quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A queda de Dilma teve ordem dos EUA

O famoso professor universitário e economista canadiano Michel Chossudovsky explica por que razão a queda de Dilma Rousseff foi ordenada por “Wall Street” e tenta desmascarar “os actores por trás do golpe”, num extenso artigo publicado pela primeira vez em Junho, mas reeditado na passada quinta-feira, 1 de Setembro, um dia após a consumação do “impeachment” no Brasil, a 31 de Agosto último.

“O controlo sobre a política monetária e a reforma macroeconómica eram os objectivos últimos do golpe de Estado. As nomeações principais do ponto de vista de Wall Street são o Banco Central, que domina a política monetária e as operações cambiais, o Ministério da Fazenda (Finanças) e o Banco do Brasil”, diz o artigo, destacando que, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, passando por Lula da silva e Temer, Wall Street tem exercido controlo sobre os nomes indicados para liderar essas três instâncias estratégicas para a economia brasileira.

“Em nome de Wall Street e do ‘consenso de Washington’, o ‘governo’ interino pós-golpe de Michel Temer nomeou um ex-CEO de Wall Street, com cidadania dos EUA, para dirigir o Ministério da Fazenda”, diz o artigo, referindo-se a Henrique Meirelles, nomeado em 12 de Maio último. 

Como observa o artigo, Meirelles, que tem dupla nacionalidade, brasileira e norte-americana, serviu como presidente do FleetBoston Financial (fusão do BankBoston Corp. com o Fleet Financial Group) entre 1999 e 2002 e foi presidente do Banco Central sob o governo de Luís Inácio Lula da Silva, entre 1 de Janeiro de 2003 e 1 de Janeiro de 2011.

Antes disso, o actual ministro brasileiro das Finanças (Fazenda), que volta ao poder sob o governo Temer após ter sido dispensado por Dilma em 2010, também actuou durante 12 anos como presidente do BankBoston nos EUA.

Já o actual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, nomeado por Temer em 16 de Maio, também tem dupla nacionalidade, brasileira e israelita, e foi economista-chefe do Itaú, maior banco privado do Brasil. Segundo o artigo, Goldfajn “tem laços estreitos tanto com o Fundo Monetário Internacional (FMI) como com o Banco Mundial”. 

“Goldfajn já tinha trabalhado no Banco Central do Brasil sob as ordens de Armínio Fraga, bem como durante o mandato de Henrique Meirelles. Tem estreitos laços pessoais com o Professor Stanley Fischer, actualmente vice-presidente da Reserva Federal dos EUA, além de ter sido vice-director do FMI e ex-presidente do Banco Central de Israel. Desnecessário dizer que a nomeação de Golfajn para o Banco Central foi aprovada pelo FMI, pelo Tesouro dos EUA, por Wall Street e pela Reserva Federal dos EUA”, afirma o artigo.

Armínio Fraga, por sua vez, foi presidente do Banco Central entre 4 de Março de 1999 e 1 de Janeiro de 2003. Exerceu a função de director de fundos de cobertura (“hedge funds”) durante seis anos na Soros Fund Management (associada ao multimilionário George Soros), e também tem dupla nacionalidade brasileira e norte-americana.

“O sistema monetário do Brasil sob o real (moeda brasileira) é fortemente dolarizado. Operações da dívida interna são conducentes a uma dívida externa crescente. Wall Street tem o objectivo de manter o Brasil numa camisa de forças monetária”, explica o professor Michel Chossudovsky. Por isso, afirma o artigo, quando Dilma Rousseff aponta um nome não aprovado por Wall Street para a presidência do Banco Central, a saber, Alexandre António Tombini, cidadão brasileiro e funcionário de carreira no Ministério das Finanças, é compreensível que os interesses financeiros externos se articulem aos interesses das elites brasileiras para mudarem o quadro político no país. 

Contexto histórico 
No início de 1999, na sequência imediata do ataque especulativo contra o real, diz Chossudovsky, o presidente do Banco Central, Francisco Lopez, nomeado em 13 de Janeiro de 1999, a “Quarta-Feira Negra”, foi demitido pouco depois e substituído por Armínio Fraga, cidadão americano e funcionário da Quantum Fund, de George Soros, em Nova Iorque. “A raposa foi nomeada para tomar conta do galinheiro”, resume o artigo, afirmando que, com Fraga, os especuladores de Wall Street tomaram o controlo da política monetária do Brasil. 

Sob a liderança de Lula, a indicação de Meirelles para a presidência do Banco Central do Brasil deu seguimento à situação, diz o artigo, destacando que o nomeado já tinha trabalhado anteriormente como presidente e CEO dentro de uma das maiores instituições financeiras de Wall Street. “A FleetBoston era o segundo maior credor do Brasil após o Citigroup. Para dizer o mínimo, Meirelles estava em conflito de interesses. A sua nomeação foi acordada antes da ascensão de Lula à Presidência”, escreve o autor. 

Além disso, Meirelles foi um firme defensor do controverso Plano Cavallo da Argentina na década de 1990: “um ‘plano de estabilização’ de Wall Street que causou grandes estragos económicos e sociais”, segundo Chossudovsky. 

De acordo com Michel Chossudovsky, “a estrutura essencial do Plano Cavallo da Argentina foi replicada no Brasil sob o Plano Real, ou seja, a imposição de uma moeda nacional conversível dolarizada. O que este regime implica é que a dívida interna é transformada em dívida externa denominada em dólares”. 

Quando Dilma chegou à presidência em 2011, Meirelles foi retirado da presidência do Banco Central. Como ministro da Fazenda de Temer, ele defende a chamada “independência” do Banco Central. “A aplicação deste conceito falso implica que o governo não deve intervir nas decisões do Banco Central. Mas não há restrições para as ‘Raposas de Wall Street’”, refere o artigo, acrescentando que “a questão da soberania na política monetária é crucial” e que “o objectivo do golpe de Estado foi negar a soberania do Brasil na formulação da sua política macro-económica”. 

De facto, sob o governo Dilma, a “tradição” de nomear uma “raposa de Wall Street” para o Banco Central foi abandonada com a nomeação de Tombini, que permaneceu no cargo de 2011 até Maio de 2016, quando Temer assumiu a presidência interina do país. 

A partir daí, Meirelles, no Ministério das Finanças do governo interino, “indicou os seus próprios comparsas para chefiar o Banco Central (Goldfajn) e o Banco do Brasil (Paulo Caffarelli)”, refere o artigo do Global Research, sublinhando que o novo ministro tinha sido descrito pelosmeios de comunicação social dos EUA como “market friendly” (“amigo do mercado”). 

Operações de inteligência 
“O que está em jogo através de vários mecanismos – incluindo operações de inteligência, manipulação financeira e meios de propaganda – é a desestabilização pura e simples da estrutura estatal do Brasil e da economia nacional, para não mencionar o empobrecimento em massa do povo brasileiro”, afirma Chossudovsky. 

Segundo a tese do famoso professor, “Lula era ‘aceitável’ porque seguiu as instruções de Wall Street e do FMI”, mas Dilma, com um governo mais guiado por um nacionalismo reformista soberano, não pôde ser “aceite” pelos interesses financeiros dos EUA, apesar da agenda política neoliberal que prevaleceu sob o seu governo. “Se Dilma tivesse decidido manter Henrique de Campos Meirelles, o golpe de Estado muito provavelmente não teria ocorrido”, afirma o analista. 

“Um ex-CEO e presidente de uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos (e um cidadão dos EUA) controla instituições financeiras importantes do Brasil e define a agenda macro-económica e monetária para um país de mais de 200 milhões de pessoas. Chama-se a isto um golpe de Estado... dado por Wall Street”, conclui Chossudovsky. 

Michel Chossudovsky, escritor premiado, é professor (emérito) de Economia da Universidade de Ottawa, fundador e director do Centro de Pesquisa sobre a Globalização (CRG) e editor da organização independente de pesquisa e meios de comunicação social Global Research. Leccionou como professor visitante na Europa Ocidental, no Sudeste Asiático e na América Latina, serviu como conselheiro económico para governos de países em desenvolvimento e tem trabalhado como consultor para várias organizações internacionais. É autor de 11 livros, publicados em mais de 20 línguas. Em 2014, foi premiado com a Medalha de Ouro de Mérito da República da Sérvia pela sua obra sobre a guerra de agressão da OTAN contra a agora desmembrada Jugoslávia.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Santiago do Chile 2016

Manifestante em Santiago do Chile, olha para um policial anti-motim durante uma manifestação para assinalar o aniversário do golpe militar de 1973.
Foto: Carlos Vera / Reuters

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Serás um pateta com a mente controlada pela CIA ?

Faz você um sorriso escarninho quando ouve alguém questionar as narrativas oficiais de Orlando, San Bernardino, Paris ou Nice? Sente-se você superior a 2.500 arquitectos e engenheiros, bombeiros, pilotos comerciais e militares, físicos e químicos, assim como a antigos altos responsáveis do governo que levantaram dúvidas acerca do 11/Set? Se assim é, você reflecte o perfil de um pateta com mentalidade controlada pela CIA.

A expressão "teoria da conspiração" foi inventada e posta a circular no discurso público pela CIA, em 1964, a fim de desacreditar os muitos cépticos que contestavam a conclusão da Comissão Warren de que o presidente John F. Kennedy fora assassinado por um pistoleiro solitário chamado Lee Harvey Oswald, o qual por sua vez foi assassinado enquanto sob a custódia da polícia antes que pudesse ser interrogado. A CIA utilizou seus amigos nos media para lançar uma campanha a fim de tornar suspeições do relatório da Comissão Warren alvo de ridículo e hostilidade. Esta campanha foi "uma das iniciativas de propaganda de maior êxito de todos os tempos".

Assim escreve o professor de ciência política Lance deHaven-Smith, o qual no seu livro revisto por especialistas (peer-reviewed)
Conspiracy Theory in America , publicado pela University of Texas Press, conta como a CIA teve êxito ao criar na mente do público a estigmatização reflexiva e automática daqueles que contestavam explicações do governo. Este é um livro extremamente importante e fácil de ler, um daqueles raros livros com o poder de arrancá-lo de The Matrix.

O professor deHaven-Smith pôde escrever este livro porque o original do CIA Dispatch #1035-960, o qual estabelece a trama da CIA, foi obtido através de um requerimento ao Freedom of Information Act. Aparentemente, a burocracia não encarou um documento tão velho como sendo de qualquer importância. O documento está marcado "Destruir quando não for mais necessário", mas por alguma razão não o foi. O Despacho #1035-960 da CIA é reproduzido no livro.

O êxito que a CIA teve ao estigmatizar o cepticismo a explicações do governo tornou difícil investigar Crimes de Estado Contra a Democracia (State Crimes Against Democracy, SCAD) tais como o 11/Set. Com a mente do público programada para ridicularizar "lunáticos da conspiração", mesmo no caso de eventos suspeitos como o 11/Set o governo pode destruir provas, ignorar procedimentos prescritos, atrasar uma investigação e a seguir formar um comité político para colocar o seu imprimatur sobre a narrativa oficial. O professor deHaven-Smith nota que em eventos tais como o assassinato de Kennedy e o 11/Set na investigação nunca são empregues os procedimentos oficiais da polícia.

O livro do professor deHaven-Smith's apoia o que tenho contado aos meus leitores: o governo controla a narrativa desde o princípio ao ter a explicação oficial pronta no momento em que ocorre o SCAD. Isto faz de qualquer outra explicação uma "teoria da conspiração". Isto é o modo como coloca o professor deHaven-Smith:
"Uma abordagem SCAD para memes [1] supõe mais uma vez que a CIA e outras possíveis agências participantes estejam a formular memes bem antes das operações e, portanto, memes SCAD aparecem e são popularizados muito rapidamente antes que quaisquer conceitos competidores entrem em cena".
O êxito da CIA no controle da percepção pública quanto ao que os nossos Pais Fundadores teriam encarado como eventos suspeitosos envolvendo o governo permite àqueles em posições de poder dentro do governo orquestrarem eventos que servem agendas ocultas. Os eventos do 11/Setembro criaram um novo paradigma de guerra sem fim em prol de um mundo dominado por Washington. O êxito da CIA no controle das percepções públicas tornou impossível investigar crimes da elite política. Consequentemente, agora é possível ser responsável da política do governo dos EUA para a traição.

O livro do professor deHaven-Smith contar-lhe-á a narrativa do assassinato do presidente Kennedy por elementos militares dos EUA, da CIA e do Serviço Secreto. Assim como a Comissão Warren encobriu o Crime de Estado Contra a Democracia, o professor deHaven-Smith mostra porque deveríamos duvidar da narrativa oficial do 11/Set. E de outras coisas que o governo nos conta.

Leia este livro. É curto. É barato. É preparação para a realidade. Ele o preservará de ser um americano idiota, indiferente e com o cérebro lavado. Estou surpreendido por a CIA não ter comprado toda a edição e queimado os livros. Talvez a CIA se sinta segura com o seu êxito em lavar os cérebros do público e não acredite que a democracia americana e um governo responsável possam ser restaurados.        
  
[1] Memes: idéia, prática social, conceito ou ação que se torna norma e é conscientemente repetido numa sociedade (termo cunhado por Richard Dawkins no livro "The Selfish Gene", 1976)       
Artigo de Paul Craig Roberts encontra-se em: www.paulcraigroberts.org/...               
Fonte:
http://resistir.info/       

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

KZ-Guantánamo, 15º ano

Guantánamo é o produto mais acabado da forma como o governo dos EUA entende os últimos 15 anos de história e, simultaneamente, pretende organizar o nosso futuro.
 


Num agosto como este, há 13 anos, uma equipa de tortura da CIA foi buscar Mohamedou Ould Slahi, um mauritano de 32 anos, a uma cela de Guantánamo para o interrogar. "Um deles bateu-me na cara, tapou-me logo os olhos e os ouvidos, e pôs-me um saco de plástico na cabeça. (...) Acorrentaram-me tornozelos e pulsos". Slahi estava preso havia dois anos, um dos muitos milhares de detidos que os norte-americanos então capturam, ou mandam capturar, um pouco por todos o mundo, a grande maioria colocados à sua disposição nessa rede de prisões secretas e ilegais que, com a cooperação dos seus aliados (Portugal incluído), se foi montando por todo o planeta. Em novembro de 2001, aos 30 anos, dois meses depois do ataque às Torres Gémeas, a polícia mauritana prendeu-o a pedido das autoridades americanas. É já a CIA que o transfere para uma prisão jordana, onde fica detido em isolamento durante oito meses. Vivera desde os 18 anos na Alemanha e no Canadá, de onde, em 1991, partiu para o Afeganistão combater, com o apoio dos EUA e do Paquistão, o governo de Najibullah, apoiado pela ainda União Soviética. Os americanos eram, portanto, seus velhos conhecidos.
 
A pretexto do 11 de Setembro, o Iraque tinha sido invadido e entrara-se na era da guerra permanente que provocaria centenas de milhares, provavelmente milhões de mortos no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria, no Iémene, no Egito,... , e que alimentaria os atentados sanguinários da al-Qaeda e do Estado Islâmico. No meio de tamanho oceano de violência, o mauritano contava pouco. Um ano depois de chegar a Guantánamo, sem que acusação alguma lhe fosse imputada, fora de qualquer controlo judicial (civil ou militar), a tortura servira apenas para ele "vender aos americanos aquilo que eles quisessem comprar", isto é, assumir todas as mentiras que eles queriam que ele assumisse. Nesse 24 de agosto meteram-no num camião e espancaram-no até sentir que sufocava. "Mantinham-me os olhos e a cara tapados enquanto me batiam. Nada há de mais aterrorizador do que, a cada batimento cardíaco, achar que se vai apanhar um murro." Atiraram-no para dentro de uma lancha rápida, no mar de Cuba, simulando que o transportavam para outro país. Sempre com um saco de plástico a cobrir-lhe a cabeça, a tortura prolonga-se durante três horas. Volta a terra, e ao longo de horas sucedem-se na tortura americanos e árabes que coadjuvam os primeiros. "Cobriram-me todo o corpo, do pescoço aos tornozelos, com cubos de gelo, colocados debaixo da roupa. Sempre que o gelo derretia, substituíam-no por novos cubos. Enquanto me batiam na cara, o gelo ajudava a desinflamar os hematomas que me haviam feito por todo o corpo. (...) É difícil imaginar a dor que se sente quando o gelo se nos cola ao corpo." (M.O. Slahi, Guantanamo Diary; relato escrito em 2005, 2600 excertos censurados pelas autoridades americanas que só autorizam publicação em 2015).

Dois meses depois do 11 de Setembro de 2001, Bush autorizou a detenção por prazo indeterminado e sem dedução de acusação contra todos os "combatentes ilegais" feitos prisioneiros pelos americanos fora dos EUA, transformando Guantánamo, uma base que os EUA mantêm em Cuba à revelia do governo deste país, no campo de concentração (um KZ, na sua sigla nazi) modelo do séc. XXI. Num relatório sobre os primeiros dez anos do que deveria ser chamado o KZ-Guantánamo, recriado como espaço de puro arbítrio, em toda a sua essência, a Aministia Internacional (AI) sintetiza em "dez mensagens anti-Direitos Humanos" uma espécie de declaração universal de a-juricidade da nova ordem mundial que se foi impondo desde então. Antes de mais, "até as detenções declaradas ilegais podem ser prolongadas indefinidamente", "o direito a um julgamento justo depende da nacionalidade do detido e do ambiente político doméstico" e, obviamente, "a justiça pode ser manipulada para garantir que o governo ganha sempre". Em Guantánamo, "o tratamento humanitário do detido é uma escolha política e não um requisito legal"; "toda a execução é aceitável — mesmo depois de um julgamento injusto". Assumida desde 2009 a sua a-legalidade fundamental pela própria Administração Obama, os EUA não estão dispostos a assumir responsabilidade alguma pelo crime universal que praticam desde há 15 anos: "as vítimas de violações de Direitos Humanos podem ficar sem remédio", os EUA não colaborarão na "procura da verdade e na verificação de responsabilidades, mesmo no caso de crimes praticados contra o Direito Internacional" (AI, USA Guantánamo: A Decade of Damage to Human Rights, 2011).
 
Guantánamo é apenas uma das muitas prisões especiais à disposição dos EUA, articulada com centenas de outras em território aliado onde os detidos têm, na maioria dos casos, menos garantias ainda. O mecanismo que lhe deu origem é o mais antigo e tradicional da repressão colonial, tão bem conhecido dos resistentes antifascistas portugueses: o da deportação para milhares de quilómetros de distância, produzindo o desenraizamento perpétuo, ou até a aniquilação pela morte, se ela parecer pouco suscetível de resposta social. A intenção que está na sua origem é rigorosamente a mesma do Tarrafal, o KZ que Salazar mandou construir em 1934 na ilha de Santiago, em Cabo Verde, e que abriu há 80 anos, em 1936: criar um território físico, político e simbólico, fora do alcance da aplicação do Direito. Nele se entra sem se saber nunca quando (ou sequer se) dele se sai. Nove dos detidos de Guantánamo morreram à guarda das mesmas autoridades militares americanas que não permitem o livre acesso a advogados, ONGs, famílias. Dos 779 detidos, 15 eram menores de 18 anos. Apenas em oito casos (1%), as autoridades submeteram-nos a julgamento; condenados por comissões (nem sequer tribunais) militares, três deles viram as suas penas revogadas, a outros três foram reduzidas depois de recurso. 674 (87%) prisioneiros acabaram por ser transferidos para outros países; ao fim de 10-15 anos, a grande maioria continua detida sem julgamento. Dos que permanecem na base, 31 entram na categoria dos "indefinite detainees": os americanos não os aceitam libertar nem julgar; as confissões, obtidas através da tortura, não têm valor em tribunal (Human Rights Watch, "Guantanamo: Facts and Figures", 18.4.2016).

Guantánamo é o produto mais acabado da forma como o governo dos EUA entende os últimos 15 anos de história e, simultaneamente, pretende organizar o nosso futuro. Se, como se diz em Washington ou em Paris, o mundo é um campo de batalha numa guerra global contra o "terror", e nela os Direitos Humanos "não se podem aplicar", um estado de exceção deve ser imposto à escala planetária; se, como dizia Manuel Valls, nos temos de habituar a viver na "guerra contra o terror", temos de nos habituar a um estado de exceção perpétuo. Perpetuamente sem poder invocar os Direitos Humanos.
 
Artigo de Manuel Loff no Público

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Toots Thielemans (1922 - 2016)


Os Panteras Negras foram nos EUA a vanguarda dos anos 60

“Eles são a maior ameaça para a segurança interna do país”, sentenciou John Edgar Hoover, o lendário chefe do FBI, durante reunião na qual declarou guerra aberta ao partido de jovens afro-americanos que, no final dos anos 1960, ousava promover motins e enfrentar a polícia.
Os Panteras Negras brotavam como cogumelos nas principais cidades norte-americanas. Rapidamente viravam o símbolo e a direção de quem não aceitava mais oferecer a outra face perante a agressividade das forças racistas. As leis segregacionistas já estavam abolidas desde 1964, mas a brutalidade repressiva contra os bairros negros e a situação de pobreza não se alteravam. Os grandes centros urbanos do norte e da costa oeste, para onde migravam os que fugiam do apartheid sulista, tinham se transformado em panelas de pressão. Levantes frequentes agitavam as cidades e a imaginação. Quando moradores de Watts, distrito na periferia de Los Angeles, se sublevaram contra a prisão arbitrária de um vizinho, em agosto de 1965, abria-se um novo ciclo histórico. Entre os dias 11 e 15, o chão ficou tingido pelo sangue de 34 mortes e mais de mil feridos. Quase 3,5 mil presos e mais de 40 milhões de dólares em danos materiais foram contabilizados. Nos três anos seguintes, a cena se repetiu em muitas outras localidades. Os Estados Unidos pareciam caminhar rumo a uma insurreição. Os encarregados em manter a lei e a ordem perdiam o sono. Estava aparentemente em perigo o sistema que juraram defender. Ao lado das multidões que marchavam contra a Guerra do Vietname, a mobilização dos guetos negros sacudia um mundo marcado por regras e hábitos construídos no encontro entre imperialismo e escravidão. Era esse o clima, em outubro de 1966, no dia 15, quando dois estudantes do Merritt College, em Oakland, cidade vizinha a São Francisco, na ensolarada Califórnia, fundaram o Partido Pantera Negra para a Autodefesa.
Huey P. Newton e Bobby Seale recrutaram mais quatro colaboradores e formaram o núcleo inicial da organização. Também decidiram instituir um uniforme: camisas azuis, calças e boinas pretas, casacos de couro. Tinham mais simpatia pelas ideias de Malcolm X, assassinado em maio do ano anterior, do que pelo pensamento de Martin Luther King, mortalmente baleado dali a dois anos. Sentiam-se atraídos por objetivos nacionalistas e de autodeterminação, a compreensão de que o povo negro estava sob jugo colonial desde que escravos africanos foram capturados e transportados contra a vontade. Flertavam com possibilidades separatistas, entortando o nariz para a narrativa integracionista que predominava nos grupos dominantes da campanha contra a segregação.
Acima de tudo, consideravam inaceitável a estratégia de resistência passiva, não violenta, apregoada por Luther King, com quem costuravam acordos pontuais, mas tendendo a enxergá-lo como um anexo do sistema que sonhavam demolir. Partiam do pressuposto que a falta de reação, cedo ou tarde, afetaria o ânimo e a capacidade de mobilização. A resistência ativa, por outro lado, poderia elevar a autoestima e intimidar os inimigos de sua causa. Viam-se, em certa medida, como herdeiros de Malcolm X, ainda que não partilhassem seus pendores islâmicos. O que definitivamente os entusiasmava era o propósito de ser a ponta de lança das comunidades negras. Seus organizadores e protetores armados frente aos atropelos do Estado e de agremiações racistas como a Ku Klux Klan. Contavam, a seu favor, com uma lei californiana que permitia a todos os cidadãos carregarem suas próprias armas. De rifles no ombro e revólveres em punho, funcionavam como tropa de choque contra a ação policial, protegendo manifestações e protestos.
Crescimento após ação audaciosa
A fama nacional veio com uma ação espetacular, em maio de 1967. A Assembleia Estadual da Califórnia, sediada em Sacramento, tinha agendado a discussão de projeto que proibia o porte de armas. Sob comando de Bobby Seale, trinta militantes ocuparam, armados, as instalações do organismo legislativo, em protesto contra medida que enfraqueceria os Panteras Negras diante da polícia.
Imagens de tamanha audácia percorreram o país. Seu prestígio cresceu aceleradamente, atraindo jovens militantes por toda a parte, que abriam escritórios do partido, aderiam a seu programa e se paramentavam para a guerra. As ambições eram vigorosas: emprego, educação, habitação, fim da brutalidade policial, julgamento de negros apenas por juízes e júris negros, revogação do serviço militar obrigatório, liberdade para os afro-americanos decidirem se queriam continuar incorporados aos Estados Unidos ou fundar sua própria nação. Também manifestavam seu repúdio à intervenção norte-americana no Vietname. Não queriam apenas a paz e a retirada das tropas. Batalhavam pela vitória dos comunistas de Ho Chi Minh, o líder da independência do país asiático, contra os exércitos chefiados pela Casa Branca.
Foi nessa batida que logo se transformaram na corrente mais relevante do chamado Poder Negro.
Sob esse guarda-chuva se abrigava, entre os anos 60 e 70, uma constelação de movimentos e grupos dispostos à insurgência contra um modelo que, aos seus olhos, estava marcado pelo cruzamento entre supremacia branca, domínio dos ricos e neocolonialismo. “Nascemos como uma organização comunitária, mas logo nos reivindicamos como partido revolucionário”, relembra Kathleen Neal Cleaver, primeira mulher a integrar o comitê central dos Panteras Negras. “Sob a influência da Revolução Cubana e da guerra de libertação dos vietnamitas, além do impacto das ideias de Mao Tse Tung, assumimos identidade marxista, mas nas condições específicas da luta anticolonial dos negros norte-americanos.” Aos 71 anos, Kathleen é atualmente professora na Universidade de Yale, uma das mais prestigiadas do planeta. Formada em Direito, dedica-se ao estudo de questões afro-americanas. Casada por vinte anos com um dos chefes históricos dos Panteras Negras, Eldridge Cleaver, o terceiro homem da troika que também incluía Newton e Seale, ela foi secretária de Comunicação do partido entre 1967 e 1969, antes de se exilar na Argélia, com o marido, então condenado por tentativa de homicídio, durante tiroteio contra policiais de Oakland.
“Os Estados Unidos são diferentes de outros países capitalistas”, afirma, resumindo análise que embasava sua organização. “A estrutura econômica e social tem um componente de dominação colonial dentro do próprio território, para o qual outros povos foram trazidos à força. Não se trata apenas de preconceito racial, mas de supremacia como forma de Estado e sociedade.” Essa lógica levou os Panteras Negras a aceitarem filiação apenas de afro-americanos. Apostavam que interesses comuns seriam defendidos por coalizões entre distintas agremiações, cada qual com sua própria identidade nacional ou étnica.

Estado versus Panteras Negras
Parte da imprensa aproveitou este critério para enquadrar o agrupamento como racista, defensor de alguma espécie de supremacia negra. A outra perna da campanha de desconstrução era pintá-lo como adepto da violência e do terror.
“Nós estávamos em guerra e tínhamos o direito de nos defender”, declara Elaine Brown, a última presidente do partido antes de sua dissolução. “Mas recorríamos à violência apenas quando atacados. Nosso trabalho principal era educacional e de organização social.” Nascida em um gueto de Filadélfia, atualmente com 73 anos, a ativista também se fez cantora e escritora. Quando os Panteras Negras estavam já em seu ocaso, divididos e sob severa repressão, Elaine foi nomeada por Newton, foragido em Cuba, a nova comandante do movimento, cargo que ocuparia entre 1974 e 1977. “Ninguém tinha a receita para enfrentar o padrão repressivo que foi sendo adotado pelo governo”, relembra Elaine. “Tentamos aplicar uma das máximas de Mao, de que a guerrilha deve se mover entre as pessoas como um peixe nadando no mar. Mas o cerco se fechava.” Além da autodefesa, a legenda fez-se conhecida por implantar programas de assistência nos bairros mais pobres, dos quais o mais famoso talvez tenha sido o café da manhã para crianças de famílias paupérrimas. Provou-se estratégia inteligente para ampliar influência e atrair novos militantes, além de permitir a construção de expressiva rede financeira entre artistas, intelectuais e até empresários.
Os Panteras Negras também conseguiram manter um semanário de circulação nacional e construir escolas de formação política, nas quais milhares de homens e mulheres foram educados. Participaram igualmente de processos eleitorais, na fórmula do Partido Paz e Liberdade, uma casa de esquerda até hoje em atividade, pela qual Eldridge Cleaver disputou as eleições presidenciais de 1968. Conquistou menos de 50 mil sufrágios: poucos eram os afro-americanos inscritos para votar. Não alcançaram, em seu auge, mais que 10 mil militantes, segundo cálculos de vários dirigentes. O potencial de crescimento social, político e até militar, contudo, despertou a atenção e a ira dos organismos de segurança.
Hoover ordenou ao FBI que praticasse toda sorte de operação para desmoralizar, dividir e destruir os Panteras Negras. A caixa de ferramentas contra a organização rebelde era completa: infiltrações, denúncias forjadas, assassinatos, prisões em massa, provas plantadas. A polícia de Los Angeles, seguida pela de outras cidades, deu contribuição cinematográfica à caçada anunciada, com a criação da SWAT, tropa especial forjada para o combate ao partido de Newton, Seale e Cleaver. Seu batismo de fogo foi uma batalha para tomar de assalto a sede da agremiação na cidade dos anjos.

Fim do grupo nos anos 80
O Senado norte-americano, em 1975, reconheceria oficialmente as ilegalidades cometidas. Nenhuma reparação, no entanto, foi determinada. Os que haviam sobrevivido, muitos apodrecendo atrás das grades, não foram contemplados por qualquer lei de amnistia ou indulto. Os policiais responsáveis jamais seriam punidos.
A esta altura, além do mais, o fardo de prisões, mortes e divisões já era insuportável. O partido praticamente deixara de existir, apesar dos empenhos de sobrevida até 1982.
Muitos de seus militantes iriam se incorporar a outros agrupamentos, especialmente ao Exército Negro de Libertação, atuante até meados dos anos 80. O poder de mobilização e representação dos Panteras Negras, no entanto, tinha sido esmagado pelo Estado mais poderoso do mundo.
O chefe da polícia federal norte-americana cumprira a ameaça contida em um documento oficial do FBI: “Jovens negros e ativistas moderados precisam entender que, caso resolvam se transformar em revolucionários, serão revolucionários mortos.”
Artigo de Breno Altmann publicado no Opera Mundi.
Fonte: odiario.info

domingo, 21 de agosto de 2016

Dakh Daughters


Dakh Daughters "Rozy / Donbass" (live acoustic)


Zozulytsya / Зозулиця - Dakh Daughters Band (official video)


Promo Dakh Daughters Band

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Obama contra Trump, Putin e Erdogan: Golpes podem derrotar governos eleitos

Introdução            
Washington organizou uma campanha sistemática, global e ilimitada para expulsar o candidato presidencial republicano, Donald Trump, do processo eleitoral. O virulento ânimo anti-Trump, os métodos, os objectivos e os mass media assemelham-se a regimes autoritários a prepararem-se para derrotar adversários políticos.

Esforços de propaganda comparáveis levaram a golpes políticos no Chile em 1972, no Brasil em 1964 e na Venezuela em 2002. As forças anti-Trump incluem partidos políticos, um juiz do Supremo Tribunal, banqueiros da Wall Street, jornalistas e editorialistas de todos os media mais importantes e os principais porta-vozes militares e da inteligência.

O violento e ilegal esbulho de Trump por Washington é parte integral de uma vasta campanha mundial para o derrube de líderes e regimes que levantem questões acerca de aspectos das políticas imperiais dos EUA e UE.

Trataremos de analisar a política da elite anti-Trump, os pontos de confrontação e propagada, como um prelúdio para impulsionar remover oposição na América Latina, Europa, Médio Oriente e Ásia.

O golpe anti-Trump            
Nunca na história dos Estados Unidos um Presidente e um Juiz do Supremo Tribunal advogaram abertamente o derrube de um candidato presidencial. Nunca a totalidade dos mass media empenhou-se dia e noite numa propaganda unilateral para desacreditar um candidato presidencial ao sistematicamente ignorar ou distorcer as questões sócio-económica centrais da sua oposição.

O apelo ao derrube de um candidato eleito livremente é nada mais, nada menos do que um golpe de estado.

As principais redes de televisão e colunistas pedem que as eleições sejam anuladas, seguindo a pista do Presidente e de líderes eminentes do Congresso e dos partidos republicano e democrata.

Por outras palavras, a elite política rejeita abertamente processos eleitorais democráticos em favor da manipulação autoritário e do engano. A elite autoritária confia na ampliação de questões terciárias, em discutíveis apelos de julgamento pessoal a fim de mobilizar apoiantes para o golpe.

Eles evitam sistematicamente as questões económicas e políticas centrais que o candidato Trump levantou – e atraíram apoio maciço – as quais desafiam políticas fundamentais apoiadas pelas elites dos dois partidos.

As raízes do golpe anti-Trump             
Trump levantou várias questões chave que desafiam a elite democrata e republicana.    
Trump atraiu apoio de massa e ganhou eleições e inquéritos de opinião pública ao:       
  1. Rejeitar os acordos de livre comércio que levaram grandes multinacionais a se relocalizarem no exterior e desinvestirem em empregos industriais bem pagos nos EUA.        
  2. Apelar a projectos de investimento público em grande escala para reconstruir a economia industrial dos EUA, desafiando o primado do capital financeiro.        
  3. Opor-se à ressurreição da Guerra Fria com a Rússia e a China e promover maior cooperação económica e negociações.        
  4. Rejeitar o apoio dos EUA à acumulação militar da NATO na Europa e à intervenção na Síria, África do Norte e Afeganistão.        
  5. Questionar a importação de trabalho imigrante, o qual reduz oportunidades de emprego e salários para cidadãos locais.
A elite anti-Trump evita sistematicamente debater tais questões; ao invés disso distorce a substância das políticas.

Ao invés de discutir os benefícios no emprego que resultarão do fim das sanções à Rússia, os que tramam o golpe berram que "Trump apoia Putin, o terrorista".

Ao invés de discutir a necessidade de redirigir investimento interno para criar empregos nos EUA, a junta anti-Trump fala por clichés a afirmarem que a sua crítica da globalização "minaria" a economia dos EUA.

Para denegrir Trump, a junta Clinton/Obama recorre a escândalos políticos para encobrir crimes políticos em massa. Para distrair a atenção pública, Clinton-Obama afirmam falsamente que Trump é um "racista", apoiado por David Duke, um advogado racista da "islamofobia". A junta anti-Trump promoveu os pais estado-unidenses-paquistaneses de um militar abatido em guerra como vítima das calúnias de Trump mesmo quando eles aplaudiam Hillary Clinton, promotora de guerras contra países muçulmanos e autora de políticas militares que remeteram milhares de soldados americanos para a sepultura.

Obama e Clinton são os racistas imperiais que bombardearam a Líbia e a Somália e mataram, feriram e deslocaram mais de 2 milhões de africanos negros ao sul do Saara.

Obama e Clinton são os islamófobos que bombardearam e mataram e expulsaram cinco milhões de muçulmanos na Síria e um milhão de muçulmanos no Iémen, Afeganistão, Paquistão e Iraque.

Por outras palavras, a política errada de Trump de restringir a imigração muçulmana é uma reacção ao ódio e à hostilidade engendrada por Obama e Clinton com o genocídio de um milhão de muçulmanos.

A política "America First" de Trump é uma rejeição de guerras imperiais além-mar – sete guerras sob o governo Obama-Clinton. Suas políticas militaristas incharam défices orçamentais e degradaram padrões de vida nos EUA.

A crítica de Trump à fuga de capitais e de empregos ameaçou a locupletação de mil milhões de dólares por parte da Wall Street – a razão mais importante por trás do esforço bi-partidário da junta para afastar Trump e o apoio que tem da classe trabalhadora.

Ao não seguir a agenda de guerra bi-partidária da Wall Street, Trump esboçou uma outra agenda que é incompatível com a estrutura actual do capitalismo. Por outras palavras, a elite autoritária dos EUA não tolera as regras democráticas do jogo mesmo quando a oposição aceita o sistema capitalista.

Além disso, a busca de Washington do "poder único" estende-se através do globo. Governos capitalistas que decidam seguir políticas externas independentes são alvos para golpes.

A junta Obama-Clinton torna-se frenética            
O golpe contra Trump proposto por Washington segue políticas semelhantes àquelas dirigidas contra líderes políticos na Rússia, Turquia, China, Venezuela, Brasil e Síria.

O presidente russo, Putin, foi demonizado diariamente pelos media de propaganda dos EUA durante quase toda uma década. Os EUA apoiaram oligarcas e promoveram sanções económicas; financiaram um golpe na Ucrânia; instalaram mísseis nucleares na fronteira da Rússia e lançaram uma corrida armamentista para minar políticas económicas do Presidente Putin a fim de provocar um golpe.

Os EUA apoiaram o "governo invisível" do seu apaniguado (proxy) gulenista no golpe fracassado para derrubar o Presidente Erdogan, por este deixar de adoptar totalmente a agenda dos EUA para o Médio Oriente.

Da mesma forma, Obama-Clinton apoiaram golpes bem sucedidos na América Latina. Foram orquestrados golpes em Honduras, Paraguai e mais recentemente no Brasil para minar presidentes independentes e assegurar regimes neoliberais satélites. Washington apressa-se para impor à força o derrube do governo nacional-populista do Presidente Maduro, na Venezuela.

Washington aumentou seus esforços para desgastar, minar e derrubar o governo do Presidente Xi-Jinping, da China, através de várias estratégias combinadas. Uma acumulação militar de uma força de ar e terra no Mar do Sul da China e bases militares no Japão, Austrália e Filipinas; agitação separatista em Hong Kong, Formosa e entre os uigures; acordos comerciais de livre comércio entre EUA, América Latina e Ásia que excluem a China.

Conclusão            
A estratégia de Washington de golpes ilegais e violentos para manter a ilusão de império estende-se através do globo, indo desde Trump nos EUA a Putin na Rússia, desde Erdogan na Turquia a Maduro na Venezuela e Xi Jinping na China.

O conflito é entre o imperialismo dos EUA-UE apoiado pelos seus clientes locais contra regimes endógenos enraizados em alianças nacionalistas.

A luta é contínua e prolongada e ameaça minar o tecido político e social dos EUA e da União Europeia.

A principal prioridade para o Império estado-unidense é minar e destruir Trump por quaisquer meios. Trump já levantou a questão de "eleições manipuladas" ("rigged elections"). Mas a cada ataque dos media da elite a Trump parece aumentar e fortalecer seu apoio de massa e polarizar o eleitorado.

Quando as eleições se aproximam, será que a elite se limitará à histeria verbal ou passará dos assassínios verbais para os de "outra espécie"?

A estratégia global do golpe de Obama mostra resultados mistos: eles tiveram êxito no Brasil mas foram derrotados na Turquia; eles tomaram o poder na Ucrânia mas foram derrotados na Rússia; eles ganharam aliados de propaganda em Hong Kong e Formosa mas sofreram graves derrotas económicas estratégicas na região quando a China avançou políticas comerciais asiáticas.

Quando as eleições estado-unidenses se aproximam, e o legado imperial perseguido por Obama entra em colapso, podemos esperar maiores fraudes e manipulações e talvez mesmo o recurso frequente a assassínios daqueles que a elite designa como "terroristas".        

      
O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=2096            
Fonte: 
http://resistir.info/ 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016