quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

6df Galaxy Survey fly through


The 6dF Galaxy Survey has collected more than 120,000 redshifts over the southern sky over a 5 year period from 2001 to 2005. Its goal is to map our southern view of the local universe, and use the peculiar motions of one-tenth of the survey to measure galaxy mass. It covers more than eight times the sky area of the successful 2dF Galaxy Redshift Survey.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Democracia Corinthiana





No meio de uma estrutura falida e conservadora, um clube brasileiro consegue alterar as regras do jogo. Não em títulos, mas em condições dignas de trabalho baseadas no diálogo e no respeito.

Através de decisões coletivas, o grupo reparte igualmente responsabilidades e cumplicidades. Alcança visibilidade e a capacidade de provocar a reflexão numa sociedade que ainda luta contra a opressão da ditadura militar. O futebol, taxado de alienante, é agora mobilizador social e ergue a bandeira da democracia. Uma Democracia Corinthiana!

Homenagem ao Sócrates, o capitão da democracia corinthiana (1954-2011).

O Governo, SA


Excerto da conferência de imprensa de Daniel Estulin no Parlamento Europeu no dia 1.12.2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O ministro de Tudo


O ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, tem vindo progressivamente a assumir-se como o ministro de Tudo e Mais Alguma Coisa. Poderia pensar-se que sofreria da voraz síndroma "cheliomyrmex andicola", também dita síndroma da marabunta; mas não: o próprio Passos Coelho nele delegou, satisfazendo o seu insaciável apetite político, competências em áreas tão dispersas quanto as da igualdade de género, administração local, desporto, diálogo intercultural ou juventude, permitindo-lhe igualmente atribuir subsídios, condecorações, pensões por serviços excepcionais e relevantes e, até, a "pensão por méritos excepcionais na defesa da liberdade e da democracia", matéria em que o ministro Relvas exibe, como se sabe, invejável currículo.

Para além disso, falando Passos Coelho frequentemente por parábolas, a Miguel Relvas cabe ainda a interpretação autêntica das suas palavras. Assim, já veio explicitar que os portugueses que sigam o conselho do primeiro-ministro e emigrem rapidamente e em força para Angola ou Brasil (Relvas acrescenta Moçambique) aí encontrarão o Eldorado, pois"os portugueses [que] têm uma visão universalista têm sempre sucesso".

A emigração de jovens "portugueses com formação superior" para esses países deve porém ser, frisa Paulo Rangel, uma "segunda solução". A primeira é, obviamente, tentar emigrar para o PSD e, daí, para um "job" num instituto ou numa empresa pública.

Texto de Manuel António Pina no JN

Aconteceu no Cairo ...


Aconteceu no Cairo no dia 17 de dezembro de 2011. Os herdeiros de Mubarak não largam o poder e os protestos diários continuam. No vídeo, uma mulher é selvaticamente agredida por policias e um jornalista que a tenta ajudar tem o mesmo tratamento.


Uma mulher mostra um exemplar do jornal "Al Tahrir" com a imagem da mulher espancada pelas forças de segurança durante uma manifestação. Fotografia de Amr Nabil (AP)

Manifestantes protestam com a fotografia da polícia a agredir brutalmente uma mulher. Fotografia de Nasser Nasser (AP).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um romance português

Capítulo I: Em 2004, o Governo português era, como hoje, resultado de uma coligação entre o PSD e o CDS. O primeiro-ministro era Durão Barroso; Paulo Portas era ministro da Defesa. O Governo negociou então com o consórcio alemão GSC, de que faz parte a Ferrostaal, a compra de dois-submarinos-dois para a Marinha, que custaram a módica quantia de 880 milhões, negócio que desde cedo levantou dúvidas.

Capítulo II: Ontem, um tribunal alemão condenou dois ex-executivos da Ferrostaal a dois anos de prisão e ao pagamento de elevadas coimas por suborno de funcionários públicos estrangeiros na venda dos submarinos. O tribunal deu como provado que a Ferrostaal subornou o ex-cônsul de Portugal em Munique, pagando-lhe 1,6 milhões de euros para que ele propiciasse "contactos com o Governo português".

Capítulo III: Em Portugal corre também no DCIAP, desde 2006, um processo sobre o negócio por indícios de tráfico de influências, financiamento partidário ilegal e corrupção. Em meados do ano, estava parado "por falta de meios". Fora-lhe atribuído um só magistrado, que acumulava com outros processos; as traduções da documentação enviada pelas autoridades alemãs continuavam por fazer; ainda não tinham sido nomeados os peritos necessários ao prosseguimento da investigação...

Final feliz: Durão Barroso é hoje presidente da Comissão Europeia e Paulo Portas voltou ao Governo e é agora ministro dos "Negócios Estrangeiros".


Texto de Manuel António Pina no JN

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

As luzes e as trevas...

As luzes e as trevas. Uma história em que se denuncia que o glamour das passerelles de Nova Iorque, Milão ou Paris é alimentado pelo trabalho infantil escravo no Burkina Faso. Ou como o “comércio justo” e a “responsabilidade social corporativa”, são armas de marketing que escondem através da publicidade colorida uma realidade muito diferente.


A famosa marca de lingerie feminina Victoria Secret foi recentemente citada numa reportagem da Bloomberg News, que acusa a empresa de utilizar crianças desnutridas pobres, na África Ocidental, para escolher o melhor algodão que é usado na como matéria-prima das suas roupas. A repórter Cam Simpson documenta a história de uma menina de 13 anos de idade, que trabalha numa fazenda no Burkina Faso, que vem operando sob o disfarce de um programa de comércio justo projectado para ajudar as mulheres e crianças, patrocinado pela famosa marca. Frequentemente espancada e abusada verbalmente, a jovem destaque na história, foi encontrada a trabalhar em condições sub-humanas, tudo para escolher o melhor algodão que vai ser utilizado para confecionar as peças de lingerie que irão desfilar sob os holofotes e os flashes dos fotógrafos nas passerelles do primeiro mundo.

Reportagem completa: Bloomberg News

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Foi há 50 anos que a morte saiu à rua !


Foi a 19 de Dezembro de 1961 que a PIDE assassinou o pintor José Dias Coelho numa rua de Alcântara em Lisboa. Consta que depois de o meterem num carro, andaram às voltas por Lisboa até que morresse. Só então levaram o seu corpo para o hospital.


José Dias Coelho (Pinhel, 19 de Junho de 1923 — 19 de Dezembro de 1961) foi um militante comunista, um resistente anti-fascista e era artista plástico. O seu assassinato levou Zeca Afonso a escrever e dedicar-lhe a música: A morte saiu à rua.

Coelho vaiado em Matosinhos !

sábado, 17 de dezembro de 2011

Cesária Évora (1941 - 2011)



Cesária Évora (Mindelo, 27 de agosto de 1941 - Mindelo, 17 de Dezembro de 2011)

El otro Steve Jobs


La muerte de Steve Jobs, fundador y dirigente de la empresa Apple, ha sido el espectáculo mediático empresarial más teatral vivido este año. Durante las últimas semanas hemos visto una enorme movilización de los mayores medios de información internacionales, bajo la batuta del establishment empresarial estadounidense (lo que se llama en EEUU laCorporate Class), para celebrar la vida del que ha sido canonizado unánimemente por tales medios.
Uno de los mayores rotativos del país aseguró incluso que había tenido “una vida ejemplar o extraordinaria”, que mostraba el enorme potencial que un ser humano puede alcanzar bajo el capitalismo estadounidense. En esta construcción mediática se ha presentado a Steve Jobs como una persona de orígenes humildes que alcanzó por su propio mérito la cumbre del mundo empresarial, creando nuevos productos que han beneficiado a toda la humanidad. En esta proyección mediática, Steve Jobs es el self-made man, emprendedor por antonomasia que, a base de genio y ambición, llegó a unos niveles de grandeza que pocos alcanzan en nuestro mundo.
Para no ser menos, los rotativos de mayor difusión e influencia en España utilizaron también adjetivos superlativos para describirlo. Le definieron como “ejemplar”, “extraordinario”, “inspirador”, “magnífico” o “un hombre que quiso dar amor en su dedicación a satisfacer a las masas”, “pionero”, digno de “admiración”, “respeto” y “agradecimiento”, “fuente de inspiración para los emprendedores españoles”, “un gran creador de puestos de trabajo”, y así un largo etcétera. Podría continuar y continuar con una larga lista de cantos y alabanzas a la figura del emprendedor cuyo genio supuso el éxito del capitalismo.
En esta divinización (y no creo exagerado este término para definir el clamor unánime de alabanzas) se ignoran varios hechos de su biografía que dan otra versión del personaje. En realidad, Steve Jobs era muy representativo del emprendedor que ha hecho una enorme fortuna a base de utilizar y explotar para beneficio propio bienes comunes sin los cuales no hubiera alcanzado su éxito. Es más, su fortuna se basó, en parte, en una enorme explotación de otros seres humanos. Veamos los datos, comenzando por sus características como empresario empleador. Apple, la empresa de Steve Jobs, no fabrica sus productos en EEUU. Lo hace en Shenzen, una ciudad de China conocida como el Silicon Valley chino, donde trabajan 420.000 trabajadores en condiciones miserables. El grupo empresarial Foxconn dirige tal conglomerado de industrias que producen aparatos electrónicos. En este lugar, incluidas las fábricas de Apple, se explota brutalmente a sus trabajadores (no es extraño que trabajen seis días a la semana 16 horas al día) en condiciones militares en sus cadenas de montaje. Existe un ambiente de terror bien documentado por la obra de Mike Daisey (The agony and the ecstasi of Steve Jobs) en ninguna parte mencionada en la bacanal de elogios escritos a razón del homenaje a su figura.
Su fortuna personal (estimada en 8.500 millones de dólares) y los enormes beneficios de su empresa se basaban, en parte, en esta súper explotación de otros seres humanos. El número de suicidios, consecuencia de las horribles condiciones de trabajo, ha sido denunciado en varios medios internacionales. Según el diario londinense Daily Mail, a los trabajadores de las fábricas de Apple en China se les fuerza a firmar un contrato en el que se comprometen, ellos y sus familias, a no denunciar y a no llevar a la compañía a los tribunales en caso de accidente, daño, muerte o suicidio. La insensibilidad hacia las condiciones de trabajo en sus empresas reflejaba una actitud muy representativa del gran emprendedor del siglo XX. Su antagonismo, casi hostilidad, hacia la clase trabajadora, era bien conocido. Como señala Eric Alterman en su artículo titulado Steve Jobs. Una vergüenza americana (Steve Jobs. An American Disgrace publicado en The Nation. 28-11-11), Steve Jobs había aconsejado al presidente Obama a imitar a China y permitir a las empresas estadounidenses hicieran, no sólo en China, sino también en EEUU, lo que quisieran, sin ningún tipo de protección a los trabajadores ni al medio ambiente.
Su obsesión era acumular dinero, sin ningún freno en ello. Era el “perfecto emprendedor” de la Corporate America, que se nos quiere presentar como modelo y ejemplo. No se conoce que diera dinero a actos sociales benéficos, como los súper ricos suelen hacer en aquel país como estrategia de marketing para mejorar su imagen. En realidad, ridiculizó a Bill Gates por crear una fundación que lleva su nombre, atribuyendo un supuesto retraso tecnológico de las empresas de Bill Gates (la hostilidad de Steve Jobs hacia Bill Gates era bien conocida) al “excesivo interés de Bill Gates en ayudar a los pobres”. Steve Jobs era un personaje que pertenecía al mundo definido por Charles Dickens.
Una última observación. Las empresas Apple y la gran mayoría de “inventos de la industria electrónica” se basan en el conocimiento de la investigación básica producida en otras instituciones, frecuentemente centros académicos financiados públicamente por el Gobierno federal de EEUU, especializados en temas militares o aeroespaciales. Internet es un claro ejemplo de ello. El conocimiento que produjo Internet, por ejemplo, procedía de las inversiones públicas. Parece ignorarse que el Gobierno federal de EEUU tiene una de las políticas industriales más desarrolladas en la OCDE, invirtiendo enormemente en investigación y desarrollo. La industria electrónica ha explotado tal conocimiento público para sus fines privados. Sin desmerecer la importancia de la investigación aplicada y de la creación intelectual, hay que señalar que la escalera que les permite subir ha sido construida por otros, punto también olvidado en esta biografía de un personaje representativo de lo que significa el capitalismo sin guantes y sin límites.

Por Vicenç Navarro

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dariusz Klimczak


Fotografia de Dariusz Klimczak

Obama entra para a história como o presidente que consagrou a detenção indefinida sem julgamento na lei dos EUA


"A Casa Branca prepara-se para promulgar uma nova lei que autorizará o exército dos EUA  a prender e deter indefinidamente alegados agentes terroristas capturados em solo americano."

"Ao assinar esta lei, o presidente Obama vai ficar na história como o presidente que consagrou a detenção indefinida sem julgamento na lei dos EUA", disse Kenneth Roth, diretor executivo da Human Rights Watch. "No passado, Obama elogiou a importância de estar do lado certo da história, mas hoje ele está definitivamente do lado errado."

"Durante a década que se seguiu ao 9/11, o governo dos EUA conseguiu condenar mais de 300 pessoas por crimes relacionados com o terrorismo.  Comparativamente, o sistema de justiça militar, embora pressionado, concluiu apenas 6 acusações de detidos em Guantanamo, onde permanecem ainda 170 suspeitos presos."

Fonte: CBS News

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Boardwalk Empire, o fascinante poder do pecado



Talvez a melhor série de ficção da tv dos últimos anos.

Boardwalk Empire, o fascinante poder do pecado.


Sinopse: Adaptada por Terence Winter com base no livro “Boardwalk Empire: The Birth, High Times e Corruption of Atlantic City”, de Nelson Johnson, um advogado e agora juíz, a série é situada na década de 20, durante a Lei Seca. Centrada na figura de Enoch Johnson (Steve Busceni), mais conhecido pelo apelido de Nucky, a trama narra o surgimento dos cassinos e a luta entre gângsters e políticos. Nucky é o chefe do submundo local, aspirante à político, que usa seu poder para extorquir figuras públicas, abusar da lei e fortalecer o crime organizado. No elenco da série também estão Michael Pitt, Kelly MacDonald, Michael Shannon, Stephen Graham, Vincent Piazza, Aleksa Palladino, Paul Sparks, Shea Whigham, Anthony Laciura, Michael Kenneth Williams, Dabney Coleman, Michael Stuhlbarg e Paz de la Huerta. Produção de Martin Scorsese.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

JÁ VIVI NESSE PAÍS E NÃO GOSTEI

por Isabel do Carmo.
O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar “verdade”, que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que… Não interessa.

Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os “remediados” só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia “mais tenrinho” para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse “a fénico”. Não, não era a “alimentação mediterrânica”, nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.

Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de “longa” duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos “balões” (“Olha, hoje houve um ‘ balão’ na Cuf, coitados!”). Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño e de outros, para ver “como é que elas iam vestidas”.

Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a “obra das Mães” e fazia-se anualmente “o berço” nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem- comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).


Na terra onde nasci e vivi, o hospital estava entregue à Misericórdia. Nesse, como em todos os das Misericórdias, o provedor decidia em absoluto os desígnios do hospital. Era um senhor rural e arcaico, vestido de samarra, evidentemente não médico, que escolhia no catálogo os aparelhos de fisioterapia, contratava as religiosas e os médicos, atendia os pedidos dos administrativos (“Ó senhor provedor, preciso de comprar sapatos para o meu filho”). As pessoas iam à “Caixa”, que dependia do regime de trabalho (ainda hoje quase 40 anos depois muitos pensam que é assim), iam aos hospitais e pagavam de acordo com o escalão. E tudo dependia da Assistência. O nome diz tudo. Andavam desdentadas, os abcessos dentários transformavam-se em grandes massas destinadas a operação e a serem focos de septicemia, as listas de cirurgia eram arbitrárias. As enfermarias dos hospitais estavam cheias de doentes com cirroses provocadas por muito vinho e pouca proteína. E generalizadamente o vinho era barato e uma “boa zurrapa”.

E todos por todo o lado pediam “um jeitinho”, “um empenhozinho”, “um padrinho”, “depois dou-lhe qualquer coisinha”, “olhe que no Natal não me esqueço de si” e procuravam “conhecer lá alguém”.

Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras (e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe. Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), nem teatro, nem cinema.

Aos meninos e meninas dos poucos liceus (aquilo é que eram elites!) era recomendado não se darem com os das escolas técnicas. E a uma rapariga do liceu caía muito mal namorar alguém dessa outra casta. Para tratar uma mulher havia um léxico hierárquico: você, ó; tiazinha; senhora (Maria); dona; senhora dona e… supremo desígnio – Madame.

Os funcionários públicos eram tratados depreciativamente por “mangas-de-alpaca” porque usavam duas meias mangas com elásticos no punho e no cotovelo a proteger as mangas do casaco.

Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal

Publicado na edição do jornal Público de 28 de Novembro de 2011

Essa merda precisa acabar *


sábado, 10 de dezembro de 2011

A Ordem Criminosa do Mundo


Documentário exibido pela TVE, que aborda a visão de dois grandes intelectuais contemporâneos sobre o mundo actual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler. Pode-se dizer que há algo de profético nos seus depoimentos, dado que o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa. A Ordem Criminosa do Mundo, denúncia o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria a que um cada vez maior número de pessoas pelo mundo é votado. O poder concentrando nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos. As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender os seus interesses.

Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ute Lemper

Mumia Abu-Jamal já não será executado



A batalha judicial já se prolonga há 30 anos e nesta quarta-feira a procuradoria de Filadélfia anunciou que Múmia Abu-Jamal, que tinha sido condenado à pena de morte, não será executado.
Múmia Abu-Jamal é um dos mais célebres condenados nos Estados Unidos, o seu caso desencadeou diversas campanhas a favor da sua libertação. É acusado de ter morto um polícia, Daniel Faulkner, a 9 de Novembro de 1981, quando era militante do movimento revolucionário Black Panthers pela defesa dos direitos dos negros nos EUA. O antigo jornalista, hoje com 57 anos, irá continuar detido. O que a procuradoria de Filadélfia anunciou foi que retirou o apelo para que fosse executado.

“Abu-Jamal já não será condenado à morte, mas ficará na prisão para o resto dos seus dias”, adiantou o procurador Seth Williams, que adiantou não ter “nenhuma dúvida” de que foi Múmia Abu-Jamal quem disparou sobre Faulkner.  “A procuradoria fez o que já devia ter feito. Após 30 anos, já era altura de pôr fim a esta procura pela pena e morte”, congratulou-se a NAACP, uma das principais organizações de defesa dos direitos cívicos dos negros nos EUA. “A justiça foi feita uma vez que a condenação à morte por um júri mal informado foi anulada”, adiantou a advogada de Múmia Abu-Jamal, Judith Ritter. O caso de Abu-Jamal atravessou fronteiras e tornou-se um símbolo da luta contra a pena de morte nos EUA. Existe uma página na Internet que lhe é dedicado (FreeMumia.com) e para esta sexta-feira, dia em que faz 30 anos que foi detido, estava já prevista uma manifestação em Filadélfia.


Fonte: Público

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011