terça-feira, 24 de abril de 2012

25 Abril (IV)

Argentina e Espanha: petróleo, elefantes, súbditos e pensionistas ...

A Es.Col.A da Fontinha V

25 Abril (III)

25 Abril (II)

25 Abril na ES.COL.A da Fontinha

25 Abril (I)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Umshini Wam"


Umshini Wam" with Ninja and Yo Landi (Die Antwoord), directed by Harmony Korine (2011)

terça-feira, 17 de abril de 2012

10 Conselhos para os Militantes de Esquerda

1. Mantenha viva a indignação. Verifique periodicamente se você é mesmo de esquerda. Adote o critério de Norberto Bobbio: a direita considera a desigualdade social tão natural quanto a diferença entre o dia e a noite. A esquerda encara-a como uma aberração a ser erradicada. Cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus social-democrata, cujos principais sintomas são usar métodos de direita para obter conquistas de esquerda e, em caso de conflito, desagradar aos pequenos para não ficar mal com os grandes.

2. A cabeça pensa onde os pés pisam. Não dá para ser de esquerda sem "sujar" os sapatos lá onde o povo vive, luta, sofre, alegra-se e celebra suas crenças e vitórias. Teoria sem prática é fazer o jogo da direita.

3. Não se envergonhe de acreditar no socialismo. O escândalo da Inquisição não faz os cristãos abandonarem os valores e as propostas do Evangelho. Do mesmo modo, o fracasso do socialismo no Leste europeu não deve induzi-lo a descartar o socialismo do horizonte da história humana. O capitalismo, vigente há 200 anos, fracassou para a maioria da população mundial. Hoje, somos 6 bilhões de habitantes. Segundo o Banco Mundial, 2,8 bilhões sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. E 1,2 bilhão, com menos de US$ 1 por dia. A globalização da miséria só não é maior graças ao socialismo chinês que, malgrado seus erros, assegura alimentação, saúde e educação a 1,2 bilhão de pessoas.

4. Seja crítico sem perder a autocrítica. Muitos militantes de esquerda mudam de lado quando começam a catar piolho em cabeça de alfinete. Preteridos do poder, tornam-se amargos e acusam os seus companheiros (as) de erros e vacilações. Como diz Jesus, veem o cisco do olho do outro, mas não o camelo no próprio olho. Nem se engajam para melhorar as coisas. Ficam como meros espectadores e juízes e, aos poucos, são cooptados pelo sistema. Autocrítica não é só admitir os próprios erros. É admitir ser criticado pelos (as) companheiros (as).

5. Saiba a diferença entre militante e "militonto". "Militonto" é aquele que se gaba de estar em tudo, participar de todos os eventos e movimentos, atuar em todas as frentes. Sua linguagem é repleta de chavões e os efeitos de sua ação são superficiais. O militante aprofunda seus vínculos com o povo, estuda, reflete, medita; qualifica-se numa determinada forma e área de atuação ou atividade, valoriza os vínculos orgânicos e os projetos comunitários.

6. Seja rigoroso na ética da militância. A esquerda age por princípios. A direita, por interesses. Um militante de esquerda pode perder tudo – a liberdade, o emprego, a vida. Menos a moral. Ao desmoralizar-se, desmoraliza a causa que defende e encarna. Presta um inestimável serviço à direita. Há pelegos disfarçados de militante de esquerda. É o sujeito que se engaja visando, em primeiro lugar, sua ascensão ao poder. Em nome de uma causa coletiva, busca primeiro seu interesse pessoal. O verdadeiro militante – como Jesus, Gandhi, Che Guevara – é um servidor, disposto a dar a própria vida para que outros tenham vida. Não se sente humilhado por não estar no poder, ou orgulhoso ao estar. Ele não se confunde com a função que ocupa.

7. Alimente-se na tradição da esquerda. É preciso oração para cultivar a fé, carinho para nutrir o amor do casal, "voltar às fontes" para manter acesa a mística da militância. Conheça a história da esquerda, leia (auto) biografias, como o "Diário do Che na Bolívia", e romances como "A Mãe", de Gorki, ou "As Vinhas de Ira", de Steinbeck.

8. Prefira o risco de errar com os pobres a ter a pretensão de acertar sem eles. Conviver com os pobres não é fácil. Primeiro, há a tendência de idealizá-los. Depois, descobre-se que entre eles há os mesmos vícios encontrados nas demais classes sociais. Eles não são melhores nem piores que os demais seres humanos. A diferença é que são pobres, ou seja, pessoas privadas injusta e involuntariamente dos bens essenciais à vida digna. Por isso, estamos ao lado deles. Por uma questão de justiça. Um militante de esquerda jamais negocia os direitos dos pobres e sabe aprender com eles.

9. Defenda sempre o oprimido, ainda que aparentemente ele não tenha razão. São tantos os sofrimentos dos pobres do mundo que não se pode esperar deles atitudes que nem sempre aparecem na vida daqueles que tiveram uma educação refinada. Em todos os setores da sociedade há corruptos e bandidos. A diferença é que, na elite, a corrupção se faz com a proteção da lei e os bandidos são defendidos por mecanismos econômicos sofisticados, que permitem que um especulador leve uma nação inteira à penúria. A vida é o dom maior de Deus. A existência da pobreza clama aos céus. Não espere jamais ser compreendido por quem favorece a opressão dos pobres.

10. Faça da oração um antídoto contra a alienação. Orar é deixar-se questionar pelo Espírito de Deus. Muitas vezes deixamos de rezar para não ouvir o apelo divino que exige a nossa conversão, isto é, a mudança de rumo na vida. Falamos como militantes e vivemos como burgueses, acomodados ou na cômoda posição de juízes de quem luta. Orar é permitir que Deus subverta a nossa existência, ensinando-nos a amar assim como Jesus amava, libertadoramente.

A imprensa "livre" ao serviço do capital...petrolífero

Capas dos principais jornais espanhóis de 17 de abril de 2012.

Perante a nacionalização decretada ontem pela presidente Cristina Kirchner da empresa petrolífera argentina YPF, a imprensa "livre" espanhola defende em bloco a posição da Repsol e o "seu suposto direito adquirido" a explorar eternamente os recursos naturais argentinos em beneficio privado.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Como os reis se divertem


Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Duas Sicilias, Rei de Espanha (e ainda, a crer nos seus títulos, de "reinos" como o de Jerusalém, de Nápoles, da Sicília, da Sardenha e das Índias Orientais e Ocidentais...), decidiu, cansado dos entediantes afazeres da realeza, divertir-se. E que melhor maneira de se divertir do que pegar numa carabina e matar elefantes? O "Público online" divulgou uma fotografia do viril monarca, de falo significante na mão, posando orgulhosamente diante do cadáver prostrado de um elefante. A imagem ilustrava a triste notícia de que, durante um divertido safari no Botswana, o Rei caira e fracturara uma anca. Juan Carlos tem especial apetência por armas, tendo estado envolvido na morte a tiro de seu irmão mais novo, Alfonso, no Estoril, segundo a versão oficial quando ambos limpavam um revólver que se terá disparado acidentalmente. O seu neto mais velho, de 13 anos, herdou-lhe a vocação e ainda há dias também se atingiu acidentalmente num pé (nas casas dos reis, ao contrário do que acontece nas casas dos súbditos, as crianças podem brincar com armas de fogo). A Espanha tem 23,6% de desempregados (50,5% entre os jovens) e atravessa uma gravíssima crise económica, com um défice de 20 668 milhões de euros. Apesar disso, os contribuintes espanhóis pagam por ano 8,434 milhões para a Casa Real. Dá para muitos, muitos safaris. Tremam, elefantes e demais espécies protegidas.

Texto de Manuel António Pina no JN de hoje.

Eleições em Timor Leste: Onde os mais pobres lutam contra os mais poderosos



A frase de Milan Kundera, “a luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento” descrevia o Timor Leste. Um dia antes de viajar para filmar lá clandestinamente, em 1993, fui à loja de mapas Stanfords, no Covent Garden de Londres. “Timor?” repetiu o vendedor, hesitante. Lá ficamos, olhando para as prateleiras marcadas com “Sul-Leste Asiático”. “Desculpe, mas… Onde fica, exatamente?”

Depois de procurar, ele voltou com um velho mapa aeronáutico, com áreas vazias onde alguém carimbara “Dados Incompletos”. Ninguém jamais lhe pedira mapas do Timor Leste. Era assim o silêncio que envolvia aquela colônia portuguesa, desde que foi invadida pela Indonésia em 1975. Mas nem Pol Pot conseguiu matar tantos cambodianos quanto o ditador Suharto da Indonésia matou, à bala ou de fome, no Timor Leste. Em meu filme Death of a Nation[1], há uma sequência a bordo de um avião australiano que sobrevoa a ilha do Timor. Há uma festa a bordo, e dois homens de terno brindam com champanhe. “Vivemos momento histórico único”, diz um deles, “realmente historicamente único.” É Gareth Evans, ministro das Relações Exteriores da Austrália. O outro é Ali Alatas, principal porta-voz de Suharto. É 1989, e estão naquele avião, num sobrevoo simbólico, para celebrar a assinatura de um tratado de pirataria, pelo qual a Austrália e várias empresas internacionais de petróleo e gás foram autorizadas a explorar o subsolo marinho do litoral do Timor Leste. Em terra, abaixo deles, veem-se os vales marcados com cruzes negras: ali a força aérea conjunta EUA-Grã-Bretanha matou gente aos magotes.

Zilhões de dólares
Em 1993, a Comissão de Assuntos Estrangeiros do Parlamento australiano registrou, em relatório, que “pelo menos 200 mil pessoas”, um terço da população do Timor Leste, desapareceu durante o governo de Suharto. Em boa parte graças a Evans, a Austrália foi o único país ocidental que reconheceu formalmente a conquista genocida de Suharto. As mortíferas forças especiais indonésias conhecidas como Kopassus eram treinadas na Austrália. O prêmio, disse Evans, foi “zilhões” de dólares. Diferente de Saddam Hussein, Suharto morreu confortável e pacificamente em 2008, cercado pelos melhores médicos que seus bilhões puderam comprar. Jamais foi ameaçado de processo pela “comunidade internacional”. Margaret Thatcher disse-lhe pessoalmente: “O senhor é dos nossos melhores e mais valiosos amigos.” O primeiro-ministro australiano Paul Keating via nele uma figura paternal. Um grupo de editores de jornais australianos, liderados por Paul Kelly, veterano auxiliar de Rupert Murdoch, voou até Jakarta, para apresentar suas homenagens ao ditador; há uma foto em que se veem eles todos, curvados. Em 1991, Evans descreveu o massacre de mais de 200 civis, por tropas indonésias, no Cemitério da Santa Cruz em Dili, capital do Timor Leste, como “uma aberração”. Mas quando manifestantes plantaram centenas de cruzes à frente da Embaixada da Indonésia em Canberra, Evans mandou destruí-las. Dia 17/3/2012, mês passado, o mesmo Evans estava em Melbourne, convidado a falar num seminário sobre a Primavera Árabe. Hoje dedicado ao rico negócio dos “think tanks”, lá pontificou sobre estratégia das grandes potências, sobretudo a, hoje em voga, “responsabilidade de proteger” (que a OTAN usa para atacar ou ameaçar ditadores hoje caídos em desgraça, sob o falso pretexto de que a OTAN lá estaria como libertadora dos respectivos povos). Também presente ao mesmo seminário estava Stephen Zunes, professor de política da University of San Francisco, que lembrou aos presentes o longo apoio que Evans prestou a Suharto, crucial para a longa sobrevivência do ditador. No final da sessão, Evans, que é homem de pavio curto, saltou sobre Zunes, aos berros: “Quem é você, porra?!” “Onde, porra, você trabalha?” Contaram a Zunes que Evans dissera, e Evans confirmou, que aqueles comentários críticos mereciam “um soco nas fuças”. O episódio não poderia ser mais eloquente. Como que em celebração ao 10º aniversário de uma independência que Evans sempre negou e tentou impedir que acontecesse, o Timor Leste vive hoje as dores do processo de eleger um novo presidente. Para muitos timorenses e seus filhos maltrapilhos e malnutridos, a democracia é só uma ideia. Depois de anos de ocupação sangrenta apoiada por Grã-Bretanha, EUA e Austrália, os timorenses conheceram campanha incansável movida contra eles pelo governo australiano, interessado sempre em afastar a pequena nação para bem longe de seus direitos sobre a renda do petróleo e do gás extraídos do subsolo de suas águas territoriais. Depois de recusar-se a cumprir a Lei do Mar, a Austrália simplesmente alterou, unilateralmente, as suas fronteiras marítimas.

Mortos pelo xerife
Em 2006, afinal, assinou-se um acordo que atendia, praticamente, a tudo que a Austrália sempre quis. Pouco depois, o primeiro-ministro do Timor Leste Mari Alkatiri, nacionalista [e muçulmano], que se opusera a Canberra e a qualquer interferência estrangeira, foi deposto no que o próprio Alkatiri chamou de “tentativa de golpe” por “forças estrangeiras”. A Austrália tinha soldados de tropas de “manutenção da paz” já presentes no Timor Leste, e treinara a oposição a Alkatiri. Segundo declarações da Força Australiana de Defesa a um embaixador europeu, comunicadas aos EUA em telegrama diplomático vazado por Wikileaks[2], o “primeiro objetivo” da Austrália no Timor Leste sempre foi “abrir e garantir acesso, para militares australianos”, de modo que possam atuar “para influenciar a tomada de decisões no Timor Leste”.  Nas eleições no Timor Leste em 2012 concorrem dois candidatos[3], um dos quais é Taur Matan Ruak, general do exército e homem de Canberra – um dos cabeças do golpe que, em 2006, derrubou Alkatiri. O Timor Leste é um pequeno país independente, farto em recursos naturais lucrativos e localizado em região altamente estratégica, do ponto de vista dos interesses dos EUA e de seu ‘xerife’ na região, a Austrália (nomeada como ‘xerife com plenos poderes’ por George W Bush). Isso ajuda a entender por que o regime de Suharto sempre recebeu tão empenhada atenção de seus patrocinadores ocidentais.  Hoje, a obsessão de Washington na Ásia é a China – que oferece aos países em desenvolvimento, investimentos, competências e infraestrutura, em troca de recursos. Em visita à Austrália, em novembro de 2011, o presidente Barack Obama lançou mais uma rajada de suas ameaças veladas à China, e anunciou o estabelecimento de uma base naval militar dos EUA em Darwin, praticamente ‘em frente’, por mar, do Timor Leste. Obama sabe que países pequenos, muito empobrecidos, são, muitas vezes, a maior ameaça que se ergue contra potências predatórias, porque, se esses países não forem intimidados e controlados, adeus obediência servil…

Artigo de John Pilger, 3/4/2012, The Statesman, UK
Tradução para portugués via Odiariio.info

NOTAS:
[1] Death of a Nation: The Timor Conspiracy, 1998, dir. John Pilger, 76’. Pode ser visto em http://johnpilger.com/videos/death-of-a-nation-the-timor-conspiracy Código (embedded)
[2] O telegrama pode ser lido (em inglês), em http://wikileaks.org/cable/2006/06/06LISBON1014.html#. Sobre repercussões, 5/5/2011, “WikiLeaks Australian Citizen Alliance”, em http://wikileaksaustraliancitizensalliance.net/2011/05/05/australia-incited-timor-unrest-wikileaks/ [NTs].
[3] “O primeiro turno das presidenciais no Timor Leste aconteceu dia 17/3 passado. O segundo turno, está marcado para 16/4/2012. Concorrem no segundo turno: Francisco Guterres Lu Olo, candidato apoiado pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin [de Al-Katiri]), e Taur Matan Ruak, ex-chefe das Forças Armadas, apoiado pelo Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), do primeiro-ministro Xanana Gusmão” (4/4/2012, de Dili, em português, em http://paginaglobal.blogspot.com.br/2012/04/timor-lesteeleicoesseguranca-em-todo-o.html) [NTs].

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Asi Es La Vida


Roberto Fonseca - Asi Es La Vida

Nação valente e imortal

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara.

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.
Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.

Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.

Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.

Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.
Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Suicídio em frente ao Parlamento V


O nome do morto hoje é Democracia, mas somos 11 milhões de vivos e o nosso nome é Resistência.
[nota encontrada por Emy, filha de Dimitris Christoulas, junto à árvore onde o seu pai tombou]

Um pouco de drama na tranquilidade de uma praça belga !

La ley Torricelli y el bloqueo a las telecomunicaciones de Cuba


A propósito del reporte anual del Departamento del Tesoro al Congreso de EE.UU sobre los activos confiscados a los estados y organizaciones calificadas por Washington como “terroristas”, que revela que ese país congeló a Cuba 245 millones de dólares durante el 2011, recuerdo que en el mes de octubre se cumplen veinte años de que fuera sancionada en el Congreso norteamericano la Ley Torricelli, promulgada por el ex presidente George Bush (padre) el 23 de octubre de 1992, en plena campaña electoral, con el propósito, entre otros, de ganarse al electorado de la Florida.
Es una de las expresiones más acabadas de la línea agresiva del imperio contra la Revolución cubana, al articular toda una retórica eufemística que enarbola conceptos como democracia, derechos humanos, economía de mercado, y, por supuesto, un reforzamiento del bloqueo impuesto desde inicios de la Revolución. Al mismo tiempo se pronunció a favor de “comunicaciones adecuadas entre ambos países”, en el interés de “promover cambios políticos en Cuba”.
En este contexto, en julio de 1993, el gobierno norteamericano hizo pública su nueva política de telecomunicaciones hacia Cuba, que se caracteriza por los aspectos principales siguientes:
  • Ratificó que la cuenta perteneciente a la empresa EMTELCUBA, por concepto del tráfico telefónico internacional entre los años 1966 a 1992 no fuera desbloqueada. Esta cuenta era de unos 122 millones de USD que sumados los intereses, más la cuenta bloqueada a favor del Banco Nacional de Cuba por otros conceptos, se elevó a unos 161,6 millones en el año 2000.
  • Ratificó la prohibición de adquirir por Cuba medios de comunicaciones en EE.UU., y de que las empresas del vecino del norte participaran en la modernización de la red nacional de telecomunicaciones de la mayor de las Antillas.
  • Autorizó la liquidación de cuentas entre empresas de telecomunicaciones de ambos países, aunque evitando la acumulación “excesiva” de ganancias en divisas por parte de empresas cubanas.
  • Fijación de forma arbitraria e impositiva de la tasa de distribución máxima a repartir entre las compañías de $1.20/minuto que aunque era la histórica debió haber sido determinada y acordada nuevamente por las compañías operadoras de ambos países, y no impuesta por el gobierno norteamericano.
De esta forma, se le da un carácter político a una cuestión puramente técnica y económica entre empresas. Es decir, la Ley Torricelli aboga por comunicaciones eficientes y adecuadas entre ambos países pero exige que el gobierno cubano no acumule beneficios que ellos consideren “excesivos”.
Aunque se autorizaba las llamadas familiares se limitaban las llamadas comerciales como las derivadas del turismo y continuaban confiscando activos de empresas cubanas.
Como se manifiesta con la confiscación de los activos cubanos en 2011, la administración de Barack Obama continúa la línea de sus antecesores y refuerza el injusto bloqueo económico y comercial contra Cuba en un año electoral en EE.UU.. Algo por lo que le vaticino momentos nada agradables en la próxima Cumbre de las Américas, a efectuarse esta semana en la ciudad colombiana de Cartagena de Indias.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Suicídio em frente ao Parlamento IV

MORRER DE PÉ NA PRAÇA SYNTAGMA

Quando se ouviu um tiro na Praça Syntagma,
logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.
Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,
a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,
e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos
de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.
Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.
Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,
que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.

Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,
um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,
um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais
do que isso. Era a personagem que faltava
a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo
se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima
da vida do que da imaginação de quem efabula.
Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali
para começar logo no instante seguinte sob a forma
de revolta que não encontra nas bocas
as palavras certas para conquistar a rua.
Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.

Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,
o mártir da Praça Syntagma pediu apenas
para não se renderem, para não se limitarem
a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria.
Não lhes pediu para imitarem o seu gesto,
mas sim que evitassem a sua trágica repetição.
E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,
sabendo-o já a salvo da humilhação
de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.
Até os deuses, na sua olímpica distância,
se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.
Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume,
pela ignomínia de quem se vende
para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.

A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,
para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma.
Estava livre. Tornara-se herói de tragédia
enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,
deusa tantas vezes idolatrada e venerada.
Assim se despedia um homem de bem,
com a coragem moral de quem o destino não vence.
Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,
Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,
uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu
e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,
de pé firme, porque nada tem a força de um homem
quando chega a hora de mostrar que tem razão”.
Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,
súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,
tão terreno e finito como qualquer homem com fome,
ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.


José Jorge Letria

The Sagan Series (part 5) - Decide To Listen

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Revolução Não Será Televisionada



O documentário A revolução não será televisionada, filmado e dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O’Briain, apresenta os acontecimentos do golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, na Venezuela. Os dois cineastas estavam na Venezuela realizando, desde setembro de 2001, um documentário sobre o presidente Hugo Chavez e o governo bolivariano quando, surpreendidos pelos momentos de preparação e desencadeamento do golpe, puderam registrar, inclusive no interior do Palácio Miraflores, seus instantes decisivos, respondido e esmagado pela espetacular reação do povo.

É apresentado o cenário em que se desencadeiam os acontecimentos de abril de 2002. A Venezuela está entre os cinco maiores países produtores de petróleo do mundo, sendo um dos maiores fornecedores dos Estados Unidos. Ao assumir a presidência, em 1998, Hugo Chavez passou a defender a distribuição dos rendimentos auferidos com o petróleo para investimentos sociais voltados à maioria do povo e intensificou as críticas às políticas liberais inspiradas nos EUA, o que levantou a ira das classes dominantes locais e do imperialismo norte-americano, acostumados a governos submissos.

A partir de então, o governo de Hugo Chavez e a “revolução bolivariana” passariam a enfrentar, diariamente, uma verdadeira cruzada na mídia empreendida pelos cinco canais de televisão privada do país. A cruzada foi respondida com o avanço da mobilização e a organização da grande massa de explorados do país, abrangendo mais de 80% da população pobre. Em 1999 foi aprovada, por meio de referendo popular, a nova Constituição da Venezuela. Ela ampliou a participação política das massas populares através da organização dos círculos bolivarianos pelos bairros e favelas.

Com bastante propriedade, o documentário consegue mostrar a permanente campanha de mentiras urdida pelos meios de comunicação contra o governo de Hugo Chavez, as relações da grande mídia com a elite econômica, militares dissidentes e a articulação dos EUA na manipulação dos fatos. Evidencia também a intervenção direta do imperialismo norte-americano na organização do golpe, em sua preparação e organização na embaixada americana em Caracas que foi, posteriormente, comprovada com documentos. Como disse o então diretor da CIA George Tenet, em entrevista na TV Venezuelana, dias antes do golpe, Chavez “não está preocupado com os interesses dos EUA”.

As articulações que envolveram a grande mídia na tentativa golpista foram por ela mesma reveladas, momentos depois de empossarem Pedro Carmona. Momentos, aliás, muito bem registrados no documentário: mostram a arrogância do procurador, designado por Carmona, ao anunciar a dissolução do Congresso, da Corte Suprema e revogar a Constituição, e depois de algumas horas, todo assustado, ao ser preso, num canto de uma sala do palácio.

Outro aspecto importante do documentário é a revelação da manipulação dos canais de televisão comerciais sobre os responsáveis pelos assassinatos dos manifestantes em 11 de abril de 2002. Todos os canais privados de televisão que, junto à imprensa escrita e radiofônica, justificaram o golpe de estado de 11 de abril com uma edição de imagens em que aparece um grupo de apoiadores de Chavez, situados na Ponte Llaguno de Caracas, realizando disparos. Estas imagens foram utilizadas para afirmar que "Chávez foi quem ordenou disparar contra a multidão". "A revolução não será televisionada" demonstra, ao apresentar a edição completa da seqüência de imagens (manipulada na edição das TVs), que os grupos situados sobre a Ponte Llaguno de Caracas respondem ao fogo de franco-atiradores (estes sim atiram nos manifestantes) e não disparam sobre os manifestantes.

O ponto alto do documentário é registrar a força das massas exploradas que derrotam os golpistas e restituem o governo a Hugo Chavez. O povo enfrentou e passou por cima de toda a mentira, fraude, manipulação da informação, da repressão iminente e mostrou que é mais forte. Não aceitou as “notícias”, recusou-as e saiu às ruas na manhã de sábado, 13 de abril, para denunciar que Chavez “não renunciou! Está seqüestrado!” e “não te queremos Carmona! Ladrão!”. Centenas de milhares de pessoas nas ruas cercam o Palácio Miraflores para exigir “Queremos a Chavez!” e clamar “Chavez amigo, o povo está contigo!”.

Um ponto importante a ser identificado e debatido: durante a noite do dia 11 de abril e na madrugada do dia 12, o Palácio Miraflores foi cercado e os golpistas ameaçaram bombardeá-lo caso Chavez não renunciasse.

Chavez resistia e afirmara que não renunciaria. As horas passam e o prazo dado pelos golpistas estava por terminar. A maioria do governo considerou que não havia saída: “O jogo acabou... é a vitória da morte” afirmara seu Ministro do Desenvolvimento. O Conselheiro Político expressou que “os adversários eram muito poderosos e não deu tempo... Não organizamos uma política de comunicações”. Por volta das 3:30 h da madrugada, Chavez comunica que sairia e se entregaria, mas sem renunciar, para ficar claro que se tratava de um golpe. Um sinal de que aquele não seria o desfecho final é manifestado pelo próprio Chavez, na saída do Palácio, diante da afirmação de um aliado que grita: “Presidente voltaremos”. Chavez afirma “Ora! Nem fomos embora”.

Porém a decisão de se retirar e ceder às chantagens revela uma certa subestimação da capacidade do povo empreender resistências vigorosas e múltiplas a ponto de derrotar os golpistas. E mais: indica que a organização das massas exploradas para resistir a estas situações não era uma possibilidade presente na consciência política das forças que apóiam o governo de Hugo Chavez. Portanto, não poderiam vislumbrá-la e dela lançar mão. Apenas se conformaram: “Não havia saída”, “O jogo acabou”. Para eles, não faltava uma política para organizar as classes dominadas, mas sim o que “não organizamos [foi] uma política de comunicações”.

A preparação e organização dos trabalhadores e das massas populares para fazer frente ao antagonismo das classes dominantes e do imperialismo norte-americano, que a luta de classes coloca na ordem do dia, não pode depender da iniciativa “espontânea” das massas exploradas. O fato de, neste episódio, elas terem se levantado e vencido o golpe não poderia justificar a manutenção desse nível de organização política. Debilidade que se evidenciaria perigosa para a defesa dos interesses do povo venezuelano.

Estes pontos estimulam todos os revolucionários e verdadeiros democratas a refletirem sobre a luta antiimperialista. A experiência recente da América Latina é rica neste sentido. Cabe aprender com os erros e não se contentar com as insuficiências que batalhas vitoriosas possam ocultar, desviando o povo do caminho da luta pela libertação nacional.

Ao contrário dos governos que estão até a alma comprometidos em garantir os interesses do capital financeiro internacional, o governo Chavez segue tomando medidas que atingem o imperialismo e as classes dominantes da Venezuela. Os acontecimentos registrados pelo documentário levaram o presidente Hugo Chavez e a maioria de seu governo a avançarem e implementarem medidas de estímulo à organização política do povo venezuelano a fim de resistir à ofensiva do imperialismo e impulsionar a “revolução bolivariana”.

Ficha Técnica:
Realizado por: Kim Bartley e Donnacha O’Briain
Irlanda, 2003.

Vidas #12


Mais vidas aqui.

domingo, 8 de abril de 2012

Operação Chumbo Impune

Israel é o país que nunca cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, e que viola as leis internacionais. Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel executa a matança de Gaza? Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da única super-potência mundial que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos? O artigo é do jornalista e humanista uruguaio Eduardo Galeano.


Para se justificar, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinianos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa.

Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polónia para evitar que a Polónia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinianos à espreita.

Israel é o país que nunca cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que viola as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelita, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinianos mortos, um israelita.

 Gente perigosa, adverte outro bombardeamento, a cargo dos meios massiços de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelita vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atómicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irão foi a que aniquilou Hiroxima e Nagasáqui.

A chamada “comunidade internacional”, existe?

É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adoptam quando fazem teatro? Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada aos palestinianos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, anti-semitas. Estão a pagar, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

Este artigo é dedicado aos meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino-americanas que Israel assessorou.
Artigo de Eduardo Galeano

A visita do Papa a Cuba: Muitos jornalistas, as mesmas mentiras de sempre - 2ª parte

 

A visita do Papa a Cuba: Muitos jornalistas, as mesmas mentiras de sempre.
(2ª parte: "liberdade religiosa", "marxismo" e "mudanças em Cuba")

sábado, 7 de abril de 2012

Olli Salumeria


A portrait of Olli Colmignoli, a fourth generation salumi maker.
Founded in 2010, Olli Salumeria brings the tradition of artisanal salumi-making from the old world to the new. Commissioned to film a portrait of one of the founders, Olli Colmignoli, we visited the team just outside Richmond, Virginia, to see how they make salumi (and sample some of their very delicious products). The result is a film that captures their passion for the centuries-old craft of curing meats, as well as the ways in which good food brings people together.

Bureau of Common Goods

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mente vagarosamente...

O que há a dizer

Porque guardo silêncio, há demasiado tempo,
sobre o que é manifesto
e se utilizava em jogos de guerra
em que no fim, nós sobreviventes,
acabamos como meras notas de rodapé.
É o suposto direito a um ataque preventivo,
que poderá exterminar o povo iraniano,
conduzido ao júbilo
e organizado por um fanfarrão,
porque na sua jurisdição se suspeita
do fabrico de uma bomba atómica.
Mas por que me proibiram de falar
sobre esse outro país [Israel] onde há anos
– ainda que mantido em segredo –
se dispõe de um crescente potencial nuclear,
que não está sujeito a qualquer controlo,
já que é inacessível a qualquer inspecção?
O silêncio geral sobre esse facto,
a que se sujeitou o meu próprio silêncio,
sinto-o como uma gravosa mentira
e coacção que ameaça castigar
quando não é respeitada:
“anti-semitismo” se chama a condenação.
Agora, contudo, porque o meu país,
acusado uma e outra vez, rotineiramente,
de crimes muito próprios,
sem quaisquer precedentes,
vai entregar a Israel outro submarino
cuja especialidade é dirigir ogivas aniquiladoras
para onde não ficou provada
a existência de uma única bomba,
se bem que se queira instituir o medo como prova… digo o que há a dizer.
Por que me calei até agora?
Porque acreditava que a minha origem,
marcada por um estigma inapagável,
me impedia de atribuir esse facto, como evidente,
ao país de Israel, ao qual estou unido
e quero continuar a estar.
Por que motivo só agora digo,
já velho e com a minha última tinta,
que Israel, potência nuclear, coloca em perigo
uma paz mundial já de si frágil?
Porque há que dizer
o que amanhã poderá ser demasiado tarde,
e porque – já suficientemente incriminados como alemães –
poderíamos ser cúmplices de um crime
que é previsível,
pelo que a nossa quota-parte de culpa
não poderia extinguir-se
com nenhuma das desculpas habituais.
Admito-o: não vou continuar a calar-me
porque estou farto
da hipocrisia do Ocidente;
é de esperar, além disso,
que muitos se libertem do silêncio,
exijam ao causante desse perigo visível
que renuncie ao uso da força
e insistam também para que os governos
de ambos os países permitam
o controlo permanente e sem entraves,
por parte de uma instância internacional,
do potencial nuclear israelense
e das instalações nucleares iranianas.
Só assim poderemos ajudar todos,
israelenses e palestinos,
mas também todos os seres humanos
que nessa região ocupada pela demência
vivem em conflito lado a lado,
odiando-se mutuamente,
e decididamente ajudar-nos também.

Gunter Grass  (Prémio Nobel de Literatura 1999) 

O original foi publicado no passado dia 4 de abril no diário Süddeutsche Zeitung , no The New York Times e no jornal italiano La Reppublica.
A tradução para português encontra-se em Jornal de Negócios.
Fonte:  http://resistir.info/

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Suicídio em frente ao Parlamento III




Carta encontrada no bolso de Dimitris Christoulas.


 Tradução para inglês:


The collaborationist Tsolakoglou government has annihilated my ability for my survival, which was based on a very dignified pension that I alone (without any state sponsoring) paid for 35 years.



Since my advanced age does not allow me a way of a dynamic reaction (although if a fellow Greek was to grab a Kalashnikov, I would be the second after him), I see no other solution than this dignified end to my life, so I don’t find myself fishing through garbage cans for my sustenance.


I believe that young people with no future, will one day take up arms and hang the traitors of this country at Syntagma square, just like the Italians did to Mussolini in 1945 (Piazza Loreto in Milan).



Note: Georgios Tsolakoglou was a Greek military officer who became the first Prime Minister of the Greek collaborationist government during the Axis Occupation in 1941-1942.


Suicídio em frente ao Parlamento II

Suicídio em frente ao Parlamento I

Na Praça Sintagma houve uma homenagem com velas e flores.
Fotografia de John Kolesidis/Reuters.



Era hora de ponta, faltava pouco para as 9h. Um homem – sabe-se que tinha 77 anos e que foi farmacêutico – dirigiu-se nesta quarta-feira para o quilómetro zero de Atenas com uma arma e um bilhete no bolso. Já a poucos metros do Parlamento, disparou. Uma testemunha contou à televisão estatal que ainda o ouviu gritar “não quero deixar dívidas aos meus filhos”, e terão sido estas as suas últimas palavras. No bilhete que trazia no bolso estava escrito “Sou reformado. Não posso viver nestas condições. Recuso-me a procurar comida no lixo, por isso decidi pôr fim à vida”. Depois acusou ainda o Governo de “aniquilar qualquer esperança de sobrevivência”. A notícia espalhou-se depressa, a mensagem percorreu as redes sociais e a Praça Sintagma, que já foi palco de tantos protestos contra as medidas de austeridade, voltou a encher-se de gente. Debaixo de uma árvore, ramos de flores e velas lembravam o que aconteceu, deram forma à indignação das centenas de pessoas que de juntaram ali. Houve quem deixasse mensagens de revolta. “Não foi um suicídio, foi um assassínio”, “Governo assassino” ou “quem será o próximo?” Sabia-se que o número de suicídios na Grécia tem vindo aumentar – os dados do Ministério da Saúde apontam para um aumento de 40% desde o início da crise e um relatório divulgado pela polícia referiu 622 suicídios em 2010 e 598 até 10 de Dezembro de 2011 (a média era 366 entre 2000 e 2008). Mas esta morte, junto à sede da democracia e em plena praça, emocionou o país. “Sinto-me triste. Ultimamente ocorrem muitos suicídios, na Grécia, mas este é especialmente triste pela situação em que morreu este homem”, disse à agência espanhola Efe Vassilis, de 33 anos. “Por este caminho de austeridade, a Grécia não vai bem”. Jronis, de 51 anos, sentiu revolta. “O que sinto é raiva. Porque isto é um assassínio e porque somos todos culpados: o Governo, a troika, a austeridade e os partidos de esquerda, que apoio, porque são incapazes de se unir e propor algo de novo, só se preocupam com os seus pequenos interesses.” O que aconteceu na Praça Sintagma “torna irrelevante e vão qualquer comentário político”, disse Evánguelos Venizelos, líder do partido socialista PASOK. À direita, o líder da Nova Democracia, Antonis Samarras, que as sondagens apontam como o favorito às eleições de Maio, disse ter ficado “devastado” com a notícia, e o principal responsável do ultradireitista Laos, Yorgos Karatzaferis, considerou que “quando há um suicídio na Sintagma é o fim, estalou a coesão social”. Na Grécia, pelo menos uma em cada cinco pessoas está no desemprego, muitas pensões sofreram cortes superiores a 25%. “É este o ponto a que nos trouxeram”, disse à Reuters Maria Parashou, de 54 anos, que se juntou à homenagem na praça. “Cortaram os nossos salários, humilharam-nos. Tenho uma filha desempregada, o meu marido perdeu metade do salário mas não me vou permitir perder a esperança.”

Fonte Público

A visita do Papa a Cuba: Muitos jornalistas, as mesmas mentiras de sempre - 1ª parte


A visita do Papa a Cuba: Muitos jornalistas, as mesmas mentiras de sempre.
(1ª parte:"presos políticos", "dissidentes" e o "exilio")

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"Estado de Sitio" de Salim Lamrani

Este libro presenta una realidad desconocida que los medios informativos encargados de seleccionar y descifrar la información tergiversan, ocultan deliberadamente, y muchas veces callan. Estos medios dominantes, múltiples pero unívocos, disimulan respecto a Cuba una realidad que Salim Lamrani se dedica a restituir aquí. Cierto, los “especialistas” institucionales de Cuba y los enviados “especiales” a La Habana mencionan la existencia de un “embargo” en sus comentarios sobre las dificultades que padece el pueblo cubano. Siempre de la misma forma: del modo más breve y vago posible, al final de una frase, con una sola palabra. No pueden negar la existencia de un embargo, pero en sus análisis actúan como si no existiera. Así, para ellos no parece necesario recordar sus orígenes (ni, de hecho, el nombre del Estado responsable), sus motivaciones cambiantes, su carácter ilegal, sus modalidades perversas, su duración insoportable, sus efectos deplorables. Para algunos, el embargo es un factor accidental, sin importancia, una circunstancia desprovista de sentido y de consecuencias. Cuando se dignan a hablar de él lo transforman en coartada e incluso en una ganga para Cuba. “¡Así se escribe la Historia!” diría Voltaire. Pero, ¡qué curiosa casualidad resulta esta convergencia! No se podría explicar, en 2011 menos que nunca, que la única causa del actual y grave estancamiento de Cuba se debe al bloqueo que han impuesto los gobiernos estadounidenses desde 1960. Las reformas drásticas que se llevan a cabo en Cuba demuestran lo contrario. Algunos pretenden que el gobierno cubano utiliza desde hace décadas y con fines propagandísticos las sanciones injustas que afectan a su pueblo, para minimizar sus propios errores y las carencias de su sistema. Convendría, en este caso, explicar entonces por qué el gobierno de Estados Unidos no las ha eliminado, como se lo pide todos los años la Asamblea General de la ONU de modo casi unánime, y que en octubre de 2010, 187 Estados (contra 2: Estados Unidos e Israel, y 3 abstenciones: Micronesia, Islas Marshall y Palau) se lo pidieron otra vez votando la resolución “Necesidad de levantar el bloqueo económico, comercial y financiero impuesto a Cuba por los Estados Unidos de América”. En efecto, el embargo resulta costoso e inútil y sus ejecutantes deberían rápidamente renunciar a él. Peor, el embargo proporciona un argumento cómodo al gobierno cubano y sería juicioso que sus instigadores lo suprimiesen enseguida. Ahora bien, lo mantienen –Demócratas como Republicanos, Obama como Bush– contra el deseo de las naciones, contra la opinión mayoritaria de los ciudadanos de su país, contra los intereses vitales de la población cubana víctima del estado de sitio. ¿Cómo? ¿Por qué? ¿Con qué finalidad? Salim Lamrani no se conforma con subrayar los daños humanos de este embargo de otro siglo (pensemos en el boicot de Haití) que dura desde hace medio siglo. Examina, punto por punto, las etapas de su elaboración y su reforzamiento, lo ubica en una perspectiva histórica y lo considera desde el punto de vista del derecho internacional. No le resulta difícil mostrar su injusticia. No obstante, lo hace sin énfasis, sin acrimonia, apoyándose, como de costumbre, en numerosas fuentes procedentes, en su mayoría, de documentos oficiales publicados en Estados Unidos. Así, el autor acumula hechos precisos, fechados, establecidos, y reproduce todo un abanico de opiniones autorizadas. Mesurado en el tono, sobrio en la palabra, es prolijo en la demostración. ¿Demasiado serio? Desde luego el asunto tratado no incita a la broma, pero uno sonríe aquí y allá al leer las tonterías ocasionadas por la aplicación estricta del embargo. Uno aprende de la pluma de los jueces estadounidenses que importar delfines de Cuba o vender pianos a Cuba son negocios que atentan contra los intereses y la seguridad interior de Estados Unidos. Lo ridículo no mata desde hace tiempo. Pero el bloqueo mata, sólo por la prohibición de introducir en Cuba medicinas insustituibles. Llámenlo como quieran –“bloqueo” o embargo–, las sanciones económicas que golpean a Cuba carecen de fundamento. Los pretextos bajo los cuales se justificaron en Washington se han desvanecido uno a uno. Además, ¿quién puede pretender que Cuba haya amenazado o amenace todavía a Estados Unidos? Todo el mundo sabe cuál de los dos Estados ha sido el agresor en el curso de la Historia y cuál ha sido el agredido, particularmente desde 1959. Todo el mundo sabe que la Bahía de Cochinos, donde intentaron desembarcar mercenarios en 1961, se encuentra en Cuba y no en California. Todo el mundo también sabe –o debería saber– que cuando se derrumbaron las Torres gemelas de Nueva York, el gobierno cubano brindó inmediatamente su colaboración, y cuando el ciclón Katrina devastó Nueva Orleans, las autoridades cubanas ofrecieron espontáneamente su ayuda desinteresada. A pesar del recrudecimiento del embargo… Los incontestables logros cubanos en los campos de la educación, la salud, la cultura y el deporte, se conquistaron también a pesar del embargo… El coste de éste, más allá del coste generado por las agresiones y las amenazas de intervención armada, fue evaluado en octubre de 2010 por el ministro cubano de Relaciones Exteriores, Bruno Rodríguez, en más de 750.000 millones de dólares (valor actual de esta moneda) por los pasados cincuenta años. Suma que permitiría saldar muchas deudas públicas, empezando por la de Cuba. A pesar de la incongruencia de este “Estado de sitio” permanente y de la enormidad de los sufrimientos que ocasiona, el autor no alza el tono, no ironiza, no invectiva, incluso se muestra gentil con el Presidente Barack Obama, al que reconoce las medidas favorables para suavizar las condiciones de los viajes a Cuba. ¡Pero cuánto saldría engrandecido Obama de su estancia en la Casa Blanca si ordenara el levantamiento total del embargo! El Premio Nobel que recibió antes de lo debido aparecería merecido. Francia, mediante su representante en la ONU, vota regularmente a favor de la resolución que promueve el levantamiento de este embargo. Pero el compromiso de Francia se detiene allí, mientras que en otras partes, en África o en Asia, promueve con ganas una política dura de “protección de las poblaciones civiles” que elabora, por desgracia, de modo totalmente inadecuado. Salim Lamrani no nos dice lo que debemos hacer. Pero su exposición rigurosa sería inútil si los amigos de la Justicia y el Derecho no la usaran. Hay que difundir este libro convincente, implacable y fuerte. Hay que indignarse por el mantenimiento de este estado de sitio, combatirlo y contribuir así a su levantamiento incondicional.

Prefacio de Paul Estrade, del libro "Estado de Sitio" de Salim Lamrani
Fonte: blog La Isla Desconocida