quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O livro perdido de Saramago



El primer libro que escribió José Saramago nunca vio la luz. Hasta ahora, 59 años después. Se titula Claraboya y lo publicará Alfaguara a partir de mañana jueves. Una novela rechazada por los editores de entonces, extraviada luego y recuperada ahora cuyo primer capítulo te adelantamos en exclusiva en este blog de EL PAÍS. Al final del blog un vídeo de la Fundación Saramago sobre la novela. A continuación la historia del manuscrito.

EL PAÍS 29/02/2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Silenciar os Críticos

A ideia de que os EUA são uma democracia quando não têm, em absoluto, uma imprensa que funcione como um observador atento, é risível. Mas os media não se estão a rir. Estão a mentir. Tal como o Governo, cada vez que os grandes meios de comunicação abrem a boca ou escrevem uma palavra, estão a mentir. De facto, os grandes senhores corporativos pagam aos seus empregados para mentir. É esse o seu trabalho. Se disserem a verdade, passam à história, como foi o caso de Buchanan e Napolitano e Helen Thomas.
Em 2010, o FBI invadiu a casa de activistas pela paz em vários estados e apreendeu bens pessoais, no que chamou (e tendo orquestrado falsos “grupos terroristas”) de investigação de “actividades relacionadas com o apoio ao terrorismo”. Os que protestavam contra a guerra foram intimados a depor perante um júri, enquanto a acusação fabricava o argumento de que a oposição às guerras de agressão de Washington representa apoiar e encobrir terroristas. O objectivo destas buscas e intimações era refrear e desmobilizar o movimento anti-guerra.  Na semana passada, de uma assentada, os últimos dois críticos do imperialismo de Washington / Tel Aviv foram eliminados dos grandes meios de comunicação social. O popular programa de Andrew Napolitano, Freedom Watch, foi cancelado pelo canal Fox, e Pat Buchanan foi despedido da MSNBC. Ambos especialistas tinham muitos espectadores e eram apreciados por falarem com franqueza.  Muitos suspeitam de que Israel usou a sua influência junto dos anunciantes da TV para silenciar os que criticam os esforços do governo israelita para levar Washington para a guerra com o Irão. A questão é que a voz dos grandes meios de comunicação é agora uniforme. Os norte-americanos ouvem uma voz, uma mensagem, e a mensagem é propaganda. A dissidência é tolerada apenas em assuntos como, por exemplo, saber se os cuidados de saúde a cargo dos empregadores deverão incluir contraceptivos. Os direitos constitucionais foram substituídos por direitos a preservativos grátis.

Os média ocidentais demonizam aqueles a quem Washington aponta o dedo. As mentiras chovem para justificar a agressão de Washington: os Talibã são misturados com a Al-Qaeda, Sadam Hussein tem armas de destruição massiva, Kadhafi é um terrorista e, ainda pior, dava Viagra aos seus soldados para que violassem as mulheres líbias. O Presidente Obama e membros do Congresso, ao lado de Tel Aviv, continuam a afirmar que o Irão está a construir uma arma nuclear, apesar de terem sido publicamente desmentidos pelo Secretário de Estado da Defesa dos EUA, Leon Panetta, e pelo relatório dos Serviços Secretos da CIA. De acordo com relatórios noticiosos, o chefe do Pentágono, Leon Panetta, disse aos membros da Câmara dos Representantes, a 16 de Fevereiro, que “Teerão não tomou uma decisão quanto a prosseguir com o desenvolvimento de uma arma nuclear” (http://www.denverpost.com/nationworld/ci_19978801?source=rss).

No entanto, em Washington, os factos não contam. Apenas os interesses materiais de poderosos grupos de interesse tem importância. Neste momento, o ministério da verdade [1] norte-americano divide o seu tempo entre mentiras relativas ao Irão e à Síria. Houve recentemente algumas explosões na longínqua Tailândia e o Irão foi responsabilizado por isso. Em Outubro passado, o FBI anunciou a descoberta de uma conspiração iraniana para pagar a um vendedor de carros usados mexicano que teria contratado traficantes de droga mexicanos para matar o embaixador da Arábia Saudita nos EUA. O imbecil que falava pela Casa Branca afirmou acreditar nesta inacreditável conspiração e declarou ter “fortes evidências”, mas nenhuma foi divulgada. O objectivo do anúncio desta conspiração foi justificar as sanções de Obama, que representam um embargo (um acto de guerra) contra o Irão pelo desenvolvimento de energia atómica.

Como um dos signatários do Tratado de Não-proliferação Nuclear, o Irão tem o direito de desenvolver energia nuclear. Os inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) estão permanentemente no Irão e nunca reportaram qualquer desvio de material nuclear para um programa de armas. Por outras palavras, de acordo com os relatórios da AIEA, o relatório dos Serviços Secretos e o actual Secretário de Estado da Defesa, não há evidência de que o Irão tenha armas nucleares ou de que esteja a fabricá-las. No entanto, Obama impôs sanções ao Irão quando a própria CIA e o seu próprio Secretário de Estado da Defesa, em simultâneo com a AIEA, reportaram que não existe base para as sanções. A ideia de que os EUA são uma democracia, não tendo, em absoluto, uma imprensa que funcione como um observador atento é risível. Mas os média não se estão a rir. Estão a mentir. Tal como o Governo, cada vez que os grandes meios de comunicação abrem a boca ou escrevem uma palavra, estão a mentir. De facto, os grandes senhores corporativos pagam aos seus empregados para mentir. É esse o seu trabalho. Se disserem a verdade, passam à história, como foi o caso de Buchanan e Napolitano e Helen Thomas.  O ministério da verdade chama “manifestantes pacíficos brutalizados pelo exército de Assad” ao que são, na verdade, rebeldes armados e financiados por Washington. Washington fomentou uma guerra civil. Reclama a intenção de salvar o povo sírio, vítima de opressão e maus-tratos, de Assad, tanto quanto salvou o povo Líbio, vítima de opressão e maus-tratos, de Kadhafi. Hoje, a Líbia “libertada” é uma imagem do seu passado, aterrorizada por milícias em confronto. Graças a Obama, mais um país foi destruído. Os relatórios de atrocidades cometidas contra civis sírios pelo exército poderão ser verdadeiros, mas provêm dos rebeldes que querem a intervenção do Ocidente para subirem ao poder. Além disso, em que diferem estas baixas civis das infligidas a civis no Bahrein pelo seu governo, apoiado pelos EUA, e cujo exército foi reforçado com tropas da Arábia Saudita? Não se ouvem protestos na imprensa ocidental quando Washington fecha os olhos às atrocidades cometidas pelos seus estados fantoches.  Em que diferem as atrocidades sírias, se forem reais, das atrocidades de Washington no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, no Iémen, na Líbia, a Somália, em Abu Ghraib, na Prisão de Guantánamo, e em prisões secretas da CIA? Porque se mantém o ministério da verdade norte-americano em silêncio em relação a estas violações dos direitos humanos massivas e sem precedentes? Recordem-se também os relatórios das atrocidades sérvias no Kosovo que Washington e a Alemanha usaram para justificar o bombardeamento de civis sérvios pela NATO e EUA, incluindo o consulado chinês, considerado outro dano colateral. 13 anos mais tarde, um destacado programa de TV alemão revelou que as fotografias que despoletaram a campanha de atrocidades foram mal interpretadas e não eram fotografias de atrocidades cometidas por sérvios, mas de separatistas albaneses mortos num tiroteio entre albaneses e sérvios. As baixas sérvias não foram reveladas. http://www.freenations.freeuk.com/news-2012-02-19.html

O problema no conhecimento da verdade é que os media ocidentais mentem continuamente. Nas raras instâncias em que as mentiras são corrigidas, isso acontece sempre muito depois dos acontecimentos terem tido lugar e, portanto, os crimes permitidos pelos média já estão consumados. Washington pôs a Síria em causa perante os seus fantoches da Liga Árabe, com o objectivo de a isolar perante os seus congéneres, para melhor poder atacá-la. Assad evitou que Washington pusesse a Síria no caminho da destruição quando marcou um referendo nacional para 26 de Fevereiro por uma nova constituição que possa alargar a perspectiva de poder para além do Partido Baath (o partido de Assad).  Poderíamos pensar que, se Washington e o seu ministério da verdade realmente quisessem a democracia na Síria, Washington apoiaria este gesto de boa vontade por parte do partido do poder e aprovaria o referendo. Mas Washington não quer um estado democrático. Quer um estado fantoche. A sua resposta é de que o covarde Assad enganou Washington dando passos em direcção à democracia na Síria antes que Washington consiguisse esmagá-la e instalar um fantoche. Eis a resposta de Obama às medidas de Assad pela democracia: “É na verdade risível; é gozar com a revolução síria”, disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney a bordo do Air Force One. Obama, os neoconservadores e Tel Aviv estão realmente contrariados. Se Washington e Tel Aviv conseguirem descobrir como contornar a Rússia e a China e derrubar Assad, irão julgá-lo como criminoso de guerra por propor um referendo democrático.  Assad era oftalmologista em Inglaterra até que o seu pai morreu e ele foi chamado para chefiar o conturbado governo sírio. Washington e Tel Aviv demonizaram Assad por recusar ser seu fantoche. Outro ponto nevrálgico é a base naval russa em Tartus. Em Washington estão desesperados para expulsar os russos da sua única base no Mediterrâneo, para fazer deste um lago norte-americano. Washington, inculcada com visões neoconservadoras de domínio mundial, quer o seu próprio mare nostrum [2] Se a União Soviética ainda existisse, os planos de Washington para Tartus seriam suicidários. Mas a Rússia é política e militarmente mais fraca que a União Soviética. Washington infiltrou-se na Rússia com organizações não-governamentais que trabalham contra os interesses da Rússia e irão perturbar as próximas eleições. Além disso, as “revoluções coloridas” [3] financiadas por Washington fizeram do que eram partes da antiga União Soviética estados fantoches de Washington. Washington não espera que a Rússia, esvaziada de ideologia comunista, prima o botão nuclear. Deste modo, a Rússia está lá para tirar proveito. A China representa um problema mais difícil. O plano de Washington é cortar-lhe o acesso a fontes independentes de energia. O investimento chinês em petróleo no leste da Líbia é a razão pela qual Kadhafi foi derrubado e o petróleo é uma das razões fundamentais por que Washington aponta agora para o Irão. A China tem grandes investimentos em petróleo no Irão e vai buscar 20% do seu petróleo ao Irão. Vedar-lhe este acesso, ou converter o Irão num estado fantoche de Washington, ameaça 20% da economia chinesa.

A Rússia e a China levam tempo a aprender. No entanto, quando Washington e os seus fantoches na NATO fizeram um uso abusivo da resolução da ONU relativamente à zona de exclusão área na Líbia infringindo-a e transformando-a numa agressão militar contra as forças armadas líbias, que tinham todo o direito de reprimir uma rebelião apoiada pela CIA, a Rússia e a China finalmente perceberam que não podem confiar em Washington. Desta vez, a Rússia e a China não caíram na armadilha de Washington. O seu veto no Conselho de Segurança da ONU impediu um ataque militar à Síria. Agora Washington e Tel Aviv (nem sempre é claro quem é o fantoche e quem o manipula) têm de decidir se irão prosseguir face à oposição russa e chinesa.


Os riscos para Washington multiplicaram-se. Se Washington prosseguir, a mensagem que é transmitida à Rússia e à china é que, a seguir ao Irão, chegará a sua vez. Portanto, a Rússia e a China, ambas dispondo de armas nucleares, provavelmente irão pôr o pé na linha traçada sobre o Irão. Se os loucos militaristas em Washington e Tel Aviv, com a fúria arrogante que lhes corre forte nas veias, ignorarem a oposição russa e chinesa, o risco de um confronto perigoso aumenta. Por que razão os média norte-americanos não questionam estes riscos? Vale a pena rebentar o planeta para impedir o Irão de ter um programa de energia nuclear ou mesmo uma arma nuclear? Pensará Washington que a China ignora que aquela aponta para as suas fontes de energia? Pensará que a Rússia ignora que está a ser cercada de bases militares hostis?  Que interesses estão a ser servidos pelas guerras infinitas de Washington, que custam tantos triliões de dólares? Certamente não os interesses de 50 milhões de norte-americanos que não têm acesso a cuidados de saúde, nem os 1 500 000 crianças sem abrigo, que vivem em carros, quartos de motéis abandonados, cidades de acampamentos e colectores de águas dos temporais no subsolo de Las Vegas, enquanto enormes somas de dinheiros públicos são usados para resgatar bancos e esbanjados em guerras pela hegemonia mundial. http://www.youtube.com/watch?v=suJCvkazrTc

Os EUA não têm imprensa e televisão independentes. Tem prostitutas mediáticas [4] pagas pelas mentiras que proferem. O Governo dos EUA, na prossecução dos seus fins imorais, obteve o estatuto do governo mais corrupto da história da humanidade. E no entanto, Obama discursa como se Washington fosse a fonte da moral do homem.  O Governo dos EUA não representa os norte-americanos. Representa uns poucos interesses especiais e um poder estrangeiro. Os cidadãos dos EUA não contam, e certamente não contam os do Afeganistão, Iraque, Líbia, Somália, Iémen e Paquistão. Washington encara a verdade, a justiça e a misericórdia como valores risíveis. O dinheiro, o poder, a hegemonia, são tudo o que conta para Washington, a cidade sobre a colina, a luz das nações, o exemplo para o mundo.

Notas da tradução:
[1] Trata-se de um dos ministérios do governo imaginado por George Orwell em 1984, que se ocupa de fabricar a verdade histórica conforme as conveniências políticas do momento.
[2] Os Romanos chamavam Mare Nostrum ao Mediterrâneo.
[3] “Revoluções coloridas”: muitos meios de comunicação social têm assim designado uma série de manifestações políticas no que foi território da URSS, depois CEI, supostamente contra governos e líderes “tiranos”, acusados de serem “ditadores”, etc., desde começos da década de 2000.
[4] No original: “presstitutes”


Artigo de Paul Craig Roberts
Tradução: de André Rodrigues P. da Silva para ODiario.info

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Filhos da Madrugada


Filhos da Madrugada

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor nos ramos
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praia do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

[nos 25 anos da morte de José Afonso]

De Skate pela India...



Cantar Alentejano



[nos 25 anos da morte de José Afonso]

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A verdade, esse problema

O número de vezes que Passos Coelho garantiu que "este Governo não pedirá mais tempo nem mais dinheiro" à UE e FMI só deve ser comparável ao número de vezes que, durante a campanha eleitoral, garantiu que, com o PSD no Governo, não haveria aumentos de impostos. Só que se soube que, enquanto Passos Coelho garantia isso, o seu Governo ia desenvolvendo contactos para... pedir mais tempo e mais dinheiro.
 
 
O empobrecimento do país que o actual primeiro-ministro se propõe (ele próprio o confessou, num dia em que, como o outro, se achou mais pachorrento) tem sido marcado por tantos e tão lamentáveis episódios que a conversa de Vítor Gaspar com o ministro alemão das Finanças sobre a renegociação do programa da "troika", gravada pela TVI, suscitou só uma polémica mansa, logo esquecida mal surgiu a polémica seguinte.
 
 
Passos Coelho nem sequer é original; a mentira tornou-se coisa "normal" na prática política. A sua única originalidade é talvez o facto de ter sido eleito acusando o anterior primeiro-ministro de mentir.
 
 
A UE, porém, leva as aparências a sério. Assim, decidiu suspender por um mês o jornalista da TVI que apanhou Gaspar a dizer em voz baixa o contrário do que diz em voz alta. E na reunião de ontem do Eurogrupo já pôs em vigor novas regras limitativas do trabalho dos jornalistas. Era o que faltava, que os media revelassem verdades, em vez de serem câmaras de eco acríticas das declarações oficiais.

Texto de Manuel António Pina, no JN.

Django Django

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Bombeiros x Polícias


Centenas de bombeiros romperam as linhas policiais à mangueirada contra os polícias que impediam o acesso ao gabinete do  primeiro-ministro em Bruxelas.  Os bombeiros exigiam a manutenção da sua idade da reforma nos 58 anos, afirmando que o seu trabalho árduo não permite que trabalhem até aos 60 anos como pretende o governo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Havana Cultura "The Search Continues"


Polícia grega quer prender responsáveis da UE e do FMI



ATENAS, 10/Fev 10 (Reuters) – O maior sindicato da polícia grega ameaçou emitir mandatos de prisão dos responsáveis pelo país da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional por exigirem medidas de austeridade profundamente impopulares. Numa carta obtida pela Reuters na sexta-feira, a Federação da Polícia Grega acusou os responsáveis de "... chantagearem, abolindo encobertamente ou corroendo a democracia e soberania nacional" e afirmou que um dos seus objectivos seria o principal responsável pela Grécia do FMI, Poul Thomsen. A ameaça é em grande medida simbólica uma vez que peritos legais dizem que um juiz deve autorizar antes tais mandatos de prisão, mas mostra a cólera profunda contra prestamistas estrangeiros que exigiram cortes de salários e pensões drásticos em troca de fundos para manter a Grécia a flutuar. "Uma vez que vocês estão a continuar esta política destrutiva, nós os advertimos de que vocês não podem fazer-nos combater contra os nossos irmãos. Recusamos actuar contra nossos pais, nossos irmãos, nossos filhos ou qualquer cidadão que proteste e exija uma mudança de política", disse o sindicato, o qual representa mais de dois terços dos polícias gregos. "Nós vos advertimos de que como representantes legais dos policias gregos, emitiremos mandatos de prisão por uma série de violações legais ... tais como chantagem, abolição encoberta ou corrosão da democracia e soberania nacional". A carta também foi dirigida ao chefe da missão do Banco Central Europeu na Grécia, Klaus Masuch, e ao antigo inspector chefe para a Grécia da Comissão Europeia, Servaas Deroose. Os polícias gregos têm aguentado o impacto da cólera de manifestantes em massa compacta que frequentemente marcham para o parlamento e chocam-se com a polícia anti-motins. Cantos de "Polícias, porcos, assassinos!" são frequentemente entoados aos guardas da polícia ou garatujados em paredes. No protesto mais recente de sexta-feira passada, milhares de manifestantes concentraram-se em Atenas – desta vez contra novas medidas de austeridade que incluem um corte de 22 por cento no salário mínimo. Um responsável do sindicato policial disse que a ameaça de "recusarem-se a actuar contra" companheiros gregos era uma expressão simbólica de solidariedade e não significava que a política suspendesse seus esforços para travar protestos que saíssem do controle.

O original encontra-se em www.montrealgazette.com/

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/

"We Teach Life, Sir"




Rafeef Ziadah - "We Teach Life, Sir"

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Grécia a Ferro e Fogo

Fotografia de LOUISA GOULIAMAKI (AFP)

Fotografia de Milos Bicanski (GETTY)

Fotografia de ANGELOS TZORTZINIS (AFP)
Fotografia de ARIS MESSINIS (AFP)
 Fotografia de LOUISA GOULIAMAKI (AFP)
Fotografia de MILOS BICANSKI (GETTY)

Fotografia de ANGELOS TZORTZINIS (AFP)


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Algumas considerações sobre o Irão e a Síria

“Essa é outra armadilha em que caem os esquerdistas tontos, idiotas úteis que condenam sempre a Síria, sem entender que se trata de um esforço imperialista para repetir a experiência da Líbia, onde hoje o caos impera. O povo perdeu todos os benefícios e empregos que tinha durante o governo de Kadhafi. O mesmo poderá acontecer na Síria. Por esta razão, a maioria do país não quer esta intervenção”.
Actualmente, é recorrente que o Irão vai cortar as exportações de petróleo à Grécia, Espanha e Itália, como forma de antecipar o embargo anunciado pelos países europeus. Mais uma vez os países imperialistas da Europa estão tomando decisões que vão prejudicar o sul da Europa. Os países líderes não serão afectados por uma possível restrição sobre as exportações do Irão, pois recebem o seu petróleo da Arábia Saudita, da Rússia e de outras partes.
Por esta razão, agora existe um perigo. Caso a Europa anuncie um embargo contra o Irão, o mesmo irá cortar as exportações e colocar grande parte da Europa imersa numa crise ou, pelo menos, aprofundar a situação catastrófica existente.
Isso mostra que o Irão não está disposto a entregar-se aos países imperialistas. O Irão está capacitado para exportar petróleo para a Ásia, não dependendo da Europa. A Europa só constitui 18% do mercado do Irão. E, se os europeus impuserem um embargo, seguindo a liderança do império norte-americano, a China poderá comprar mais petróleo do Irão, assim como a Índia e outros países da Ásia.
Isso mostra, mais uma vez, que o Irão tem a capacidade de enfrentar o imperialismo, tomar medidas de defesa e contestar as agressões.
E, além disso, ouvimos muitas vezes falar do projecto de armas nucleares no Irão. Hoje, o Irão declarou estar disposto a aceitar que os investigadores das Nações Unidas tenham acesso a qualquer centro nuclear, interroguem qualquer cientista e possam investigar qualquer documento. Isso mostra a transparência do Irão e como as acusações, principalmente as movidas pelos EUA e por Israel, são falsas e fabricadas para montar campanhas de difamação. O Irão não possui programa nuclear, isso é consensual entre todos os especialistas.
Agora, o que dizem os Estados Unidos é que, no futuro, poderão ter… Como é que os EUA conhecem o futuro, quando não sabem nem como manejar as suas próprias políticas orçamentais do dia a dia? Aí, outra vez, devemos defender o direito do Irão em prosseguir como país independente, contra todas as agressões do mundo imperialista.
Isso não implica que devamos aprovar o carácter religioso que influencia a sua política. Uma coisa é que o Irão tenha que mudar sua forma de governar, outra coisa é os países imperialistas lançarem campanhas militaristas contra um país pacífico.
Isso leva-nos a outra contradição relacionada com a Síria. A Síria é um país independente, soberano e secular. Agora, encontra-se sob ataque armado. Ultimamente, as fotos publicadas nos jornais mostram pessoas encapuzadas, com metralhadoras, atirando sobre os soldados e contra o governo, ocupando os subúrbios de Damasco, a capital. Todas as sondagens e estudos de opinião mostram que na grande cidade de Alepo e também em Damasco a grande maioria está contra os terroristas, os mercenários tentam derrubar o governo através da força e da violência. Em todas as reportagens não são mencionados quantos civis estes terroristas matam, não são mencionados quantos soldados são assassinados. Só falam de vítimas. E vítimas, para eles, são apenas as da oposição e não as vítimas que apoiam o governo e os sectores militares.
Essa é outra armadilha em que caem os esquerdistas tontos, idiotas úteis que condenam sempre a Síria, sem entender que se trata de um esforço imperialista para repetir a experiência da Líbia, onde hoje o caos impera. O povo perdeu todos os benefícios e empregos que tinham durante o governo de Kadhafi. O mesmo poderá acontecer na Síria. Por esta razão, a maioria do país não quer esta intervenção.
E quero acrescentar uma coisa, pois muitos outros mostram que existem sírios nas ruas, protestando contra o governo. Historicamente, a conquista imperial no mundo passa pelo uso de mercenários… França, Inglaterra e agora os Estados Unidos utilizam colaboradores nacionais, internos e, especialmente, importam mercenários de outros países para fazer o trabalho sujo.
Tenho estado a ler uma história do império inglês e, na conquista do país hindu, foram centenas de milhares de mercenários quem conquistou a Índia. Depois, utilizaram os hindus para conquistar a África. E depois trataram de montar um ataque, no século XIX, para conquistar a América Latina, onde fracassaram.
Porém, esta é a utilização dos mercenários e, mesmo procurando dar-lhe uma roupagem progressista é uma táctica velha com 300 anos de uso, já que os países europeus, historicamente, costumam utilizar somente oficiais militares para dirigir tropas de mercenários e é isso que agora está a ser repetido.

Comentários de James Petras para a CX36 Rádio Centenário, no Uruguai.
Tradução em português via diario.info

Manifestação de 11 de Fevereiro (III)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Viagem da Bagagem !

Cuba 1970


Dead Combo, Cuba 1970

J. Edgar e o terrorismo do filme



J. Edgar, o novo filme de Clint Eastwood, é um verdadeiro filme de terror, é um acto de violência, um acto de terrorismo. A cuidadosa construção do filme sobre J. Edgar Hoover, fundador do FBI, como um herói com defeitos sim mas justificáveis, em vez dum canalha a desempenhar as tarefas de uma instituição canalha atingiu as salas de cinema com a precisão rigorosa de um drone predador telecomandado e com igual intenção política. Enquanto antigos antagonismos provocam novas e ameaçadoras reacções, enquanto surgem novas gerações que, por sua vez, fazem perguntas sérias sobre o planeta, a igualdade, a justiça e a auto-determinação, sejam ocupantes ou descolonizadores, Hoover regressa da morte para lembrar aos liberais, aos ricos, ao Branco que o seu lugar no topo da pirâmide social é legítimo e deve ser protegido a qualquer custo. E seja o que for que disserem, eles adoram-no. E é por isso que grande parte da discussão em torno do filme está concentrada na vida sexual de Hoover, digna de um prémio de representação. Uma ignorância intencional permite que se admire uma tal monstruosidade política. Desde o início, Hoover é representado positivamente como um organizador bem necessário e severo da imposição da lei, um protegido dos ataques do advogado General Palmer, contra os violentos terroristas radicais da época. E, em conformidade com o modo e a função dos meios de comunicação convencionais, esses dissidentes não merecem qualquer contexto, descrição ou reflexão honesta. Os bolcheviques, os anarquistas e os activistas dos movimentos laborais quase não são referidos e apenas quando necessário para legitimar o desejo de Hoover de catalogar e vigiar todos os cidadãos para depois deportar, aprisionar fraudulentamente ou assassinar aqueles que considera ameaças para a segurança nacional. E, obviamente, apenas a violência deles é uma violência real. Claro que a violência da exploração capitalista e das guerras imperialistas não são postas em questão. Não. Só as acções dos inimigos são questionáveis. O que acaba por ficar sem ser posto em causa é a tentativa correcta, mesmo que imperfeitamente executada, do estado e de Hoover para pôr em ordem o trabalho da polícia e uma sociedade destinada por direito divino a ser acima de tudo Branca e capitalista. Assim, o filme faz apenas uma breve e menor referência aos radicais Brancos. Os activistas negros nem sequer aparecem. E porque haviam de aparecer? Os Brancos radicais, como Emma Goldman, apenas aparecem rapidamente no ecrã para justificar a hostilidade actual para com os imigrantes e as chamadas campanhas anti-terrorismo. A deportação de Goldman e a referência de passagem aos anarquistas assassinados Sacco e Vanzetti, que nunca são referidos pelo nome mas apenas como os "dois italianos", apenas servem para conferir legitimidade a Hoover no passado e aos assassínios premeditados, detenções e políticas de imigração do presente. Deportar aqueles que não é possível matar. Feito isso, nem sequer há necessidade de referir, por exemplo, Hubert Henry Harrison ou Marcus Garvey, ambos alvos precoces de Hoover, a quem ele chamava "chulos racistas" e "conhecidos agitadores pretos". E, por causa duma necessidade inexplicável deste filme em se deter nos aspectos mundanos da carreira de Hoover, o filme dá-se ao luxo de pura e simplesmente esgotar o seu tempo. Assim, gasta infindáveis minutos com o rapto do bebé de Lindbergh – sem qualquer referência às crenças de Charles Lindbergh sobre a eugenia e o nazismo – juntamente com uma visão íntima sobre a vida pessoal de Hoover com a sua mãe e com o companheiro dele, o que garante ficarmos sem nada saber sobre o Partido dos Panteras Negras, ou sobre a vigilância e deportação de pessoas como Claudia Jones e C.L.R. James, ou sobre a culpabilidade nos assassínios de, digamos, Malcom X e Fred Hampton (para só falar destes). O Dr. King só aparece como antecedente pornográfico, a sua política e assassínio parecem ser irrelevantes. E a palavra "contra-informação" é referida no filme apenas uma vez mas não como o Programa de Contra Informação de Hoover e obviamente sem qualquer análise do impacto continuado desse programa. Portanto, claro que não podia existir qualquer referência ao envolvimento directo de Hoover nas tramóias incriminando negros radicais por crimes que não praticaram mas pelos quais alguns continuam encarcerados, ainda hoje, em 2011. Muito em especial numa altura de poder policial militarista ampliado e de profundo encanto de um presidente imperialista, este filme representa um ataque violento contra a história com o objectivo de aterrorizar as audiências de hoje reforçando um medo irracional do estado ou uma justificação igualmente irracional para aquilo que o estado faz para sua própria preservação. Não se trata de um simples drama histórico, é um aviso flagrante para a actualidade. Os imigrantes e os radicais têm que ser vigiados, deportados, mortos ou aprisionados e tudo isso por uma boa razão, ou seja, os Estados Unidos.

Texto de Jared Ball, na versão portuguesa em resistir.info

Cycle-Skating



Cycle-Skating (1923)