sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

domingo, 15 de janeiro de 2017

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A produção perversa de um mito histórico

A História para consumo geral é escrita pelos vencedores e suas estruturas de domínio. E quando a História é ainda contemporânea e se confunde com a comunicação social, guiada por mecanismos de propaganda, dos mais grosseiros aos delicadamente sofisticados, a vantagem das forças dominantes torna-se esmagadora, entrando pelos domínios da mitologia inquestionável, servida por axiomas asfixiantes.
 
A morte não apaga as realidades nem os factos vividos; não os transforma, mesmo quando oportunisticamente manipulados por quem considera legítimo domar consciências, em mandamentos de uma doutrina de obediência colectiva, condenando os que não a aceitam à marginalidade do pariato eterno.
Como se previa ainda em vida, a morte transformou Mário Soares num mito histórico à velocidade da tecnologia de ponta. Para que não entrem em piloto automático os efeitos dos axiomas que balizam a queda no delito de opinião, cabe-me escrever, com toda a honestidade, que não estão minimamente em questão o antifascismo de Mário Soares nem a sua coragem para enfrentar a besta salazarenta, ainda que outros tenham sofrido bem mais dolorosamente as consequências de tal destemor e tantos louvores não tenham recebido, pelo contrário, sejam ainda alvo de insultos e pasto de mentiras difamatórias, mais cruéis ainda quando delas já não se podem defender.
 
Ponto assente: Mário Soares foi um corajoso antifascista.
 
Agora «pai da democracia» e «pai da liberdade»?
Os mitos históricos têm progenitores: a propaganda que fabrica a História regimental e os poderes que a alimentam e dela se nutrem, num descarado processo de parasitismo. Quanto ao pai da democracia, outro não é que não o povo que a pratica, quando não há esbirros ou mecanismos cínicos que o impeçam – à bruta ou através de processos de controlo e manipulação; os pais da liberdade são os cidadãos livres que a conquistam e a defendem, mas têm quase sempre pela frente aqueles que, graças a usos mais ou menos perversos do poder, sustentam estar escrito no destino haver uns cidadãos mais livres do que outros.
 
Decifrando a cacofonia que vem atordoando o país nestes dias, ladainhando mil e um monólogos redondos em torno de duas ou três mensagens propagandísticas feitas e refeitas, concluiu-se que Mário Soares foi, sim, um dos pais fundadores do tipo de regime financeiro, económico e político que hoje se aplica em Portugal, subsidiário do ordenamento não-democrático da União Europeia; e tutor de uma liberdade sem dúvida condicionada, para a maioria dos cidadãos, pelos instrumentos e tentáculos da mesma União Europeia.
A manipulação subjacente a tanto ruído ambiente, gritando para milhões o que poderia resumir-se em meia dúzia de frases simples, é a confusão abusiva entre democracia plena, prometida pela Revolução de 25 de Abril, e o regime de democracia parcial em funcionamento; e entre liberdade humanista e o labirinto de liberdades, condicionamento de direitos civis, laborais e sociais e austeridades em que se transformou a sociedade portuguesa, marioneta dos interesses convergentes que se empanturram em Bruxelas.
«(...) Mário Soares foi, sim, um dos pais fundadores do tipo de regime financeiro, económico e político que hoje se aplica em Portugal, subsidiário do ordenamento não-democrático da União Europeia (...)»
Mário Soares, o antifascista, cedo abandonou a dinâmica transformadora da Revolução de Abril, passando, no âmbito da sua acção e cargos, a desenvolver contactos com o embaixador norte-americano Frank Carlucci – futuro director da CIA – que se ingeria descaradamente, conspirando, nos assuntos portugueses; e do golpe de 25 de Novembro de 1975 ainda hoje sabemos apenas quanto baste do que interessa aos que dele tiraram proveito e proveitos; o soarismo que lhe sucedeu imprimiu marcas indeléveis que pouco correspondem às deixadas para trás por Mário Soares, no período antifascista.
Paradoxalmente, por uma caprichosa ironia a que, pelos vistos, nem os mais cuidados mitos históricos escapam, a figura tutelar do soarismo desaparece fisicamente num período em que o governo de Portugal resulta de uma solução política que contraria um dos mais rígidos axiomas soaristas – estando, até há pouco, rigorosamente bloqueada.
 
Recordando o percurso de Portugal desde 25 de Abril de 1974, se as realidades vividas pelo país forem encaradas livres de manipulações, enviesamentos e mentiras da propaganda, comprovam que os conceitos de democracia e liberdade aplicados pelo soarismo foram condicionados por um redil político (determinado por poderes financeiros e económicos); uma tal cerca marginalizou os que se afirmaram ideologicamente diferentes, logo acusados, sem provas, de serem adeptos de soluções ditatoriais ou não-democráticas – afastados sumariamente de soluções governativas mesmo que proporcionassem maiorias parlamentares estáveis.
 
Não foram raros os casos como esses registados ao longo de décadas, com a agravante perversa de os excluídos serem também acusados de não pretenderem governar, apesar de multiplicarem apelos ao entendimento, acabando o sistema patrocinado pelo soarismo de se enquistar no «arco da governação» só recentemente quebrado.
 
Os conceitos de liberdade e democracia do soarismo tiveram aplicações práticas orientadas pela vontade de tolher o potencial de desenvolvimento do país libertado popularmente em 25 de Abril de 1974, encafuando Portugal num colete-de-forças de bastidores no qual, durante tempo excessivo, foi privado das suas principais energias económicas, culturais e criativas, delapidado do património estatal, minado por interesses alheios. Enquanto isso, a vontade manifestada livremente pelo povo, em sucessivas eleições, foi ficando refém de entidades e organismos não-eleitos, ao serviço de poderes transnacionais nefastos para o povo, para os cidadãos que se crêem livres.
 
A integração na CEE sem qualquer auscultação da opinião popular, o arranque da liberalização sem fim do mercado de trabalho – com o seu cortejo de inseguranças e perda de direitos dos trabalhadores –, a abertura das portas ao FMI, a destruição da Reforma Agrária, o enfraquecimento do movimento sindical concertado através de uma coligação institucional com o PPD/PSD, a passadeira estendida às privatizações, com os resultados que estão bem à vista, as responsabilidades perante a desastrosa integração no euro – novamente sem que fosse pedida opinião ao povo – são marcos indeléveis no itinerário soarista até um país que continua a sofrer de desigualdades profundas, enquanto é vítima de ataques de entidades não-democráticas que menosprezam a sua soberania.
«Os conceitos de liberdade e democracia do soarismo tiveram aplicações práticas orientadas pela vontade de tolher o potencial de desenvolvimento do país libertado popularmente em 25 de Abril de 1974 (...)»
O ser e o parecer muitas vezes não coincidem, e assim foi em Mário Soares quando, apesar do inflamado discurso anti-neoliberal dos últimos anos, não aproveitou, quando podia, as oportunidades para combater a ascensão e implantação interna do neoliberalismo, uma vez que dispôs dos instrumentos governativos e presidenciais para o fazer.
 
O caminho do país sujeito à influência soarista foi percorrido sob uma governação restringida sectariamente a um bloco bipartidário na prática, excluindo da democracia as forças que propunham alternativas de facto e não uma alternância que se foi institucionalizando, favorecendo interesses minoritários, a vertente privada e encorajando a corrupção atrelada a um processo nocivo de privatização do próprio Estado.
 
A imposição do chamado bloco central, apesar – repete-se – das numerosas propostas para materializar uma vontade popular maioritária que proporcionaria frequentes entendimentos governativos do PS com forças à sua esquerda, é a marca mais negativa para o país resultante das opções de Mário Soares, e da qual decorrem praticamente todas as outras. Com a agravante de ter permitido que esse procedimento fosse camuflado com a enorme mentira, resistente até há pouco, segundo a qual partidos como o PCP não tinham interesse em associar-se à acção governativa, remetendo-se a um papel «contestatário», logo decorativo.
 
Neste aspecto, ao corajoso antifascista que foi Mário Soares faltou o destemor para fazer vingar os interesses reais dos portugueses como cidadãos livres usufruindo de uma democracia plena. O soarismo rendeu-se às normas antidemocráticas impostas surdamente através da NATO, impedindo qualquer Partido Comunista de um país ocidental de chegar a plataformas governativas.
É certo que o humanista democrata-cristão italiano Aldo Moro pagou com a vida a ousadia de estabelecer acordos de incidência parlamentar com o PCI, comparáveis aos que existem agora em Portugal entre o PS e o PCP. A coragem que atribuem a Mário Soares na defesa da democracia teria sido então de uma importância determinante para os portugueses se a ela tivesse recorrido, até às últimas consequências, na interpretação da vontade popular.
 
Por ironia do destino, foi ainda em vida de Mário Soares que se deu a primeira ruptura com o edifício do soarismo limitador das potencialidades democráticas do sistema multipartidário. Quando se constrói um mito histórico, a obra só poderá dar-se por terminada quando reflectir a realidade global do percurso percorrido em vida, e não apenas os troços parciais de que alguns pretendem continuar a extrair vantagens, mesmo que seja à custa dos interesses de muitos e dos direitos de todos à democracia e liberdade plenas.
 
Nesse caso restrito, pode ser um mito histórico sectariamente útil; mas é incompleto, impreciso e, mais grave ainda – o que será insultuoso para o próprio – nocivo para o país, insuficientemente democrático, manipulador de consciências, enganador das gerações mais jovens e das que virão.
 
Artigo de José Goulão no AbrilAbril.pt

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

China From Above


 
China is a vast country with a seemingly endless variety of landscapes. From the modern skylines of Shanghai and Hong Kong to the ancient city walls of Xi'an, the former capital of the 'Middle Kingdom'. Imposing rice terraces contrast with stark desert scenery, massive coal factories rub shoulders with newly built cities. I have been privileged to visit China a number of times in the last decade or so, usually with a photo- and or video camera in hand, trying to capture glimpses of this ever evolving nation. Earlier this year, I took the opportunity to travel across the country for another 3 months, focusing primarily on aerial photography and filming. This little adventure took me from the Northern 'rust belt provinces' to the beautiful mountain landscapes of national parks like Zhangjiajie (often named as an inspiration for the popular Avatar movie) and Jiuzhaigou. I also visited some cities to gain an aerial perspective of China's urban development, and came across several major infrastructure projects. The rural backwaters in Guangxi province were a personal favorite to explore, with the surreal Dragon's Backbone rice terraces and karst scenery around Guilin. I edited some of this material into one single clip, trying to show some of the diversity I came across. The drone I traveled around with was the DJI Phantom 4.You will find footage from the following places in this clip (in no particular order): Zhangjiajie national park, the Yangtze River (Three Gorges), Dunhuang (sand dunes and solar panels), Guazhou (wind turbines), Hebei province (Great Wall of China), Dazhai (Dragon's Backbone rice terraces), Fujian province (Hakka 'tulou' round houses), Pingyao, Changsha (Mao Zedong memorial), Liaoning province (several industrial sites and 'ghost cities'), Guangzhou (Evergrande football stadium), Hong Kong, Shanghai, Jishou (Aizhai bridge), Hainan island, Chongqing, Guilin, Jiuzhaigou national park, Zhengzhou, Linxia (golden domed mosque), Zhangye national park, Macau, Hukou waterfalls, and Shenzhen.Comments and suggestions are always appreciated, thanks for watching!Copyright of all footage: Hoffer Media

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

"As Abandonadas"

"As Abandonadas"
Pintura de 1909 de Constantino Fernandes (1878-1920)
Coleção José Relvas (Casa dos Patudos)


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Edward Snowden: “O programa de drones cria mais terroristas do que os que mata”

 
Reflexões de um homem que conhece por dentro o sistema de espionagem e de devassa da vida privada não apenas dos cidadãos dos EUA mas dos de qualquer parte do mundo que utilize um sistema de comunicação digital ou analógico. E que teve acesso a documentação não apenas de um infindável rol de crimes de terrorismo de Estado, e da hipócrita linguagem com que tais crimes são descritos.
 
No quarto de um hotel em Moscovo, sob medidas de segurança, Snowden, de 32 anos, passa os seus dias e as suas noites ligado à Internet, proferindo conferencias para estudantes universitários dos EUA ou, na realidade, de qualquer parte do mundo. Ao contrário da ideia de que o exiliado político costuma ser um individuo privado de algumas liberdades, sem ligações possíveis com o seu país de origem, Snowden está a demonstrar que essa estratégia contra os dissidentes políticos começa a falhar. O seu novo propósito é “ajudar os activistas e dissidentes que têm algo que dizer, algo que contribuir para as suas sociedades”, por isso assegura que não importa onde se encontre porque de todas as formas a sua voz será ouvida. Desde que em 29 de Setembro de 2015 enviou o seu primeiro tweet com a mensagem “Can you hear me now?” (“¿Podes ouvir-me agora?”) Edward Snowden alcançou em pouco tempo 1,5 milhões de seguidores. Entretanto ele apenas segue uma conta, a que corresponde à NSA.
 
Este homem, que decidiu abandonar o seu cómodo - embora ilegítimo - trabalho como analista para Booz Allen Hamilton (subcontratado da NSA) para pôr em xeque o regime de Obama com a revelação de informação sobre a espionagem aos cidadãos, está convencido de que os dissidentes como ele são uma força extraordinariamente poderosa que começa a ameaçar os governos. Nem sequer a NSA sabe quantos documentos levou consigo. As estimativas afirmam que Edward Snowden teve acesso total a 1,7 milhões de documentos e que entregou entre 50.000 e 200.000 documentos aos jornalistas Glenn Greenwald e Laura Poitras, a realizadora do documentário ‘Citizenfour’, sobre a prática de intervenções electrónicas ilegais da Agencia de Segurança Nacional, a perseguição do regime dos EUA a Snowden e a fuga deste. Durante a entrevista à repórter Lena Sundström Snowden não parou de falar sobre a (falta de) ética e a (falta de) moral do jornalismo dos EUA, a política externa contra o terrorismo, a Internet e as redes sociais, e em especial sobre a linguagem dos militares, a continuidade das prisões secretas e os assassínios em massa de civis inocentes em zonas de conflito. Se alguém crê ser capaz de avaliar as tendências totalitárias ou o estado de direito num país baseando-se no nível dos automóveis, restaurantes ou a última colecção de primavera de Stella McCartney engana-se a si mesmo. A pobreza é visível. A falta de democracia não.
 
Centros de tortura
“O facto de estarmos a pedir a países como a Suécia que permitam voos nos quais se trasladam ilegalmente supostos terroristas, ou que outros países como Roménia e Polonia possam alojar prisões secretas, tal como na Tailândia, onde tinham centros de tortura, faz com que estes países comecem a pensar que estarão de acordo com isso (…) porque se os EUA o fazem, deve estar certo.
 
 
A guerra contra o terrorismo
O regime “legitima-se pela ameaça do terrorismo, dizendo que salvará vidas e que qualquer pessoa que se lhe oponha corre o risco de manchar as mãos de sangue”, supostamente porque se não matas os terroristas eles te matam a ti ou a soldados da tua pátria. “O programa de aviões não tripulados cria mais terroristas do que os que mata. Não existia o Estado Islâmico até começarmos a bombardeá-los. A maior ameaça que enfrentamos na região nasce das nossas próprias políticas”. “Durante o governo de Bush, as pessoas foram sequestradas em todo o mundo e arrojadas nas prisões secretas, onde foram torturadas. Durante o governo de Obama os sequestros, as prisões secretas e as torturas foram substituídas por listas de morte e execuções extrajudiciais de pessoas, levadas a cabo por aviões não tripulados conhecidos como drones”. “Os documentos mostram que nove em cada 10 pessoas assassinadas por drones não eram os objectivos previstos, mas civis que são depois classificados como inimigos mortos em acção, o que tem melhor aspecto estatisticamente”. Também mostram quem decide sobre um objectivo. Como Secretária de Estado, Hillary Clinton foi uma dessas pessoas. Os documentos demonstram igualmente algo de que Edward Snowden falou anteriormente. “A maioria dos ataques com drones não é dirigida contra indivíduos mas contra telefones móveis. E quem dirige el ataque não tem qualquer ideia se a pessoa que transporta o telefone móvel é o objecto da perseguição ou é a sua mãe que ocasionalmente pegou nele. É por isso que há tantos erros nos ataques com drones, e tantas festas de casamento atacadas. A informação que utilizam é perigosa e pouco fiável. Quando vi estes documentos, não tive qualquer dúvida de que esta é história geopolítica mais importante do ano”, diz. “A maior ameaça que enfrentamos na região nasce das nossas próprias políticas”.
 
Serviço de inteligência
“A informação que usam é perigosa e pouco fiável”.
“Não há confirmação mais forte de que o Governo participa em actos ilícitos que os documentos governamentais que detalham as suas próprias malfeitorias”. “Depois do 11 de Setembro de 2001 mais de 1.200 organizações governamentais e quase 2.000 empresas privadas se viram subitamente a trabalhar no controlo do terrorismo. Quase cinco milhões de estado-unidenses tinham algum tipo de autorização de segurança, e cerca de 1,4 milhões tinham acesso a material altamente secreto. Como alguém o descreveu: ‘As autorizações de segurança foram entregues como Kleenex’”. Todas competem entre si, todas querem descobrir e matar mais “terroristas”, e assim mantêm ou aumentam o seu orçamento para o ano seguinte.
 
Linguagem de guerra
“Em linguagem militar tudo é um acrónimo, tudo é um eufemismo. Não se diz assassínios, diz-se neutralizações. Não se diz ‘matar’, mas ‘operação de captura’, embora ninguém vá ser capturado. Eles têm sua própria cultura”.
“Quando utilizam a palavra ’segurança’ não estão a falar disso mas de estabilidade. Tal como quando eles dizem que estão salvando vidas quando bombardeiam pessoas”.
“Os estudos sobre a tortura da CIA demostraram que nunca houve informação de inteligência significativa sobre o tema, apesar de terem torturado muita gente durante muitos anos. O costo disso não inclui apenas a logística das prisões secretas mas também o dinheiro - estamos a falar de milhares de milhões de dinheiro dos contribuintes - que foi gasto para torturar as pessoas.”
 
Sobre o jornalismo
“É decepcionante que a grande imprensa nacional, jornais como o ‘Washington Post’, ‘The New York Times’, evitem informar sobre histórias como esta, por razões de concorrência, inclusivamente quando há interesse público em fazê-lo”.
“Não é suficiente que se possa escrever qualquer coisa. Os jornalistas devem sentir ao menos a obrigação que corresponde à realização de um serviço público. Ajudar as pessoas a entender aquilo que necessitam saber, tanto como o que querem saber”.
Mas dado que as revelações de Snowden mostraram que nem sequer os jornalistas mais próximos do regime se salvavam da espionagem da sua vida privada, as coisas mudaram.
“Hoje em dia muitos jornalistas de investigação nas democracias ocidentais trabalham com notas escritas à mão, passeios ao ar livre, correspondência com código encriptado e telefones celulares colocados em microondas quando se trata de material sensível”.
 
 
Política
Obama disse que a publicação das revelações de Snowden “prejudicou os EUA e as nossas capacidades de inteligência, havia uma forma de acompanhar estas conversas sem causar tal dano.” A candidata presidencial Hillary Clinton opinou o mesmo, agregando que os EUA têm uma tradição de protecção aos que alertam (whistleblowers). “A tradição estado-unidense com respeito aos que alertam é enterrá-los”, diz Edward Snowden. A imprensa tão-pouco esteve nisso de acordo com Hillary Clinton. Escreveram que estava completamente equivocada tanto legal como histórica e retoricamente, uma vez que é óbvio que não é assim que tem sucedido. Gente que alertou, como Edward Snowden, Daniel Ellsberg e Chelsea Manning - que proporcionou documentos secretos a WikiLeaks - podem dar testemunho disso. Mas há muitos mais. Desde 2007 o FBI vem provocando a queda em desgraça, o suicídio ou a fuga de altos responsáveis da NSA.
 
Terminologia militar
“Na linguajem militar tudo se converte em siglas, tudo se reescreve para que soe melhor. Não se diz execuções, diz-se homicídios selectivos. Diz-se que alguém deve ser “dado como baixa / capturado” mesmo que se saiba que um drone não vai capturar ninguém. É uma cultura. Há uma grande quantidade de abstracção nisso. Não querem pensar no facto de que na realidade estão a matar pessoas, que essas pessoas podem ter família. Querem pensar neles como coisas, objectivos, como peças de um quebra-cabeças. Da mesma forma, não querem pensar que estão a entrar no coração da infra-estrutura mais importante para a comunicação no mundo - Google. Que, literalmente, te permite entrar na vida privada de cada um. Querem pensar nisso como parte de uma infra-estrutura que pode ser uma valiosa fonte de informação de inteligência.”
 
Artigo de Lena Sundström, via ODiario.info 
 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Cuba despede-se de Fidel (3)

População aguarda na estrada nos arredores de Jatibonico (Fotografia Agência Efe)
 
Moradores acompanham cortejo com cinzas de Fidel em Ciego de Ávila (Fotografia Agência Efe)

Multidão em Ciego de Avila acompanha cortejo fúnebre de Fidel (Fotografia Agência Efe)

População acompanha passagem do cortejo por Jatibonico (Fotografia Agência Efe)

Cuba despede-se de Fidel (2)

 
Fotografia de Kaloian (OnCuba)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Discurso de Fidel Castro na ONU em 1979




"Basta ya de la ilusión de que los problemas del mundo se pueden resolver con armas nucleares. 
Las bombas podrán matar a los hambrientos, a los enfermos, a los ignorantes, pero no pueden matar el hambre, las enfermedades, la ignorancia. 
No pueden tampoco matar la justa rebeldía de los pueblos. Y, en el holocausto, morirán también los ricos, que son los que más tienen que perder en este mundo."