segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Colômbia

Reagindo à recente instalação de 7 bases militares dos EUA na Colômbia e à crescente militarização do país, manifestada nos conflitos regionais surgidos com os países vizinhos, agravada com a entrada de mercenários da Blackwater no país (vêm do Iraque e do Afeganistão), os 2 principais grupos de guerrilha da Colômbia acordaram um pacto de união contra Álvaro Uribe. As Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC) e o Ejército de Liberación Nacional (ELN) somam juntas cerca de 14.000 homens e dominam metade do território colombiano. O conflito armado na Colômbia já dura à mais de 50 aos e tem-se pautado pelo equilíbrio que levou ao impasse que se vive na última década.

O envolvimento dos EUA no conflito é brutal. O financiamento norte-americano declarado em 2008 foi de cerca de 700 milhões de dólares. A perda crescente de influência na região levou a que a aposta na Colômbia seja desesperada. Existem conselheiros militares em elevado número no país, tanto dos EUA (CIA, DEA, Etc.), como de Israel. Israel tem ensaiado na Colômbia algumas das armas mais avançadas tecnologicamente do planeta (a operação que levou ao assassinato do comandante Raul Reyes foi um claro exemplo). A crescente presença dos EUA no país levou a que em 2009 tenham sido assinadas já durante o mandato do actual prémio Nobel da Paz, um acordo para a instalação de 7 bases militares dos EUA. Este episódio degradou ainda mais o relacionamento da Colômbia com os restantes países da região.

No entanto o equilíbrio no terreno, não se verifica na guerra mediática, onde os meios do fast-food informativo norte-americano e a sua rede de transmissão global, divulga a sua versão simples e manipulada da historia do conflito colombiano. Poucos sabem que a novela do rapto de Ingrid Betencurt se passou num país com um presidente com conhecidas ligações aos grupos paramilitares de direita e ao narcotráfico, onde de acordo com o último relatório da Amnistia Internacional, foram assassinados pelos grupos paramilitares 461 civis em 2008 e no mesmo período são imputadas ao exército 287 assassinatos extra judiciais. Este pais é a Colômbia, o recordista mundial no assassinato de sindicalistas e que mantêm há vários anos um média anual de cerca de 50 sindicalistas assassinados por ano !

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