Quase 12 anos depois, a causa dos cinco cubanos encarcerados nos Estados Unidos continua mobilizando pessoas de todo o mundo. A cada ano, são realizadas novas campanhas para pressionar os líderes americanos a libertarem os cidadãos presos desde 12 de
Setembro de 1998. Neste início de ano, o
Comité Internacional pela Liberdade dos Cinco Cubanos está
intensificando uma forte mobilização que recebe o apoio de dez ganhadores do
prémio Nobel.
Um requerimento assinado por José Ramos-Horta,
Rigoberta Menchú, Adolfo Pérez
Esquivel,
Máiread Corrigan Maguire,
Günter Grass, José Saramago, Dario
Fo, Nadine
Gordiner,
Wole Soyinka e
Zhores Alferov, todos ganhadores do
prêmio Nobel, exige a imediata libertação dos cinco cubanos. A intenção é pressionar o presidente americano Barack Obama,
prémio Nobel da Paz 2009, a assinar a liberdade dos cinco e permitir que retornem a Cuba com suas famílias.
O requerimento será enviado para a Casa Branca, onde também devem chegar centenas de cartões remetidos pela população mundial com o pedido de liberdade. O
Comité Internacional está distribuindo cerca de 20 mil cartões, que podem ser encontrados em sua maior parte em inglês e espanhol. Parceiros como França e Itália estão realizando a tradução para que a campanha chegue a vários países.
A orientação é que os cartões cheguem à Casa Branca circulando de mão em mão sem envelope. Desta forma, os que ainda não conhecem o caso poderão tomar conhecimento. A mobilização não tem data para acabar pois, a cada dia, novos países e cidades americanas aderem à campanha solicitando os cartões e convocando "Presidente Obama, estamos esperando sua assinatura".
Os interessados em participar
activamente da campanha podem encomendar os cartões ou solicitar o PDF para editá-lo de acordo com o idioma de seu país. Os pedidos devem ser remetidos para o endereço de e-mail info@thecuban5.org. O
Comité também
disponibiliza uma apresentação em
Power Point aos interessados em disseminar ainda mais a mobilização dos cartões.
Histórico do caso
No dia 12 de
Setembro de 1998,
René González, Fernando González,
Antonio Guerrero, Gerardo
Hernández e Ramón
Labañimo foram presos em Miami, na
Florida, acusados de violar as leis federais americanas e espionar os Estados Unidos. Das 26 acusações a que foram submetidos 24 eram relacionadas à falsificação de identidade e descumprimento de registro, já que eram estrangeiros. As acusações não registravam o uso de armas ou
acções violentas.
Ainda assim, mesmo tendo cometido violações leves e sem acusações concretas por partes dos juízes, os cinco cubanos foram condenados a cumprir pena nos Estados Unidos, onde estão presos até hoje. O direito de fiança lhes foi negado, assim como o direito de ver suas famílias. Por quase um ano e meio os cubanos foram mantidos em confinamento solitário. Penas absurdas como a de Gerardo
Hernández, condenado duas vezes à prisão perpétua, foram impostas também aos outros.
Os cinco heróis cubanos, como ficaram conhecidos, foram presos por dedicar a vida a sua pátria, descobrir segredos militares dos americanos e alertar seu país acerca dos atentados terroristas que eram
planeados por grupos de exilados cubanos em Miami, com o apoio e
protecção do governo dos Estados Unidos. Há mais de 40 anos a
Flórida é
notadamente o centro dos ataques contra Cuba
Até hoje, os cinco permanecem encarcerados e os documentos considerados secretos que poderiam ser utilizados pela Defesa dos cubanos estão detidos para que não seja feita a apelação.
Texto de
Natasha Pitts retirado do Adital.