As mãos agarram peças que não se vêem. Os pulsos rodam simétricos, rápidos. Abrem um molde. Fazem pressão, empurram um espigão invisível, encaixam a peça, fecham o molde. Agarram nova peça. Gestos precisos, tensos, na cadência mecânica da linha de montagem fabril.
"Assim, assim, assim..." A voz ajuda os relatos misturados de três trabalhadoras de três fábricas da indústria eléctrica na península de Setúbal, reunidas à mesma mesa do sindicato. Às três foi-lhes diagnosticado uma doença profissional músculo-esquelética, uma delas com um grau de incapacidade de 15 por cento. Duas estão de baixa há meses. À outra arranjaram-lhe um outro trabalho na mesma empresa.
"Ao princípio não associei. Fiquei com o braço preso. Mas o meu problema não começou nos pulsos, mas nos ombros. Doía-me muitos os ombros. Os dois, mais o direito que o esquerdo", conta Antónia (nome fictício, como os das trabalhadoras citadas na reportagem). Cecília, operária de uma conhecida firma multinacional, estava mais consciente. "Sabia o que tinha, mas não participei. O meu problema é nos trapézios dos ombros, tem alturas em que não posso movimentar os braços. De vez em quando lá me adormecem os dedos. Contraí a doença na linha de montagem." "Eu pensei que fosse uma dorzita que passasse com uma pomada", diz Daniela, trabalhadora numa empresa fornecedora da indústria automóvel, com mais de cem empregados. "Cheguei mesmo a ir aos endireitas, mas não passou. É uma dor no ombro esquerdo, na omoplata. O que é engraçado é que nas minhas colegas é no direito que lhes dói."
Para continuar a ler o artigo no Público, sobre as Doenças Profissionais em Portugal.
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