
Fica claro que esta é a construção ideológica de um futuro em que as grandes corporações vão minando e substituindo o poder dos estados, chegando inclusive a devorar quem lhes permitiu crescer e desenvolver-se: os EUA.
O que pareciam as distopias literárias ou cinematográficas de um mundo dominado por um governo mundial de grandes corporações, tornam-se cada dia mais possíveis com a permissividade e o impulso das de um pensamento que retira as competências do Estado dos cidadãos emanado da Revolução Francesa para as entregar a entidades privadas, com uma visão feudal do mundo.
 
Texto de Javier Couso. Activista anti-guerra, escreve sobre meios de informação e tratamento de notícias e estratégia militar. Desenvolve uma batalha jurídica para sentar no banco dos réus os soldados norte-americanos que acusa de assassinar na guerra do Iraque José Couso, seu irmão, câmara de Telecinco.
 
 
Versão portuguesa ODiario.info

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

As eleições para a presidência dos EUA

Pode o candidato com menos votos expressos nas urnas ganhar as eleições para a presidência dos EUA ?
 
Por incrível que pareça, a resposta é SIM.
 
O sistema eleitoral que elege o presidente dos EUA, tem por base a eleição direta dos membros do chamado "Colégio Eleitoral". Os membros do  "Colégio Eleitoral" são quem na prática decidirá o novo presidente dos EUA. Objetivamente os cidadãos norte-americanos, no dia 6 de novembro 2012 serão chamados a eleger os membros do "Colégio Eleitoral" e não o presidente dos EUA. A distribuição por estado e a eleições dos membros do "Colégio Eleitoral" tem já na sua origem distorções à regra da proporcionalidade impensáveis noutras latitudes, mas que são inquestionáveis no "farol da democracia" e vão perdurando no tempo.
 
Dado que cada um dos 50 estados dos EUA elege os seus representantes neste órgão eleitoral, o peso de cada estado é diferente e não têm por base apenas o número de habitantes do estado e a sua proporcionalidade relativamente ao todo. Existem “fatores de correção” que distorcem a proporcionalidade. Assim é possível que 1 voto de um cidadão do estado do Wyoming  valer tanto como 4 votos de cidadãos de Nova Iorque na escolha final do presidente. Verifica-se que estados com maior número de habitantes, em regra precisam de um maior número de votantes para eleger os seus membros do "Colégio Eleitoral".
 
Tudo isto confere uma importância eleitoral a estados de menor dimensão populacional e que coincidentemente são em geral estados onde predomina o obscurantismo e o fundamentalismo religioso. Neste conjunto de estados, conhecidos de forma satírica por Jesusland, as questões religiosas são as questões que dominam a campanha eleitoral e são aquelas que a decidem. Ver este Exemplo
 
 

 
Um caso paradigmática, é o estado do Utah, dominado pela mega seita/empresa religiosa Mórmon (70% da população do Utah é Mórmon), têm um peso eleitoral  de 1 membro de colégio eleitoral por cada 315 476 votos, em contraponto aos 508 344 votos por membro do colégio universal do estado da  Califórnia.
 
Foi assim  que na  eleição presidencial realizada em 2000, o candidato Al Gore com 50 999 897 votos perdeu a eleição para G. W .Bush com 50 456 002 votos.

 
É a "democracia made in USA" no seu melhor !

Rome 1962

 
Frank Horvat, Rome 1962

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

This must be the place


Dia de Los Muertos

Sandy didn't discriminate, but the media did !


Sandy didn't discriminate, but the media did !

El mundo del revés


Miami está alborotado desde que la Oficina de Control de Activos Extranjeros (OFAC), del Departamento del Tesoro, volvió a otorgar licencias a los ciudadanos estadounidenses que quieren visitar Cuba, dentro de la política de contactos de pueblo a pueblo.
Según denuncian algunos voceros del exilio, en esos viajes se fusiona turismo con adoctrinamiento. Sin embargo, no explican cuáles podrían ser las consecuencias para la seguridad nacional de EEUU de semejante penetración ideológica de los comunistas cubanos.
Entre los hechos más graves que citan está la presencia de un grupo de norteamericanos en un concierto por el cumpleaños de Fidel y un encuentro con la hija de Raúl Castro, Mariela, conocida defensora de los derechos de la comunidad LGBT en Cuba.
Es curioso que teman el adoctrinamiento de sus turistas y a la par aseguren que Cuba está hundida en la más terrible de las miserias y que la mayoría de los cubanos están descontentos. Nada deberían temer quienes vienen del país de las oportunidades y libertades.
Lo que ocurre es que sobredimensiona tanto los problemas de la isla que cuando uno topa con la realidad descubre que lo han estado engañando. Cuba no es el paraíso terrenal que nos pinta la prensa nacional pero tampoco es el infierno que nos cuentan en Miami.
Si los medios y políticos del exilio creyeran realmente en lo que nos dicen sobre la isla deberían promover ellos mismos los viajes de norteamericanos a Cuba para que estos comprueben con sus propios ojos lo que ocurre y después lo rieguen por todo EEUU.
Además, apenas son 10 mil los estadounidenses que viajan a la isla cada año con licencias especiales entregadas por su gobierno. Aunque se pierden entre los 2,5 millones de turistas que visitan Cuba, alguna vez me los he encontrado caminando por La Habana Vieja.
Distinguirlos no es difícil, son los únicos excursionistas que se mueven por la ciudad en grupo y con credenciales colgadas en el pecho, como hacemos los periodistas cuando trabajamos. A veces me pregunto qué harán con ellas cuando se bañan en la playa.
Pero esos límites no los imponen los "adoctrinadores cubanos". Según, John McAuliff, de la Fund for Reconciliation and Development, es la OFAC quien insiste en programas estructurados a tiempo completo en vez de confiar en los estadounidenses para auto dirigirse y explorar.
Al final con tantas regulaciones de Washington, estos norteamericanos que visitan Cuba se parecen mucho a la imagen estereotipada de los turistas japoneses recorriendo las calles en grupo y disparando sus cámaras fotográficas hacia los 4 puntos cardinales.
Critican en Miami a los turistas estadounidenses porque toman mojitos y bailan salsa pero no se me ocurre mejor manera de entrar en contacto con el pueblo cubano. La gente está en las calles, en los bares, las discotecas y hasta en los hoteles turísticos, donde vacacionan 400 mil cubanos de Cuba.
El contacto Pueblo a Pueblo fue aprobado por el Congreso de los EEUU en los 90 para fomentar "interacciones significativas" con los cubanos, en otras palabras para influir políticamente en la ciudadanía de la isla, promoviendo el "estilo de vida americano".
Ese era el plan pero yo no me imagino a estos turistas de mirada bonachona, camisas floreadas, sombreros panamá y sandalias, que caminan con la piel enrojecida y agobiados por el calor, haciendo proselitismo político con traductor para que los cubanos derroquen a la revolución.
Parece que Bush percibió los límites de esa estrategia y acabó con las licencias para los estadounidenses. Les cortó los mojitos y la salsa incluso a los cubanos de Miami, reduciendo los viajes a la isla a 1 cada 3 años, había que demostrar que son perseguidos políticos.
El candidato republicano Mitt Romney -aconsejado por el Senador Marco Rubio y los Congresistas Mario Díaz Balart, David Rivera e Ileana Ros- prometió que si es electo Presidente, prohibirá los viajes a la isla y el envío de remesas familiares.
Pero como aún no ha sido electo, cientos de miles de cubanoamericanos siguen llegando cada año, convertidos ya en el segundo grupo de visitantes, tras el millón de canadienses. Muchos se pagan incluso los pasajes trayendo mercadería para vender en Cuba.
Los congresistas cubanoamericanos presionan a Washington para mantener el embargo a la par que los emigrados envían a Cuba más de US$1.000 millones en remesas y hacen lobby contra los viajes de estadounidenses a la isla mientras los exiliados la visitan en masa. Es el mundo al revés.
 
"Cartas desde Cuba" de Fernando Ravsberg

Ocupação da fábrica de Citroën de Javel (1938)


Ocupação da fábrica de Citroën de Javel (1938). Fotografía de Willy Ronis.

Em março de 1938, o fotógrafo Willy Ronis foi cobrir uma greve na fabrica da Citroën-Javel para a revista "Regards". De volta à sua casa, fez uma rápida seleção das fotografias e as enviou para a revista, deixando de lado a imagem publicada acima. Somente em 1980 Willy Ronis, revendo todos os seus negativos, redescobriu esta foto e decidiu publicá-la no jornal l'Humanité. Alguns dias depois, Willy recebeu uma carta de Rose Zehner, que se reconheceu na fotografia. Assim começou uma troca de correspondências entre eles. Rose, que ficou órfã aos 09 anos de idade, tornou-se operária e sindicalista ainda muito jovem, onde era conhecida como “o lobo branco”. Em 1982, quarenta e quatro anos depois, foi organizado e filmado o encontro entre os dois num antigo bistrô próximo à fabrica. Fonte: Luis Nassif