quinta-feira, 30 de julho de 2009

Portugal, o país dos paradoxos...

No programa eleitoral do PS, José Sócrates promete acabar com os falsos recibos verdes na Função Pública. Cristina Andrade, da Associação Ferve (Fartos destes Recibos Verdes) denuncia «o paradoxo» de que na própria Autoridade para as Condições do Trabalho a lei está a ser violada. Um total de 22 juristas que trabalham na Autoridade para as Condições de Trabalho denunciam uma situação que consideram «vergonhosa», dizem que não têm contrato de trabalho e afirmam que são falsos recibos verdes. (TSF)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Berlusconi é inimigo da imprensa

“A história, diria eu desde Catilina para a frente, está contaminada por aventureiros não isentos de carisma, com muito pouco sentido de Estado, mas com um sentido agudo dos seus próprios interesses, que desejaram instaurar um poder pessoal passando por cima dos parlamentos, magistraturas e constituições, distribuindo favores pelos seus cortesãos e (às vezes) cortesãs e identificando o seu próprio prazer com o interesse da comunidade”. Umberto Eco* - 28.07.09

O chefe do governo quer amordaçar a informação. E na nossa sociedade doente parece que a maioria dos italianos também está disposta a aceitar esta infracção. Porém, o intelectual famoso diz: “Não estou de acordo”.Não sei se será o pessimismo devido à idade avançada, se a lucidez que a idade traz consigo, mas tenho as minhas dúvidas, não isentas de cepticismo, quanto a intervir a instâncias das redacções em defesa da liberdade de imprensa. O que pretendo dizer é que, quando alguém tem de intervir em defesa da liberdade de imprensa é porque a sociedade, e com ela uma grande parte da imprensa, já está doente. Nas democracias a que podemos chamar “fortes” não é preciso defender a liberdade de imprensa, porque não lembra a ninguém limitá-la.Essa é a primeira razão para o meu cepticismo, de onde deriva todo um corolário. O problema italiano não é Sílvio Berlusconi. A história, diria eu desde Catilina para a frente, está contaminada por aventureiros não isentos de carisma, com muito pouco sentido de Estado, mas com um sentido agudo dos seus próprios interesses, que desejaram instaurar um poder pessoal passando por cima dos parlamentos, magistraturas e constituições, distribuindo favores pelos seus cortesãos e (às vezes) cortesãs e identificando o seu próprio prazer com o interesse da comunidade. O que acontece é que tais homens nem sempre conquistaram o poder a que aspiravam, porque a sociedade não o permitiu. Quando a sociedade o permitiu, porquê levar a mal esses homens e não a sociedade que lhes deixou fazer o que queriam?Lembro-me sempre de uma história contada pela minha mãe, que com vinte anos tinha conseguido um bom emprego como secretária e dactilógrafa de um deputado liberal. Deputado liberal, foi o que eu disse. No dia a seguir à subida ao poder de Mussolini, o deputado em questão disse assim: “Mas, no fundo, com a situação em que se encontra a Itália, pelo menos esse homem sabe como pôr as coisas na ordem”. Pois bem, se se instaurou o fascismo não foi devido à personalidade enérgica de Mussolini (oportunidade e pretexto), mas sim à indulgência e consentimento daquele deputado liberal (representante exemplar de um país em crise).Por conseguinte, é inútil virarmo-nos contra Berlusconi que, digamos assim, faz o seu papel. Quem aceitou o conflito de interesses, quem aceita as rondas, quem aceita a lei Alfano [lei que garantiria a imunidade aos quatro mais altos cargos do Estado – N.T.] e quem agora aceitaria sem grandes pruridos a mordaça que puseram à imprensa (por enquanto de forma experimental), se não fosse o presidente da República levantar reservas, é a maioria dos italianos. Se uma cuidadosa censura da Igreja não estivesse neste momento a turvar a consciência pública, esta mesma nação aceitaria sem vacilar e incluso com uma certa cumplicidade maliciosa que Berlusconi recebesse acompanhantes, mas isso depressa estará ultrapassado, porque os italianos e os bons cristâos em geral desde sempre foram às putas, por muito que o padre diga que não está bem.Porque dedicar então a estes alarmes um número do “L’Espresso”, se sabemos que o jornal vai chegar às mãos de quem já está convencido destes riscos da democracia e, em contrapartida, não será lido por quem está disposto a aceitá-los desde que não lhe faltem com a ração de Big Brother e que de muitos casos político-sexuais no fundo bem pouco sabe porque uma informação em grande parte submetida a controle nem sequer se lhes refere?Porque fazê-lo? O porquê é muito simples. Em 1931, o fascismo impôs aos professores universitários, que então eram 1200, um juramento de fidelidade ao regime. Apenas se recusaram 12 (1 por cento), que perderam o lugar. Há quem diga 14, mas isso mais não faz que confirmar até que ponto o facto passou então despercebido, deixando uma memória um tanto vaga. Muitos outros que logo seriam personagens eminentes do antifascismo do pós-guerra, inclusive aconselhados por Palmiro Togliatti ou Benedetto Croce, fizeram o juramento para poderem continuar a difundir o seu ensino. Pode ser que os 1188 que ficaram tivessem razão, por diferentes motivos todos eles respeitáveis. Mas os 12 que disseram não salvaram a honra da Universidade e, em definitivo, a honra do país. É essa a razão para às vezes se ter que dizer não, ainda que se seja pessimista e se saiba que não vai servir para nada.Pelo menos que a gente possa um dia dizer que o disse.
Texto de Umberto Eco, escritor e director da Escola Superior de Ciências Humanas na Universidade de Bolonha. Este texto foi publicado no jornal italiano L'Espresso de 9 de Julho de 2009. Tradução: Jorge Vasconcelos para Odiário.info

"Adidas y Nike, en los zapatos de Zelaya"

Qual a relação das Maquiladoras norte-americanas com a crise nas Honduras ?

Las fabricantes de calzado deportivo Nike y Adidas, junto a la fabricante de ropa Knights Apparel y la cadena de tiendas GAP enviaron una carta al Departamento de Estado abogando por una solución pacífica del conflicto político en Honduras. (BBC)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

São Bartolomeu

Escultura de São Bartolomeu, que aparece carregando a sua própria pele, no Interior da Catedral de Milão.

Manuel António Pina cita Brecht a propósito de Jardim...


"Jardim tem um mérito: diz o que pensa. O pior é que pensa o que diz. Como muita gente que correu a comprar uma casaca democrática após o 25 de Abril, tem a sorte que outros portugueses não tiveram: pôde dizer o que pensava e ocupar cargos nos ominosos tempos do "Estado Novo" porque pensava em conformidade com ele e pôde continuar a fazê-lo depois porque outros lutaram e morreram pela sua liberdade de expressão. A sua proposta de proibição do Partido Comunista é, pois, coerente. Como seria coerente se propusesse a criação de um Tarrafal na Madeira para os comunistas. Menos coerente é o silêncio da Direcção do PSD perante o que Jardim diz. A mesma Direcção que tem "lapsus linguae" como o de "rasgar" as políticas sociais e privatizar a Segurança Social e o SNS ou de "suspender" a democracia e que, depois, caindo em si, recua. Como no poema de Niemoller, estas coisas começam sempre pelos comunistas e nós, como não somos comunistas, ficamos em silêncio; depois vêm os sindicalistas, os homossexuais, quem sabe?, os judeus, até que chega a nossa vez; e já não haverá ninguém para levantar a voz."

Mais sobre Obama e Cuba....


Vender equipos médicos a Cuba es un pecado que debe ser sancionado con una multa de US$128.750. Esa fue la pena que la administración del presidente Barack Obama le impuso a Philips, la empresa que cometió el grave delito. Es un forma muy peculiar de iniciar el camino hacia ese "nuevo comienzo con Cuba", que prometió el inquilino de la Casa Blanca en su encuentro con los líderes latinoamericanos, en la Cumbre de las Américas este año. Es que realmente suena muy mal eso de impedir que las empresas vendan equipos para la salud pública cubana. Ni siquiera se me ocurre cómo defender tal posición, aunque seguro que habrá quienes la valoren positivamente. A mí me cuesta entenderlo, ni siquiera dos países en guerra sabotean el funcionamiento de los servicios médicos para la población. De hecho las ambulancias y el personal sanitario deben ser respetados en los conflictos armados. Mi razonamiento a lo mejor no es todo lo "político" que debería ser para entender estas estrategias. Porque lo cierto es que impedir que se compren equipos médicos sólo afecta al cubano de a pie, al que apoya la revolución y también al disidente. No parece muy ético promover la democracia utilizando medidas coercitivas contra la población. Si el pueblo cubano apoya a la revolución, como afirman algunos, nadie debería bloquearle la salud para hacerlo cambiar de opinión. Si por el contrario, como dicen otros, se trata de una dictadura que oprime a la ciudadanía, la crueldad sería aun mayor. En otras palabras, encima de tener que soportar el totalitarismo, EE.UU. los castiga negándoles equipos médicos. Pero Philips no es la única penalizada, en lo que va del año las multas por comerciar con Cuba llegan a representar el 30% del total del dinero recaudado por la OFAC, organismo oficial norteamericano dedicado a perseguir las infracciones comerciales. El gobierno cubano afirma que la OFAC invierte más dinero y personal en perseguir los negocios de Cuba por el mundo que en investigar las redes económicas que financian a la organización Al Qaeda, su archienemigo. Las leyes del embargo económico contra Cuba son tan impopulares internacionalmente que el presidente Obama se ha visto obligado a no aplicar algunos de los epígrafes que afectan a terceros países, según lo acaba de anunciar al Congreso. El mandatario suspenderá por 6 meses la aplicación de la Sección III de la Ley Helms-Burton, en la que se castiga a las empresas no estadounidenses que inviertan en la isla. La medida no es nueva, tanto Clinton como Bush ya lo habían hecho antes. Así, el camino transitado por la actual administración se parece cada vez más al de sus antecesores. Ahora Hilary Clinton condiciona el dialogo político a que Raúl Castro cambie el sistema, realice elecciones pluripartidistas y libere a los presos. Dice un sabio proverbio que no se puede tirar piedras para arriba cuando se tiene el techo de cristal y la paradoja es que el mayor número de presos políticos que hay en Cuba están en Guantánamo, dentro de la base militar estadounidense. Personas apresadas desde hace años, arrancados de sus países sin órdenes de extradición, a las cuales no se les celebró juicio, no se les dio la posibilidad de una defensa legal y se les mantiene aislados del resto del mundo. El hecho de que algunos de ellos fueran liberados recientemente sin el menor cargo en su contra, demuestra que por lo menos una parte de los que están allí no cometieron ningún delito, a pesar de lo cual pasaron varios años en la prisión. Además es curioso que Washington cuestione el sistema político de Cuba, cuando varios de los aliados de EE.UU. son dictaduras, prohíben la oposición, tienen presos políticos en sus cárceles o violan los derechos de las mujeres y de los homosexuales. Washington mantiene estrechas relaciones con la monarquía autocrática de Arabia Saudita, protege a Israel cuando viola las resoluciones de la ONU, apoya a Pakistán aunque se asesinen líderes políticos, mantiene un comercio preferencial con China sin exigir elecciones pluripartidistas y promueve el "diálogo" con los golpistas hondureños. Al parecer, hoy como ayer, para EE.UU. siguen existiendo diferentes tipos de dictaduras. En épocas de mayor sinceridad, el Presidente Roosevelt defendía al dictador Somoza afirmando: "sí, es un hijo de puta pero es nuestro hijo de puta".



Fernando Ravsberg é ocorrespondente da BBC em Havana e escreve no blog

terça-feira, 14 de julho de 2009

The CIA Assassination Program

By Adam Serwer, Information Clearing House
July 13, 2009 "American Prospect" --- Siobhan Gorman reports in the Wall Street Journal that the CIA program recently disclosed to Congress by Leon Panetta was designed to target high-level Al Qaeda leaders for assassination--something the CIA has been explicitly barred from doing since the Ford administration. It's worth noting however, that the CIA has attemped assassinations in the past--most infamously numerous attempts to kill Fidel Castro, at the behest of John F. Kennedy and Robert Kennedy, who played a prominent role in intelligence affairs in his brother's administration.
According to current and former government officials, the agency spent money on planning and possibly some training. It was acting on a 2001 presidential legal pronouncement, known as a finding, which authorized the CIA to pursue such efforts. The initiative hadn't become fully operational at the time Mr. Panetta ended it.
In 2001, the CIA also examined the subject of targeted assassinations of al Qaeda leaders, according to three former intelligence officials. It appears that those discussions tapered off within six months. It isn't clear whether they were an early part of the CIA initiative that Mr. Panetta stopped.
Spencer Ackerman argues that this proves Panetta wasn't merely trying to curry favor with Congress but may have been obligated to by law, writing "If he discovered the effort and didn’t tell Congress, it would be cause for the oversight committees to rake him over the coals, even if he scuttled the program."
I would also second Ackerman's defense of the CIA, which I think is even more relevant in this context. The CIA has only ever done what the executive in charge has asked it to do--its most infamous abuses do not originate with the CIA, they usually originate with policymakers, not the agency.
I'm also going to wait to jump into the ethics of this--in a time when CIA drone missile attacks are one of the primary offensive tools against Al Qaeda and the Taliban in Pakistan, it's not clear to me where the line is in terms of unethical behavior of this nature. Lying to Congress is one thing, and the CIA isn't legally allowed to conduct assassinations--but if they were, how different would it be from what we're currently already doing?
Also, it looks like Seymour Hersh knew exactly what he was talking about.

domingo, 12 de julho de 2009

EUA vs Cuba ...exemplos para tótós

Em que consiste em 2009 o embargo imposto por Kennedy a Cuba e que já dura à mais de 50 anos ? Ver a seguinte noticia....

terça-feira, 7 de julho de 2009

Honduras


O impasse mantêm-se depois de um domingo sangrento.

Zelaya pede ajuda a Obama.

Más de 800 detenidos por las protestas, sólo en Tegucigalpa.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O golpe militar nas Honduras e os EUA

Apesar de os EUA, pelo seu presidente terem condenado o golpe militar nas Honduras, existem muitas dúvidas relativamente ao envolvimento dos EUA no sucedido. Os interesses militares dos EUA têm vindo num crescendo a serem questionados pelos vários países da região após a eleição de governos progressistas. E o caso da Honduras não era um excepção ao panorama da região, onde vários países já manifestaram a sua intenção de não renovar com os EUA as autorizações para a permanência das bases militares no seu território. Isto leva a supor que ou Obama não está ao corrente de todas as actividades dos seus serviços secretos no seu “pátio das traseiras”, o que é altamente duvidoso, ou então não quis assumir perante uma América Latina (pela primeira vez na sua história) unida a uma só voz , uma posição de força que seria prontamente condenada e se revelaria uma grande contradição como seu discurso público na cimeira da OEA realizada em Trinidad e Tobago. Recentemente têm surgido informações que clarificam a ligação da CIA (e do seu braço mascarado de ONG, a USA -AID) aos golpistas.

Tal como noutras situações passadas neste continente, também neste caso, a vontade do senhor se mantêm fiel aos seus desígnios e à sua história recente de cumplicidade entre a hierarquia da igreja católica e as ditaduras militares.

domingo, 5 de julho de 2009

sábado, 4 de julho de 2009

Em Tegucigalpa continua a não haver Twitter...

Apesar do aparente desinteresse dos nossos meios de comunicação pelo que se passa nas ruas de Tegucigalpa, na capital da Honduras continuam as manifestações pelo sexto dia consecutivo contra o golpe militar e pelo regresso do presidente Manuel Zelaya.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Crime de Guerra em Gaza

De acordo com o relatório publicado ontem pela Amnistia Internacional, Israel assassinou 1400 civis palestinianos, dos quais 300 eram crianças. A operação militar realizada em Gaza no fim de 2008, durou 22 dias. Nos ataques do exército Israelita foram utilizadas armas de elevada precisão contra populações civis.

Israel deve ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional ! Abaixo-assinado Universal