segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Prémio de fotografia da Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano

Alejandro Cossio ganhou o Premio da Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano 2010, na categoria fotografia, com as fotos publicadas no semanário Zeta, na Associated Press e EFE. As suas imagens retratam a violência diária e impiedosa dos narcotráficantes em Tijuana no México.

Santa muerte - "La santa muerte es una patrona pagana para la iglesia a la que cada vez se encomienda más gente, también los delincuentes", comenta el autor. "Hay leyendas de que dicen que cada vez que los sicarios van a ejecutar a alguien se encomiendan a la santa muerte para que les protejan. En muchas cosas decomisadas se han encontrado figuras de la santa muerte. Es una portada al resto de las fotos y un aviso de lo que viene". Las fotos premiadas se publicaron el Semanario ZETA, en la agencia AP y en la agencia EFE.

Metáforas - Alejandro Cossío explica que esta foto continúa muy relacionada con la anterior. "Podría parecer un Cristo con su túnica".

Cultura de lo estrafalario - "Este tipo de armas nos demuestra el tipo de cultura que tienen estos sicarios, cómo les gusta lo estrafalario, cómo tienen dinero para comprar cosas así", comenta Alejandro Cossío.

Mirada oscura - "La imagen es de un policía", explica el autor. "Es una metáfora visual, una foto atmosférica que simboliza nada bueno. Aunque es un policía, representa una oscuridad con su mirada amenazante".

En compañía de la santa muerte - "Continúan los policías", comenta Alejandro Cossío. "A la santa muerte la visten con túnicas blancas. Por eso, en esta foto es como si los agentes fueran escoltándola o acompañados por ella". En la imagen, la policía federal mexicana lleva a un detenido, quien se les enfrentó a balazos junto con otros sicarios.



Luz nocturna - "Es un ejecutado. Había tres allí. Muchas veces, los sicarios les ponen esposas para sacarles información", explica Alejandro Cossío. "Es una foto atmosférica de una situación que se produce a altas horas de la noche. Un colega me dijo que la luz podía representar a Dios que se los lleva." Esta imagen fue captada en un barrio de Tijuana.

Idea de fotoperiodismo - "Es una de las imágenes que mejor representan mi idea de fotoperiodismo. Es muy contundente sin necesidad de mostrar demasiado", afirma el autor. La misma luz que veíamos en la fotografía anterior está pegando ahora en la mano, a la que le llega el único rayo de iluminación.". Dos agentes de seguridad fueron ejecutados dentro de una tienda de auto servicio.

domingo, 29 de agosto de 2010

O rosto do mineiro

O rosto do mineiro Florencia Ávalos, surge numa televisão no acampamento junto à mina, onde os familiares dos 33 mineiros soterrados acompanham o desenrolar dos acontecimentos.

Protestos em Jacarta

Protesto em frente à embaixada dos E.U.A em Jacarta, Indonésia.
Fotografia de MAST IRHAM/LUSA.

sábado, 28 de agosto de 2010

Activista que denunciou a existência da vala comum foi encontrada morta

BOGOTÁ, 23 AGO (ANSA) - A dirigente Norma Irene Pérez, ativista de direitos humanos da cidade colombiana La Macarena, integrante do grupo que denunciou a presença da maior vala comum da América Latina em julho passado, foi assassinada a tiros, denunciou hoje o deputado Iván Cepeda. Em entrevista à ANSA, Cepeda disse que em 7 de agosto Pérez desapareceu e seis dias depois seu corpo foi encontrado baleado. O congressista, do Polo Democrático Alternativo (PDA, de esquerda), lembrou que a mulher assassinada participou da audiência pública convocada sob o título "A crise humanitária e as planícies orientais", onde foi denunciada a existência de uma vala comum com dois mil cadáveres em La Macarena, sul do país. O local seria pertencente ao Exército. A denúncia foi levada ao Congresso pela senadora do Partido Liberal (PL) Piedad Córdoba há um mês, e endossada também pela senadora Gloria Inês Ramírez, também do PDA. Frente à acusação, o governo colombiano, então a cargo de Álvaro Uribe (2002-2010), disse que o lugar era um cemitério legal, reconhecendo a existência de 449 corpos de pessoas mortas em combate nos últimos oito anos. "Não sabemos a origem desta situação, mas havia advertido sobre os riscos para aquelas pessoas que denunciaram a questão de La Macarena", afirmou o deputado à ANSA, negando estar sendo ameaçado em decorrência do caso. Segundo ele, haverá ainda outro debate no Parlamento sobre o local denunciado. Foram citados para acompanhar a sessão os ministros da Defesa, Rodrigo Rivera, e do Interior e Justiça, Germán Vargas Lleras, que concorreu às últimas eleições presidenciais pelo Partido Mudança Radical. Além deles, estarão presentes procuradores e promotores do país. As autoridades, agora sob o governo de Juan Manuel Santos - que fora ministro da Defesa de Uribe -, ainda não se pronunciaram sobre tal execução.

Fonte: ANSA

Confissão de um terrorista

Eles ocuparam a minha pátria,
expulsaram o meu povo,
anularam a minha identidade,
e chamaram-me terrorista.


Confiscaram a minha propriedade,
arrancaram as minha árvores de fruta,
demoliram a minha casa,
e chamaram-me terrorista.


Legislaram leis fascistas,
praticaram o odiado apartheid,
destruindo, dividindo, humilhando,
e chamaram-me terrorista.

Assassinaram as minhas alegrias,
sequestraram as minhas esperanças,
algemaram os meus sonhos,
quando recusei todas as atrocidades,
eles... mataram um terrorista!



Mahmoud Darwish
Escritor e poeta palestiniano (1942 – 2008)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Os media escondem aparecimento da maior fossa comum da América Latina

Há algumas semanas foi descoberta na Colômbia de Uribe e Juan Manuel Santos uma fossa comum com 2.000 cadáveres por identificar, perto da cidade de Macarena. Uribe e o seu ex-ministro da Defesa e actual presidente, Juan Manuel Santos, têm de explicar o monstruoso crime, que políticos e meios de comunicação de todo o mundo procuram, cumplicemente, silenciar.
Na Colômbia descobriu-se recentemente a maior fossa comum da história contemporânea do continente americano, o que foi quase totalmente silenciado pelos mass-media da Colômbia e do mundo. A fossa comum contém os restos de, pelo menos, 2.000 pessoas, está em Macarena, departamento de Meta. Desde 2005 que o exército deslocado na zona, ali sepultou milhares de pessoas sem nome. A população da região, alertado pelas filtrações putrefactas dos cadáveres para as nascentes das aguas de consumo, e fustigada pelos constantes desaparecimentos já tinha denunciado a existência da fossa por várias vezes, durante o ano de 2009: em vão, pois o ministério público não investigava. Foi graças à perseverança dos familiares de desaparecidos e à visita de uma delegação de sindicalistas e parlamentares britânicos que investigava a situação dos direitos humanos na Colômbia, em Dezembro de 2009, que se conseguiu destapar este crime horrendo cometido pelos agentes militares de um Estado que lhes garante a impunidade. Trata-se da maior fossa comum do continente. Mais de dois mil corpos numa fossa comum é o assunto grave para o Estado colombiano, mas os seus media e os media internacionais, cúmplices do genocídio, encarregaram-se de o manter sob um quase absoluto silencio, sobre um facto que só encontra atrocidade parecida se recuarmos às fossas nazis… Este silenciamento mediático está indubitavelmente ligado aos imensos recursos naturais da Colômbia e aos mega-negócios que ali são feitos sob os massacres. A Comissão Asturiana dos Direitos Humanos, que visitou a Colômbia em Janeiro de 2010 ( menos de um mês após a descoberta da fossa) interrogou as autoridades sobre o assunto… e as respostas foram preocupantes: na Procuradoria, no ministério do Interior, na ONU… todos querem esconder o assunto. Entratanto, «trabalham» na fossa para a minimizar, mas a delegação britânica verificou-a e as mesmas autoridades reconheceram pelo menos 2.000 cadáveres. Em Dezembro, «o alcaide próximo do governo também denunciou o facto junto ao necrotério», mas depois o número de corpos NN…
A delegação asturiana denunciou a vontade ostensiva de alterar a cena do crime: «ali ninguém está protegido. Ninguém está a impedir que se possam disfarçar as provas. Que um tractor entre por ali afora, carregue os cadáveres anónimos e os leve para outro lugar» [1]. «Solicitamos às instituições responsáveis do governo e do Estado colombianos que implementem as medidas cautelares necessárias para assegurar as informações já registadas nos documentos oficiais, que tomem as medidas cautelares necessárias para defender o perímetro e prevenir a alteração da cena, a exumação ilegal dos cadáveres e a destruição do material probatório ali existente (…), fundamental para a criação de um Centro de investigação Forense em Macarena, a fim de conseguir a individualização e a identificação dos cadáveres NN ali sepultados» [2]. A delegação Asturiana transmitiu às autoridades outra denúncia. As autoridades alegaram desconhecimento e incapacidade operacional, pois «há tantas fossas comuns no nosso país que»… Trata-se do município de Argélia em Cauca: um “matadouro” de gente, onde as famílias não puderam ir buscar os corpos dos seus desaparecidos, pois os paramilitares não as deixaram regressar às suas comunidades: deslocaram os sobreviventes. As vítimas sobreviventes relataram: «havia pessoas amarradas a que açulavam cães famintos para as irem matando a pouco e pouco.» Na Colômbia, a Estratégia Paramilitar do Estado Colombiano, combinada com a actuação dos polícias e dos paramilitares foi o instrumento de expansão dos latifúndios. O Estado colombiano fez desaparecer mais de 50.000 pessoas através de aparelhos oficiais (polícias e militares), e do seu aparelho encoberto: a sua Estratégia Paramilitar [3]. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais para a sua guerra de classes contra a população: é o garante do saque, a Estratégia Paramilitar insere-se nessa lógica económica [4]. A invisibilização de uma fossa comum das dimensões da fossa de Macarena obedece aos negócios das multinacionais e das oligarquias e no facto da fossa ser o resultado de assassínios feitos directamente pelo exército nacional da Colômbia, o que é mais uma prova do carácter genocída do Estado colombiano, para além do presidente Uribe, cujos negócios e ligações com o narcotráfico e o paramilitarismo estão mais que comprovados [5]. A cumplicidade dos media é criminosa, tanto a nível nacional como internacional. Todos nós devemos romper a barreira de silencio com que se pretende ocultar o genocídio. É urgente um movimento de solidariedade internacional: a Colômbia é, indubitavelmente, um dos lugares do planeta em que o horror do capitalismo se plasma de forma mais evidente na sua violência mais absoluta.

Notas:
(4) Ver mais ssobre a fossa comum e o Terror Estatal: www.lahaine.org/index.php?p=42954

Texto de Azelea Robles, Jornalista, historiadora,  publicado em www.kaosenlared.net
Versão em portugués de O Diário.info  (tradução de José Paulo Gascão)

920 Km = + 7 minutos de Sol


America a cores 1939-1943 (II)





quarta-feira, 25 de agosto de 2010

domingo, 22 de agosto de 2010

Equador e Bolívia são casos de sucesso no meio da crise económica global

De acordo com a sabedoria convencional transmitida diariamente na imprensa econômica, os países em desenvolvimento deveriam se desdobrar para agradar as corporações multinacionais, seguir a política macroeconômica neoliberal e fazer o máximo para atingir um grau de investimento elevado e, assim, atrair capital estrangeiro. Adivinhem qual país das Américas deve atingir o crescimento econômico mais rápido nesse ano? A Bolívia. O primeiro presidente indígena do país, Evo Morales, foi eleito em 2005 e assumiu o cargo em janeiro de 2006. Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, seguiu os acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional] por 20 anos consecutivos e sua renda per-capita ao final desde período era mais baixa do que 27 anos antes. Evo descartou o FMI apenas três meses depois de assumir a presidência e então nacionalizou a indústria de hidrocarbonetos (especialmente gás natural). Não é preciso dizer que isso não agradou a comunidade corporativa internacional. Também foi mal vista a decisão do país de se retirar do painel de arbitragem internacional do Banco Mundial em maio de 2007, cujas decisões tinham tendência a favorecer as corporações internacionais em detrimento dos governos.
A nacionalização e os crescentes lucros advindos dos royalties dos hidrocarbonetos, no entanto, têm rendido ao governo boliviano bilhões de dólares em receita adicional (o PIB total da Bolívia é de apenas 16,6 bilhões de dólares, para uma população de 10 milhões de habitantes). Essas rendas têm sido úteis para a promoção do desenvolvimento pelo governo, e especialmente para manter o crescimento durante a crise. O investimento público cresceu de 6,3% do PIB em 2005 para 10,5% em 2009. O crescimento da Bolívia em meio à crise mundial é ainda mais notável, já que o país foi atingido em cheio pela queda de seus preços dos produtos de exportação mais importantes – gás natural e minerais – e também por uma perda de espaço no mercado estadunidense. A administração Bush cortou as preferências comerciais da Bolívia, que eram concedidas dentro do Pacto Andino de Promoção do Comércio e Erradicação das Drogas [ATPDA, na sigla em inglês], supostamente para punir a Bolívia por sua insuficiente cooperação na “guerra contra as drogas”. Na realidade, foi muito mais complicado: a Bolívia expulsou o embaixador estadunidense por causa de evidências do apoio dado pelo governo estadunidense à oposição ao governo de Morales; a revogação do ATPDA aconteceu logo em seguida. De qualquer maneira, a administração Obama ainda não mudou com relação à política da administração Bush para a Bolívia. Mas a Bolívia já provou que pode se virar muito bem sem a cooperação de Washington. O presidente de esquerda do Equador, Rafael Correa, é um economista que, muito antes de ser eleito em dezembro de 2006, entendeu e escreveu a respeito das limitações do dogma econômico neoliberal. Ele tomou posse em 2007 e estabeleceu um tribunal internacional para examinar a legitimidade da dívida do país. Em novembro de 2008 a comissão constatou que parte da dívida não foi legalmente contratada, e em dezembro Correa anunciou que o governo não pagaria cerca de 3,2 bilhões de dólares da sua dívida internacional. Ele foi tiranizado na imprensa econômica, mas a operação foi bem sucedida. O Equador cancelou um terço da sua dívida externa declarando moratória e reembolsando os credores a uma taxa de 35 centavos por dólar. A avaliação para o crédito internacional do país continua baixa, mas não mais do que antes da eleição de Correa, e até subiu um pouco depois que a operação foi completada. O governo de Correa também causou a fúria dos investidores estrangeiros ao renegociar seus acordos com empresas estrangeiras de petróleo para captar uma parte maior dos lucros com a alta dos preços do petróleo. E Correa resistiu à pressão feita pela petrolífera Chevron e seus poderosos aliados em Washington para retirar seu apoio a um processo contra a empresa por supostamente poluir águas subterrâneas, com danos que poderiam exceder 27 bilhões de dólares.
Como o Equador está se saindo? O crescimento tem atingido saudáveis 4,5% durante os dois primeiros anos da presidência de Correa. E o governo tem garantido a redistribuição da renda: gastos com saúde em relação ao PIB dobraram e gastos sociais em geral têm sido expandidos consideravelmente de 4,5% para 8,3% do PIB em dois anos. Isso inclui a duplicação do programa de transferência de renda às famílias pobres, um aumento de 474 milhões de dólares em despesas de habitação, e outros programas para famílias de baixa renda. O Equador foi atingido fortemente por uma queda de 77% no preço das suas exportações de petróleo de junho de 2008 até fevereiro de 2009, assim como pelo declínio das remessas de capital provenientes do exterior. Apesar disso, o país superou as adversidades muito bem. Outras políticas heterodoxas, juntamente com a moratória da dívida externa, têm ajudado o Equador a estimular sua economia sem esgotar suas reservas. A moeda do Equador é o dólar estadunidense, o que descarta a possibilidade de políticas cambiais e monetárias para esforços contra-cíclicos numa recessão – uma deficiência relevante. Em vez disso, o Equador foi capaz de fazer acordos com a China para um pagamento adiantado de 1 bilhão de dólares por petróleo e mais 1 bilhão de empréstimo. O governo também começou a exigir dos bancos equatorianos que repatriassem algumas de suas reservas mantidas no exterior, esperando trazer de volta 1,2 bilhões e tem começado a repatriar 2,5 bilhões das reservas estrangeiras do banco central para financiar outro grande pacote de estímulo econômico. O crescimento do Equador provavelmente será de 1% esse ano, o que é muito bom em relação à maior parte de seu hemisfério. O México, por exemplo, no outro lado do espectro, tem projetado um declínio de 7,5% no seu PIB em 2009. A maior parte dos relatórios e até análises quase-acadêmicas da Bolívia e do Equador dizem que eles são vítimas de governos populistas, socialistas e “anti-americanos” – alinhados com a Venezuela de Hugo Chávez e Cuba, é claro – e estão no caminho da ruína. É claro que ambos os países ainda têm muitos desafios pela frente, dos quais o mais importante será a implementação de estratégias econômicas que diversifiquem e desenvolvam suas economias no longo prazo. Mas eles começaram bem, dedicando à ordem econômica e política externa convencionais – na Europa e nos Estados Unidos – o respeito que ela merece.

Texto de Mark Weisbrot no Guardian via Correio Internacional

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cuba y el número de "presos políticos"

La cuestión del número de «presos políticos» en Cuba está sometida a polémica. Para el gobierno cubano no hay presos políticos en Cuba, sino personas condenadas por delitos inscritos en el código penal, particularmente el hecho de recibir financiación de una potencia extranjera. En su informe 2010, Amnistía Internacional (AI) habla de «55 presos de opinión» (1), de los cuales 20 fueron liberados en julio de 2010, otros 6 el 15 de agosto de 2010, luego de la mediación de la Iglesia Católica y de España, y otros dos antes.(2) Entonces, según AI, quedan actualmente 27 «presos políticos» en Cuba. Finalmente la oposición cubana y más precisamente Elizardo Sánchez, de la Comisión de Derechos Humanos y por la Reconciliación Nacional (CDHRN), señalan la cifra de 147 presos políticos, menos los 6 recientemente liberados, o sea 141.3 Los medios occidentales privilegian esta última lista. Primero conviene aclarar un aspecto de esta cuestión antes de evocar el tema del número exacto de «presos políticos» en la Isla: la existencia o no de la financiación de la oposición cubana por parte de Estados Unidos. Esta política, clandestina entre 1959 y 1991, ahora es pública y muchas fuentes lo confirman. En efecto, Washington reconoce esta realidad en varios documentos y declaraciones oficiales. La ley Torricelli de 1992, y más particularmente la sección 1705 estipula que «Estados Unidos proporcionará asistencia a las organizaciones no gubernamentales adecuadas para apoyar a individuos y organizaciones que promueven un cambio democrático no violento en Cuba».(4) La ley Helms-Burton de 1996 prevé, en la sección 109, que «el presidente [de Estados Unidos] está autorizado para proporcionar asistencia y ofrecer todo tipo de apoyo a individuos y organizaciones no gubernamentales independientes para unir los esfuerzos con vistas a construir una democracia en Cuba».(5) El primer informe de la Comisión de Asistencia a una Cuba Libre prevé la elaboración de un «sólido programa de apoyo que favorezca la sociedad civil cubana».(6) Entre las medidas previstas se destina una financiación, por importe de 36 millones de dólares, al «apoyo de la oposición democrática y al fortalecimiento de la sociedad civil emergente». El segundo informe de la Comisión de Asistencia a una Cuba Libre prevé un presupuesto de 31 millones de dólares para financiar, todavía más, a la oposición interna.(7) El plan prevé también «entrenar y equipar a periodistas independientes de la prensa escrita, radiofónica y televisiva en Cuba».(8)
La representación diplomática estadounidense en La Habana, la Sección de Intereses Norteamericanos (SINA) lo confirma en un comunicado: «La política estadounidense, desde hace mucho tiempo, es proporcionar asistencia humanitaria al pueblo cubano, específicamente a familias de presos políticos. También permitimos que lo hagan las organizaciones privadas».(9) Laura Pollán, del grupo disidente «las Damas de Blanco» admite recibir dinero de Estados Unidos(10): «Aceptamos la ayuda, el apoyo, desde la ultraderecha hasta la izquierda, sin condiciones».(11) El opositor Vladimiro Roca confiesa que la disidencia cubana está subvencionada por Washington alegando que la ayuda financiera recibida es «total y completamente lícita». Para el disidente René Gómez, el apoyo económico por parte de Estados Unidos «no es una cosa que haya que ocultar o de la que tengamos que avergonzarnos». (12) Del mismo modo, el opositor Elizardo Sánchez confirma la existencia de una financiación por parte de Estados Unidos: «La clave no está en quién envía la ayuda, sino en qué se hace con la ayuda».(13) La prensa occidental admite esta realidad. Agence France-Presse informa de que «los disidentes, por su parte, reivindicaron y asumieron esas ayudas económicas».(14) La agencia española EFE , alude a los «opositores pagados por Estados Unidos».(15) En cuanto a la agencia de prensa británica Reuters, «el gobierno estadounidense proporciona abiertamente un apoyo financiero federal para las actividades de los disidentes, lo que Cuba considera un acto ilegal».(16) La agencia de prensa estadounidense The Associated Press afirma que la política de fabricar y financiar a una oposición interna no es nueva: «Desde hace años, el gobierno de Estados Unidos gasta millones de dólares para apoyar a la oposición cubana».(17) Precisa: «Una parte del financiamiento proviene directamente del gobierno de Estados Unidos, cuyas leyes promueven el derrocamiento del gobierno cubano. La Agencia Internacional para el Desarrollo de Estados Unidos (USAID), que supervisa el apoyo financiero del gobierno para una ‘transición democrática’ en Cuba, ha dedicado más de 33 millones de dólares para la sociedad civil para el presente año fiscal».(18)
Wayne S. Smith es un ex diplomático que fue jefe de la SINA en La Habana de 1979 a 1982. Según él, es completamente «ilegal e imprudente mandar dinero a los disidentes cubanos».(19) Agregó que «nadie debería dar dinero a los disidentes y menos todavía con el objetivo de derrocar al gobierno cubano» pues «cuando Estados Unidos declara que su objetivo es derrocar al gobierno cubano y después afirma que uno de los medios para lograrlo es proporcionar fondos a los disidentes cubanos, éstos se encuentran de facto en la posición de agentes pagados por una potencia extranjera para derrocar a su propio gobierno».(20) Recordemos ahora la posición de Amnistía Internacional. La organización habla de 27 «presos políticos» en Cuba en fecha del 15 de agosto de 2010. Ahora bien, reconoce al mismo tiempo que estas persones fueron condenadas «por haber recibido fondos o materiales del gobierno estadounidense para realizar actividades que las autoridades consideran subversivas y perjudiciales para Cuba».21 Así, la organización entra en contradicción pues el derecho internacional considera ilegal la financiación de una oposición interna en otra nación soberana. Todos los países del mundo disponen de un arsenal jurídico que establece como delitos tales conductas. La legislación estadounidense y las europeas, entre otras, sancionan fuertemente el hecho de ser estipendiado por una potencia extranjera. La lista elaborada por Elizardo Sánchez es más larga e incluye a todo tipo de individuos. Entre los 141 nombres, otros 10 fueron liberados por razones de salud, lo que hace un total de 131 personas. Respecto a esas diez personas, Sánchez explica que los mantiene en su lista porque pueden ser encarceladas en el futuro. Otros cuatro individuos cumplieron su pena y salieron de prisión. Entonces quedan 127 individuos. Otras 27 personas deben ser liberadas antes del mes de octubre, según el acuerdo firmado entre La Habana, España y la Iglesia Católica. De los 100 individuos que quedan, cerca de la mitad fueron condenados por crímenes violentos. Algunos realizaron incursiones armadas en Cuba y al menos dos de ellos ,Humberto Eladio Real Suárez y Ernesto Cruz León, son responsables de la muerte de varios civiles en 1994 y 1997 respectivamente.(22)
Ricardo Alarcón, presidente del Parlamento cubano, subrayó esas contradicciones: «Curiosamente, los críticos nuestros hablan de una lista (...) ¿Por qué no dicen que están pidiendo la libertad del que asesinó a Fabio di Celmo?».(23) Associated Press (AP) también enfatizó el carácter dudoso de la lista de Sánchez y señala que «varios de ellos no deberían normalmente ser considerados como presos políticos». «Un estudio más minucioso permite ver la presencia de terroristas, secuestradores y agentes extranjeros». AP señala que entre las 100 personas, «cerca de la mitad fueron condenadas por terrorismo, secuestros y otros crímenes violentos, y cuatro de ellos son antiguos militares o agentes de los servicios de inteligencia condenados por espionaje o por revelar secretos de Estado».(24) Por su parte, Amnistía Internacional afirma que no puede considerar a los miembros de la lista de Sánchez como «presos de conciencia» pues incluye «a gente juzgada por terrorismo, espionaje así como a quienes intentaron e incluso lograron hacer estallar hoteles», indica la organización. «Por supuesto no pediremos su liberación y no los calificaremos de presos de conciencia».(25)
Miguel Moratinos, el Ministro de Asuntos Exteriores español, que desempeño un papel clave en el acuerdo sobre la liberación de 52 presos, también ha puesto en tela de juicio la lista de Sánchez y ha subrayado su carácter aleatorio: «No digan que hay que liberar a 300, porque no hay 300. La propia lista de la Comisión de derechos humanos de Cuba, una semana antes de ir yo, decía que había 202; cuando llegué yo a Cuba, el día antes dijo que había 167».(26) Después de la liberación de las otras (27) personas incluidas en el acuerdo de junio de 2010, sólo quedara un «preso político» en Cuba, Rolando Jiménez Pozada, según Amnistía Internacional. Associated Press apunta por su parte que en realidad éste está «encarcelado por desobediencia y por revelar secretos de Estado».(27)  Curiosamente, la lista elaborada por Sánchez, que es la menos fiable y que es denunciada por todas partes en razón de la inclusión de individuos condenados por graves actos de terrorismo, es privilegiada por la prensa occidental. El gobierno cubano ha hecho un gesto notable al proceder a la liberación de los presos considerados como «políticos» por Estados Unidos y algunas organizaciones como Amnistía Internacional. El principal obstáculo para la normalización de las relaciones entre Washington y La Habana –desde el punto de vista del gobierno de Obama– ya no existe. Por lo tanto corresponde a la Casa Blanca hacer un gesto de reciprocidad y poner fin a las sanciones económicas anacrónicas e ineficaces contra el pueblo cubano.
Notas:
1 Amnesty International , «Rapport 2010. La situation des droits humains dans le monde», mayo de 2010. http://thereport.amnesty.org/sites/default/files/AIR2010_AZ_FR.pdf (sitio consultado el 7 de junio de 2010), pp. 87-88.
2 EFE , «Damas piden a España acoger a más presos políticos», 25 de julio de 2010; Carlos Batista, «Disidencia deplora ‘destierro’ de ex presos», El Nuevo Herald , 15 de agosto de 2010.
3 EFE , «Damas piden a España acoger a más presos políticos», 25 de julio de 2010
4 Cuban Democracy Act , Título XVII, Sección 1705, 1992.
5 Helms-Burton Act , Título I, Sección 109, 1996.
6 Colin L. Powell, Commission for Assistance to a Free Cuba , (Washington: United States Department of State, mayo de 2004). www.state.gov/documents/organization/32334.pdf (sitio consultado el 7 de mayo de 2004), pp. 16, 22.
7 Condolezza Rice & Carlos Gutierrez, Commission for Assistance to a Free Cuba , (Washington: United States Department of State, julio de 2006). www.cafc.gov/documents/organization/68166.pdf (sitio consultado el 12 de julio de 2006), p. 20.
8 Condolezza Rice & Carlos Gutierrez, Commission for Assistance to a Free Cuba , (Washington: United States Department of State, juillet 2006). www.cafc.gov/documents/organization/68166.pdf (sitio consultado el 12 de julio de 2006), p. 22.
9 The Associated Press/El Nuevo Herald , «Cuba: EEUU debe tomar ‘medidas’ contra diplomáticos », 19 de mayo de 2008. 10 The Associated Press , «Cuban Dissident Confirms She Received Cash From Private US Anti-Castro Group», 20 de mayo de 2008.
11 El Nuevo Herald , «Disidente cubana teme que pueda ser encarcelada», 21 de mayo de 2008.
12 Patrick Bèle, «Cuba accuse Washington de payer les dissidents», Le Figaro , 21 de mayo de 2008.
13 Agence France-Presse , «Prensa estatal cubana hace inusual entrevista callejera a disidentes», 22 de mayo de 2008.
14 Agence France-Presse, «Financement de la dissidence: Cuba ‘somme’ Washington de s’expliquer», 22 de mayo de 2008.
15 EFE , «Un diputado cubano propone nuevos castigos a opositores pagados por EE UU», 28 de mayo de 2008.
16 Jeff Franks, «Top U.S. Diplomat Ferried Cash to Dissident: Cuba», Reuters , 19 de mayo de 2008.
17 Ben Feller, «Bush Touts Cuban Life After Castro», Associated Press , 24 de octubre de 2007
18 Will Weissert, «Activistas cubanos dependen del financiamiento extranjero», The Associated Press , 15 de agosto de 2008.
19 Radio Habana Cuba , «Former Chief of US Interests Section in Havana Wayne Smith Says Sending Money to Mercenaries in Cuba is Illegal», 21 de mayo de 2008.
20 Wayne S. Smith, «New Cuba Commission Report: Formula for Continued Failure», Center for International Policy , 10 de julio de 2006.
21 Amnesty International , «Cuba. Cinq années de trop, le nouveau gouvernement doit libérer les dissidents emprisonnés», 18 de marzo de 2008. http://www.amnesty.org/fr/for-media/press-releases/cuba-five-years-too-many-new-government-must-release-jailed-dissidents-2 (sitio consultado el 23 de abril de 2008).
22 Juan O. Tamayo, «¿Cuántos presos políticos hay en la isla?», El Nuevo Herald , 22 de julio de 2010
23 José Luis Fraga, «Alarcón: presos liberados pueden quedarse en Cuba y podrían ser más de 52», Agence France-Presse , 20 de julio de 2010.
24 Paul Haven, «Number of Political Prisoners in Cuba Still Murky», The Associated Press , 23 de julio de 2010.
25 Ibid.
26 EFE , «España pide a UE renovar relación con Cuba», 27 de julio de 2010.
27 Paul Haven, «Number of Political Prisoners in Cuba Still Murky», op. cit.

Texto de Salim Lamrani editado no Rebelión

Ciganos deportados

Ciganos de origem romena são expulsos do seu acampamento pela policia francesa para serem posteriormente deportado para o país de origem. Fotografia de Miguel Medina (AFP).

Jogos de Verão

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Circuba 2010

Decorreu em a Havana o 9ª edição do anual Circus Summer Festival 'Circuba 2010'
Fotografia AFP.

O Pacheco, a monarquia absoluta e a jornalista.

Pacheco Pereira, no Ponto Contraponto da SIC Notícias, escolheu um trabalho realizado por uma jornalistas da SIC como exemplo de mau jornalismo. Teresa Canto Noronha, a jornalista em causa, escreveu um e-mail ao comentador a dar conta da sua indignação, e o Conselho de Redacção da estação de Carnaxide decidiu emitir um comunicado de solidariedade para com a jornalista. A peça jornalística em causa foi transmitida durante a visita de Bento XVI a Portugal, em Maio, e caracterizava o Estado do Vaticano como uma monarquia absoluta. Essa classificação levou Pacheco Pereira a escolher esse trabalho jornalístico como um exemplo de "mau trabalho", no Ponto Contraponto de 16 de Maio. "Preconceito", "asneira" e "ignorância" são alguns dos adjectivos que utilizou para classificar a peça. Com 22 anos de carreira, Teresa Canto Noronha mostrou a sua indignação através de um e-mail enviado a Pacheco Pereira e a que o DN teve acesso. A jornalista refere que a informação em causa "foi-me dada pelo próprio Estado do Vaticano, que, na sua página oficial, assim se descreve" (...)

Artigo completo do Diário de Noticias

domingo, 15 de agosto de 2010

Um cubano em Las Vegas

Como muitos outros, Diego veio  um dia em busca do sonho americano que vendem os filmes de Hollywood.  No entanto, o sonho para ele ainda não apareceu e o que Diego encontrou nos Estados Unidos foi o pesadelo. O cubano é agora um dos 14.000 sem-abrigo que vivem "sepultados vivos" nos túneis de Las Vegas, uma cidade com luzes de néon que se tornou um símbolo do sonho que, presumivelmente, com um pouco de sorte, se pode encontrar no mesa de jogo de qualquer casino. Muitos no entanto, são aqueles que como Diego perderam tudo na roleta da vida.

Numa sequência do vídeo (em baixo), o repórter da CBS pergunta a Diego:
- "Você veio de Cuba em busca do sonho americano ? Isto não se parece nada ao sonho americano."
O cubano respondeu:
- "Milhões de pessoas perdem o sonho americano. Não aconteceu só comigo."

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Refugiados

Refugiados paquistaneses fogem para os sítios mais altos, deixando as aldeias inundadas pelas cheias causadas pelas chuvas torrenciais. Fotografia de SHAKIL ADIL/AP

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O primeiro processo contra uma criança-soldado da história moderna.

Omar Khadr cidadão canadiano, tinha 15 anos quando foi preso em 2002 no Afeganistão. Posteriormente foi deportado por militares norte americanos para o campo de concentração de Guantánamo. Passados 8 anos da sua captura será julgado por terrorismo. Omar tem actualmente 23 anos.

"O julgamento do mais jovem prisioneiro de Guantánamo, Omar Khadr, está previsto para amanhã, 18 meses depois de o Presidente Barack Obama ter prometido encerrar o campo de detenção americano em Cuba. O processo de Omar Khadr marca também o reinício das comissões militares (ou julgamentos militares) em Guantánamo, que Obama tinha mandado suspender, numa das suas primeiras iniciativas enquanto Presidente."  Fonte Público

Apesar de ter sido assumido por Barack Obama durante a campanha eleitoral e mesmo após a sua eleição para a presidência dos EUA, o compromisso de fechar o campo de concentração de Guantánamo em 100 dias, passados mais de 500 dias da tomada de posse de Obama (20 de Janeiro de 2009), o campo de concentração continua aberto e activo apesar das campanhas para o seu fecho de numerosas ONG de defesa dos direitos humanos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

À 65 anos caiu uma bomba em Nagasaki

A 9 de Agosto de 1945, na sequência de uma ordem do presidente Henry Truman, os EUA lançaram a segunda bomba atómica sobre a cidade Japonesa de Nagasaki causando no momento do impacto cerca de 40.000 mortos e 60.000 feridos. Tinham passado apenas 3 dias sobre o lançamento da primeira bomba atómica sobre Hiroshima.