quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Visa pour l'Image 2011 (III)

Primavera armada - Uma imagem da série que a revista 'Paris Match' dedicou à chamada
 primavera árabe. Fotografia de KURI TAKAHASHI (POLARIS)

Separados por uma pistola - Tori Rowles (centro) no funeral de seu amigo Ross Melody, estudante e
atleta de 16 anos da Wilson High School assassinado com um tiro de pistola ao sair de um estádio
depois de um jogo de reigbi. Fotografia de BARBARA DAVIDSON (LOS ANGELES TIMES)


Só entre as águas - Uma criança caminha por uma estrada inundada em Khulna, ao sul de
Bangladesh. Fotografia de Jonas Bendiksen (MAGNUM)

domingo, 25 de setembro de 2011

Tassili


Na linguagem dos nomadas Tuaregues que durante séculos deambularam pelos lugares mais remotos do sul do Saara, “tinariwen” significa “desertos”. Mas desde que o grupo musical de mesmo nome lançou seu primeiro CD em 2001, seus membros não gravaram em sua terra natal, mas sobretudo da mesma forma como as bandas norte-americanas e europeias fazem: no ambiente artificial de um estúdio de gravação, em cidades como Paris e Bamako, Mali.
Com “Tassili”, lançado a 30 de agosto, os Tinariwen, cuja música é um híbrido hard-rock dos estilos bérbere, árabe, ocidental e africano negro, quis retornar ao seu início. Levando o nome de uma região espetacular de penhascos e arcos de arenito perto da fronteira da Argélia com a Líbia, o CD foi ensaiado e gravado ao ar livre lá, em tendas e em volta de fogueiras parecidas com aquelas em que os fundadores do grupo, exilados políticos que viviam em assentamentos de refugiados, conheceram-se e se reuniram para tocar.
“Queríamos voltar às nossas origens, à experiência de ishumar”, que significa exílio ou estar à deriva, explicou Eyadou ag Leche, baixista da banda, falando em francês durante uma entrevista em Nova York em julho. “Naquela época nós sentávamos em volta de uma fogueira, cantando músicas e passando o violão. Os Tinariwen nasceram nesse movimento, nessa atmosfera, então você o que se ouve em 'Tassili' é esse sentimento de ishumar.”
Os Tinariwen foram fundados por volta de 1979 pelo cantor e guitarrista Ibrahim ag Alhabib, que nasceu em Mali, mas fugiu do país quando era criança depois que seu pai foi sequestrado e assassinado pelas forças do governo que tentavam derrubar uma rebelião Tuareg. Hoje com 51 anos, Alhabib passou pela Argélia, Nigéria e Líbia, onde se juntou a um exército Tuareg apoiado por Gadaffi; lá sua habilidade para escrever músicas sobre as dificuldades dos Tuareg, viajando de um país para outro mas sem pertencer a nenhum, tornaram-no uma das principais vozes pela resistência e autonomia.
Em 1985, “as músicas dos Tinariwen já estavam circulando pelo Saara em cassetes piratas, copiadas e recopiadas”, disse Andy Morgan, ex-empresário do grupo, que está escrevendo um livro sobre a banda. Durante os quatro anos seguintes, ele acrescentou, “Ibrahim e vários outros que já haviam recebido treinamento de infantaria estavam num campo perto de Trípoli, onde seu trabalho era fazer música” simpática ao Movimento Popular pela Libertação de Azawad, que tinha como objetivo estabelecer uma república Tuareg independente no Saara.


Durante a última década, entretanto, os Tinariwen ganharam fãs entre músicos pop norte-americanos e europeus e públicos que anseiam por autenticidade e paixão tanto na música quanto na atitude. A guitarra não é um instrumento tradicional para os Tuareg: ag Alhabib lembra-se de fazer uma quando era criança depois de ver o instrumento num filme, mas quando ele e outros membros dos Tinariwen conseguiram voltar para Mali nos anos 90, a banca começou a construir ou adquirir todos os instrumentos de uma moderna banda de rock.
“A música deles parece ao mesmo tempo muito familiar, começando com as guitarras e o elemento de chamado e resposta nos vocais, mas também soa exótica aos ouvidos”, disse o guitarrista Nels Cline do Wilco, que contribuiu com uma guitarra estranhamente espiralada no fundo de “Imidiwan Ma Tennam”, a faixa de abertura do novo CD. “Você está ouvindo coisas que de fato agitam, mas também são bem reduzidas à essência. Há um ar de mistério e falta, e isso cria um humor que é palpável, muito inspirador e atraente para todos os tipos de pessoas. É uma música maravilhosa, e não é apenas para guitarristas.”
A música dos Tinariwen às vezes é chamada de “blues do deserto”, e a queda do grupo por escrever músicas em notas menores certamente cria um som que tem uma sensação de blues. Mas os membros da banda preferem falar em “asuf”, um sentimento de sua própria cultura e da língua Tamashek que descreve tanto uma sensação de dor espiritual, ânsia e nostalgia e o vazio do deserto propriamente dito. Isso, eles reconhecem, cria uma certa afinidade com os bluesmen de Mississippi e Chicago.
“Nós não sabíamos dessas pessoas antes porque estávamos em nosso próprio universo”, explicou ag Leche. “Mas quando começamos a ouvir Hendrix, apenas para citar alguém, sentimos algo imediatamente. Foi quase como se eu tivesse conhecido aquela música desde que nasci. Dizem para mim que muitos dos africanos que foram para a América do Norte vieram do Oeste da Árica, da nossa parte do mundo. Então é tudo a mesma conexão. Acho que qualquer pessoa que viveu alguma coisa muito difícil, que sentiu esse asuf, essa dor, essa falta. É isso que faz com que as músicas delas soem parecidas.”
Para o som mais orgânico e acústico que os Tinariwen queriam em “Tassili”, o grupo procurou Ian Brennan, um produtor norte-americano que trabalhou com outros grupos africanos bem como com artistas norte-americanos como Ramblin' Jack Elliott e Peter Case. Centenas de quilos de equipamentos tiveram que ser transportados para um cânion no meio do deserto e funcionaram com um gerador colocado a 140 metros de distância da tenda principal para eliminar o ruído da gravação e “para evitar que qualquer criatura chegasse perto”, disse Brennan.
“Essa música precisa de espaço, ela precisa ser selvagem e livre”, acrescentou. “Meu interesse está em capturar e transmitir emoção, então eu acredito que o cru e real é quase sempre melhor. Eles sentem da mesma maneira, e por isso esta foi a gravação mais ao vivo, menos regravada, centrada na banda e orientada para as canções que eles já fizeram.”
Para os outros norte-americanos que foram convidados a tocar em “Tassili”, fazer o disco no coração do deserto foi tanto uma aventura quanto um desafio. Como produtor, Brennan esteve lá durante todas as três semanas de sessões em novembro passado, e durante oito dias ele foi acompanhado por dois membros da banda de rock independente do Brooklyn TV on the Radio, o guitarrista Kyp Malone e o vocalista Tunde Adebimpe, que conheceu o Tinariwen há alguns anos quando as duas bandas estavam na mesma noite do festival Coachella na Califórnia.
“Há diferenças culturais a considerar, mas foi uma das experiências musicais mais gratificantes que eu já tive”, disse Malone. “Fazer o disco pareceu quase secundário em relação à experiência total das pessoas que chegaram para se reunir e fazer um tributo, trazendo animais para comer e sentando em volta do fogo com amigos da banda que tocavam em volta de mim, cantando músicas argelinas e Tuareg. Senti que foi um privilégio estar lá.”
Mas com uma turnê marcada para este outono para divulgar “Tassili”, logo será novamente o tempo para o Tinariwen – que funciona como um coletivo, com cerca de cinco a nove membros, dependendo de fatores como quem tem rebanho para cuidar ou da mulher de quem está grávida – sair de seu espaço cultural e entrar no nosso. E com isso, a sensação de asuf retornará, alimentando a falta do deserto mesmo enquanto ela move sua música.
“Você pensa diferente quando há paredes ao seu redor”, disse ag Leche. “Num estúdio ou numa cidade você precisa comer num determinado horário e seguir uma agenda. No deserto a liberdade é total. Você faz o que quer quando quer. Quando estamos no palco, você pode nos ver, nós estamos lá. Mas nossas cabeças estão num lugar diferente. Nós estamos em casa.”

Fonte: UOL

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Aclamação para os verdadeiros vitoriosos da revolução de Rupert

Em 13 de Setembro é inaugurada em Londres uma das maiores feiras de armas do mundo, com o apoio do governo britânico. Em 8 de Setembro, a Câmara de Comércio e Indústria de Londres apresentou uma antevisão intitulada "Médio Oriente: Um mercado vasto para companhias britânicas de defesa e segurança". O patrocinador foi o Royal Bank of Scotland, um grande investidor em bombas de estilhaçamento (cluster). Segundo a Amnistia Internacional, as vítimas de bombas de estilhaçamento são 98 por cento civis e 30 por cento crianças. O Royal Bank of Scotland recebeu £20 milhões de dinheiro público. No anúncio para a festa de armas do banco lê-se: "O Médio Oriente é uma das regiões com o maior número de oportunidades para companhias britânicas de defesa e segurança. A Arábia Saudita... é o principal importador de defesa do mundo, tendo gasto US$56 mil milhões em 2009... uma região muito valiosa a visar".
Tais são as prioridades do governo de Cameron depois da grande vitória "humanitária" na Líbia. Como declarou outrora Margaret Thatcher: "Alegrem-se!" E como os banqueiros e mercadores de armas aumentam a graduação dos seus óculos, não vamos esquecer os heróicos pilotos da RAF que tornaram a Líbia nossa outra vez pela incineração de incontáveis "elementos pró Kadafi" nos seus lares, camas e clínicas, nem os desconhecidos apoiantes da indústria britânica de drones em Menwith Hill , Yorkshire , que, antes e depois do almoço, providenciam a informação de alvos dos drones de modo a que mísseis Hellfire possam arrasar lares e sugar o ar para fora de pulmões, uma especialidade. E aclamações para o sítio de teste de drones da QuinetiQ , em Aberporth, e para a UAV Engines Limited, em Lichfield.

A missão humanitária do ocidente não está totalmente terminada. Cerca de seis meses depois de conseguir uma resolução das Nações Unidas autorizando "a [protecção] de civis e áreas populadas civis sob a ameaça de ataque", a NATO está a despejar bombas de fragmentação sobre Sirte populada por civis e outro "redutos de Kadafi" onde, diz um repórter do Channel 4 New, "até que cortem a cabeça da cobra, os líbios não se sentem seguros". Cito isto não pela sua qualidade Orwelliana mas como um exemplo do papel do jornalismo em justificar antecipadamente os "nossos" banhos de sangue.

Isto é a Revolução de Rupert, afinal de contas. Nestes dias a imprensa de Murdoch já não utiliza a palavra "insurgentes" como pejorativa, como fazia antes. A acção na Líbia, diz The Times, é "uma revolução... tal como as revoluções costumavam ser". Que isto é um golpe de uma ganga de ex-comparsas e espiões de Muammar Kadafi em conluio com a NATO dificilmente é notícia. O auto-designado "líder rebelde", Mustafa Abdul Jalil, era o temido ministro da Justiça de Kadafi. A CIA dirige ou financia a maior parte do resto, incluindo velhos amigos da América, os mujadeen islâmicos que desovaram a al-Qaeda.

Contam aos jornalistas só o que eles precisam saber: que Kadafi estava prestes a cometer "genocídio", do que não há evidência, ao contrário da abundante evidência de massacres "rebeldes" de trabalhadores negros africanos falsamente acusados de serem mercenários. A transferência secreta feita por banqueiros europeus do Banco Central da Líbia de Tripoli para a Bengazi "rebeldes" a fim de controlar os milhares de milhões do petróleo do país foi um roubo gigantesco de pouco interesse.

A totalmente previsível acusação a Kadafi perante o "tribunal internacional" em Haia evoca a charada do agonizante "bombista de Lockerbie", Abdelbaset Ali Mohmed al-Megrahi, cujo "crime odioso" foi posicionado para promover as ambições do ocidente na Líbia. Em 2009, Al-Megrahi foi devolvido à Líbia pela autoridades escocesas não por razões misericordiosas, como foi relatado, mas porque o seu há muito aguardado recurso teria confirmado a sua inocência e descrito como ele foi tramado pelo governo Thatcher, como revelou o memorável desmascaramento de Paul Foot. Como antídoto para a propaganda actual, insto-o a ler uma demolidora perícia forense da "culpa" de el-Melgrahi e seu significado político em Dispatches from the Dark Side: on torture and the death of justice (Verso) da eminente advogada de direitos humanos Gareth Peirce.

Não se deve minimizar a ditadura odiosa de Kadafi, um destino para as "rendições" do MI6 como ficamos agora a saber. Mas o seu ódio não tem relação com a violação do seu país por caricaturas imperiais tais como Nicholas Sarkozy, um islamófobo napoleónico cujos serviços de inteligência quase certamente montaram o golpe contra Kadafi. Telegramas diplomáticos dos EUA divulgados pelo WikiLeaks revelam o pânico do ocidente sobre a recusa de Kadafi a entregar a maior fonte de petróleo na África e as suas aberturas à China e à Rússia.
A propaganda confia não só em Murdoch como também em vozes aparentemente respeitáveis que induzem à amnésia histórica. The Observer, o qual ainda tem de pedir desculpas pela sua catastrófica promoção de não existentes armas de destruição em massa no Iraque, está sob o domínio da "honrosa intervenção" de Sarkozy e Cameron e dos seus motivos "humanitários e emotivos". Seu colunista político Andrew Rawnsley completa um impressionante feito duplo. Como nos recorda o Media Lens, em 2003 Rawnsley escreveu acerca do Iraque: "A portagem da morte não foi tão alta como fora amplamente receado". Um milhão de iraquianos mortos depois, Rawnsley insiste em que, na Líbia "a Grã-Bretanha actuou bem" e "o número de baixas civis infligidas pelos ataques aéreos parece ter sido misericordiosamente ligeiro". Conte isso aos líbios com seres amados aniquilados pelos Hellfires amigos das corporações.

A NATO atacou a Líbia para conter e manipular um levantamento geral árabe que apanhou os dominadores do mundo de surpresa. Ao contrário dos seus vizinhos, Kadafi chegou ao poder pela negação do controle ocidental das riquezas naturais do seu país. Por isto, ele nunca foi esquecido e a oportunidade para o seu fim foi agarrada da maneira habitual, como mostra a história. O historiador americano William Blum tem mantido o registo. Desde a segunda guerra mundial, os Estados Unidos esmagaram ou subverteram movimentos de libertação nacional em 20 países e tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos deles democráticos, e lançaram bombas sobre 30 países, e tentaram assassinar mais de 50 líderes estrangeiros.
Alegrem-se! »

por John Pilger

O original encontra-se em www.johnpilger.com/articles/hail-to-the-true-victors-of-rupert-s-revolution

Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/ .

sábado, 17 de setembro de 2011

UNICEF confirma: Cuba tem 0% de desnutrição infantil

Segundo a ONU, Cuba é o único país da América Latina e Caribe que eliminou a desnutrição infantil severa, graças aos esforços do governo para melhorar a alimentação da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis. As duras realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas padecem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Só no México há 5,2 milhões de pessoas desnutridas. No Haiti, são 3,8 milhões, enquanto que, em todo o planeta, mais de cinco milhões de crianças morrem de fome todos os anos.

A existência de cerca de 146 milhões de crianças menores de cinco anos abaixo do peso ideal no mundo em desenvolvimento contrasta com a realidade das crianças cubanas que estão livres desta enfermidade social. Essas preocupantes cifras apareceram em um recente relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado “Progresso para a Infância, um balanço sobre a nutrição”, divulgado na sede da ONU. Segundo o documento, os índices de crianças abaixo do peso são de 28% na África Subsaariana, 17% no Oriente Médio e África do Norte, 15% na Ásia Oriental e Pacífico, e 7% na América Latina e Caribe. Depois vem a Europa Central e do Leste, com 5%, e outros países em desenvolvimento, com 27%.



Segundo estimativas da ONU, não seria muito custoso garantir saúde e nutrição básica para todos os habitantes dos países em desenvolvimento. Para alcançar essa meta, bastariam 13 bilhões de dólares adicionais ao que se destina atualmente, uma cifra que nunca foi atingida e que é exígua se comparada com os bilhões de dólares destinados anualmente à publicidade comercial, os 400 bilhões gastos em medicamentos tranqüilizantes ou mesmo os 8 bilhões de dólares que são gastos em cosméticos nos Estados Unidos.
Para satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reconheceu que esta é a nação com os maiores avanços na luta contra a desnutrição na América Latina. O Estado cubano garante uma cesta básica alimentar que permite a alimentação de sua população ao menos em dois níveis básicos, mediante uma rede de distribuição de produtos alimentícios. Além disso, há instrumentos econômicos em outros mercados e serviços locais para melhorar a alimentação do povo cubano e atenuar o déficit alimentar. Especialmente, há uma constante vigilância sobre o sustento das crianças e adolescentes. A nutrição começa com a promoção de uma melhor e mais natural forma de alimentação.

Desde os primeiros dias de nascimento, os incalculáveis benefícios do aleitamento materno justificam todos os esforços realizados em Cuba em favor da saúde e do desenvolvimento de sua infância. Isso tem permitido elevar os índices de recém nascidos que recebem aleitamento materno até o quarto mês de vida e que seguem consumindo esse leite, complementado com outros alimentos, até os seis meses de idade. Atualmente, 99% dos recém nascidos saem das maternidades com aleitamento materno exclusivo, índice superior à meta proposta, que é de 95%, segundo dados oficiais, nos quais se indica que todas as províncias do país cumprem essa meta.
Apesar das difíceis condições econômicas enfrentadas pela ilha, o governo cuida da alimentação e da nutrição das crianças mediante a entrega diária de um litro de leite a todas as crianças até sete anos de idade. Soma-se a isso a entrega de outros alimentos que, dependendo das disponibilidades econômicas do país, são distribuídos eqüitativamente para as idades mais pequenas da infância. Até os 13 anos de idade se prioriza a distribuição subsidiada de produtos complementares como o iogurte de soja e, em situações de desastre, se protege a infância mediante a entrega gratuita de alimentos de primeira necessidade.

As crianças incorporadas aos Círculos Infantis e às escolas primárias com regime de semi-internato recebem, além disso, o benefício do contínuo esforço por melhorar sua alimentação quanto à presença de componentes dietéticos, lácteos e protéicos. Com o apoio da produção agrícola – ainda enfrentando condições de severa seca – e a importação de alimentos, alcança-se um consumo de nutrientes acima das normas estabelecidas pela FAO. Em Cuba, esse indicador não é a média fictícia entre o consumo alimentar dos ricos e dos que passam fome.

Adicionalmente, o consumo social inclui a merenda escolar que é distribuída gratuitamente a centenas de milhares de estudantes e trabalhadores da educação, com cotas especiais de alimentos para crianças até 15 anos e pessoas de mais de 60 anos nas províncias do leste da ilha. Nesta relação, estão contempladas as grávidas, mães lactantes, anciãos e incapacitados, crianças com baixo peso e altura e o fornecimento de alimentos aos municípios de Pinar del Rio e Havana e também para a Ilha da Juventude. Essas regiões foram atingidas no ano passado por furacões, enquanto que as províncias de Holguín, Las Tunas e cinco municípios de Camaguey sofrem atualmente com a seca.

Esse esforço conta com a colaboração do Programa Mundial de Alimentos (PMA), que contribui para a melhoria do estado nutricional da população mais vulnerável da região oriental, beneficiando mais de 631 mil pessoas. A cooperação do PMA com Cuba data de 1963, quando essa agência ofereceu assistência imediata às vítimas do furacão Flora. Até hoje, já foram concretizados no país cinco projetos de desenvolvimento e 14 operações de emergência. Recentemente, Cuba passou de ser um país receptor a um país doador de ajuda.

O tema da desnutrição tem grande importância na campanha da ONU para atingir, em 2015, as Metas de Desenvolvimento do Milênio, adotada em uma cúpula de chefes de Estado em 2000 e que tem entre seus objetivos eliminar a pobreza extrema e a fome. A ONU considera que Cuba está na vanguarda do cumprimento dessas metas em matéria de desenvolvimento humano. Mesmo enfrentando deficiências, dificuldades e sérias limitações pelo bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA há mais de quatro décadas, Cuba não mostra índices alarmantes de desnutrição infatil como ocorre em outros países. Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos com problemas de baixo peso, que vivem hoje no mundo, é cubana.
Fonte: Carta Maior

Young Girl Smoking


Fotografia de Sally Mann

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Visa pour l'Image 2011 (II)

O colapso de um país. - A demolição de um prédio que desabou em Port-au-Prince a 16 janeiro de 2010,
3 dias depois do terremoto que causou 350 mil mortes no Haiti. Fotografia de RICCARDO VENTURI

"Children of Men ' - A foto tirada por Ed Ou na Somália, que ganhou o prémio de jovem
fotojornalista da cidade de Perpignan 2011. Fotografia de ED OU (Getty Images)
Novo bandeira, novo país. - Rebeldesda Líbios colocam uma bandeira do Conselho Nacional
de Transição num posto fronteiriço perto de Ras Lanouf, a 8 de março.Fotografia de YURI Kozyrev




domingo, 11 de setembro de 2011

Banksy cria um documentário sobre guerrilha urbana









Victor Jara - Manifiesto


Manifiesto 
Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz
canto porque la guitarra
tiene sentido y razon,
tiene corazon de tierra
y alas de palomita,
es como el agua bendita
santigua glorias y penas,
aqui se encajo mi canto
como dijera Violeta
guitarra trabajadora
con olor a primavera.

Que no es guitarra de ricos
ni cosa que se parezca
mi canto es de los andamios
para alcanzar las estrellas,
que el canto tiene sentido
cuando palpita en las venas
del que morira cantando
las verdades verdaderas,
no las lisonjas fugaces
ni las famas extranjeras
sino el canto de una alondra
hasta el fondo de la tierra.

Ahi donde llega todo
y donde todo comienza
canto que ha sido valiente
siempre sera cancion nueva.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Visa pour l'Image 2011 (I)

  Dançando atrás das grades - Algumas presas dançam numa prisão em Lima, Peru.
Fotografia de VALERIO BISPURI

  Beijos e sofrimento - Um casal beija-se no estacionamento do Derby Epson no Reino Unido, durante uma corrida de cavalos. Ao lado deles está um homem de cabeça baixa. Fotografia de PETER DENCH

À procura de abrigo - Uma das imagens tiradas pelo fotógrafo João Silva no Afeganistão.
Fotografia de JOÃO SILVA (THE NEW YORK TIMES)